quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Ontem foi um dia aéreo na 15E

Costuma-se dizer que um mal nunca vem só, e o certo é que o dia de ontem na 15E foi de bradar aos céus, porque a rede aérea decidiu fazer das suas, coisa rara, mas que por vezes acontece. Comecei o serviço no Calvário com 55 minutos de atraso porque o meu eléctrico tinha ficado condicionado na circulação na zona do Corpo Santo porque uma das aranhas da rede aérea terá prendido num pantógrafo. A prontidão do carro do fio ajudou a que o tempo de espera não fosse superior. Contudo não o suficiente para calar as pessoas que ao verem-me no Calvário, me questionavam o porquê de esperarem tanto tempo. 

A dada altura ainda não sabia do que se passava, e dizia isso mesmo a quem me perguntava, contudo o passar dos minutos e a ausência de movimentação de eléctricos na zona, levou-me a deduzir que houvesse algo anormal. Contactei a expedição e informaram-me que havia o referido problema no Corpo Santo, que entretanto estava prestes a ser resolvido. Alguns dos passageiros na paragem ao verem-me ao telefone questionaram-me novamente e lá lhes disse que havia uma interrupção. Começaram de imediato a reclamar comigo, dizendo que se ali tem painéis informativos não custava colocar lá a informação até porque o tempo de espera mantinha-se nos 3 a 4 minutos.

Remeti-os para a Carris uns metros à frente a fim de apresentarem a sua reclamação, visto que nada podia fazer, pois também eu aguardava o eléctrico. Chegou pouco depois e lá rendi a colega. Mas só andei uns 700 metros porque entretanto mais à frente na Rua da Junqueira, um esticador da rede aérea terá rebentado, o que fez com que os cabos baixassem e não pudéssemos circular com a garantia que o pantógrafo não fosse lá ficar preso e aumentar assim o estrago.  

Novamente parados e novamente à espera do carro do fio, que nem teve tempo de entrar na estação. Veio directamente do Corpo Santo para a Junqueira e em menos de 30 minutos conseguiram restabelecer a circulação. Não posso portanto uma vez mais, deixar passar em branco o trabalho por vezes invisível destes trabalhadores que são mais visíveis de noite, mas que são imprescindíveis para a circulação dos eléctricos. Com a circulação restabelecida, foi vez da Central Comando de Tráfego ter a missão de reordenar os carros pela ordem correcta para que se conseguisse cumprir os horários dentro dos possíveis e prossegui para Algés. O dia acabou por decorrer dentro da normalidade até se dar um acidente entre terceiros já junto ao Hospital Egas Moniz que voltou a interromper a linha 15E e 18E porque os condutores não se entenderam. Mais de 1h00 a circular entre Santo Amaro e Praça da Figueira. 

Hoje esperamos que o dia decorra de forma mais tranquila e sem percalços de maior. A todos os passageiros os votos de uma boa viagem a bordo dos veículos da CCFL

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Regresso com interrupções após longa interrupção...

E chega ao fim a primeira semana após o meu regresso ao trabalho, depois de um longo período de ausência devido ao acidente que sofri em Novembro passado na carreira 28E, quando um veículo pesado de mercadorias, sem travões veio embater na frente do meu eléctrico na Calçada do Combro, apesar de na altura a CMTV ter vindo dizer que tinha sido eu a embater na carrinha. Estragos materiais à parte fiquei com um dedo fracturado que me deixou de baixa durante cerca de dois meses, porque a recuperação foi retardada por um problema causado pela tala, ferindo-me o Nervo Radial. Uma das razões pelas quais este blogue tem andado um pouco sem conteúdo novo. 

No entanto, após algumas sessões de fisioterapia, pude regressar ao activo ainda que restrito, pelo facto de ter ainda algumas limitações com a mão direita. Regressei portanto à condução dos eléctricos articulados, pelo facto destes serem conduzidos apenas com a mão esquerda e neles vou ficando até à próxima consulta. Mas limitações à parte, o regresso trouxe algumas novidades até porque há muito não me deslocava para a zona em obras no Cais do Sodré. Novidades que também surgiram em Algés com mudança das marcas rodoviárias que dão agora prioridade aos eléctricos.

