domingo, 18 de dezembro de 2016

Balanço anual à saída de 2016 e o desejo que 2017 entre rapidamente...

Mais um ano se aproxima a largos passos do fim e é tempo de balanços. Um ano para esquecer a título pessoal pela perda de um ente querido, que tem feito com que me tenha afastado da escrita porque na verdade não tem sido fácil por muito que possamos tentar exteriorizar o contrário. No entanto a vida continua e por isso aqui estou a tentar dar um impulso para um regresso que se espera ser motivador e ambicioso, sobretudo a nível profissional com muitas mudanças que se avizinham, nomeadamente com a passagem da gestão da Carris para a Câmara Municipal de Lisboa. 

2016 foi igualmente um ano de poucos posts aqui no blogue, não só causados pela desmotivação profissional que por vezes surge com a incerteza do futuro, mas também porque a página do Diário do Tripulante no Facebook foi crescendo, sendo actualmente um primordial elo de partilha das aventuras que se vão vivendo pelas ruas de Lisboa a bordo do transporte público. No entanto não deixou de por aqui passar em Abril, o lançamento do livro do meu amigo Luís Cruz-Filipe, "Do Dafundo ao Poço Bispo - Uma História Sobre Carris", e o aniversário da Carris, num mês de Setembro recheado de novidades como foi o caso da chegada do autocarro 100% Eléctrico.

Setembro marcou igualmente  a entrevista que dei à revista francesa "Destination" enquanto que o destaque de Outubro foi para a possibilidade de conduzir um veículo que já faz parte da história da Carris. Graças ao Paulo Marques e ao Pedro Mendes tive a oportunidade de conduzir um AEC, mais precisamente, o ex-123 que terá desde então um futuro mais risonho à sua espera com vista à recuperação e preservação.

Depois chegou Novembro com um misto de emoções opostas. A tristeza pela partida da minha avó que certamente iria ficar orgulhosa pela chegada do meu novo projecto de edição de autor, com a publicação do coleccionável de 8 postais dos Eléctricos de Lisboa. Postais estes que chegaram acompanhados da 2ª edição do "Livro Lisboa e Praga de Eléctrico" que também já se encontra novamente disponível nas lojas e livrarias seleccionadas. 

Expus pela primeira vez as fotografias do livro ao público, no âmbito de uma iniciativa levada a cabo para assinalar o Feriado Nacional Checo e a sua revolução, através do evento "Cravos e Veludo" que decorreu em Lisboa e entrávamos pouco depois em Dezembro com o regresso ao blogue do artigo alusivo ao eléctrico do Natal, cada vez mais descaracterizado, mas que promete continuar a criar sorrisos aos mais desfavorecidos. 

Não tão importante mas impossível de esquecer foi igualmente o acidente que tive em Novembro na carreira 28E e que tanto deu que falar, quando parado na subida da Calçada do Combro, levei literalmente com um pesado de mercadorias que desgovernado e sem travões embateu violentamente no eléctrico, deixando-me ferido na mão. Foi a 18 de Novembro e desde então não voltei a conduzir eléctricos porque o que nada parecia ser nos primeiros exames, viria a confirmar-se mais tarde ser uma fractura num dedo da mão. Fiquei assim afastado igualmente da possibilidade que a direcção da estação me tinha dado, de continuar a conduzir o autocarro eléctrico aos fins-de-semana. 

Agora só penso em regressar o mais breve possível, para poder voltar a fazer aquilo que realmente gosto, conduzir eléctricos, e que 2017 seja sem dúvida um ano melhor em todos os aspectos. Resta-me por fim desejar a todos os leitores e passageiros os votos de um Feliz Natal e Próspero Ano 2017. 

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Eléctrico de Natal já anda a criar sonhos pelas Ruas de Lisboa

O Eléctrico de Natal, agora orientado pela operadora de turismo Yellow Bus da Carristur, à semelhança do ano anterior, está de volta às ruas de Lisboa com a denominação de "Eléctrico dos Sonhos" partindo da Praça do Comércio rumo à Estação de Santo Amaro, onde se situa o Museu da Carris. Se durante a semana as viagens estão reservadas para as escolas, já aos fins-de-semana e feriados, viaja nele quem quer ser guiado pelas ruas de Lisboa pelo Pai Natal guarda-freio, que troca as renas pelo eléctrico 700 que durante o ano realiza serviço no circuito Tram Tour.

