sexta-feira, 13 de março de 2020

Carris apresenta novas medidas para fazer face ao COVID-19

Foto: Ana Luísa Alvim / CML
Quando ao início da tarde desta sexta-feira escrevi aqui o post sobre o COVID-19, e sobre o impacto que o mesmo terá no sector dos transportes, ainda não tinham sido apresentadas as medidas por parte da Carris, no que diz respeito à adopção de novos procedimentos com vista a fazer face ao surto víral que tem sido notícia um pouco por todo o mundo e que também tem causado algum receio entre os tripulantes, pelo facto de num transporte público se transportarem milhares de pessoas por dia. 

Contudo, já ao final da tarde os tripulantes da Carris tiveram conhecimento por parte da administração da empresa, através de um comunicado que novas medidas seriam impostas já a partir de segunda-feira e é de louvar tal iniciativa, porque temos de começar por algum lado. Assim, a partir da próxima segunda-feira dia 16 estará suspensa a venda de bilhetes no interior dos autocarros e eléctricos.

Ou seja, quem quiser viajar na Carris terá de comprar antecipadamente um bilhete ou passe geral em pontos de venda estabelecidos, como os instalados nas estações do Metropolitano de Lisboa, para evitar o contacto físico e «a necessidade de manuseamento de dinheiro», a Carris decretou que a partir de agora os motoristas e guarda-freios vão parar em todas as paragens do percurso da sua carreira, independentemente de terem clientes à espera ou não

Segundo noticia do Observador, "a ideia é que partes do autocarro, como o sinal para pedir a paragem do motorista, sejam menos tocadas daqui em diante. Outra medida adoptada passa por «as equipas de fiscalização [dos portadores de bilhetes] passarem a fazê-la à entrada e saída das portas e não no interior».

Também hoje foi demonstrado à comunicação social o procedimento da empresa no que diz respeito à desinfecção dos veículos em que possam ser detectados casos suspeitos e que tenham de recolher à estação. São equipas de intervenção que se juntam em casos extremos à limpeza diária que segundo a Carris está já reforçada com novo contrato celebrado com a IPSS, conforme avança igualmente o Observador através do seu artigo publicado esta noite na plataforma on-line.

Estas medidas estão inseridas num plano de contingência de reacção da Carris ao novo coronovírus, que começou a ser definido há duas semanas e que tem vindo a sofrer alterações com a alteração das medidas de contenção decretadas pelo Governo e pelas autoridades de saúde. Recorde-se que sendo os transportes públicos um meio imprescindível para o funcionamento da cidade, não é logicamente do interesse da Carris ter os seus tripulantes infectados com o Covid-19, pelo que novas medidas poderão ser anunciadas brevemente, porque estamos todos juntos nesta viagem para levar de vencida esta batalha com o Coronavírus e para que possamos minimizar os estragos causados por este surto.

Fontes: Observador / Facebook da CML


COVID-19: A Hora de lutarmos pela nossa sobrevivência

Covid-19! É a palavra na ordem do dia. A palavra que nos preocupa e que obrigatoriamente nos leva a mudar hábitos, por muito que possam custar. É sobretudo a designação para o coronavírus que tem espalhado o medo e o pânico um pouco por todo o Mundo. Foi identificado pela primeira vez em Dezembro de 2019 na China, na cidade de Wuhan. Este novo agente nunca tinha sido identificado anteriormente em seres humanos. A fonte da infecção é ainda desconhecida, estando ainda em investigação a via de transmissão. A transmissão pessoa a pessoa foi confirmada e já existe infecção em vários países e em pessoas que não tinham visitado o mercado de Wuhan. 

Carris
Em Portugal são já mais de 100 os casos confirmados, na altura em que escrevo este post, em casa porque estou de folga. Mas nesta mesma altura, ao mesmo tempo que se aguardam resultados para muitos mais casos suspeitos, estão também nas ruas de Lisboa a circular autocarros e eléctricos, conduzidos por tripulantes, que continuam expostos ao vírus. Ando há semanas a evitar escrever sobre o tema, dado ser um tema delicado, que considero, deve ser debatido e explicado pelos profissionais e agentes competentes. Contudo, não consigo ficar indiferente ao problema e à preocupação que me leva todos os dias a acordar com o receio de enfrentar mais um simples dia de trabalho, sensação esta que considero ser a mesma sentida por todos os meus colegas. 

