domingo, 22 de março de 2020

"A pandemia vista da janela do meu eléctrico..." no jornal Público

O silêncio, a desconfiança e acima de tudo a esperança são palavras que caracterizam os dias que vivemos no país e no mundo. Rostos fechados nos transportes, também eles diferentes nos dias que vivemos. As filas que habitualmente esperavam pelo 28E estão agora à porta dos supermercados e farmácias. A capital acorda todos os dias como se estivéssemos no campo, onde até os pássaros se fazem ouvir, interrompendo um silêncio que nos faz reflectir e pensar, que isto é de facto algo grave e assustador. De repente apercebemos-nos do quão éramos felizes com tudo o que tínhamos ao nosso alcance e com toda a agitação e stress que a própria cidade nos oferece. Sentimos a falta de um simples "boa tarde" à entrada do eléctrico, embora este sossego do desassossego que vivemos diariamente, nos tenha trazido alguma paz no serviço, apesar de toda a apreensão com que o enfrentamos a cada dia que passa.

Agora o dever de todos é o de #ficaremcasa, onde temos mais tempo para a família, para ler, escrever, ouvir música, mas acima de tudo estar atentos às notícias que nos vão chegando pelos órgãos de comunicação social, que têm por esta altura edições especiais dedicadas ao coronavírus para que estejamos informados. Entre notícias, reportagens e crónicas há também algumas rubricas como o "Diário da Quarentena" no Público, para a qual fui convidado a escrever um texto sobre como temos nós tripulantes, enfrentado esta pandemia do Covid-19, e que foi publicado na edição deste Domingo, 22 de Março de 2020, na página 6.
 
Jornal "Público" de 22/03/2020 - rubrica "Diário da Quarentena"

O Diário do Tripulante agradece ao jornal Público o convite e apela uma vez mais para que #fiqueemcasa e para que #ajudenosanãoparar e no fim #tudovaificarbem. 


quarta-feira, 18 de março de 2020

[Foto-Reportagem]: Como o COVID-19 mudou a Lisboa da minha janela...

Jamais acreditaria se me contassem, mas Lisboa está de facto diferente. A crise de saúde pública assim obriga. O Covid-19 veio mudar os registos fotográficos possíveis desta capital, vista através da janela do meu eléctrico ou até mesmo do pára-brisas do autocarro, com as ruas desertas que outrora costumam estar repletas de gente. Viagens matinais onde a azáfama de quem vai para o trabalho não é seguramente a mesma daquela que ocorre em condições normais. Os poucos rostos que se transportam, estão fechados ou apreensivos, com excepção para aqueles que ainda vão preenchendo os lugares disponíveis depois da hora de ponta, os turistas claro está! Quanto a nós tripulantes, vamos tentando cumprir o nosso serviço à população, sabendo todos, que também corremos um risco, mas sabendo igualmente que fazemos falta para aqueles que não podem ainda dispensar o uso do transporte público.

Esta foto-reportagem que vos apresento de seguida retrata um lado completamente desconhecido do tão procurado eléctrico 28E, aquele lado que ninguém nunca previu. Os portugueses parecem ter finalmente começado a acordar para o verdadeiro perigo que é este novo coronavírus, começando a limitar as suas viagens ao indispensável. Não é por isso de estranhar que grande parte das viagens sejam feitas com um número muito reduzido de passageiros. Quanto a filas essas deixaram de ser para os eléctricos e passaram a formar-se ás portas dos supermercados e farmácias, devido a um plano de contenção que limita o número de pessoas nos seus interiores. Parece que de repente fomos todos colocados num novo Mundo.

Veja então, como está diferente a nossa Lisboa vista da minha janela...


























Uma Lisboa certamente diferente também vista do pára-brisas do autocarro...




Mas sabemos igualmente que infelizmente estas imagens de uma reclusão quase total, não abrange ainda toda a cidade e todas as carreiras...


