sábado, 11 de julho de 2020

Regresso da normalidade na nova normalidade


Empresário cansado trabalhando com bateria fraca | Vetor PremiumE no meio da nova normalidade, regressam os turistas. E com eles vem a chico-espertice dos que querem entrar à borla ou dos que pensam que a gola da t-shirt serve de máscara. Numa era em que todos nos tentamos proteger do vírus, nem que seja através de uma falsa sensação de segurança, aliadas às regras impostas pela DGS, ainda há quem leve tudo isto numa brincadeira, ignorando tudo e todos como se fossem donos do mundo. Começou a "tourada" ou melhor, recomeçou porque se há coisas que o vírus não mudou foi a estupidez humana e acreditem, não estou a ser demasiado rude, mas contra factos não há argumentos. 


Do distanciamento social não cumprido, à tradicional máscara nos queixos e ao bilhete de uma viagem que julgam dar para o dia inteiro, há de tudo e para todos os gostos, numa 28E perto de si. O calor aperta, a paciência acaba por se evaporar e depois o complicómetro de muitos começa a disparar, numa manhã que tudo tinha para ser tranquila, sem a tradicional feira da ladra, suspensa devido ao covid-19, e que terminou de forma atribulada.

Porque como se não bastasse o regresso dos turistas que querem andar no 28 como se não houvesse amanhã, o sistema de controlo de tráfego também não quis ajudar, o que fez com que se juntassem mais de 6 eléctricos da carreira numa interrupção, onde as comunicações parecem também elas terem entrado em confinamento. Dias difíceis nesta nova normalidade, numa profissão que embora muitos não o queiram classificar como tal, se torna cada vez mais desgastante.  

E assim vão as viagens pelas ruas de Lisboa... Amanhã será outro dia, porque o de hoje está feito e já passou, já passouuuu....

BOAS VIAGENS A BORDO DA CCFL

segunda-feira, 22 de junho de 2020

Sabia que... O Eléctrico de Arraiolos anda há 3 anos a espalhar arte pelas ruas de Lisboa?

Sabia que foi a 22 de Junho de 2017 que foi inaugurado, no Largo da Graça, o eléctrico de Arraiolos? Uma ideia que me surgiu numa das muitas visitas ao Alentejo, onde os tapetes são a arte mais visível, produzida pelas mãos das tapeteiras, e que foi possível tornar realidade dada a receptividade da Fábrica de Tapetes Hortense, em querer trazer até à capital uma marca do Alentejo e do seu artesanato, uma vez que seria impossível o eléctrico chegar até lá. 

Numa parceria conjunta com o Turismo do Alentejo e com a Carristur, passou-se então da ideia no papel para a tela, e afixação do bordado no eléctrico. Após meses de trabalho, o eléctrico 744 afecto à rota turística "Tram Tour" do serviço da YellowBus Tours, chegava ao Largo da Graça acompanhado dos eléctricos de cortiça, que também eles tinham sido anteriormente apresentados, dando a conhecer também uma das matérias que Portugal tem em abundância, sendo um dos maiores exportadores do mundo de cortiça. 

Hoje é impossível celebrar os três anos de "Electric'rug" viajando num tapete ambulante por Lisboa, porque os serviços turísticos estão ainda parados, devido à pandemia do Covid-19 que veio mudar o Mundo. Portugal não foi excepção e o regresso à nova normalidade faz-se a um ritmo ainda lento e ainda com poucos turistas. Com regresso previsto para Julho de 2020, o Eléctrico de Arraiolos poderá então ser apreciado pelas ruas de Lisboa ao longo do trajecto do "Tram Tour", ou se ainda não viajou nele, irá poder fazê-lo de forma segura, uma vez que a CarrisTur já obteve o selo "Clean and Safe", um reconhecimento atribuído pelo Turismo de Portugal, às empresas do sector que comprova o cumprimento das medidas de Higiene e Segurança recomendadas pela Direcção-Geral da Saúde.

