segunda-feira, 4 de maio de 2020

O primeiro dia do resto das nossas vidas num transporte público perto de si...

Foi o primeiro dia do resto das nossas vidas! O fim do Estado de Emergência deu lugar ao Estado de Calamidade e as montras cobertas de papéis nas lojas e as ruas vazias, começaram agora a ver a luz do dia e a vestir manequins, e as ruas a ganharem alguma vida com o regresso aos poucos à normalidade. Espaços comerciais a reabrirem e transportes a voltarem a ter os seus lugares mais preenchidos, ainda assim é preciso cautela para que este passo em frente não sejam dois ou mais para trás. Hoje demos início a uma nova fase nos transportes públicos. Estava algo apreensivo quanto a este reabrir da porta da frente a este aumento da lotação que até então era de 1/3 e agora passou para 2/3 da total capacidade de cada veículo, mas o certo é que as pessoas corresponderam na sua generalidade ao que lhes foi pedido, para muita surpresa minha, confesso. 

Embora o meu serviço de hoje fosse num eléctrico articulado, na carreira 15E em que o meu contacto com os passageiros, esteve ainda assim longe da proximidade a que os meus colegas tiveram quer nos autocarros quer nos eléctricos históricos (remodelados), o certo é que ao longo de todo o meu serviço apenas tive de chamar a atenção de dois passageiros que entraram sem máscara, que passou a partir de hoje a ser obrigatória nos transportes públicos. Aceitaram a chamada de atenção e saíram de imediato por iniciativa própria. Contudo, se a maioria não esqueceu a máscara para o acesso ao transporte público, muitos foram também os que continuaram a viajar sem validar qualquer título de transporte. 

Recorde-se que a validação voltou a ser obrigatória e ao contrário do que muitos adoptaram como regra, o transporte público nunca foi grátis durante o Estado de Emergência. Contudo, a Carris em conjunto com a Polícia Municipal, iniciaram hoje uma fiscalização nos principais interfaces de transportes, para já com uma atitude preventiva, reconhecendo as dificuldades que muitos possam estar a atravessar, contudo convém alertar que a tarifa de bordo voltou a estar disponível, sendo que a compra deve ser efectuada com valor certo. A entrada voltou assim a ser pela porta da frente, deixando a de trás para as saídas. 

Estamos todos a viver novos tempos, na esperança que juntos consigamos vencer esta batalha contra um vírus invisível que não escolhe idades ou géneros. Estamos todos numa fase de adaptação a uma nova normalidade que por vezes nos deixa a pensar se já não deveria ser sempre assim, não deixando a higiene de parte ou não viajando uns em cima dos outros e aos empurrões. É certo que esta normalidade vai conhecer uma nova fase no dia 18, mas espero sinceramente que se tire algo positivo desta nova fase de aprendizagem de que estamos a ser alvos. 

À Carris, quero agradecer as condições que nos têm proporcionado, que nunca serão certamente perfeitas e que estarão em constante mudança e adaptação, mas todos temos de ter consciência que isto é novo para todos nós. E agradecer também à Câmara Municipal de Lisboa e Polícia Municipal pela coordenação conjunta quer de sensibilização quer de fiscalização nos transportes. #Estamosjuntos nesta viagem e por isso a colaboração de todos é imprescindível para que tudo fique bem! #Ajudenosanãoparar e siga as normas impostas para o uso do transporte público para o seu bem e para o bem de todos. 


quarta-feira, 22 de abril de 2020

1 Mês de "Estado de Emergência" em viagens vazias mas cheias de contrastes...

E passou 1 mês desde o meu último post, dedicado ao artigo de opinião que escrevi sobre a quarentena, publicada no jornal Público, na rubrica "Diário da Quarentena". Um mês de confinamento e de Estado de Emergência e sobretudo de reflexão. Lisboa já não está tão deserta como nesse dia, mas continua triste. Lisboa começa aos poucos a ver um café que se abre, uma retrosaria que atende à porta numa altura em que todos procuram elásticos para fazer máscaras comunitárias, que passaram entretanto a ser aconselhadas pela DGS. São filas ás portas dos supermercados, são ajuntamentos nas portas dos cafés, talhos ou nas poucas lojas de tecidos que vão também elas abrindo para responder à procura. 