Contactamos com milhares de pessoas por dia, num entra e sai constante de pessoas, que não sabemos a sua origem, nem se estão ou não, infectadas com Covid-19, porque muito provavelmente nem essas pessoas o sabem também. Vendemos bilhetes a bordo em troca de dinheiro que anda de mão em mão. Respondemos a questões, sobretudo de turistas que teimam em não querer cancelar as suas viagens, talvez porque ainda não mediram o perigo que é este surto. E lidamos com pessoas que continuam em muitos casos a pensar única e exclusivamente no seu próprio umbigo, que parecem nem sequer ouvir as noticias e os conselhos da Direcção Geral de Saúde.

Medidas tomadas em Praga, devido ao Covid-19
Há dois dias, confesso que tive de fazer algo que nunca tinha feito em 13 anos de serviço na condução de um transporte público. Após pedir que os passageiros chegassem o mais possível para a rectaguarda do autocarro, não passando da marca vermelha no chão para  a frente, os mesmos pareciam não estar nem sequer a ligar ao que solicitava. Ao mesmo tempo, na paragem do Cais do Sodré continuavam pessoas do lado de fora a insistir na entrada do autocarro, que estava já com mais de 4 passageiros na zona da porta da entrada à frente da marca vermelha, aquela marca que deveria sempre ser respeitada. Alertei que iria fechar a porta, mas continuaram a ignorar e a forçar a entrada. Tive portanto de ignorar também a vontade de todos em querer entrar e fechar a porta literalmente na cara dos passageiros. Do lado de fora, só não me chamaram Santo ao mesmo tempo que mandavam murros na porta do autocarro. 

Em Bratislava

Por aqui se vê, o respeito pelo próximo. Sabemos da importância do transporte público numa cidade como Lisboa, onde as pessoas têm se deslocar para os seus serviços, quando os mesmos não são imprescindíveis, mas esses mesmos transportes públicos são conduzidos por seres humanos, que também eles estão sujeitos a ser contagiados, se é que muitos já não estão...

E agora pergunta o leitor: Então mas e não foi feito nada para vos proteger? E respondo eu: Não! Foi dado um Kit? Foi, mas esse kit não é de prevenção, mas sim de contenção, porque como o próprio folheto do kit informa que "é para uso exclusivo do próprio no âmbito das suas funções e em caso suspeito...", sendo o mesmo composto por três máscaras cirúrgicas, um par de luvas descartáveis, quatro toalhetes de álcool e dois pacotes de lenços. Mas e a prevenção? Onde estão as medidas de prevenção? Foi anunciado o reforço da limpeza dos veículos diariamente, mas será isso o suficiente? ....

Em Berlim
Empresas congéneres um pouco por toda a Europa, tomaram medidas nos seus meios de transporte, de forma a evitar o contacto próximo com o motorista, casos como os de Bratislava, Morges, Praga, Berlim, Luxemburgo, entre muitos outros mais, limitaram o acesso dos passageiros apenas pelas portas traseiras, barrando o acesso à porta da frente e limitando o espaço da frente com fitas de separação, ao mesmo tempo que suspenderam a venda de bilhetes a bordo. E por cá? Aguardamos... (á hora da escrita deste post ainda não tinham sido tomadas medidas de prevenção para os tripulantes, pelo que se entretanto foram apresentadas, fica desde já o nosso agradecimento).

Sabemos igualmente que muitos poderemos não ser considerados de risco, contudo podemos ser o meio de transmissão do vírus para aqueles que, mais velhos ou mais novos partilham do mesmo espaço que nós em casa. E só por isso já é preocupante. Acho que devemos de uma vez por todas, seguir as palavras que já ontem foram proferidas pelo primeiro-ministro, António Costa: "Esta é uma luta pela nossa sobrevivência!" e por isso mesmo, está na altura da Carris pensar um pouco mais naqueles que são a cara da empresa, naqueles que conduzem milhares de pessoas por dia, e de provar que é capaz uma vez mais de marcar a diferença, por muito tarde que já possa parecer. Já diz o ditado, "mais vale tarde que nunca", porque temos de "prever o pior para esperar o melhor", porque só juntos neste barco em que estamos todos enquanto sociedade, iremos conseguir vencer esta batalha. Não é hora de palavras, é hora de agir! 