Recordemos então como foi esse dia da inauguração e como foram os trabalhos que envolveram uma vasta equipa para trazer esta arte secular e tão portuguesa até à capital portuguesa, através do Diário do Tripulante que tanto se orgulha de ter feito parte deste projecto que tanto deu que falar... 

sábado, 9 de maio de 2020

O desconfinamento em Portugal no jornal 12/13 da France 3, com o olhar sobre uma Lisboa Covi'deserta

Portugal começou lentamente a voltar à normalidade com o fim do Estado de Emergência, o que trouxe novos hábitos e regras para aceder aos serviços e espaços públicos. Nos transportes públicos passou a ser obrigatório o uso de máscara e limite de lotação dos veículos, e o pequeno comércio reabriu portas com restrições de lotação e distanciamento social. Embora longe do fim desta pandemia, e apesar dos números comparando com outros países, não podemos baixar a guarda. Portugal continua no entanto a ser visto além fronteiras como um dos casos de sucesso na resposta ao covid-19. 

Em França a equipa do programa "Mediterraneo" que em 2014 viajou comigo no 28, contactou-me de novo, agora para uma entrevista para a crónica sobre o desconfinamento em Portugal, no jornal 12/13 deste sábado. A reportagem é de Yannick Arroussi, com recurso a algumas das imagens que fiz sobre Lisboa Covi'deserta...


Quem pretender ver o vídeo completo do jornal 12/13 da France 3 pode aceder através do site da France 3.

segunda-feira, 4 de maio de 2020

O primeiro dia do resto das nossas vidas num transporte público perto de si...

Foi o primeiro dia do resto das nossas vidas! O fim do Estado de Emergência deu lugar ao Estado de Calamidade e as montras cobertas de papéis nas lojas e as ruas vazias, começaram agora a ver a luz do dia e a vestir manequins, e as ruas a ganharem alguma vida com o regresso aos poucos à normalidade. Espaços comerciais a reabrirem e transportes a voltarem a ter os seus lugares mais preenchidos, ainda assim é preciso cautela para que este passo em frente não sejam dois ou mais para trás. Hoje demos início a uma nova fase nos transportes públicos. Estava algo apreensivo quanto a este reabrir da porta da frente a este aumento da lotação que até então era de 1/3 e agora passou para 2/3 da total capacidade de cada veículo, mas o certo é que as pessoas corresponderam na sua generalidade ao que lhes foi pedido, para muita surpresa minha, confesso. 

Embora o meu serviço de hoje fosse num eléctrico articulado, na carreira 15E em que o meu contacto com os passageiros, esteve ainda assim longe da proximidade a que os meus colegas tiveram quer nos autocarros quer nos eléctricos históricos (remodelados), o certo é que ao longo de todo o meu serviço apenas tive de chamar a atenção de dois passageiros que entraram sem máscara, que passou a partir de hoje a ser obrigatória nos transportes públicos. Aceitaram a chamada de atenção e saíram de imediato por iniciativa própria. Contudo, se a maioria não esqueceu a máscara para o acesso ao transporte público, muitos foram também os que continuaram a viajar sem validar qualquer título de transporte. 

Recorde-se que a validação voltou a ser obrigatória e ao contrário do que muitos adoptaram como regra, o transporte público nunca foi grátis durante o Estado de Emergência. Contudo, a Carris em conjunto com a Polícia Municipal, iniciaram hoje uma fiscalização nos principais interfaces de transportes, para já com uma atitude preventiva, reconhecendo as dificuldades que muitos possam estar a atravessar, contudo convém alertar que a tarifa de bordo voltou a estar disponível, sendo que a compra deve ser efectuada com valor certo. A entrada voltou assim a ser pela porta da frente, deixando a de trás para as saídas. 

Estamos todos a viver novos tempos, na esperança que juntos consigamos vencer esta batalha contra um vírus invisível que não escolhe idades ou géneros. Estamos todos numa fase de adaptação a uma nova normalidade que por vezes nos deixa a pensar se já não deveria ser sempre assim, não deixando a higiene de parte ou não viajando uns em cima dos outros e aos empurrões. É certo que esta normalidade vai conhecer uma nova fase no dia 18, mas espero sinceramente que se tire algo positivo desta nova fase de aprendizagem de que estamos a ser alvos. 

