segunda-feira, 8 de julho de 2019

"Uma profissão que acima de tudo é uma paixão", na revista Lisboa dedicada à mobilidade

Ao longo destes anos na blogosfera, muitas têm sido as histórias aqui contadas, sobre o quotidiano de quem anda aos comandos dos "amarelos" da Carris. Uma viagem que começou há mais de 10 anos e que veio dar a conhecer ao público em geral o outro lado da viagem que habitualmente fazem entre um ponto A e um ponto B a bordo dos nossos autocarros e eléctricos. E têm sido muitos os passageiros desta viagem que também já segue nas redes sociais.

Entre dias bons e outros menos bons, muitos são os passageiros que se vão cruzando comigo e proporcionando também eles essas histórias. O turismo em crescente, o trânsito que não para de crescer e as novas formas de mobilidade também não deixaram de passar por aqui ao longo destes tempos e talvez por isso mesmo, a Revista Lisboa, publicação trimestral da Câmara Municipal de Lisboa, quis apanhar uma boleia do Diário do Tripulante e trocar uns dedos de conversa ao longo da carreira 15E. 

A entrevista está disponível on-line e chegará ás caixas do correio dos munícipes brevemente na sua 27ª edição, dedicada à mobilidade, ou então pode consultá-la aqui!

Boas leituras e boas viagens a bordo dos veículos da CCFL

domingo, 7 de julho de 2019

Mais um dia ao serviço do... 15 mas com turismo "pé descalço"!

Lisboa está na moda. Ganha prémios por isto e por aquilo, e dizem que é bom. Há um boom de turismo que enche ruas, cafés, lojas e transportes, mas será este turismo aquele que mais se deseja? Lisboa perde aos poucos a sua essência e nos transportes é vê-los a tentar enganar quem por cá está a prestar um serviço público. 

Como se não bastasse optarem por usar os transportes públicos ao invés dos serviços turísticos para descobrir a capital das sete colinas, ainda tentam entrar sem pagar, tentam regatear o preço, e muitos compram um cartão para dois ou três. É aquilo a que na gíria se chama o verdadeiro turismo de pé descalço. 

E quando dizemos que um cartão é só para uma pessoa, ou se dizemos que a luz vermelha não permite viajar, o caldo está entornado. Eles são sempre donos da razão e nós que somos de cá e por sinal até somos os condutores do transporte que querem usar, não temos razão e não percebemos nada disto. Perde-se tempo a explicar e tempo a  tentar perceber.

Se o destino diz "Centro de Congressos" e eles querem ir para o "Rossio", então chegados à Rua da Junqueira, é um problema para os tirar lá de dentro porque como dizem "mas é o 15!", reacções que me levam a crer que ou não usam transportes nos países de origem ou então querem mesmo fazer de nós parvos. 

A semana ainda agora começou e eu já estou desejoso que chegue a folga. Trabalhar em Lisboa está a ser cada vez mais desgastante, por muito que se goste do que se faz e da própria cidade. 

Boas viagens a bordo dos veículos da CCFL.

sexta-feira, 5 de julho de 2019

Nota de Redacção: Autocarro da Carris abalroado por ligeiro de mercadorias (chega de Fake News!)

Foto: Publicada no JN.pt
Não é prática comum deste blogue, abordar os acidentes que envolvem viaturas da Carris, ainda que as mesmas estejam constantemente vulneráveis, pelo facto de circularem ao longo das 24 horas de cada dia pelas ruas de uma cidade cada vez mais movimentada. Contudo, as notícias que vieram a público nesta manhã de sexta-feira, na sequência do acidente que envolveu um autocarro da carreira 794, na Baixa de Lisboa, obrigam a que se diga BASTA!

Os órgãos de comunicação social, na ânsia de captar audiências à custa da desgraça alheia, ainda que com o objectivo de tentar informar os telespectadores e leitores, acabaram por horas a fio, passarem a notícia de que "autocarro da carris despista-se e causa 5 feridos", mesmo que não tenham procurado a razão do acidente. Contudo e após algumas das testemunhas no local, assim como alguns passageiros que seguiam a bordo do autocarro 1764 da Carris, em declarações a alguns meios, o despiste deveu-se a um embate de uma viatura ligeira de mercadorias que não terá respeitado a sinalização vertical luminosa existente na Rua da Conceição, no cruzamento com a Rua da Prata, originando assim o despiste e embate do autocarro, contra uma das lojas, causando 5 feridos ligeiros, apesar dos estragos visíveis.

