quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

A viagem das 13h30 a marcar a diferença numa pacata manhã na carreira 15E

A viagem das 13h30 podia ser igual a tantas outras mas hoje não foi. Com partida de Algés e destino à Praça da Figueira, lá vinha eu descontraído, transportando turistas e portugueses que procuraram esta manhã o 15E para a sua deslocação. Uns estranham quando surjo na paragem com um autocarro. Outros sorriem e dizem que "hoje não ficamos certamente interrompidos por quem só pensa no próprio umbigo", fazendo alusão aos mal estacionados. Chegado à paragem do Largo da Princesa, entram mais uns passageiros à medida que outros vão saindo, embora o autocarro não prossiga cheio rumo ao destino final. 

Entre esses passageiros entrou um senhor que após se sentar num dos 4 bancos do lado direito que ficam frente a frente, decidiu mudar para o lado oposto, comentando com os vizinhos do lado que "é que eu já sou maluco e se apanho sol na moleirinha ainda fico pior", soltado de imediato uma enorme gargalhada. A este passageiro, vamos de apelidar neste texto, de Joaquim. 

E o Joaquim lá prosseguiu o resto da viagem, agora no lado esquerdo, sentado no ultimo lugar simples da fila ali mesmo em frente à porta da saída. Mas ao chegar ao Cais do Sodré, e já depois de tentar meter conversa ao longo da viagem com alguns passageiros, o tal Joaquim decidiu finalmente o seu alvo para criar um problema naquela viagem que tal como a manhã estava a ser tranquila. 

Entre os passageiros que entraram no Cais do Sodré, estava um homem de cor (ao qual passaremos neste post a chamar de Rui) que educadamente tinha cumprimentado o motorista ao entrar e imediatamente atrás de si, uma senhora idosa com uma canadiana que procurava um lugar para se sentar (á qual chamaremos neste post de Adelaide)

O Rui após validar o seu título de transporte e como a esta altura o corredor do autocarro estava já algo preenchido, encostou-se ali junto à cava da roda da frente e ao balaústre para arrumar a sua carteira na pasta que trazia consigo, sem se ter apercebido que atrás de si e querendo sentar-se estava a dona Adelaide. Entrava então em acção o Joaquim falando para o geral do autocarro que "esta malta não respeita os velhos. Nem deixam a senhora se sentar..." 

Perante isto, o Rui, após deixar a dona Adelaide passar, diz-lhe que "não deve estar a falar comigo certamente." E o Joaquim inicia então como tanto desejava, um diálogo aceso....

Joaquim: "Não estou a falar contigo não. ou tocaste-te?"
Rui: "Não me toquei, mas também não és ninguém para me tratares por tu."
Joaquim: "E tu, quem és tu?"
Rui: "E tu, quem és tu?
Joaquim: "E tu, quem és tu?"
Rui: "E tu, quem és tu?
Joaquim: "E tu, quem és tu?"
Rui: "E tu, quem és tu? (já ambos aos gritos)
Joaquim: "vai mas é falar assim para a tua família atrasado"
Rui já exaltado: "atrasado és tu. Em vez de estares aí a mandar postas de pescada, levantavas-te e ajudavas a senhora a sentar-se."
Joaquim: "E tu não me conheces de lado nenhum, estavas de pé ajudavas tu"
Rui: "mas fiz-te algum mal? devo-te alguma coisa? Estás a gritar para mim para quê se nem é nada contigo e a própria senhora não me disse nada e viu que eu não reparei nela»
Joaquim: "ao pé da polícia não falas assim..."
Rui: "Então chama a polícia se queres ver.. não me pesa a consciência de nada. Sou educado e vou trabalhar, não ando a passear como se calhar tu andas"

A gritaria era tal que já eu tentava acalmar o Rui, pedindo que ignorasse o óbvio, ao mesmo tempo que dois passageiros iam criando uma espécie de muro de Berlim entre ambos. A viagem parecia ter o karma atrás, pois os semáforos ficavam todos vermelhos a cada passagem, mas chegávamos então à Praça do Comércio, quando o Joaquim se dirige a mim e diz "Senhor motorista, vai ter de parar o autocarro na esquadra da Rua da Prata para identificar este senhor"

A dona Adelaide sentada no tal lugar dizia: "deixem-se disso que é uma coisa sem importância nenhuma". Mas o Rui dizia lá do fundo "vá lá então já que esse louco quer a polícia", mas dado que já se tinham acalmado não era intenção minha parar até porque o terminal era já a uns metros. Mas o sinal vermelho obrigou a isso e onde? Precisamente à porta da Esquadra da PSP.