À Carris, quero agradecer as condições que nos têm proporcionado, que nunca serão certamente perfeitas e que estarão em constante mudança e adaptação, mas todos temos de ter consciência que isto é novo para todos nós. E agradecer também à Câmara Municipal de Lisboa e Polícia Municipal pela coordenação conjunta quer de sensibilização quer de fiscalização nos transportes. #Estamosjuntos nesta viagem e por isso a colaboração de todos é imprescindível para que tudo fique bem! #Ajudenosanãoparar e siga as normas impostas para o uso do transporte público para o seu bem e para o bem de todos. 


quarta-feira, 22 de abril de 2020

1 Mês de "Estado de Emergência" em viagens vazias mas cheias de contrastes...

E passou 1 mês desde o meu último post, dedicado ao artigo de opinião que escrevi sobre a quarentena, publicada no jornal Público, na rubrica "Diário da Quarentena". Um mês de confinamento e de Estado de Emergência e sobretudo de reflexão. Lisboa já não está tão deserta como nesse dia, mas continua triste. Lisboa começa aos poucos a ver um café que se abre, uma retrosaria que atende à porta numa altura em que todos procuram elásticos para fazer máscaras comunitárias, que passaram entretanto a ser aconselhadas pela DGS. São filas ás portas dos supermercados, são ajuntamentos nas portas dos cafés, talhos ou nas poucas lojas de tecidos que vão também elas abrindo para responder à procura. 

E à parte disto lá andam os transportes públicos com aqueles que não podem como nós, parar mas também com aqueles que viram nestes tempos, o eléctrico ou o autocarro como um abrigo que não têm. Uns com ar acanhado, outros como se fossem donos disto tudo, pondo e dispondo mesmo quando não têm título de transporte porque alguém entendeu que as medidas de contenção que levaram à dispensa da validação, tornasse o transporte público gratuito. O que não é nem nunca foi verdade!

Uns com máscara, outros com lenços, outros sem nada. Uns a respeitar o vírus, com todo o respeito que ele nos impõe, outros a desprezá-lo e a deitar por terra todo um esforço de uma grande parte da sociedade que fica em casa. "O Covid a mim não me afecta, sou rijo!" diz um daqueles corajosos e valentões idosos com mais de 70 anos que se desloca de eléctrico porque diz que "não fui feito para estar em casa amigo!". Explico-lhe que era o melhor que fazia, porque o vírus não escolhe quem afecta e sobretudo porque os idosos fazem parte do grupo de risco, mas acrescento eu também, dos grupos dos mais teimosos. Foi o mesmo que falar para uma porta...

As viagens prosseguem, no entanto, e em grande parte do tempo em silêncio, com rostos fechados e desconfiados, ainda que muitos se aproveitem do resguardo de uns para desfrutarem da viagem como nunca o puderam fazer antes e por incrível que pareça, ainda se vão vendo turistas. Um casal para os Prazeres, outro para o Martim Moniz... Não me perguntem como chegaram nem de onde vieram, mas não me digam também que já cá estavam, porque eu vejo-os a chegar de malas e a procurar onde ficar. A pegar na máquina fotográfica e a disparar como se não houvesse amanhã. Sem dúvida umas fotos diferentes de uma passagem pela cidade das 7 colinas.

"Tudo vai ficar bem" é o que se diz e o que se quer, mas certamente que tudo já ficou diferente, a começar pelas rotinas, onde o serviço se inicia com a desinfecção dos veículos para que possamos de uma forma mais segura desempenhar as funções na linha da frente. Mas diferente também no sentido em que é difícil encontrar uma casa de banho, o que para quem anda na rua a trabalhar não se torna nada fácil.  E estaria a mentir se lhe dissesse, que quando criei este blogue há mais de 11 anos, que um dia viria a relatar aqui um dia de trabalho marcado pelo sossego e pelo silêncio, sobretudo naquela que é a carreira mais desassossegada e procurada da carris, o eléctrico 28E.

Que tudo isto passe rápido e que voltemos a ter as ruas cheias de vida, ao contrário da imagem que hoje partilho convosco neste texto, de mais um canto da cidade, que normalmente fervilha de gente e trânsito e que por estes dias tem estado deserta. Que voltem os passageiros habituais, que voltem as saudações, que volte sobretudo a normalidade do nosso quotidiano que é hoje marcado por contrastes bem vincados e que nos deixam a pensar se vale mesmo a pena arriscar, no cumprimento da nossa missão...

