domingo, 19 de agosto de 2018

Uma semana fresca dentro dos possíveis mas cansativa a bordo dos "eléctrónicos" de Lisboa


Já muito por aqui se falou dos nossos passageiros habituais, mas Agosto é por norma rico em situações com os nossos queridos emigrantes que regressam à terra natal para as merecidas férias. Pena que muitos esqueçam para lá da fronteira o português e venham em grande maioria a falar francês não deixando nunca de perguntar em bom português se falamos francês. É de facto algo que me causa alguma estranheza, sobretudo porque quando viajo para o estrangeiro é uma alegria encontrar alguém que fale a minha língua ou no regresso a casa, voltar a ouvir a língua de Camões.


Posto isto o habitué é aparecerem as perguntas com tudo à mistura. «Senhor, onde é o place pour prender o vingt huit?» e depois da resposta com as coordenadas... «e como fazemos pour acheter o ingresso?» Mas se estas perguntas são ainda do lado de fora do eléctrico, o melhor é quando entram a bordo a falar francês e depois de comprados os bilhetes e feito o troco, lá comentam algo em português nem que seja sobre o facto de terem-se levantado para dar lugar a um idoso, ou simplesmente para dizer «merde que o tram vai cheio que já não cabe mais ninguém!» 

Há de tudo e para todos os gostos, desde os mais humildes aos que se julgam já donos disto tudo. E depois se a eles se juntarem os turistas que também por esta altura invadem a cidade, temos o caldo entornado e a paciência esgotada. São filas e filas à espera de um "electrónico", como tão carinhosamente apelidam nas redes sociais. Na verdade o Eléctrico é o postal vivo da cidade e certamente o mais procurado do mundo, pelo seu trajecto sinuoso rasgando as ruas de Lisboa num sobe e desce constante.

Turistas esses que também já começam a procurar alternativas ao 28 e nesse campo o 24 surge bem no plano uma vez que o 15 é com "electrónicos" modernos. :) 

Ainda assim e após mais uma semana que começou quase sempre cedo, quando Lisboa ainda se preparava para acordar, deu para ver que também já começa a haver muitos turistas madrugadores que ás 8h00 já estão na paragem à espera do eléctrico. Com esses ou até antes, viajam na maioria pessoas a caminho dos seus empregos. O cheiro a Nívea abunda a par de outras fragrâncias que tornam a manhã mais fresca e cheirosa contrastando com o pico da tarde onde o suor se apodera daqueles que de forma afoita tentam conhecer Lisboa de uma ponta a outra. 

Mas têm sido eles, os turistas, os verdadeiros impulsionadores desta cidade em constante mudança e têm contribuído e muito para aquele que foi um momento menos bom na economia portuguesa. Contudo dispensávamos por vezes que fossem tão chatinhos e arrogantes, porque em Portugal mandamos nós, escusam de vir com ordens. E já sabem, se no terminal dizemos para saírem é porque têm mesmo de sair. Não vale a pena sentarem-se no lugar de quem se acabou de levantar, ou fazer a típica pergunta «Is it possible to stay inside?» Não não é possível! E já agora, escusam-se de rir-se ás gargalhadas quando vos mandamos sair porque não conseguimos entender ainda qual a verdadeira piada da situação.

E como a semana acaba de terminar aqui para o tripulante deste diário, quero terminar deixando a dica que se estiveram 1h45 ou mais à espera do 28 no Martim Moniz, fiquem então sabendo que a culpa foi dos vossos parceiros da fila que na vossa frente foram deixando partir eléctricos vazios porque apenas querem viajar sentados, como se o 28 fosse o Hills Tramcar Tour da Yellowbus. Mas fiquem agora também a partir o prato de riso, sabendo que aqueles que aguardaram muito tempo porque queriam ir sentados para ver as vistas, de imediato nas paragens seguintes ficaram com o eléctrico cheio, que é o que habitualmente acontece. Boas viagens a bordo dos veículos da CCFL.

[n.d.r.]: A foto é de Inês Costa Monteiro (NiT)

terça-feira, 31 de julho de 2018

Da 24E à 28E: De volta ao trabalho depois das férias que sabem sempre a pouco...

