terça-feira, 26 de maio de 2015

776: Ao som dos pássaros numa carreira onde se respira saúde...

Embora não fosse uma prioridade para este ano, a Carris, decidiu que eu devia efectuar já a formação para a renovação do CAM. O CAM foi mais uma daquelas siglas que foram inventadas na Europa para sacar dinheiro a quem precisa de trabalhar e no fundo é uma qualificação para exercer a função de motorista. Regressei então à sala onde em 2007 fui recebido quando entrei na Carris. O primeiro dia de formação, custa sempre um pouco sobretudo para quem está habituado a andar no movimento, nada que não se aguente, até porque o saber não ocupa lugar e aprende-se sempre com as acções de formação, nem que seja na troca de opiniões em sala. A manhã foi dedicada aos primeiros socorros e a parte da tarde foi dedicada à condução económica e defensiva.

Já hoje foi dia de condução e de voltar à borracha. A ver passar os eléctricos, lá fui até Algés onde iria iniciar o meu serviço na carreira 776, carreira esta que veio substituir os eléctricos que outrora chegaram à Cruz Quebrada. Nunca tinha trabalhado nesta carreira, pelo que tudo era uma novidade nesta tarde quente de Maio. Como cheguei um pouco antes à rendição, aproveitei a boleia do colega Porfírio que de forma simpática lá me foi dando as dicas ao longo do trajecto. "Cuidado com o espelho naquele poste, aqui a estrada aperta um pouco, ali tens de abrir mais para curvar e é levar isto na boa..."

Caminho revisto, estava então na hora de meter as mãos ao volante, nesta acção que pretende neste dia ver através de um sistema informático a minha condução, para amanhã ser avaliada em sala e na quinta-feira voltar ao volante para ver os resultados após a formação. 

No geral, a carreira é pequena e dá bastantes viagens num serviço, contudo, o dia passa normalmente com passageiros que na maioria saúdam o motorista, coisa rara nos tempos que correm. Encontrei muitos colegas reformados da Carris ao longo do trajecto onde se respira bom ar e muita saúde, ou não terminasse esta carreira junto à Faculdade de Motricidade Humana. Longe das enchentes turísticas do 28E ou do 15E hoje o dia foi calmo e ao som dos pássaros no concelho de Oeiras. E assim vão as viagens pelos veículos da CCFL...

Não consegui estar presente nos primeiros testes efectuados no regresso do eléctrico ao Príncipe Real passados 20 anos, mas voltei a estar no terminal da Cruz Quebrada onde também não ia à muitos anos. Quanto ao Chiado Tour, arranca já dia 28 com um trajecto entre L.Camões e P.Real. 

sábado, 9 de maio de 2015

Uma orientação desorientada entre São Vicente e Santa Apolónia em plena Praça do Comércio...

Em plena Praça do Comércio, no intervalo de uma viagem no circuito das colinas, uma senhora portuguesa atravessa a rua na minha direcção e em modo apressado inicia um diálogo que podia fazer perder a paciência a qualquer um...



Senhora: -Como vou para São Vicente? (Sim é normal não ter dito boa tarde, porque não interessa ser bem educado/a mas sim saber como se vai do ponto x para y)
Eu: -Na terceira rua depois do arco, apanha o eléctrico 28.
Senhora: -Mas não passa aqui na Praça do Comércio?
Eu: -Se passasse aqui, não mandava a senhora para a terceira rua depois do arco...
Senhora: -Está bem, mas então é o 28? Terceira rua? Mas....
(Pausa)
Senhora: -Mas não passa aqui nada para Santa Apolónia?
Eu: -Sim passa o 728, 735, 759, mas perguntou-me por São Vicente...
Senhora: -Sim mas Santa Apolónia a São Vicente é um instante.
Eu: -Então é fazer como achar melhor para si...
Senhora: -É que tenho de estar às 17h30 em São Vicente... A que horas é que chega o eléctrico e o autocarro?
Eu: -Não sei senhora, mas passam entre 10 a 15 minutos, compreenda que têm horários diferentes...
Senhora: -Está bem, então terceira rua, mas qual, sabe o nome?
Eu: -Sim terceira rua, é a Rua da Conceição.
Senhora: -E como vou para lá afinal?
Eu: -Passa por baixo do arco triunfal e vira na terceira à esquerda que tem lá a paragem.
Senhora: -Mas a rua da Conceição não é para ali? (Apontando para a Rua de Alfândega)
Já egotado de paciência...
Eu: -Desculpe lá mas já lhe disse tudo e já lhe dei duas hipóteses para o que me perguntou, agora decida-se e oriente-se. 
Senhora: -Desculpe lá, mas que disparate, perde a paciência muito rapidamente...