E à parte disto lá andam os transportes públicos com aqueles que não podem como nós, parar mas também com aqueles que viram nestes tempos, o eléctrico ou o autocarro como um abrigo que não têm. Uns com ar acanhado, outros como se fossem donos disto tudo, pondo e dispondo mesmo quando não têm título de transporte porque alguém entendeu que as medidas de contenção que levaram à dispensa da validação, tornasse o transporte público gratuito. O que não é nem nunca foi verdade!

Uns com máscara, outros com lenços, outros sem nada. Uns a respeitar o vírus, com todo o respeito que ele nos impõe, outros a desprezá-lo e a deitar por terra todo um esforço de uma grande parte da sociedade que fica em casa. "O Covid a mim não me afecta, sou rijo!" diz um daqueles corajosos e valentões idosos com mais de 70 anos que se desloca de eléctrico porque diz que "não fui feito para estar em casa amigo!". Explico-lhe que era o melhor que fazia, porque o vírus não escolhe quem afecta e sobretudo porque os idosos fazem parte do grupo de risco, mas acrescento eu também, dos grupos dos mais teimosos. Foi o mesmo que falar para uma porta...

As viagens prosseguem, no entanto, e em grande parte do tempo em silêncio, com rostos fechados e desconfiados, ainda que muitos se aproveitem do resguardo de uns para desfrutarem da viagem como nunca o puderam fazer antes e por incrível que pareça, ainda se vão vendo turistas. Um casal para os Prazeres, outro para o Martim Moniz... Não me perguntem como chegaram nem de onde vieram, mas não me digam também que já cá estavam, porque eu vejo-os a chegar de malas e a procurar onde ficar. A pegar na máquina fotográfica e a disparar como se não houvesse amanhã. Sem dúvida umas fotos diferentes de uma passagem pela cidade das 7 colinas.

"Tudo vai ficar bem" é o que se diz e o que se quer, mas certamente que tudo já ficou diferente, a começar pelas rotinas, onde o serviço se inicia com a desinfecção dos veículos para que possamos de uma forma mais segura desempenhar as funções na linha da frente. Mas diferente também no sentido em que é difícil encontrar uma casa de banho, o que para quem anda na rua a trabalhar não se torna nada fácil.  E estaria a mentir se lhe dissesse, que quando criei este blogue há mais de 11 anos, que um dia viria a relatar aqui um dia de trabalho marcado pelo sossego e pelo silêncio, sobretudo naquela que é a carreira mais desassossegada e procurada da carris, o eléctrico 28E.

Que tudo isto passe rápido e que voltemos a ter as ruas cheias de vida, ao contrário da imagem que hoje partilho convosco neste texto, de mais um canto da cidade, que normalmente fervilha de gente e trânsito e que por estes dias tem estado deserta. Que voltem os passageiros habituais, que voltem as saudações, que volte sobretudo a normalidade do nosso quotidiano que é hoje marcado por contrastes bem vincados e que nos deixam a pensar se vale mesmo a pena arriscar, no cumprimento da nossa missão...

