segunda-feira, 18 de setembro de 2017

A casa onde trabalho faz hoje 145 anos



A casa onde trabalho está de Parabéns! A Carris comemora esta segunda-feira 145 anos de vida desde que foi fundada em 18 de Setembro de 1872 no Rio de Janeiro. A Companhia Carris de Ferro de Lisboa, introduziu na cidade o então moderno sistema de transporte, composto por carris instalados na via pública por onde circulavam carruagens puxadas por animais – os chamados «americanos», que tornaram mais cómodas as viagens até então realizadas noutras carruagens que não evitavam o mau estado das vias por onde passavam. E um ano depois era então inaugurada a primeira linha de carros «americanos», entre Santos e Santa Apolónia.

Depois dos Americanos vieram os eléctricos a 31 de Agosto de 1901 e seguiram-se depois os autocarros nos anos 40 adquiridos para serviço à Exposição Mundial que se realizou em Belém. Ao longo dos anos, construíram-se novas estações, e apostou-se fortemente na renovação da frota o que fez com que a Carris tivesse obtido a certificação em 2006. Até ao ano de 2011 a Carris vinha então, continuando a apostar na melhoria do serviço, com a vinda de novos autocarros, mas esquecendo um pouco a aposta nos eléctricos. Na verdade foram eles o ponto de partida da Carris e são neles que a maioria das cidades europeias aposta. Não posso deixar no entanto  de referir, que actualmente a gestão da Carris está a cargo da Câmara Municipal de Lisboa, que já anunciou publicamente querer apostar novamente no eléctrico e nos planos próximos estão o prolongamento da 15E a Santa Apolónia e o sempre prometido regresso do eléctrico 24, contudo e até então, não tem passado disso mesmo, promessas. Aguardemos agora pelos próximos capítulos.


Com a crise instalada em Portugal nos últimos anos, quase sanada, hoje a Carris volta aos poucos a enfrentar os desafios que o presente o futuro proporcionam. Começaram a chegar já novos tripulantes e em breve chegarão os novos autocarros. Quanto aos eléctricos, nada se sabe, mas já se ouvem rumores que poderão ser feitos investimentos nesse sentido. O que se sabe é que é vontade de Fernando Medina, actual presidente da Câmara e candidato à próxima legislatura, investir na renovação da Carris levando a que a empresa volte a ser imagem de marca de uma cidade que tem também ela crescido e que volte a ser a Carris que todos nós nos habituamos a conhecer e a viver. 


A todos os trabalhadores da Carris, o Diário do Tripulante, cujo autor leva já quase 11 anos destes 145, dá os parabéns porque são eles o motor desta marca que comemora hoje mais um ano de vida e talvez por isso a imagem corporativa dos 145 anos tenha sido desenhada com recurso ao nome de todos os seus colaboradores. Parabéns Carris! Juntos movemos Lisboa.

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Eléctrico nocturno para o médio oriente...

Quarta-feira, 06 de Setembro de 2017, são 20h57 e preparo-me para iniciar a segunda parte do meu serviço, na carreira 15E que viria a terminar pelas 01h27. Saio da estação com destino a Algés pela Rua da Junqueira já deserta porque na minha frente seguem dois autocarros e um eléctrico articulado que provavelmente vai recolher de Algés para Santo Amaro. Chego a Algés na hora prevista e para a partida rumo à Praça da Figueira ainda faltam 6 minutos. Giro a manivela que permite rodar a bandeira e pelo espelho procuro o meu próximo destino. Avanço com o eléctrico até à paragem e abro a porta da frente, dando assim, início a a mais uma viagem.

«Boa noite senhor guarda-freio», diz-me uma senhora que de imediato valida o seu título de transporte e se senta no primeiro lugar individual do lado direito do eléctrico. Chega a hora da partida sem mais passageiros. Prossigo viagem até à paragem seguinte onde já se encontrava mais passageiros à espera do eléctrico. Uns com ar cansado outros com ar mais fresco. Aqui ninguém saudou à entrada. 