Assim, a notícia correcta a ser transmitida deveria ter sido "Autocarro da Carris é abalroado por veículo ligeiro, causando despiste do mesmo e cinco feridos ligeiros".

Como esta situação, infelizmente, não é a primeira e muito provavelmente não será a última, vem agora o Diário do Tripulante, de forma isenta e alheia ao acidente, expressar o desagrado pelas notícias vinculadas nos meios de comunicação social, que através dos seus títulos, levam a um julgamento público contra a Carris, e nomeadamente contra os seus tripulantes, que diariamente evitam milhares de acidentes ao longo dos seus serviços.  

Foto: Publicada no JN.pt
Segundo as autoridades, o alerta para o acidente foi dado perto das 7h15, e no local estiveram uma viatura médica de emergência e reanimação (VMER), duas ambulâncias de suporte básico de vida e duas ambulâncias dos bombeiros. A divisão de Trânsito da PSP também esteve no local a apurar as causas do acidente, assim como a Polícia Municipal, equipas de Controlo de Tráfego da Carris, e equipas de limpeza da Junta de Freguesia de Santa Maria Maior.  Do acidente terão resultado 4 feridos ligeiros, entre os quais estão o motorista do autocarro, passageiros e uma senhora que se encontrava no multibanco, todos foram transportados ao Hospital de São José.

O Diário do Tripulante, deseja assim que o jornalismo tenha melhores dias e que passe a informar as pessoas correctamente, após a pesquisa de causas e de testemunhos, no que acidentes digam respeito, para que se evite os comentários que estas notícias causam, colocando muitas vezes em causa o profissionalismo de quem conduz milhares de passageiros por dia, assim como a manutenção dos veículos. Aos feridos envolvidos no acidente, desejamos as rápidas melhoras e neste caso concreto, termino expressando o máximo apoio ao tripulante envolvido no acidente de que foi também ele alvo.

Recordo que também eu já fui há uns anos atrás alvo de um acidente, do qual me encontrava a tripular o eléctrico da carreira 28E, tendo sido abalroado por um pesado de mercadorias na Calçada do Combro, tendo a comunicação social, passado a informação que eu teria embatido numa carrinha por distracção, quando o acidente se deu com o eléctrico totalmente imobilizado. 

quinta-feira, 4 de julho de 2019

Com destino a Algés, que pelos vistos não é Algés que todos os passageiros conhecem!

Uma das viagens desta manhã na carreira 15E podia ser igual a tantas outras, muito embora, todas as viagens sejam por si só diferentes. O certo é que a diferença desta viagem não estava apenas no veículo, que era um autocarro em vez do habitual eléctrico. A viagem a que me refiro foi diferente por duas situações. A primeira porque transportei uma senhora que me perguntou se eu era o Rafael. Estranhei a questão, ou talvez não até porque esta viagem partilhada neste blogue tem levado ao longo dos anos a que alguns passageiros me reconheçam, por muito que se tente passar despercebido entre as curvas e linhas de Lisboa.

Num curto diálogo entre as quatro paragens que separavam o ponto de partida e de chegada dessa passageira, lá me disse que tinha estado na exposição fotográfica que apresentei recentemente na livraria Palavra de Viajante, na Rua de São Bento. Deu-me os parabéns e que gostou muito de ver "os amarelos tão bem representados através do olhar de quem os conduz...", não deixando de acrescentar que tenciona em breve adquirir o livro porque na altura não ia prevenida para tal. 

Mas na mesma viagem, chegado ao terminal de Algés, todos os passageiros saíram, menos uma jovem de origem oriental mas que aparentemente terá nascido por cá, ou que por cá estuda, dado falar português quase correcto. Estranhando estar só no autocarro, questiona "Isto é Algés?" ao que lhe respondi de forma afirmativa, acrescentando ser a paragem terminal da carreira. 

A jovem, com ar de quem estava a estranhar o local, exclama: "Mas Algés que conheço não é assim!" Iniciava-se assim um dialogo divertido...

