terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Na 25 acontece de tudo e do mais inesperado!

Hoje aconteceu-me algo inédito... na carreira 25E acontece mesmo de tudo e do mais inesperado. Uma passageira entra na paragem da Bica com destino Praça da Figueira e ao validar dá um passo atrás e cheira-me o casaco/pescoço, mas fazendo questão de chamar a atenção com o som da inalação... Surpreso coma situação, olho para a jovem pensando ser alguém conhecido. A passageira abre-me os olhos e diz: "Era para ter a certeza que este perfume agradável era seu, é que mal entrei cheirou muito bem e está confirmado!" E fiquei literalmente sem saber o que lhe responder... fechei a porta e segui viagem.

Já numa outra viagem, na paragem do Canas também com destino à P.Figueira, entram dois passageiros e questionam: "É o 25 não é?" e esclareço: exactamente! E eles acrescentam: "É que diz lá Praça da Figueira!" E diz muito bem, é para lá mesmo que vai!  

sábado, 9 de janeiro de 2016

Uma forma diferente e cantada de conhecer Lisboa a bordo dos eléctricos...

Está encontrado aquele que promete ser o sucesso musical deste ano de 2016, sobretudo para quem anda sobre carris. Inserido no projecto cbbc criado no Reino Unido, Emeli Sande apresenta mais uma paródia musical com base nas músicas de Mark Ronson and Bruno Mars' 'Uptown Funk'. A música além de divertida apresenta aquele que é o mais emblemático transporte da capital portuguesa e só isso é suficiente para que aqui tenha lugar reservado este êxito musical muito bem conseguido a bordo  das «casinhas» amarelas da Carris.

Clique no play and enjoy de music...

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

É tudo uma questão de «chip avariado»...

Há muito que aqui não trazia uma história vivida a bordo de um dos autocarros da Carris, até porque apenas ocasionalmente os conduzo, desde a minha transferência da Musgueira para Santo Amaro, contudo hoje transcrevo aqui uma história digna de registo e que prova que nós tripulantes, temos mesmo de estar preparados para o mais inesperado. 

A situação passou-se a bordo da carreira 735 a caminho do Cais do Sodré quando na Avenida de Roma mesmo junto ao Hospital Júlio de Matos, uma senhora com os seus 50 anos, a quem passamos a chamar de Estrela, entra e após o reinício da marcha do autocarro questiona o motorista sobre a sua validação. Admirado com tal questão, até porque não tinha visto nada passar na máquina, nem tão pouco ouvido o som do validador, o motorista questionou... «Mas validou o quê?!» ao que Estrela de imediato terá respondido: «O meu passe!»

Estranhando a conversa, o motorista sugeriu então para «passar o passe novamente para verificar», e a senhora Estrela não terá perdido tempo, encostando o seu dedo no validador mesmo na zona vermelha. «Mas a senhora não passou nada, apenas encostou o dedo!», disse o motorista. E a senhora Estrela explicou: «Sabe, eu tenho um chip no dedo...» Enquanto o passageiro que viajava sentado no primeiro lugar do autocarro se ria perdidamente, o motorista do 735 contendo a gargalhada lá lhe disse «então deve ter o chip avariado, é melhor ir tratar dele para poder viajar sem problemas».

Acatando a sugestão, a senhora Estrela disse «vou já tratar disso», saindo imediatamente na paragem seguinte em Alvalade. A viagem da senhora Estrela foi curta, mas certamente que motivou conversa para o resto da viagem e provou que o tripulante da Carris tem mesmo de estar preparado para o mais improvável, porque quando as portas do autocarro se abrem, tudo pode mesmo acontecer.

E assim vão as viagens a bordo dos amarelos da CCFL... 

[n.d.r.]: Esta história foi transcrita graças à colaboração do tripulante Rogério Dias, que foi o interveniente na história.



terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Mudou o ano, mas não as perguntas...

E cá estamos nós em 2016, o ano que promete ser de recuperação após longos anos de esforço. É altura de se ouvir dizer muitas promessas como «é este ano que vou dar um novo rumo» ou «é este ano que vamos melhorar», fazem-se os habituais planos da dieta após as festas, as idas ao ginásio ou a aprendizagem de um novo idioma, mas há coisas que nunca mudam. Além da fila interminável no Martim Moniz em busca do 28E e de um lugar sentado, há aquelas perguntas básicas.

«Vai para o Castelo?»
«Como faço pr'a pagar?»
«Vai para Belém?»
ou....
«Sabe a que horas vem o próximo eléctrico?»
«Sabe a que horas fecha o MiniPreço?»