As férias já lá vão. Pouco há a fazer se não encarar a dura realidade que é sempre o regresso ao trabalho após o recarregar de baterias que parece saber sempre a pouco ou ser insuficiente para o desgaste a que estamos sujeitos diariamente, sobretudo quando se fala em trabalhar num eléctrico em Lisboa. O regresso ao trabalho foi na carreira 24E que surpreendentemente continua a aumentar a procura e no sábado houve até uma ou duas viagens em que viajaram bastantes passageiros de pé. Os passageiros habituam-se cada vez mais ao eléctrico pelas bandas de Campolide e deixam para trás o 758 que já vem normalmente bem composto dos lados de Sete Rios. No sentido inverso muitos são os que entram na Igreja dos Italianos para se deslocarem até às Amoreiras. Há já no entanto, algumas reivindicações por parte dos seus utilizadores, das quais se destacam, um abrigo no terminal de Campolide para resguardar do sol e da chuva, mas também o mesmo pedem para a paragem das Amoreiras, aqui mais pelo facto de não haver bancos nas redondezas para colmatar a espera pelo eléctrico que todos querem ver chegar ao Cais do Sodré. E essa é outra das reivindicações de quem nele se transporta - o desejo de o prolongarem ao Cais do Sodré.

Inalterável permanecem as interrupções temporárias na Rua da Escola Politécnica, sobretudo junto ao número 20 com destino a Campolide, o que causa ainda algum constrangimento a quem aqui se transporta, dando assim algum trabalho extra - mas também receita - à Polícia Municipal, que diga-se está bastante mais rápida a actuar.

Mas seguiu-se pelo meio um merecido descanso em dia de aniversário e hoje o regresso foi à sempre muito procurada 28E, com um acompanhamento a uma das recentes contratações da Carris, que à semelhança de tantos outros, após alguns meses de serviço nas carreiras 18E e 25E, chegam agora às carreiras de percurso "mais difícil". Concluída mais uma etapa de formação, desta feita para 12E, 24E e 28E, é altura de serviço em exploração real nestas carreiras e hoje coube-me acompanhar um dos colegas novos na 28E. O objectivo destes acompanhamentos é transmitir alguns conhecimentos do quotidiano da carreira, ajudar a integrar os tripulantes no serviço em causa, esclarecer algumas dúvidas, aconselhar sobre métodos e procedimentos a actuar em exploração real, mas acima de tudo esclarecer dúvidas que possam surgir em carreira que não ocorreram na formação. É portanto um complemento final a um processo de aposta por parte da empresa para que o desempenho da função tenha mais sucesso. 

Foi portanto um dia cansativo, no sentido que foram mais de 7 horas de pé, entre sobe e desce constante, entre curva e contra-curva e limitado a um curto espaço do eléctrico também ele sempre cheio de turistas, mas no final tínhamos mais um tripulante apto para receber e transportar os muitos turistas que procuram o 28E. 

Turistas esses que por estes dias motivaram uma petição por parte dos moradores da Sé, do Castelo e da Madalena, para apelarem à Carris e à Câmara de Lisboa, medidas para um eléctrico 28 mais digno e fiável para moradores e visitantes. Segundo o artigo do site "O Corvo", estes moradores «nada têm contra os turistas, garantem, mas pedem acções urgentes para que o eléctrico 28 não seja por eles tomado quase em exclusivo. Tem de haver lugar para todos, residentes e visitantes da cidade, mas em condições, para que a icónica linha continue a ser vista como um transporte público e não apenas como um “entretenimento turístico”. Um grupo de residentes da zonas da Sé, Castelo e Rua da Madalena lançou, por isso, uma petição apelando tanto à Carris, como à câmara e à assembleia municipal de Lisboa, para que tomem medidas “para um eléctrico 28 mais digno e mais fiável, servindo melhor residentes e visitantes”.» O artigo pode ser lido na íntegra aqui: https://ocorvo.pt/residentes-da-se-e-do-castelo-pedem-medidas-para-28-nao-ser-so-entretenimento-turistico/

domingo, 1 de julho de 2018

A paragem do 24E? Fica ali na Cochinchina...