No Luxemburgo

Este artigo apresenta algumas imagens das medidas tomadas pelas empresas um pouco por toda a Europa, que poderiam e deviam ser desde já adoptadas pela Carris. Ainda assim, acreditamos ou queremos acreditar que algo estará a ser estudado de forma a prevenir o mais rápido possível quem diariamente continua a ter de conduzir quer seja, autocarros, eléctricos ou elevadores, ou quem está igualmente exposto, nos postos de atendimento e venda, assim como os colegas do apoio às vendas. 

Está na hora de pensarmos primeiro na saúde de todos e depois nas receitas, está na hora de todos juntos vencermos este vírus que se tem revelado forte e cujo os números falam por si. Não basta restringir o desembarque de passageiros dos cruzeiros em Lisboa, quando centenas e centenas desembarcam no Aeroporto de Lisboa sem qualquer tipo de rastreio, estando horas depois a bordo de um eléctrico 15 para Belém, ou num eléctrico 28 no sobe e desce pelas colinas de Lisboa, cidade que está mais vazia, mas ainda assim com muito por fazer para travar esta pandemia. Rezemos então para que tudo se resolva pela melhor forma possível, para travarmos este numero crescente de casos de Covid-19.

E termino com um apelo também aos passageiros. Evitem os transportes lotados, mantenham a margem sanitária com o próximo sempre que possível, evite o contacto com o tripulante e mantenha sempre as mãos limpas e desinfectadas. Siga os conselhos da DGS e não se esqueçam, estamos todos na mesma viagem! 

quarta-feira, 11 de março de 2020

A Carris a criar bom ambiente com a primeira carreira de autocarros eléctricos...

O dia 11 de Março de 2020, passa a constar na história da Carris e da cidade de Lisboa. Marca a inauguração da primeira carreira de autocarros, feita por veículos mais amigos do ambiente, ou seja, 100% eléctricos que já circulavam aos fins-de-semana numa fase de testes e que a partir de hoje circulam diariamente na carreira 706 que circula entre o Cais do Sodré e a Estação de Santa Apolónia. 

A empresa portuguesa Caetano Bus, do Grupo Salvador Caetano, foi a vencedora do concurso público para a produção dos autocarros que são 100% eléctricos, têm 12 metros de comprimento e capacidade para 71 passageiros: 36 lugares sentados, 36 de pé e 1 para pessoas com mobilidade reduzida que têm direito a uma rampa eléctrica para subirem a bordo. Estes novos autocarros são mais um passo que levará a Carris a uma total descarbonização até 2040.

Os novos e-city gold da Caetano estão equipados com baterias de última geração, o que permite a redução de custos em energia e manutenção. A autonomia dos novos autocarros é de 170km e irão percorrer uma média de 150km por dia na linha 706. O tempo de carregamento é de cinco horas. Estes novos autocarros não emitem poluentes atmosféricos e são silenciosos, contribuindo também para a diminuição da poluição sonora na cidade. Segundo a Carris, “cada quilómetro percorrido com os novos autocarros eléctricos evita a emissão de 1,5kg de CO2”.
Presente na cerimónia de apresentação da primeira carreira com autocarros eléctricos, o presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina, disse mesmo que este é  “um passo essencial na qualificação do transporte público”.
À margem da apresentação dos autocarros eléctricos, o presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina abordou ainda as medidas preventivas em vigor na Carris por causa do Covid-19. Medina revelou que foram alterados os protocolos de limpeza dos autocarros, que passaram a ser “limpos diariamente com reagentes próprio, mais na base do álcool, com particular relevância para todas as superfícies de contacto”. Foi também alterado o protocolo de circulação: ou seja, qualquer autocarro onde haja suspeita de casos do coronavírus deve regressar à base para ser limpo e só depois voltará à circulação.
Desejamos assim umas boas viagens, agora mais amigas do ambiente, a bordo dos novos autocarros da CCFL.

terça-feira, 10 de março de 2020

COVID-19: Há quanto tempo não viajava no 28E sem ser em modo "sardinha em lata"?

Com mais de 40 casos confirmados em Portugal e mais de 600 em vigilância, o Covid-19 parece ter chegado para dominar os temas de conversa, as notícias e a própria cidade. A DGS (Direcção Geral de Saúde) tem vindo a alertar os cidadãos sobre as medidas de prevenção a adoptar em caso de sintomas deste novo Coronavírus e muitas têm sido também, as viagens canceladas no tráfego aéreo, sobretudo para os países onde o surto se faz sentir com maior intensidade como o caso de Itália. Por cá já começou a corrida aos desinfectantes e frascos de álcool e começa aos poucos as corridas aos supermercados depois do pânico instalado através dos meios de comunicação social. 

