domingo, 18 de setembro de 2022

Parabéns CARRIS: 150 Anos de história nas voltas que a cidade dá.

A Carris celebra neste 18 de Setembro de 2022 o seu 150 º. Aniversário. Fundada no Brasil, a 18 de Setembro de 1872, desde então muito mudou. Se inicialmente os serviços de transportes começaram por carros puxados por animais, os "americanos", vieram mais tarde os eléctricos a 31 de Agosto de 1901 e seguiram-se depois os autocarros nos anos 40 adquiridos para serviço à Exposição Mundial que se realizou em Belém. A empresa foi crescendo, e acompanhando o crescimento surgiram novas estações e foi-se ao longo dos anos apostando na renovação da frota, que possibilitou em 2006 à obtenção da certificação. 


Ate 2011 a Carris continuou a sua aposta na melhoria do seu serviço, quer com a renovação de quadros humanos quer com a renovação da frota de autocarros. Contudo, nos últimos anos com a passagem da gestão da empresa para a autarquia, a aposta virou-se para as energias renováveis, com a chegada dos novos autocarros a gás e com um regresso da aposta nos eléctricos, como foi o caso da reabertura da carreira 24E há cinco anos e a chegada dos novos autocarros eléctricos para a carreia 706. 

Em 2020 e 2021, ainda que a pandemia tenha colocado uma pausa no mundo, a Carris não parou e continuou na aposta da renovação da sua frota, com a chegada de mais autocarros, a continuação da criação das carreiras de bairro.

2022 é por tanto um ano de continuidade da renovação e reforço do capital humano e da frota, apostando assim na modernização e de forma sustentável. Parabéns CARRIS. É uma honra fazer parte desta família.

sábado, 17 de setembro de 2022

A história saiu uma vez mais à rua para assinalar os 150 anos da Carris

Lisboa parou neste Sábado, para ver a história passar e recuar no tempo. Parte do acervo móvel do museu da Carris saiu à rua para assinalar os 150 anos da Carris e promoveu o desfile de Clássicos do Museu, onde eléctricos e autocarros de outros tempos voltaram a deslizar sobre os carris de Lisboa e a cruzar as estradas da capital, este ano com a companhia de um autocarro eléctrico que faz parte do presente e futuro da Carris, e dos eléctricos temáticos da Carristur (Cortiça, Arraiolos e Bordado da Madeira) nas voltas que a cidade dá. As memórias de quem noutro tempo neles se transportava veio de imediato à conversa entre os visitantes e passageiros deste desfile que contou com duas partidas, uma pela manhã (11h) e outra já da parte da tarde (16h). 

Esta foi também a segunda oportunidade que enquanto tripulante da Carris, de conduzir as relíquias neste evento onde levamos para fora de portas um pouco da história, divertindo-me ao conduzir um eléctrico de 1939, com o número de frota 802, um salão de quatro motores, que faz parte do espólio do museu, e sobretudo divertindo quem neste e nos outros se transportava ou com quem, com eles se cruzavam. Inúmeros sorrisos, acenos, fotografias e conversas trocadas num dia recheado de momentos que mais tarde serão certamente recordados. Um dia memorável para quem realmente ama esta profissão.


Dos mais pequenos aos mais graúdos, foi um passar de testemunho deste gosto pelos transportes como aconteceu noutros tempos em que os pais de hoje eram os filhos de então. São gerações que viajam a bordo e que bonito é ver todos juntos a comentar e partilhar algo que pelo menos por um dia é de ambos. Entre os passageiros encontrei caras antigas da Companhia e alguns seguidores deste blogue. 

Hoje tive então a honra de fazer parte da equipa e por isso as fotos deixei-as para os entusiastas que apareceram em peso uma vez mais neste desfile, e por isso apenas serão estas as fotos que posso partilhar. Agradecer por fim o carinho demonstrado por todos os presentes e pela família que de surpresa apareceu na Praça da Figueira. E por fim, pedir desculpas por nem sempre dar a atenção merecida a todos os que me procuram na altura onde a concentração exige alguma atenção nos carris. Espero que todos tenham gostado do desfile. Um abraço do tripulante que termina desejando-vos uma boa viagem a bordo dos veículos da CCFL. 