Conhece aquela expressão que se costuma dizer quando nos referimos a algo que fica longe? Exactamente essa que "fica lá na cochinchina..." Pois bem, aqui bem mais perto, no coração de Lisboa, essa expressão nunca fez tanto sentido como agora, sobretudo para os lados da carreira 24E onde concluí mais uma semana de serviço. Mas estará por esta altura do texto o leitor a perguntar, «mas afinal que tem a ver a cochinchina com o 24E?»

Pois bem, antes de mais convém dizer que a Cochinchina existe mesmo e faz parte da geografia vietnamita, mas se não quisermos sair de Portugal também encontramos uma bem perto do centro de Lisboa. Sabemos que a carreira 24E tem sido um sucesso ao contrário do que se dizia, o que quer dizer que também aqui se poderia ter usado a expressão que a 24E só vingaria se fosse na cochinchina, no entanto sabemos também que a única coisa que continua a causar algumas queixas entre os utentes da carreira são as paragens do Largo do Rato, uma vez que não estão juntas com as da carreira 758. 

Por isso mesmo, a certa altura deste final de semana enquanto o guarda-freio aguardava a luz verde do semáforo que dá acesso à Rua da Escola Politécnica em direcção ao Príncipe Real, uma passageira aproveitando a fila de trânsito que obrigava o eléctrico a permanecer ali mesmo em frente à paragem do autocarro, não hesitou em perguntar «desculpe lá mas não tem paragem aqui?», ao que o guarda-freio terá respondido ironicamente que «a paragem é na cochinchina... fica ali à direita após a curva»

A senhora sorriu e correu em direcção à paragem. Chegado à paragem o guarda-freio abre a porta e explica o porquê de ter dito que era na cochinchina. Pois ali a paredes meias com a paragem, que fica também ela à porta de uma oficina, está o restaurante vietnamita de seu nome Cochinchina. A senhora compreendeu e terá dito que «afinal estava mesmo a falar a sério!», tendo de imediato acrescentado que «realmente esta paragem aqui fica muito fora de mão, pelo menos podiam tê-la posto no candeeiro anterior...» 


Por isso agora que já sabe onde fica a paragem do 24E no Rato com destino ao L.Camões, fica também a saber que pode ir à boleia do eléctrico até ao Vietname ainda que seja apenas através da sua gastronomia. Se lhe abriu o apetite ou simplesmente a curiosidade, já sabe, apanhe o 24E e como diz o site NiT "O prato típico pode ser servido em caldo de carne de vaca, neste caso chama-se pho bo (12,50€), ou numa versão vegetariana com tofu e massa de arroz chamada Pho Chay (10,50€). Também há uma versão com o caldo de peixe, chamado bún cá (12,50€). Luís Costa, que já trabalhou em locais como o Trobadores, aconselha também a massa salteada com bifinhos de vaca e bok choy (repolho chinês), chamado mee bò.



A ementa de almoço tem preços mais baixos já que, por 9,90€, pode escolher um prato do dia – normalmente o pho chay ou o mee bò – e tem direito a uma sobremesa e a bebida. O Vietname, ou a Cochinchina para os portugueses do século XVI, acabou de ficar mais perto."

Boas viagens a bordo dos veículos da CCFL e se for o caso, bom apetite!

[n.d.r]: Cortesia João Alberto

terça-feira, 26 de junho de 2018

A mística a bordo do 24E...

Há quem viaje por passeio, outros para o trabalho. A 24E está cada vez mais bem composta, sobretudo se entrar à frente do 758 na Rua da Misericórdia. Já em Campolide são muitos que preferem o eléctrico porque o atalho directo à rua das Amoreiras permite ganhar-se algum tempo em relação ao autocarro que só na paragem do centro comercial costuma perder algum tempo. Mas as terças-feiras são caóticas naquela artéria porque são inúmeras as carrinhas de cervejas e outras bebidas, de ovos, de frutas, etc... há que abastecer os estabelecimentos que escoaram os seus stocks no fim de semana. Por isso a certa altura do dia as viagens tornam-se um "chega e vira" constante.