Mas se ontem parei uma hora devido a um acidente entre um ligeiro e um outro pertencente ao Corpo Diplomático, já hoje a conversa foi outra apesar do tempo de interrupção ter sido semelhante. A meio da tarde quando me dirigia para Belém, deparei-me com um automóvel ligeiro mal estacionado na Rua da Junqueira. E não só estava mal estacionado como tinha deixado a direcção virada para a esquerda, o que fazia com que ao passar raspasse no pneu, podendo originar o seu rebentamento. Parei. Abri as portas e verifiquei do lado de fora, não fosse eu estar com o azimute desafinado após tanto tempo de ausência. Mas de imediato me apercebi que não passava sem raspar, portanto o melhor seria mesmo dar conta da ocorrência à central e solicitar o reboque. 

No interior do eléctrico viajavam dois agentes da PSP que também avisaram a respectiva central. E do lado de fora haviam muitos "peritos" nas razias de eléctricos numa cidade perto de si. «Olhe que já passaram dois. Você não passa porque é mau»...

Pois sou. Péssimo!

A cada minuto que passava juntavam-se mais especialistas em azimutes, tiravam medidas, outros tiravam fotos até que um me pergunta porque não fechava o retrovisor. Digo-lhe que não é por causa do espelho mas sim do pneu e ele lá me diz «ahhhh tem razão, peço desculpa» Mas por trás lá estava a senhora «mas já passaram dois....» senhora essa que nem seguia no eléctrico. Já não podia ouvir ninguém. até que chegam mais dois agentes e tentam coordenar o trânsito para não complicar mais a situação. Vem um eléctrico em sentido contrário e pára, a colega que o conduzia informa o agente à civil que ela já lá tinha passado... 

O agente vem ter comigo e diz: «Olhe a sua colega diz que passou à rasca mas passou...» Digo ao agente que então o melhor seria ela largar o eléctrico dela e vir passar com o meu, porque eu não ia assumir tal responsabilidade. O agente compreende e diz «tem razão, depois se rebenta o pneu é você o pai da criança...» E por ali continuei a encher o saco de bocas de que somos todos uns malandros, bla bla bla... até que chega também um colega da fiscalização também com a mesma conversa de que os outros já tinham passado...

Chega entretanto um carro da Carris com um inspector que se vem inteirar da situação, após o terem parado o carro como se de um filme de acção se tratasse. Vitrificam as dificuldades, mas pressionados pelas bocas dos transeuntes e pelos telefonemas da tal colega que tinha passado, dizem para tentar passar. Ora como chefe é chefe, lá tentei passar, agora com a ajuda de um olho mais clínico que todos os que ali estavam. Mas a chegada a meio do articulado, fez com que os braços de imediato se levantassem dizendo "Pára, pára!  Não passa!"

Afinal, o guarda-freio até tinha razão. Bolas! Afinal o guarda-freio não estava a agir de má fé... Até estava a ser profissional e a cumprir com as directrizes da empresa - Evitar o toque e parar antes de bater. O reboque, esse tardava em aparecer, mas apareceu e antes do proprietário do carro, e lá teve o seu destino até ao parque da Polícia Municipal, onde poderá ser levantado após pagamento da coima e do reboque. O eléctrico prosseguiu então depois rumo a Algés ainda que atrasado, porque tinha passageiros com mobilidade reduzida dentro do carro.

A tarde continuava depois mais calma apesar dos atrasos e sem interrupções, até que na última viagem antes da recolha, deparo-me com um acidente em Alcântara, envolvendo um táxi e uma mota. Informo a central da situação e que havia feridos, provavelmente ia demorar. Restou-nos aguardar. Restabelecida a circulação já não deu tempo de prosseguir para Algés, porque já estava na hora do fim do meu serviço e assim terminei a viagem em Santo Amaro, terminando também assim a semana de trabalho. Seguem-se agora as folgas para recuperar as energias gastas num dia como o de hoje, onde temos de ter um poder de encaixe enorme, para não perder-mos a razão.

Faz este ano 10 anos que entrei na Carris e posso ter muitos defeitos como todos temos, porque ninguém é perfeito, mas se há coisa que não faço nem nunca fiz é simular interrupções. Sou pago para conduzir pessoas e é essa minha função, mas se vejo que algo me impossibilita de o fazer em perfeitas condições de segurança prefiro parar até porque não ganho à viagem e se depender de mim, não vão dizer que o eléctrico está danificado porque raspei aqui e ali porque passava à rasquinha mas passava. Lamento mas comigo não. 

domingo, 18 de dezembro de 2016

Balanço anual à saída de 2016 e o desejo que 2017 entre rapidamente...