A viagem e a noite seguem calmamente rasgando as ruas por onde estão os carris que permitem a certa altura cruzar com os eléctricos que vão no sentido contrário. São rasgos de luz pela escuridão de Pedrouços. "Plim!", ouve-se no interior. Alguém quer sair no Largo da Princesa e a luz indicadora de "PARAR" a piscar no corredor não engana. Pouco mais a acrescentar numa viagem rumo ao centro de Lisboa, sempre com o olhar atento da Lua hoje especialmente brilhante.

Chegamos à Praça da Figueira, com esplanadas cheias de turistas à porta de um hotel. Trocam-se gargalhadas, bebem-se uns copos, conversa-se e degusta-se boa comida portuguesa. Faço a revista ao eléctrico para ver se nada ficou esquecido, e preparo nova viagem rumo a Algés. A paragem está composta e se encontro um português lá no meio, poderei mesmo dizer que é um achado. Há passageiros oriundos de toda a parte. Com a hora de fecho dos restaurantes indianos, nepaleses, o eléctrico vai-se enchendo com uma multiculturalidade bastante diversa. 

Cheira a fritos, chamuças ou até a sushi nesta viagem. Não se entende nada daqueles idiomas, mas curiosamente são os que mais saudaram com um "Boa noite" ou com sotaque enrolado oriundo da língua, "boa noite chefe!" De repente a viagem para Algés parece ter como destino o Médio Oriente. Os poucos portugueses que viajam com eles, vão entretidos com o olhar sobre as janelas por onde vamos passando, ou a ouvirem música. No meio do eléctrico cheio, só consigo ver pelo espelho um ramo de rosas lá no alto. 

Seguro na pega para não cair com o balançar do eléctrico, o indiano que leva o ramo de rosas, espera certamente ter uma boa venda na noite que se inicia. Afinal de contas quem não se lembra do famoso "Ké Frô?" Sai na Infante Santo e sobe em grande ritmo as escadas que dão acesso ao outro lado da linha do comboio.  

A noite vai avançando e para muitos é o regresso a casa, mas para tantos outros aquelas viagens são o ponto de partida para mais uma noite de trabalho. Cozinheiros, padeiros, seguranças, motoristas, operadores de telemarketing, mulheres de limpeza, entre tantas outras profissões, todos partilham do mesmo desejo. Que a viagem seja rápida, tão rápida quanto eu desejo que chegue ao fim o serviço. 

São já 01h07. Está na hora da recolha e afinal até passou rápido. Amanhã é outro dia. Boas viagens a bordo dos veículos da Carris. 

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Gravidez pode dar prioridade mas não livre trânsito...

Dia de Feira da Ladra promete sempre muita confusão na 28E, mas ao contrário do que se esperava a manhã até foi tranquila neste meu início de mais uma semana de trabalho. Carro cheio para os Prazeres, carro cheio para o Martim Moniz, e pelo meio apenas o desabafo de quem tinha visto na véspera todo o seu ouro desaparecer sem saber como. «Eu devia estar parvo não sei. Veja só que estava na paragem à espera do carro eléctrico, quando pára um tipo ali na Graça e me tira a pulseira e o fio na profunda das calmas e eu não me apercebi de nada senhor guarda-freio... É uma cambada que aí anda e a polícia não faz nada...», dizia quase a chorar o idoso em jeito de desabafo. 

«Ando sempre a avisar os outros para terem cuidado e no fim quem foi roubado fui eu. É a vida!» acrescentou já quando se preparava para sair no Largo da Graça para ir comprar o pão. A viagem prosseguiu rumo ao Martim Moniz, com turistas afoitos em busca do Miradouro da Graça que já estava para trás. Saíram em Sapadores e disse-lhes que tinham de andar para trás até ao largo. Duvido que tenham entendido. Pois seguiram em frente o Largo dos Sapadores. 