Por isso nunca é de mais apelar para que passe a mensagem. #Fiqueemcasa e #ajudenosanãoparar porque você pode parar, mas nós não. Fique em casa por si, por mim, por todos nós! 


segunda-feira, 16 de março de 2020

No 1º Dia com medidas de contenção ao COVID-19, não há como descrever a atitude de algumas pessoas...

Depois de dois dias em isolamento voluntário aproveitando a boleia da escala de serviço que ditou folga no fim-de-semana, hoje foi dia de regressar ao trabalho. Tal como eu muitos dos portugueses regressaram hoje ao trabalho e enfrentaram novas medidas e novos hábitos de forma a conter a proteger todos do novo coronavírus. Aqueles que não podem ficar em casa adoptando o tele-trabalho têm então de prosseguir a sua vida até que seja decretada a quarentena. Nos transportes, a entrada passou a ser feita pela porta de saída, a venda a bordo foi suspensa e a validação deixou de ser obrigatória, medidas apresentadas pela Carris no sábado, conforme o Diário do Tripulante deu aqui a conhecer.

Ditou a escala então, que hoje iniciaria a semana ao serviço na carreira 24E entre o Largo Camões e Campolide, mas já a caminho do trabalho constatava que a afluência aos transportes era menor, e o mesmo acontecia com o trânsito, porque recorde-se, hoje foi o primeiro dia sem aulas, no âmbito das medidas de contenção apresentadas pelo Governo Português. Aqueles que não encontraram as medidas de segurança ainda implementadas, defenderam-se como puderam, seguindo as regras impostas pela empresa, os tripulantes mantiveram a porta da frente encerrada, o que deixou muitos passageiros surpreendidos e até mesmo chateados. 

O ser humano consegue sempre surpreender-nos e nem perante uma situação crítica como a que vivemos devido ao vírus mortal que se faz sentir no Mundo e em especial na Europa, deixa de o fazer. Perante a minha indicação gestual de que a entrada se fazia por trás, muitos insistiam que queriam entrar pela frente, ao mesmo tempo que outros esmurravam a porta da frente para ver se a mesma passava a abrir. A entrada por trás nem sempre foi feita como ditam as regras do bom senso, de deixar sair primeiro e entrar depois, mas tendo em conta que estava na 24E com pouca afluência, esse nem foi o mail maior. 

Outra das atitudes que reparei ao longo do serviço, foi a preocupação com que hoje toda a gente acordou, no que à validação do título de transporte diz respeito. Mesmo com uma fita a delimitar a margem de segurança junto ao validador, foram vários os passageiros que após entrarem por trás, se deslocaram à frente para o fazer. Não reprovo de todo a atitude, porque demonstra responsabilidade em querer pagar um serviço de transporte, contudo, o que não me deixa de causar estranheza é que quando nada fazia prever uma situação como a actual, sempre que alertava algum passageiro por não ter validado era o fim do mundo, hoje todos querem validar. Quando normalmente se entra pela frente e sai-se por trás, todos querem entrar por trás e agora que a entrada faz-se por aí, todos querem entrar pela frente. Vai-se lá entender esta gente!  

Mas pior que isso, pior que não respeitarem quem está a trabalhar para tentar manter a cidade dentro da normalidade possível, são aqueles que se transportam e que ao telemóvel comentam que "isto parece é um Carnaval, tudo com máscaras e luvinhas..." Acho mesmo que as pessoas ainda não caíram na realidade e só quando olharem à volta e virem pessoas a cair para o lado, vão tomar as devidas precauções. Depois há os turistas, sempre com atitudes hilariantes como andarem a lotar carros na carreira 28E como se nada fosse. Vi pelo menos dois, onde a margem de distância para o passageiro do lado não era certamente superior a 30 centímetros, quando o aconselhável é 1 metro.

Largo do Rato - 13h00 - 16/03/2020
Turistas que ao entrarem se riem da sinalética, que gozam com a situação, gente sem escrúpulos que devia estar em casa, isolado porque não estão a trabalhar, estão simplesmente a passear, e quando assim é, numa fase como estas onde os casos confirmados aumentam em catadupa, nada mais há a dizer destas atitudes para as quais começo já ter alguma dificuldade em encontrar adjectivos que classifiquem tamanho egoísmo e falta de responsabilidade. 

