quinta-feira, 30 de junho de 2016

Cerveja de graça, o bilhete de criança e o estouro que parecia atentado. Tudo isto no regresso ao trabalho...

O que é bom acaba rápido, e depois das férias eis o regresso ao trabalho e cada vez mais com menos vontade, mas como o que tem de ser tem muita força, lá regressei aos carris de Lisboa com um serviço na carreira 15E das 14h30 às 24h09. O calor convidava a um belo dia de Praia ou a um passeio pelo campo, mas esqueçamos as férias que para o ano há mais, vamos lá fazer mexer Lisboa. O dia começava com um encurtamento a Belém devido a uma avaria técnica junto ao CCB. 

Mas como poucos são os que lêem os destinos das bandeiras já era de prever o primeiro contacto com os estimados passageiros que sempre alegam o mesmo: «Mas dizia Algés!» Quando ainda era visível a inscrição "Belém". Esclarecidos lá prossegui nova viagem de volta à Praça da Figueira. Lisboa fervilha de turistas e os eléctricos continuam iguais a si mesmo, repletos como sardinhas em lata. O caos das obras continuam a causar atrasos, mas pouco importa para quem não usa o transporte público. A primeira parte do serviço estava assim a decorrer dentro das normalidades até que já prestes do final da viagem, um senhor bate-me na cabine querendo fazer uma questão.

Aproveitei o sinal vermelho, para abrir a porta e mostrar-me disponível para responder (só provava que vinha de férias :) ) e o senhor de imediato pergunta: «-É neste eléctrico que estão a oferecer as cervejas Carlsberg?», ao que numa primeira fase tentei perceber se estaria a brincar ou a falar a sério, até que ele acrescenta: «-É que já deixei passar dois à sua frente e esperei por este verde porque ali na Praça do Comércio disseram-me que estavam a dar cerveja neste como promoção ao Euro2016...»

"-Pois então enganaram-lhe porque nem é permitido o consumo de bebidas alcoólicas no transporte público, quanto mais oferecer..." disse-lhe. E pouco convencido lá se sentou não deixando de dizer que «lá fora tem o anuncio e tudo da cerveja e do euro...»
Bebidas e futebóis à parte lá chegámos à Praça da Figueira. Prontos para mais uma viagem rumo a Algés, embora para mim fosse apenas até ao Calvário porque já estava entretanto na hora da pausa para o jantar.

Como é habitual nos serões da carreira 15E, a segunda parte do serviço é com um eléctrico remodelado, conhecido entre os passageiros pelos mais "antigos", "pequenos" ou até mesmo "tradicionais". De Santo Amaro saí para Algés, quando o Sol partia já, também ele para outras bandas. Carro cheio para um lado, carro cheio para o outro, o certo é que há sempre lugar para mais um e ora aperta daqui, ora encosta ali e já estava novamente na Praça da Figueira. Nova interrupção levava a que a Central me ordenasse terminar a viagem em Belém. Parti então da Figueira e já na Praça do Comércio, uma senhora com a sua mãe e o seu filho pede-me «-um bilhete para mim, um para a criança e um para a minha mãe»

"-Portanto três bilhetes, dá 8.55€ por favor...", disse.
«-Não desculpe lá, mas a criança paga metade.»
"-Não, é tarifa única e é 2.85€ cada pessoa"
«-Então não, desculpe lá mas a criança paga metade no Barreiro e o meu tio trabalha na Carris e sem bem que não é tudo igual. Abra a porta que saímos e esperamos pelo próximo...» Enquanto isto a mãe da senhora dizia: «Então mas se o rapaz diz é porque é», mas a senhora insistia: «Não falamos já com o tio e apanhamos o próximo...»

Afinal ainda foi confirmar com o tio... para quem tinha tantas certezas, dá que pensar.

Segui então viagem mas não até muito longe. Na Av.24 de Julho, o eléctrico decide pregar-me um susto a mim e aos passageiros, após um estouro no controller, talvez causado por um pico de corrente, bloqueando o eléctrico de imediato. Assustadas as pessoas foram saindo calmamente após lhes informar que seria impossível prosseguir até chegar a manutenção. Até que do fundo do eléctrico vem um senhor aos gritos a dizer que eu tinha descarrilado e que não tinha metido areia. Disse-lhe que tinha de se acalmar porque todos os passageiros estavam a sair de forma compreensiva e que ninguém tinha descarrilado. E ele insistia «Isto não pode ser assim todos os dias a avariarem e a deitarem fumo!» mas tudo isto aos gritos...