Depois de chegado ao Martim Moniz, fui rendido e dirigi-me para a Praça da Figueira onde iria iniciar a segunda parte do meu serviço na carreira 12E. A caminho do Castelo pela subida da Mouraria, cruzam-se vizinhos. Trocam-se lamurias porque «a idade já vai pesando», dizem. «Deixe-me sair ai na próxima paragem que já chega de voltinhas por hoje. Vou fazer o Almoço», diz-me uma cliente habitual da 12E, daquelas que parece ter lugar cativo à janela. 

A tarde passava, com viagens de 20 minutos a decorrerem dentro da normalidade até que antes de iniciar a última viagem do meu serviço teria de aparecer algo para me fazer perder algum tempo. A fila na paragem era grande e enquanto cobrava os bilhetes a um casal de espanhóis, atrás surge vinda do Rossio uma jovem apressada... «Estou grávida ok?! Deixe-me passar, veja lá!», dizia em tom pouco simpático para uma francesa que estava pronta para subir o estribo. Contei até 10 para não me meter naquela troca nada amistosa de palavras entre ambas, até que observo a jovem passar em direcção ao banco da janela a meio do corredor, como passam os carros com identificador na Via Verde da portagem, na auto-estrada. Nem um "boa tarde", nem um "obrigado" e aquilo começou a ferver cá dentro, até porque o volume daquela barriga era algo estranho para uma gravidez. 

Viro-me para trás e peço-lhe delicadamente que valide o título de transporte. Ela olha-me de cima a baixo e diz-me «valido já, senhor!», esperando que entretanto vendesse mais alguns bilhetes para me apanhar distraído. Mas eis que ela se dirige ao validador, o mesmo acende a luz vermelha e senta-se. Observo tudo pelo espelho retrovisor. E começo a ver sair de um saco, vários pares de calças, aos quais se juntam um que sai debaixo do vestido. Descontraída começa a dobrar as calças, par por par. Peço-lhe novamente que valide um título de transporte válido porque "gravidez" além de não ser doença, também não é livre trânsito nos transportes. Sim ainda há quem confunda prioridade com gratuitidade. 

Chateada grita comigo que «já passei e não me vou levantar novamente para passar». Digo-lhe que deu luz vermelha e que para se transportar tem de dar verde ou adquirir um bilhete. Mas insiste: «Não me vou levantar outra vez que venho cansada! Já o conheço à anos e nunca implica e hoje tá a implicar?» ... e juro-vos, nunca vi tal personagem desde que trabalho na Carris, mas tudo bem. Ela insiste em dizer que não sai do eléctrico e eu insisto em dizer-lhe que não lhe estou a pedir para sair. Apenas para validar ou comprar um bilhete, porque isto da paciência, também tem limites. Ela entretanto levanta-se e diz-me já menos exaltada, que o melhor é mesmo sair e ir no próximo. Pede-me desculpa mas que não tinha o cartão carregado. Eu explico-lhe que a forma como entrou não foi correcta e que apenas me limito a fazer o meu trabalho, despede-se com um «tá-se bem chefe!» 

E lá sai com a barriga mais leve e o saco mais composto, porque afinal de contas a gravidez era outra. Já dizia o outro... "E esta hein?!"


segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Vamos dar as boas vindas a Setembro com o regresso às aulas

Chegou a hora do câmbio. Os nossos "avec's" regressam aos países onde procuraram ser felizes e os nossos turistas regressam do lá fora cá dentro. Bem quanto aos estrangeiros, esses estão sempre num vai e vem constante que já nem se dá conta. Lisboa fervilha com o turismo, mas agora com a chegada de Setembro, começará também a fervilhar novamente com as filas de trânsito. O pára-arranca constante provocado também pelo regresso às aulas porque longe vão os tempos em que apenas o transporte público era o transporte ao alcance de muitos. Hoje os carros particulares abundam nas portas das escolas. «É só um minuto para deixar o menino na escola...», depois mais um minuto ali, outro mais à frente e lá se chega ao terminal com um bom atraso. 