Os agentes entram no autocarro, o Joaquim pede para identificarem o Rui porque o tinha injuriado e a meio disto a dona Adelaide levanta-se e diz que "foi por causa do meu lugar mas o senhor não me viu. Não fez por mal." O agente poderá por instantes ter pensado ser algo para os apanhados e terá dito para a dona Adelaide que "mas eu ainda não lhe perguntei nada." 

O Rui tenta explicar o sucedido e defende-se dizendo que tal como todos os passageiros a bordo podiam comprovar o Joaquim é que começou a provocá-lo sem mais nem menos. O agente informa o Joaquim que para apresentar queixa tem de efectuar um pagamento de duas custas no valor de 20 euros cada. O mesmo diz que tem conhecimento. Os agentes retiram o Joaquim do autocarro e apercebendo-se perante a opinião generalizada dos passageiros que o problema estava já do lado de fora do autocarro, informa-me que posso prosseguir viagem e comigo seguiu o Rui e a dona Adelaide. 

Uns metros à frente a viagem chegaria finalmente ao fim com o Rui a dirigir-se a mim e a pedir desculpa pelo transtorno causado mas que apenas entrou para se deslocar para o trabalho como faz todos os dias, mas que não estava à espera ser agredido verbalmente desta forma por um sujeito que se intrometeu num caso que nem era com ele.

Para trás tinha ficado um Joaquim com ar desolado a ver o autocarro partir sem ter o Rui identificado, entrando na Esquadra para possivelmente preencher papeis...

E assim vão as viagens a bordo dos veículos da CCFL, na esperança que amanhã o serviço seja bem mais tranquilo, porque as pessoas hoje em dia parecem entrar num transporte com um único objectivo, o de encontrar alguém onde descarregar todo um stress ou frustração.

Boas viagens! 

[n.d.r.]: Os nomes Joaquim, Rui e Adelaide são fictícios e foram escolhidos de forma abstracta apenas para ajudar a entender os diálogos cruzados desta aventura que foi esta viagem entre Algés e a Praça da Figueira.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

Ano novo, preço novo: Agora já têm trocos quando o preço é certo, e esta hein?!

Ano novo, preço novo. E se há males que chegam por bem, este aumento de tarifário é um deles, se tivermos em conta a posição do tripulante perante situações quase constantes em que aparecem passageiros que fazem do transporte público uma máquina de trocos ou até mesmo um banco. Eles aparecem com notas de 20€ ou até 50€ para pagar uma tarifa de bordo. e se lhes pedimos moedas ainda chegam a responder que é nosso dever ter troco. Acontecia e muito, até ao dia 31 de Janeiro quando a tarifa era 2.90€ e tínhamos de andar sempre a procurar moedas de 10 e 20 cêntimos antes de iniciar o serviço, porque eles nunca tinham moedas trocadas.

Ora agora, com o aumento tarifário, o bilhete comprado a bordo no autocarro custa 2€, e se for no eléctrico são 3€. Se nos primeiros dias de 2019 nos eléctricos, os mais distraídos ainda deixavam a mão estendida à espera do troco, o mesmo já não acontece. Há sempre aqueles que ao questionarem o preço soltam um «bolass!» e outros que pagam e sentam-se. Mas o caricato disto, e é certo que pode ser coincidência, é que agora há moedas trocadas daquelas que já não fazem falta para trocos. Exactamente as de 10 e 20 cêntimos juntam-se agora para formar 1 euro, 2 ou até 3. 

Ainda assim, após serviço realizado na carreira 15E e 28E , aquelas que são mais procuradas pelos turistas, e onde se vendem mais bilhetes, deu-me a entender nestes primeiros dias de 2019 que a velocidade comercial pode ter melhorado, dado que se perde muito menos tempo com os trocos. E para aqueles que reclamam do preço, a sugestão é optarem sempre pelo bilhete pré-comprado que fica por metade do preço, quando comprado a bordo. 