Mais um ano se aproxima a largos passos do fim e é tempo de balanços. Um ano para esquecer a título pessoal pela perda de um ente querido, que tem feito com que me tenha afastado da escrita porque na verdade não tem sido fácil por muito que possamos tentar exteriorizar o contrário. No entanto a vida continua e por isso aqui estou a tentar dar um impulso para um regresso que se espera ser motivador e ambicioso, sobretudo a nível profissional com muitas mudanças que se avizinham, nomeadamente com a passagem da gestão da Carris para a Câmara Municipal de Lisboa. 

2016 foi igualmente um ano de poucos posts aqui no blogue, não só causados pela desmotivação profissional que por vezes surge com a incerteza do futuro, mas também porque a página do Diário do Tripulante no Facebook foi crescendo, sendo actualmente um primordial elo de partilha das aventuras que se vão vivendo pelas ruas de Lisboa a bordo do transporte público. No entanto não deixou de por aqui passar em Abril, o lançamento do livro do meu amigo Luís Cruz-Filipe, "Do Dafundo ao Poço Bispo - Uma História Sobre Carris", e o aniversário da Carris, num mês de Setembro recheado de novidades como foi o caso da chegada do autocarro 100% Eléctrico.

Setembro marcou igualmente  a entrevista que dei à revista francesa "Destination" enquanto que o destaque de Outubro foi para a possibilidade de conduzir um veículo que já faz parte da história da Carris. Graças ao Paulo Marques e ao Pedro Mendes tive a oportunidade de conduzir um AEC, mais precisamente, o ex-123 que terá desde então um futuro mais risonho à sua espera com vista à recuperação e preservação.

Depois chegou Novembro com um misto de emoções opostas. A tristeza pela partida da minha avó que certamente iria ficar orgulhosa pela chegada do meu novo projecto de edição de autor, com a publicação do coleccionável de 8 postais dos Eléctricos de Lisboa. Postais estes que chegaram acompanhados da 2ª edição do "Livro Lisboa e Praga de Eléctrico" que também já se encontra novamente disponível nas lojas e livrarias seleccionadas. 

Expus pela primeira vez as fotografias do livro ao público, no âmbito de uma iniciativa levada a cabo para assinalar o Feriado Nacional Checo e a sua revolução, através do evento "Cravos e Veludo" que decorreu em Lisboa e entrávamos pouco depois em Dezembro com o regresso ao blogue do artigo alusivo ao eléctrico do Natal, cada vez mais descaracterizado, mas que promete continuar a criar sorrisos aos mais desfavorecidos. 

Não tão importante mas impossível de esquecer foi igualmente o acidente que tive em Novembro na carreira 28E e que tanto deu que falar, quando parado na subida da Calçada do Combro, levei literalmente com um pesado de mercadorias que desgovernado e sem travões embateu violentamente no eléctrico, deixando-me ferido na mão. Foi a 18 de Novembro e desde então não voltei a conduzir eléctricos porque o que nada parecia ser nos primeiros exames, viria a confirmar-se mais tarde ser uma fractura num dedo da mão. Fiquei assim afastado igualmente da possibilidade que a direcção da estação me tinha dado, de continuar a conduzir o autocarro eléctrico aos fins-de-semana. 

Agora só penso em regressar o mais breve possível, para poder voltar a fazer aquilo que realmente gosto, conduzir eléctricos, e que 2017 seja sem dúvida um ano melhor em todos os aspectos. Resta-me por fim desejar a todos os leitores e passageiros os votos de um Feliz Natal e Próspero Ano 2017. 

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Eléctrico de Natal já anda a criar sonhos pelas Ruas de Lisboa

O Eléctrico de Natal, agora orientado pela operadora de turismo Yellow Bus da Carristur, à semelhança do ano anterior, está de volta às ruas de Lisboa com a denominação de "Eléctrico dos Sonhos" partindo da Praça do Comércio rumo à Estação de Santo Amaro, onde se situa o Museu da Carris. Se durante a semana as viagens estão reservadas para as escolas, já aos fins-de-semana e feriados, viaja nele quem quer ser guiado pelas ruas de Lisboa pelo Pai Natal guarda-freio, que troca as renas pelo eléctrico 700 que durante o ano realiza serviço no circuito Tram Tour.

Longe de se apróximar dos eléctricos de Natal europeus, e até mesmo de edições anteriores, este tem a particularidade de ajudar a criar sonhos às crianças da Make-a-Wish, uma vez que 2 € de cada bilhete vendido será dado à referida Fundação.

