terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Procuram-se rapidinhas pelos carris de Lisboa...

A semana tem tido um pouco de tudo. Sol, chuva, vento, clientes simpáticos e antipáticos. Bons e maus horários mas tudo isto é esquecido quando nos pedem em pleno serviço «uma rapidinha». A situação pode ser banal e bastante normal, mas não fosse o português uma língua traiçoeira e nada disto teria a mesma graça. E foi precisamente a meio da semana depois da passar na Graça e no Castelo, já em plena baixa de Lisboa e com destino à Estrela, aos comandos do eléctrico das colinas da Carristur. 

Uma turista brasileira, na paragem referida levanta o braço pedindo-me que parasse. Parei, abri as portas e sorrindo pergunta-me «Moço, esse bondinho vai no Bairro Alto?» Disse-lhe que sim mas que se tratava de um circuito turístico, pelo que o cartão que tinha na mão não era válido, mas que caso quisesse poderia entrar e comprar um bilhete próprio que seria válido por 24 horas. 

A turista agradeceu a informação, mas «ah tá então não dá porque tou querendo uma rapidinha pr'a chegar no Bairro Alto... brigada ein.» Não resisti e sorri e quando me preparava para arrancar a turista em causa, sorriu também ficando depois a aguardar a chegada do 28E que só pela espera deixava de ser uma rapidinha, mas sem dúvida mais barato para percorrer a distância equivalente a três paragens.

Mas depois de vários dias ao serviço dos nossos turistas, eis que hoje regressei e com agrado à mítica 28E, onde o dia passou bastante rápido apesar da chuva irritante e do frio que teimavam em querer embaciar os vidros do eléctrico quase sempre cheio de gente num vai e vem constante colina acima, colina abaixo. Amanhã regresso ao colinas para terminar esta semana que antecipa um curto período de férias em atraso.

E assim vão as viagens a bordo dos veículos da CCFL

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Simulacro de Incêndio pegou fogo nos passageiros da 28E

Há 26 anos atrás numa manhã de Agosto, Lisboa acordava debaixo de uma enorme nuvem de fumo. O Chiado estava a arder. Hoje a cidade acordou cinzenta sem fumo mas com alguma chuva, hoje o Chiado está renovado, mas muita gente questiona «e se voltar a haver um incêndio na baixa?» As respostas podem ser variadas, até porque passados todos estes anos inúmeros planos de prevenção foram estudados e elaborados, mas não esqueçamos que há ruas que sofreram grandes alterações onde a circulação automóvel é dificultada mesmo que em emergência. E exemplos disso são a nova rua pedonal que liga o Metro da Baixa-Chiado ao Elevador do Castelo com pinos e mais grave, a colocação de um quiosque de restauração em pleno arruamento da Praça do Município.

Mas tudo deve estar certamente estudado para que em caso de catástrofe as coisas se desenrolem dentro da normalidade possível para o momento que é sempre de aflição. Ora para que tal aconteça, nada melhor que se fazerem simulacros de vez em quando, para se apontarem e corrigirem as falhas. Mas será que um simulacro com o trânsito cortado 30 minutos antes, ajudará a obter resultados concretos?

Só os técnicos poderão dizer, até porque ao início desta tarde de sexta-feira, um simulacro de incêndio no Teatro de São Carlos, levou ao corte das artérias envolventes e o certo é que todos estavam avisados, ou melhor quase todos. Sabia a PSP, sabia a CML, sabiam os bombeiros, mas não sabia a Carris que não foi avisada, talvez porque os incêndios no teatro tenham só lugar depois o último e antes do primeiro carro da carreira 28E.

E se o dia estava a ser bastante calmo pelas colinas de Lisboa, a última volta acabaria por ficar marcada por este simulacro. Fui o primeiro a chegar ao local, depois do fecho da rua dos Duques de Bragança e antes dos próprios bombeiros que só chegaram 30 minutos depois. O caos instalou-se ao ponto de se juntarem mais de 5 eléctricos, onde em alguns deles permaneceram os mais resistentes a uma espera que tanto poderia ser de 30 minutos como de uma hora, mas nunca antes disso. Chegaram depois os bombeiros com alguns obstáculos pela frente. Minutos depois a chegada da ambulância. 

video

Os passageiros esses estavam cada vez mais chateados por terem de esperar ou prosseguir a pé o resto da viagem, ao ponto de muitos questionarem a hora e o facto de não terem avisado. Cerca de 1h30 depois o simulacro chegou ao fim, os eléctricos prosseguiram o seu caminho e eu acabei por ser rendido ali mesmo, ao invés de acontecer na Praça do Comércio.

