terça-feira, 16 de fevereiro de 2021

Uma viagem por esta nova e estranha forma de vida a bordo do 28E

E de repente estamos quase há um ano a viver lado a lado com o invisível. Aquele vírus
 que nos pôs em sentido e que nos mudou hábitos e rotinas. Quando atravessamos a terceira vaga da Covid-19 em Portugal, há no entanto ainda quem não tenha entendido o valor real dos números que nos chegam diariamente pelas televisões, pelos jornais ou pela rádio. Sabemos igualmente que nos custa a todos estar privados da liberdade, de podermos sair para onde queremos e às horas que queremos. Sabemos no entanto que se respeitarmos as regras impostas os números tendem a baixar e a aliviar o SNS, mas há sempre quem teime em contrariar os factos. Fazem-se comparações com outros países, fazem-se suposições, analogias, tudo e mais alguma coisa para contornar o que nos pedem, seja de que forma for.

O Natal adivinhava-se desastroso após o aliviar das medidas e comprovou-se. Mais uma vez os profissionais de saúde a serem sub-carregados, muitos sem férias há algum tempo, a trabalharem mais horas e alguns, até longe da família para que outros pudessem estar mais próximos, como que se não houvesse amanhã. E depois foi o que se viu, para muitos não houve mesmo o tal amanhã.

Na óptica de quem conduz um transporte público, esta pandemia dá para ter noção do que realmente o povo é capaz. Se são os maiores a bater palmas às janelas, são também os maiores a quebrar regras. Assisto diariamente a passeios, ditos "higiénicos" que levam passageiros a viajar de uma ponta a outra da carreira e a voltarem ao ponto de partida, e em alguns casos a repetirem várias vezes por dia. Há claro está, aqueles que têm de recorrer ao transporte público para ir às compras e por isso mesmo é que nós estamos a funcionar. Para servir essa população, mas também aquela que não pode parar, nos considerados serviços essenciais. 

O nosso serviço é também ele essencial, contudo, não estamos enquanto profissionais dos transportes inseridos no lote de prioritários para a vacina da Covid-19 porque não temos um contacto directo com a doença, dizem. Mas deixo essa questão para os entendidos. 

A chegada do novo ano, trouxe-me também ao fim de quase 14 anos, os serviços fixos. Permitem-me ter uma noção mais precisa dos movimentos da carreira porque passei a passar sempre à mesma hora em determinado local com determinado destino. Cruzam-se diariamente comigo as mesmas caras, as mesmas rotinas, mas rotinas essas também elas fora do comum. A paragem do Martim Moniz onde outrora estava repleta de turistas, está agora repleta dos sem abrigo, ou de famílias carenciadas que ali aguardam a chegada da carrinha com a refeição solidária.

A ciclovia da Almirante Reis, mais parece uma pista de atletismo, com a quantidade de pessoas que ali faz a sua corrida diária ou uma simples caminhada, tentando abstrair de tudo o que está à sua volta, praticando um pouco de exercício físico para renovar o ar e a mente. Subo à Graça sem sobressalto, mas com loja após loja de grade corrida, visão esta interrompida por um ou outro restaurante em take-away, os tais que só podem servir comida e não bebidas, mesmo que possa estar em frente uma loja com máquinas automáticas a vender as ditas bebidas...

A chegada à Graça parece uma chegada a outro planeta. Ali não há confinamento que resista. Talvez por ser o centro nevrálgico de uma quantidade de bairros envolventes onde há muito, o comércio local se virou para o turismo, que agora também não há como noutros tempos, e por ter uma população idosa, que acarretam sempre alguma teimosia. Chego a ver a mesma cara mais de 3 vezes por dia com sacos de compras, na primeira vez vão ao pão, na segunda vão ao talho e na terceira vão ao supermercado. Podiam fazer tudo numa viagem? Sim, mas não era a mesma coisa. Na verdade não fomos criados nem educados para estar fechados em casa. Precisamos da rua, do contacto, de tudo e de nada.

Da Graça a Alfama avista-se o Tejo e a margem sul, uma visão que nos transporta quase para outro lado do mundo, até voltarmos a "cair" na real quando cruzamos o casario do bairro histórico, com casas fechadas, outrora abertas de luzes acesas e repletas de turistas. Lojas fechadas que não dão luz às ruas porque até os candeeiros, esses também parecem ter sido esquecidos. Estão apagados. Por instantes é o eléctrico que vai dando alguma cor e som ao espaço envolvente. A "Ti Natércia", não tem grupos de pessoas à porta à espera de mesa para sentar. A porta está fechada. Não há o cheiro a canela e maça dos folhados acabados de sair da fábrica da "Copenhagen". O Café "O Eléctrico" está também de portas fechadas sem aquele cumprimento sempre sorridente da Sandra ou da Gina que me conhecem desde a minha infância, que foi também ela passada por estas ruas de Alfama. 

