terça-feira, 10 de março de 2020

COVID-19: Há quanto tempo não viajava no 28E sem ser em modo "sardinha em lata"?

Com mais de 40 casos confirmados em Portugal e mais de 600 em vigilância, o Covid-19 parece ter chegado para dominar os temas de conversa, as notícias e a própria cidade. A DGS (Direcção Geral de Saúde) tem vindo a alertar os cidadãos sobre as medidas de prevenção a adoptar em caso de sintomas deste novo Coronavírus e muitas têm sido também, as viagens canceladas no tráfego aéreo, sobretudo para os países onde o surto se faz sentir com maior intensidade como o caso de Itália. Por cá já começou a corrida aos desinfectantes e frascos de álcool e começa aos poucos as corridas aos supermercados depois do pânico instalado através dos meios de comunicação social. 

Em Lisboa o Covid-19 também já se vai fazendo sentir, sobretudo na sua única vantagem que é a de permitir que se viaje de eléctrico sem estar apinhado de turistas. Mas eles desapareceram e já não visitam Lisboa? Não, mas nos últimos dois dias estive de serviço na carreira 28E e nota-se uma diferença significativa na procura. As longas filas na paragem do Martim Moniz dão agora lugar a filas de 10 a 20 pessoas em grande parte do dia, sendo que por vezes ainda aparecem picos de gente. Ainda assim e ao longo de todo o trajecto, são poucas as paragens com turistas que procuram normalmente este meio de transporte para conhecer Lisboa. E assim sendo, os eléctricos cheios em modo "sardinha em lata" dão agora lugar a eléctricos com lugares sentados e vistas desafogadas sobre as janelas que vão cruzando o casario de Alfama.

O Coronavírus é assim, tema de conversa entre passageiros habituais e colegas e isto no dia em que a Câmara Municipal de Lisboa, apresentou medidas temporárias para reduzir riscos de exposição e contágio Covid-19.

Diz a comunicação da câmara que:
"Na sequência do Plano Nacional de Preparação e Resposta à Doença por novo Coronavírus (Covid-19) e das orientações da Direção-Geral da Saúde para diminuir a evolução epidemiológica, a CML tomou as seguintes medidas temporárias:

- Encerramento das piscinas geridas pelo Município e Juntas de Freguesia;
- Encerramento dos Museus, Galerias e Bibliotecas Municipais;
- Encerramento dos Teatros Municipais (São Luiz, LuCa e Teatro do Bairro Alto), do Padrão dos Descobrimentos e Cinema São Jorge;
- Suspensão de todas as atividades desportivas promovidas pelo Município em recinto fechado (nomeadamente, as Olisipíadas);
- Suspensão de todas as visitas de lazer, turismo ou de âmbito cultural promovidas pelo Município;
- Suspensão das atividades complementares à ação educativa do tipo visitas de estudo e passeios promovidas pelo Município ou com recurso ao serviço de transportes da CML;
- Manter, por enquanto, em funcionamento feiras e mercados, reforçando as ações de formação e prevenção já em curso;
- Promover com cada Junta de Freguesia a avaliação de cada iniciativa concreta que se encontre programada;
- Mantêm-se em funcionamento regular todos os serviços de atendimento ao munícipe, assim como os parques e jardins de gestão municipal. O Castelo de São Jorge mantém-se aberto ao público.

Estas medidas estão sujeitas a avaliação permanente, definindo-se para já a sua vigência a partir de amanhã, dia 11 de março, e até ao próximo dia 3 de abril."

Ora, constata-se portanto que para já a Carris não está inserida neste plano, embora sejam um grupo de risco dado o contacto com diversos passageiros das mais variadas origens geográficas. 