Afinal estaria isto guardado para o final do serviço para marcar assim a diferença neste dia calmo e tranquilo pelas ruas de Lisboa... 


quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

De volta ao Tram Tour...

«Olá e sejam bem-vindos ao Tram Tour...» há muito que não ouvia isto, mas hoje foi o dia. Três meses depois de uma lesão contraída precisamente ao serviço no Tram Tour que me afastou dos carris durante algum tempo e posteriormente dos eléctricos 700, hoje voltei a efectuar serviço neste circuito turístico da CarrisTur. E o certo é que embora nunca fique a 100% do ombro após a lesão, hoje o serviço decorreu dentro da normalidade e sem dores. A meio da manhã alguma fadiga era notória num braço que já há muito não estava habituado a tal esforço, mas nada impeditivo de continuar o serviço num dia em que um barco trouxe alguns turistas até ao centro da capital.

A maioria dos turistas eram seniores e entre eles um entusiasta de eléctricos que ficou fascinado quando viu que os freios eram da Maley & Tounton ao ponto da esposa dizer-me no final do tour que o marido «estava eufórico, porque vibra muito com os eléctricos. O sonho dele era conduzir eléctricos...»

Entre o entra e sai de turistas, longe das enchentes de verão, muitos vinham em busca do 28E como aliás acontece em qualquer canto da cidade. E outros afirmavam não ter tempo para o circuito, o que normalmente acontece quando se diz o preço do circuito e o mesmo não agrada à carteira. No fundo digamos que foi um dia normal mas com um saboroso e saudoso regresso a um carro que gosto bastante, apesar de ser bastante trabalhoso e cansativo. 

E não poderia deixar uma vez mais de agradecer aos profissionais de saúde que me acompanharam no final de 2014 que fizeram com que hoje conseguisse voltar a conduzir um 700 sem dores. A todos os leitores e amigos, resta-me então desejar boas viagens a bordo dos veículos da CCFL.

domingo, 18 de janeiro de 2015

O reino sem rei que impera na Praça do Comércio

O cansaço tem vencido nestes primeiros dias do ano, e pouco do que se tem passado no dia-a-dia sobre os carris desta Lisboa, têm tido direito a destaque neste diário. Mas há situações que por tão ridículas que possam parecer, acabam por levar a que não as deixemos de fora desta história que já leva uns bons anos a ser relatada no mundo da Blogosfera. 

Ora neste calmo domingo de Janeiro, mês habitualmente fraco no que ao turismo diz respeito, estava eu a repousar um pouco entre duas viagens no circuito das colinas, quando em plena Praça do Comércio, ouço um toque-toque na porta do eléctrico proveniente de uns dedos dobrados de alguém que do lado de fora pretendia transmitir ou perguntar algo. 

Passadas fracções de segundos, e alguma insistência, lá tentei saber ao que vinha aquele senhor. Como estava junto a uma das janelas, abri a cortina que me protegia do pouco sol que de manhã surgia reflectido nas poças de água e abri a janela e de imediato ouvi o que tinha para me dizer: «Ó companheiro, chegue lá o eléctrico para a frente que está em cima da praça de táxis e a ocupar o lugar de um táxi...»

Confesso que numa primeira fase pensei que algures estivessem algumas câmaras escondidas e estivesse num qualquer programa de apanhados, mas vi rapidamente que não. Respondi ao senhor que «a praça de táxis é que está em cima da linha do eléctrico e além disso, a praça termina no terceiro táxi e já ai estão quatro...». Mas não conformado com a minha resposta, o táxista dizia então «epá então da próxima vez que quiserem entrar aqui para o terminal bem podem esperar que também não tiramos os táxis...» como se fosse aquela ameaça algo que me tirasse o sono. Afinal de contas se a polícia municipal tem multado os tuk-tuk, também pode multar estes senhores que se julgam donos e senhores daquela praça, onde todos os dias cometem inúmeras infracções.