Setembro é sempre assim, e com ele costumam vir também as primeiras chuvas apesar do tempo andar também ele já todo trocado. Afinal de contas tudo parece estar em constante mudança e mudanças são sempre prometidas em tempo de campanha eleitoral para as Autárquicas. É já em Outubro, por isso Setembro será também um mês de reflexões, e de conclusões das obras ainda em curso numa azáfama constante entre máquinas e trânsito para mostrar trabalho feito. Lisboa está mais bonita, mas promete-se sempre mais e nessas promessas estão sempre os eléctricos. 

Assim foi sempre que me lembro, por isso chegou a hora de deixar para trás as boas memórias das férias, e cair na realidade de um regresso nunca desejado. Dêem as boas vindas a Setembro e boas viagens nos veículos da CCFL, na esperança que mais e melhores transportes passem da promessa à realidade numa cidade cada vez mais turística e bonita como Lisboa, onde também os lisboetas precisam de melhor mobilidade. 

quarta-feira, 26 de julho de 2017

O mês dos nossos "avec's" está à porta e à portam ficam os autocarros na zona histórica de Lisboa

Acabaram as festas de Lisboa que sempre ocorrem em Junho, vieram depois os festivais a marcar o mês de Julho e à porta temos já Agosto com o regresso dos nossos emigrantes. Lisboa fervilha cada vez mais ao longo de todo o ano e já não há aquela época de verão a marcar as enchentes porque, Lisboa esta´todo o ano repleta de turistas e prova disso mesmo é o famoso eléctrico 28E. E foi precisamente no 28E que estive hoje, sempre apinhado de gente do Martim Moniz aos Prazeres e vice-versa. 

O encanto pelas "casinhas" amarelas é tanto que não os faz desistirem das longas filas de espera ao sol e quando entram já se nota o françuguês de quem está todo o ano longe da língua de Camões.  «Bonjour, como fair pour comprar u bilhete para o tramway?», pergunta uma senhora com um irrequieto filho nos braços.  A impaciência da criança leva a mãe a colocá-lo no chão e a gritar «já chega Pierre, si non tu vas sortir du tramway déjá!» e atrás uma bairrista solta de imediato «devias falar assim para um filho meu que ias logo na hora do c*****». O Bilhete foi impresso e o troco feito após apresentar uma nota de 20 euros. As portas fecharam-se e a viagem prosseguiu rumo à Graça após passar pelas ruas estreitas de Alfama. 

«Já estou cansada de tanto turista, que enchem o carro eléctrico e nem às compras podemos ir que não há lugar para entrar...», desabafava a tal senhora que minutos antes tinha silenciado a criança e a mãe. Animação não faltava por parte de quem viajava ora pelas ruas apertadas ora pelos tuk-tuks que impediam a passagem do eléctrico a cada esquina. O 28E no seu sobe e desce constante causa sempre espanto a quem nos visita.

O trânsito típico de mês de férias, onde muitos andam à procura da rua certa ou do lugar certo para estacionar e depois as obras que deixam Lisboa mais bonita mas que ainda causam, algum transtorno. Mais uma viagem, mais uma paragem. Entram uns italianos e perguntam se passo no Castelo. Pedem-me 2 bilhetes e digo-lhes que custa 5.80€ e os mesmos perguntam se são válidos «para toda la jornata?» Digo-lhes que não e revoltados viram-me costas, deixando-me com dois bilhetes impressos na máquina. Sorte que entram dois hermanos do país vizinho e pedem dois bilhetes para a Basílica da Estrela. Depois de receber a quantia, retiro os bilhetes da máquina e entrego-lhes. Pedem-me que lhes avise da paragem e disse-lhes que ia tentar não me esquecer. 

Já chegados à Estrela aviso-os e eles de imediato me respondem... «Non te preocupes, vamos a continuar asta terminal que estamos gustando mucho de la viajem». Chegamos ao terminal pouco depois e peço que todos saiam do eléctrico e como sempre, riem-se. Outros aproveitam-se para se sentar nos lugares que no imediato ficaram livres e depois a velha questão do porquê de terem de sair, porquê terem de comprar outro bilhete, porquê, porquê... por...quê...????? Com tanta explicação e perguntas lá se vão so 6 minutos que tínhamos de pausa para descansar a cabeça, esticar as pernas e fazer vistoria ao carro. Que jeito dava a paragem dos Prazeres ser parecida com a do Martim Moniz, ou seja, só descida no lado actual e entrada no lado oposto da rotunda. Está na hora de partir para mais uma viagem... 