Mas se pagar 3€ por uma viagem de eléctrico é problema para alguns, para outros não há nenhum problema. Esta tarde na paragem da Sé, com destino aos Prazeres, uma família de turistas entra e o "chefe de família" entra e de forma determinada e sorridente pede-me seis bilhetes e estende-me uma nota de 20€, sem tão pouco questionar o preço. Peço-lhe 18€, faço o troco dos 20€ que me tinha dado e retiro os bilhetes da máquina, os quais entrego juntamente com os 2€ de troco. O "chefe de família" recebe os bilhetes e o troco e questiona-me num inglês disfarçado de francês ou vice-versa «This tram passes in the castle. Can you tell me the stop?»

Explico-lhe que o eléctrico acabou de passar no Castelo, e que teria de o ter apanhado no sentido contrário ou caminhar 10 a 15 minutos a pé, dado ser duas paragens antes de onde havia entrado. 

Indignado, abre os braços e diz-me no tal inglês mas que traduzido seria algo tipo «então mas paguei 18€ para a família então, posso ir dar a volta e voltar para duas paragens antes...» E lá lhe expliquei que não. Que pode viajar até ao terminal que é os Prazeres, sair e voltar a entrar noutro, com destino ao Martim Moniz e voltar a comprar 6 bilhetes porque cada tarifa de bordo é válida apenas para uma viagem. Ele não aceitando a resposta, pede-me que lhe devolva os 18€. Digo-lhe que não posso porque já tinha impresso e rasgado o bilhete da máquina e que ele deveria ter perguntado antes se passava no Castelo, ou ter visto na paragem o destino correcto que devia apanhar. Aceita o erro, com algum custo e senta-se. 

Levantou-se nos Prazeres após todos terem saído e lhe ter dito que tinha mesmo de sair. Ainda tentou dizer que era para ficar no Castelo, mas mostrei-lhe o autocolante que obriga a sair no terminal. Saiu, foi para a paragem e voltou a entrar e a entregar-me 20 euros para receber de troca 6 bilhetes e 2€ de troco. E adivinhe lá o leitor desta viagem onde terá esta família saído?... Claro está, no Martim Moniz e dali viram o o Castelo lá no alto. Vá-se lá entender este turismo afoito onde neste caso não viram Braga por um canudo, mas viram o Castelo pelo 28E.

E assim vão, as viagens pelos eléctricos mais procurados do mundo - os amarelos da Carris, que mesmo com viagens a 3€ continuam a marcar as férias de quem quer descobrir as colinas de Lisboa fazendo turismo ao preço de um transporte público. Para eles (turistas) o 28E é circular porque é o que lêem nos guias e porque pensam que aqui o turismo está em saldos. 

Boas Viagens a bordo dos veículos da CCFL. 

sábado, 29 de dezembro de 2018

Próxima paragem... 2019

E eis que está prestes a chegar ao fim a viagem de 2018. O Ano 2019 está já pronto a embarcar com os novos autocarros, mas antes disso, vamos reflectir sobre o ano que agora chega ao fim e que não começou da melhor forma para os Eléctricos, sobretudo para a mais procurada carreira do mundo - o 28E. Em Janeiro uma rotura numa conduta interrompia a circulação dos eléctricos na Rua de São Tomé, obrigando a Carris a colocar minibus a substituir o eléctrico num transbordo nem sempre fácil e mais demorado que o previsto. 

As viagens foram sendo feitas alternadas entre o modo eléctrico e o modo autocarro, o que nem sempre agrada aos amantes daquele que é o transporte mais carismático da capital portuguesa. Março trazia a primeira exposição de fotografia do autor deste blogue, no âmbito do projecto do seu livro "Lisboa e Praga de Eléctrico", que assinalou o lançamento da 3ª edição. "Praga de Eléctrico" foi a exposição que esteve patente durante o mês de Março na livraria Palavra de Viajante, que contou com o apoio da Embaixada da República Checa em Lisboa e da livraria Palavra de Viajante, que se situa na rua de São Bento.

Depois viríamos a dar as boas vindas a Abril - mês que se assinala a revolução dos cravos - mas também ao 24E que após 23 anos de ausência regressava às ruas de Lisboa, conforme prometido pela autarquia de Lisboa que meses antes tinha passado a gerir a empresa de transportes da capital. O Diário do Tripulante foi pioneiro na divulgação das primeiras imagens do eléctrico em Campolide ainda na fase de formação dos tripulantes para a abertura da carreira que viria a acontecer a 24 de Abril de 2018 entre o Largo Camões e Campolide.