Venha o próximo desfile!

O motorista Marcel Mazoni na chegada do desfile da Manhã

A equipa que conduziu este desfile dos 150 anos da Carris. (Foto: José Manuel Costa)



Desfilando pela Avenida 24 de Julho, em direcção à P.Figueira



A foto para mais tarde recordar (Foto: Vítor Santos)




quinta-feira, 15 de setembro de 2022

Carris celebra 150.º Aniversário com várias iniciativas na cidade de Lisboa

A Carris celebra no próximo dia 18 de Setembro de 2022 o seu 150.º aniversário, mas já anda há algum tempo a celebrar estes números redondos com diversas campanhas e iniciativas, porque não é todos os dias que se celebram 150 anos de vida nas "voltas que a cidade dá", que é precisamente o mote destas comemorações. 

As velas apagam-se a 18 de Setembro, mas as luzes ligam-se já amanhã, dois dias antes, através de uma obra de arte urbana, da autoria de Bordalo II, que será inaugurada na próxima sexta-feira, 16 de Setembro, pelas 21h00, no Terreiro do Paço, na presença do Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas, e do Presidente da Carris, Pedro de Brito Bogas.

Segundo informa a Carris, "o artista transformou um elétrico do Museu da Carris, o nº 525, dos anos 20, de forma a instalar no seu interior dois animais gigantes, feitos de materiais recuperados do lixo. O animal escolhido foi o corvo, característico e iconográfico da paisagem lisboeta, e um dos elementos inovadores e mutantes da peça é o facto de ser feita com sobras de néons leds, o que permite, também, uma visualização noturna da obra. A intervenção artística contemplou a criação de um sistema de iluminação próprio (LED), totalmente sustentável, uma vez que a sua alimentação elétrica provém de painéis solares instalados na capota do elétrico.

Bordalo II foi o artista escolhido para realizar esta intervenção, tendo, precisamente, em conta o seu trabalho, assente em conceitos relacionados com a sustentabilidade, a reciclagem, o apelo a uma consciência social sobre o desperdício e as alterações climáticas.

O elétrico intervencionado, o nº 525, integra o acervo do Museu da Carris e foi o primeiro de um conjunto de carros elétricos integralmente construídos nas Oficinas de Santo Amaro, tendo estado em circulação de 1924 a 1983.

A obra “Lighted Crows, 2022 - Bordalo II” vai permanecer no Terreiro do Paço durante 1 mês, junto ao Supremo Tribunal de Justiça, sendo depois instalada na zona das Amoreiras, em Lisboa, por um período de 2 anos".

Já no dia seguinte, sábado, tem lugar o desfile de clássicos da Carris, com parte da frota do museu a sair às ruas de Lisboa (às 11h e às 16h) convidando os lisboetas a uma viagem pela história, aquela "que sempre se reinventou e evoluiu ao longo dos tempos".

A Carris é uma empresa que evoluiu para acompanhar as transformações da cidade e a vida dos lisboetas. Ao longo de 150 anos, a Carris adaptou-se, inovou, expandiu-se, participou e ajudou a moldar a cidade.


Também neste dia 17 de Setembro é inaugurada uma exposição ilustrativa da história e da evolução da CARRIS e do seu contributo para a cidade de Lisboa, na Praça da Figueira onde estará a actuar a Banda da Carris. 


Por fim e também no Sábado a edição do jornal Público distribui de forma gratuita com o jornal, uma revista que é uma edição especial dedicada aos 150 anos da Carris, que certamente ficará bem na biblioteca de qualquer entusiasta ou apaixonado pelos amarelos da nossa Lisboa.


E para não perder pitada do que se passa em redor destas comemorações a Carris disponibiliza ainda um site dedicado aos 150 anos da Companhia, para que não fique de fora desta viagem pela história nas voltas que a cidade dá.


Resta-me portanto desejar-lhe boas viagens a bordo dos veículos da CCFL.

quarta-feira, 14 de setembro de 2022

Quando o turista chega e quer mandar no país dos outros..."Não pago e não saio!"