Assim, poderá viajar no Eléctrico dos sonhos nos dias:
1, 3, 4, 8, 10, 11, 18 e 31 de Dezembro
11h00 / 11h35 / 12h15 / 12h50 / 13h30 / 14h05 / 14h45 / 15h20 / 16h00 / 16h35 / 17h15

Cada viagem custa 6 €, mas pode obter um desconto de 10% se optar pela compra online através do site da Carristur: https://www.yellowbustours.com/pt-PT/Lisboa/Circuitos/Eletrico-de-Natal.aspx

Este poderá portanto ser um presente antecipado para esta quadra natalícia, onde poderá igualmente optar por adquirir no Museu da Carris ao conjunto de 8 postais dos Eléctricos de Lisboa, numa edição limitada do Diário do Tripulante e quem sabe oferecer ou partilhar a sua viagem conduzida pelo pai natal através do bilhete postal...


quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Os Eléctricos de Lisboa numa edição de 8 Postais para coleccionar ou enviar...

Uma viagem de eléctrico proporciona sempre sensações diferentes a cada viagem. Vivências e situações que muitos gostam de partilhar com os familiares e amigos. O carro que mal estacionado impede a passagem do eléctrico é aquela que menos gostarão de partilhar porque a viagem pode ficar a meio, mas se o eléctrico passa apenas a 1 centímetro já é uma alegria enorme, nem que para tal o guarda-freio tenha de fechar o espelho do carro. A viagem prossegue e ao passar por uma rua estreita de Alfama onde o aproximar da janela do eléctrico à janela do prédio traz um agradável aroma a refugado, abre de imediato o apetite. São sensações que gostamos de repetir ou que nos remetem para outros locais e origens. O cheiro da sardinha assada nas ruas em plenos santos populares com as ruas enfeitadas, ou o cheiro da castanha assada que entra com o fumo que sai dos assadores dos vendedores de rua, ou simplesmente o subir e descer pelas sinuosas colinas de Lisboa.

Todos os que viajam no eléctrico terão certamente uma história destas para contar e partilhar e pensando nisso mesmo, mas também naqueles que coleccionam postais ou nos entusiastas deste meio de transporte, decidiu o autor deste blog criar um pack de 8 postais para que possa partilhar com o mundo as suas histórias e vivências da viagem realizada no famoso eléctrico lisboeta. E porquê 8 postais? Porque são 5 as carreiras de serviço público, mais 2 de serviço turístico e 1 postal dedicado ao eléctri'cork, o eléctrico de turismo que rasga as ruas de Lisboa forrado a cortiça.  

Pretende-se assim, que se dê a conhecer todas as carreiras através do Bilhete Postal e que este seja um bom ponto de partida para a descoberta daquela carreira, na qual ainda poderá não ter viajado. Uma edição de autor, com os 8 postais cintados e arquivados numa capa, em forma de livro para que os possa arquivar na sua estante se assim preferir. «Os Eléctricos de Lisboa - Livro de Postais» encontra-se à venda por 5.00 €léctricos e além da compra on-line quer por mail, facebook ou ebay, pode também encontrá-los à venda na Livraria "Palavra de Viajante" em São Bento, e na loja do Museu da Carris.

[n.d.r.]: As fotografias desta edição de autor são da autoria do próprio autor e não podem ser reproduzidas sem autorização do mesmo.

domingo, 13 de novembro de 2016

e.City Gold agora também testado ao longo do rio na carreira 15E entre P.Figueira e Belém

Depois de transportar os passageiros nas carreiras 706 e 758 nos dias úteis, o novo autocarro eléctrico e.City Gold da Caetano Bus, iniciou este fim-de-semana serviço regular de passageiros na carreira 15E durante a tarde de sábado e domingo, transportando assim milhares de passageiros entre a Praça da Figueira e Belém. E depois da formação na passada sexta-feira como aqui relatei, hoje foi a vez de verificar como responde o novo autocarro, já com passageiros e efectuando paragens. E o resultado é bastante positivo.

As três portas disponíveis no veículo permitem uma melhor deslocação dos passageiros, ao contrário do que acontece nos autocarros apenas com duas portas, que fazem com que quem neles viaja, tenha tendência para não utilizar o corredor após a porta de saída. Surpresa para alguns passageiros foi também o silêncio do veículo, o que faz com que apenas se ouça as conversas cruzadas que se vão tendo ao longo da viagem, hoje em grande parte sobre o veículo.

