sábado, 11 de janeiro de 2020

Um dia na 15E em modo 500 metros de barreiras devido ao mau estacionamento

Sem fato de treino mas de camisa e gravata pronto para mais um dia de 500 metros barreiras, como que se de uma prova de atletismo se tratasse. Depois de uns longos 5 meses em modo borracha no transbordo da 15E, voltei aos comandos dos eléctricos na versão ferro ao longo das calhas do 15E entre a Praça da Figueira e Algés e hoje foi daqueles dias em que o condutor de fim de semana sai à rua e não sabe se vai para a esquerda ou para a direita, mas também daqueles que não sabem estacionar o que se limitam a pensar única e exclusivamente no seu próprio umbigo.

Depois claro que o eléctrico não consegue cumprir o horário e de quem é a culpa? Não não é do motorista, como é costume, mas é do guarda-freio, ou não fosse esse o nome dado a quem conduz o eléctrico. Rua dos Fanqueiros com destino a Algés e eis que avisto uma traseira fora do limite do estacionamento reservado a cargas e descargas. Aproximo-me do carro em questão, e verifico que de facto não consigo prosseguir a marcha do eléctrico. Toco a campainha duas vezes de forma prolongada tentando avistar um automobilista afoito a sair de alguma das lojas das redondezas mas sem êxito. Num instante surge a polícia municipal para accionar o reboque.

Contudo no interior do carro estava a esposa do condutor que de imediato após ver a presença do agente, ligou ao marido que veio numa corrida como se não houvesse amanhã, chegando já sem respiração suficiente para poder pedir desculpa. Meteu-se no carro e chegou o mesmo à frente, eu prossegui viagem e o agente ficou à conversa com o condutor. 

Na mesma viagem mais uma paragem, desta feita na Rua de Pedrouços. Um carro afastado do passeio, impossibilita a passagem do eléctrico. Informo os passageiros que tomam outras alternativas para chegar a Algés e dou a ocorrência à Central Comando de Tráfego da Carris para que fosse accionado o reboque. Passaram 10...20...30...40... minutos e eis que aos 45 minutos aparece de forma tranquila um senhor e dois jovens que de forma descontraída questionou-me se "não passa por causa do meu carro? peço imensa desculpa mas nem reparei que passava o eléctrico..." Digo-lhe que já ali estava há mais de 40 minutos, que já tinha accionado o reboque e que já todos os passageiros que seguiam a bordo tinham-se sentido lesados pela interrupção do estacionamento indevido em lugar proibido. "Pois tem toda a razão, foi o tempo que tive ali numas gravações, mas não foi por mal..." Pois não, foi por não cumprir o código da estrada.

E assim terminou o dia, a terminar o meu serviço já após da hora prevista devido a estas interrupções, que não só acabam por lesar quem viaja no transporte público, como neste caso, também quem o conduz que tem uma família em casa à espera... Até quando teremos esta selva no trânsito de Lisboa, que é cada vez mais um salve-se quem puder?  

terça-feira, 7 de janeiro de 2020

Uma viagem de sonho com a radynacestu.cz a bordo da Carris para dar a conhecer Lisboa

E se viajasse por essa Europa fora entrasse num transporte público e o condutor falasse português? Certamente que gostaria do acolhimento e da simpatia. É isso mesmo que a agência de viagens checa "rady na cestu" pretende fazer com os seus clientes, ou seja que em Portugal, se sintam em casa mas acima de tudo que conheçam as cidades e a cultura de forma descontraída e através de um guia local. Há uns anos a esta parte, muito por culpa do eléctrico amarelo da Carris, tive o prazer de conhecer o António Pedro Nobre, um português a viver há alguns anos da República Checa, que domina já por completo o dialecto checo, algo que invejo no bom sentido.

Trocámos umas ideias após a publicação de um vídeo da agência de viagens onde aparecia o 28E conduzido por mim, e daí nasceu uma amizade. Sabendo da minha paixão pela República Checa e tendo conhecimento que também eu andei a aprender o checo em Lisboa, com o objectivo de tentar falar tão fluente quanto ele - algo quase impossível - quando não se pratica diariamente e quando o tempo para estudar é quase nulo, surgiu a ideia de quando cá vem a Lisboa com grupos de checos, tentar apanhar o meu eléctrico para praticar assim um pouco a língua daquele país conhecido por ser o coração da Europa. 

