quarta-feira, 3 de abril de 2019

Novo passe traz a Lisboa alguém que há 30 anos que não andava de eléctrico no dia em que a Carris lança concurso para 15 novos eléctricos


"Há mais de 30 anos que não andava num eléctrico" diz o senhor Augusto, logo pela manhã quando o Sol ainda tardava em tentar aquecer a manhã fria com que nos deparámos hoje na carreira 28E. O novo passe "foi uma coisa que já deviam ter feito há muito tempo", acrescenta. A viagem começa no Martim Moniz com destino aos Prazeres e o senhor Augusto dizia-me que hoje era um dia para recordar velhos e bons tempos quando trabalhava no Campo de Ourique e habitava nos Anjos. 

Após validar o seu cartão Lisboa Viva, carregado com o Navegante Metropolitano de reformado, e de esboçar um sorriso ao ver o sinal verde do validador, o senhor Augusto não tardou e querer dar dois dedos de conversa enquanto os restantes passageiros (já em maior número que o habitual por estas horas da manhã) entravam para prosseguir viagem aos mais diversos destinos ao longo do trajecto do 28E.

"A última vez que andei de eléctrico, talvez você ainda não tivesse nascido. Sempre foi o meu transporte preferido, mas agora já não moro em Lisboa e para cá vir de vez em quando ficava caro, mas felizmente este vosso presidente da Câmara fez aquilo que há muito eu andava a dizer que devia ser feito", dizia-me já com o eléctrico a iniciar a marcha preparando-se para entrar na Rua da Palma.

Enquanto os turistas mais madrugadores iam captando imagens através dos seus telemóveis ou das suas máquinas fotográficas, o senhor Augusto ia ali à frente junto ao validador a comentar a viagem por onde ia passando. Após os elogios à medida agora tomada pela área metropolitana de Lisboa com todos os operadores de transportes, dizia-me que agora só espera ter saúde para poder finalmente gozar a reforma em condições usando o seu passe.

"Mas isto está tudo muito diferente amigo..." acrescentava. "A cidade está a ficar muito bonita. Agora é esperar que não venha a seguir outro para destruir o que o Medina tem feito de bom". E eu lá lhe disse que "e ainda deve ficar melhor num futuro próximo. Já temos autocarros novos a circular e hoje é lançado o concurso internacional para aquisição de mais 15 eléctricos novos para a linha marginal" e o senhor Augusto exclamava "não me diga!"

Num instante chegámos ao Chiado e a conversa ficaria por ali, pois era tempo do senhor Augusto ir recordar também o hábito que tinha na altura "de sair do eléctrico e tomar um café na Brasileira", despedindo-se com "um resto de boa viagem, muita saúde e felicidades, porque nota-se que gosta do que faz amigo". 


CARRIS LANÇA CONCURSO PÚBLICO PARA COMPRA DE 15 NOVOS ELÉCTRICOS

Também nesta manhã de quarta-feira, mas nas instalações do Museu da Carris em Santo Amaro, o presidente da Carris Tiago Farias, conjuntamente com o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina e o Ministro do Ambiente, José Matos Fernandes davam a conhecer o lançamento do concurso público internacional para a compra de 15 novos eléctricos articulados para a linha 15.

"Este é um momento histórico para a empresa, porque teríamos de recuar mais de 25 anos para a última ocasião em que a Carris decidiu comprar eléctricos", começou por dizer Tiago Farias por parte da Carris.  Já o presidente da autarquia, Fernando Medina referiu que estes novos equipamentos serão "metros de superfície", com um "comprimento de 28 metros", o que significa que serão maiores do que os que circulam actualmente na capital.