Mas quando menos se espera surgem aqueles passageiros que nos fazem esquecer todos os contratempos da viagem anterior. Aguardando a hora da partida em Campolide, chegam duas crianças equipadas à Benfica, de mão dada com o pai. Não fosse eu benfiquista, tive de me meter com eles com uma "saudação benfiquista". O pai, adepto do Futebol Clube do Porto dizia «espero bem que mudem porque isto são influências do tio...» E o tio apareceu logo de seguida, assim como a restante família. Ao todo eram 10 e enquanto não chegava a hora de partir ainda se falou de futebol sem se falar em Bruno de Carvalho, algo inédito nos tempos que correm.

O tio do Pedro (o rapaz que vestia de encarnado dos pés à cabeça), dizia-me: «acabámos de vir do Estádio da Luz e ele vem encantado. Tinha de lhe passar os bons gostos para não seguir o caminho do pai.» Mas o pai sorria embora pouco contente por ver o filho de águia ao peito, mas afinal de contas era o aniversário do Pedro que aquela família celebrava por isso o clube pouco importava no momento. Chegava então a hora de rumarmos rumo ao Largo Camões. Impressos os bilhetes e pago com a quantia certa (coisa também rara nos dias que correm) lá prosseguimos a viagem. Fotos, selfies e muita animação sempre com o pequeno Pedro radiante a cantar o "glorioso SLB" ou até o hino do Sport Lisboa e Benfica. 

O pai do Pedro preferia abstrair-se por instantes e desfrutar da viagem. Chegámos ao Camões e quiseram voltar para Campolide porque os frangos da Valenciana chamavam-lhes para o jantar porque afinal o dia era de festa e o Pedro encantado com o eléctrico até quis tirar uma foto no lugar do guarda-freio. A mística benfiquista teve bem presente nesta viagem inesquecível para o Pedro que fiz igualmente questão que levasse também nas recordações, a mística dos eléctricos, e lá lhe deixei tirar a foto no eléctrico para que mais tarde possa recordar. Para trás fica também a simpatia desta família que tornou a tarde bem mais simpática do que estava a ser dado o trânsito. 

Boas viagens a bordo dos veículos da CCFL!

sexta-feira, 22 de junho de 2018

Uma semana diferente do habitual...

Chegou ao fim mais uma semana nos carris de Lisboa, semana esta bastante diferente do habitual e por isso é altura de se fazer um balanço. A semana começou com dois dias de formação da carreira 24E, onde uma vez mais pude obter os conhecimentos de quem anos e anos percorreu os carris de Lisboa, conhecendo como ninguém os segredos de todas as carreiras. O "mestre" José Cardoso foi uma vez mais o meu formador para mais uma etapa nesta carreira profissional desde a minha mudança da borracha pelo ferro. 

Mas a semana foi diferente não apenas pela formação mas pelos primeiros dias de trabalho na carreira que esteve suspensa mais de 20 anos e que agora regressou para fazer a ligação entre o Largo Camões e Campolide, estando prevista a sua extensão ao Cais Sodré. Muitos diziam que ia ser um regresso que iria durar pouco porque não ia servir ninguém porque já havia um 758 a servir o eixo em causa, mas o certo é que a carreira continua a circular e a apresentar bons resultados no que à procura diz respeito. 

Confesso que a julgar pelas sentenças dadas, pensei até que não iria lá trabalhar, mas o certo é que a saúde que na data da inauguração me impedia de conduzir remodelados, melhorou e fez com que em Maio voltasse à normalidade. Assim sendo, foi um regresso agora coroado com a ida à 24, carreira pela qual sempre nutri um carinho dado o seu trajecto. 

E que diferente tem sido. Os passageiros, os ares, as vistas, o cheiro a frango da Valenciana que abre o apetite, tudo ajuda porque tudo é novidade, e porque como dizia hoje uma passageira ao final do dia, "é saudável viajar no 24". Chegou altura portanto de recolher ao car-barn porque segue-se o fim-de-semana, o tal que só aparece de cinco em cinco semanas. Por isso prá semana há mais. Boas viagens pelos veículos da CCFL!

sexta-feira, 8 de junho de 2018

"Sugestão do Tripulante": A 88ª Feira do Livro de Lisboa à boleia do 24E

Até 10 de Junho «há mais vida no Parque» e tudo porque ali decorre a 88ª Edição da Feira do Livro de Lisboa. Este ano e à semelhança do que tem vindo a acontecer todos os anos, sugiro uma visita à feira do livro mas à boleia do Eléctrico. É certo que eles ainda não chegam ao Marquês de Pombal, mas porque não, juntar o útil ao agradável e aproveitar também para conhecer o regressado 24E? 

