terça-feira, 10 de janeiro de 2023

Até sempre amigo e "chefe" Gama!

Hoje despedi-me de um Amigo... Hoje despedi-me de um colega, de um formador, de um ser humano incrível. Foi aquele dia que nunca queremos que chegue, sobretudo quando se trata de alguém que gostamos e com quem convivemos. O chefe Gama, como carinhosamente era conhecido partiu, mas apenas fisicamente. Ele vai continuar para sempre entre nós, sobretudo entre a sua família, amigos e entre nós tripulantes e colegas que durante anos convivemos com ele, mas acima de tudo, que aprendemos com ele. 

Hoje em cada gabinete, em cada rua, em cada autocarro ou eléctrico há um pedaço do que ele nos deu, do que nos instruiu, da sua simpatia, do profissionalismo, enfim do bom Ser que era. Vítima daquela maldita doença prolongada, não pôde gozar como merecia a sua reforma. Um lutador, toda a vida onde com orgulho nos contava que tinha começado na Carris como limpa-vias. Foi humildemente progredindo terminando a sua carreira como coordenador da Formação.


Costuma-se dizer que as homenagens são para serem feitas em vida. Mas com o Sr. Gama foram feitas em vida e serão feitas sempre, porque jamais será esquecido. Entre as diversas mensagens que li pelas redes sociais de quem teve a honra de conviver com ele ou de quem com ele se cruzou, destaco uma. "Dizem que na vida não há insubstituíveis. É porque não conheceram o chefe Gama", subscrevo. 

Foi a pessoa que me recebeu na Carris em 2007, quando entrei na sala de formação para motoristas de pesados de passageiros. Ao longo dos anos foi não só partilhando comigo a sua paixão pelos eléctricos, mas também os seus conhecimentos em diversas acções de formação. Tive grande parte das formações com o Sr. Cardoso, mas com o Sr. Gama recordo a formação inicial dos carros históricos do Museu em 2019. De um conhecimento e técnica inquestionável, formou milhares de tripulantes que hoje são o rosto da Carris. Depois, bem... depois ia-me cruzando com ele nas ruas de Lisboa, onde sempre trocava aquele simpático sorriso de bigode farfalhudo perguntando sempre "Então Rafael como é que estás?" Sabia do meu gosto pela área da formação e perguntava-me sempre "Já tiraste o cap de formador? O meu lugar vai ficar livre...", sempre sorrindo.

Reformou-se e ligou-me um dia a agradecer a edição do vídeo que fiz com as mensagens de vários colegas em jeito de homenagem. Fomos trocando pontualmente umas mensagens, sobretudo para partilhar o seu estado de saúde. O Sr. Gama era daquelas pessoas que ninguém queria perder o contacto. Foi o rosto da campanha publicitária do Natal no El Corte Inglês com a sua neta Madalena no Natal de 2021. E tinha estado com ele pela última vez no passado mês de Setembro a quando do desfile dos eléctricos do Museu, no âmbito dos 150 anos da Carris. 

Hoje voltei-o a ver como não desejava nunca vê-lo. Mas a vida é assim... nem sempre justa. Mas sei que a imagem que vou guardar para sempre do chefe Gama não é a de hoje, mas sim aquela que o caracterizava no dia-a-dia. Tentarei sempre, na Carris ou por onde quer que passe, transmitir um pouco dos valores que me transmitiu. O mundo ficou mais pobre, o céu ganhou uma grande Estrela. E Lisboa ganharia muito ao ter uma rua com o seu nome, porque afinal de contas, em cada esquina onde haja um amarelo, está lá um pedaço do nosso amigo Gama.

A última acção de formação que me deu em 2019

À D. Alice e ao Ricardo, as minhas sinceras condolências por esta enorme perda. Até sempre amigo Alfredo Gama.


sábado, 31 de dezembro de 2022

Adeus 22... Olá 23!