"Este é mais um dia para percebemos que tudo está a mudar, no domínio da mobilidade. (...) A perspectiva que as pessoas têm dos transportes é completamente diferente", começou por dizer o ministro do Ambiente e da Transição Energética, João Pedro Matos Fernandes, felicitando a Carris e a CML pela iniciativa.
Com um investimento de 45 milhões de euros, com verbas exclusivas da autarquia, Fernando Medina explicou igualmente que a ambição é não só reforçar como expandir a rede, frisando que a primeira fase deste projecto consiste na aquisição dos 15 novos eléctricos, seguindo-se a fase de expansão à Cruz Quebrada e Santa Apolónia, garantindo que quando chegar “o primeiro material circulante pode ter início a ligação, ou mesmo antes”
“Espero que neste mandato autárquico esta ligação seja uma realidade”, frisou Medina aos jornalistas, avançando que numa terceira fase o eléctrico de superfície "irá cobrir a zona ocidental da cidade, nomeadamente as duas zonas com maior densidade populacional, Miraflores e Linda-a-Velha”.
A terceira fase, denominada de LIOS (Linha Intermodal Ocidental Sustentável) será a conjugação da rede de eléctricos com a do metro de Lisboa, “aproveitando a extensão da linha vermelha do metro, às Amoreiras, Campo de Ourique, Alcântara, até parar em Santo Amaro”, disse Fernando Medina.
Como quarta fase de todo este projecto surge o prolongamento da rede de eléctricos articulados (ou metro de superfície) ao Parque das Nações, sendo, igualmente ambição que chegue, ao concelho de Loures, nomeadamente à Portela e a Sacavém. De acordo com Fernando Medina, os estudos das terceiras e quartas fases “devem ser lançados ainda este ano para que os concursos para as obras sejam lançados no próximo ano”, podendo acontecer em simultâneo.
O autarca reconheceu também que com esta expansão da rede de eléctricos articulados às zonas mais ocidentais e orientais da cidade seja necessário lançar novos concursos para compra de mais veículos, que se prevê que venham a ser adquiridos numa parceria com os municípios de Oeiras e Loures. Segundo Medina, a rede de eléctricos articulados irá expandir-se entre Santa Apolónia e o Parque das Nações, na zona ribeirinha, através da Avenida Infante Dom Henrique.
Fonte: 24.sapo.pt Fotos: Rafael Santos / AML / Carris / ECO / Jornal de Negócios

terça-feira, 26 de março de 2019

Novos passes à venda, novos autocarros e novos eléctricos foram os temas em cima da mesa na RTP3 com o presidente da Carris, Tiago Farias

Arrancou hoje a venda dos novos passes na Área Metropolitana de Lisboa. Um passo gigante na mobilidade e de aproximação aos países do centro da Europa, com o objectivo de estimular o uso do transporte público e assim, melhorar também o ambiente, mas melhorando igualmente as contas das famílias portuguesas. Mas esta alteração é uma simplificação de um sistema de passes que era até aos dias de hoje muito complexo e que só foi possível graças ao empenho de todos os operadores, que desta forma reduzem de cerca de 400 para 40, os passes que a partir de 1 de Abril estarão em vigor nos transportes públicos. 

Estes novos passes subdividem-se em metropolitanos ou municipais consoante a utilização entre um ou mais municípios, respectivamente com preços referência entre os 30 e 40 euros, havendo igualmente descontos para estudantes, reformados e idosos.

Para falar desta grande mudança mas também de outras que têm ocorrido nomeadamente na Carris, o presidente da empresa - agora sob gestão da Câmara Municipal de Lisboa - Tiago Farias, esteve ontem no programa "Tudo é Economia" da RTP3 onde falou sobre esta «revolução» na bilhética, mas também do «programa ambicioso» de renovação e ampliação da frota, com um proporcional aumento do pessoal tripulante.

Se no ano de 2018 já houve um reforço da oferta nomeadamente no período nocturno e fins de semana, contrariando com anos transactos, Tiago Farias prevê ainda «um aumento da oferta dos 8% a 10% em 2019». Nesta entrevista ao canal de informação da RTP, Tiago Farias não quis deixar passar em branco o grande impulsionador desta medida - Fernando Medina, que segundo o presidente da Carris, «sempre percebeu e defendeu desde que está à frente do Município que havia aqui um enorme desafio pela frente...», fazendo uma comparação à repartição do transporte público e individual, que é nos tempos de hoje acima dos 50% para o transporte individual em detrimento do transporte público, facto que «estava em sentido contrário aos países da Europa onde nos revemos, e como tal era preciso alterar esta fotografia».

Esta "revolução" é um processo gradual para o qual a Carris está preparada, segundo declarações de Tiago Farias, que nesta entrevista reforçou também a aposta da empresa na renovação dos seus eléctricos, anunciando que ainda este ano, será lançado o concurso público para a aquisição de 15 eléctricos articulados, e ambiciona o seu presidente, que a Carris possa até ao final do ano, lançar igualmente um concurso para aquisição de eléctricos do tipo histórico. O objectivo segundo o gestor, é reforçar e melhorar o serviço prestado ao passageiro com o objectivo de atrair mais pessoas para o transporte público. 