As fronteiras aéreas continuam abertas e o movimento no Aeroporto de Lisboa é o que se tem visto pelas redes sociais. Gente que chega, sabe-se lá de onde, que não é sujeita a qualquer teste nem medição de temperatura e que horas depois estão a entrar dentro de um autocarro ou eléctrico, cruzando-se com quem tem obrigatoriamente de ir trabalhar. Mas até quando Portugal?

Hoje custou-me regressar ao trabalho, hoje custou-me ter de transportar pessoas que não são sequer dignas desse nome e só espero sinceramente que tudo isto passe rapidamente para vos desejar boas viagens a bordo dos veículos da CCFL, porque nenhuma empresa, nenhum trabalhador, está preparado para um surto víral como este, mas cabe-nos a nós todos juntos ajudar a parar esta propagação mortal que nos tira o sono e que nos quebrou as rotinas. Resumindo, após as atitudes que observei hoje, considero que só vamos vencer isto com um "Estado de Emergência", obrigando todos a ficar em casa! 

#Fiqueemcasa , por mim, por si, por nós todos! 

sábado, 14 de março de 2020

Carris dá a conhecer novas medidas adicionais preventivas ao COVID-19 (Actualização)

No âmbito das medidas de prevenção ao Covid-19 e no seguimento das medidas apresentadas ontem à Comunicação Social por parte da Carris, com vista à implementação de novas medidas na limpeza e desinfecção dos veículos da empresa que prestam serviço público, assim como à limitação da venda de tarifas de bordo por parte dos seus tripulantes a partir desta segunda-feira, vem agora o Conselho de Administração da transportadora dar a conhecer aos seus clientes que para já não foram decididas alterações na oferta do serviço. 

Ainda assim, há novos procedimentos a ter em conta no serviço prestado pela Carris, como adianta a transportadora através do seu site oficial em www.carris.pt .

Assim sendo já a partir das 00h00 do dia 15 de Março, "a entrada nos veículos da CARRIS, autocarros e eléctricos, passará a ser realizada através da porta traseira, de modo a reduzir o contacto físico com os tripulantes. A Carris irá durante a próxima semana colocar fitas delimitadoras do posto do tripulante. Dado que as entradas se passam a efectuar pela porta de saída, os clientes deverão adoptar as regras a que já estão habituados a utilizar em outros modos (nomeadamente no Metropolitano e na CP), ou seja, deixar os passageiros sair primeiro antes de entrarem na viatura", lê-se no comunicado.

A mesma informação adianta ainda que "na sequência da colocação da sinalética nos veículos da CARRIS, a venda de tarifas de bordo nos veículos da Carris encontra-se suspensa por tempo indeterminado. As validações por parte dos passageiros são facultativas. O acesso ao miradouro de Santa Justa, bem como o elevador de Santa Justa encerrarão por tempo indeterminado a partir do dia 15 de Março. Os ascensores do Lavra e da Glória mantêm a sua operação normal, sem vendas de tarifas de bordo. O ascensor da Bica, mantém a sua operação normal, mas o compartimento do guarda-freio ficará interditado a passageiros. As vendas de tarifas de bordo estarão suspensas tal como nos outros meios da Carris".

Recorde-se que a venda de títulos de transporte "na rede própria da CARRIS, Lojas e Quiosques, passam a ser realizadas exclusivamente por pagamentos com cartão. A partir de segunda-feira, dia 16 de Março, o acesso às instalações da CARRIS implicará uma medição de temperatura. No seguimento das solicitações dos motoristas e guarda-freios da Carris, a utilização de máscaras por parte destes é deixada ao critério individual de cada um. É relembrado que as orientações da DGS estão alinhadas com o procedimento até agora adoptado na CARRIS, isto é, a máscara está indicada apenas para situações em que há uma suspeição de infecção por COVID-19".