Há de tudo e para todos os gostos, que juntas e repetidas várias vezes ao longo do dia, deixam a cabeça de quem quer que seja, feita em água. E por falar em água, essa tem sido visita habitual na ultima semana, com chuva intensa, o que causou algum caos e os consequentes atrasos que deixam as pessoas impacientes e prontas a descarregar com quem menos culpa tem no cartório, o guarda-freio claro está!

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

É Natal: As portas encantadas para o perigo...

É Natal! É Natal! A simpatia volta às ruas, depois de estar quase todo o ano recatada entre rostos que num entra e sai constante por vezes nem uma saudação proferem. As ruas enchem-se de carros. Há um movimento constante de pessoas nas ruas com sacos nas mãos. Os transportes atravessam o centro num pára-arranca constante. Os horários, esses passam a ser meramente indicativos e por vezes nem a hora da recolha é cumprida. Poucos se importam por tal facto, mas muitos reclamam. Reclamam com razão e sem razão. A cidade não facilita o uso do transporte embora todos os anos lembre a 22 de Setembro que seria importante dar mais uso ao transporte público, mas tudo não passa de campanhas publicitárias e muitas vezes políticas. 

Fecham-se ruas, fazem-se corridas, ligam-se as luzes e fazem-se projecções. O que interessa é colocar o povo na rua, mesmo que para lá chegarem tenham de estar horas intermináveis numa saturação que leva muitas vezes, a uma tarde ou noite para esquecer. À semelhança de outros anos, a Câmara Municipal de Lisboa, decidiu uma vez mais dedicar esta quadra às crianças com projecções de vídeo mapping na fachada principal da Praça do Comércio e o perigo voltou mesmo que lhe chamem "as portas encantadas". Mas afinal que encanto terá assistir a um espectáculo correndo o risco de ser atropelado por um carro?

Onde está a segurança? Policiamento zero, barreiras zero, e uma multidão de gente que perante uma praça enorme prefere estar a assistir como no cinema, na primeira fila. O eléctrico tem dificuldade em passar porque o som da projecção está tão alto que o toque da campainha alertando da sua chegada é abafado. As pessoas de olhos colados nas fachadas ignoram o que se passa em redor. Ignoram a campainha do eléctrico e até mesmo o movimento deste. Afinal de contas o espectáculo é de borla e há que aproveitar, os outros que esperem. As crianças sentam-se no lancil com as pernas para os carris onde o estribo do eléctrico passa a centímetros. Resta parar e atrasar mais uma viagem. 

O trânsito fechado na Ribeira (do caus) das Naus é desviado para a Rua do Arsenal e as filas prolongam-se por quilómetros. As ambulâncias que se dirigem para o hospital de São José, demoram eternidades a lá chegar, mas o que interessa é a festa, é o povo na rua e as ruas fechadas. 

O espectáculo acaba e as paragens enchem de imediato como de um final de jogo de futebol se tratasse. Entram com pressa para chegar a casa, ora porque está frio, ora porque têm o jantar para fazer. Não interessa o que já empataram aos outros, interessa sim reclamar e questionar porque demorou tanto o eléctrico a chegar. Dizem que todas as semanas há atrasos, que todas as semanas têm de ficar a meio da viagem ou esperar mais de trinta minutos. Depois se chegam dois eléctricos, e se o primeiro vai encurtado, perguntam o que se passa afinal. Dizemos que houve uma interrupção e respondem-nos: «já o seu colega da frente deu a mesma desculpa!» Ora bolas então se já tinha perguntado ao colega da frente, porquê veio perguntar novamente? «Era para ver se batia certo». E lá estamos nós novamente como os maus da fita. 

Depois estranho ou talvez não, a passividade de várias entidades. Afinal o INEM ainda não foi capaz de alertar que podem perder-se vidas a caminho de um hospital? A Carris ainda não alertou para os prejuízos constantes das viagens que ficam por se realizar? Ninguém referiu ainda a falta de segurança durante estes espectáculos, onde não há barreiras a separar o trânsito das pessoas nem muito menos policiamento? Mas que capital é esta onde as corridas se fazem no centro e no meio dos carros que circulam com precaução?!

Vale a pena pensar nisto! Boas Festas...

domingo, 20 de dezembro de 2015

Natal com veículos históricos na Transportes de Lisboa

O Natal é sobretudo época de eleição para os mais novos e a pensar neles a Carris cumpre este ano pela sua 35.ª vez a realização do Eléctrico de Natal, embora em moldes diferentes dos anos anteriores. Agora explorado pela Carristur, o então denominado «Eléctrico dos Sonhos», parte da Praça da Figueira e circula pela Graça, Alfama, Castelo, Sé e Baixa. Com uma roupagem diferente dos anos anteriores, fazendo lembrar que a crise veio para ser desculpa para tudo e todos, o eléctrico dá assim um colorido mais triste neste Natal com um verde seco oriundo do Tram Tour, ao qual adicionaram uns leds coloridos, que tentam dar mais cor a cada viagem. Com um bilhete de 6 euros para os adultos e 3 para as crianças, o eléctrico circula diariamente.