Assim, os checos acabaram por diversas vezes por ser surpreendidos com um guarda-freio a falar checo sobre o funcionamento do mesmo, ou por ter escrito um livro sobre os eléctricos de Lisboa e Praga através das viagens de eléctrico. Foi também por isso que fui convidado a participar numa comédia produzida pela "Rady na cestu" com o objectivo de mostrar as vantagens que é viajar com a agência de viagens em causa. Um excelente trabalho que é agora publicado no youtube, através de um casal que pretende comemorar o aniversário do casamento. Ambos querem viajar e se o marido opta por reservar tudo online a título individual, já Pavlina - a esposa - opta por contactar a radynacestu.cz

Ele tem uma viagem atribulada e ela desfruta do melhor que há em Lisboa, como se de uma viagem de sonho se tratasse. Com o típico humor checo à mistura, esta comédia mostra então que tudo se torna mais fácil quando somos acompanhados por um guia local. Ele não consegue entrar no eléctrico porque está cheio, mas ela desfruta da viagem em grupo porque o guia sabe onde entrar no eléctrico vazio. Ele dorme num corredor de um hostel e ela desfruta de uma noite num requintado hotel, mas há muito mais... 

Uma comédia em checo, que ainda assim vale a pena ser vista pelas imagens recolhidas na nossa cidade, porque acredito que não entenda muito de checo. Uma curta-metragem em que gostei de participar, tornando assim um dia diferente a bordo dos eléctricos da Carris.

  

segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

Nos Bastidores dos "amarelos" da Carris: O lado nocturno dos eléctricos de Lisboa

Se Veneza não seria a mesma sem as suas gôndolas, o mesmo se poderá dizer de Lisboa sem os seus eléctricos. Cada vez mais postais vivos da própria cidade, os eléctricos de Lisboa continuam a servir a população da capital portuguesa, mas também aqueles que nos visitam. Em breve chegarão novos eléctricos para aumentar a frota que já vai tendo dificuldades em dar resposta à procura, mas por enquanto são aqueles que chegaram em 1995 para a linha 15E e os restantes, mais antigos que foram remodelados na mesma altura, que vão fazendo as delícias entre colinas num sobe e desce constante, deslizando sobre os carris que criam uma malha em paralelo com uma rede aérea que alimenta mais de 40 eléctricos diariamente. 

Mas e o que seria dos eléctricos de Lisboa sem os carris, sem a rede aérea, sem os mecânicos? Não serviriam para nada certamente, se não para museu. São homens que normalmente trabalham quando os eléctricos descansam e por isso mesmo não são muito vistos, mas não nos podemos esquecer da sua existência. Engenheiros, Operários, electricistas, motoristas, guarda-freios, etc... toda uma vasta equipa necessária para pôr em marcha os "amarelos" da Carris. 

Para que não os esqueçamos e para que possamos ver um pouco do seu trabalho, uma equipa de televisão do Reino Unido, acompanhou os trabalhos destas equipas de manutenção da Carris durante a noite, acompanhando a substituição do fio da rede aérea, ou a colocação dos novos carris com vista à expansão da rede a Santa Apolónia. No programa "Impossible Railays" do canal Yesterday, há ainda tempo neste episódio para uma visita à casa das máquinas do Ascensor do Lavra e conhecer um pouco sobre o seu funcionamento através da Drª. Susana Esteves da Fonseca, do departamento de comunicação da Carris. Da parte técnica, coube ao Engº. Pedro Palma do departamento de Infraestruturas explicar um pouco do processo a ter em conta na realização destes trabalhos.

Uma curta mas interessante reportagem que partilho agora com todos os leitores deste blogue para que possa ser vista ou revista e para que nunca nos esqueçamos da importância de quem está nos bastidores das "casinhas amarelas" para que durante o dia se possa movimentar milhares de pessoas pelas colinas de Lisboa a bordo dos nossos eléctricos.



Boas viagens a bordo dos veículos da CCFL!

sexta-feira, 3 de janeiro de 2020

Ano novo, velhos costumes...

"Ano novo, vida nova", diz o ditado ao qual poderíamos acrescentar "velhos costumes". Despedi-me de 2019 a bordo de um autocarro marcopolo no transbordo da 15E e comecei 2020 da mesma forma até porque só no próximo dia 6 de Janeiro está previsto o restabelecimento do percurso da carreira 15E na totalidade com eléctrico, com o fim das obras da Rua Bartolomeu Dias. Será portanto uma prenda do dia de Reis para os passageiros frequentes daquela carreira assim como os da 729 que desde Agosto se vêm obrigados a um transbordo. Melhor para uns, pior para outros, há opiniões para todos os gostos e muitos até preferiam este trajecto nem que fosse pelas vistas ali bem junto ao Tejo.