Maio é aquele mês em que o Porto nos reserva sempre um convite de visita à cidade, e à semelhança de anos anteriores lá estivemos no Desfile Anual do Carro Eléctrico, num evento sempre muito carismático e bem organizado, que origina sempre a presença de muitos entusiastas. Mas de volta à capital, Julho seria o mês reservado para que o autor deste blogue tivesse formação da carreira 24E, após debelada a sua limitação física e temporária. Neste mês regressava também à normalidade o 28E para alegria dos habitantes de Alfama que batiam palmas à passagem do eléctrico após quase seis meses de obras.

Em Setembro a Carris comemora sempre o seu aniversário e este ano foram 146 as velas sopradas, numa semana europeia da mobilidade também ela assinalada com um Desfile dos Eléctricos do Museu pelas ruas de Lisboa, passados 10 anos desde a última vez que tinham saído fora de portas. A iniciativa originou grande alegria junto dos entusiastas e muitos pediam que se repetisse mais vezes.

Quem também apagou velas, mas em Novembro foi o "Diário do Tripulante" que está on-line há precisamente 10 anos, dando a conhecer um pouco do dia-a-dia de quem anda aos comandos dos "amarelos" da Carris, embora cada vez mais a participação seja mais activa nas redes sociais, que neste espaço concreto, acompanhando assim as tendências dos seus seguidores. 

Dezembro chegava então com o Natal à porta e com o habitual Eléctrico de Natal a espalhar a magia pelas ruas de Lisboa. Um mês agri-doce na Carris porque no dia em que a empresa apresentou os novos autocarros, um acidente na carreira 25E colocaria o nome da Carris na manchete dos jornais. Felizmente só houve feridos ligeiros, naquele que foi considerado por muitos como o "milagre de natal". Naquele dia o 25E não chegou ao seu destino final, devido a um acidente como há muito não se via. Entretanto nas ruas de Lisboa começaram a circular os novos autocarros, que viriam a despertar o interesse de entusiastas quer para fotografias, quer para viajar. Um ano marcado pelo renovar da frota mas também dos seus tripulantes. A empresa contratou em 2018 220 tripulantes e equipou toda a frota com wi-fi. 

Agora que estamos prestes a terminar 2018, temos na paragem 2019 à espera para embarcar e com ele virão mais 200 tripulantes que a Carris pretende contratar, virão mais autocarros novos e gostaria de poder já dizer que também viram eléctricos, mas uma vez mais parece que estão a cair no esquecimento. Em 2019 a Carris prevê também o prolongamento da carreira 24E ao Cais do Sodré e uma melhoria da oferta e reajustamento de carreiras no modo de Autocarro. 

Queremos que em 2019 tenhamos uma Carris melhor e de preferência com menos atrasos e mais corredores BUS. Desejamos ter uma Carris com menos acidentes e mais respeitada porque afinal de contas, #somostodoscarris .

Um Feliz Ano 2019 para todos os passageiros deste blogue e que seja repleto de boas viagens a bordo dos veículos da CCFL.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

Carris coloca em funcionamento os primeiros 15 novos autocarros

O Natal chegou mais cedo à Carris e mais precisamente para os seus passageiros, que a partir de hoje podem desfrutar dos primeiros 15 novos autocarros, de 250 que estão a chegar e continuarão a chegar no próximo ano. Estes novos autocarros que hoje entram ao serviço nas ruas de Lisboa, são movidos a gás natural e dispõem de WI-FI gratuito a bordo, assim como, mais conforto e motores mais ecológicos.

Na cerimónia de apresentação que decorreu esta manhã na Estação de Miraflores, o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, após o discurso onde enalteceu o esforço de todos em reerguer a empresa, e a marca Carris após a desintegração do Metropolitano, enaltecendo igualmente o empenho de todos os tripulantes que durante anos viveram momentos de angústia quanto ao futuro da empresa,  entregou as chaves do autocarro ao motorista de serviço e iniciou-se de seguida a primeira viagem, na carreira 728.

Carro do Ano 2019 - CARRIS
Recorde-se que esta renovação de frota permitirá uma redução em cerca de 40% em emissões poluentes, indo assim ao encontro do compromisso assumido por uma cidade cada vez mais amiga do ambiente e pela saúde dos seus habitantes.