Mas quem também manteve a tradição foi o Metropolitano de Lisboa, que integra igualmente com a Carris a então designada Transportes de Lisboa e realizou no passado dia 12 a viagem com a composição ML7 sob o tema «Comboio de Natal» para os filhos dos colaboradores das duas empresas. Aqui a tradição mantém-se até porque não está aberta ao público, mas este ano a webrails.tv esteve presente para acompanhar a viagem e mostrar-nos então a viagem a bordo de uma composição emblemática na história do Metropolitano de Lisboa. 


A todos os leitores e passageiros, o Diário do Tripulante, deseja Boas Festas!


sábado, 12 de dezembro de 2015

O Natal do desassossego ...

Chegou o Natal às ruas de Lisboa e com ele veio a azáfama que caracteriza estes dias. Depósitos cheios, mais euros nas carteiras e viva o consumismo. Lisboa sai de casa para a rua e o cheiro a embraiagem abunda num pára-arranca constante para ver as luzes que dão colorido diferente às ruas ou para chegar ao Shopping onde o Pai Natal já está desde Novembro, dando a entender que o melhor é chegar mais cedo porque depois com tanto trânsito pode é chegar atrasado. 

Todos os anos é o mesmo filme, horas intermináveis numa fila de trânsito e a promessa que para o ano não vão de carro, contudo a fraca oferta da nossa rede de transportes que continua muito aquém da procura e da resposta desejada nestes dias, leva a que juntamente com inúmeras obras agendadas para épocas festivas voltem a fazer sair os carros dos parques para o centro da cidade. Há barraquinhas, vinho quente, pão com chouriço, música, animação e carroceis para os mais novos. 

E depois aqueles, que sempre preferiram os transportes públicos, ou que optaram este ano por utilizá-los, acabam por perder horas fechados num transporte público que demora 30 minutos entre duas paragens. Começam os desabafos e as constantes mudanças de planos. «Eu bem te disse que o melhor era não sairmos de casa», diz um senhor para a esposa com os seus filhos irrequietos em pleno articulado cheio já entre o Corpo Santo e a Praça do Comércio. As carreiras atrasam constantemente com cortes atrás de cortes. As filas chegam a atingir quilómetros e muitos optam por ir a pé. E a pé são muitos os que andam em plena escuridão da Praça do Comércio, onde uma vez mais a autarquia deixa a desejar na organização de um evento onde o trânsito circula pelo meio do espectáculo, sem policiamento por perto. É o salve-se quem puder na república das bananas e não precisa de ir ao Politiama para assistir a cenas de quem arrisca tudo para passar na frente do eléctrico, nem que tenha de parar um metro à frente.

Assim vão os dias que antecedem mais um Natal na capital portuguesa... 

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Autor de Diário do Tripulante apresentou o seu mais recente projecto em Praga

Amanhã é dia de regressar aos carris de Lisboa depois de 7 dias longe da capital portuguesa. Estive em Praga onde no passado dia 3 de Dezembro apresentei oficialmente o meu mais recente livro «Lisboa e Praga de Eléctrico» a convite da Biblioteca Municipal de Praga, onde estiveram presentes René Kubasek, o fotógrafo no qual me inspirei para o projecto e um representante da Empresa de Transporte Público de Praga, entre muitos outros anónimos que marcaram presença neste dia especial. Falou-se de eléctricos das duas cidades e das suas principais diferenças. No final provou-se o vinho do Porto e deram-se autógrafos. 

À Biblioteca entreguei o livro «A beleza de Lisboa - Eléctrico 28, uma viagem na história» na versão inglesa, oferecido pela Carris. E da biblioteca recebi um excelente acolhimento. No final juntei-me a alguns portugueses que vivem em Praga e fomos celebrar. 

Durante esta estadia, conheci parte da rede de transportes que ainda desconhecia. Praga é uma cidade semelhante a Lisboa, mas com uma rede de transportes digna desse nome. Um exemplo a seguir. Entretanto por cá, já vi que o Pai Natal este ano tem a companhia da Mãe Natal e anda a transportar sonhos pelos trilhos de Lisboa. Está bem entregue o lugar para o qual me convidaram e que não pude aceitar devido a ter já agendada esta apresentação na capital da República Checa. Espero em breve conseguir apanhá-los pela lente da minha objectiva.

Boas viagens a bordo dos veículos da CCFL. 

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