Certo é que passadas as festas, e toda uma série de hipocrisia que se vive por esta época com os desejos de "boas festas e Feliz Ano Novo" e até mesmo um "Boa tarde" e um "obrigado" de vez em quando, estão de volta os silêncios e as reclamações, como que se uma transformação ocorra entre um ser humano e um muro de lamentações. Costuma ser sempre assim nos primeiros dias de Janeiro com centenas de passageiros a entrarem como sempre fazem, sem abrir a boca para dizer um simples "boa tarde" e obviamente que não são todos. Diria que a maioria, vá... até porque 1% dos passageiros ainda vai desejando um bom ano nos primeiros dias de Janeiro.

Numa semana ainda a meio gás dadas as férias escolares, já houve tempo para um "então, não abre atrás?!" como que se no Natal tivesse ganho o dom de adivinhar que querem sair quando não solicitam a paragem. Ou também um "na verdade podia seguir com o autocarro para a Praça da Figueira, porque isto é um disparate ter de se mudar de veículo", como que se fosse decisão minha ter que terminar a viagem em Belém.

2019 marcou igualmente a descida do preço dos passes e 2020 não trouxe aumentos nem nos passes nem nas tarifas de bordo, mas para alguns, viajar à borla continua a ser a melhor opção, e se a isso juntarmos a ideia de que um simular de validação engana o motorista melhor ainda. Parece que entrar no autocarro colado ao passageiro da frente a quem acabaram de dar passagem - como que se muito gentil fosse tal acto - e simular um acto de abrir a carteira e encostar todos os cartões menos o do transporte público, os deixa mais tranquilos e com um espírito vitorioso ao estilo de "já enganei mais um", por isso o que espero mesmo é que 2020 seja um ano de aposta forte na fiscalização porque só assim se consegue combater a fraude.

E nisto quando apenas vamos no terceiro dia de Janeiro e quando passada uma década ainda há quem não saiba que um título de viagem pré-comprado é válido por 1 hora podendo fazer os transbordos necessários no mesmo operador, o que continua a causar aquela que é a das perguntas mais feitas, no já conhecido entre os motoristas por "vale de Pedrouços" (por ser o eixo mais percorrido pelo autocarro durante as obras), se "tenho de validar outra vez o cartão quando entrar no eléctrico?" ou "mas tenho de pagar duas viagens?"

E assim vão as viagens neste novo ano que dá início a uma nova década, mas com velhos costumes que acabam por marcar o quotidiano de quem anda aos comandos dos transportes públicos. Boas viagens a bordo dos veículos da CCFL e um Bom ano para todos. 

segunda-feira, 30 de dezembro de 2019

Feliz Ano Novo 2020!

E assim se chega ao fim de mais um ano. Tempo para balanços e desejos. Tempo de festa para alguns e de trabalho para outros. 2019 está prestes a dizer adeus e nós estamos já desejosos de dar um olá a 2020. Falo sobretudo no que a mim me diz respeito, porque 2019 não foi dos melhores anos que vivi. A nível de saúde foi dos anos que passei mais tempo a caminhar para médicos e afins, onde me foi diagnosticado um problema que me tem causado muitos problemas e só Deus sabe como em muitos dos dias tenho ido trabalhar, num espírito de sacrifício, mas também de paixão pelo que fazemos e confesso, houve dias muito difíceis.  Talvez por isso também tenha sido talvez o ano com menos posts aqui no blogue. Por isso para 2020 apenas peço Saúde, que no fundo é o principal, pois sem ela, não adianta ter dinheiro nem nada.

A nível profissional, 2019 trouxe-me finalmente a oportunidade dada pela Carris de conduzir parte da sua história no desfile anual dos veículos do Museu e desde Agosto a esta parte, de recuar um pouco no tempo, fazendo-me lembrar os meus primeiros anos na companhia, com o serviço de autocarro entre Algés e Belém devido às obras que ao que parece, vão acabar em 2020.