Pudera, até um Santo perdia a paciência perante tanta ignorância junta! Afinal de contas eu falo chinês?!  

quinta-feira, 7 de maio de 2015

8 Anos sobre Carris...

E hoje assinalam-se 8 anos desde o dia em que entrei na Companhia Carris de Ferro de Lisboa, onde iniciei funções como motorista, desempenhando actualmente o cargo de guarda-freio. São 8 anos de muitas histórias, de muitas viagens e de um gosto pelos transportes que cresce de ano para ano, embora com alguns espinhos ao longo das últimas viagens. Costumo dizer que tive sorte, quando a 7 de Maio de 2007 entrava nas instalações da Carris para uma nova carreira da minha vida profissional, depois de uma passagem pelo mundo da comunicação social, onde me faltou aquele factor "C". 


Na Carris encontrei o caminho para conduzir os meus objectivos pessoais e profissionais, porque adoro conduzir, porque admiro o contacto (nem sempre fácil) com o público e porque gosto de movimento. Estava portanto no caminho certo. O gosto por representar esta marca e vestir a farda que outrora impunha respeito, foi-se mantendo e apesar de tudo, da crise, dos "roubos" a que temos sido sujeitos, continuo diariamente a desempenhar funções aos comandos dos veículos da CCFL, com a mesma dedicação, empenho e paixão. Com o mesmo orgulho em vestir a camisola e acreditar que o futuro será melhor que o presente. 

Quanto ao futuro, ninguém saberá o que nos reserva por enquanto, mas eu pessoalmente gostava que a Carris dos tempos da imagem que acompanha este texto, voltasse e que eu por cá continuasse muitos e bons anos. A todos os que têm seguido esta viagem, a continuação de uma boa viagem a bordo dos veículos da CCFL, e de preferência, pública!

terça-feira, 5 de maio de 2015

Reflexão...

Nem tudo é um mar de rosas neste constante vai e vem pelas ruas de Lisboa. E a juntar às inúmeras viagens, que cada vez mais acontecem numa cidade cada vez mais caótica, onde os tuk-tuk usam e abusam da via, onde os eléctricos vêm a sua vida cada vez mais complicada, onde as pessoas desesperam pela chegada de um transporte, estão os espinhos que a própria empresa nos vai colocando no caminho e que nos vão cada vez mais desmotivando, por muito gosto que se tenha pelo que se faz.

Longe vão os tempos em que na Carris as pessoas existiam além de um número mecanográfico. Hoje esse número serve apenas de adereço, porque o que interessa é o serviço estar feito sem olhar a meios. Faça chuva ou sol, não interessa a opinião de quem anda no terreno. Não interessa o horário a que se sai, não interessa se está ou não a ser respeitado o AE, não interessa se somos respeitados, nada parece interessar. 

Os passageiros parecem finalmente ter ganho a empresa como sua aliada e o clima que se vê é generalizado e dado ao descontentamento. Quem ia para as estações com gosto, vai actualmente com algum custo, porque ao contrário de muitas empresas que gostam de ver os trabalhadores satisfeitos aqui parece que o lema é diferente. Mas acredito que seja uma fase, aliás acredito e partilho esta opinião, porque há 41 anos atrás deu-se algo que me permite publicamente expressar o que penso - o 25 de Abril, que foi comemorado recentemente, assim como o 1º de Maio, que marcou algo importantíssimo que muitos pretendem descurar e sinais disso são as grandes superfícies comerciais que se dão ao luxo de propagandear preços de arromba, para esse dia. Assim tem sido nos últimos anos. 