"Oh filho isto já não é como antes..." desabafa uma das passageiras habituais do 28, queixando-se que antes, as enchentes do eléctrico eram por épocas e que agora "é um martírio para conseguir entrar no eléctrico o ano inteiro". Na sua rotina diária o 28 faz parte do trajecto entre casa e o trabalho e por norma apanha o carro sempre à mesma hora e esta semana calhou-me a mim transportá-la porque estou na semana em que faço aquele horário todos os dias. Trocamos uns dedos de conversa porque não dá para mais. Já há mais gente para entrar na paragem seguinte e como ela própria fez questão de gritar... "chega atrás que há mais gente para entrar!"

Passageiro a passageiro o eléctrico lá vai enchendo paragem após paragem até que minutos depois chega ao terminal. Com muito custo os turistas lá saem do eléctrico não sem antes fazer um rol de perguntas como "e ahora como hace para volver?" ou "pour retorné au martim moniz?..."

Mas tal como a passageira habitual nos diz também eu posso dizer que já nada é como antes, nem o turismo. Esse mesmo, o tal que é muito benéfico para a nossa economia, o tal que enche os carros como se não houvesse amanhã, o tal que quer fazer turismo no serviço público, o tal que quer ser ele a fazer as regras, ou a viajar muito por pouco, resumindo... "o turismo pé descalço" que também ele está pior no pós-pandemia.

Ontem foi um desses dias difíceis. Prestes a iniciar mais uma viagem rumo ao Martim Moniz, abri as portas e fui acolhendo os passageiros que iam solicitando o bilhete para a viagem que se iniciava, entre os quais entra um casal francês que parecia dono e senhor do eléctrico 28. Entram, dirigem-se ao banco e sentam-se. Solicito que validem o título de transporte. Revoltado, o senhor levanta-se com um cartão "viva viagem" e valida duas vezes. 

Eu: Desculpe mas não é permitido viajarem duas pessoas com o mesmo título de transporte.

Turista: É, é! Eu comprei dois bilhetes, paguei 28 euros e vou-me transportar assim.

Eu: Lamento, mas se comprou dois bilhetes, tem de ter dois cartões, um para cada um dos passageiros. Assim como está, tem de pagar uma tarifa de bordo para se transportar de forma legar neste transporte público. 

Turista: Eu paguei 2 dias para duas pessoas, não tenho culpa que a máquina do metro só me tenha dado um cartão.

Eu: Quem não tem culpa sou eu. Se pagou dois cartões e a máquina só deu um, devia ter resolvido no imediato na estação respectiva. Aqui tem de pagar para viajar. E escusa de gritar e ser indelicado porque não o estou a tratar mal e estou a ser cordial. 

Turista já aos gritos e esmurrando a cortina de protecção do condutor: Você é mas é um ladrão que quer cobrar 3€ quando eu já paguei. Não pago e não saio! Vou seguir viagem.

Eu: Então, vamos ter de chamar a Polícia para resolver esta situação e interferir na vida dos restantes passageiros?

Turista: Pois bem, então chame!

E assim foi... Ao fim de 15 anos ao serviço desta companhia, tive de solicitar a ajuda da PSP, porque nem falando francês para lhe explicar tudo, ele deixava de me injuriar e gritar dizendo que lhe queria cobrar indevidamente um titulo de transporte. Não é pelos 3€ mas é! Não é pelo bilhete, mas pelo respeito e por tudo o que daí advém. 

É pelo respeito de quem está aos comandos, é pelo respeito para com os restantes passageiros, é pelo saber estar, é pelo que poderá acontecer em caso de acidente, não tendo titulo de transporte válido. Valeu então a ajuda dos elementos da 4.ª Divisão da PSP, que os convidaram a sair do eléctrico após uma hora de imobilização do carro no terminal, sugerindo que fossem ao metro resolver a situação. O turista alegou que em França era permitido viajar com o mesmo cartão duas pessoas e o Agente da PSP, lembrou: "Mas o senhor neste momento está em Portugal e as regras são diferentes. Se o condutor o alertou que não é válido e é o trabalho dele, o senhor deve acatar e respeitar, assim como devia ter-se informado antes, sobre as regras do transporte público em Portugal." 