Pedi uma vez mais que abandonasse o eléctrico e tomasse outro transporte como alternativa e ele responde-me: «Mas eu já trabalhei na manutenção e se você tivesse metido areia isto não acontecia...», até que percebi pelo tom, pelo conteúdo e pelo disparate que só podia ter alguma perturbação. Sai e atrás dele sai o último passageiro que diz: «vocês têm de ter uma paciência e um coração de ferro. Eu até pensei que era algum atentado!» E por instantes só me veio à cabeça a história do presidente Manuel de Arriaga quando viajava no eléctrico, tendo o disjuntor disparado e ele ter saltado pela janela. Sorte que desta vez ninguém se lembrou de o fazer...

E assim foi o regresso agitado à agitada cidade de Lisboa e ao trabalho. Boas viagens a bordo dos veículos da CCFL  

terça-feira, 31 de maio de 2016

Imagens que falam por si porque aqui há gato...

-Ó moço, esse bonde vai na serra da Estrela onde tem café de gatos?

E assim começou o dia na 28E nesta terça-feira. Filas e mais filas, de pessoas e de eléctricos porque ora há um carro mal estacionado, ora há atrasos e depois lá vem a tal bola de neve do atraso puxa atraso com os turistas a não facilitarem por vezes o trabalho não trazendo trocado ou não sabendo como validar o título de transporte porque neste campo parece que estamos mais à frente, pois até já temos a bilhética sem contacto.

Mas hoje a manhã não foi de todo fácil, até porque não se pode sempre contar com a ajuda de quem está do outro lado do rádio para orientar a carreira, lugar aliás, que dispensava porque aquilo deve chegar alturas que é pior que um restaurante em hora de almoço em pleno centro de Lisboa.

Mas como foi de gatos que começou este texto, deixem-me esclarecer que aqui não há gato. O bonde era o 28 e não vai para a Serra da Estrela mas sim pela Calçada da Estrela rumo aos Prazeres. O que a senhora procurava era o novo café-biblioteca "Aqui há gato" que tem dado que falar por aquelas bandas, ao ponto de já ter apanhado uma senhora no Camões que queria entrar com o gato ao colo só porque ia para o café da Calçada da Estrela que tinha aberto. 

Mas como nem só de gatos se tem falado nestes dias deixo-vos de seguida algumas imagens que falam por si só, quanto às peripécias e interrupções que tenho apanhado nos últimos dias que nem sempre permitem que se efectue o serviço público de passageiros a 100%, numa altura que a procura já começa a aumentar até porque as festas já aí estão à porta e já por aí se vêm sardines, ou melhor turistas completamente esturricadas pelo sol que se tem feito sentir na capital...





 E assim vão os dias pelos eléctricos de Lisboa...

segunda-feira, 30 de maio de 2016

Anda tudo a precisar de apanhar ar...

Os dias não têm dado tréguas para aqui vir relatar algumas das situações com as quais me vou deparando no dia-a-dia, mas hoje consigo aqui abordar os últimos dias de serviço que marcaram uma vez mais o regresso à borracha com o serviço extraordinário do Rock in Rio, e não foi de todo pacífico esse regresso. Habituado a este tipo de serviço, dado ser o terceiro rock in rio que faço ao serviço da Carris, este ano terá sido além do mais fraco, aquele que criou mais problemas, embora tenham sido resolvidos a tempo com a ajuda da PSP. 

Hoje encontramos cada vez mais jovens que nem as autoridades respeitam, quanto mais o motorista. Depois dos improvisos iniciais ainda na cidade do rock quanto ao custo do bilhete, lá consegui iniciar viagem rumo ao Cais do Sodré ás 03h20. Mal arranquei o botão "STOP" foi a escolha principal dos jovens para "brincar" com o motorista, esquecendo aquela rapaziada que quanto mais paragens efectuadas mais retardada estaria a chegada ao Cais do Sodré. Mas quando a isto se junta uma nuvem de fumo no autocarro com cheiros pouco agradáveis, resta mesmo convidar a sair ou a apagar os emissores de fumos não desejados a bordo dos autocarros. 

Como a ordem não foi acatada (como aliás já esperava), pedi pelo menos respeito pelos restantes passageiros, mas não foi preciso andar muito até me cruzar com um carro da PSP que apercebendo-se dos "4 piscas" do autocarro abrandaram, tendo solicitado ajuda dos agentes para resolver a questão. Foram então convidados a sair 2 vezes pelos agentes da PSP, mas o gozo continuava até que foram forçados a pedir reforços para retirar os cerca de 10 a 15 elementos que estavam a incomodar os restantes passageiros naquela viagem rumo ao Cais do Sodré.