Já antes, a empresa lançou uma campanha de promoção aos novos autocarros, apelidada de "Carro do Ano 2019", campanha esta muito bem recebida graças à sua estratégia comunicativa, fazendo um paralelismo às habituais campanhas do comércio automóvel, pretendendo-se assim que sem créditos e taxas, se possa circular pela cidade de forma sustentável e amiga do ambiente.

Entretanto, recordamos também os nossos passageiros que dada a aproximação da quadra festiva, deverão estar atentos ao site oficial da empresa quanto às mudanças de horários em vigor, aproveitando igualmente para desejar a todos um Feliz Natal e próspero Ano 2019, com boas viagens e agora, mais cómodas, a bordo dos veículos da CCFL.

sábado, 1 de dezembro de 2018

O Eléctrico de Natal está de volta pelo 39º ano, mantendo a tradição e espalhando a magia do Natal

Lisboa inaugurou as iluminações de Natal no último fim de semana de Novembro, que vieram trazer mais cor e alegria às ruas da capital. No parque Eduardo VII foi instalada uma mega feira de Natal onde não falta a roda gigante. As tendas dos circos montadas nos locais habituais, já recebem centenas de crianças e famílias para os espectáculos de acrobacias, mas o Natal em Lisboa só fica completo com a chegada do Eléctrico de Natal, que começou este sábado a circular pelos carris de Lisboa, ainda que apenas para os colaboradores da empresa. Uma vez mais a Carris e a Carristur juntam-se para dar um colorido diferente entre a Praça do Comércio e Belém, espalhando igualmente sorrisos e muita alegria. 

Se durante a semana, as viagens estão reservadas para as escolas, já aos fins-de-semana e feriados, viaja nele quem quer ser guiado pelas ruas de Lisboa pelo Pai Natal guarda-freio, que por estes dias troca as renas pelos eléctricos do tipo 700, que durante o ano realizam serviço no circuito Tram Tour.

Recorde-se que esta é uma iniciativa que dura já há 39 anos. Decorado com grinaldas e azevinhos, o Eléctrico de Natal, este ano, com os seus tons dourados, realiza viagens com partidas da Praça do Comércio entre as 10h00 e as 18h30 com partidas a cada 45 minutos. A viagem conduzida pelo Pai Natal dura cerca de 1h15 e passa pela Praça da Figueira, Cais do Sodré, Av.24 de Julho, Calvário, Santo Amaro (onde está instalado o Museu da Carris) e Belém onde inverte a marcha rumo ao ponto de partida.
Os bilhetes são válidos para uma viagem e têm um custo de 8€ para adultos, e 4€ para as crianças. A YellowBus criou ainda um bilhete de família com um custo de 20€ para 2 adultos e 2 crianças e os clientes da companhia turística têm um bilhete disponível por 5€. Por cada bilhete vendido, 2€ serão doados à Operação Nariz Vermelho.

As viagens não têm paragens ao longo do trajecto e realizam-se nos dias 8 e 09 de Dezembro e prolongam-se depois entre 15 e 31 de Dezembro, com excepção para o dia de Natal (25 de Dezembro). Mais informações em www.yellowbustours.com  

quarta-feira, 7 de novembro de 2018

10 anos de Diário do Tripulante


Começou no anonimato quando decorria o ano 2008. Rapidamente chegou ao destaque da blogosfera tendo dado origem a um livro com as melhores histórias aqui relatadas. Depois, o nome do blogue "Diário do Tripulante", deu igualmente nome às edições de autor de Rafael Santos, o tripulante deste diário. Depois de "Diário do Tripulante - As melhores histórias e aventuras" que esgotou, surgiu uma edição de autor mais direccionada para as viagens e descobertas da nossa cidade. Com uma paixão semelhante por Praga, o autor deste blogue decidiu inspirar-se num projecto de um fotógrafo checo que em 2004 fotografou "Lisboa e Praga aos olhos dos guarda-freios", querendo assim mostrar que passados mais de 10 anos, muito poderá mudar nestas cidades, menos a importância dos seus eléctricos. Assim surge em 2015 o livro que junta as duas capitais, "Lisboa e Praga de Eléctrico", com o apoio da Embaixada da República Checa e do Museu da Carris e da Dopravni Podnik Hl. Mesto Prahy.
O livro teve uma boa aceitação e no início deste ano foi lançada a sua 3.ª edição, assinalada com uma exposição fotográfica sobre os Eléctricos de Praga, que teve lugar na livraria Palavra de Viajante, em Lisboa. Mas a par desta 3.ª edição do livro que dá a conhecer as capitais portuguesa e checa, surgiu uma edição de postais também com a chancela das Edições do Diário do Tripulante. "Os Eléctricos de Lisboa - Livro de Postais" é uma colecção exclusiva de 8 postais num pack em forma de livro, ideal para coleccionadores. 
Ambos os livros encontram-se à venda no Museu da Carris e na livraria Palavra de Viajante, em São Bento. "Lisboa e Praga de Eléctrico" tem o custo de capa de 12.00€, enquanto que "Os eléctricos de Lisboa - Livro de Postais" tem o custo de capa de 5.00 €. 
No entanto para assinalar estes 10 anos na blogosfera, ao adquirir qualquer um destes exemplares através de um pedido para os endereços de email: livro.diariotripulante@gmail.com ou lisbonandpraguebytram@gmail.com, poderá beneficiar de um desconto de 10%* sobre o valor de capa. Os portes de envio são grátis para Portugal. 
*Promoção válida até 30 de Novembro de 2018, para compras exclusivas on-line através dos endereços acima indicados.