Em resumo, dois turistas vêm de férias, querem ser eles a fazer as regras, interferem com a vida de outros turistas e locais que usam um transporte público, porque alegam ter comprado dois bilhetes e que a máquina só lhes deu um [a PSP verificou depois que o número de série do cartão viva viagem não correspondia aos dois impressos no recibo] e como se não bastasse tudo isso e todos os equívocos e erros, já dizia o outro... a culpa é da Carris.

E assim vão as alucinantes viagens com o turismo que visita Portugal. 

segunda-feira, 12 de setembro de 2022

Dia 17 de Setembro o Museu da Carris sai à rua! Venha viajar no tempo...

Depois de uma semana difícil com os problemas de saúde, o regresso à normalidade e ao passado com uma formação de "reciclagem" de condução dos carros eléctricos do Museu, com vista aos preparativos para o desfile comemorativo dos 150 anos da Carris.

No próximo dia 17 de Setembro de 2022 o Museu da Carris sai do eu habitat e permite uma viagem no tempo com o desfile dos seus carros históricos pelas ruas de Lisboa entre Santo Amaro e a Praça da Figueira. Com os lugares esgotados em 3 horas, há assim a possibilidade de quem garantiu lugar, entrar a bordo destas peças de museu e de quem não conseguiu lugar, de os ver passar e fotografar aqueles que no passado eram os carros diários de serviço público.

Carros afinados, guarda-freios preparados, no próximo dia 17 de Setembro as partidas serão às 11h e às 16h. No dia 18 de Setembro a Carris comemora então os seus 150 anos de existência na cidade de Lisboa, dia em que o Jornal Público terá uma revista dedicada à nossa empresa e às pessoas que a fazem movimentar no dia-a-dia.


Boas viagens a bordo da nossa companhia! 

segunda-feira, 5 de setembro de 2022

[Off Topic]: Quando o SII entra a bordo, o destino é a... WC

Como sabem, este blogue tem como objectivo desde o primeiro dia, relatar o dia-a-dia de um tripulante no exercício das suas funções na cidade de Lisboa. Situações com os passageiros, com os outros intervenientes da via, mas também relatar factos e pontos da história do que está relacionado com estes meios de transporte que conduzo e com a empresa que orgulhosamente represento. Mas por vezes também aqui passam temas diversos e sugestões à boleia do transporte público, mas hoje venho partilhar convosco também um dos problemas com que nos deparamos no exercício da função, problema esse que se agrava, sobretudo se tivermos problemas de saúde crónicos ou simplesmente síndromes, como o que vou falar de seguida. O Síndrome do Intestino Irritável.

Foi-me diagnosticado há cerca de 3 ou 4 anos atrás e está relacionado com o sistema nervoso central. É uma doença funcional que causa sintomas, como dor na barriga, excesso de gases, prisão de ventre e diarreia, e que podem piorar com situações como o stress, ansiedade e o consumo de alguns alimentos e bebidas.

Após medicação para controlar e dieta própria para o efeito, consegui detectar os alimentos aos quais sou intolerante, o que fez com que de há dois anos a esta parte tenha tido a minha síndrome mais ou menos estabilizada. No entanto, o stress e a ansiedade acabam por vezes por nos pregar partidas e despoletar uma crise de intestinos daquelas que quase vimos a morte à frente literalmente. 

Trabalhar portanto num local onde não temos uma casa de banho à disposição pode tornar-se de imediato uma enorme dor de cabeça, de barriga, de tudo. Sim não temos casas de banho em todos os terminais, embora muita gente possa pensar que sim. Esta semana, tive como há mais de sete meses não tinha, uma dessas crises. Saí bem de casa, e a caminho do trabalho umas enormes cólicas, levaram-me a procurar uma casa de banho antes de render o colega para mais um dia de trabalho no 28. 

Aliviado, pensava eu, rendi e lá segui rumo ao Martim Moniz, após muitos suores frios e enorme desconforto abdominal. Mas a viagem estava destinada a correr mal. A meio do percurso e com o carro cheio de turistas, novas cólicas e suores. A casa de banho distava a 30 minutos... Na frente seguia um eléctrico a uma velocidade demasiado lenta. Os clientes perguntavam tudo e mais alguma coisa, os semáforos fechavam, os tvde's paravam na frente e havia em todas as paragens passageiros para entrar ou sair. 