Assim sendo, o Covid-19 tem permitido algum "descanso" dentro da habitual confusão que é andar num eléctrico constantemente apinhado de turistas e até os passageiros locais acabam por soltar um "bendito Corona, que já estou farta de andar em sardinha em lata...", ou "isto agora é uma maravilha... ou não." usando certamente a ironia da questão porque até estranham entrar a meio do trajecto e ter um lugar para sentar e à janela. Ou seja, depois das inúmeras imagens que mostram filas intermináveis à espera do 28, que se tornaram virais, vem agora o vírus, ou o medo que têm dele, afastar os turistas daquele que é o mais procurado eléctrico do Mundo. As ruas de Lisboa também estão mais vazias e já se vêm muitas máscaras nos rostos dos transeuntes. 
Ainda assim deseja-se que este surto seja dominado o mais rapidamente possível, assim como a recuperação de todos os casos confirmados, de forma a que todos possamos voltar à normalidade. Desejamos então umas boas viagens a bordo dos veículos da CCFL, que hoje mesmo, segundo fonte da Carris adiantou à Agência Lusa, a empresa sob alçada da Câmara de Lisboa, elaborou um plano de contingência que prevê “medidas ao nível da limpeza reforçada dos veículos, com especial atenção às superfícies mais tocadas, como os corrimãos das portas, as pegas do interior, o contorno superior dos bancos e o contorno do habitáculo do tripulante, e a desinfecção em situações de caso suspeito a bordo”. 
De acordo com a empresa, irá ser entregue a “todos os tripulantes” um 'kit' composto por máscara, lenços, toalhitas com base de álcool e luvas, para ser utilizado “apenas em casos de suspeição de sintomas do próprio tripulante ou de clientes a bordo”Foi elaborado ainda um plano de acção no que diz respeito à operação da Carris, nomeadamente na comunicação de sintomas por parte de tripulantes ou de clientes que viajem dentro dos equipamentos, que inclui a recolha da viatura para desinfecção.


quarta-feira, 4 de março de 2020

Sabia que "Eléctrico", em checo é "Tramvaj"? Hoje apresento-vos os nossos eléctricos em checo

Ao longo dos 13 anos de Carris, já foram muitas as histórias e peripécias, alegrias e por vezes tristezas. Conduzir um transporte público em Lisboa tem tanto de excepcional, como de decepcionante. Se abrimos a porta para entrar mais um passageiro, somos "um anjo", se dizemos que não por questões de segurança, já somos "um diabo". Trabalhamos num constante vai e vem pelas ruas onde o trânsito cada vez menos, respeita o transporte público, embora as políticas da câmara queiram contrariar essa linha, ou não fosse Lisboa a capital verde europeia 2020.

Contudo conduzir um eléctrico em Lisboa é algo realmente fascinante. Contactamos com todas as culturas porque na verdade temos dos eléctricos mais procurados do Mundo e de há algum tempo a esta parte, aliando a minha paixão pela Carris à paixão pela República Checa, tenho tido o prazer de transportar alguns grupos de turistas que visitam Lisboa através da agência Rady na Cestu com o António Pedro Nobre a mostrar-lhes os recantos mais pitorescos e os locais mais característicos da capital aos olhos de um português, para que também os checos se sintam em Lisboa como se estivessem em casa. 

No âmbito dessa visitas fui convidado no ano passado a participar num video sobre a cidade, realizado pela referida agência de viagens, onde pus em prática um pouco do checo que aprendi na faculdade de letras da universidade de Lisboa. Confesso que é mais fácil conduzir um eléctrico que falar checo, mas ambas me dão um prazer enorme, ora veja... 


Na verdade os nossos eléctricos, são muito mais que um transporte público. São uma atracção turística como nos mostra o António Pedro Nobre neste video.

Boas viagens a bordo dos veículos da CCFL!

sábado, 22 de fevereiro de 2020

Mais uma viagem, mais uma interrupção: Um "grande" carro para um condutor tão "pequeno"

Certamente que já teve alguma vez conhecimento de uma interrupção de serviço devido a carros mal estacionados, nomeadamente no serviço de eléctricos, quer seja através das notícias vindas a público, quer seja por viajar de eléctrico ou até mesmo através deste blogue. Na verdade, a Câmara Municipal  de Lisboa em cooperação com a EMEL, tem tentado colmatar este problema na cidade, contudo a falta de civismo ultrapassa a escala e torna-se complicado responder a todas as ocorrências. Só em 2019, a Carris perdeu 743 horas de serviço, devido a carros mal estacionados ou parados em segunda fila. "São só cinco minutos".... aqui, mais cinco ali e acolá.