E porque nunca é de mais aconselhar... Fique em casa e #ajudenosanãoparar 


domingo, 22 de março de 2020

"A pandemia vista da janela do meu eléctrico..." no jornal Público

O silêncio, a desconfiança e acima de tudo a esperança são palavras que caracterizam os dias que vivemos no país e no mundo. Rostos fechados nos transportes, também eles diferentes nos dias que vivemos. As filas que habitualmente esperavam pelo 28E estão agora à porta dos supermercados e farmácias. A capital acorda todos os dias como se estivéssemos no campo, onde até os pássaros se fazem ouvir, interrompendo um silêncio que nos faz reflectir e pensar, que isto é de facto algo grave e assustador. De repente apercebemos-nos do quão éramos felizes com tudo o que tínhamos ao nosso alcance e com toda a agitação e stress que a própria cidade nos oferece. Sentimos a falta de um simples "boa tarde" à entrada do eléctrico, embora este sossego do desassossego que vivemos diariamente, nos tenha trazido alguma paz no serviço, apesar de toda a apreensão com que o enfrentamos a cada dia que passa.

Agora o dever de todos é o de #ficaremcasa, onde temos mais tempo para a família, para ler, escrever, ouvir música, mas acima de tudo estar atentos às notícias que nos vão chegando pelos órgãos de comunicação social, que têm por esta altura edições especiais dedicadas ao coronavírus para que estejamos informados. Entre notícias, reportagens e crónicas há também algumas rubricas como o "Diário da Quarentena" no Público, para a qual fui convidado a escrever um texto sobre como temos nós tripulantes, enfrentado esta pandemia do Covid-19, e que foi publicado na edição deste Domingo, 22 de Março de 2020, na página 6.
 
Jornal "Público" de 22/03/2020 - rubrica "Diário da Quarentena"

O Diário do Tripulante agradece ao jornal Público o convite e apela uma vez mais para que #fiqueemcasa e para que #ajudenosanãoparar e no fim #tudovaificarbem. 


quarta-feira, 18 de março de 2020

[Foto-Reportagem]: Como o COVID-19 mudou a Lisboa da minha janela...

Jamais acreditaria se me contassem, mas Lisboa está de facto diferente. A crise de saúde pública assim obriga. O Covid-19 veio mudar os registos fotográficos possíveis desta capital, vista através da janela do meu eléctrico ou até mesmo do pára-brisas do autocarro, com as ruas desertas que outrora costumam estar repletas de gente. Viagens matinais onde a azáfama de quem vai para o trabalho não é seguramente a mesma daquela que ocorre em condições normais. Os poucos rostos que se transportam, estão fechados ou apreensivos, com excepção para aqueles que ainda vão preenchendo os lugares disponíveis depois da hora de ponta, os turistas claro está! Quanto a nós tripulantes, vamos tentando cumprir o nosso serviço à população, sabendo todos, que também corremos um risco, mas sabendo igualmente que fazemos falta para aqueles que não podem ainda dispensar o uso do transporte público.

Esta foto-reportagem que vos apresento de seguida retrata um lado completamente desconhecido do tão procurado eléctrico 28E, aquele lado que ninguém nunca previu. Os portugueses parecem ter finalmente começado a acordar para o verdadeiro perigo que é este novo coronavírus, começando a limitar as suas viagens ao indispensável. Não é por isso de estranhar que grande parte das viagens sejam feitas com um número muito reduzido de passageiros. Quanto a filas essas deixaram de ser para os eléctricos e passaram a formar-se ás portas dos supermercados e farmácias, devido a um plano de contenção que limita o número de pessoas nos seus interiores. Parece que de repente fomos todos colocados num novo Mundo.

Veja então, como está diferente a nossa Lisboa vista da minha janela...


























Uma Lisboa certamente diferente também vista do pára-brisas do autocarro...




Mas sabemos igualmente que infelizmente estas imagens de uma reclusão quase total, não abrange ainda toda a cidade e todas as carreiras...


Por isso nunca é de mais apelar para que passe a mensagem. #Fiqueemcasa e #ajudenosanãoparar porque você pode parar, mas nós não. Fique em casa por si, por mim, por todos nós! 


segunda-feira, 16 de março de 2020

No 1º Dia com medidas de contenção ao COVID-19, não há como descrever a atitude de algumas pessoas...

Depois de dois dias em isolamento voluntário aproveitando a boleia da escala de serviço que ditou folga no fim-de-semana, hoje foi dia de regressar ao trabalho. Tal como eu muitos dos portugueses regressaram hoje ao trabalho e enfrentaram novas medidas e novos hábitos de forma a conter a proteger todos do novo coronavírus. Aqueles que não podem ficar em casa adoptando o tele-trabalho têm então de prosseguir a sua vida até que seja decretada a quarentena. Nos transportes, a entrada passou a ser feita pela porta de saída, a venda a bordo foi suspensa e a validação deixou de ser obrigatória, medidas apresentadas pela Carris no sábado, conforme o Diário do Tripulante deu aqui a conhecer.