Motorista: "Pois eu Algés só conheço esta localidade. Não digo no entanto que não haverá outra algures pelo país..."
Passageira: "Mas... (pausa) Estes jardins e flores... (pausa) Não me parece!"
Motorista: "Mas olhe que está em Algés - Oeiras. Mas como é afinal a Algés que conhece?"
Passageira: "Não sei...(pausa) Mas tem coisas e largo com... não sei como dizer..."
Motorista: "Pois assim é difícil, se nem você sabe!"
Passageira: (risos) "Pois, mas... tem a certeza que estamos em Algés?"
Motorista: "Tenho pois. Mas não estará a estranhar não ser a zona do terminal dos autocarros ao lado da estação do comboio?" 
Passageira: "Pois não sei, mas talvez. Como procuro isso?"
Motorista: "Então é caminhar em frente que encontra, caso contrário pode perguntar. Mas se você não sabe como é a Algés que diz conhecer, não vejo como perguntar..."

E lá foi a jovem, meio perdida, quer geograficamente, quer pelo riso de quem se viu numa situação insólita de querer explicar algo que nem a própria sabia como o fazer. 

E assim vão as viagens pelos veículos da CCFL. E quanto a si, já sabe... se quiser adquirir o livro "InstaTram - Lisboa", pode recebê-lo comodamente em sua casa com os portes de envio grátis. Encomende por email livro.diariotripulante@hotmail.com 

sexta-feira, 31 de maio de 2019

Com a paciência a esgotar, Lisboa qual será o teu destino?

O dia começa como tantos outros. A chegada à estação de Santo Amaro faz-se ainda pela fresca quando os dias prometem ser escaldantes. As temperaturas sobem acima dos 30º C e as pessoas ficam impacientes e por isso, trabalhar de madrugada nestes dias é a melhor opção, mesmo para quem goste pouco de acordar cedo. Levanta-se a chapa do horário que dita a escala de serviço, deslocamos-nos até ao pilar do Car-Barn onde está a tabela que indica o eléctrico que nos foi atribuído, durante as poucas horas que estiveram em descanso, nas 24 horas que tem cada dia. 

O procedimento é rotineiro. Baixar o trolley, verificar os areeiros, colocar as bandeiras de destino e numéricas de acordo com a carreira e iniciar o serviço na consola que nos identifica e localiza através dos monitores que estão na Central de Comando de Tráfego da Carris, em Miraflores. Ligam-se as luzes interiores, liga-se o farol e liga-se a corrente dos motores. Instantes depois já estamos a receber os primeiros passageiros do dia, os que se deslocam para os empregos e os que regressam a casa, seja do trabalho ou de uma noite de folia. 

A cidade acorda lentamente, mas num instante tudo muda. O sol nasce e a noite dá lugar ao dia. As ruas quase vazias, enchem-se de tudo e mais alguma coisa, desde pessoas a trotinetes. Uma antítese quase perfeita no quotidiano de uma cidade que mudou bastante nos últimos anos, devido ao boom turístico. Lisboa está nas bocas do mundo e deixa no limite quem nela trabalha.

São 9h06 e faltam poucos minutos para iniciar mais uma viagem na carreira 15E com destino a Algés. Turistas enchem por completo a paragem da Praça da Figueira em busca do eléctrico que os leve a Belém. Uns mais prevenidos, entram e validam o seu título de transporte. Outros entram e vão direitos à cabine do guarda-freio. Há de tudo e para todos os gostos, desde perguntas sobre paragens, como comprar o bilhete ou até quem coloque a nota na ranhura da porta que nos permite o acesso à cabine, como se fosse possível retribuir qualquer troco ou vender bilhetes por uma abertura que muitas das vezes, não tem mais que meio centímetro.

A viagem inicia-se entretanto, mas pouco depois já estamos parados na Rua dos Fanqueiros. Um carro mal estacionado impossibilita a passagem do eléctrico porque a condutora deixou a roda da frente virada para a esquerda. São questões de centímetros que se transformam em minutos. Toco a campainha insistentemente em busca do seu proprietário, mas nem sempre com sucesso. Desta feita, a senhora sai de uma loja em frente com os seus sacos. Pede desculpa e diz que foi só ali fazer uma compra rápida. Os meios entretanto accionados, são cancelados e a viagem prossegue. 

Novo dia, novo problema mas outros actores. Estamos na carreira 28E com destino ao Martim Moniz. A primeira paragem prolongada é para descarga de mercadorias no supermercado. O local das cargas e descargas está ocupado por ligeiros e a descarga, faz-se entre cada passagem de eléctrico. Perda de tempo para o eléctrico e para quem descarrega paletes de um camião cheio de bens essenciais. Os passageiros desesperam por chegar a horas ao seu destino, mas até que o atinjam, ainda paramos por causa de táxis, TVDE'S, e outras cargas e descargas. 