Por fim, a Carris aconselha ainda os seus utentes para que, sempre que possível, possam assegurar uma distância mínima de um metro relativamente a outros passageiros;
- Havendo lugares vazios, não se sentar junto a outro passageiro;
- Nas paragens, efectuar fila assegurando um perímetro de segurança de um metro. 
"A Carris agradece a compreensão dos todos, face a estas alterações e recomendações, reforçando que tudo o que está a ser implementado é para uma maior protecção quer dos seus trabalhadores, quer dos seus clientes", lê-se.

O Diário do Tripulante, enaltece esta decisão do Conselho de Administração da Carris, que continuará certamente a avaliar estas medidas de acordo com as actualizações, que vão sendo feitas pela DGS e pelo Ministério da Saúde, face à evolução da pandemia COVID-19 e pede a colaboração de todos os passageiros para a praticabilidade destas medidas que visam a segurança e prevenção de todos para que não sejamos obrigados a parar. Facilite sempre as saídas em primeiro lugar e entre depois, uma vez que as entradas e saídas passam agora e por tempo indeterminado a serem feitas pela porta de trás. 

Estamos juntos nesta viagem e só juntos e com a ajuda de todos conseguiremos chegar ao nosso destino final, que é o fim desta pandemia do coronavírus. Fique atento ás notícias, ás indicações da Direcção Geral de Saúde e se tem de recorrer aos transportes públcos fique atento ás informações que serão actualizadas no site oficial da Carris. Boas viagens!

[n.d.r.]: Imagem meramente ilustrativa do método a adoptar no âmbito da prevenção ao Covid-19.

sexta-feira, 13 de março de 2020

Carris apresenta novas medidas para fazer face ao COVID-19

Foto: Ana Luísa Alvim / CML
Quando ao início da tarde desta sexta-feira escrevi aqui o post sobre o COVID-19, e sobre o impacto que o mesmo terá no sector dos transportes, ainda não tinham sido apresentadas as medidas por parte da Carris, no que diz respeito à adopção de novos procedimentos com vista a fazer face ao surto víral que tem sido notícia um pouco por todo o mundo e que também tem causado algum receio entre os tripulantes, pelo facto de num transporte público se transportarem milhares de pessoas por dia. 

Contudo, já ao final da tarde os tripulantes da Carris tiveram conhecimento por parte da administração da empresa, através de um comunicado que novas medidas seriam impostas já a partir de segunda-feira e é de louvar tal iniciativa, porque temos de começar por algum lado. Assim, a partir da próxima segunda-feira dia 16 estará suspensa a venda de bilhetes no interior dos autocarros e eléctricos.

Ou seja, quem quiser viajar na Carris terá de comprar antecipadamente um bilhete ou passe geral em pontos de venda estabelecidos, como os instalados nas estações do Metropolitano de Lisboa, para evitar o contacto físico e «a necessidade de manuseamento de dinheiro», a Carris decretou que a partir de agora os motoristas e guarda-freios vão parar em todas as paragens do percurso da sua carreira, independentemente de terem clientes à espera ou não

Segundo noticia do Observador, "a ideia é que partes do autocarro, como o sinal para pedir a paragem do motorista, sejam menos tocadas daqui em diante. Outra medida adoptada passa por «as equipas de fiscalização [dos portadores de bilhetes] passarem a fazê-la à entrada e saída das portas e não no interior».

Também hoje foi demonstrado à comunicação social o procedimento da empresa no que diz respeito à desinfecção dos veículos em que possam ser detectados casos suspeitos e que tenham de recolher à estação. São equipas de intervenção que se juntam em casos extremos à limpeza diária que segundo a Carris está já reforçada com novo contrato celebrado com a IPSS, conforme avança igualmente o Observador através do seu artigo publicado esta noite na plataforma on-line.