Ditou a escala então, que hoje iniciaria a semana ao serviço na carreira 24E entre o Largo Camões e Campolide, mas já a caminho do trabalho constatava que a afluência aos transportes era menor, e o mesmo acontecia com o trânsito, porque recorde-se, hoje foi o primeiro dia sem aulas, no âmbito das medidas de contenção apresentadas pelo Governo Português. Aqueles que não encontraram as medidas de segurança ainda implementadas, defenderam-se como puderam, seguindo as regras impostas pela empresa, os tripulantes mantiveram a porta da frente encerrada, o que deixou muitos passageiros surpreendidos e até mesmo chateados. 

O ser humano consegue sempre surpreender-nos e nem perante uma situação crítica como a que vivemos devido ao vírus mortal que se faz sentir no Mundo e em especial na Europa, deixa de o fazer. Perante a minha indicação gestual de que a entrada se fazia por trás, muitos insistiam que queriam entrar pela frente, ao mesmo tempo que outros esmurravam a porta da frente para ver se a mesma passava a abrir. A entrada por trás nem sempre foi feita como ditam as regras do bom senso, de deixar sair primeiro e entrar depois, mas tendo em conta que estava na 24E com pouca afluência, esse nem foi o mail maior. 

Outra das atitudes que reparei ao longo do serviço, foi a preocupação com que hoje toda a gente acordou, no que à validação do título de transporte diz respeito. Mesmo com uma fita a delimitar a margem de segurança junto ao validador, foram vários os passageiros que após entrarem por trás, se deslocaram à frente para o fazer. Não reprovo de todo a atitude, porque demonstra responsabilidade em querer pagar um serviço de transporte, contudo, o que não me deixa de causar estranheza é que quando nada fazia prever uma situação como a actual, sempre que alertava algum passageiro por não ter validado era o fim do mundo, hoje todos querem validar. Quando normalmente se entra pela frente e sai-se por trás, todos querem entrar por trás e agora que a entrada faz-se por aí, todos querem entrar pela frente. Vai-se lá entender esta gente!  

Mas pior que isso, pior que não respeitarem quem está a trabalhar para tentar manter a cidade dentro da normalidade possível, são aqueles que se transportam e que ao telemóvel comentam que "isto parece é um Carnaval, tudo com máscaras e luvinhas..." Acho mesmo que as pessoas ainda não caíram na realidade e só quando olharem à volta e virem pessoas a cair para o lado, vão tomar as devidas precauções. Depois há os turistas, sempre com atitudes hilariantes como andarem a lotar carros na carreira 28E como se nada fosse. Vi pelo menos dois, onde a margem de distância para o passageiro do lado não era certamente superior a 30 centímetros, quando o aconselhável é 1 metro.

Largo do Rato - 13h00 - 16/03/2020
Turistas que ao entrarem se riem da sinalética, que gozam com a situação, gente sem escrúpulos que devia estar em casa, isolado porque não estão a trabalhar, estão simplesmente a passear, e quando assim é, numa fase como estas onde os casos confirmados aumentam em catadupa, nada mais há a dizer destas atitudes para as quais começo já ter alguma dificuldade em encontrar adjectivos que classifiquem tamanho egoísmo e falta de responsabilidade. 

As fronteiras aéreas continuam abertas e o movimento no Aeroporto de Lisboa é o que se tem visto pelas redes sociais. Gente que chega, sabe-se lá de onde, que não é sujeita a qualquer teste nem medição de temperatura e que horas depois estão a entrar dentro de um autocarro ou eléctrico, cruzando-se com quem tem obrigatoriamente de ir trabalhar. Mas até quando Portugal?

Hoje custou-me regressar ao trabalho, hoje custou-me ter de transportar pessoas que não são sequer dignas desse nome e só espero sinceramente que tudo isto passe rapidamente para vos desejar boas viagens a bordo dos veículos da CCFL, porque nenhuma empresa, nenhum trabalhador, está preparado para um surto víral como este, mas cabe-nos a nós todos juntos ajudar a parar esta propagação mortal que nos tira o sono e que nos quebrou as rotinas. Resumindo, após as atitudes que observei hoje, considero que só vamos vencer isto com um "Estado de Emergência", obrigando todos a ficar em casa! 

#Fiqueemcasa , por mim, por si, por nós todos! 

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