E porque nunca é de mais aconselhar... Fique em casa e #ajudenosanãoparar 


domingo, 22 de março de 2020

"A pandemia vista da janela do meu eléctrico..." no jornal Público

O silêncio, a desconfiança e acima de tudo a esperança são palavras que caracterizam os dias que vivemos no país e no mundo. Rostos fechados nos transportes, também eles diferentes nos dias que vivemos. As filas que habitualmente esperavam pelo 28E estão agora à porta dos supermercados e farmácias. A capital acorda todos os dias como se estivéssemos no campo, onde até os pássaros se fazem ouvir, interrompendo um silêncio que nos faz reflectir e pensar, que isto é de facto algo grave e assustador. De repente apercebemos-nos do quão éramos felizes com tudo o que tínhamos ao nosso alcance e com toda a agitação e stress que a própria cidade nos oferece. Sentimos a falta de um simples "boa tarde" à entrada do eléctrico, embora este sossego do desassossego que vivemos diariamente, nos tenha trazido alguma paz no serviço, apesar de toda a apreensão com que o enfrentamos a cada dia que passa.

Agora o dever de todos é o de #ficaremcasa, onde temos mais tempo para a família, para ler, escrever, ouvir música, mas acima de tudo estar atentos às notícias que nos vão chegando pelos órgãos de comunicação social, que têm por esta altura edições especiais dedicadas ao coronavírus para que estejamos informados. Entre notícias, reportagens e crónicas há também algumas rubricas como o "Diário da Quarentena" no Público, para a qual fui convidado a escrever um texto sobre como temos nós tripulantes, enfrentado esta pandemia do Covid-19, e que foi publicado na edição deste Domingo, 22 de Março de 2020, na página 6.
 
Jornal "Público" de 22/03/2020 - rubrica "Diário da Quarentena"

O Diário do Tripulante agradece ao jornal Público o convite e apela uma vez mais para que #fiqueemcasa e para que #ajudenosanãoparar e no fim #tudovaificarbem. 


quarta-feira, 18 de março de 2020

[Foto-Reportagem]: Como o COVID-19 mudou a Lisboa da minha janela...

Jamais acreditaria se me contassem, mas Lisboa está de facto diferente. A crise de saúde pública assim obriga. O Covid-19 veio mudar os registos fotográficos possíveis desta capital, vista através da janela do meu eléctrico ou até mesmo do pára-brisas do autocarro, com as ruas desertas que outrora costumam estar repletas de gente. Viagens matinais onde a azáfama de quem vai para o trabalho não é seguramente a mesma daquela que ocorre em condições normais. Os poucos rostos que se transportam, estão fechados ou apreensivos, com excepção para aqueles que ainda vão preenchendo os lugares disponíveis depois da hora de ponta, os turistas claro está! Quanto a nós tripulantes, vamos tentando cumprir o nosso serviço à população, sabendo todos, que também corremos um risco, mas sabendo igualmente que fazemos falta para aqueles que não podem ainda dispensar o uso do transporte público.

Esta foto-reportagem que vos apresento de seguida retrata um lado completamente desconhecido do tão procurado eléctrico 28E, aquele lado que ninguém nunca previu. Os portugueses parecem ter finalmente começado a acordar para o verdadeiro perigo que é este novo coronavírus, começando a limitar as suas viagens ao indispensável. Não é por isso de estranhar que grande parte das viagens sejam feitas com um número muito reduzido de passageiros. Quanto a filas essas deixaram de ser para os eléctricos e passaram a formar-se ás portas dos supermercados e farmácias, devido a um plano de contenção que limita o número de pessoas nos seus interiores. Parece que de repente fomos todos colocados num novo Mundo.

Veja então, como está diferente a nossa Lisboa vista da minha janela...


























Uma Lisboa certamente diferente também vista do pára-brisas do autocarro...




Mas sabemos igualmente que infelizmente estas imagens de uma reclusão quase total, não abrange ainda toda a cidade e todas as carreiras...


Por isso nunca é de mais apelar para que passe a mensagem. #Fiqueemcasa e #ajudenosanãoparar porque você pode parar, mas nós não. Fique em casa por si, por mim, por todos nós! 


segunda-feira, 16 de março de 2020

No 1º Dia com medidas de contenção ao COVID-19, não há como descrever a atitude de algumas pessoas...