A chegada dos reforços, fez com que de imediato se levantassem das cadeiras e abandonassem o autocarro. É caso para se dizer que esta malta nem para eles são bons. Pagaram um bilhete e não chegaram ao destino, ficaram apeados acompanhados pelos agentes da PSP que entretanto me mandaram prosseguir viagem. E lá prossegui viagem tentando dar conhecimento da situação à central, mas infelizmente sem resposta. O resto da viagem foi feita de forma tranquila e sem chatices. 

Já hoje de volta ao ferro, na carreira 12E, uma invasão italo-francesa causou uma discussão entre os passageiros habituais da 12 e os turistas que não queriam ceder o lugar a um idoso. Tive de intervir e solicitar que fosse cedido o lugar reservado para o efeito, tendo ficado resolvida a questão. 

Na paragem seguinte uma turista brasileira queira entrar com uma tarifa de bordo já utilizada. Digo-lhe que não é válido e ela teima comigo dizendo que sim! Informo que é válido apenas na viagem em que é  comprado e ela insiste dizendo que "a colega tinha dito que era para duas paradas, ora se eu fiz uma parada posso fazer a segunda". Contei até 10 e expliquei-lhe que não estava ali para enganar ninguém e se estava a explicar que não era válido é porque não era mesmo. Mas com custo lá pagou mais uma tarifa de bordo, não deixando de dizer que "devia estar inscrito no ingresso porque quem me garante que fala verdadxi?!", sugeri-lhe então que se dirigisse a um balcão Carris e se informasse. 

E assim têm sido, algo atribuladas as viagens a bordo dos veículos da CCFL

sábado, 7 de maio de 2016

E vão 9... ao serviço da Carris

Em 2007, neste mesmo dia 7 de Maio, começava uma nova etapa na minha carreira profissional. Depois de crescer no bairro de Alfama no meio do vai e vem constante dos eléctricos que cruzavam as Escolas Gerais, e de ter escolhido o jornalismo televisivo como formação profissional após o ensino secundário, quis o destino que fosse aos comandos dos eléctricos que viria a passar grande parte do meu dia-a-dia. Interessado desde cedo pelos transportes públicos, nomeadamente os da Carris porque eram os que me levavam e traziam da escola, a entrada da Carris viria a mostrar-me o outro lado da empresa, passava assim a ver como funcionavam as coisas do lado de dentro e passava também eu a representar essa marca centenária.

Inscrevi-me como Guarda-freio depois da passagem pela televisão e de 6 anos no comércio têxtil, mas as vagas existentes eram apenas para motoristas. A falta de trabalho na televisão e o querer mudar de rumo fez com que não ficasse na paragem à espera da próxima chamada e entrei a bordo de uma nova aventura pelas ruas de Lisboa. Concluída a formação, apresentei-me na Estação da Musgueira onde permaneci durante 3 anos efectuando serviço em todas as carreiras afectas nessa estação de recolha e de Cabo Ruivo. Passados os 3 anos surge então a oportunidade de me transferir para a Estação de Santo Amaro, passando assim a desempenhar as funções de Guarda-Freio. 

Em 2012, durante a formação de Eléctricos Articulados com o
formador Cardoso e com o colega Gaspar...
Os anos passaram e já vão 9... 9 anos ao serviço da Companhia Carris de Ferro de Lisboa, com um percurso interessante, na medida em que esta nova aventura levou também à criação deste blogue, onde tenho vindo a partilhar convosco, histórias e situações do dia-a-dia de quem conduz milhares de passageiros por dia. Depois também de forma inesperada surge a oportunidade de editar um livro com as melhores histórias aqui relatadas. E foram muitas. Juntei assim a paixão pela condução do transporte público, ao da escrita.

Na carreira 15E de autocarro devido à
prova do etapa do Rally de Portugal
Mais recentemente a publicação de um novo livro numa edição de autor, permitiu-me juntar igualmente duas paixões: Lisboa e Praga vistas através do fascínio que uma viagem de eléctrico nos proporciona. Digamos portanto que esta opção de entrada na Carris acabou por ser uma boa opção na altura, no entanto muitos espinhos foram surgindo neste percurso, porque nem sempre é fácil lidar com o público cada vez mais exigente e conduzir um transporte numa cidade onde há cada vez menos respeito pelo transporte público. Depois a conjuntura do país nos últimos 4 anos não foi a melhor e o sector dos transportes foi dos mais penalizados. Greves, cortes, supressão de carreiras e redução do pessoal tripulante, que origina sempre um desgaste aos que permanecem a dar a cara pela empresa. 