"ó chefe é só um minuto!"... Multipliquemos então por uma média de 5 a 6 paragens por trajecto. A chegada ao destino acaba por ser atrasada e isso obriga a uma partida atrasada na viagem seguinte. Circular em Lisboa num transporte público pode tornar-se portanto numa autêntica matemática viva. Chegamos à Sé, na entrada de Alfama, onde tuk-tuks tomaram, de há uns anos a esta parte, conta de todo o espaço disponível.  Mesmo com a Polícia Municipal presente, ou os seus carros, são ignorandos traçados da marcação rodoviária e ignorado muitas das vezes a sinalização vertical, em busca de clientes, mesmo que saibam que o eléctrico passa ali, mas que ali vai parar porque as frentes dos tuks não o deixam prosseguir viagem devido ao estacionamento em espinha, muitas das vezes abusivo, inclusive em passadeiras e paragens. 

Prosseguimos finalmente viagem, mas a passo de caracol porque entretanto um barulhento tuk-tuk apanha clientes ao virar da esquina e o condutor vai tentando render o seu "peixe" explicando isto e aquilo a uma velocidade que permite quase tirar uma fotografia a cada janela por onde se passa. Em instantes estaremos com o Tejo aos nossos pés, visto das Portas do Sol, onde a selva parece ser a melhor designação para a balbúrdia que por ali se assiste com os chamados serviços de animação turística. O facto é que por vezes a confusão dá mesmo lugar a uma animação para quem nos visita ao ver discussões, agressões, que são pintadas com um cheiro a embraiagem constante.

Chegamos às Escolas Gerais, local destinado exclusivamente aos eléctricos no sentido ascendente, mas no semáforo que é accionado pelo eléctrico estão já 3 automóveis ligeiros. Toco a campainha para saírem da frente. Não entendem, e sou obrigado a sair do eléctrico e pedir para que saiam da frente, para que o sinal seja accionado. Explico que estão em sentido proibido, e quase sempre ignoram. Mais uns minutos perdidos...

Estou finalmente a poucos metros de chegar ao Martim Moniz, mas não sem antes ser ultrapassado por um TVDE que pára de imediato na frente do eléctrico para apanhar uns clientes que acabaram de sair do Ramiro. Apanha os clientes, arranca e o semáforo fica vermelho. Chego finalmente ao Martim Moniz e a fila dos que aguardam a partida seguinte é longa, mesmo que o sol esteja escaldante. Pois todos querem um lugar sentado após tanto tempo de espera, que só é muito por isso mesmo, porque querem ir sentados. 

Com os Santos Populares à porta, as carrinhas de cerveja também aumentam no reforço dos stocks de cafés, restaurantes e arraiais. Estamos agora na carreira 25E com destino aos Prazeres num novo dia de trabalho. Já perdi a conta às vezes que tive de imobilizar o eléctrico, abrir a porta, fechar um retrovisor que impede a passagem, ou verificar se o estribo do eléctrico não bate no carro que ficou para cá da marca delimitadora do lugar. É das zonas mais problemáticas da rede de eléctricos. Onde os minutos acumulados se transformam facilmente em horas e em viagens canceladas. 

Passada a zona crítica, seguem na minha frente cerca de 10 segways com um guia na frente. Vão circulado entre os carris como se fossem até, a simular a viagem a bordo do 25E, mas numa versão mais soft e fresca, mesmo que para isso empate quem vem atrás. Parece não haver regras para nada e tudo pode circular na via de rodagem. Os passageiros que já habitualmente desesperam com os carros mal estacionados, gritam pela janela para saírem "com essa treta da frente que vamos trabalhar pá!", sem sucesso. 

Termino um retrato semanal na 24E, com trotinetes que tentam vencer a inclinação da Rua da Misericórdia. Pelo meio o trânsito num pára-arranque provocado por um acesso ao bairro alto condicionado e por um autocarro espanhol que se cruzou no estreito com uma carrinha da cerveja. Ouvem-se buzinas. Os turistas param para ver o que vai dar. Quem segue atrás nos passeios, tem de recorrer à via de trânsito para passar os turistas que pararam para ver as manobras. Lisboa parece a certa altura um molho de brócolos. 