Mas se muitos pensam que a repressão acabou há 41 anos, há casos que nos deixam a pensar se assim terá sido e eu bem que tenho pensado durante cada dia de trabalho na empresa que orgulho-me de representar pela sua história. Tudo o que tenho dado à empresa foi feito com brio, empenho, dedicação e paixão, algo que por vezes é visto como coisa de malucos. Mas há quem goste de aviões, barcos, e eu gosto de autocarros e eléctricos, eu gosto da Carris. Contudo, tive conhecimento esta semana que dia 19 de Maio, estarei suspenso. Alega a empresa que desrespeitei uma ordem de um superior hierárquico, esquecendo esta, que a ordem dada foi ilegal, não só pelo facto de haver uma greve às horas extras no período em que foi dada a ordem, mas também porque no AE nada me obriga a fazer horas extras, não falando da forma abrupta com que fui abordado pela referida hierarquia. 

Algures em Novembro após uma avaria de uma chapa, o controlador da carreira 25E obrigou-me a fazer o horário dessa chapa que faria com que saísse do serviço após o horário previamente estabelecido, contudo, por ter assuntos do foro pessoal nesse mesmo dia, informei que não poderia fazê-lo, sabendo à partida que haviam meios disponíveis no local para o fazer e consciente de que nenhum passageiro iria ficar sem se transportar, por se tratar do último carro da carreira naquele dia, e que recordo, não era o meu serviço. A hierarquia em causa nem quis saber o porquê de eu não poder naquele dia colaborar, ao contrário de tantos outros, em que sempre que possível fui colaborando. Fizeram questão de me dizer via rádio, que não me estavam a pedir nada, mas sim a ordenar, talvez bem há semelhança do que acontecia há mais de 41 anos atrás, pelas histórias que me vão sendo relatadas desse período pré-revolução. 

Ferido no meu orgulho, mas consciente dos meus actos, no dia 19 de Maio, estarei impossibilitado de estar ao serviço e esse dia será descontado no meu vencimento, mas há males que chegam por bem, e no tão apregoado provérbio que a empresa usa, de que uma mão lava a outra, agora dia 19 lavarei com as duas a cara. Continuarei acima de tudo, a representar a empresa com o mesmo brio e profissionalismo, porque ao contrário dessa hierarquia, jamais faltarei ao respeito a um colega, porque para se ser respeitado temos de nos dar ao respeito. 

Como disse um dia Friedrich Nietzsche, «o que não me destrói, torna-me mais forte» e continuarei a desempenhar as minhas funções dando sempre o meu melhor, esperando igualmente que as pessoas aprendam de facto o que foi a Carris para que possam hoje representar e bem esse nome.

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Sugestão do Tripulante (15): Silêncio, que se vai cantar o fado!

O som das cordas das guitarras ouve-se nas ruas quando por lá se passa quer a pé ou de eléctrico. E a voz de quem canta prende a atenção de quem passa. O seu interior vazio pela tarde, contrasta com a enchente da noite, porque os turistas vivem ao máximo a visita a Lisboa. Na verdade Lisboa não se visita. Vive-se! Hoje o Diário do Tripulante leva-o aos contextos populares oitocentistas de Lisboa quando o fado já fazia parte do convívio entre as gentes ora cantado nas tabernas ou em plenas ruelas de Alfama e Mouraria. Associado muitas das vezes à tristeza, o fado exprime sentimento e melancolia, mas conhece cada vez mais novas vozes que pretendem manter viva a tradição desta música que em 2011 foi elevada pela UNESCO a Património Imaterial da Humanidade, e que canta o quotidiano.

As casas de fado aumentam porque a procura é cada vez maior e hoje o fado houve-se nas ruas, nos cafés, nas casas de fado, nas tascas, no eléctrico, na rádio, onde quer que haja um português. O fado é hoje, a música que brinda um final de tarde na companhia de amigos ou de quem nos visita. É a música que nos acompanha num jantar que dura até tarde porque o entusiasmo fervilha a cada recanto onde haja uma guitarra portuguesa e um/a fadista.