A viagem pode começar no Largo do Camões, prosseguindo pelo Príncipe Real, Rato até chegar às Amoreiras onde sugiro que desça o estribo do eléctrico e caminhe em direcção ao Marquês de Pombal que fica apenas a 7 minutos a pé da paragem do 24E. Conforme vai descendo a Rua Joaquim António de Aguiar, vai tendo contacto com os pavilhões e quiosques assim como todo um ambiente único e característico desta feira que atrai sempre milhares de leitores.

E este ano a feira está maior, mais pavilhões, mais espaços para as crianças e de refeição e até um pavilhão para doar os livros que já não quer. Há lançamentos, sessões de autógrafos, música, animação e até uma estação de rádio no recinto. Há de tudo  e para todos os gostos, e como é hábito os livros, esses têm sempre um preço de feira e mais convidativo.

A sós ou com a família, programe um dia diferente pela feira do livro que este ano tem também diversos livros onde o eléctrico marca presença na capa, como um chamariz perfeito, sobretudo se tivermos em conta que até livros de culinária trazem já o eléctrico na capa. Este ano o "Diário do Tripulante" destaca então alguns dos livros que se encontram na feira cujo a temática é Lisboa, Transportes, Viagens ou simplesmente porque um "amarelo" está na capa. Embarque então nas novidades e sugestões que seleccionamos para esta 88ª. Edição da Feira do Livro de Lisboa e boas leituras.

No stand A12 as edições dos CTT apresentam o livro "Transportes Públicos Urbanos em Portugal" e um pouco mais acima do lado esquerdo vai poder encontrar um livro de Marina Tavares Dias "História do Eléctrico da Carris". Na zona da Porto Editora os guias de viagem surgem em destaque e como não poderia deixar de ser sugiro os guias para visita a Praga, se bem que o melhor não está na feira. "Lisboa e Praga de Eléctrico" pode ser adquirido aqui via blogue por se tratar de uma edição de autor. 

Mas voltando à feira e aos livros que por lá pode encontrar, "28 - Crónica de um percurso" está também num dos stands da editora Livros do Horizonte. Depois a maior das surpresas está numa das novidades deste ano de 2018 na zona do grupo Leya, um livro de capa grossa com um eléctrico de Lisboa, chama a atenção, mas vai também chamar-lhe o apetite porque o livro é sobre a gastronomia de Lisboa, no stand Casa das Letras.

Tiago Rebelo apresenta na capa do seu livro "O Homem que sonhava ser Hitler", o eléctrico 28E a entrar nas Portas do Sol porque o romance desenrola-se nas ruas da Graça, e está disponível no stand da ASA. No espaço dos pequenos editores vai poder encontrar livros sobre os autocarros ingleses a preços pouco amigos para as carteiras mais leves, mas que enriquecerão certamente a sua biblioteca.  Mas muito mais há para ler neste certame que este ano não tem tido ajuda do São Pedro, mas que estará ainda disponível até ao dia de Santo António. 

Se gosta de postais, "Os Eléctricos de Lisboa - Livro de Postais" é uma excelente sugestão, mas que por se tratar de uma edição de autor também não está presente na Feira do Livro, mas pode ser adquirido aqui no blogue, ou não fosse igualmente uma edição "Diário do Tripulante".

A Feira do livro de Lisboa realiza-se no Parque Eduardo VII em Lisboa, virada para o Marquês Pombal, mas se vem da zona mais a norte tem o 713 e o 742. Já do lado sul da feira, a rotunda do Marquês Pombal é ponto de encontro de várias carreiras e entre elas estão as, 702, 711, 712, 720, 723, 727, 736, 738, 744, 746, 748, 783 e claro está a poucos metros de distância o eléctrico 24E (Amoreiras) e os seus horários e percursos podem ser consultados no site da Carris em www.carris.pt

Desejo portanto boas leituras que podem ser feitas em casa, no metro, na escola, no trabalho ou a bordo dos veículos da CCFL. 

quarta-feira, 6 de junho de 2018

Percurso do 28E finalmente restabelecido: "Habemus 28E em Alfama!"