A paciência esgota-se, o calor toma conta de nós. Os horários tornam-se impraticáveis e de quem é a culpa? É do guarda-freio, que facilmente se torna em saco de encher por parte de quem entra após algum tempo de espera, e que entra com reclamações por isto e por aquilo. Um dia de trabalho pelas colinas de Lisboa, está por esta altura equiparado a uma viagem de comboio na Índia, onde vale tudo menos arrancar olhos. Vale-nos o gosto pelo que fazemos e a necessidade de o fazer, porque não sabemos qual será o destino desta cidade que está cada vez mais bonita, mas cada vez mais caótica, sobretudo para quem trabalha num transporte público, onde há muito deixou de haver respeito por corredores BUS, paragens, ou prioridades. 

Afinal de contas, todos temos direito à cidade e ao aproveitar do turismo para a sustentabilidade de cada negócio, mas sem regras dificilmente se alcançam bons objectivos e acima de tudo uma boa imagem. A que ponto vamos chegar com a cidade a rebentar pelas costuras? Lisboa qual será o teu destino?   


[n.d.r.: Fotos do autor / DN / Razão Automóvel / Dinheiro Vivo]

quarta-feira, 29 de maio de 2019

Livros, Farturas, Sardinhas, Música e muita animação... vem aí um Junho repleto de festas


São Vicente é o padroeiro da cidade de Lisboa, mas as festas são em honras a Santo António. Lisboa começa já a ficar engalanada para as festas da cidade que arrancam já este sábado dia 1 de Junho. Balões, festões e muita cor, música e animação são os ingredientes que por este mês se encontram nas ruas dos bairros mais típicos da cidade. O programa das festas é vasto e a Carris é uma vez mais a melhor forma para se desfrutar da festa. 

Os arraiais estão já delineados e prontos para abrir portas para receber quem nestes dias quer comer uma sardinha, dar um pé de dança ou simplesmente conviver com os amigos fora de portas, mas no coração de Lisboa, cidade escolhida também por muitos dos que nos visitam. Não se estranha portanto que uma viagem no 28 ao passar pelas ruas estreitas de Alfama, o cheiro a sardinha assada entre pelas janelas do eléctrico e façam crescer água na boca. Vamos então ver qual o roteiro possível pelos arraiais de Lisboa à boleia dos eléctricos.

A Mouraria tem nos seus recantos e em São Tomé, os locais mais propícios a comer uma sardinha ou um chouriço assado nem que para isso, tenha de se sentar num largo ao que os moradores lhe deram o nome "Jardim das pichas murchas". Para lá chegar só tem de entra a bordo do 12E e descer em São Tomé.

Belém também, costuma ter os seus arraiais. Não tão conhecidos como os do centro histórico, mas quase sempre bem preenchidos, os arraiais desta zona mais conhecida pelos seus monumentos, é organizado pelo Belém Clube e costumam ter lugar em Pedrouços, onde poderá chegar à boleia do 15E, por onde se costuma ouvir entre os passageiros que é onde se come a melhor sardinha de Lisboa.

Mas como festa nunca é de mais, a romaria de Santo Amaro fica ali a paredes meias com a Estação de Santo Amaro por isso a alternativa pode ser o 18E que por esta altura está desviado da Ajuda para Belém. Há farturas, música e muita animação. 

Com um cartaz de convidados normalmente bem composto, o Arraial de Campolide tem pelo segundo ano consecutivo, o eléctrico 24E como seu vizinho e se ainda não viajou nesta nova carreira, é uma boa oportunidade para o fazer para se divertir pela noite dentro ao som do Quim Barreiros entre outros, sempre com uma boa sardinha assada no pão ou um prato de caracóis.

E animação é o que se promete também em Santos, com a boleia do 25E que mergulha no meio do arraial nas noites de sexta e sábado enquanto as restantes carreiras são desviadas. Há um palco montado para receber aqueles que prometem animar as noites quentes deste santo António lisboeta. E aqui costuma estar também o tradicional Pão com Chouriço.

Mas este roteiro não poderia terminar sem os arraiais do 28E, talvez aqueles que captam mais gente, como são os casos dos arraiais da Graça e de Alfama. A junta de Freguesia de São Vicente apresenta este ano 3 espaços para a sua festa que vão desde o Largo da Graça, ao largo da igreja de São Vicente. Já mais abaixo em Alfama, a paragem das Escolas Gerais pode ser o ponto de chegada para uma partida pelas ruas estreitas onde a cada janela ou recanto lhe convidam a uma ginjinha ou uma cerveja. A festa rija pela rota do 28 é no entanto no Largo das Portas do Sol, onde os lugares habitualmente ocupados pelos tuk-tuks dão agora lugar às farturas, ao pão com chouriço, e claro está, às sardinhas. 