Estas medidas estão inseridas num plano de contingência de reacção da Carris ao novo coronovírus, que começou a ser definido há duas semanas e que tem vindo a sofrer alterações com a alteração das medidas de contenção decretadas pelo Governo e pelas autoridades de saúde. Recorde-se que sendo os transportes públicos um meio imprescindível para o funcionamento da cidade, não é logicamente do interesse da Carris ter os seus tripulantes infectados com o Covid-19, pelo que novas medidas poderão ser anunciadas brevemente, porque estamos todos juntos nesta viagem para levar de vencida esta batalha com o Coronavírus e para que possamos minimizar os estragos causados por este surto.

Fontes: Observador / Facebook da CML


COVID-19: A Hora de lutarmos pela nossa sobrevivência

Covid-19! É a palavra na ordem do dia. A palavra que nos preocupa e que obrigatoriamente nos leva a mudar hábitos, por muito que possam custar. É sobretudo a designação para o coronavírus que tem espalhado o medo e o pânico um pouco por todo o Mundo. Foi identificado pela primeira vez em Dezembro de 2019 na China, na cidade de Wuhan. Este novo agente nunca tinha sido identificado anteriormente em seres humanos. A fonte da infecção é ainda desconhecida, estando ainda em investigação a via de transmissão. A transmissão pessoa a pessoa foi confirmada e já existe infecção em vários países e em pessoas que não tinham visitado o mercado de Wuhan. 

Carris
Em Portugal são já mais de 100 os casos confirmados, na altura em que escrevo este post, em casa porque estou de folga. Mas nesta mesma altura, ao mesmo tempo que se aguardam resultados para muitos mais casos suspeitos, estão também nas ruas de Lisboa a circular autocarros e eléctricos, conduzidos por tripulantes, que continuam expostos ao vírus. Ando há semanas a evitar escrever sobre o tema, dado ser um tema delicado, que considero, deve ser debatido e explicado pelos profissionais e agentes competentes. Contudo, não consigo ficar indiferente ao problema e à preocupação que me leva todos os dias a acordar com o receio de enfrentar mais um simples dia de trabalho, sensação esta que considero ser a mesma sentida por todos os meus colegas. 

Contactamos com milhares de pessoas por dia, num entra e sai constante de pessoas, que não sabemos a sua origem, nem se estão ou não, infectadas com Covid-19, porque muito provavelmente nem essas pessoas o sabem também. Vendemos bilhetes a bordo em troca de dinheiro que anda de mão em mão. Respondemos a questões, sobretudo de turistas que teimam em não querer cancelar as suas viagens, talvez porque ainda não mediram o perigo que é este surto. E lidamos com pessoas que continuam em muitos casos a pensar única e exclusivamente no seu próprio umbigo, que parecem nem sequer ouvir as noticias e os conselhos da Direcção Geral de Saúde.

Medidas tomadas em Praga, devido ao Covid-19
Há dois dias, confesso que tive de fazer algo que nunca tinha feito em 13 anos de serviço na condução de um transporte público. Após pedir que os passageiros chegassem o mais possível para a rectaguarda do autocarro, não passando da marca vermelha no chão para  a frente, os mesmos pareciam não estar nem sequer a ligar ao que solicitava. Ao mesmo tempo, na paragem do Cais do Sodré continuavam pessoas do lado de fora a insistir na entrada do autocarro, que estava já com mais de 4 passageiros na zona da porta da entrada à frente da marca vermelha, aquela marca que deveria sempre ser respeitada. Alertei que iria fechar a porta, mas continuaram a ignorar e a forçar a entrada. Tive portanto de ignorar também a vontade de todos em querer entrar e fechar a porta literalmente na cara dos passageiros. Do lado de fora, só não me chamaram Santo ao mesmo tempo que mandavam murros na porta do autocarro. 

Em Bratislava

Por aqui se vê, o respeito pelo próximo. Sabemos da importância do transporte público numa cidade como Lisboa, onde as pessoas têm se deslocar para os seus serviços, quando os mesmos não são imprescindíveis, mas esses mesmos transportes públicos são conduzidos por seres humanos, que também eles estão sujeitos a ser contagiados, se é que muitos já não estão...