Traços contínuos, inversões de marcha, sinais vermelhos, enfim, são inúmeras as infracções que deixam estes senhores sem qualquer argumentação válida e que continuam a manchar a imagem de uma classe onde também há excelentes profissionais. Contudo, não posso deixar de referir o papel fundamental que teve a Câmara Municipal de Lisboa nesta relação dos últimos anos, ao ter tirado dali o eléctrico que servia de bilheteira para os circuitos turísticos e que era um dos postais daquela cidade para ali colocar uma praça de táxis, a 550 metros de uma outra (Campo das Cebolas). 

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Adeus 2014...Olá 2015: A noite mais longa do ano

O guião repete-se ano após ano. O cenário tem como fundo o fogo de artifício e pelo meio, vários episódios desde a correria pelas compras de última hora para um jantar especial ou pela busca do melhor local para se dar as boas vindas ao novo ano e deixar para trás o ano que termina. Mas enquanto uns festejam, outros há que contam os minutos e até mesmo as horas. Assim é na Carris, como em tantas outras empresas, quando a família tem de ficar em segundo plano para que se cumpra mais uma noite de serviço. Se no Natal o deserto instala-se ao final da tarde de 24 de Dezembro, já quando se comemora a passagem de ano, o papel inverte-se.

O entardecer faz trazer para a rua o reboliço de uma noite que se espera sempre de festa, mas que nem sempre acaba da melhor forma. Ao que parece este ano até nem foi dos piores, a constatar pelas reportagens televisivas e também nos transportes públicos não terá sido das mais complicadas. Ainda assim, este ano as ruas do centro da cidade voltaram a ser tomadas pelos peões que roubaram o lugar aos carros por uma noite. Assim foi na Praça do Comércio onde a música deu as boas vindas a 2015 acompanhado de muito champanhe. 

Passei na praça perto das 05h15 rumo à estação de Santo Amaro onde iniciaria mais um dia de trabalho, o primeiro de 2015 e ainda eram muitos os vestígios de uma longa noite, muitas eram as luzes azuis das sirenes das ambulâncias e carros de polícia, muitos eram os cantoneiros que tentavam disfarçar a cara com que Lisboa iria acordar. A dificuldade em entrar no meu local de trabalho foi inesperada até porque nem me lembrava que lá dentro e em pleno Museu da Carris, o espaço tinha sido alugado para um "Reveillon" diferente, dando à estação um fervilhar de outros tempos, mas com outros estados de espírito, na minha opinião nem sempre os mais adequados, para um local onde circulam veículos sobre carris. Tempos modernos, onde a história dá lugar à diversão.

Inicio o serviço de plantão, para colmatar alguma falta de última hora e sem saber ainda a que horas iria regressar a casa. Mas não correu mal. Fiz uma troca de carro por avaria da roldana na carreira 28E e fiz quatro viagens e meia na carreira 15E, corri assim a cidade de uma ponta à outra, verificando assim que este dia 1 estava igual a si mesmo, com uma cidade a acordar deserta mas que com o passar das horas se encheu de turistas que escolheram Lisboa para dar as boas vindas a 2015.

E que para o ano de 2016 cá estejamos todos novamente a relatar como foi a noite, a madrugada e o primeiro dia do ano que certamente não será muito diferente deste. A todos os votos de um óptimo 2015.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Próspero Ano 2015

O Diário do Tripulante deseja a todos os seus leitores, passageiros e amigos...
Um Próspero Ano 2015!


** Boas Festas **

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quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

O 28 é dos melhores do mundo e agora quem o diz são os australianos e a SIC foi perceber o porquê...

O 28 anda nas bocas do Mundo e desta vez o eco vem da Austrália através do jornal The Daily Telegraph que o acaba de eleger como  um dos melhores eléctricos do Mundo. Com o seu trajecto característico e digo eu, único, o eléctrico que liga o Martim Moniz aos Prazeres volta assim a subir ao topo de uma lista onde constam outras cidades como por exemplo Genebra (Suíça), Istambul (Turquia), Melbourne (Austrália), Casablanca (Marrocos), Amesterdão (Holanda), Toronto (Canadá), Praga (República Checa) e São Francisco (EUA).

A SIC quis saber o porquê desta eleição e subiu a bordo do 28, viajando pelas ruas estreitas de Alfama e falando com portugueses e estrangeiros que no fundo são a razão da existência deste ex-libris da capital portuguesa que já originou igualmente muitas das histórias aqui relatadas neste blogue e publicadas também no livro "Diário do Tripulante - As melhores histórias e aventuras" que neste Natal pode ser adquirido pelo preço promocional de 10€.




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