Contudo, não adiantam as campanhas levadas a cabo pela autarquia quer através de mupis publicitários nas ruas, quer através das redes sociais, porque o condutor pensa cada vez mais, única e exclusivamente no seu umbigo. Hoje na carreira 24E o dia de serviço estava prestes a ser diferente de tantos outros. Saí da estação às 06h58 para realizar serviço entre o L.Camões e Campolide e tudo parecia correr fora da "normalidade" para uma carreira que costuma ter algumas interrupções. Na verdade ao fim de 6 horas não tinha tido nenhuma interrupção e pouco mais de uma hora faltava para concluir mais um dia de trabalho. 

Até que... a 45 minutos de ser rendido no Largo do Camões por um colega que continuasse assim o serviço da carreira na parte da tarde, eis que na viagem anterior com destino a Campolide na chegada às Amoreiras, avisto ao longe um carro com a frente saída que através do meu azimute apurado, logo me fez crer que dali não iria passar. E confirmou-se! 

Aproximei-me da paragem na Av. Conselheiro Fernando Sousa e constatei que o grande Tesla, também eléctrico e dotado de sensores e tecnologia por todos os lados, impossibilitava a passagem do eléctrico rumo ao seu destino que era Campolide. Toquei à campainha para ver se o condutor estaria por perto, mas sem êxito. Os passageiros que seguiam a bordo, seguiram o resto do trajecto a pé enquanto dei conta da interrupção à Central de Comando de Tráfego da Carris, a fim de ser accionado o reboque. 

A verdade é que nunca esperei o desfecho que viria a ter, muito embora já calculasse que não iria terminar o meu dia de trabalho, na hora prevista. A polícia Municipal até foi rápida a chegar ao local com o reboque. Diria que não tardaram mais que 20 minutos, contudo a reacção dos agentes à chegada foi logo esclarecedora. Era impossível retirar o Tesla do local, não só pelas suas dimensões e peso, mas acima de tudo porque parecia ter sido ali estacionado tipo rolha de cortiça. Pressionado entre o abrigo da paragem e o carro de trás. O condutor, ao contrário do próprio carro, não estará certamente dotado de inteligência, respeito e acima de tudo, civismo. 

O reboque tentou levantar o carro para o puxar para dentro, mas ele nem mexia. A boa vontade dos agentes da Polícia Municipal para tentar remediar a situação, não foi suficiente, e restou apenas chamar os colegas dos bloqueadores para bloquear o veículo. Quanto aos eléctricos, aqueles que circulam sobre carris e que são o transporte público de muita gente, tiveram de ficar parados. A carreira 24E ficou assim temporariamente suspensa devido ao comodismo e à falta de civismo de quem quis colocar "o rossio na rua da betesga". Restava então aguardar a chegada do proprietário. 

Não sei quanto tempo permaneceram os eléctricos parados, o certo é que eu saí do local já bem perto das 15h quando fui rendido e tudo permanecia igual desde o momento a que ali tinha chegado, ás 13h31. Assim, ficaram muitos passageiros impedidos de usar a carreira 24E, muitos turistas privados de usar o eléctrico, e eu que devia ter terminado o meu dia no Largo do Camões ás 14h11, saí muito depois dessa hora e nas Amoreiras. Todos prejudicados porque a falta de civismo continua a imperar nas ruas de Lisboa, onde há cada vez menos respeito pelo transporte público.  

Resta agradecer o esforço, ainda que inglório dos agentes da Polícia Municipal que, com os meios disponíveis tentaram o melhor, ainda que o melhor tenha sido insuficiente para resolver rapidamente a interrupção do serviço.

Boas Viagens a bordo dos veículos da CCFL.


#Nãopenseapenasnoseuumbigo #faltaderespeito #faltadecivismo #mauestacionamento #menoscarrosmaiscarris

sábado, 11 de janeiro de 2020

Um dia na 15E em modo 500 metros de barreiras devido ao mau estacionamento

Sem fato de treino mas de camisa e gravata pronto para mais um dia de 500 metros barreiras, como que se de uma prova de atletismo se tratasse. Depois de uns longos 5 meses em modo borracha no transbordo da 15E, voltei aos comandos dos eléctricos na versão ferro ao longo das calhas do 15E entre a Praça da Figueira e Algés e hoje foi daqueles dias em que o condutor de fim de semana sai à rua e não sabe se vai para a esquerda ou para a direita, mas também daqueles que não sabem estacionar o que se limitam a pensar única e exclusivamente no seu próprio umbigo.