Depois de dois dias em isolamento voluntário aproveitando a boleia da escala de serviço que ditou folga no fim-de-semana, hoje foi dia de regressar ao trabalho. Tal como eu muitos dos portugueses regressaram hoje ao trabalho e enfrentaram novas medidas e novos hábitos de forma a conter a proteger todos do novo coronavírus. Aqueles que não podem ficar em casa adoptando o tele-trabalho têm então de prosseguir a sua vida até que seja decretada a quarentena. Nos transportes, a entrada passou a ser feita pela porta de saída, a venda a bordo foi suspensa e a validação deixou de ser obrigatória, medidas apresentadas pela Carris no sábado, conforme o Diário do Tripulante deu aqui a conhecer.

Ditou a escala então, que hoje iniciaria a semana ao serviço na carreira 24E entre o Largo Camões e Campolide, mas já a caminho do trabalho constatava que a afluência aos transportes era menor, e o mesmo acontecia com o trânsito, porque recorde-se, hoje foi o primeiro dia sem aulas, no âmbito das medidas de contenção apresentadas pelo Governo Português. Aqueles que não encontraram as medidas de segurança ainda implementadas, defenderam-se como puderam, seguindo as regras impostas pela empresa, os tripulantes mantiveram a porta da frente encerrada, o que deixou muitos passageiros surpreendidos e até mesmo chateados. 

O ser humano consegue sempre surpreender-nos e nem perante uma situação crítica como a que vivemos devido ao vírus mortal que se faz sentir no Mundo e em especial na Europa, deixa de o fazer. Perante a minha indicação gestual de que a entrada se fazia por trás, muitos insistiam que queriam entrar pela frente, ao mesmo tempo que outros esmurravam a porta da frente para ver se a mesma passava a abrir. A entrada por trás nem sempre foi feita como ditam as regras do bom senso, de deixar sair primeiro e entrar depois, mas tendo em conta que estava na 24E com pouca afluência, esse nem foi o mail maior. 

Outra das atitudes que reparei ao longo do serviço, foi a preocupação com que hoje toda a gente acordou, no que à validação do título de transporte diz respeito. Mesmo com uma fita a delimitar a margem de segurança junto ao validador, foram vários os passageiros que após entrarem por trás, se deslocaram à frente para o fazer. Não reprovo de todo a atitude, porque demonstra responsabilidade em querer pagar um serviço de transporte, contudo, o que não me deixa de causar estranheza é que quando nada fazia prever uma situação como a actual, sempre que alertava algum passageiro por não ter validado era o fim do mundo, hoje todos querem validar. Quando normalmente se entra pela frente e sai-se por trás, todos querem entrar por trás e agora que a entrada faz-se por aí, todos querem entrar pela frente. Vai-se lá entender esta gente!  

Mas pior que isso, pior que não respeitarem quem está a trabalhar para tentar manter a cidade dentro da normalidade possível, são aqueles que se transportam e que ao telemóvel comentam que "isto parece é um Carnaval, tudo com máscaras e luvinhas..." Acho mesmo que as pessoas ainda não caíram na realidade e só quando olharem à volta e virem pessoas a cair para o lado, vão tomar as devidas precauções. Depois há os turistas, sempre com atitudes hilariantes como andarem a lotar carros na carreira 28E como se nada fosse. Vi pelo menos dois, onde a margem de distância para o passageiro do lado não era certamente superior a 30 centímetros, quando o aconselhável é 1 metro.

Largo do Rato - 13h00 - 16/03/2020
Turistas que ao entrarem se riem da sinalética, que gozam com a situação, gente sem escrúpulos que devia estar em casa, isolado porque não estão a trabalhar, estão simplesmente a passear, e quando assim é, numa fase como estas onde os casos confirmados aumentam em catadupa, nada mais há a dizer destas atitudes para as quais começo já ter alguma dificuldade em encontrar adjectivos que classifiquem tamanho egoísmo e falta de responsabilidade. 