As Portas do Sol sem aquele movimento frenético de tuk-tuks que tantas vezes nos queixámos, sem aqueles turistas afoites à procura do castelo que tantas vezes nos cansaram com tanta pergunta. O Eléctrico prossegue com um ou dois passageiros e em muitos casos vazios com o entardecer da hora. O "Farol de Santa Luzia" convida ao Take-away com as suas iguarias, mas não há quem passe. Mergulhamos na Baixa que não parece a Baixa e subimos ao Chiado. Cruzo-me com os camiões do lixo ou com os seguranças do metro. Chego ao Camões e um silêncio paira no ar. A praça está vazia. não há copos no chão, não há pessoas, passa um táxi e o sinal acende o verde. 

A noite caminha a passos largos e o aproximar da hora do jantar faz aumentar o fluxo de estafetas ora de bicicleta ora de motos. Uber Eats, Glovo, Bolt Eats, e afins. Aparecem de todas as direcções e vão para todas as direcções, não importando se é proibido voltar à esquerda ou à direita. O que importa é ir e entregar a comida o mais rapidamente possível para que possa cair outra entrega de seguida. São uma autêntica praga nestas horas que parecem sair dos ninhos sem regras. perdi já a conta à quantidade de acidentes que evitei os ultimos dias com estes estafetas. Estamos então no terminal de mais uma viagem e é hora de voltar ao ponto inicial. Virar bandeiras, preencher a folha de viagens aguardar uns minutos e dar início a mais um trajecto por uma Lisboa covid'eserta.

Num instante chego ao Martim Moniz, proveniente dos Prazeres. Desta feita nada por contar, não transportei ninguém. Não vi caras, não tive um "boa noite", um "obrigado" ou um "até amanha", como se tornou normal nesta nova realidade que é a do serviço fixo. 

Chega a hora da recolha, com o dever de missão cumprida. Amanhã será outro dia, envolto de esperança num mundo melhor, num regresso à vida que conhecemos antes de 2019, onde queremos voltar a ver turistas, onde queremos voltar a ter aquela Lisboa cansativa e transpirante, porque cansativa já se torna esta nova vida em que somos obrigados a andar com uma máscara na cara tentado proteger do tal vírus que não vimos mas que sabemos que nos dá luta e que não, não é uma simples gripezinha. Protejam-se e fiquem em casa! #Ajudenosanãoparar e boas viagens a bordo dos veículos da CCFL.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2020

Feliz Natal e Próspero Ano 2021!

 


O Diário do Tripulante deseja-lhe um Feliz Natal e Próspero Ano Novo.

Que 2021 seja repleto de saúde e paz em todo o mundo. 

Seja responsável, use máscara e mantenha o distanciamento social.

#Ajudenosanãoparar

domingo, 13 de dezembro de 2020

Lisboa em tempo de pandemia: Quando as horas parecem dias, e os dias parecem meses...

Mais um fim de semana com recolher obrigatório às 13h e mais um dia com as horas a parecerem dias. Se pela manhã ainda se vê as ruas bem compostas, o aproximar do meio-dia faz com que num abrir e fechar de olhos as pessoas desapareçam. Trabalhar nestes dias é sem, dúvida mais calmo, mas ao mesmo tempo, as horas custam mais a passar. Os diálogos são quase nulos, os passageiros contam-se pelas mãos e chegam a ser autocarros e eléctricos a mais para a procura. Em Lisboa as pessoas não se podem mesmo queixar da falta de transportes. Se o fizerem estão a mentir. 

Hoje reforços não faltaram na 15E e na 28E. Coube-me a mim estar num desses reforços, na carreira 15E com um autocarro onde em cada terminal dava para se ouvir os pássaros, as gaivotas ou simplesmente o chapinhar da água do Tejo no Cais do Sodré.

Lisboa está irreconhecível e todos queremos que tudo volte o mais breve possível à normalidade para que a alma de Lisboa volte a transpirar como antes. Para que as horas não pareçam dias e para que os dias não pareçam meses...

Boas viagens e Feliz Natal a bordo dos veículos da CCFL.

terça-feira, 1 de dezembro de 2020

Chegámos a Dezembro e Lisboa está mais triste sem o Eléctrico de Natal 40 anos depois...