E não posso chegar ao final deste post sem deixar de enaltecer o trabalho que tem vindo a ser feito por parte da Câmara Municipal de Lisboa, mas também da Junta de Freguesia de Santa Maria Maior, no que diz respeito à mobilidade da zona histórica. Pois bem se quando as coisas estão mal, estamos prontos para as apontar, hoje foi com agrado que vi ser colocado um novo sinal de trânsito no Largo da Madalena, impossibilitando a subida de autocarros de turismo para a SÉ, onde constantemente ficamos parados por causa das manobras. Não sei concretamente onde eles deixarão os passageiros mas sei que agora os turistas entram mais no espírito de Lisboa e de ser lisboeta, na cidade que é para ser vista a pé, sobretudo nesta zona. Agora só falta dar mais um passo e tratar do problema de respeito e reordenamento das zonas de parque dos Tuk-Tuks, porque se esta petição para os autocarros de turismo resultou, então que façam uma também para que os tuk-tuks passem a respeitar o código da estrada. 

Entretanto também esta tarde e depois de confrontado com uma questão sobre o tráfego na zona das Portas do Sol, que é constantemente caótico ao ponto de ficar bloqueado, o presidente da C.M.L, Dr. Fernando Medina em resposta à questão que lhe coloquei em Junho passado, disse e passo a citar "a sua questão é pertinente e já estamos a analisar soluções com vista à melhoria da circulação nesta zona." Ficamos portanto a aguardar melhores condições de circulação na referida zona de forma a facilitar a vida a quem depende do transporte público.

Quanto às "casinhas" amarelas, essas vão continuando a circular sobre carris e limitadas aos constrangimentos causados  pelos outros utentes da via, que nem sempre permite um cumprimento dos horários afixados. 

Boas viagens a bordo dos veículos da CCFL. 

[n.d.r.]: Os relatos das frases ditas pelos turistas podem conter erros gramaticais, pelo que pedimos desculpa pelo sucedido.


segunda-feira, 24 de julho de 2017

Uma semana atípica para quem circula habitualmente sobre carris...




Foto de Rafael Santos.

Chegou o verão e com ele veio uma novidade na carreira 28E. Longe dos planos para as carreiras de bairro até porque Campo de Ourique é uma zona bem servida de transportes, a Carris decidiu colocar um reforço com recurso a mini-bus na tão procurada carreira 28E no trajecto compreendido entre os Prazeres e o Largo Camões, no sentido de servir os clientes nacionais que se deslocam no seu quotidiano para o trabalho ou para as lides do dia-a-dia.


Foto de Rafael Santos.Cada vez mais impossibilitados de entrar nos sempre cheios eléctricos, os locais viram com agrado, mas também com alguma surpresa o aparecimento deste autocarro, ainda que, com muito pouca divulgação, facto que terá levado à pouca procura nos primeiros dias. Ainda assim, os comentários foram bastante positivos por parte de quem os utilizou. A grande procura regista-se mais após as 17h00 no sentido L.Camões - Prazeres, mas deverá ter tendência a ser alargada, com o passa a palavra dos passageiros. Com viagens de 15 em 15 minutos, algo quase impossível de se cumprir os dois autocarros ali andam a subir e a descer a par com os eléctricos sempre apinhados de turistas. A par com este reforço, surgiram também dois autocarros articulados na carreira 15E, porque a capacidade de resposta para tanta procura também estava aquém das expectativas. 
Foto de Rafael Santos.

No entanto, não posso deixar de registar que muita gente continua a preferir o eléctrico, por ser um meio de transporte "mais confortável e fresco", segundo as palavras de uma passageira do 28E. A semana foi portanto um misto entre o modo eléctrico e autocarro, que tornou certamente uma quebra da rotina habitual. Entretanto também quem voltou às ruas de Lisboa foi o eléctrico de turismo decorado com os tapetes de Arraiolos, após um período em que teve de ser alvo de uma reparação técnica. Assim quem nos visita pode novamente ter contacto com um dos artesanatos mais típicos do país enquanto viaja pelas colinas de Lisboa.