À parte dos novos passes e da renovação da frota, Tiago Farias destacou ainda «a melhoria das contas da empresa, da sua filosofia e capacidade de investimento», e anunciou que o objectivo é transportar mais de 130 milhões de passageiros em 2019. Uma interessante entrevista que decorreu nos primeiros 20 minutos do programa "Tudo é Economia" da RTP3 na sua edição de ontem, 25 de Março de 2019 e que pode agora ser revista aqui, clicando no link anexo à imagem abaixo...

https://www.rtp.pt/play/p4256/tudo-e-economia



terça-feira, 19 de março de 2019

Novos passes a marcar uma semana repleta de dúvidas e alteração da 18E que obriga a desvios

É daquelas medidas que se pode dizer que chegam para dar as boas vindas à campanha eleitoral, mas é também daquelas que todos esperavam após anos e anos a reclamarem com o preço dos passes. Não admira portanto, que o tema de conversa a bordo dos veículos da Carris sejam os novos passes que chegam em Abril. Perguntas, perguntas e mais perguntas. Mas as respostas eram até então poucas porque a informação era escassa. Contudo, com a assinatura do compromisso das 18 autarquias com a Área Metropolitana de Lisboa, permitiu a que já sejam conhecidos os 19 passes que substituem os actuais. 

«Então mas o senhor não sabe? Trabalha na Carris e não sabe?» dizia na passada segunda-feira uma passageira após me questionar sobre qual o passe e valor que passaria a ter de usar e pagar, quando lhe respondi que não tinha nenhuma informação. O certo é que agora a informação já está disponível no site da AML e no site da Carris. O novo passe arranca em Abril e nesta fase de transição haverá um passe renovável por 7 dias com um custo de 10€ que pode ser renovado até 30 de Abril, uma vez que os novos passes passam a ser mensais e não deslizantes de 30 dias. Assim o passe único passa a ser válido de 1 a 30 / 31 de cada mês. 

Se pretende usar os transportes apenas no seu município, pode optar pelo Navegante Municipal (30€) mas se pretende usar mais que um município, então a opção é o Navegante Metropolitano (40€). Mas há ainda descontos para jovens e idosos e por isso melhor mesmo é informar-se antecipadamente nas bilheteiras habituais, no site da carris ou no site da Área Metropolitana de Lisboa ( www.carris.pt / www.aml.pt ).

Entretanto, além das alterações nos passes, também a carreira 18E vai ser alvo de alterações que obrigam o seu desvio durante um ano, devido às obras no Palácio da Ajuda. Assim sendo, a partir do dia 29 de Março de 2019 e até ao 1.º semestre de 2020, a carreira 18E com eléctricos funcionará entre o Cais do Sodré e Belém; a carreira com autocarros funcionará entre o Palácio da Ajuda e o Calvário. Esta carreira terá terminal apenas no Palácio da Ajuda, e terá a designação “Palácio da Ajuda – Circulação”.


   

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

Em dia de acompanhamento na 25E... surge alguém para nos surpreender com a sua paixão de morte

Acompanhando o novo guarda-freio na 25E (foto: Duarte Gomes)
O tripulante hoje não esteve aos comandos do eléctrico, mas nem por isso deixa de ter algo para contar. De facto esta profissão e este contacto com o público tem sempre algo a cada dia que nos surpreende quando menos esperamos. O dia de hoje, à semelhança dos anteriores, foi de acompanhamento a novos tripulantes. Contudo o colega que me calhou hoje, já não era novo na Carris e tal como eu há uns bons anos atrás, decidiu trocar a borracha pelo ferro. Mas veículo diferente requer sempre cuidados diferentes e como tal à semelhança dos recém entrados nesta família que é a Carris, também ele teve direito a ser acompanhado durante estes primeiros dias na sua nova função. 

Ao longo do dia fui-lhe dando alguns conselhos e sugestões, cabe agora a ele decidir o que deve ou não interiorizar. Por isso o dia estava a ser igual a tantos outros da semana, até que alguém já bem perto do final do serviço surge no terminal dos Prazeres com um inglês assim arranhando no francês a questionar se nos poderia colocar algumas questões. 