Longe de se apróximar dos eléctricos de Natal europeus, e até mesmo de edições anteriores, este tem a particularidade de ajudar a criar sonhos às crianças da Make-a-Wish, uma vez que 2 € de cada bilhete vendido será dado à referida Fundação.

Assim, poderá viajar no Eléctrico dos sonhos nos dias:
1, 3, 4, 8, 10, 11, 18 e 31 de Dezembro
11h00 / 11h35 / 12h15 / 12h50 / 13h30 / 14h05 / 14h45 / 15h20 / 16h00 / 16h35 / 17h15

Cada viagem custa 6 €, mas pode obter um desconto de 10% se optar pela compra online através do site da Carristur: https://www.yellowbustours.com/pt-PT/Lisboa/Circuitos/Eletrico-de-Natal.aspx

Este poderá portanto ser um presente antecipado para esta quadra natalícia, onde poderá igualmente optar por adquirir no Museu da Carris ao conjunto de 8 postais dos Eléctricos de Lisboa, numa edição limitada do Diário do Tripulante e quem sabe oferecer ou partilhar a sua viagem conduzida pelo pai natal através do bilhete postal...


quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Os Eléctricos de Lisboa numa edição de 8 Postais para coleccionar ou enviar...

Uma viagem de eléctrico proporciona sempre sensações diferentes a cada viagem. Vivências e situações que muitos gostam de partilhar com os familiares e amigos. O carro que mal estacionado impede a passagem do eléctrico é aquela que menos gostarão de partilhar porque a viagem pode ficar a meio, mas se o eléctrico passa apenas a 1 centímetro já é uma alegria enorme, nem que para tal o guarda-freio tenha de fechar o espelho do carro. A viagem prossegue e ao passar por uma rua estreita de Alfama onde o aproximar da janela do eléctrico à janela do prédio traz um agradável aroma a refugado, abre de imediato o apetite. São sensações que gostamos de repetir ou que nos remetem para outros locais e origens. O cheiro da sardinha assada nas ruas em plenos santos populares com as ruas enfeitadas, ou o cheiro da castanha assada que entra com o fumo que sai dos assadores dos vendedores de rua, ou simplesmente o subir e descer pelas sinuosas colinas de Lisboa.

Todos os que viajam no eléctrico terão certamente uma história destas para contar e partilhar e pensando nisso mesmo, mas também naqueles que coleccionam postais ou nos entusiastas deste meio de transporte, decidiu o autor deste blog criar um pack de 8 postais para que possa partilhar com o mundo as suas histórias e vivências da viagem realizada no famoso eléctrico lisboeta. E porquê 8 postais? Porque são 5 as carreiras de serviço público, mais 2 de serviço turístico e 1 postal dedicado ao eléctri'cork, o eléctrico de turismo que rasga as ruas de Lisboa forrado a cortiça.  

Pretende-se assim, que se dê a conhecer todas as carreiras através do Bilhete Postal e que este seja um bom ponto de partida para a descoberta daquela carreira, na qual ainda poderá não ter viajado. Uma edição de autor, com os 8 postais cintados e arquivados numa capa, em forma de livro para que os possa arquivar na sua estante se assim preferir. «Os Eléctricos de Lisboa - Livro de Postais» encontra-se à venda por 5.00 €léctricos e além da compra on-line quer por mail, facebook ou ebay, pode também encontrá-los à venda na Livraria "Palavra de Viajante" em São Bento, e na loja do Museu da Carris.

[n.d.r.]: As fotografias desta edição de autor são da autoria do próprio autor e não podem ser reproduzidas sem autorização do mesmo.

domingo, 13 de novembro de 2016

e.City Gold agora também testado ao longo do rio na carreira 15E entre P.Figueira e Belém

Depois de transportar os passageiros nas carreiras 706 e 758 nos dias úteis, o novo autocarro eléctrico e.City Gold da Caetano Bus, iniciou este fim-de-semana serviço regular de passageiros na carreira 15E durante a tarde de sábado e domingo, transportando assim milhares de passageiros entre a Praça da Figueira e Belém. E depois da formação na passada sexta-feira como aqui relatei, hoje foi a vez de verificar como responde o novo autocarro, já com passageiros e efectuando paragens. E o resultado é bastante positivo.