Semana esta que acabou ontem com a realização em Lisboa do World Bike Tour, com um trajecto compreendido entre Belém e a Praça do Comércio, que causou alguns cortes de trânsito e alguma confusão entre os passageiros locais e os que nos visitam. A carreira 15E viu-se obrigada a uma limitação no seu trajecto durante o evento, tendo realizado viagens entre Santo Amaro e Algés, com grande parte dos passageiros a reclamarem com os guarda-freios sempre que se chegava ao Centro de Congressos e se anunciava fim de viagem. 

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Um eléctrico chamado "Arraiolos"...

Podia ser um eléctrico chamado desejo, mas este é diferente e já é conhecido como o eléctrico de Arraiolos. Ora se o eléctrico não vai ao Alentejo, vem o Alentejo ao eléctrico de Lisboa. A ideia surgiu há cerca de dois anos, quando numa das minhas várias deslocações à simpática vila de Arraiolos, desafiei a artesã Maria Hortense Canelas a decorar um eléctrico em Lisboa, até porque já tínhamos na altura, dois forrados a cortiça. Nessa mesma altura Hortense tinha vindo do Vaticano onde tinha entregue um tapete ao Papa Francisco. 

Sempre pronta a novos desafios, Hortense de imediato me deu luz verde para tratar dos contactos e de se avançar com o projecto, mas não era assim tão fácil, até que só um ano depois tive resposta. Mas como quem espera sempre alcança, assim que me questionaram por parte da Carristur se a ideia se mantinha de pé, a resposta foi obviamente que sim. Sobretudo porque este projecto seria fundamental no apoio aos artesãos que há tantos anos lutam pela certificação desta arte secular que é, a confecção dos tapetes de Arraiolos. 

Do mail, passámos à primeira reunião, onde dei a conhecer as partes e daí partimos para a apresentação de um projecto estudado e elaborado por forma a ser apresentado à administração. Peguei na máquina fotográfica, fui fotografar o eléctrico e estudar os locais onde poderiam ser aplicados os tapetes, sempre com o conhecimento e experiência da Hortense envolvidos no diálogo porque para Hortense não há impossíveis. Depois seguiu-se a fotografia aos tapetes. Juntei as peças e foi feita uma maqueta. O Turismo do Alentejo associa-se a esta ideia e apresenta-se então à Carristur um projecto final, que de imediato foi do agrado de todos. 

Seguiram-se meses de trabalho. As bordadeiras pegaram na agulha para começar a bordar o que seria o forro do tecto, baseado numa réplica do tapete oferecido ao Papa, enquanto que o desenhador tratava do desenho exterior. O carpinteiro ia preparado as madeiras onde iam ser aplicados os tapetes e a certa altura já havia cortinas e tapetes para os bancos. Ponto por ponto, os tapetes foram ganhando forma e dando um colorido diferente ao eléctrico 744 afecto ao serviço Tram Tour. Horas e horas de trabalho de todas as partes envolvidas, que deram lugar ao resultado verificado esta manhã no Largo da Graça, onde foi inaugurado.

Com a presença da Direcção da Carris e Carristur, do Turismo do Alentejo, da Presidente de Junta de São Vicente e da artesã Hortense, o Eléctrico foi o centro das atenções com quem todos quiseram tirar uma fotografia ou uma selfie. Enaltecido todo o trabalho e importância deste projecto como incentivo à certificação do Tapete de Arraiolos, enquanto as bordadeiras iam bordando tapetes para dar a conhecer aos presentes a técnica desta arte, lá partimos viagem até ao Largo Camões. 

Um dia inesquecível para mim que depois de todo o envolvimento neste projecto, me foi dada a oportunidade de ser eu a conduzi-lo na estreia, transportando assim os convidados naquele que é agora o eléctrico mais charmoso de Lisboa. Após o evento o eléctrico iniciou serviço de turismo, causando surpresa e admiração por parte dos turistas presentes em Lisboa e que tiveram a honra de poder viajar ao longo do trajecto verde da YellowBus. 