Um ano 2019 do qual vou recordar igualmente a viagem a Viena e Bratislava onde conheci mais dois sistemas de transporte europeus, o que é sempre enriquecedor e que nos ajuda a crescer e melhorar por cá. Assim, para 2020 desejo a todos os passageiros deste blog, um ano repleto de saúde, viagens, algum dinheiro que dá sempre jeito, muita paz e amor que parece haver cada vez menos no dia-a-dia desta cidade das sete colinas. 

FELIZ ANO 2020!

sexta-feira, 13 de dezembro de 2019

Será que vale mesmo a pena "fazer o bem sem olhar a quem"?

"Fazer o bem sem olhar a quem", diz o ditado e já muito antigo, contudo nem sempre esta máxima se pode aplicar no nosso dia-a-dia, porque as pessoas estão constantemente a julgar sem saber e são sobretudo mal agradecidas. Podem até fazê-lo de forma inconsciente ou não. O certo é que as pessoas estão cada vez mais prontas a atirar pedras sem se lembrarem que têm telhados de vidro. Há os que reclamam pelo atraso, mas que não são capazes de validar o titulo de transporte. Há os que pedem para sair pela frente e nem "obrigado" dizem. Há os que correm em direcção da paragem e quando voltamos a abrir a porta nem "obrigado" nem "boa tarde"... Há de tudo e para todos os gostos, mas já vamos estando habituados.

Contudo, a meio da semana, uma avaria no autocarro da minha frente na carreira 15E, naquele transbordo que continua a substituir o eléctrico entre Belém e Algés, impossibilita o transporte de passageiros e o mesmo tem de recolher à estação. Faltavam ainda 7 minutos para a minha partida, quando observo a paragem repleta de passageiros, acabados de chegar do eléctrico, ao mesmo tempo que o frio lá fora se fazia sentir. Apercebendo-me da recolha do autocarro da frente, ligo o motor e chego o meu autocarro à paragem para recolher os passageiros e iniciar a viagem uns minutos mais cedo, compensando assim a falha daquela partida.

E tão bem que estava sossegado se não o tivesse feito. Mal abri a porta, uma senhora já com idade talvez para ser minha avó, entra a disparar "o seu colega ao telemóvel estava difícil terminar a música!" Logo atrás uma outra senhora a dizer que "fazem o que querem e vão-se embora..." Informo que o autocarro estava com uma avaria e estava a ser reportada à central. "Comentários inúteis, não ligue senhor motorista", tentava apaziguar uma terceira. Mas como nós todos temos o nosso limite e nem sempre conseguimos engolir de forma ténue os sapos que vamos engolindo, lá tive de dizer que por questões de segurança, aquele autocarro teve de recolher, e que eu mesmo estava a avançar mais cedo para bem de todos, e que não tinha alguma culpa na situação. Quando a resposta foi imediata de parte da principal protestante...

"Está avariado e vai a andar...", não me contive e lá tive de explicar à senhora que se tivesse conhecimentos de mecânica poderia ter dado uma ajuda, porque na verdade nem sempre podemos fazer o bem sem olhar a quem. As pessoas andam stressadas, andam afoitas com o Natal que se aproxima e de quem é a culpa? A culpa é do motorista claro está! Ainda assim, desejo a todos umas boas festas a bordo dos veículos da CCFL...

quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

O Eléctrico de Natal está de volta e este ano comemora os 40 anos de magia e alegria nas ruas de Lisboa

Aí está mais uma edição do Eléctrico de Natal da Carris que se realiza pelo 40º ano consecutivo. A magia, a música e a alegria estão de volta ás ruas da capital e este ano a receita é para a Operação Nariz Vermelho.

As ruas de Lisboa já estão iluminadas, as tendas dos circos montadas nos locais habituais, já recebem centenas de crianças e famílias para os espectáculos de acrobacias, mas o Natal em Lisboa só fica completo com a chegada do Eléctrico de Natal, que começou no passado dia 2 de Dezembro a circular pelos carris de Lisboa, ainda que apenas para as escolas e colaboradores até dia 12. Uma vez mais a Carris e a Carristur juntam-se para dar um colorido diferente entre a Praça do Comércio e Belém, espalhando igualmente sorrisos e muita alegria. 

Se durante a semana, as viagens estão reservadas para as escolas, já aos fins-de-semana e feriados, viaja nele quem quer ser guiado pelas ruas de Lisboa pelo Pai Natal guarda-freio, que por estes dias troca as renas pelos eléctricos do tipo 700, que durante o ano realizam serviço no circuito Tram Tour.