E agora pergunta o leitor: Então mas e não foi feito nada para vos proteger? E respondo eu: Não! Foi dado um Kit? Foi, mas esse kit não é de prevenção, mas sim de contenção, porque como o próprio folheto do kit informa que "é para uso exclusivo do próprio no âmbito das suas funções e em caso suspeito...", sendo o mesmo composto por três máscaras cirúrgicas, um par de luvas descartáveis, quatro toalhetes de álcool e dois pacotes de lenços. Mas e a prevenção? Onde estão as medidas de prevenção? Foi anunciado o reforço da limpeza dos veículos diariamente, mas será isso o suficiente? ....

Em Berlim
Empresas congéneres um pouco por toda a Europa, tomaram medidas nos seus meios de transporte, de forma a evitar o contacto próximo com o motorista, casos como os de Bratislava, Morges, Praga, Berlim, Luxemburgo, entre muitos outros mais, limitaram o acesso dos passageiros apenas pelas portas traseiras, barrando o acesso à porta da frente e limitando o espaço da frente com fitas de separação, ao mesmo tempo que suspenderam a venda de bilhetes a bordo. E por cá? Aguardamos... (á hora da escrita deste post ainda não tinham sido tomadas medidas de prevenção para os tripulantes, pelo que se entretanto foram apresentadas, fica desde já o nosso agradecimento).

Sabemos igualmente que muitos poderemos não ser considerados de risco, contudo podemos ser o meio de transmissão do vírus para aqueles que, mais velhos ou mais novos partilham do mesmo espaço que nós em casa. E só por isso já é preocupante. Acho que devemos de uma vez por todas, seguir as palavras que já ontem foram proferidas pelo primeiro-ministro, António Costa: "Esta é uma luta pela nossa sobrevivência!" e por isso mesmo, está na altura da Carris pensar um pouco mais naqueles que são a cara da empresa, naqueles que conduzem milhares de pessoas por dia, e de provar que é capaz uma vez mais de marcar a diferença, por muito tarde que já possa parecer. Já diz o ditado, "mais vale tarde que nunca", porque temos de "prever o pior para esperar o melhor", porque só juntos neste barco em que estamos todos enquanto sociedade, iremos conseguir vencer esta batalha. Não é hora de palavras, é hora de agir! 

No Luxemburgo

Este artigo apresenta algumas imagens das medidas tomadas pelas empresas um pouco por toda a Europa, que poderiam e deviam ser desde já adoptadas pela Carris. Ainda assim, acreditamos ou queremos acreditar que algo estará a ser estudado de forma a prevenir o mais rápido possível quem diariamente continua a ter de conduzir quer seja, autocarros, eléctricos ou elevadores, ou quem está igualmente exposto, nos postos de atendimento e venda, assim como os colegas do apoio às vendas. 

Está na hora de pensarmos primeiro na saúde de todos e depois nas receitas, está na hora de todos juntos vencermos este vírus que se tem revelado forte e cujo os números falam por si. Não basta restringir o desembarque de passageiros dos cruzeiros em Lisboa, quando centenas e centenas desembarcam no Aeroporto de Lisboa sem qualquer tipo de rastreio, estando horas depois a bordo de um eléctrico 15 para Belém, ou num eléctrico 28 no sobe e desce pelas colinas de Lisboa, cidade que está mais vazia, mas ainda assim com muito por fazer para travar esta pandemia. Rezemos então para que tudo se resolva pela melhor forma possível, para travarmos este numero crescente de casos de Covid-19.

E termino com um apelo também aos passageiros. Evitem os transportes lotados, mantenham a margem sanitária com o próximo sempre que possível, evite o contacto com o tripulante e mantenha sempre as mãos limpas e desinfectadas. Siga os conselhos da DGS e não se esqueçam, estamos todos na mesma viagem! 

quarta-feira, 11 de março de 2020

A Carris a criar bom ambiente com a primeira carreira de autocarros eléctricos...