Chegados ao Cais do Sodré, mais uma "casa cheia" rumo a Belém e na paragem havia quem dissesse que «agora é que a Carris anda bem, com carros novos...» Havia também quem esperasse pelo 714, mas como ali estava um autocarro novo, «vamos neste até Belém para experimentar e depois mudamos lá para o 714...» A viagem decorre e são vários os braços esticados em direcção ao autocarro, como quem aponta chamando a atenção de quem vai ao lado dizendo «olha um autocarro novo...»

As pessoas gostam e o motorista também. O serviço vai a meio e não há dores nas costas. A cadeira é boa e a posição de condução a ideal. Faz falta um validador na entrada porque apenas um, acaba um pouco por retardar as entradas, contudo já está pensada a colocação do segundo validador para breve. No terminal aproveitei para testar a posição de passageiro em alguns dos lugares mais traseiros e ao contrário do que se possa julgar por algumas imagens, ainda sobra espaço entre os joelhos e as costas da cadeira da frente e afinal de contas, o veículo está homologado, logo cumpre os requisitos, mas como a Caetano Bus já referiu, tudo pode ser adaptado à vontade do cliente e recordo que este é um protótipo de testes que circulará por Lisboa até ao final do ano. 

Quanto aos consumos, não se portou nada mal. Andei sempre completo nas seis viagens realizadas entre Belém e Praça da Figueira, e apanhei algum trânsito na Ribeira das Naus, porque ainda não há árvore de Natal mas já temos o Galo de Barcelos, causando algum pára-arranca e no fim ainda recolhi com 30% da carga após 48 Km's percorridos e certamente 100% de satisfação em quem nele se transportou. 

Agora chega a hora de desligar a corrente porque seguem-se dois dias de folga. Boas viagens a bordo dos veículos da CCFL.

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Fora dos carris mas 100% eléctrico!!

Silêncio... mas não se vai cantar o fado. Vamos andar no novo autocarro eléctrico da Salvador Caetano, que está por estes dias e até ao final do ano ao serviço da Carris, realizando testes em exploração real nas carreiras 706 e 758 durante a semana e agora também aos fins-de-semana na carreira 15E durante a tarde entre a Praça da Figueira e Belém. Concebido totalmente em Portugal pela Salvador Caetano, este autocarro é 100% eléctrico e com emissões Zero. Dotado de um sistema de propulsão 100% eléctrico, o protótipo tem uma autonomia para 80 km e tempo de carregamento de 1h30 minutos. Contudo, a autonomia do veículo pode ser aumentada desde que instalado um conjunto de baterias adicionais.  

Hoje tive a oportunidade de o conduzir após uma introdução ao veículo pelo representante da Salvador Caetano, que tem estado na Carris a acompanhar os testes que andam a ser realizados na 706 e 758. Se a primeira reacção ao olhar é boa, a condução é ainda melhor. Silencioso ao ponto de esperar-mos ouvir o arranque do motor que acaba por não ocorrer, e confortável desde o momento em que nos sentamos na cadeira do motorista, ou mesmo quando viajamos de pé enquanto passageiros.

Com travagens e arranques suaves, proporcionados por sistemas eléctricos e mecânicos que juntos criam uma agradável surpresa para quem nele viaja, o novo autocarro apresenta um comprimento de 12 metros, uma largura de 2,5 metros e uma altura de quatro metros. Com um peso bruto de 18 toneladas e uma tara de 12 toneladas, oferecendo uma lotação até 88 passageiros. O veículo vem equipado com um motor eléctrico síncrono que desenvolve uma potência nominal de 160 kW às 1.500 rpm e um binário de 1.500 Nm. 

E no seu interior, nada foi deixado ao acaso. A Caetano desenvolveu todo o software que tem permitido reajustes, como é o caso por exemplo da iluminação interior que causava alguns reflexos no vidro frontal, facto este reportado por alguns motoristas da Carris que nele têm realizado serviço, sendo já possível a redução da luminosidade. Agora o "Faíscas" como já foi apelidado entre entusiastas, passará também a circular aos fins-de-semana para serem analisadas as diferenças de consumos numa carreira mais plana, ajudando assim os sobre-lotados eléctricos ao longo da marginal.  

Com uma campainha semelhante à do metro do Porto, o novo autocarro eléctrico tem chamado à atenção também pelo seu design, dado que adopta novos estilos, mas não fugindo muito do desenho habitual de um autocarro urbano, facto este que leva a que consigamos ler os lábios de quem o vê passar, como foi o caso de uma senhora na Junqueira que ao ver, terá comentado com a pessoa do lado «um autocarro todo bonito, sim senhor...»