Recorde-se que esta é uma iniciativa que dura já há 40 anos. Decorado com grinaldas e azevinhos, o Eléctrico de Natal, este ano repete os seus tons dourados do ano transacto, e realiza viagens com partidas da Praça do Comércio entre as 10h00 e as 19h00 com partidas a cada 30 minutos. A viagem conduzida pelo Pai Natal dura cerca de 1h00 e passa pela Praça da Figueira, Cais do Sodré, Av.24 de Julho, Calvário, Santo Amaro (onde está instalado o Museu da Carris) onde inverte a marcha rumo ao ponto de partida. O custo do bilhete são 8€ e por cada bilhete de criança vendido, 2€ serão doados à Operação Nariz Vermelho. Mais informações disponíveis em https://www.yellowbustours.com/pt-PT/Lisboa/Circuitos/Eletrico-de-Natal.aspx 

Embarque nesta viagem e ajude desta forma a levar sorrisos e esperança a crianças doentes.

terça-feira, 22 de outubro de 2019

De Belém para o Mundo, com muitas dúvidas existenciais...

Por vezes dou comigo, ainda que passados tantos anos, a pensar se, os turistas não percebem mesmo nada de transportes ou se querem fazer de nós uns parvos no canto da Europa plantados. Assisto diariamente a situações e comportamentos que, nunca em alguma parte eu teria, por muitas dificuldades que tivesse quer de orientação quer pela língua nativa. Sabemos igualmente que temos de dar um ligeiro desconto no que à informação diz respeito, porque conhecendo o que se faz lá por fora, ainda temos muito de rectificar, contudo não é desculpa. 

Sobretudo quando nos esforçamos para de uma forma simpática lhes explicar como funcionam e como têm, de se deslocar para atingir o seu destino, nomeadamente na língua deles ou em grande parte na língua inglesa, o que poucos tentariam se fossemos nós lá por fora. Mas o português tem este hábito de saber receber e de querer ser simpático para com quem nos visita, mas o problema é quando os turistas nos esgotam os créditos que temos de paciência. 

Não consigo assim entender o porquê de não terem em conta o destino na bandeira do veículo, pois olham apenas para o número. Já por diversas vezes visitei países estrangeiros e neste campo, todos funcionam quase da mesma forma, ou seja, um número e vários destinos, salvo as carreiras circulares.

Não consigo igualmente entender o porquê de quando dizemos, "terminal" ou "final stop", permanecerem sentados e por vezes a rirem-se de nós, como que se estivessem na esperança que tudo não passava de uma pequena brincadeira do tripulante que decidiu desligar o motor do autocarro e dizer que era o fim da viagem.

Não consigo também entender o porquê de quererem comprar um bilhete a bordo (2€ no autocarro, 3€ no eléctrico) que na ideia deles, daria para toda a sua estadia em Lisboa, como que se os transportes públicos estivessem em saldos. 

Mas nos últimos dias, custa-me ainda mais o turista que entra, pergunta se passo pela Torre de Belém, ao qual digo que sim, sendo que tem de sair na segunda paragem.  E ele segue até Algés como que se todas as paragens efectuadas fossem apenas para entrar ar porque estava muito calor no interior do autocarro. Ou quando me apercebo que são mais idosos e chegados ao Largo da Princesa, aviso que é a paragem para a Torre de Belém, e ficam na dúvida a olhar para o motorista, ainda a perguntar se tenho a certeza. Mas querem fazer mesmo de nós, uns malucos?

Ora malucos, só podem ser mesmo aqueles que no sentido para Belém, entram no Largo da Princesa e após explicarmos que em Belém tem de mudar para um eléctrico, que continua a viagem para o centro, devido às obras (tudo isto na língua deles), chegam a Belém, saem do autocarro e em vez de irem para a paragem do eléctrico, conforme indicada, ficam na paragem do autocarro e mais grave... voltam a entrar no autocarro onde vieram e regressam para o Largo da Princesa, ainda que tenham já passado por duas paragens, sem perceberem que estão a fazer o mesmo trajecto no sentido oposto... 

Portanto tem sido assim estes últimos dias, numa carreira 15E perto de si, com muita pergunta e muito turismo afoito pelas ruas de Belém... e com muitas dúvidas existenciais. Para quem não tem dúvidas, ficam os votos de uma boa viagem a bordo dos veículos da CCFL.


Translate