O dia 11 de Março de 2020, passa a constar na história da Carris e da cidade de Lisboa. Marca a inauguração da primeira carreira de autocarros, feita por veículos mais amigos do ambiente, ou seja, 100% eléctricos que já circulavam aos fins-de-semana numa fase de testes e que a partir de hoje circulam diariamente na carreira 706 que circula entre o Cais do Sodré e a Estação de Santa Apolónia. 

A empresa portuguesa Caetano Bus, do Grupo Salvador Caetano, foi a vencedora do concurso público para a produção dos autocarros que são 100% eléctricos, têm 12 metros de comprimento e capacidade para 71 passageiros: 36 lugares sentados, 36 de pé e 1 para pessoas com mobilidade reduzida que têm direito a uma rampa eléctrica para subirem a bordo. Estes novos autocarros são mais um passo que levará a Carris a uma total descarbonização até 2040.

Os novos e-city gold da Caetano estão equipados com baterias de última geração, o que permite a redução de custos em energia e manutenção. A autonomia dos novos autocarros é de 170km e irão percorrer uma média de 150km por dia na linha 706. O tempo de carregamento é de cinco horas. Estes novos autocarros não emitem poluentes atmosféricos e são silenciosos, contribuindo também para a diminuição da poluição sonora na cidade. Segundo a Carris, “cada quilómetro percorrido com os novos autocarros eléctricos evita a emissão de 1,5kg de CO2”.
Presente na cerimónia de apresentação da primeira carreira com autocarros eléctricos, o presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina, disse mesmo que este é  “um passo essencial na qualificação do transporte público”.
À margem da apresentação dos autocarros eléctricos, o presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina abordou ainda as medidas preventivas em vigor na Carris por causa do Covid-19. Medina revelou que foram alterados os protocolos de limpeza dos autocarros, que passaram a ser “limpos diariamente com reagentes próprio, mais na base do álcool, com particular relevância para todas as superfícies de contacto”. Foi também alterado o protocolo de circulação: ou seja, qualquer autocarro onde haja suspeita de casos do coronavírus deve regressar à base para ser limpo e só depois voltará à circulação.
Desejamos assim umas boas viagens, agora mais amigas do ambiente, a bordo dos novos autocarros da CCFL.

terça-feira, 10 de março de 2020

COVID-19: Há quanto tempo não viajava no 28E sem ser em modo "sardinha em lata"?

Com mais de 40 casos confirmados em Portugal e mais de 600 em vigilância, o Covid-19 parece ter chegado para dominar os temas de conversa, as notícias e a própria cidade. A DGS (Direcção Geral de Saúde) tem vindo a alertar os cidadãos sobre as medidas de prevenção a adoptar em caso de sintomas deste novo Coronavírus e muitas têm sido também, as viagens canceladas no tráfego aéreo, sobretudo para os países onde o surto se faz sentir com maior intensidade como o caso de Itália. Por cá já começou a corrida aos desinfectantes e frascos de álcool e começa aos poucos as corridas aos supermercados depois do pânico instalado através dos meios de comunicação social. 

Em Lisboa o Covid-19 também já se vai fazendo sentir, sobretudo na sua única vantagem que é a de permitir que se viaje de eléctrico sem estar apinhado de turistas. Mas eles desapareceram e já não visitam Lisboa? Não, mas nos últimos dois dias estive de serviço na carreira 28E e nota-se uma diferença significativa na procura. As longas filas na paragem do Martim Moniz dão agora lugar a filas de 10 a 20 pessoas em grande parte do dia, sendo que por vezes ainda aparecem picos de gente. Ainda assim e ao longo de todo o trajecto, são poucas as paragens com turistas que procuram normalmente este meio de transporte para conhecer Lisboa. E assim sendo, os eléctricos cheios em modo "sardinha em lata" dão agora lugar a eléctricos com lugares sentados e vistas desafogadas sobre as janelas que vão cruzando o casario de Alfama.