Em Lisboa o Covid-19 também já se vai fazendo sentir, sobretudo na sua única vantagem que é a de permitir que se viaje de eléctrico sem estar apinhado de turistas. Mas eles desapareceram e já não visitam Lisboa? Não, mas nos últimos dois dias estive de serviço na carreira 28E e nota-se uma diferença significativa na procura. As longas filas na paragem do Martim Moniz dão agora lugar a filas de 10 a 20 pessoas em grande parte do dia, sendo que por vezes ainda aparecem picos de gente. Ainda assim e ao longo de todo o trajecto, são poucas as paragens com turistas que procuram normalmente este meio de transporte para conhecer Lisboa. E assim sendo, os eléctricos cheios em modo "sardinha em lata" dão agora lugar a eléctricos com lugares sentados e vistas desafogadas sobre as janelas que vão cruzando o casario de Alfama.

O Coronavírus é assim, tema de conversa entre passageiros habituais e colegas e isto no dia em que a Câmara Municipal de Lisboa, apresentou medidas temporárias para reduzir riscos de exposição e contágio Covid-19.

Diz a comunicação da câmara que:
"Na sequência do Plano Nacional de Preparação e Resposta à Doença por novo Coronavírus (Covid-19) e das orientações da Direção-Geral da Saúde para diminuir a evolução epidemiológica, a CML tomou as seguintes medidas temporárias:

- Encerramento das piscinas geridas pelo Município e Juntas de Freguesia;
- Encerramento dos Museus, Galerias e Bibliotecas Municipais;
- Encerramento dos Teatros Municipais (São Luiz, LuCa e Teatro do Bairro Alto), do Padrão dos Descobrimentos e Cinema São Jorge;
- Suspensão de todas as atividades desportivas promovidas pelo Município em recinto fechado (nomeadamente, as Olisipíadas);
- Suspensão de todas as visitas de lazer, turismo ou de âmbito cultural promovidas pelo Município;
- Suspensão das atividades complementares à ação educativa do tipo visitas de estudo e passeios promovidas pelo Município ou com recurso ao serviço de transportes da CML;
- Manter, por enquanto, em funcionamento feiras e mercados, reforçando as ações de formação e prevenção já em curso;
- Promover com cada Junta de Freguesia a avaliação de cada iniciativa concreta que se encontre programada;
- Mantêm-se em funcionamento regular todos os serviços de atendimento ao munícipe, assim como os parques e jardins de gestão municipal. O Castelo de São Jorge mantém-se aberto ao público.

Estas medidas estão sujeitas a avaliação permanente, definindo-se para já a sua vigência a partir de amanhã, dia 11 de março, e até ao próximo dia 3 de abril."

Ora, constata-se portanto que para já a Carris não está inserida neste plano, embora sejam um grupo de risco dado o contacto com diversos passageiros das mais variadas origens geográficas. 

Assim sendo, o Covid-19 tem permitido algum "descanso" dentro da habitual confusão que é andar num eléctrico constantemente apinhado de turistas e até os passageiros locais acabam por soltar um "bendito Corona, que já estou farta de andar em sardinha em lata...", ou "isto agora é uma maravilha... ou não." usando certamente a ironia da questão porque até estranham entrar a meio do trajecto e ter um lugar para sentar e à janela. Ou seja, depois das inúmeras imagens que mostram filas intermináveis à espera do 28, que se tornaram virais, vem agora o vírus, ou o medo que têm dele, afastar os turistas daquele que é o mais procurado eléctrico do Mundo. As ruas de Lisboa também estão mais vazias e já se vêm muitas máscaras nos rostos dos transeuntes. 
Ainda assim deseja-se que este surto seja dominado o mais rapidamente possível, assim como a recuperação de todos os casos confirmados, de forma a que todos possamos voltar à normalidade. Desejamos então umas boas viagens a bordo dos veículos da CCFL, que hoje mesmo, segundo fonte da Carris adiantou à Agência Lusa, a empresa sob alçada da Câmara de Lisboa, elaborou um plano de contingência que prevê “medidas ao nível da limpeza reforçada dos veículos, com especial atenção às superfícies mais tocadas, como os corrimãos das portas, as pegas do interior, o contorno superior dos bancos e o contorno do habitáculo do tripulante, e a desinfecção em situações de caso suspeito a bordo”. 
De acordo com a empresa, irá ser entregue a “todos os tripulantes” um 'kit' composto por máscara, lenços, toalhitas com base de álcool e luvas, para ser utilizado “apenas em casos de suspeição de sintomas do próprio tripulante ou de clientes a bordo”Foi elaborado ainda um plano de acção no que diz respeito à operação da Carris, nomeadamente na comunicação de sintomas por parte de tripulantes ou de clientes que viajem dentro dos equipamentos, que inclui a recolha da viatura para desinfecção.