Apanhemos então o amarelo da Carris que vai de Alfama à Mouraria, subindo à Graça sem sobressalto sem saber geografia. A bordo do 12 ou do 28 agradavelmente chegamos ao Largo do Limoeiro onde bem localizado entre o bairro de Alfama e o do Castelo está o Pastel do Fado, um espaço acolhedor e de fácil identificação, muito graças às pipas que servem de mesas e que indicam que ali também se serve bom vinho para além do Fado. Mas descanse se o apetite lhe começar a apertar após a visita à zona histórica. No Pastel do fado, há também boa comida, petiscos, e claro o fado, cantado por artistas da nova geração, que aliando tudo isto à simpatia de quem nos recebe e serve, faz com que este seja sem dúvida um espaço agradável onde certamente não irá dar pelo passar das horas. 

Os preços são acessíveis, tendo em conta a zona turística, o atendimento e a qualidade e se o eléctrico passa mesmo à porta, então é sem dúvida o local perfeito para um final de dia diferente na capital lisboeta ao ritmo da música que nos caracteriza. Por isso, "Silêncio, que se vai cantar o fado!"


A sugestão está dada, agora basta entrar a bordo do eléctrico, mas se preferir pode também recorrer ao autocarro 737 que também tem uma paragem próxima deste espaço que espalha o som das guitarradas entre o Castelo e a Sé.  

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Greve da Carris: Contra a privatização de uma empresa com 142 anos

Há quem diga que do passado reza a história, mas nem todas as empresas se podem orgulhar de ter uma história como a da Carris. O presente não é o melhor, mas o futuro esse só Deus saberá mas adivinha-se que será negro, contudo muitos ainda não acordaram para essa realidade. Quem segue este blogue desde há uns anos a esta parte, sabe certamente que poucas vezes aqui falei de greves ou de factores externos ao dia-a-dia de quem anda aos comandos dos autocarros e eléctricos que fazem movimentar a cidade de Lisboa, contudo, dada a importância do momento e a minha admiração pela farda que visto e represento, achei por bem que devia aqui dar a conhecer um pouco daquilo que foi o meu dia de trabalho (greve) desta sexta-feira, 10 de Abril de 2015. 

O Governo ciente de que o processo tinha de ser rápido, lançou a concurso a privatização da transportadora da cidade de Lisboa, deixando de fora aqueles que são o rosto da companhia - os tripulantes. Fomos colocados à venda sem saber como nem porquê. Na comunicação social, somos vistos como os "patinhos feios" da crise quando milhões rolam na banca para pagar dívidas de BES, e afins, porque só interessa falar de uma parte. Não se ouve falar do que poderá vir a mudar com a privatização, como o aumento das tarifas, a redução da oferta, aumento dos tempos de espera, já para não falar das condições que poderão ser substancialmente piores. Os passageiros, esses preocupam-se apenas também com o seu próprio umbigo. Criticam quem faz greves, porque já pagaram o passe, e nem tentam sequer saber o porquê da greve. Muitos falam nas televisões que estão há muito tempo à espera do autocarro no dia da greve, mas nem imaginam quanto tempo terão de esperar no futuro com a privatização. 

Mas políticas à parte, porque disso estamos todos nós fartos, hoje como na última greve da Carris, fui para a estação, mas não levantei a chapa. O meu eléctrico ficou lá dentro. Perdi dinheiro, mas na esperança de ganhar um futuro melhor. Estive na luta pelos meus direitos e pela minha dignidade, mas também pelos 142 anos de história da Carris. Todos sabem o gosto que tenho de trabalhar na Carris, embora a minha formação profissional tenha sido para estar atrás das câmaras de televisão. Visto a camisola como ninguém, porque cresci em Lisboa com a Carris, aquela que agora querem extinguir. Posso não concordar com quem tenha "furado" a greve, mas as atitudes ficarão para quem as pratica que certamente terão as suas razões, mas que certamente no futuro não poderão vir queixar-se da cama que ajudaram a fazer. 

Mais uma vez vi uma maioria de tripulantes a lutar por um futuro que é de todos dentro da empresa, desde dos que ficaram nos gabinetes agarrados aos computadores, aos que no cargo de chefias andaram a conduzir eléctricos para quem queria trabalhar, não ser visto a sair da estação. Afinal de contas a democracia também é isto, é a liberdade e embora não entendendo, tenho de aceitar embora fique triste, porque certamente muitos falecidos e ex-companheiros devem estar a dar voltas nos túmulos depois de tantas lutas em prol do pouco que ainda temos. 