Para mim está aprovado e recomendado, sobretudo pelo painel dotado de uma ergonomia semelhante à dos Mercedes Citaro, que permite ajustar todo o conjunto (volante+painel) de uma só vez, mas também pelo conforto quer para o motorista, quer para o passageiro. Agora terei a oportunidade, de no próximo domingo, ver como é realmente em exploração real, porque hoje as viagens foram na companhia dos colegas que comigo tiraram a formação e do representante da Salvador Caetano. Mas certo é que o futuro passa por estes carros 100% eléctricos, com baixos custos, diria quase nulos, de manutenção associados. 

Resta-me por fim agradecer à Carris pela oportunidade dada em testar este veículo 100% eléctrico, mas que não anda sobre carris, e desejar a todos os passageiros que nele viajam uma boa viagem a bordo deste produto 100% produzido em Portugal, porque como já dizia a publicidade de uma outra marca, «o que é nacional é bom», como mostra o "minuto verde" da RTP...

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Impossível adormecer em semana de WebSummit em Lisboa

Semana de muito inglês à mistura com o "WebSummit" em Lisboa, que veio ajudar a aumentar o caos que se vive diariamente nos transportes, que deixam cada vez mais quem necessita do transporte público para se deslocar ao trabalho, com mos nervos à flor da pele. Mas afinal de quem será a culpa? É da Carris claro está! Ou melhor é de quem dá a cara pela Carris, porque somos nós e é sobre nós que recaem todas as queixas e reclamações. Reclamar está na moda, desrespeitar ainda mais. Os dias não têm sido fáceis pelas ruas de Lisboa com as obras que também, parecem ser culpa nossa, embora esteja aos olhos de todos os que se transportam, as dificuldades que elas nos causam. Horários são impossíveis de serem cumpridos e quando a porta se abre, já se esperam "bocas" e insultos. 

Ontem andei pela carreira 25E que continua encurtada ao Corpo Santo, por causa das obras de remodelação do eixo ribeirinho, e a meio da tarde o terminal recuou uns metros para a Rua Bernardino da Costa para garantir melhor acessibilidade e segurança aos passageiros. Informo que a viagem termina então nessa nova paragem e de imediato uma passageira responde «vocês fazem o que querem, cada um pára onde lhe dá jeito. Se o eléctrico vai para a esquerda porque não para lá?» Tento explicar que é por razões de segurança mas quando chego à parte da palavra "..ança" já a senhora ia a pregoar pela rua fora rumo ao seu destino.

Na viagem seguinte, novo episódio, mas desta feita a culpa não seria do terminal, mas sim das obras em Santos que causavam longas filas pela Rua da Boavista. Já a caminho da Estrela e ao chegar a Santos uma senhora na paragem levanta o braço, como manda a lei, para solicitar a paragem do eléctrico. Efectuo a paragem, abro a porta e quando vejo que a senhora se prepara para dizer algo pensei... "vai dar uma saudação com o tradicional 'Boa tarde'..." Mas não. A senhora mexe os lábios e meio tímida mas com uma vontade enorme de picar o guarda-freio diz... «Quase que adormecia aqui à espera do eléctrico» Pois não demorou a ter resposta. "Pois ainda bem que não adormeceu, pois caso contrário o eléctrico passava e tinha de esperar pelo próximo...". 

A senhora sorriu e disse: «Agora você esteve muito bem...» e sentou-se, já com outra passageira a dizer-lhe que «eles coitados não se podem desviar, não podem fazer milagres...»

E o dia lá foi passando, aguardando aqui e ali que a escavadora saísse de cima dos carris, ou que o calceteiro acabasse de martelar mais uma pedra na calçada portuguesa que vai resistindo ainda que em menor escala. 

Já hoje o tema da conversa era outro, as eleições dos Estados Unidos. Uma manhã na 15E com um remodelado, e uma viagem do CCB ao centro de congressos com um passageiro a analisar com alguém do outro lado do seu telemóvel a vitória do Trump e possíveis consequências. A preocupação era tanta como a abstenção em Portugal. Vive-se cada vez mais o problema dos outros que os nossos e depois reclamam quando a democracia funciona, por muito que não se concorde com os resultados. Afinal de contas foram os americanos que escolheram o seu futuro, seja ele risonho ou muito triste. 

E assim vão as viagens pelos carris de Lisboa...

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