Chega assim ao fim mais um ano. 2022 não foi aquele ano inesquecível profissionalmente, foi apenas mais um ano que no geral correu bem. Depois de dois anos a fintar o "bicho" fui apanhado pelo Covid-19 já bem perto do fim. Em Novembro fui obrigado por força das dores e do estado físico a ficar em casa 6 dias. A minha primeira baixa em 15 anos de serviço na Carris. Mas o pós-covid também não foi fácil. A tosse que ainda persiste pontualmente junta-se a um cansaço fora do normal. No ano em que a Carris completou 150 anos de vida, os eléctricos do museu saíram novamente à rua e foi uma honra poder conduzir o 802 num dia inesquecível sobretudo para quem gosta de eléctricos. 

Mas a motivação não é a de outros tempos. O ambiente que se vive não é de todo igual ao de outrora, quando entrei há 15 anos atrás. E a nossa profissão acaba por ser desvalorizada ano após ano, por aqueles que até dizem que fomos muito importantes durante a pandemia, ou que somos o rosto de uma empresa com história. O que é verdade, mas falta o resto...

2022 foi um ano marcado também pelo regresso em massa do turismo, que faz aumentar as receitas e reduzir a paciência, ao mesmo tempo que vamos perdendo o poder de compra. Diziam durante a pandemia que ia ficar tudo bem e que o ser humano ia tirar ilações e ser mais humano e social. Mas tudo não passou de chavões. As pessoas estão mais agressivas, mais egoístas e acima de tudo mais impacientes. Em Lisboa as filas aumentam, a falta de respeito também, como que tivéssemos de ser subservientes daqueles que dizem ser a salvação do país, os turistas. Aqueles que querem com um bilhete simples fazer viagens até mais não. Aqueles que querem fazer de uma carreira pública uma carreira turística, aqueles que mesmo que nos vejam a comer no terminal, interrompem com perguntas, aqueles que nos tempos que correm não sabem consultar um mapa, ler uma informação, consultar uma aplicação.

2022 fica também para mim marcado como o ano em que atingi o limite, o ano em que tive de procurar ajuda médica, depois de tentar procurar ajuda da empresa. À beira de um esgotamento, causado pelo stress que se vive diariamente na carreira 28E, fui obrigado a parar (sim, não acontece só aos outros). Foram 12 dias em casa, privado das minhas rotinas diárias, em busca de um descanso mental. Trabalhar no centro de Lisboa, onde ninguém respeita regras, onde o turismo toma conta do espaço, onde o respeito não existe, é sem dúvida um desgaste enorme para quem tem de lidar com isso diariamente 8 horas por dia. Mas ainda assim dizem que não é uma profissão de desgaste rápido. 

Voltei ao activo após a paragem forçada. Valeu-me fazer aquilo que gosto, mas sei que não estou a 100%. Sei que se ninguém fizer nada pelas condições em que trabalhamos nesta cidade, isto vai-se tornar numa bola de neve. Mas quero acreditar que 2023 vai ser melhor que 2022. Quero acreditar que o Mundo vai ser melhor, apesar de ter poucas esperanças. Quero sobretudo desejar que 2023 traga mais Paz e Saúde, o resto o universo encarregar-se-á. 

Desejo assim que entrem em 2023 com os dois pés que eu vou começar com os dois pés e com as duas mãos, seja nos manípulos, seja no volante. E que sejam acima de tudo felizes, e que continuem a ter boas viagens a bordo dos veículos da CCFL.  

segunda-feira, 5 de dezembro de 2022

Eléctrico de Natal da Carris já espalha magia nas ruas de Lisboa...

Arrancou hoje mais uma edição do Eléctrico de Natal da Carris. Pelo 42º ano, o eléctrico conduzido pelo Pai Natal, promete espalhar magia pelas ruas de Lisboa entre Santo Amaro e a Praça da Figueira. Esta é uma iniciativa especialmente dedicada a grupos escolares, em que durante o passeio é contada uma história de Natal às crianças que serão, depois, desafiadas a fazerem desenhos, com marcadores de giz, nas janelas do eléctrico.