O desespero, a impaciência apoderam-se e a aflição aumenta. Cheguei finalmente ao Martim Moniz e só tive tempo para avisar a central e a expedição, de que não me estava a sentir bem, e correr para o Hotel Mundial, onde gentilmente me cederam o acesso à casa de banho. 

Dizem-me por vezes... "Mas com esse problema diagnosticado como é que consegues trabalhar neste trabalho onde não tens casa de banho sempre que precisas?" A resposta é simples. Porque o que tenho é um síndrome e não uma doença, como tal... quem a tem que se desenrasque.

Trabalhar numa carreira como a 28E nos tempos que correm, numa época pós-pandemia, é tudo menos benéfico para quem tem este tipo de problema. O Stress provocado pelos turistas que querem entrar e não sair, pelos horários curtos, pelo trânsito selvagem que se vê pela cidade, por tudo e mais alguma coisa, nas 4 semanas seguidas que tenho serviço nesta carreira é o rastilho fácil para as crises.

Mas no final de contas, este é o meu trabalho e este é um problema de saúde que também é meu, mas que não podia deixar de partilhar para dar a conhecer mais uma vez que este é um síndrome que não tem cura, mas para o qual devia haver uma atenção mais redobrada por parte do sistema de saúde e direitos dos seus portadores, e porque quem está a comandar o autocarro ou o eléctrico é também um ser humano, o que muitas vezes é esquecido por quem transportamos. 

Por vezes dizem que estou com mau humor, ou mal disposto, mas acreditem que não. Apenas estou sem paciência porque este síndrome consome-nos muito. E posto isto, espera-me mais um dia de trabalho na esperança que tudo corra bem e que caso seja preciso, encontre rapidamente uma casa de banho :) 

quarta-feira, 31 de agosto de 2022

Há 121 anos a transportar Lisboa de forma eléctrica!

Fundada em 1872 no Brasil, a Carris – Companhia de Carris de Ferro de Lisboa, trouxe para a capital portuguesa no ano seguinte, o transporte «americano» com carros puxados por animais, que vieram assim substituir as carroças até então muito utilizadas. A primeira linha foi entre a Estação da linha Férrea Norte e Leste (Stª. Apolónia) e o então extremo Oeste do Aterro da Boa Vista (Santos).

Os alfacinhas acotovelavam-se para ver aqueles «32 carros elegantes, sólidos, de boa construção», que prometiam alívios a muitos pés e rapidez nas deslocações. E se o sucesso foi enorme, logo no primeiro domingo de serviço, com 6000 passageiros transportados em 7 carros, maior seria o sucesso dos eléctricos que vieram substituir «os americanos» a 31 de Agosto de 1901.

No princípio foi o susto, mas depressa os lisboetas acalmaram. Renderam-se aos encantos práticos dos amarelos que entraram assim na história da cidade, que viria a crescer em redor das novas linhas de eléctricos.

Dia e noite, os operários trabalharam nas ruas da cidade, abrindo valas, desviando canalizações e instalando carris, abrindo assim caminho a uma nova era do transporte público em Lisboa, com a chegada dos eléctricos que já tinham chegado às instalações da Carris em Junho. Ao todo eram 80 carros abertos, com uma lotação de 36 passageiros sentados e 5 de pé, e de 75 carros fechados, que levavam 24 passageiros sentados e 14 de pé.

“Os guarda-freios, de fato azul-escuro, calças com lista vermelha e galões dourados no boné de pala direita, e os condutores aperaltados com uniforme idêntico, mas com listas douradas nas calças e galões prateados no chapéu, estavam prontos para levarem os eléctricos no seu primeiro passeio oficial. Às 6 da manhã do dia 31 de Agosto de 1901 foi inaugurado o serviço de eléctricos, na linha entre o Cais do Sodré e Algés. Ao longo do caminho, juntou-se gente para admirar os carros, comentar as modernices do letreiro luminoso que indicava o destino do veículo, o fender, designado como salva-vidas na versão portuguesa, encurvado na dianteira do eléctrico como protecção contra atropelamentos, a campainha estridente que avisava os distraídos para se afastarem do meio da rua.”, lê-se no livro «Aventuras sobre Carris».