As fronteiras aéreas continuam abertas e o movimento no Aeroporto de Lisboa é o que se tem visto pelas redes sociais. Gente que chega, sabe-se lá de onde, que não é sujeita a qualquer teste nem medição de temperatura e que horas depois estão a entrar dentro de um autocarro ou eléctrico, cruzando-se com quem tem obrigatoriamente de ir trabalhar. Mas até quando Portugal?

Hoje custou-me regressar ao trabalho, hoje custou-me ter de transportar pessoas que não são sequer dignas desse nome e só espero sinceramente que tudo isto passe rapidamente para vos desejar boas viagens a bordo dos veículos da CCFL, porque nenhuma empresa, nenhum trabalhador, está preparado para um surto víral como este, mas cabe-nos a nós todos juntos ajudar a parar esta propagação mortal que nos tira o sono e que nos quebrou as rotinas. Resumindo, após as atitudes que observei hoje, considero que só vamos vencer isto com um "Estado de Emergência", obrigando todos a ficar em casa! 

#Fiqueemcasa , por mim, por si, por nós todos! 

sábado, 14 de março de 2020

Carris dá a conhecer novas medidas adicionais preventivas ao COVID-19 (Actualização)

No âmbito das medidas de prevenção ao Covid-19 e no seguimento das medidas apresentadas ontem à Comunicação Social por parte da Carris, com vista à implementação de novas medidas na limpeza e desinfecção dos veículos da empresa que prestam serviço público, assim como à limitação da venda de tarifas de bordo por parte dos seus tripulantes a partir desta segunda-feira, vem agora o Conselho de Administração da transportadora dar a conhecer aos seus clientes que para já não foram decididas alterações na oferta do serviço. 

Ainda assim, há novos procedimentos a ter em conta no serviço prestado pela Carris, como adianta a transportadora através do seu site oficial em www.carris.pt .

Assim sendo já a partir das 00h00 do dia 15 de Março, "a entrada nos veículos da CARRIS, autocarros e eléctricos, passará a ser realizada através da porta traseira, de modo a reduzir o contacto físico com os tripulantes. A Carris irá durante a próxima semana colocar fitas delimitadoras do posto do tripulante. Dado que as entradas se passam a efectuar pela porta de saída, os clientes deverão adoptar as regras a que já estão habituados a utilizar em outros modos (nomeadamente no Metropolitano e na CP), ou seja, deixar os passageiros sair primeiro antes de entrarem na viatura", lê-se no comunicado.

A mesma informação adianta ainda que "na sequência da colocação da sinalética nos veículos da CARRIS, a venda de tarifas de bordo nos veículos da Carris encontra-se suspensa por tempo indeterminado. As validações por parte dos passageiros são facultativas. O acesso ao miradouro de Santa Justa, bem como o elevador de Santa Justa encerrarão por tempo indeterminado a partir do dia 15 de Março. Os ascensores do Lavra e da Glória mantêm a sua operação normal, sem vendas de tarifas de bordo. O ascensor da Bica, mantém a sua operação normal, mas o compartimento do guarda-freio ficará interditado a passageiros. As vendas de tarifas de bordo estarão suspensas tal como nos outros meios da Carris".

Recorde-se que a venda de títulos de transporte "na rede própria da CARRIS, Lojas e Quiosques, passam a ser realizadas exclusivamente por pagamentos com cartão. A partir de segunda-feira, dia 16 de Março, o acesso às instalações da CARRIS implicará uma medição de temperatura. No seguimento das solicitações dos motoristas e guarda-freios da Carris, a utilização de máscaras por parte destes é deixada ao critério individual de cada um. É relembrado que as orientações da DGS estão alinhadas com o procedimento até agora adoptado na CARRIS, isto é, a máscara está indicada apenas para situações em que há uma suspeição de infecção por COVID-19".