Esta é uma acção de Responsabilidade Corporativa, de natureza Social, promovida pela CARRIS desde 1980. Com mais de 40 edições realizadas, são várias as gerações de crianças que já celebraram o Natal num passeio de eléctrico pelas ruas da cidade.

Segundo informação disponibilizada pela empresa, as viagens têm um valor simbólico de 2€ por pessoa, sendo que o total do valor recolhido é entregue a uma instituição e, este ano, a CARRIS associa-se à Fundação Santa Rafaela Maria para apoiar o Projecto TASSE. Um Projecto que tem como missão promover a inclusão escolar e aumentar as competências e as oportunidades das crianças e jovens da Quinta da Fonte da Prata, na Moita.

Em nota enviada à imprensa, ficamos a saber ainda que para além do valor angariado com as viagens, a CARRIS vai também proporcionar a experiência do Eléctrico de Natal às crianças da Fundação Santa Rafaela Maria.

Este ano a Faber-Castell associa-se a esta iniciativa doando brindes para crianças e professores, que serão oferecidos no final do passeio, e a Edding oferece os marcadores de giz para fazer os desenhos nas janelas do eléctrico.

Assim sendo, no ano em que a CARRIS celebra 150 anos de história, o eléctrico de Natal espera mobilizar cerca de 2000 crianças. As vagas no eléctrico são limitadas a 90 viagens para grupos escolares, nos dias úteis de 5 a 16 de Dezembro, com os horários de partida às 10h/11h/13h30/14h30/15h30.


domingo, 18 de setembro de 2022

Parabéns CARRIS: 150 Anos de história nas voltas que a cidade dá.

A Carris celebra neste 18 de Setembro de 2022 o seu 150 º. Aniversário. Fundada no Brasil, a 18 de Setembro de 1872, desde então muito mudou. Se inicialmente os serviços de transportes começaram por carros puxados por animais, os "americanos", vieram mais tarde os eléctricos a 31 de Agosto de 1901 e seguiram-se depois os autocarros nos anos 40 adquiridos para serviço à Exposição Mundial que se realizou em Belém. A empresa foi crescendo, e acompanhando o crescimento surgiram novas estações e foi-se ao longo dos anos apostando na renovação da frota, que possibilitou em 2006 à obtenção da certificação. 


Ate 2011 a Carris continuou a sua aposta na melhoria do seu serviço, quer com a renovação de quadros humanos quer com a renovação da frota de autocarros. Contudo, nos últimos anos com a passagem da gestão da empresa para a autarquia, a aposta virou-se para as energias renováveis, com a chegada dos novos autocarros a gás e com um regresso da aposta nos eléctricos, como foi o caso da reabertura da carreira 24E há cinco anos e a chegada dos novos autocarros eléctricos para a carreia 706. 

Em 2020 e 2021, ainda que a pandemia tenha colocado uma pausa no mundo, a Carris não parou e continuou na aposta da renovação da sua frota, com a chegada de mais autocarros, a continuação da criação das carreiras de bairro.

2022 é por tanto um ano de continuidade da renovação e reforço do capital humano e da frota, apostando assim na modernização e de forma sustentável. Parabéns CARRIS. É uma honra fazer parte desta família.

sábado, 17 de setembro de 2022

A história saiu uma vez mais à rua para assinalar os 150 anos da Carris

Lisboa parou neste Sábado, para ver a história passar e recuar no tempo. Parte do acervo móvel do museu da Carris saiu à rua para assinalar os 150 anos da Carris e promoveu o desfile de Clássicos do Museu, onde eléctricos e autocarros de outros tempos voltaram a deslizar sobre os carris de Lisboa e a cruzar as estradas da capital, este ano com a companhia de um autocarro eléctrico que faz parte do presente e futuro da Carris, e dos eléctricos temáticos da Carristur (Cortiça, Arraiolos e Bordado da Madeira) nas voltas que a cidade dá. As memórias de quem noutro tempo neles se transportava veio de imediato à conversa entre os visitantes e passageiros deste desfile que contou com duas partidas, uma pela manhã (11h) e outra já da parte da tarde (16h). 