Não podia portanto deixar de agradecer à Hortense e à Carristur por terem levado a bom porto esta ideia que um dia tive em Arraiolos, vila que sugiro uma visita e que a partir de hoje terá também um eléctrico sempre presente na sua memória. Convido-vos agora a verem um video que produzi, e que mostra todo o trabalho de montagem deste projecto Electric'rug. Boas viagens!

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Histórias pelas colinas de Lisboa à boleia do eléctrico no GEO

Foi com grande entusiasmo e satisfação que a convite do GEO - Gabinete de Estudos Olisiponenses, estive neste final de tarde de quarta-feira no Palácio Beau Séjour em Benfica no âmbito do III Ciclo de Conferências dedicado a "Temas Olisiponenses". O convite surgiu devido às histórias e aventuras que aqui tenho vindo a partilhar ao longo dos anos e mais recentemente devido à publicação de livros e postais que visam manter vivo este interesse e valorização pelo Eléctrico de Lisboa.

Numa sala com frescos bonitos e repleta de habitantes de Benfica e não só, lá se deu início a mais uma palestra, desta feita dedicada ao transporte mais antigo da capital. Mas antes os visitantes e eu mesmo fomos surpreendidos com uma exposição dedicada aos eléctricos, onde estavam mapas, livros e objectos de um coleccionador que também tive o prazer de conhecer já no decorrer da palestra. 

Com início marcado para as 18h30, e depois de um tempo de desconto previsto para as chegadas de última hora, lá demos início à troca de ideias e de conhecimentos. Tinha preparado para este evento a projecção de um power point com um dos temas que mais constrangimentos tem vindo a causar aos eléctricos - as interrupções, com o objectivo de sensibilizar os presentes mas também dar a conhecer os problemas inerentes a um simples carro mal estacionado.

As reclamações, as situações que ocorrem durante e pós-interrupção e os procedimentos a efectuar nestas situações. Contei também algumas das situações mais cómicas vividas ao longo destes 10 anos de Carris, e respondi a algumas perguntas que iam surgindo de quem assistia. Entre entusiastas e anónimos, esta conferência valeu sobretudo pelo esclarecimento e pelo dar a conhecer situações que o público em geral e o passageiro desconhece. 


O que estava previsto demorar 1h00, prolongou-se por muito mais tempo e quando olhámos para o relógio já eram quase 21h00 e a sala ainda estava composta, porque os eléctricos continuam a ser um tema importante para os lisboetas, porque a conversa estava animada e interessante. No fim houve quem dissesse que a partir de hoje ia ter mais cuidado ao estacionar próximo das linhas dos eléctricos e ouve quem ficasse surpreendido com o que um guarda-freio tem de fazer ao longo de um dia de trabalho. Muitos desconheciam que o eléctrico tinha areia e outros quiseram saber para quando estava previsto afinal, o regresso do eléctrico 24.

Houve de tudo e para todos os gostos e no final houve ainda tempo para um pequeno brinde com vinho do Porto para despedida de um final de tarde muito simpático, onde as conversas fluem numa abrir e fechar de olhos. É sempre assim quando fazemos ou falamos do que gostamos. Quanto ao eléctrico 24 não pude dar resposta concreta até porque não sei. Deixo esses detalhes para as entidades oficiais, até porque estive ali a título e convite pessoal. A Carris teve conhecimento através do GEO e através do meu inspector, mas não estiveram presentes e como tal não foi possível ter uma resposta oficial sobre o 24.

Foi um final de tarde e uma folga bastante bem passada, e não posso terminar sem deixar de agradecer publicamente o convite que me foi endereçado e a hospitalidade com que me receberam. Foi um prazer ter participado nesta iniciativa do Gabinete de Estudos Olisiponenses da Câmara Municipal de Lisboa. 

Fotos gentilmente cedidas por João Lima

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