Não nego que ao longo de 9 anos, não tenha ponderado sair e procurar uma nova carreira lá fora, mas com algum esforço e empenho, optei por ficar e manter-me a representar as cores da Carris, sempre com o mesmo brio profissional que impus desde o primeiro dia, apesar de ter dias melhores que outros, como todos nós tempos, mas afinal de contas até a Carris já teve dias melhores e piores. O ciclo da vida é assim mesmo e resta-nos tentar fazer melhor amanhã e dar o nosso melhor a cada dia. Espero assim, que a situação actual da empresa melhore, e que se volte a apostar no modo eléctrico como tantas vezes se promete em campanhas eleitorais. 

Quanto ao futuro, que venham mais 9... 10... 20... Os que sejam, mas acima de tudo com saúde, força e paciência para enfrentar o dia-a-dia aos comandos dos eléctricos (e por vezes autocarros) pelos carris de Lisboa.

sexta-feira, 15 de abril de 2016

[Off Topic]: "Do Dafundo ao Poço Bispo - Uma História sobre carris" de Luís Cruz-Filipe apresentado em Lisboa

Ao fim de 28 anos de investigação, Luís Cruz-Filipe autor da conhecida página "a minha página carris", decide transcrever para o papel alguns dos dados recolhidos ao longo de anos acompanhado de imagens e mapas inéditos. Nascido em Lisboa, o autor que é licenciado em Matemática Aplicada e Computação pelo IST e doutorado pela Universidade de Nejmegen na Holanda, interessa-se pela história da Carris desde cedo, e apresenta agora numa edição de autor uma obra ilustrada com 250 fotografias de diversos autores, várias inéditas e mais de uma centena de mapas.

Contribuíram para este resultado, o acesso a diversos arquivos entre os quais e numa fase final, o do Museu da Carris. A apresentação do livro que decorreu esta sexta-feira no Museu do Carmo em Lisboa, esteve a cargo da Drª. Elisa Cunha do Departamento de Transportes e Logística da Escola Náutica Infante Dom Henrique, e foi entre túmulos que se desenterrou de forma aprofundada, factual e contextualizada, a história das carreiras de eléctrico da Carris, perante amigos, convidados e entusiastas deste meio de transporte tão característico da cidade das sete colinas. 

Enquanto autor do Diário do Tripulante, mas sobretudo como amigo, estive presente na cerimónia da apresentação do livro para o qual foi uma honra poder disponibilizar algumas imagens nele presentes, entre as quais a da capa. O livro pode ser adquirido nesta fase inicial, directamente com o autor, através do endereço lcfilipe@gmail.com 

Com um preço de venda ao público de 35.00€, o livro será enviado por correio com custos adicionais dos portes de envio. 
Para os que não puderam estar presentes, poderão visualizar uma pequena entrevista que em colaboração com a Webrails.tv efectuei ao autor após a sessão de apresentação do livro.




domingo, 13 de março de 2016

Sugestão do Tripulante (15): Com o 25E até ao Museu da Marioneta "mergulhando" no cinema de animação Monstra 2016

A 15.ª Sugestão do Tripulante não é apenas direccionada para adultos. Os mais novos também vão gostar certamente de o acompanhar. À boleia do eléctrico 25E que actualmente liga a Praça da Figueira aos Prazeres devido às obras de requalificação do Campo das Cebolas, sugiro uma viagem até Santos-o-Velho onde está localizado o Convento das Bernardas, que com a saída das freiras abriu-se a vários inquilinos. Primeiro deu espaço ao Colégio Académico de Lisboa e mais tarde foi moradia de quase duzentas famílias de pescadores e varinas oriundas da zona de Aveiro. O espaço do claustro era usado para reparar cascos dos barcos e cozer as redes. Já na capela funcionava o Cine-esperança, uma sala de espectáculos e cinema. Em 2001 após remodelação por parte da Câmara Municipal de Lisboa, o Convento adquiriu os contornos de hoje. Os andares superiores continuam a albergar famílias. Na antiga cozinha funciona o restaurante «A Travessa» e há ainda uma colectividade local no convento. No restante espaço funciona o Museu da Marioneta, onde recai esta sugestão de visita. 