segunda-feira, 22 de outubro de 2018

25E: De Bollywood para o Corpo Santo só muda o estilo de Acção para Comédia

Hoje foi dia de madrugar e abrir a "loja" na 25E e faz tempo que não conduzia um eléctrico nesta carreira, sobretudo depois da queda de parte de um edifício em meados de Agosto deste ano. E se ontem o dia foi dedicado às filmagens dessa mega-produção de Bollywood, que está em Lisboa a gravar um filme ao estilo da "Missão impossível", do qual a produção não revela ainda o nome, o certo é que hoje o filme foi outro. A manhã até começou de forma tranquila para os lados da Rua de São Paulo sem as habituais interrupções. Primeiro, porque o estacionamento é agora reservado a residentes que têm conhecimento da passagem do eléctrico, e em segundo lugar porque também hoje decorriam filmagens mas para outra produção, porque na verdade Lisboa está na moda e os holofotes estão apontados a todas as colinas e praças da cidade. 

Mas fazer um serviço na 25E e não trazer uma história para contar, seria algo de estranhar e hoje não foi excepção. Após algum atraso, o eléctrico que seguia na minha frente, partia a meio da manhã dos Prazeres com bandeiras de destino "C.Santo", por indicação da nossa central de comando de tráfego e logo de seguida rumava eu em direcção à Praça da Figueira. E até aqui tudo bem. O pior mesmo foi quando chegámos ao Corpo Santo. Solicitada a paragem para entrada, um passageiro na faixa etária dos 40 entra pelo eléctrico dentro, como se de um foguete se tratasse, em direcção à rectaguarda do meu eléctrico. 

Alertei o passageiro em causa que deveria validar o título de transporte e o mesmo responde-me "Já validei!". Começava ali a cena de um filme que tanto poderia ser de acção, comédia ou ficção. «-Desculpe, mas entrou aqui directo à porta traseira sem dizer nem ai, nem ui e muito menos bom dia. E vi perfeitamente que não validou!» Mas o passageiro em causa, que muito devia à educação, insistia no discurso repetitivo a dizer que "já validei sim e não preciso tirar da mala para validar". Disse-lhe então que «-o senhor não é diferente dos restantes passageiros e se tem título de transporte deve validá-lo» .

Resultado de imagem para velha da bengalaRevoltado e já mais exaltado num tom de voz mais elevado diz-me que já tinha validado no eléctrico que tinha terminado no Corpo Santo e que não era obrigado a andar a correr para ir para a Praça da Figueira, porque a carreira 25E é da Figueira e não do Corpo Santo, dizia. Contei até três e expliquei-lhe que o eléctrico onde tinha entrado tinha bandeira de destino Corpo Santo. Se queria ir para a Praça da Figueira teria de apanhar um eléctrico com esse destino. Ele, após validar a custo o título de transporte, desce o degrau para a plataforma  da frente e insiste na questão "mas a 25E não é da Praça da Figueira? Então não é Corpo Santo." E lá lhe respondi «-Estamos conversados. Já lhe expliquei e o senhor só não entende porque não quer. Não adianta estar a falar mais.» 