Depois claro que o eléctrico não consegue cumprir o horário e de quem é a culpa? Não não é do motorista, como é costume, mas é do guarda-freio, ou não fosse esse o nome dado a quem conduz o eléctrico. Rua dos Fanqueiros com destino a Algés e eis que avisto uma traseira fora do limite do estacionamento reservado a cargas e descargas. Aproximo-me do carro em questão, e verifico que de facto não consigo prosseguir a marcha do eléctrico. Toco a campainha duas vezes de forma prolongada tentando avistar um automobilista afoito a sair de alguma das lojas das redondezas mas sem êxito. Num instante surge a polícia municipal para accionar o reboque.

Contudo no interior do carro estava a esposa do condutor que de imediato após ver a presença do agente, ligou ao marido que veio numa corrida como se não houvesse amanhã, chegando já sem respiração suficiente para poder pedir desculpa. Meteu-se no carro e chegou o mesmo à frente, eu prossegui viagem e o agente ficou à conversa com o condutor. 

Na mesma viagem mais uma paragem, desta feita na Rua de Pedrouços. Um carro afastado do passeio, impossibilita a passagem do eléctrico. Informo os passageiros que tomam outras alternativas para chegar a Algés e dou a ocorrência à Central Comando de Tráfego da Carris para que fosse accionado o reboque. Passaram 10...20...30...40... minutos e eis que aos 45 minutos aparece de forma tranquila um senhor e dois jovens que de forma descontraída questionou-me se "não passa por causa do meu carro? peço imensa desculpa mas nem reparei que passava o eléctrico..." Digo-lhe que já ali estava há mais de 40 minutos, que já tinha accionado o reboque e que já todos os passageiros que seguiam a bordo tinham-se sentido lesados pela interrupção do estacionamento indevido em lugar proibido. "Pois tem toda a razão, foi o tempo que tive ali numas gravações, mas não foi por mal..." Pois não, foi por não cumprir o código da estrada.

E assim terminou o dia, a terminar o meu serviço já após da hora prevista devido a estas interrupções, que não só acabam por lesar quem viaja no transporte público, como neste caso, também quem o conduz que tem uma família em casa à espera... Até quando teremos esta selva no trânsito de Lisboa, que é cada vez mais um salve-se quem puder?  

terça-feira, 7 de janeiro de 2020

Uma viagem de sonho com a radynacestu.cz a bordo da Carris para dar a conhecer Lisboa

E se viajasse por essa Europa fora entrasse num transporte público e o condutor falasse português? Certamente que gostaria do acolhimento e da simpatia. É isso mesmo que a agência de viagens checa "rady na cestu" pretende fazer com os seus clientes, ou seja que em Portugal, se sintam em casa mas acima de tudo que conheçam as cidades e a cultura de forma descontraída e através de um guia local. Há uns anos a esta parte, muito por culpa do eléctrico amarelo da Carris, tive o prazer de conhecer o António Pedro Nobre, um português a viver há alguns anos da República Checa, que domina já por completo o dialecto checo, algo que invejo no bom sentido.

Trocámos umas ideias após a publicação de um vídeo da agência de viagens onde aparecia o 28E conduzido por mim, e daí nasceu uma amizade. Sabendo da minha paixão pela República Checa e tendo conhecimento que também eu andei a aprender o checo em Lisboa, com o objectivo de tentar falar tão fluente quanto ele - algo quase impossível - quando não se pratica diariamente e quando o tempo para estudar é quase nulo, surgiu a ideia de quando cá vem a Lisboa com grupos de checos, tentar apanhar o meu eléctrico para praticar assim um pouco a língua daquele país conhecido por ser o coração da Europa. 

Assim, os checos acabaram por diversas vezes por ser surpreendidos com um guarda-freio a falar checo sobre o funcionamento do mesmo, ou por ter escrito um livro sobre os eléctricos de Lisboa e Praga através das viagens de eléctrico. Foi também por isso que fui convidado a participar numa comédia produzida pela "Rady na cestu" com o objectivo de mostrar as vantagens que é viajar com a agência de viagens em causa. Um excelente trabalho que é agora publicado no youtube, através de um casal que pretende comemorar o aniversário do casamento. Ambos querem viajar e se o marido opta por reservar tudo online a título individual, já Pavlina - a esposa - opta por contactar a radynacestu.cz

Ele tem uma viagem atribulada e ela desfruta do melhor que há em Lisboa, como se de uma viagem de sonho se tratasse. Com o típico humor checo à mistura, esta comédia mostra então que tudo se torna mais fácil quando somos acompanhados por um guia local. Ele não consegue entrar no eléctrico porque está cheio, mas ela desfruta da viagem em grupo porque o guia sabe onde entrar no eléctrico vazio. Ele dorme num corredor de um hostel e ela desfruta de uma noite num requintado hotel, mas há muito mais... 