As três portas disponíveis no veículo permitem uma melhor deslocação dos passageiros, ao contrário do que acontece nos autocarros apenas com duas portas, que fazem com que quem neles viaja, tenha tendência para não utilizar o corredor após a porta de saída. Surpresa para alguns passageiros foi também o silêncio do veículo, o que faz com que apenas se ouça as conversas cruzadas que se vão tendo ao longo da viagem, hoje em grande parte sobre o veículo.

Chegados ao Cais do Sodré, mais uma "casa cheia" rumo a Belém e na paragem havia quem dissesse que «agora é que a Carris anda bem, com carros novos...» Havia também quem esperasse pelo 714, mas como ali estava um autocarro novo, «vamos neste até Belém para experimentar e depois mudamos lá para o 714...» A viagem decorre e são vários os braços esticados em direcção ao autocarro, como quem aponta chamando a atenção de quem vai ao lado dizendo «olha um autocarro novo...»

As pessoas gostam e o motorista também. O serviço vai a meio e não há dores nas costas. A cadeira é boa e a posição de condução a ideal. Faz falta um validador na entrada porque apenas um, acaba um pouco por retardar as entradas, contudo já está pensada a colocação do segundo validador para breve. No terminal aproveitei para testar a posição de passageiro em alguns dos lugares mais traseiros e ao contrário do que se possa julgar por algumas imagens, ainda sobra espaço entre os joelhos e as costas da cadeira da frente e afinal de contas, o veículo está homologado, logo cumpre os requisitos, mas como a Caetano Bus já referiu, tudo pode ser adaptado à vontade do cliente e recordo que este é um protótipo de testes que circulará por Lisboa até ao final do ano. 

Quanto aos consumos, não se portou nada mal. Andei sempre completo nas seis viagens realizadas entre Belém e Praça da Figueira, e apanhei algum trânsito na Ribeira das Naus, porque ainda não há árvore de Natal mas já temos o Galo de Barcelos, causando algum pára-arranca e no fim ainda recolhi com 30% da carga após 48 Km's percorridos e certamente 100% de satisfação em quem nele se transportou. 

Agora chega a hora de desligar a corrente porque seguem-se dois dias de folga. Boas viagens a bordo dos veículos da CCFL.

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Fora dos carris mas 100% eléctrico!!

Silêncio... mas não se vai cantar o fado. Vamos andar no novo autocarro eléctrico da Salvador Caetano, que está por estes dias e até ao final do ano ao serviço da Carris, realizando testes em exploração real nas carreiras 706 e 758 durante a semana e agora também aos fins-de-semana na carreira 15E durante a tarde entre a Praça da Figueira e Belém. Concebido totalmente em Portugal pela Salvador Caetano, este autocarro é 100% eléctrico e com emissões Zero. Dotado de um sistema de propulsão 100% eléctrico, o protótipo tem uma autonomia para 80 km e tempo de carregamento de 1h30 minutos. Contudo, a autonomia do veículo pode ser aumentada desde que instalado um conjunto de baterias adicionais.  

Hoje tive a oportunidade de o conduzir após uma introdução ao veículo pelo representante da Salvador Caetano, que tem estado na Carris a acompanhar os testes que andam a ser realizados na 706 e 758. Se a primeira reacção ao olhar é boa, a condução é ainda melhor. Silencioso ao ponto de esperar-mos ouvir o arranque do motor que acaba por não ocorrer, e confortável desde o momento em que nos sentamos na cadeira do motorista, ou mesmo quando viajamos de pé enquanto passageiros.

Com travagens e arranques suaves, proporcionados por sistemas eléctricos e mecânicos que juntos criam uma agradável surpresa para quem nele viaja, o novo autocarro apresenta um comprimento de 12 metros, uma largura de 2,5 metros e uma altura de quatro metros. Com um peso bruto de 18 toneladas e uma tara de 12 toneladas, oferecendo uma lotação até 88 passageiros. O veículo vem equipado com um motor eléctrico síncrono que desenvolve uma potência nominal de 160 kW às 1.500 rpm e um binário de 1.500 Nm. 

E no seu interior, nada foi deixado ao acaso. A Caetano desenvolveu todo o software que tem permitido reajustes, como é o caso por exemplo da iluminação interior que causava alguns reflexos no vidro frontal, facto este reportado por alguns motoristas da Carris que nele têm realizado serviço, sendo já possível a redução da luminosidade. Agora o "Faíscas" como já foi apelidado entre entusiastas, passará também a circular aos fins-de-semana para serem analisadas as diferenças de consumos numa carreira mais plana, ajudando assim os sobre-lotados eléctricos ao longo da marginal.  