O Museu da Marioneta

Fica a 250 metros da paragem do eléctrico 25E, bem  próximo da embaixada de França. No bairro de Santos, o Museu da Marioneta, que outrora teve lugar no Largo de São Tomé, está de portas abertas desde 2001 no Convento das Bernardas, depois de ter sido criado em 1987 pela Companhia de Marionetas de São Lourenço. Actualmente está sobre gestão da EGEAC, EEM e Câmara Municipal de Lisboa.

É o primeiro e único espaço museológico, no panorama nacional, inteiramente dedicado à interpretação e divulgação da história da marioneta e difusão do teatro de marionetas, percorrendo a história desta fascinante forma de arte através do mundo, apresentando os diferentes tipos de marionetas e as diversas abordagens que elas permitem, com especial relevo para a marioneta portuguesa.

O espólio do museu tem vindo a ser progressivamente alargado e diversificado, ilustrando as diferentes formas teatrais que derivam de tradições antigas ou emergem de procuras artísticas contemporâneas, explorando novas formas, novos materiais e novas técnicas. Tal alargamento só foi possível com a participação de diferentes personalidades, autores, coleccionadores e marionetistas que, connosco, abraçaram este projecto, dando o seu inestimável contributo através da cedência dos seus espólios, aos quais o Museu agradece reconhecidamente.

Numa primeira fase, mantivemos o acento tónico no universo nacional, podendo-nos orgulhar de integrar uma das mais significativas e completas colecções de marionetas tradicionais portuguesas. Desde finais de 2008, alargamos agora as portas ao mundo com o acolhimento, em depósito, da excepcional e vasta colecção de marionetas e máscaras do sudeste asiático e africanas do coleccionador Francisco Capelo.

Exposição Temporária Cinema de Animação - Monstra 2016
"A Pequena da peixaria" de Jan Balej

Até 30 de Abril de 2016 pode também visitar de forma gratuita a exposição inserida no festival Monstra 2016- FESTIVAL DE ANIMAÇÃO DE LISBOA que regressa ao Museu da Marioneta, com uma exposição com os cenários e personagens do filme de animação LITTLE FROM THE FISH SHOP, de Jan Balej. 

LITTLE FROM THE FISH SHOP é uma exposição temática, com os bonecos originais e os cenários autênticos usados na produção do filme «Little from the Fish Shop». É a oportunidade para conhecer as verdadeiras «estrelas de cinema» e vê-las em acção, numa exposição interactiva, que permite explorar os bastidores de um filme de animação e perceber como funciona a técnica stop motion.

O conjunto de peças e marionetas resulta do trabalho de Jan Balej, também diretor e co-argumentista do filme. 

O filme «Little from the Fish Shop» é uma animação em stop motion, que combina marionetas e animação digital. Esta adaptação moderna do conto «A pequena Sereia», de Hans Christian Andersen, aborda uma poderosa história de amor não correspondido e os valores da sociedade de hoje. O Rei do Mar e sua família, incluindo a nossa heroína, são forçados a abandonar as águas profundas de sua casa e mudar para o porto de grande cidade, onde um grande amor se enraíza…

Informações úteis:

Horário

3ª a Domingo - 10h-13h | 14h-18h | últimas admissões: 12h30 e 17h30 | Em dias de espectáculo até ao seu início

Preços

Museu
5€Entrada no Museu
1,5€Grupos escolares e crianças até aos 5 anos de idade
3€
 
 
 
13€
 
 
Outros Descontos
 
Menores de 30 anos
Reformados e pensionistas >65 anos
Grupos organizados
Familias (dois adultos e duas crianças) “Bilhete Familiar”

Portadores do “Lisboa Card”
Outras entidades, de acordo com o estabelecido em protocolo celebrado com o Museu (ACP, Carristur, Cityrama, Lisboa Card)
IsentosVisitantes ao Domingo de manhã
Crianças até aos 2 anos de idade, quando acompanhados por familiares; Professores quando acompanham grupos de alunos
Profissionais da Comunicação Social e guias-intérpretes em exercício de funções
Membros do ICOM e APOM
Amigos, doadores, mecenas e patrocinadores


terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

O orgulho da marca Carris de outros tempos em semana atípica...

Há muito que por aqui não tenho passado e não porque não hajam histórias para contar. Apenas porque vou sendo vencido pelo cansaço e porque o tempo disponível não é o de outros tempos, porque voltei a estudar checo e as aulas acabam por ocupar parte desse tempo, à semelhança de outras actividades entusiastas ligadas aos eléctricos. Depois das viagens românticas dos dias dos namorados em que inúmeros casais aproveitaram a tarde para ir comer um pastel de Belém, veio o meu regresso à 28E nestes últimos dias em que a carreira tem andado como se diz na gíria... "insuportável". A Páscoa está à porta mas as enchentes da época já se fazem sentir e não há carros que cheguem para tanta gente.