Chegámos a Dezembro de um ano atípico devido à pandemia Covid-19. Por esta altura já se ouvia ao fundo da rua o tilintar do sino acompanhado da música e das luzes que caracterizavam o eléctrico de Natal da Carris. Ao fim de 40 anos consecutivos a dar um colorido diferente pelas ruas da cidade e arrancando sorrisos, o eléctrico de Natal este ano não se realiza. Contudo a autarquia decidiu manter as iluminações de natal que trazem por esta altura alguma esperança e conforto, iluminando as noites cinzentas que se vivem actualmente.

A angústia, a incerteza, a tristeza tem-se aliado ao recolher obrigatório imposto pelo governo com vista a combater o aumento de casos de covid-19 e as viagens pelas calhas de Lisboa têm sido como nunca ninguém pensou. Envoltos numa cortina plástica que tenta oferecer alguma segurança a quem conduz o transporte público, entram pela porta pessoas de rosto fechado e de máscara, onde por vezes se consegue arrancar um sorriso através do olhar. Ruas vazias, carros vazios, assim tem sido o quotidiano deste 2020 que está a trinta dias de lhe dizermos adeus, sem saudade alguma. 

Resta-nos portanto desejar que 2021 seja melhor que 2020 e que a alegria e saúde volte a fazer parte dos nossos dias, para que possamos novamente ser livres e viver a vida sem restrições. Este ano 2020 foi talvez o ano em que menos posts foram publicados no Diário do Tripulante, fruto também do cansaço provocado por esta pandemia. Mas agora que Dezembro chegou, quero partilhar com todos um pouco do que é esta época natalícia fora de fronteiras mesmo com a pandemia...

É assim o eléctrico de Natal na cidade de Praga, na República Checa que este ano decidiu decorar 3 veículos afectos ao transporte de passageiros para evitar aglomerações, circulando em carreiras normais, aos quais se juntou a zorra de lubirificação que pode sempre ser acompanhada online através do live stream 

  


Em Plzen, também o eléctrico de Natal já circula pelas ruas da cidade...



Em Brno, também na República Checa...


Em Budapeste, também em linhas regulares...



E em Lisboa, as ruas estão assim...



Boas Festas! 

domingo, 8 de novembro de 2020

Domingo nos transportes: Da calma da 28E ao susto provocado pela hipoglicemia a bordo da 15E


O dia começou bem cedo na carreira 28E, numa Lisboa que conheceu na véspera, as novas medidas impostas pelo Estado de Emergência que entram em vigor às 00h desta segunda-feira. Ruas desertas num domingo com tempo a convidar a ficar debaixo da manta a ver televisão ou a ler um livro. Eléctrico vazio para os Prazeres, eléctrico vazio para o Martim Moniz, viagem após viagem com um silêncio quebrado pelo chiar das rodas nos carris ou pelo barulho dos areeiros do eléctrico a ejectarem areia nos carris escorregadios das ruas de Alfama.

Solicitada a limpeza dos carris para retirada das folhas que constantemente caem das árvores nesta época, lá prosseguimos numa manhã atípica, ou talvez não, dado o panorama que o mundo atravessa devido à pandemia da Covid-19. Ainda assim, foram começando a aparecer alguns turistas, sim ainda há cá turistas! Mas não os suficientes para causarem enchentes a que todos estavam habituados. 


A segunda parte do serviço foi na carreira 15E com o eléctrico "novo" de 1995 que continua a cumprir a sua missão de ligar Algés ao centro de Lisboa. Se na 28 o movimento estava fraco, na 15 não se notou grandes mudanças, mas ainda assim e apesar de menos tempo nos comandos do 15E, quando comparada com a manhã na 28E, custou mais. 

Quando menos esperava, a chegada a Algés ditava que tivesse de sair da cabine e deslocar-me aos últimos lugares onde estava um idoso sentado, pensando eu que teria adormecido. Chamo-o mas sem êxito. Toquei-lhe no braço para ver se respondia e sem êxito, permanecia com a sua boina preta, casaco branco, máscara e rosto caído. Agachei-me para perceber se estava a dormir, mas deparei-me com um olhar fixo e vidrado na direcção do solo com um rosto pálido. Faço gestos na frente dos olhos, falo com o senhor e abano-o mas sem resposta alguma. A única resposta era a respiração aparentemente normal. 