Suspensa entre o Largo da Graça e o Largo das Portas do Sol, desde 19 de Janeiro de 2018 devido ao rebentamento de uma conduta nas Escolas Gerais, a carreira de eléctrico mais procurada do mundo - o 28E, voltou hoje à sua normalidade, concluídas que estão as obras naquela artéria histórica da cidade de Lisboa. A manhã foi portanto de festa para os moradores que batiam palmas e acenavam ao regresso do 28E às ruas de Alfama. Na primeira viagem que fiz com destino aos Prazeres, mesmo a meio do estreito da Rua das Escolas Gerais, duas idosas nem queriam acreditar. Ao verem o eléctrico deu para perceber pelos lábios o desabafo: «Até que enfim!» ao mesmo tempo que me faziam sinal a perguntar se também já havia para a Graça. Disse-lhes que sim e o sorriso dizia tudo!

Apenas a chuva miudinha estava a atrapalhar esta manhã com a linha a ficar muito escorregadia, mas como se costuma dizer referente aos casamentos, digamos que este regresso do 28E a estas ruas é também um casamento perfeito e por isso mesmo, poder-se-á dizer que "regresso molhado, regresso abençoado". Cinquenta minutos depois da primeira partida lá cheguei aos Prazeres sem grandes percalços mas com muita areia gasta pelo caminho porque a aderência aos carris assim obrigava. Os turistas mais madrugadores, encantados com o trajecto não dispensavam qualquer motivo para fotografar, até mesmo o virar da bandeira do destino que passava então a ter a inscrição "M.Moniz", local de onde tinham partido.

No regresso ao centro, desço com todo o cuidado a Rua Domingos Sequeira que mais parece a Amazónia numa manhã primaveril com chuva como a de hoje, com a copa das árvores a invadirem o terreno do eléctrico, o que tem impossibilitado o uso do sistema de contacto com a rede aérea utilizado pelo 25E - o Pantógrafo. A causa é o facto das ramagens estarem demasiado próximas da rede aérea onde correm os 600V de corrente contínua que dão vida aos amerelos da carris, que são autênticos postais vivos da cidade de Lisboa. E tudo porque o corte de árvores passou a ser uma competência das Juntas de Freguesia e neste caso a Freguesia da Estrela, que embora já tenha conhecimento há mais de uma semana da situação, continua por proceder ao corte das mesmas. Esperemos que não venha a causar nenhum acidente ou constrangimento na circulação dos eléctricos. 

Mas voltando ao 28E e às ruas de Alfama, já depois de subir a colina de Santa Catarina e mergulhar no Chiado e Baixa, a primeira passagem trouxe a experiência de utilizar o traçado novo colocado em São Tomé, que passa agora a ter uma via dupla ao contrário do que acontecia até então, onde o eléctrico com destino ao Marim Moniz tinha de aguardar que uma alma caridosa lhe desse passagem, não porque não tivesse prioridade ao circular sobre carris, mas porque cada vez mais o automobilista na cidade de Lisboa, pensa única e exclusivamente no seu próprio umbigo. Assim perde-se na história do percurso e seu simbolismo, mas ganha-se em velocidade comercial, apesar da zona não ser propícia a grandes velocidades. 

A passagem pela subida para São Vicente quase que se parecia a uma bancada num estádio de futebol quando se festeja um golo. Sentadas sobre uma travessa de madeira apoiada nos gradeamentos do passeio, como sempre se fez naquele bairro, 3 moradoras levantam os dois braços. Não gritam "golooo", mas gritam "Aleluia!! 28 voltou!", porque foram mais de 4 meses privados ou condicionados ao uso do transporte público. Recorde-se que para a Graça apenas havia o 734 em São Vicente. Agora é altura para se festejar o Santo António e desfrutar deste regresso que traz igualmente algum (pouco) descanso mental aos tripulantes desta carreira que sofreram fortemente com estas alterações causadas pelas obras. É tempo de respirar e ganhar fôlego porque depois das festas mais obras estão para vir na zona da Sé e o 28E poderá sofrer novamente alterações.