Com uma campainha semelhante à do metro do Porto, o novo autocarro eléctrico tem chamado à atenção também pelo seu design, dado que adopta novos estilos, mas não fugindo muito do desenho habitual de um autocarro urbano, facto este que leva a que consigamos ler os lábios de quem o vê passar, como foi o caso de uma senhora na Junqueira que ao ver, terá comentado com a pessoa do lado «um autocarro todo bonito, sim senhor...»

Para mim está aprovado e recomendado, sobretudo pelo painel dotado de uma ergonomia semelhante à dos Mercedes Citaro, que permite ajustar todo o conjunto (volante+painel) de uma só vez, mas também pelo conforto quer para o motorista, quer para o passageiro. Agora terei a oportunidade, de no próximo domingo, ver como é realmente em exploração real, porque hoje as viagens foram na companhia dos colegas que comigo tiraram a formação e do representante da Salvador Caetano. Mas certo é que o futuro passa por estes carros 100% eléctricos, com baixos custos, diria quase nulos, de manutenção associados. 

Resta-me por fim agradecer à Carris pela oportunidade dada em testar este veículo 100% eléctrico, mas que não anda sobre carris, e desejar a todos os passageiros que nele viajam uma boa viagem a bordo deste produto 100% produzido em Portugal, porque como já dizia a publicidade de uma outra marca, «o que é nacional é bom», como mostra o "minuto verde" da RTP...

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Impossível adormecer em semana de WebSummit em Lisboa

Semana de muito inglês à mistura com o "WebSummit" em Lisboa, que veio ajudar a aumentar o caos que se vive diariamente nos transportes, que deixam cada vez mais quem necessita do transporte público para se deslocar ao trabalho, com mos nervos à flor da pele. Mas afinal de quem será a culpa? É da Carris claro está! Ou melhor é de quem dá a cara pela Carris, porque somos nós e é sobre nós que recaem todas as queixas e reclamações. Reclamar está na moda, desrespeitar ainda mais. Os dias não têm sido fáceis pelas ruas de Lisboa com as obras que também, parecem ser culpa nossa, embora esteja aos olhos de todos os que se transportam, as dificuldades que elas nos causam. Horários são impossíveis de serem cumpridos e quando a porta se abre, já se esperam "bocas" e insultos. 

Ontem andei pela carreira 25E que continua encurtada ao Corpo Santo, por causa das obras de remodelação do eixo ribeirinho, e a meio da tarde o terminal recuou uns metros para a Rua Bernardino da Costa para garantir melhor acessibilidade e segurança aos passageiros. Informo que a viagem termina então nessa nova paragem e de imediato uma passageira responde «vocês fazem o que querem, cada um pára onde lhe dá jeito. Se o eléctrico vai para a esquerda porque não para lá?» Tento explicar que é por razões de segurança mas quando chego à parte da palavra "..ança" já a senhora ia a pregoar pela rua fora rumo ao seu destino.

Na viagem seguinte, novo episódio, mas desta feita a culpa não seria do terminal, mas sim das obras em Santos que causavam longas filas pela Rua da Boavista. Já a caminho da Estrela e ao chegar a Santos uma senhora na paragem levanta o braço, como manda a lei, para solicitar a paragem do eléctrico. Efectuo a paragem, abro a porta e quando vejo que a senhora se prepara para dizer algo pensei... "vai dar uma saudação com o tradicional 'Boa tarde'..." Mas não. A senhora mexe os lábios e meio tímida mas com uma vontade enorme de picar o guarda-freio diz... «Quase que adormecia aqui à espera do eléctrico» Pois não demorou a ter resposta. "Pois ainda bem que não adormeceu, pois caso contrário o eléctrico passava e tinha de esperar pelo próximo...". 

A senhora sorriu e disse: «Agora você esteve muito bem...» e sentou-se, já com outra passageira a dizer-lhe que «eles coitados não se podem desviar, não podem fazer milagres...»

E o dia lá foi passando, aguardando aqui e ali que a escavadora saísse de cima dos carris, ou que o calceteiro acabasse de martelar mais uma pedra na calçada portuguesa que vai resistindo ainda que em menor escala. 