Volto à cabine para pegar no telemóvel e chamar o INEM e volto ao local onde o senhor estava sentado. Já com o rosto levantado, começa finalmente a responder. Pergunto-lho o que se passava, se precisa de ajuda. Diz-me que estava tudo bem. Comprovando que não estava pelo que assistia mesmo à minha frente, o senhor com cerca de 70 anos de idade e de máscara no rosto, e com um tremer cada vez mais acelerado do braço esquerdo, digo-lhe que «vou chamar uma ambulância».

Ambulância, a palavra mágica para que ressurgisse aos poucos ao seu estado normal, ou lá perto. Diz-me que ia para a Pontinha e queria ajuda para o levantar. Digo-lhe que não está bem para se levantar e que estava em Algés no terminal do eléctrico. Aos poucos os sinais dos olhos e as palavras iam melhorando e tentava descansar-me após o susto dizendo que por vezes acontece-lhe isto. 

Tentei fazer perceber que para me estar a dizer aquilo é porque não estava bem, tentado insistir para chamar a ambulância. Ele de imediato diz "não chame ambulância que eu não vou, ta tudo bem. preciso que me ajude a levantar". Acedi ao seu pedido, ainda que muito contrariado por ver o estado do senhor. 

Saiu para a rua, respirou o ar fresco e perguntou-me onde era a paragem do 729. Disse-lhe que não estava em condições de ir para o terminal do 729 que era preferível aguardar um pouco ou ir ao café para beber água com açúcar. Recusou de imediato e deixou-me a falar sozinho, partindo passo a passo rumo ao terminal de Algés dizendo que "agradeço os cuidados e a ajuda, desejo-lhe as melhores felicidades e saúde para si e para os seus...". Aguardei uns minutos a ver o seu caminhar que foi de encontro ao café de onde saiu com um pacote de açúcar. Provavelmente uma hipoglicemia, visto que depois, já na hora de partir rumo à Praça da Figueira vejo-o já a atravessar a rua como se nada se tivesse passado e a mim ainda não me tinha passado o susto. 

Ainda assim, e embora tudo não tenha passado de um susto que aparentemente pode ser normal para o senhor, dá que pensar nestes idosos que além de teimosos, são em muitos dos casos, deixados ao abandono pelos seus familiares, encontrando nos transportes públicos a sua distracção diária, mesmo que esteja a chover lá fora, facto que também a pandemia veio agravar com a "desculpa" do contacto e do contágio. Muitos acabam assim por ser desprezados não só pela família mas também pela própria sociedade.

E assim vão os domingos na capital das sete colinas onde embora a nossa função seja conduzir, nem sempre disso é feito o nosso dia-a-dia. Amanhã é outro dia. Boas viagens a bordo dos veículos da CCFL.

quarta-feira, 21 de outubro de 2020

Voltámos ao tempo das "queixinhas" quando todos nós temos de ser agentes de saúde pública...

A pandemia ainda não chegou ao terminal. Uma segunda vaga da Covid-19 tem feito crescer os números de dia para dia, contudo as pessoas parecem um pouco mais desleixadas que na fase inicial. Talvez vencidas pelo cansaço, ou talvez por ignorância. São cada vez mais as pessoas que entram diariamente pela porta do transporte público, com a máscara no queixo, com o nariz destapado, ou simplesmente sem máscara. Na última semana alertei mais vezes os passageiros devido à máscara, que na fase inicial pós confinamento. E assiste-se cada vez mais ao "fechar das janelas" inibindo assim a circulação de ar, ao contrário do que se sugere, e obviamente que todos compreendemos que o tempo começa a ficar mais fresco, mas fechar todas as janelas não é propriamente uma solução eficaz, embora compreendemos também que se está a chover, não vamos deixar a janela aberta, mas temos sim de saber medir as situações.

Depois há também cada vez mais aquela situação do "queixinhas", que pode até estar sentado ao lado de alguém que está a desrespeitar as normas de utilização do transporte público (ausência de máscara, por exemplo), mas que se levanta e dirige-se ao condutor para dizer "sr. guarda-freio vai ali um senhor sem máscara", fazendo lembrar os tempos da infância na pré-primária. E acreditem que muitas das vezes as pessoas que prevaricam estão em ângulos mortos que não nos permitem serem vistos pelo espelho retrovisor interno. No entanto, tratando-se a pandemia de um problema de saúde pública, onde todos nós somos agentes, porque não ser a própria pessoa que alertou o condutor, a chamar a atenção do prevaricador?