Uma comédia em checo, que ainda assim vale a pena ser vista pelas imagens recolhidas na nossa cidade, porque acredito que não entenda muito de checo. Uma curta-metragem em que gostei de participar, tornando assim um dia diferente a bordo dos eléctricos da Carris.

  

segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

Nos Bastidores dos "amarelos" da Carris: O lado nocturno dos eléctricos de Lisboa

Se Veneza não seria a mesma sem as suas gôndolas, o mesmo se poderá dizer de Lisboa sem os seus eléctricos. Cada vez mais postais vivos da própria cidade, os eléctricos de Lisboa continuam a servir a população da capital portuguesa, mas também aqueles que nos visitam. Em breve chegarão novos eléctricos para aumentar a frota que já vai tendo dificuldades em dar resposta à procura, mas por enquanto são aqueles que chegaram em 1995 para a linha 15E e os restantes, mais antigos que foram remodelados na mesma altura, que vão fazendo as delícias entre colinas num sobe e desce constante, deslizando sobre os carris que criam uma malha em paralelo com uma rede aérea que alimenta mais de 40 eléctricos diariamente. 

Mas e o que seria dos eléctricos de Lisboa sem os carris, sem a rede aérea, sem os mecânicos? Não serviriam para nada certamente, se não para museu. São homens que normalmente trabalham quando os eléctricos descansam e por isso mesmo não são muito vistos, mas não nos podemos esquecer da sua existência. Engenheiros, Operários, electricistas, motoristas, guarda-freios, etc... toda uma vasta equipa necessária para pôr em marcha os "amarelos" da Carris. 

Para que não os esqueçamos e para que possamos ver um pouco do seu trabalho, uma equipa de televisão do Reino Unido, acompanhou os trabalhos destas equipas de manutenção da Carris durante a noite, acompanhando a substituição do fio da rede aérea, ou a colocação dos novos carris com vista à expansão da rede a Santa Apolónia. No programa "Impossible Railays" do canal Yesterday, há ainda tempo neste episódio para uma visita à casa das máquinas do Ascensor do Lavra e conhecer um pouco sobre o seu funcionamento através da Drª. Susana Esteves da Fonseca, do departamento de comunicação da Carris. Da parte técnica, coube ao Engº. Pedro Palma do departamento de Infraestruturas explicar um pouco do processo a ter em conta na realização destes trabalhos.

Uma curta mas interessante reportagem que partilho agora com todos os leitores deste blogue para que possa ser vista ou revista e para que nunca nos esqueçamos da importância de quem está nos bastidores das "casinhas amarelas" para que durante o dia se possa movimentar milhares de pessoas pelas colinas de Lisboa a bordo dos nossos eléctricos.



Boas viagens a bordo dos veículos da CCFL!

sexta-feira, 3 de janeiro de 2020

Ano novo, velhos costumes...

"Ano novo, vida nova", diz o ditado ao qual poderíamos acrescentar "velhos costumes". Despedi-me de 2019 a bordo de um autocarro marcopolo no transbordo da 15E e comecei 2020 da mesma forma até porque só no próximo dia 6 de Janeiro está previsto o restabelecimento do percurso da carreira 15E na totalidade com eléctrico, com o fim das obras da Rua Bartolomeu Dias. Será portanto uma prenda do dia de Reis para os passageiros frequentes daquela carreira assim como os da 729 que desde Agosto se vêm obrigados a um transbordo. Melhor para uns, pior para outros, há opiniões para todos os gostos e muitos até preferiam este trajecto nem que fosse pelas vistas ali bem junto ao Tejo.