E eis que entra a mudança de estilo de filme. Ele retira os óculos de sol para a testa e diz-me "não seja mal educado que se não partimos para a violência", e eu tive de lhe dizer que não estava a ser mal educado e que se ele não se acalmasse teria de partir lá para fora. A certa altura deste episódio, uma das passageiras, uma senhora já com alguma idade e de bengala sentada tranquilamente, mas pasmada com a situação, diz do seu lugar lá para a frente... «Deixe o rapaz que está a trabalhar e a fazer o trabalho dele!» E o passageiro em causa, já de tairoca calçada questiona, "mas a conversa já chegou à cozinha?" e a senhora sem papas na língua diz que "olha que eu sou velha mas ainda tenho força para te dar uma marretada com a bengala, vê lá mas é se respeitas parvalhão."

A risota foi geral e transformou toda aquela cena numa verdadeira comédia com o dito passageiro a ser enxovalhado por todos os restantes passageiros ao sair na Praça do Comércio. Terminando depois a viagem na Praça da Figueira com todos a despedirem-se com "um resto de bom dia, que vocês têm de ter uma paciência..."

E assim vão as viagens sempre hilariantes e diferentes pelas ruas da nossa Lisboa cinematográfica. Boas viagens a bordo dos veículos da CCFL...

sexta-feira, 12 de outubro de 2018

Lisboa está uma "tretinete" mas eu continuo a amá-la.


Modelo da Trotinete Elétrica Lime-S em Lisboa

O trânsito em Lisboa está uma verdadeira "tretinete" sobretudo se falarmos em mobilidade e facilitar o acesso aos transportes públicos. Sempre fui defensor de que esta junção entre a empresa de transportes que serve a cidade de Lisboa e a autarquia, fosse um bem essencial para o bom funcionamento de uma rede de transportes, e continuo a acreditar que seja. E prova disso mesmo, é o que acontece em grandes cidades europeias.

No entanto, o aumento substancial de viaturas privadas, nomeadamente nos prestadores de serviços como Uber's, Cabify's, Chauffeur Privé's, aos quais podemos juntar tuk-tuk's e serviços ocasionais, faz com que o trânsito em Lisboa seja cada vez mais caótico, porque a estes juntam-se os carros privados, que diariamente entram e circulam nas artérias da cidade.

Depois torna-se difícil cumprir horários, e quer autocarros quer eléctricos, acabam por chegar com atrasos ou com viagens encurtadas, o que causa sempre algum transtorno a quem neles se transporta. Mas Lisboa está de facto - e isso ninguém pode negar - mais bonita, mais verde e com mais espaços de lazer. Foram criados novos jardins e ciclovias. A GIRA foi um avanço fundamental na mobilidade sustentável dos habitantes da cidade nas suas deslocações, sobretudo nas avenidas novas e no eixo ribeirinho. Mas tudo isto é bonito e funcional quando rolam nos canais próprios. E se as bicicletas até se movem bem com o apoio da energia eléctrica, já o mesmo não se pode dizer das mais recentes trotinetes, que invadiram nas ultimas semanas as ruas de Lisboa. 

O veículo apesar de não ser tão seguro como a bicicleta, não é confortável para andar no empedrado e talvez por isso os seus utilizadores acabem por recorrer às vias reservadas aos automóveis. Os citadinos ainda vão conhecendo as artérias, e vão sabendo que as linhas dos eléctricos, por exemplo, têm de ser cruzadas e não atravessadas na diagonal, para que o destino não seja um valente trambulhão. Já os turistas que usam e abusam deste serviço à mão de semear, não olham a meios e surgem de todos os lados possíveis e imaginários, não respeitando as regras do serviço, nomeadamente quanto ao abandono após a deslocação. 

A cidade ganhou portanto em alguns pontos e veio a perder noutros. Lisboa parece agora uma cidade do vale tudo, com trotinetes espalhadas por todos os cantos e passeios, impedindo por vezes, a circulação de invisuais, quando há lugares assinalados onde as devem deixar após a utilização.  O excesso de licenças passadas aos tuk-tuk's fazem igualmente com que a zona central da cidade seja uma autêntica selva na caça ao cliente, nem que para tal, tenham de parar a meio da via, fazendo esperar quem vem atrás. Lisboa no que diz respeito à mobilidade e às novas tecnologias, digamos que está uma verdadeira "tretinete", mas ainda assim continuo a amá-la como antes. 

Foto:biskates.pt

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