Opções não faltam e por isso o melhor mesmo é consultar o programa completo das festas de Lisboa que a autarquia, já disponibilizou na internet. Quanto a nós Carris, já sabe que contamos com a sua colaboração, pois não é permitido comer ou beber a bordo dos nossos veículos.

As Festas de Lisboa arrancam então este sábado dia 1 de Junho e prolongam-se até ao final do mês. Também este sábado tem lugar a inauguração da Exposição de Fotografia "InstaTram - Lisboa" que é dedicada aos eléctricos de Lisboa e terá lugar na Livraria Palavra de Viajante, na Rua de São Bento, 34 com entrada livre. E no que a livros diz respeito já abriu a Feira do Livro de Lisboa que estará até dia 16 no Parque Eduardo VII, onde poderá igualmente chegar com as carreiras da Carris que passam pelo Marquês Pombal a sul ou pelo Palácio da Justiça a norte. 

Desejamos portanto umas boas festas e boas viagens a bordo dos veículos da CCFL. 

quinta-feira, 23 de maio de 2019

InstaTram - Lisboa - Exposição fotográfica de 4 a 18 de Junho de 2019

Estimados passageiros, é com enorme alegria que vos dou agora a conhecer que, no âmbito do lançamento do meu mais recente projecto editorial, o fotolivro "InstaTram - Lisboa", irei apresentar de 4 a 18 de Junho de 2019 uma exposição fotográfica na livraria Palavra de Viajante, onde no ano passado teve lugar a minha exposição sobre os eléctricos de Praga. 

Agora que as festas de Lisboa convidam mais que nunca a um passeio pela cidade e pelos bairros mais típicos, são os nossos eléctricos que ganham destaque durante duas semanas neste simpático espaço onde encontramos os livros que nos convidam à viagem. Numa iniciativa conjunta do Diário do Tripulante com a Palavra de Viajante e com a Gráfica99, esta exposição fotográfica da minha autoria pretende dar a conhecer um pouco do quotidiano dos eléctricos de Lisboa, através das fotografias que tenho vindo a partilhar no Instagram. Embarque então numa viagem fotográfica a bordo dos eléctricos lisboetas, que são sem dúvida os mais famosos e procurados do mundo.

"Instagram - Lisboa" é inaugurada a 1 de Junho e estará disponível para visita na galeria da livraria Palavra de Viajante, na Rua de São Bento, 34 em Lisboa, de Terça a Sábado das 10h00 ás 14h00 e das 15h00 ás 19h00, com entrada livre.

terça-feira, 7 de maio de 2019

Quando o mau tempo traz a má disposição dos nossos passageiros...

Foram-se os dias de calor e soalheiros, voltaram os dias cinzentos e chuvosos. Terminou assim a minha semana, a bordo do autocarro da carreira 15E que substituiu, um eléctrico devido a avaria, mostrando cada vez mais que os anos começam a pesar e que se deseja cada vez mais a conclusão do concurso público internacional, entretanto lançado pela Carris, para a aquisição de novos eléctricos, como aliás aqui foi referido a seu tempo. 

Os novos passes vieram sem dúvida trazer mais passageiros aos transportes da capital e por isso não é de estranhar ver autocarros e eléctricos bem compostos durante todo o corpo do dia, assim como também já não se estranha, as questões dos últimos tempos como, "onde que eu valido isto?" ou "e agora o que é que eu faço com este cartão aqui se não há cancela para abrir?" , pois há perguntas para todos os gostos, ás quais se juntam as dos turistas afoitos em busca de um monumento conhecido e numa pressa para lá chegar que os leva sempre a passar o cartão no validador com uma rapidez, como que, se a qualquer instante o validador lhes dê uma dentada bem ao género de um tubarão. Quando na verdade apenas acende a luz vermelha e pede para que valide novamente.

Mas questões à parte, o certo é que esta mudança repentina do tempo, quando os dias prometiam ter já um verão à porta, faz com que os passageiros também andem mais impacientes e mal dispostos, ou chateados com a vida. É o carregar do chapéu de chuva, é as capas que têm de vestir ou o facto dos vidros irem embaciados e não poderem ver as vistas. Depois há aqueles que, ou chegam chateados com os familiares ou até mesmo com o patrão, e encontram no guarda-freio ou motorista um belo saco de boxe para descarregar toda a revolta. 