quarta-feira, 4 de março de 2020

Sabia que "Eléctrico", em checo é "Tramvaj"? Hoje apresento-vos os nossos eléctricos em checo

Ao longo dos 13 anos de Carris, já foram muitas as histórias e peripécias, alegrias e por vezes tristezas. Conduzir um transporte público em Lisboa tem tanto de excepcional, como de decepcionante. Se abrimos a porta para entrar mais um passageiro, somos "um anjo", se dizemos que não por questões de segurança, já somos "um diabo". Trabalhamos num constante vai e vem pelas ruas onde o trânsito cada vez menos, respeita o transporte público, embora as políticas da câmara queiram contrariar essa linha, ou não fosse Lisboa a capital verde europeia 2020.

Contudo conduzir um eléctrico em Lisboa é algo realmente fascinante. Contactamos com todas as culturas porque na verdade temos dos eléctricos mais procurados do Mundo e de há algum tempo a esta parte, aliando a minha paixão pela Carris à paixão pela República Checa, tenho tido o prazer de transportar alguns grupos de turistas que visitam Lisboa através da agência Rady na Cestu com o António Pedro Nobre a mostrar-lhes os recantos mais pitorescos e os locais mais característicos da capital aos olhos de um português, para que também os checos se sintam em Lisboa como se estivessem em casa. 

No âmbito dessa visitas fui convidado no ano passado a participar num video sobre a cidade, realizado pela referida agência de viagens, onde pus em prática um pouco do checo que aprendi na faculdade de letras da universidade de Lisboa. Confesso que é mais fácil conduzir um eléctrico que falar checo, mas ambas me dão um prazer enorme, ora veja... 


Na verdade os nossos eléctricos, são muito mais que um transporte público. São uma atracção turística como nos mostra o António Pedro Nobre neste video.

Boas viagens a bordo dos veículos da CCFL!

sábado, 22 de fevereiro de 2020

Mais uma viagem, mais uma interrupção: Um "grande" carro para um condutor tão "pequeno"

Certamente que já teve alguma vez conhecimento de uma interrupção de serviço devido a carros mal estacionados, nomeadamente no serviço de eléctricos, quer seja através das notícias vindas a público, quer seja por viajar de eléctrico ou até mesmo através deste blogue. Na verdade, a Câmara Municipal  de Lisboa em cooperação com a EMEL, tem tentado colmatar este problema na cidade, contudo a falta de civismo ultrapassa a escala e torna-se complicado responder a todas as ocorrências. Só em 2019, a Carris perdeu 743 horas de serviço, devido a carros mal estacionados ou parados em segunda fila. "São só cinco minutos".... aqui, mais cinco ali e acolá.

Contudo, não adiantam as campanhas levadas a cabo pela autarquia quer através de mupis publicitários nas ruas, quer através das redes sociais, porque o condutor pensa cada vez mais, única e exclusivamente no seu umbigo. Hoje na carreira 24E o dia de serviço estava prestes a ser diferente de tantos outros. Saí da estação às 06h58 para realizar serviço entre o L.Camões e Campolide e tudo parecia correr fora da "normalidade" para uma carreira que costuma ter algumas interrupções. Na verdade ao fim de 6 horas não tinha tido nenhuma interrupção e pouco mais de uma hora faltava para concluir mais um dia de trabalho. 

Até que... a 45 minutos de ser rendido no Largo do Camões por um colega que continuasse assim o serviço da carreira na parte da tarde, eis que na viagem anterior com destino a Campolide na chegada às Amoreiras, avisto ao longe um carro com a frente saída que através do meu azimute apurado, logo me fez crer que dali não iria passar. E confirmou-se! 