Por fim, a Carris aconselha ainda os seus utentes para que, sempre que possível, possam assegurar uma distância mínima de um metro relativamente a outros passageiros;
- Havendo lugares vazios, não se sentar junto a outro passageiro;
- Nas paragens, efectuar fila assegurando um perímetro de segurança de um metro. 
"A Carris agradece a compreensão dos todos, face a estas alterações e recomendações, reforçando que tudo o que está a ser implementado é para uma maior protecção quer dos seus trabalhadores, quer dos seus clientes", lê-se.

O Diário do Tripulante, enaltece esta decisão do Conselho de Administração da Carris, que continuará certamente a avaliar estas medidas de acordo com as actualizações, que vão sendo feitas pela DGS e pelo Ministério da Saúde, face à evolução da pandemia COVID-19 e pede a colaboração de todos os passageiros para a praticabilidade destas medidas que visam a segurança e prevenção de todos para que não sejamos obrigados a parar. Facilite sempre as saídas em primeiro lugar e entre depois, uma vez que as entradas e saídas passam agora e por tempo indeterminado a serem feitas pela porta de trás. 

Estamos juntos nesta viagem e só juntos e com a ajuda de todos conseguiremos chegar ao nosso destino final, que é o fim desta pandemia do coronavírus. Fique atento ás notícias, ás indicações da Direcção Geral de Saúde e se tem de recorrer aos transportes públcos fique atento ás informações que serão actualizadas no site oficial da Carris. Boas viagens!

[n.d.r.]: Imagem meramente ilustrativa do método a adoptar no âmbito da prevenção ao Covid-19.

sexta-feira, 13 de março de 2020

Carris apresenta novas medidas para fazer face ao COVID-19

Foto: Ana Luísa Alvim / CML
Quando ao início da tarde desta sexta-feira escrevi aqui o post sobre o COVID-19, e sobre o impacto que o mesmo terá no sector dos transportes, ainda não tinham sido apresentadas as medidas por parte da Carris, no que diz respeito à adopção de novos procedimentos com vista a fazer face ao surto víral que tem sido notícia um pouco por todo o mundo e que também tem causado algum receio entre os tripulantes, pelo facto de num transporte público se transportarem milhares de pessoas por dia. 

Contudo, já ao final da tarde os tripulantes da Carris tiveram conhecimento por parte da administração da empresa, através de um comunicado que novas medidas seriam impostas já a partir de segunda-feira e é de louvar tal iniciativa, porque temos de começar por algum lado. Assim, a partir da próxima segunda-feira dia 16 estará suspensa a venda de bilhetes no interior dos autocarros e eléctricos.

Ou seja, quem quiser viajar na Carris terá de comprar antecipadamente um bilhete ou passe geral em pontos de venda estabelecidos, como os instalados nas estações do Metropolitano de Lisboa, para evitar o contacto físico e «a necessidade de manuseamento de dinheiro», a Carris decretou que a partir de agora os motoristas e guarda-freios vão parar em todas as paragens do percurso da sua carreira, independentemente de terem clientes à espera ou não

Segundo noticia do Observador, "a ideia é que partes do autocarro, como o sinal para pedir a paragem do motorista, sejam menos tocadas daqui em diante. Outra medida adoptada passa por «as equipas de fiscalização [dos portadores de bilhetes] passarem a fazê-la à entrada e saída das portas e não no interior».

Também hoje foi demonstrado à comunicação social o procedimento da empresa no que diz respeito à desinfecção dos veículos em que possam ser detectados casos suspeitos e que tenham de recolher à estação. São equipas de intervenção que se juntam em casos extremos à limpeza diária que segundo a Carris está já reforçada com novo contrato celebrado com a IPSS, conforme avança igualmente o Observador através do seu artigo publicado esta noite na plataforma on-line.