Esta foi também a segunda oportunidade que enquanto tripulante da Carris, de conduzir as relíquias neste evento onde levamos para fora de portas um pouco da história, divertindo-me ao conduzir um eléctrico de 1939, com o número de frota 802, um salão de quatro motores, que faz parte do espólio do museu, e sobretudo divertindo quem neste e nos outros se transportava ou com quem, com eles se cruzavam. Inúmeros sorrisos, acenos, fotografias e conversas trocadas num dia recheado de momentos que mais tarde serão certamente recordados. Um dia memorável para quem realmente ama esta profissão.


Dos mais pequenos aos mais graúdos, foi um passar de testemunho deste gosto pelos transportes como aconteceu noutros tempos em que os pais de hoje eram os filhos de então. São gerações que viajam a bordo e que bonito é ver todos juntos a comentar e partilhar algo que pelo menos por um dia é de ambos. Entre os passageiros encontrei caras antigas da Companhia e alguns seguidores deste blogue. 

Hoje tive então a honra de fazer parte da equipa e por isso as fotos deixei-as para os entusiastas que apareceram em peso uma vez mais neste desfile, e por isso apenas serão estas as fotos que posso partilhar. Agradecer por fim o carinho demonstrado por todos os presentes e pela família que de surpresa apareceu na Praça da Figueira. E por fim, pedir desculpas por nem sempre dar a atenção merecida a todos os que me procuram na altura onde a concentração exige alguma atenção nos carris. Espero que todos tenham gostado do desfile. Um abraço do tripulante que termina desejando-vos uma boa viagem a bordo dos veículos da CCFL. 

Venha o próximo desfile!

O motorista Marcel Mazoni na chegada do desfile da Manhã

A equipa que conduziu este desfile dos 150 anos da Carris. (Foto: José Manuel Costa)



Desfilando pela Avenida 24 de Julho, em direcção à P.Figueira



A foto para mais tarde recordar (Foto: Vítor Santos)




quinta-feira, 15 de setembro de 2022

Carris celebra 150.º Aniversário com várias iniciativas na cidade de Lisboa

A Carris celebra no próximo dia 18 de Setembro de 2022 o seu 150.º aniversário, mas já anda há algum tempo a celebrar estes números redondos com diversas campanhas e iniciativas, porque não é todos os dias que se celebram 150 anos de vida nas "voltas que a cidade dá", que é precisamente o mote destas comemorações. 

As velas apagam-se a 18 de Setembro, mas as luzes ligam-se já amanhã, dois dias antes, através de uma obra de arte urbana, da autoria de Bordalo II, que será inaugurada na próxima sexta-feira, 16 de Setembro, pelas 21h00, no Terreiro do Paço, na presença do Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas, e do Presidente da Carris, Pedro de Brito Bogas.

Segundo informa a Carris, "o artista transformou um elétrico do Museu da Carris, o nº 525, dos anos 20, de forma a instalar no seu interior dois animais gigantes, feitos de materiais recuperados do lixo. O animal escolhido foi o corvo, característico e iconográfico da paisagem lisboeta, e um dos elementos inovadores e mutantes da peça é o facto de ser feita com sobras de néons leds, o que permite, também, uma visualização noturna da obra. A intervenção artística contemplou a criação de um sistema de iluminação próprio (LED), totalmente sustentável, uma vez que a sua alimentação elétrica provém de painéis solares instalados na capota do elétrico.

Bordalo II foi o artista escolhido para realizar esta intervenção, tendo, precisamente, em conta o seu trabalho, assente em conceitos relacionados com a sustentabilidade, a reciclagem, o apelo a uma consciência social sobre o desperdício e as alterações climáticas.