Se já há dois dias uma passageira no 28E se mostrava revoltada comigo por ter permitido a entrada de 29 turistas acompanhados de um guia, os quais validaram individualmente o seu título de transporte, já hoje a questão era o porquê de ser um autocarro e não um eléctrico. Mas não ficaria por aqui. 

A meio da tarde numa das viagens entre Algés e a Praça da Figueira e já com o autocarro completo... bem, completo não estava porque lá atrás havia espaço, como quase sempre acontece. As pessoas têm medo de chegar para a rectaguarda do veículo, impossibilitando assim a entrada de outros passageiros, mas vá, digamos que ia quase completo. Chegados à paragem do calvário, os passageiros começam num tom elevado, a solicitar que aguardasse e que lhes prestasse auxílio. De imediato tento aperceber-me do que se passava e verifiquei que uma passageira se tinha sentido mal, ao ponto de desmaiar. Falo com o acompanhante em francês no sentido de saber se não seria melhor chamar uma ambulância, até que o mesmo agradece a ajuda. Pego no telemóvel para ligar 112 ao mesmo tempo que peço aos passageiros que saiam por instantes, permitindo assim que o ar circulasse mais no interior do autocarro e porque não se tratava de nenhuma sessão cinematográfica para estarem todos em redor da senhora.

Neste instante em que chegam a perguntar-me "mas já não segue viagem daqui?" e eu responder que primeiro está o socorro à senhora, entram-me pela porta de trás uns três agentes da PSP que se aperceberam da situação e acorreram ao local. Retiraram a senhora para o banco do jardim e chamaram o INEM. Questiono os agentes se necessitavam de alguns dados o qual me diz "não se preocupe, fez o que devia, mas o meu colega é socorrista e está a controlar a situação até chegar o INEM, pois a senhora sofre de epilepsia. Pode seguir viagem descansado, obrigado".

De volta ao autocarro, pronto para prosseguir a marcha, lá tinha de vir alguém dizer que a culpa era do motorista porque tinha deixado entrar muita gente. Claro, a culpa é sempre do motorista, o mesmo que iria ter culpa caso não abrisse a porta por já ter muita gente. Prosseguimos então viagem até ao destino final. Na viagem de regresso, o agradecimento à PSP na passagem pelo Calvário e numa tarde caótica de trânsito lento na cidade lá cheguei a Algés. 

O tempo de almofada já não dava para mais, se não fazer a vistoria interior e exterior ao veículo antes de iniciar nova viagem rumo ao centro de Lisboa. Chegado ao Altinho, abrem-se as portas. Uns saem, outros entram e depois desses movimentos fecho a porta da frente já depois de encerrada a porta de trás, e preparo-me para iniciar a marcha, olhando para o retrovisor esquerdo. 

"Toc-toc-toc", batem na porta. Uma jovem que ao que parece vinha de uma corrida para apanhar o autocarro. Entra, diz boa tarde e agradece. De seguida aparece logo outra passageira que não disse boa tarde nem agradeceu, mas que não deixou de comentar que "até parece que não consegue ver as pessoas a correr pelo espelho!"

Disse-lhe que se a tivesse visto não tinha fechado a porta, mas que estava a olhar para a esquerda para iniciar a marcha. Mas a senhora tinha mais interesse em querer arranjar ali um conflito, do que ouvir a explicação. "É que se perdemos um autocarro, estamos aqui à seca à espera do próximo..." Não valia a pena alimentar mais um diálogo onde a razão iria estar sempre do lado da passageira, perfeita como ninguém e que jamais alguma vez na vida terá cometido algum erro, a senhora que depois sairia na Praça do Comércio e se atravessaria à frente do autocarro fora da passadeira só porque queria apanhar o 735. E eu com uma vontade enorme de lhe dizer pela janela "até parece que está aqui uma passadeira para se atravessar...", mas não disse nada e segui o meu caminho rumo ao destino final, que dali me levaria então a dois dias de folga e bem merecidos.

Parece que afinal não foi só o tempo a mudar, mas também o estado de espírito dos nossos passageiros aos quais continuo como sempre a desejar, boas viagens a bordo dos veículos da CCFL.  

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