Aproximei-me da paragem na Av. Conselheiro Fernando Sousa e constatei que o grande Tesla, também eléctrico e dotado de sensores e tecnologia por todos os lados, impossibilitava a passagem do eléctrico rumo ao seu destino que era Campolide. Toquei à campainha para ver se o condutor estaria por perto, mas sem êxito. Os passageiros que seguiam a bordo, seguiram o resto do trajecto a pé enquanto dei conta da interrupção à Central de Comando de Tráfego da Carris, a fim de ser accionado o reboque. 

A verdade é que nunca esperei o desfecho que viria a ter, muito embora já calculasse que não iria terminar o meu dia de trabalho, na hora prevista. A polícia Municipal até foi rápida a chegar ao local com o reboque. Diria que não tardaram mais que 20 minutos, contudo a reacção dos agentes à chegada foi logo esclarecedora. Era impossível retirar o Tesla do local, não só pelas suas dimensões e peso, mas acima de tudo porque parecia ter sido ali estacionado tipo rolha de cortiça. Pressionado entre o abrigo da paragem e o carro de trás. O condutor, ao contrário do próprio carro, não estará certamente dotado de inteligência, respeito e acima de tudo, civismo. 

O reboque tentou levantar o carro para o puxar para dentro, mas ele nem mexia. A boa vontade dos agentes da Polícia Municipal para tentar remediar a situação, não foi suficiente, e restou apenas chamar os colegas dos bloqueadores para bloquear o veículo. Quanto aos eléctricos, aqueles que circulam sobre carris e que são o transporte público de muita gente, tiveram de ficar parados. A carreira 24E ficou assim temporariamente suspensa devido ao comodismo e à falta de civismo de quem quis colocar "o rossio na rua da betesga". Restava então aguardar a chegada do proprietário. 

Não sei quanto tempo permaneceram os eléctricos parados, o certo é que eu saí do local já bem perto das 15h quando fui rendido e tudo permanecia igual desde o momento a que ali tinha chegado, ás 13h31. Assim, ficaram muitos passageiros impedidos de usar a carreira 24E, muitos turistas privados de usar o eléctrico, e eu que devia ter terminado o meu dia no Largo do Camões ás 14h11, saí muito depois dessa hora e nas Amoreiras. Todos prejudicados porque a falta de civismo continua a imperar nas ruas de Lisboa, onde há cada vez menos respeito pelo transporte público.  

Resta agradecer o esforço, ainda que inglório dos agentes da Polícia Municipal que, com os meios disponíveis tentaram o melhor, ainda que o melhor tenha sido insuficiente para resolver rapidamente a interrupção do serviço.

Boas Viagens a bordo dos veículos da CCFL.


#Nãopenseapenasnoseuumbigo #faltaderespeito #faltadecivismo #mauestacionamento #menoscarrosmaiscarris

sábado, 11 de janeiro de 2020

Um dia na 15E em modo 500 metros de barreiras devido ao mau estacionamento

Sem fato de treino mas de camisa e gravata pronto para mais um dia de 500 metros barreiras, como que se de uma prova de atletismo se tratasse. Depois de uns longos 5 meses em modo borracha no transbordo da 15E, voltei aos comandos dos eléctricos na versão ferro ao longo das calhas do 15E entre a Praça da Figueira e Algés e hoje foi daqueles dias em que o condutor de fim de semana sai à rua e não sabe se vai para a esquerda ou para a direita, mas também daqueles que não sabem estacionar o que se limitam a pensar única e exclusivamente no seu próprio umbigo.

Depois claro que o eléctrico não consegue cumprir o horário e de quem é a culpa? Não não é do motorista, como é costume, mas é do guarda-freio, ou não fosse esse o nome dado a quem conduz o eléctrico. Rua dos Fanqueiros com destino a Algés e eis que avisto uma traseira fora do limite do estacionamento reservado a cargas e descargas. Aproximo-me do carro em questão, e verifico que de facto não consigo prosseguir a marcha do eléctrico. Toco a campainha duas vezes de forma prolongada tentando avistar um automobilista afoito a sair de alguma das lojas das redondezas mas sem êxito. Num instante surge a polícia municipal para accionar o reboque.