O elétrico intervencionado, o nº 525, integra o acervo do Museu da Carris e foi o primeiro de um conjunto de carros elétricos integralmente construídos nas Oficinas de Santo Amaro, tendo estado em circulação de 1924 a 1983.

A obra “Lighted Crows, 2022 - Bordalo II” vai permanecer no Terreiro do Paço durante 1 mês, junto ao Supremo Tribunal de Justiça, sendo depois instalada na zona das Amoreiras, em Lisboa, por um período de 2 anos".

Já no dia seguinte, sábado, tem lugar o desfile de clássicos da Carris, com parte da frota do museu a sair às ruas de Lisboa (às 11h e às 16h) convidando os lisboetas a uma viagem pela história, aquela "que sempre se reinventou e evoluiu ao longo dos tempos".

A Carris é uma empresa que evoluiu para acompanhar as transformações da cidade e a vida dos lisboetas. Ao longo de 150 anos, a Carris adaptou-se, inovou, expandiu-se, participou e ajudou a moldar a cidade.


Também neste dia 17 de Setembro é inaugurada uma exposição ilustrativa da história e da evolução da CARRIS e do seu contributo para a cidade de Lisboa, na Praça da Figueira onde estará a actuar a Banda da Carris. 


Por fim e também no Sábado a edição do jornal Público distribui de forma gratuita com o jornal, uma revista que é uma edição especial dedicada aos 150 anos da Carris, que certamente ficará bem na biblioteca de qualquer entusiasta ou apaixonado pelos amarelos da nossa Lisboa.


E para não perder pitada do que se passa em redor destas comemorações a Carris disponibiliza ainda um site dedicado aos 150 anos da Companhia, para que não fique de fora desta viagem pela história nas voltas que a cidade dá.


Resta-me portanto desejar-lhe boas viagens a bordo dos veículos da CCFL.

quarta-feira, 14 de setembro de 2022

Quando o turista chega e quer mandar no país dos outros..."Não pago e não saio!"

"Oh filho isto já não é como antes..." desabafa uma das passageiras habituais do 28, queixando-se que antes, as enchentes do eléctrico eram por épocas e que agora "é um martírio para conseguir entrar no eléctrico o ano inteiro". Na sua rotina diária o 28 faz parte do trajecto entre casa e o trabalho e por norma apanha o carro sempre à mesma hora e esta semana calhou-me a mim transportá-la porque estou na semana em que faço aquele horário todos os dias. Trocamos uns dedos de conversa porque não dá para mais. Já há mais gente para entrar na paragem seguinte e como ela própria fez questão de gritar... "chega atrás que há mais gente para entrar!"

Passageiro a passageiro o eléctrico lá vai enchendo paragem após paragem até que minutos depois chega ao terminal. Com muito custo os turistas lá saem do eléctrico não sem antes fazer um rol de perguntas como "e ahora como hace para volver?" ou "pour retorné au martim moniz?..."

Mas tal como a passageira habitual nos diz também eu posso dizer que já nada é como antes, nem o turismo. Esse mesmo, o tal que é muito benéfico para a nossa economia, o tal que enche os carros como se não houvesse amanhã, o tal que quer fazer turismo no serviço público, o tal que quer ser ele a fazer as regras, ou a viajar muito por pouco, resumindo... "o turismo pé descalço" que também ele está pior no pós-pandemia.

Ontem foi um desses dias difíceis. Prestes a iniciar mais uma viagem rumo ao Martim Moniz, abri as portas e fui acolhendo os passageiros que iam solicitando o bilhete para a viagem que se iniciava, entre os quais entra um casal francês que parecia dono e senhor do eléctrico 28. Entram, dirigem-se ao banco e sentam-se. Solicito que validem o título de transporte. Revoltado, o senhor levanta-se com um cartão "viva viagem" e valida duas vezes. 

Eu: Desculpe mas não é permitido viajarem duas pessoas com o mesmo título de transporte.

Turista: É, é! Eu comprei dois bilhetes, paguei 28 euros e vou-me transportar assim.