Já hoje o tema da conversa era outro, as eleições dos Estados Unidos. Uma manhã na 15E com um remodelado, e uma viagem do CCB ao centro de congressos com um passageiro a analisar com alguém do outro lado do seu telemóvel a vitória do Trump e possíveis consequências. A preocupação era tanta como a abstenção em Portugal. Vive-se cada vez mais o problema dos outros que os nossos e depois reclamam quando a democracia funciona, por muito que não se concorde com os resultados. Afinal de contas foram os americanos que escolheram o seu futuro, seja ele risonho ou muito triste. 

E assim vão as viagens pelos carris de Lisboa...

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Do peso pesado no 28E aos achados mais insólitos...

Foi durante tempos um dos programas mais falados na televisão portuguesa, sobretudo pelo esforço que as pessoas faziam para perder peso, mas hoje num daqueles dias atípicos, como são normalmente as sextas-feiras na capital, o peso pesado terá andado pela 28E. A manhã começava bem cedo com o eléctrico a sair já bem composto do Martim Moniz ainda antes das 08h00, deixando pouco espaço livre para os que dele necessitam para ir para a escola ou para o trabalho. As reclamações sucedem-se a cada paragem como se fosse o guarda-freio o culpado de tanta procura pelo 28. Houve mesmo quem gritasse ainda do lado de fora «meta essa gente na rua que tenho de ir trabalhar e não ando aqui a passear. Querem passear esperam pelo vermelho», referindo-se aos turistas e deixando a dica para viajarem no eléctrico destinado aos turistas.

Mas cada vez mais os turistas procuram uma experiência diferente, mesmo que isso implique apertos e empurrões, entre outras coisas mais. A busca pelo Castelo nem sempre é prova superada porque a paragem mais próxima é as Portas do Sol e em muitos dos casos chegam aos Prazeres e ainda procuram pelo Castelo porque não o viram. Depois é o problema de sempre com as questões para as quais já estamos preparados... «Mas porque tem de sair se paguei ingresso para dar a volta?», simples, porque a viagem terminou nos Prazeres que era o destino do eléctrico quando entrou. 

«Tá, mas nos disseram que o 28 era circular!», pois mas disseram errado ou perguntaram à pessoa errada, pois qual seria caro leitor, a necessidade do guarda-freio colocar todos os passageiros fora do eléctrico se ali não fosse o terminal?...

Já na viagem de regresso ao Martim Moniz, o trânsito infernal entre o Calhariz da Bica e a Sé de Lisboa, levaria a que o atraso ultrapassasse já os 20 minutos. Chegado ao terminal solicitei ordens da central porque ia ser rendido a meio da viagem seguinte, e como tal era conveniente acertar-se o horário para a rendição. Contudo, ao efectuar a vistoria do eléctrico como sempre acontece no final de cada viagem, para ver se nada terá sido esquecido pelos passageiros, verifico que um peso pesado terá passado pelo assento lateral traseiro do lado direito. O assento estava  no formato "KO", impossibilitando o início de nova viagem com passageiros. Efectuei a recolha para troca de eléctrico por indicação da central.

Já da parte da tarde, como se não bastasse pensarem que a culpa seria nossa, pelos eléctricos andarem sempre cheios, houve um senhor que ao entrar me solicitou um bilhete. Peço-lhe 2.85 €, e ele exclama «2.85€?! É mais caro que o táxi!», Quer que imprima o bilhete? Perguntei, dada a admiração do senhor e a comparação que fez que me levasse a pensar que estaria hesitante na escolha do meio de transporte... «Já viu que é mais caro que ir de táxi e por apenas três paragens???» Digo-lhe que poderá ter razão mas que não sou eu que decido o valor da tarifa, assim como também não o terei obrigado a entrar. Numa velocidade como a de um motor a dois tempos, lá tira a terceira moeda de 1 euro do bolso e diz «vá tire lá um bilhete que já aqui estou há muito tempo à espera...»

E a viagem lá prosseguiu. A viagem e o dia desta sexta-feira caótica com muitos atrasos e muitas coisas esquecidas nos transportes. Por isso nunca é de mais relembrar os estimados passageiros que ao abandonarem o veículo, deverão verificar se levam todos os pertences para que não sejamos obrigados a encontrar objectos como os que o meu colega Soares encontrou hoje no seu eléctrico. Até porque há objectos, como o caso destes pensos higiénicos que custa a entender como se perdem num transporte que é público, por muito floridos que possam ser....