Estas medidas estão inseridas num plano de contingência de reacção da Carris ao novo coronovírus, que começou a ser definido há duas semanas e que tem vindo a sofrer alterações com a alteração das medidas de contenção decretadas pelo Governo e pelas autoridades de saúde. Recorde-se que sendo os transportes públicos um meio imprescindível para o funcionamento da cidade, não é logicamente do interesse da Carris ter os seus tripulantes infectados com o Covid-19, pelo que novas medidas poderão ser anunciadas brevemente, porque estamos todos juntos nesta viagem para levar de vencida esta batalha com o Coronavírus e para que possamos minimizar os estragos causados por este surto.

Fontes: Observador / Facebook da CML


COVID-19: A Hora de lutarmos pela nossa sobrevivência

Covid-19! É a palavra na ordem do dia. A palavra que nos preocupa e que obrigatoriamente nos leva a mudar hábitos, por muito que possam custar. É sobretudo a designação para o coronavírus que tem espalhado o medo e o pânico um pouco por todo o Mundo. Foi identificado pela primeira vez em Dezembro de 2019 na China, na cidade de Wuhan. Este novo agente nunca tinha sido identificado anteriormente em seres humanos. A fonte da infecção é ainda desconhecida, estando ainda em investigação a via de transmissão. A transmissão pessoa a pessoa foi confirmada e já existe infecção em vários países e em pessoas que não tinham visitado o mercado de Wuhan. 

Carris
Em Portugal são já mais de 100 os casos confirmados, na altura em que escrevo este post, em casa porque estou de folga. Mas nesta mesma altura, ao mesmo tempo que se aguardam resultados para muitos mais casos suspeitos, estão também nas ruas de Lisboa a circular autocarros e eléctricos, conduzidos por tripulantes, que continuam expostos ao vírus. Ando há semanas a evitar escrever sobre o tema, dado ser um tema delicado, que considero, deve ser debatido e explicado pelos profissionais e agentes competentes. Contudo, não consigo ficar indiferente ao problema e à preocupação que me leva todos os dias a acordar com o receio de enfrentar mais um simples dia de trabalho, sensação esta que considero ser a mesma sentida por todos os meus colegas. 

Contactamos com milhares de pessoas por dia, num entra e sai constante de pessoas, que não sabemos a sua origem, nem se estão ou não, infectadas com Covid-19, porque muito provavelmente nem essas pessoas o sabem também. Vendemos bilhetes a bordo em troca de dinheiro que anda de mão em mão. Respondemos a questões, sobretudo de turistas que teimam em não querer cancelar as suas viagens, talvez porque ainda não mediram o perigo que é este surto. E lidamos com pessoas que continuam em muitos casos a pensar única e exclusivamente no seu próprio umbigo, que parecem nem sequer ouvir as noticias e os conselhos da Direcção Geral de Saúde.

Medidas tomadas em Praga, devido ao Covid-19
Há dois dias, confesso que tive de fazer algo que nunca tinha feito em 13 anos de serviço na condução de um transporte público. Após pedir que os passageiros chegassem o mais possível para a rectaguarda do autocarro, não passando da marca vermelha no chão para  a frente, os mesmos pareciam não estar nem sequer a ligar ao que solicitava. Ao mesmo tempo, na paragem do Cais do Sodré continuavam pessoas do lado de fora a insistir na entrada do autocarro, que estava já com mais de 4 passageiros na zona da porta da entrada à frente da marca vermelha, aquela marca que deveria sempre ser respeitada. Alertei que iria fechar a porta, mas continuaram a ignorar e a forçar a entrada. Tive portanto de ignorar também a vontade de todos em querer entrar e fechar a porta literalmente na cara dos passageiros. Do lado de fora, só não me chamaram Santo ao mesmo tempo que mandavam murros na porta do autocarro. 

Em Bratislava

Por aqui se vê, o respeito pelo próximo. Sabemos da importância do transporte público numa cidade como Lisboa, onde as pessoas têm se deslocar para os seus serviços, quando os mesmos não são imprescindíveis, mas esses mesmos transportes públicos são conduzidos por seres humanos, que também eles estão sujeitos a ser contagiados, se é que muitos já não estão...