No entanto, as imagens dos parques de Miraflores, Pontinha, Musgueira e Santo Amaro, repletos de autocarros e eléctricos surpreenderam-me pela positiva, porque embora tardia, esta greve provou que alguns adormecidos acordaram e encararam a realidade de frente. Estive presente no plenário de trabalhadores que decorreu na minha estação com vista a serem tomadas decisões para as próximas lutas e orgulhei-me uma vez mais de fazer parte desta empresa. Quando queremos, juntos sabemos mostrar a nossa força e ambição e provar que não precisamos do metro para nada, até porque antes de haver metro já havia a Carris. 

A polícia esteve no local, mas uma vez mais os trabalhadores provaram que são pacíficos e que têm sentido de responsabilidade, porque o objectivo é defender o futuro da empresa e não arranjar conflitos. Vim para casa de consciência tranquila e sabendo que perdi um dia de trabalho em prol do futuro da empresa que represento há 8 anos com muito gosto. Aos passageiros que seguem o blogue, apenas uma última mensagem: Esta luta também é por vós. Compreendo as dificuldades criadas na mobilidade da cidade nestes dias, mas esta é a única forma que temos de lutar e de nos ouvirem. Juntem-se à luta e não fiquem sem Carris. 

Amanhã é Sábado, mas ao contrário do que muitos pensam e esquecem, amanhã há tripulantes que trabalham, porque as greves não são marcadas em função dos fins-de-semana. Assim, amanhã será dia de voltar a sair com o eléctrico da estação. A todos os votos de umas boas viagens a bordo dos veículos da CCFL. 

sexta-feira, 3 de abril de 2015

A nova estrela da companhia... Eléctri'cork

É inevitável falar-se no eléctrico de cortiça. A novidade aliada à curiosidade faz com que o Tram Tour seja a nova estrela da companhia que nesta época da Páscoa torna-se uma agradável concorrência às restantes carreiras sempre lotadas de inúmeros turistas, nomeadamente espanhóis que sempre aproveitam esta quadra para vir até Lisboa. As filas contornam as esquinas das praças, atravessam ruas e os eléctricos transbordam de gente. Lisboa fervilha em cada colina e as esplanadas essas também estão repletas. Os eléctricos sobem e descem num constante vai e vem e muitos aproveitam a passagem para comprovar se é mesmo cortiça, o material que reveste dois dos eléctricos que circulam na "Castle Line" da YellowBus Tours.

Mas nem só os turistas têm-se mostrado curiosos com esta nova iniciativa. A comunicação Social também marcou presença esta semana. Primeiro a TVI que embarcou à descoberta das reacções de quem ali se transporta para descobrir Lisboa e depois a Correio da Manhã TV que andou comigo durante uma viagem Tram Tour. 

Se ainda não viajou neles e não teve a possibilidade de ver na televisão, acredite que são mesmo revestidos a cortiça e veja ou reveja agora através dos links que o Diário do Tripulante agora disponibiliza:



terça-feira, 24 de março de 2015

Eléctri'cork já circula nas ruas dos bairros históricos para espanto de muitos

De guarda-freio a "corticeiro", eis o virar da página que marca este começo de semana pelos carris de Lisboa. Foram hoje apresentados na viagem inaugural os dois eléctricos que resultaram de uma parceria entre a Carristur, a Sofalca e a Pelcor e que vão andar a fazer serviço no circuito "Tram Tour" entre a Praça da Figueira e o Largo da Graça, via Sé, Castelo e Alfama. Inaugurado no verão passado o Tram Tour trouxe para as ruas de Lisboa os carros 700 que ocasionalmente saiam em serviços ocasionais e que passaram assim a fazer novamente parte do quotidiano de uma cidade que fervilha de turistas e de entusiastas por este meio de transporte.

A apresentação e inauguração dos Eléctri'cork 722 e 745

Os eléctricos que hoje voltaram a sair para as ruas agora revestidos de cortiça, são originais dos anos 30, e ao contrário do que dizem a maioria dos órgãos de comunicação social, não vieram de nenhuma sucata, mas só saiam às ruas pela época do Natal. Agora sofreram uma bonita e apelativa alteração de imagem recuperados para o serviço turístico ganhando assim nova vida, e contando ao longo do percurso a história dos monumentos por onde vai passando.