Boas Viagens

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

[Off Topic]: Um sonho chamado "123" tornado realidade em Portugal

Esta paixão pelo que faço, mas sobretudo o facto de trabalhar na Carris, levou a que ao longo destes quase 10 anos, tenha conhecido muitos dos entusiastas que, ora de forma mais virtual, ora de forma mais física e presencial vão partilhando histórias e vivências do quotidiano e história desta empresa com 143 anos de existência. Partilham-se fotografias antigas, discutem-se rotas, fala-se de modelos, sons, cores, números, destinos, enfim, uma série de factos que juntos, ajudam a contar essa história. Sabemos portanto que há diversos veículos, entre autocarros e eléctricos que outrora percorreram as ruas de Lisboa ao serviço da CCFL, mas que agora fora de serviço, estão espalhados pelo país ou até mesmo pelo estrangeiro. Uns mais bem preservados que outros, mas todos com uma história.

CCFL 123 ainda em serviço público
Já por diversas vezes aqui falei e elogiei o esforço e dedicação do Paulo Marques que tem uma colecção pessoal de eléctricos, devidamente guardados e preservados, tendo alguns ainda em vista a sua preservação e restauro. Mas recentemente outro entusiasta, o Pedro Mendes decidiu entrar a bordo desta viagem pelo mundo dos clássicos e sua preservação, assim como da própria história dos entusiastas da Carris. Agora a aventura foi trazer novamente para solo português o autocarro 123 que muitas vezes subiu ao Castelo pelas ruas apertadas daquele pitoresco bairro lisboeta e que estava em terras inglesas.

E foi com algum agrado e surpresa que ontem recebi um telefonema do Pedro Mendes para estar no Carregado para assistir à chegada do 123. Ora estando de folga sem planos, não poderia rejeitar esta oportunidade de viajar na história e entrar num autocarro que saiu do serviço quando eu tinha apenas 4 anos de vida. Este AEC Mark III foi desenvolvido durante a 2 ª Guerra Mundial, e teve como inspiração o novo London Transport "RT" de dois andares, sendo concebido para proporcionar um bom desempenho e facilidade de condução. O motor de 9,6 litros era o mais potente disponível na época e a caixa de velocidades era epicicloidal, operada por ar comprimido.

No entanto estava longe de pensar que o iria conduzir, mas o desafio foi lançado no local e coube-me a mim retirá-lo do reboque que o tinha transportado desde Inglaterra. Foi uma experiência gratificante onde pude comprovar, como era difícil trabalhar naqueles anos, ao serviço da população de Lisboa. Estavam mais que provados os testemunhos ouvidos ao longo das diversas formações que tenho tido na Carris. Levantar o rabo da cadeira para rodar a direcção foi apenas um desses testemunhos. Agora o futuro do 123 está mais risonho, pois está entregue a quem gosta de eléctricos e autocarros, está entregue a quem será capaz de o restaurar, preservar e quem sabe um dia fazer com que volte novamente às ruas de Lisboa.

O regresso ao solo português
Por instantes viajei até aos anos 80, seja pelo trabalhar do motor, seja pelo cheiro característico, seja pelos cartazes publicados no interior do autocarro. Não podia portanto deixar de agradecer publicamente ao Paulo Marques e ao Pedro Mendes por me terem proporcionado esta tarde inesquecível e terem dado a oportunidade que ainda não tive na Carris, ou seja conduzir estas viaturas dignas de museu. Mas não queria igualmente deixar de agradecer ao "chefe" Gama, formador da Carris pela ajuda incansável que deu ao explicar-me via telefone, como trabalhar com aquela caixa de velocidades, pois afinal de contas eu nunca tinha conduzido um autocarro daqueles. Portanto uma aventura que contou com a ajuda de vários amigos e entusiastas, como foi também o caso do Pedro Rodrigues Costa que ajudou a dar o "Start" inicial com o encosto das baterias.

Uma tarde entre amigos com gostos em comum, à qual se juntou ainda o entusiasta Pedro Barreto que não deixou de registar as suas fotos para memória futura deste dia inesquecível. Um bem haja a todos e que tudo corra pelo melhor para que o 123 possa ainda um dia circular e reeditar alguma das carreiras por onde circulou.

Fiquem então com um pequeno vídeo da autoria do Pedro Mendes do momento em que retirei o 123 do reboque...


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[n.d.r.]: As fotos que acompanham o texto são da autoria de Rafael Santos e de Richar Lomas. O vídeo é da autoria de Pedro Mendes. 

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