E agora pergunta o leitor: Então mas e não foi feito nada para vos proteger? E respondo eu: Não! Foi dado um Kit? Foi, mas esse kit não é de prevenção, mas sim de contenção, porque como o próprio folheto do kit informa que "é para uso exclusivo do próprio no âmbito das suas funções e em caso suspeito...", sendo o mesmo composto por três máscaras cirúrgicas, um par de luvas descartáveis, quatro toalhetes de álcool e dois pacotes de lenços. Mas e a prevenção? Onde estão as medidas de prevenção? Foi anunciado o reforço da limpeza dos veículos diariamente, mas será isso o suficiente? ....

Em Berlim
Empresas congéneres um pouco por toda a Europa, tomaram medidas nos seus meios de transporte, de forma a evitar o contacto próximo com o motorista, casos como os de Bratislava, Morges, Praga, Berlim, Luxemburgo, entre muitos outros mais, limitaram o acesso dos passageiros apenas pelas portas traseiras, barrando o acesso à porta da frente e limitando o espaço da frente com fitas de separação, ao mesmo tempo que suspenderam a venda de bilhetes a bordo. E por cá? Aguardamos... (á hora da escrita deste post ainda não tinham sido tomadas medidas de prevenção para os tripulantes, pelo que se entretanto foram apresentadas, fica desde já o nosso agradecimento).

Sabemos igualmente que muitos poderemos não ser considerados de risco, contudo podemos ser o meio de transmissão do vírus para aqueles que, mais velhos ou mais novos partilham do mesmo espaço que nós em casa. E só por isso já é preocupante. Acho que devemos de uma vez por todas, seguir as palavras que já ontem foram proferidas pelo primeiro-ministro, António Costa: "Esta é uma luta pela nossa sobrevivência!" e por isso mesmo, está na altura da Carris pensar um pouco mais naqueles que são a cara da empresa, naqueles que conduzem milhares de pessoas por dia, e de provar que é capaz uma vez mais de marcar a diferença, por muito tarde que já possa parecer. Já diz o ditado, "mais vale tarde que nunca", porque temos de "prever o pior para esperar o melhor", porque só juntos neste barco em que estamos todos enquanto sociedade, iremos conseguir vencer esta batalha. Não é hora de palavras, é hora de agir! 

No Luxemburgo

Este artigo apresenta algumas imagens das medidas tomadas pelas empresas um pouco por toda a Europa, que poderiam e deviam ser desde já adoptadas pela Carris. Ainda assim, acreditamos ou queremos acreditar que algo estará a ser estudado de forma a prevenir o mais rápido possível quem diariamente continua a ter de conduzir quer seja, autocarros, eléctricos ou elevadores, ou quem está igualmente exposto, nos postos de atendimento e venda, assim como os colegas do apoio às vendas. 

Está na hora de pensarmos primeiro na saúde de todos e depois nas receitas, está na hora de todos juntos vencermos este vírus que se tem revelado forte e cujo os números falam por si. Não basta restringir o desembarque de passageiros dos cruzeiros em Lisboa, quando centenas e centenas desembarcam no Aeroporto de Lisboa sem qualquer tipo de rastreio, estando horas depois a bordo de um eléctrico 15 para Belém, ou num eléctrico 28 no sobe e desce pelas colinas de Lisboa, cidade que está mais vazia, mas ainda assim com muito por fazer para travar esta pandemia. Rezemos então para que tudo se resolva pela melhor forma possível, para travarmos este numero crescente de casos de Covid-19.

E termino com um apelo também aos passageiros. Evitem os transportes lotados, mantenham a margem sanitária com o próximo sempre que possível, evite o contacto com o tripulante e mantenha sempre as mãos limpas e desinfectadas. Siga os conselhos da DGS e não se esqueçam, estamos todos na mesma viagem! 

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