Eu: Lamento, mas se comprou dois bilhetes, tem de ter dois cartões, um para cada um dos passageiros. Assim como está, tem de pagar uma tarifa de bordo para se transportar de forma legar neste transporte público. 

Turista: Eu paguei 2 dias para duas pessoas, não tenho culpa que a máquina do metro só me tenha dado um cartão.

Eu: Quem não tem culpa sou eu. Se pagou dois cartões e a máquina só deu um, devia ter resolvido no imediato na estação respectiva. Aqui tem de pagar para viajar. E escusa de gritar e ser indelicado porque não o estou a tratar mal e estou a ser cordial. 

Turista já aos gritos e esmurrando a cortina de protecção do condutor: Você é mas é um ladrão que quer cobrar 3€ quando eu já paguei. Não pago e não saio! Vou seguir viagem.

Eu: Então, vamos ter de chamar a Polícia para resolver esta situação e interferir na vida dos restantes passageiros?

Turista: Pois bem, então chame!

E assim foi... Ao fim de 15 anos ao serviço desta companhia, tive de solicitar a ajuda da PSP, porque nem falando francês para lhe explicar tudo, ele deixava de me injuriar e gritar dizendo que lhe queria cobrar indevidamente um titulo de transporte. Não é pelos 3€ mas é! Não é pelo bilhete, mas pelo respeito e por tudo o que daí advém. 

É pelo respeito de quem está aos comandos, é pelo respeito para com os restantes passageiros, é pelo saber estar, é pelo que poderá acontecer em caso de acidente, não tendo titulo de transporte válido. Valeu então a ajuda dos elementos da 4.ª Divisão da PSP, que os convidaram a sair do eléctrico após uma hora de imobilização do carro no terminal, sugerindo que fossem ao metro resolver a situação. O turista alegou que em França era permitido viajar com o mesmo cartão duas pessoas e o Agente da PSP, lembrou: "Mas o senhor neste momento está em Portugal e as regras são diferentes. Se o condutor o alertou que não é válido e é o trabalho dele, o senhor deve acatar e respeitar, assim como devia ter-se informado antes, sobre as regras do transporte público em Portugal." 

Em resumo, dois turistas vêm de férias, querem ser eles a fazer as regras, interferem com a vida de outros turistas e locais que usam um transporte público, porque alegam ter comprado dois bilhetes e que a máquina só lhes deu um [a PSP verificou depois que o número de série do cartão viva viagem não correspondia aos dois impressos no recibo] e como se não bastasse tudo isso e todos os equívocos e erros, já dizia o outro... a culpa é da Carris.

E assim vão as alucinantes viagens com o turismo que visita Portugal. 

segunda-feira, 12 de setembro de 2022

Dia 17 de Setembro o Museu da Carris sai à rua! Venha viajar no tempo...

Depois de uma semana difícil com os problemas de saúde, o regresso à normalidade e ao passado com uma formação de "reciclagem" de condução dos carros eléctricos do Museu, com vista aos preparativos para o desfile comemorativo dos 150 anos da Carris.

No próximo dia 17 de Setembro de 2022 o Museu da Carris sai do eu habitat e permite uma viagem no tempo com o desfile dos seus carros históricos pelas ruas de Lisboa entre Santo Amaro e a Praça da Figueira. Com os lugares esgotados em 3 horas, há assim a possibilidade de quem garantiu lugar, entrar a bordo destas peças de museu e de quem não conseguiu lugar, de os ver passar e fotografar aqueles que no passado eram os carros diários de serviço público.

Carros afinados, guarda-freios preparados, no próximo dia 17 de Setembro as partidas serão às 11h e às 16h. No dia 18 de Setembro a Carris comemora então os seus 150 anos de existência na cidade de Lisboa, dia em que o Jornal Público terá uma revista dedicada à nossa empresa e às pessoas que a fazem movimentar no dia-a-dia.


Boas viagens a bordo da nossa companhia! 

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