Contudo no interior do carro estava a esposa do condutor que de imediato após ver a presença do agente, ligou ao marido que veio numa corrida como se não houvesse amanhã, chegando já sem respiração suficiente para poder pedir desculpa. Meteu-se no carro e chegou o mesmo à frente, eu prossegui viagem e o agente ficou à conversa com o condutor. 

Na mesma viagem mais uma paragem, desta feita na Rua de Pedrouços. Um carro afastado do passeio, impossibilita a passagem do eléctrico. Informo os passageiros que tomam outras alternativas para chegar a Algés e dou a ocorrência à Central Comando de Tráfego da Carris para que fosse accionado o reboque. Passaram 10...20...30...40... minutos e eis que aos 45 minutos aparece de forma tranquila um senhor e dois jovens que de forma descontraída questionou-me se "não passa por causa do meu carro? peço imensa desculpa mas nem reparei que passava o eléctrico..." Digo-lhe que já ali estava há mais de 40 minutos, que já tinha accionado o reboque e que já todos os passageiros que seguiam a bordo tinham-se sentido lesados pela interrupção do estacionamento indevido em lugar proibido. "Pois tem toda a razão, foi o tempo que tive ali numas gravações, mas não foi por mal..." Pois não, foi por não cumprir o código da estrada.

E assim terminou o dia, a terminar o meu serviço já após da hora prevista devido a estas interrupções, que não só acabam por lesar quem viaja no transporte público, como neste caso, também quem o conduz que tem uma família em casa à espera... Até quando teremos esta selva no trânsito de Lisboa, que é cada vez mais um salve-se quem puder?  

terça-feira, 7 de janeiro de 2020

Uma viagem de sonho com a radynacestu.cz a bordo da Carris para dar a conhecer Lisboa

E se viajasse por essa Europa fora entrasse num transporte público e o condutor falasse português? Certamente que gostaria do acolhimento e da simpatia. É isso mesmo que a agência de viagens checa "rady na cestu" pretende fazer com os seus clientes, ou seja que em Portugal, se sintam em casa mas acima de tudo que conheçam as cidades e a cultura de forma descontraída e através de um guia local. Há uns anos a esta parte, muito por culpa do eléctrico amarelo da Carris, tive o prazer de conhecer o António Pedro Nobre, um português a viver há alguns anos da República Checa, que domina já por completo o dialecto checo, algo que invejo no bom sentido.

Trocámos umas ideias após a publicação de um vídeo da agência de viagens onde aparecia o 28E conduzido por mim, e daí nasceu uma amizade. Sabendo da minha paixão pela República Checa e tendo conhecimento que também eu andei a aprender o checo em Lisboa, com o objectivo de tentar falar tão fluente quanto ele - algo quase impossível - quando não se pratica diariamente e quando o tempo para estudar é quase nulo, surgiu a ideia de quando cá vem a Lisboa com grupos de checos, tentar apanhar o meu eléctrico para praticar assim um pouco a língua daquele país conhecido por ser o coração da Europa. 

Assim, os checos acabaram por diversas vezes por ser surpreendidos com um guarda-freio a falar checo sobre o funcionamento do mesmo, ou por ter escrito um livro sobre os eléctricos de Lisboa e Praga através das viagens de eléctrico. Foi também por isso que fui convidado a participar numa comédia produzida pela "Rady na cestu" com o objectivo de mostrar as vantagens que é viajar com a agência de viagens em causa. Um excelente trabalho que é agora publicado no youtube, através de um casal que pretende comemorar o aniversário do casamento. Ambos querem viajar e se o marido opta por reservar tudo online a título individual, já Pavlina - a esposa - opta por contactar a radynacestu.cz

Ele tem uma viagem atribulada e ela desfruta do melhor que há em Lisboa, como se de uma viagem de sonho se tratasse. Com o típico humor checo à mistura, esta comédia mostra então que tudo se torna mais fácil quando somos acompanhados por um guia local. Ele não consegue entrar no eléctrico porque está cheio, mas ela desfruta da viagem em grupo porque o guia sabe onde entrar no eléctrico vazio. Ele dorme num corredor de um hostel e ela desfruta de uma noite num requintado hotel, mas há muito mais... 

Uma comédia em checo, que ainda assim vale a pena ser vista pelas imagens recolhidas na nossa cidade, porque acredito que não entenda muito de checo. Uma curta-metragem em que gostei de participar, tornando assim um dia diferente a bordo dos eléctricos da Carris.

  

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