Afinal de contas, temos todos de zelar para o bem comum e o bem comum neste momento, é tentarmos minimizar os efeitos deste vírus invisível que veio para ficar, até que uma vacina o domine, o que tarda em aparecer. Todos nós não queremos voltar a fechar o país porque sabemos das consequências que isso acarreta, por isso é mesmo importante todos termos a consciência que ao alertarmos alguém para a mudança dos seus comportamentos, é para o bem de todos e do próprio. 

"Ajude-nos a não parar! Seja um agente de saúde pública!"  

segunda-feira, 21 de setembro de 2020

[Off Topic]: Uma visita virtual ao Museu dos Transportes de Praga à boleia do Honest Guide

Honza e Janek são os mais conhecidos guias turísticos da República Checa, na Internet. Começaram por criar vídeos com sugestões e conselhos e o sucesso foi tal que deu origem a um guia turístico da cidade de Praga. Nesta semana Europeia da Mobilidade, Honza acaba de divulgar um vídeo onde nos dá a conhecer o Museu da empresa de transportes públicos de Praga, local que já visitei mais de 5 vezes e que aconselho sempre a quem visita a capital da República Checa. 

Em tempos de pandemia, nada como aproveitar então esta boleia do canal Honest Guide no Youtube e mergulhar na evolução dos eléctricos da Dopravny Podnik Hl. Města Prahy, que por sinal tem uma história muito semelhante à da Carris, como aliás escrevi no livro "Lisboa e Praga de Eléctrico", cujo a 3ª edição está prestes a esgotar. 

Deixemos então de palavras e vamos viajar até Strešovice, a 10 minutos do Castelo de Praga, a maior sede de governo da Europa. 


sexta-feira, 18 de setembro de 2020

Parabéns Carris! : Em ano de pandemia, os 148 anos da Carris celebrados da forma que é possível...

E  de repente contamos 148 anos. A Carris está hoje de parabéns. F
undada no Brasil, a 18 de Setembro de 1872, desde então muito mudou. Se inicialmente os serviços de transportes começaram por carros puxados por animais, os "americanos", vieram mais tarde os eléctricos a 31 de Agosto de 1901 e seguiram-se depois os autocarros nos anos 40 adquiridos para serviço à Exposição Mundial que se realizou em Belém. A empresa foi crescendo, e acompanhando o crescimento surgiram novas estações e foi-se ao longo dos anos apostando na renovação da frota, que possibilitou em 2006 à obtenção da certificação. 

Ate 2011 a Carris continuou a sua aposta na melhoria do seu serviço, quer com a renovação de quadros humanos quer com a renovação da frota de autocarros. Contudo, nos últimos anos com a passagem da gestão da empresa para a autarquia, a aposta virou-se para as energias renováveis, com a chegada dos novos autocarros a gás e com um regresso da aposta nos eléctricos, como foi o caso da reabertura da carreira 24E há três anos e a chegada dos novos autocarros eléctricos. 

Mas este aniversário marca também a forma como a empresa deu resposta à pandemia que tomou conta do mundo, trazendo uma nova realidade que todos desconhecíamos e para a qual não estávamos preparados. Com perdas na receita avultadas, à semelhança de todas as empresas, a Carris não pôde no entanto parar e esteve na linha da frente. As entradas passaram a efectuar-se temporariamente pela porta traseira, e dispensou-se a validação, de forma a evitar o contacto e manter o distanciamento com o pessoal tripulante. Os eléctricos habitualmente repletos de turistas, passaram a andar vazios e com os poucos portugueses que também não pararam. As ruas da cidade desertas espalharam a angustia e o medo por vezes quanto a este vírus. 

Veio depois o retomar as actividades económicas e uma vez mais a Carris teve de se preparar para enfrentar a nova realidade. Um ano sem dúvida atípico e que certamente jamais será esquecido, mas que queremos que termine rápido para podermos festejar de outra forma os 149 anos. Recorde-se que se no ano transacto o aniversário trouxe ás ruas os veículos que contam a história desta centenária empresa, este ano isso não acontecerá devido à Covid-19.

Também este ano a habitual cerimónia do aniversário da Carris, não terá lugar. A empresa optou por se dirigir aos seus tripulantes através de uma mensagem digital enviada pelo seu presidente do Conselho de Administração. Pouco mais há a dizer sobre esta comemoração que se queria certamente de outra forma que não esta, mascarada a esconder o sorriso de quem celebra 148 anos de vida. 

Parabéns Carris! 148 Anos a servir a população de Lisboa. Obrigado por viajar na nossa companhia. Boas viagens...


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