Presente na viagem inaugural, esteve Rui Loureiro, administrador da Transportes de Lisboa, para quem estes dois novos eléctricos são "uma nova amostra, que dão um novo colorido à cidade e promovem os produtos nacionais" como a cortiça. Este projecto hoje apresentado, denominado Eletri'Cork, está associado à instalação artística Prazeres 28, um eléctrico de cortiça em tamanho real, da autoria do artista plástico Nuno Vasa, que o integrou no festival Iberian Suites: Arts Remix Across Continents, que decorreu desde 3 de Março até esta terça-feira, no Kennedy Center, nos Estados Unidos, refere o Jornal Público na sua edição on-line.

"Lembrámo-nos que seria interessante utilizar os nossos eléctricos que estão mais antigos e darmos-lhes algum lifting e forrá-los com cortiça", explicou Rui Loureiro. O presidente da Transportes de Lisboa referiu ainda que "os eléctricos, ultimamente, têm pouco serviço público, [e servem] fundamentalmente para turismo", acrescentando que "é uma forma diferente de explorar a cidade, de mostrar a cidade aos turistas".
Já para o administrador da Carristur, António Proença, os eléctricos agora recuperados estavam quase fora de serviço, "portanto tivemos que, ao longo destes anos, os vir colocando em serviço, neste momento temos sete, dois dos quais revestidos a cortiça", explicou acrescentando que a recuperação de cada veículo custou "30 a 40 mil euros".
António Proença considerou ainda que "o problema não é só recuperá-los, é mantê-los", explicando que, "num eléctrico com cerca de 100 anos, os custos de manutenção são elevados", o que faz com que seja mais difícil mantê-los em circulação.
"A maior parte das cidades acabou com os eléctricos. A maior parte das pessoas jovens nunca os viram, portanto está-lhes no imaginário", referiu o responsável da empresa Carristur, explicando que "é uma forma de descobrir uma cidade [Lisboa] que teve o condão de os conservar e de os colocar ao serviço do público".
As primeiras reacções
Depois da apresentação, os eléctricos foram substituídos pelos que estavam já em serviço no Tram Tour, tendo-me sido atribuído o 722. A Carristur permitiu assim aos clientes, usufruírem já deste projecto durante a tarde e o certo é que causou espanto não só nos passageiros que se fizeram transportar, mas por onde o eléctrico ia passando, chegando mesmo a haver gente a passar a mão na cortiça, para comprovar que se tratava mesmo de cortiça. 
E foram inúmeras as fotografias captadas ao longo da tarde para aquela que foi a novidade e surpresa do dia para os lados da Sé e do Castelo. A maioria enalteceu a iniciativa e houve mesmo quem chegasse a dizer que deviam ser todos assim. No entanto no largo da Graça não se deixou de ouvir "e depois já não podíamos dizer que vem lá o amarelinho..." Já por parte dos turistas, no geral, todos diziam ser uma excelente ideia, promovendo assim produtos nacionais.
No futuro...
Foto: Ambitour Online
Ainda durante a manhã, segundo o site Ambitur online, na conferência de apresentação do projecto Eletri'cork, António Proença, administrador da Carristur, anunciou que a empresa terá três novos itinerários a partir de 2016. O operador de circuitos turísticos terá então ainda este Verão, a linha Tram Tour do Largo de Camões ao Príncipe Real, "uma colina que merece um produto desta natureza", uma ligação entre as Portas do Sol e a zona da Escola Politécnica no final de 2015, e, no início de 2016, a ligação entre o Largo do Carmo, a Praça da Figueira e a zona da Escola Politécnica.
No âmbito de uma parceria com o Instituto Camões, a Carristur terá ainda um eléctrico-salão, de maiores dimensões, também de cortiça, colocado junto à Câmara Municipal de Lisboa, que "no interior mostrará o melhor da literatura portuguesa". Mas os desejos da Carristur não ficam por aqui. O responsável revelou ainda o desejo de chegar a zonas como o Caís do Sodré, Santa Apolónia, Campolide e Campo de Ourique, bem como um eléctrico de dois pisos, na zona da Marginal. Projectos ambiciosos que acredita que são possíveis "com a receptividade do mercado".



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