O Coronavírus é assim, tema de conversa entre passageiros habituais e colegas e isto no dia em que a Câmara Municipal de Lisboa, apresentou medidas temporárias para reduzir riscos de exposição e contágio Covid-19.

Diz a comunicação da câmara que:
"Na sequência do Plano Nacional de Preparação e Resposta à Doença por novo Coronavírus (Covid-19) e das orientações da Direção-Geral da Saúde para diminuir a evolução epidemiológica, a CML tomou as seguintes medidas temporárias:

- Encerramento das piscinas geridas pelo Município e Juntas de Freguesia;
- Encerramento dos Museus, Galerias e Bibliotecas Municipais;
- Encerramento dos Teatros Municipais (São Luiz, LuCa e Teatro do Bairro Alto), do Padrão dos Descobrimentos e Cinema São Jorge;
- Suspensão de todas as atividades desportivas promovidas pelo Município em recinto fechado (nomeadamente, as Olisipíadas);
- Suspensão de todas as visitas de lazer, turismo ou de âmbito cultural promovidas pelo Município;
- Suspensão das atividades complementares à ação educativa do tipo visitas de estudo e passeios promovidas pelo Município ou com recurso ao serviço de transportes da CML;
- Manter, por enquanto, em funcionamento feiras e mercados, reforçando as ações de formação e prevenção já em curso;
- Promover com cada Junta de Freguesia a avaliação de cada iniciativa concreta que se encontre programada;
- Mantêm-se em funcionamento regular todos os serviços de atendimento ao munícipe, assim como os parques e jardins de gestão municipal. O Castelo de São Jorge mantém-se aberto ao público.

Estas medidas estão sujeitas a avaliação permanente, definindo-se para já a sua vigência a partir de amanhã, dia 11 de março, e até ao próximo dia 3 de abril."

Ora, constata-se portanto que para já a Carris não está inserida neste plano, embora sejam um grupo de risco dado o contacto com diversos passageiros das mais variadas origens geográficas. 

Assim sendo, o Covid-19 tem permitido algum "descanso" dentro da habitual confusão que é andar num eléctrico constantemente apinhado de turistas e até os passageiros locais acabam por soltar um "bendito Corona, que já estou farta de andar em sardinha em lata...", ou "isto agora é uma maravilha... ou não." usando certamente a ironia da questão porque até estranham entrar a meio do trajecto e ter um lugar para sentar e à janela. Ou seja, depois das inúmeras imagens que mostram filas intermináveis à espera do 28, que se tornaram virais, vem agora o vírus, ou o medo que têm dele, afastar os turistas daquele que é o mais procurado eléctrico do Mundo. As ruas de Lisboa também estão mais vazias e já se vêm muitas máscaras nos rostos dos transeuntes. 
Ainda assim deseja-se que este surto seja dominado o mais rapidamente possível, assim como a recuperação de todos os casos confirmados, de forma a que todos possamos voltar à normalidade. Desejamos então umas boas viagens a bordo dos veículos da CCFL, que hoje mesmo, segundo fonte da Carris adiantou à Agência Lusa, a empresa sob alçada da Câmara de Lisboa, elaborou um plano de contingência que prevê “medidas ao nível da limpeza reforçada dos veículos, com especial atenção às superfícies mais tocadas, como os corrimãos das portas, as pegas do interior, o contorno superior dos bancos e o contorno do habitáculo do tripulante, e a desinfecção em situações de caso suspeito a bordo”. 
De acordo com a empresa, irá ser entregue a “todos os tripulantes” um 'kit' composto por máscara, lenços, toalhitas com base de álcool e luvas, para ser utilizado “apenas em casos de suspeição de sintomas do próprio tripulante ou de clientes a bordo”Foi elaborado ainda um plano de acção no que diz respeito à operação da Carris, nomeadamente na comunicação de sintomas por parte de tripulantes ou de clientes que viajem dentro dos equipamentos, que inclui a recolha da viatura para desinfecção.


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