Se no Martim Moniz, continuam as filas a aumentar porque a maioria quer lugar sentado, já ao longo do trajecto as filas vão diminuindo porque há sempre lugar para mais um. Empurra aqui, aconchega ali e lá se vai andado tipo sardinha em lata. Quase amassado, lá vou prosseguindo no movimento constante da manivela ora para ligar, ora para cortar a corrente aos motores, para que se vá vencendo os declives desta cidade de colinas.

Confesso que gosto muito do que faço, mas não posso esconder que ando a ser vencido pelo cansaço e pelo turismo de ponta a ponta. E perguntam vocês o que é esse turismo de ponta a ponta... Pois bem é aquele que vai do Martim Moniz aos Prazeres e dos Prazeres ao Martim Moniz com um único fim. Dizerem que andaram no tram 28 e que viram toda a Lisboa quando nem viram um terço. Dizerem que ficaram com os bolsos mais vazios ou que tiveram a sorte de não serem sorteados. Os amigos do alheio falam cada vez menos português mas tiram qualquer português do sério, mesmo aqueles que conduzem todas as nacionalidades com um horário pré-estabelecido que não se consegue cumprir, muito graças aos tampões criados por estes na entrada dos eléctricos. 

Os atrasos sucedem-se e se quem está do outro lado a gerir a carreira perde o fio à meada, então temos pano para mangas, sobretudo quando nos fazem perguntas do género «porque é que anda atrasado?», não vale a pena responder, porque quem não entende um atraso de um eléctrico dificilmente vai compreender o porquê do mesmo se atrasar... Resta-nos como dizia o actor português António Silva na rábula «A culpa é da Carris», ajudar e colaborar...

Mas deixando o presente de parte, vamos ao passado à boleia da passageira que esta tarde se transportou no 28E. «Boa tarde ò senhor.. diga-me lá uma coisa... que sabe, eu era mulher de um colega seu graduado da Carris, que infelizmente já faleceu de repente....» Sim diga... «Sabe se a Sé está aberta? É que venho com estas três amigas da Figueira da Foz que somos de lá, mas ainda temos casa cá mas não venho cá há tanto tempo que não sei como está isso dos bilhetes...»

Dos bilhetes? Questionei eu. «Sim, tenho o passe de mulher do graduado da Carris, mas esses ladrões que lá estiveram disseram que iam tirar... Afinal não sabemos porque esta amiga está manca. Não pode andar, também lhe morreu o filho há pouco tempo coitada. (ao mesmo tempo que a amiga reportava "esteja calada com isso senhora, vamos lá noutro dia...) e gostava de lhe mostrar a cidade, está a ver?»

A senhora parecia ligada à corrente e na distância entre a paragem de São Vicente e das Escolas Gerais, já me tinha contado a vida toda sem que lhe tivesse perguntado nada. «Foram bons temos os que o meu marido viveu nesta companhia. Desejo-lhe saúde e a mesma felicidade aqui que o meu marido teve. Muita saúde é o que lhe desejo...» 

E lá foi ela dar a conhecer a Sé e a Igreja de Santo António, «aquela onde casam as noivas...», dizia.

E assim vão as viagens no presente e ao passado a bordo das "casinhas" amarelas da Carris...

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Na 25 acontece de tudo e do mais inesperado!

Hoje aconteceu-me algo inédito... na carreira 25E acontece mesmo de tudo e do mais inesperado. Uma passageira entra na paragem da Bica com destino Praça da Figueira e ao validar dá um passo atrás e cheira-me o casaco/pescoço, mas fazendo questão de chamar a atenção com o som da inalação... Surpreso coma situação, olho para a jovem pensando ser alguém conhecido. A passageira abre-me os olhos e diz: "Era para ter a certeza que este perfume agradável era seu, é que mal entrei cheirou muito bem e está confirmado!" E fiquei literalmente sem saber o que lhe responder... fechei a porta e segui viagem.

Já numa outra viagem, na paragem do Canas também com destino à P.Figueira, entram dois passageiros e questionam: "É o 25 não é?" e esclareço: exactamente! E eles acrescentam: "É que diz lá Praça da Figueira!" E diz muito bem, é para lá mesmo que vai!  

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