Certo é que passadas as festas, e toda uma série de hipocrisia que se vive por esta época com os desejos de "boas festas e Feliz Ano Novo" e até mesmo um "Boa tarde" e um "obrigado" de vez em quando, estão de volta os silêncios e as reclamações, como que se uma transformação ocorra entre um ser humano e um muro de lamentações. Costuma ser sempre assim nos primeiros dias de Janeiro com centenas de passageiros a entrarem como sempre fazem, sem abrir a boca para dizer um simples "boa tarde" e obviamente que não são todos. Diria que a maioria, vá... até porque 1% dos passageiros ainda vai desejando um bom ano nos primeiros dias de Janeiro.

Numa semana ainda a meio gás dadas as férias escolares, já houve tempo para um "então, não abre atrás?!" como que se no Natal tivesse ganho o dom de adivinhar que querem sair quando não solicitam a paragem. Ou também um "na verdade podia seguir com o autocarro para a Praça da Figueira, porque isto é um disparate ter de se mudar de veículo", como que se fosse decisão minha ter que terminar a viagem em Belém.

2019 marcou igualmente a descida do preço dos passes e 2020 não trouxe aumentos nem nos passes nem nas tarifas de bordo, mas para alguns, viajar à borla continua a ser a melhor opção, e se a isso juntarmos a ideia de que um simular de validação engana o motorista melhor ainda. Parece que entrar no autocarro colado ao passageiro da frente a quem acabaram de dar passagem - como que se muito gentil fosse tal acto - e simular um acto de abrir a carteira e encostar todos os cartões menos o do transporte público, os deixa mais tranquilos e com um espírito vitorioso ao estilo de "já enganei mais um", por isso o que espero mesmo é que 2020 seja um ano de aposta forte na fiscalização porque só assim se consegue combater a fraude.

E nisto quando apenas vamos no terceiro dia de Janeiro e quando passada uma década ainda há quem não saiba que um título de viagem pré-comprado é válido por 1 hora podendo fazer os transbordos necessários no mesmo operador, o que continua a causar aquela que é a das perguntas mais feitas, no já conhecido entre os motoristas por "vale de Pedrouços" (por ser o eixo mais percorrido pelo autocarro durante as obras), se "tenho de validar outra vez o cartão quando entrar no eléctrico?" ou "mas tenho de pagar duas viagens?"

E assim vão as viagens neste novo ano que dá início a uma nova década, mas com velhos costumes que acabam por marcar o quotidiano de quem anda aos comandos dos transportes públicos. Boas viagens a bordo dos veículos da CCFL e um Bom ano para todos. 

segunda-feira, 30 de dezembro de 2019

Feliz Ano Novo 2020!

E assim se chega ao fim de mais um ano. Tempo para balanços e desejos. Tempo de festa para alguns e de trabalho para outros. 2019 está prestes a dizer adeus e nós estamos já desejosos de dar um olá a 2020. Falo sobretudo no que a mim me diz respeito, porque 2019 não foi dos melhores anos que vivi. A nível de saúde foi dos anos que passei mais tempo a caminhar para médicos e afins, onde me foi diagnosticado um problema que me tem causado muitos problemas e só Deus sabe como em muitos dos dias tenho ido trabalhar, num espírito de sacrifício, mas também de paixão pelo que fazemos e confesso, houve dias muito difíceis.  Talvez por isso também tenha sido talvez o ano com menos posts aqui no blogue. Por isso para 2020 apenas peço Saúde, que no fundo é o principal, pois sem ela, não adianta ter dinheiro nem nada.

A nível profissional, 2019 trouxe-me finalmente a oportunidade dada pela Carris de conduzir parte da sua história no desfile anual dos veículos do Museu e desde Agosto a esta parte, de recuar um pouco no tempo, fazendo-me lembrar os meus primeiros anos na companhia, com o serviço de autocarro entre Algés e Belém devido às obras que ao que parece, vão acabar em 2020.

Um ano 2019 do qual vou recordar igualmente a viagem a Viena e Bratislava onde conheci mais dois sistemas de transporte europeus, o que é sempre enriquecedor e que nos ajuda a crescer e melhorar por cá. Assim, para 2020 desejo a todos os passageiros deste blog, um ano repleto de saúde, viagens, algum dinheiro que dá sempre jeito, muita paz e amor que parece haver cada vez menos no dia-a-dia desta cidade das sete colinas. 

FELIZ ANO 2020!

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