Rapidamente foram esquecidos os americanos e os medos respeitantes aos choques eléctricos que dizia-se que estes iam causar, mas ainda assim havia quem “aconselhasse a formação de uma Associação dos Fluminados dos Carros Eléctricos, não fosse o Diabo tecê-las...”

Mas a frota da Carris foi crescendo à semelhança das carreiras e com o passar dos anos já ninguém dispensava os eléctricos que em 1910 tinham já uma extensão de 114 Kms. Vinte anos mais tarde foram atingidos os 147 Kms, mas actualmente são aproximadamente 54 Kms divididos pelas 6 carreiras actuais. Muitos foram os modelos que compuseram a frota ao longo dos anos e muitos foram também as alcunhas que os eléctricos foram tendo. Do «São luís» aos «Caixotes», não esquecendo o «Afonso Costa» ou os «Almaranjas», eles foram os antecessores dos actuais «Remodelados» e «Articulados» que efectuam o serviço público regular de passageiros 121 anos depois da inauguração da tracção eléctrica em Lisboa. Depois de anos a "lutarem" pela sobrevivência, os eléctricos seguem agora o caminho da expansão quer da frota com o recente anúncio de novos eléctricos articulados a chegarem nos próximos anos, quer da rede com a a prometida expansão a Santa Apolónia e o anunciado regresso à Cruz Quebrada sem data prevista. 

E se na época poucos foram os que ficaram indiferentes ao aparecimento dos eléctricos, hoje ainda muitos são os que dão preferência  a este transporte típico da cidade de Lisboa, mesmo que haja carreiras de autocarros sobrepostas nos percursos dos carris. Hoje como há 120 anos, os eléctricos fazem parte do quotidiano da capital portuguesa e é o delírio para muitos dos turistas que nos visitam. A importância desta data, não podia deixar de ser referida neste “Diário do Tripulante” que hoje apresenta algumas imagens sobre os nossos eléctricos.

sábado, 27 de agosto de 2022

Adeus.... Até um dia.... não deixas saudades!

Passaram 2 anos e alguns meses. Foi um longo período a ter de a suportar durante todo o dia de trabalho, fizesse chuva ou sol, frio ou calor. Foram meses e meses a ter chatices com ela. Amada por muitos e odiada por outros tantos. Chegou finalmente ao fim a obrigatoriedade do uso de máscara nos transportes públicos e começou às 00h00 deste dia 27 de Agosto de 2022, após publicação durante o dia de ontem em Diário da República.

A medida já pecava por tardia, porque quer em supermercados, centros comerciais, espectáculos, eventos desportivos e afins já não era obrigatório o uso da máscara, sendo estes locais com muita concentração de pessoas. Chega assim ao fim aquela temporada desgastante em que constantemente parecíamos ter de fazer o papel de educadores de infância, porque a máscara era quase usada apenas como que um livre acesso ou uma "via verde" para entrar no transporte público. 

Arrancando da paragem e olhando pelo espelho, já tínhamos narizes de fora, queixos à mostra entre outras coisas mais. Durante estes tempos vi coisas que nunca pensei ver e apercebi-me que a estupidez humana não tem limites. Entre garrafões de água a fazer de máscara, passando por meias e terminando em cuecas, valia tudo para tentar entrar quando não havia uma máscara disponível.

Houve até quem reutilizasse máscaras de terceiros, que além de nojento era só uma forma muito agradável de transmissão do vírus. Chega ao fim a saga da máscara num eléctrico ou autocarro perto de si e a partir de agora cabe a cada um de nós medir a circunstâncias no que diz respeito à utilização da máscara, uma vez que passa a ser facultativo o seu uso.

Se a pandemia nos trouxe numa primeira fase uma calma que há muito desejávamos, trouxe-nos também a privação de alguma liberdade, que agora é reposta, onde podemos voltar a respirar sem barreiras, onde podemos sorrir e ver sorrisos. Desta pandemia, apenas espero que permaneça a cortina de protecção no eléctrico que foi sem dúvida uma das melhores coisas que apareceu, limitando assim, e resguardando até um pouco, o nosso espaço de trabalho.

Boas viagens a bordo dos veículos da CCFL e sejam responsáveis. 

[Foto: DN.PT]

Translate