Já a chegar à paragem de São Vicente uma inglesa solta um "Oh my goodd!" e levanta-se na minha direcção e pergunta o porquê de tantas reacções à passagem do eléctrico. Expliquei que se devia a uma ausência do eléctrico há cerca de 4 meses e a senhora lá entendeu e terminou dizendo "Fantastic!"

Portanto termino assim de forma fantástica este fantástico regresso ao 28E e do 28E às ruas de Alfama, por sinal o bairro que me viu crescer, onde passei grandes momentos da minha infância que recordo a cada passagem.  


sexta-feira, 18 de maio de 2018

Uma salada russa de perguntas no quotidiano dos carris de Lisboa...

"Bom dia moço... esse é o cárrês qui vai no Além?", começava assim mais um dia ao volante do autocarro que substituiu o meu eléctrico esta manhã ao longo do trajecto da carreira 15E, devido a uma avaria. A pergunta vinha de alguém do outro lado do Atlântico e não entendendo a questão, pedi que repetisse. "Esse cárrês vai no Além. Nossa no Belém? Disculpa." E lá consegui entender que a ideia era saber se era aquele carris que ia para Belém. Tudo poderia ser anormal ou não estivéssemos nos em plena Praça do Comércio onde nos últimos meses os dialectos têm sido dos mais variados do mundo e acima de tudo da Europa até porque fomos também a capital da eurovisão. "You allez aux mónaster San Jerónimo?" é a pergunta que surge do lado de fora, de quem já está  com um pé dentro, pronto a ganhar impulso rumo a mais uma viagem num transporte público que aparenta ser diferente de toda a parte do mundo.

O validador tem as setas e os desenhos dos cartões indicando o local onde devem validar, mas a maioria acha que nós somos uns totós e que na verdade deve ser no visor que devem validar os cartões. Depois questionam "porque no passa?"... Porque será?

Mais uma chegada a Belém, paragem terminal. Informo que terminou a viagem e peço que saiam. Restam 2 turistas sentados a olharem com um ar assustado, mas ao mesmo tempo, de quem são os únicos que estão bem. Informo que acabou e peço que saiam. "But were is Belém Tower?" É um pouco mais à frente explico em inglês e digo-lhes que deviam ter entrado no 15E com destino a Algés mas eles insistem... "But the bus say in front Belém" ora pois claro e diz muito bem, embora baixinho.

Inicia-se mais uma viagem e em frente aos pasteis entram 3 sexagenárias oriundas da Rússia ou país vizinho. Tento sempre ajudar estes povos que nos visitam e que expressam alguma dificuldade no inglês. Pedem-me três bilhetes para "go tramvaj castielo". Queriam 3 bilhetes até à paragem onde pudessem apanhar um eléctrico para o castelo. Como responder inglês provavelmente seria chinês para elas, digo-lhes que sim podiam ir comigo e eram 5 euros e 55 cêntimos. Elas olham umas para as outras como quem não tinha entendido o «five and fifty five cents». Como o checo é semelhante, e como tenho aprendido ao longo dos últimos anos, digo-lhes «pět a padesát pět» e elas respondem alegremente com um toque dourado no sorriso, "ah aaa, spacibaaa", ao mesmo tempo que me entregam 10 euros. Faço-lhes o troco e digo que podem ir até ao fim da viagem. E lá se sentaram.

Depois no meio de tanto estrangeiro lá surge assim de repente vindo lá de trás e já na paragem do corpo santo um rapaz que se dirige a mim chateado e diz "ó chefe isto é todos os dias o mesmo. Boa tarde desculpe. Mas os autocarros de turismo param isto tudo e nós que vamos trabalhar temos de esperar..." Apenas ouvi e nem respondi, porque o trânsito estava parado apenas porque o semáforo que dá acesso à Praça do Comércio tarda sempre em dar luz verde. 

E assim foi decorrendo o dia que terminou com uma recolha a Santo Amaro neste dia Internacional dos Museus, onde o 535 fez as honras da casa ao transportar os visitantes entre o núcleo 1 e 2. Não resisti a colocar uns pontos e conduzir o veículo que outrora transportou milhares de passageiros pelas ruas de Lisboa. E assim vai o quotidiano pelos carris de Lisboa.

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