Acedemos ao pedido, enquanto aguardávamos a hora da partida. Solitária na Praça de São João Bosco, onde para além dela estava apenas o eléctrico que se preparava para fazer a última partida do dia rumo ao descanso, questionava se era dali que saía o 28E. após resposta afirmativa por parte do guarda-freio, a jovem agradeceu e mostrou vontade de perguntar algo mais e vendo que o eléctrico ali permanecia, lá soltou a questão... "Isto em frente, é um cemitério?"

Respondemos uma vez mais que sim. Ela esboçou um sorriso de orelha a orelha e disse. "J'adore les cimetières!" ao mesmo tempo que parecia algo constrangida com a afirmação que nos dava a conhecer a sua paixão de morte. O Elísio, sentado aos comandos, sorriu e disse "já eu não gosto nada de cemitérios!" O diálogo ficou algo animado embora o tema fosse de morte. E a jovem solitária numa noite de Lisboa lá continuava a dizer no seu francês convicto, que "são espaços lindíssimos e com uma calma profunda"

De facto há mesmo gostos para tudo. Sugerimos então à jovem que voltasse amanhã durante o dia para o visitar porque do seu interior até tinha umas boas vistas sobre o Tejo e a ponte. E ela lá nos contou um pouco mais deste seu carinho pelo espaço onde se descansa a alma eternamente. "Todos os países que visito, faço questão de visitar cemitérios e o mais bonito que já visitei fica em Nova Iorque..."

Fica assim provado que de facto o eléctrico de Lisboa pode mesmo levar alguém aos Prazeres, mesmo que a morte seja o foco desse prazer, porque dá realmente que pensar, mas acima de tudo respeitar estes gostos de quem nos visita e procura lugares tranquilos para passar parte das suas férias, nem que para tal seja necessário passear pelas ruas de um cemitério perto de si. 

Boas viagens a bordo dos veículos da CCFL. 

terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

Quando se paga bem para ir aos Prazeres e regressa-se com um desgosto...

A semana começou bem cedo pelas linhas que sinuosamente percorrem Lisboa do Martim Moniz aos Prazeres. Mas de Prazeres só mesmo ver o acordar da cidade do miradouro das Portas do Sol, porque acordar cedo após a folga custa sempre, assim como, custa enfrentar o frio matinal que entra por todas as imperfeições que o centenário veículo vai adquirindo com o passar dos anos.  A 28E é como todos sabem a carreira mais procurada pelos turistas e por isso não admira que logo cedo comecem a formar filas em busca de um lugar sentado que lhes permita um deslumbramento ao longo das ruas por onde vão passando nos próximos 45 minutos.

Mas também por ser a mais procurada, é provavelmente aquela onde ocorrem mais situações caricatas. Uma delas acaba por ser uma constante e depois de quem é a culpa? É do guarda-freio, claro está! Mas pergunta agora o leitor, mas de que falará o tripulante?

Pois bem, são muitos os turistas que viajam sem recolher antecipadamente informações sobre os sistemas de transporte dos países que visitam e Portugal não é excepção. Depois outros há que se julgam mais espertos que os nativos e sim falo da bilhética. A tal que para muitos parece ser simples mas para outros muito complicada. 

Um casal entra no eléctrico nos Prazeres com o objectivo de viajar até ao Martim Moniz e do bolso retiram dois cartões viva viagem, e quatro talões da CP e 1 bilhete duplo de tarifa de bordo, provavelmente adquirido na viagem do Martim Moniz aos Prazeres, porque provavelmente o que fizeram comigo tentaram fazer com o outro colega. 

Os cartões ao serem validados, assinalavam vermelho e a máquina informava que o título era inválido no operador. O passageiro diz-me logo de imediato que "tenho aqui este" ao mesmo tempo que me mostra a tarifa de bordo. Digo-lhe que não é válido porque a viagem onde tinha comprado já havia terminado. Indignado, questiona-me... "então pagamos 24 euros para uma viagem no 28 para duas pessoas?!"

Digo-lhe que quando comprado a bordo , cada passageiro paga 3 euros. Eles pagaram mais porque compraram bilhete diário na CP. Logo os cartões da CP não são válidos na Carris e confesso que nunca entendi porquê. Explico aos passageiros que são empresas diferentes e eles dizem-me e com alguma razão, "mas compramos para tram..." 

Gera-se ali alguma perda de tempo e confusão, até que lhes digo que sendo inválido teriam mesmo de adquirir o bilhete. E ele chateado lá me disse que nós somos uns ladrões e que tudo está mal explicado. Mas agora pergunto eu: - Será que no país dele os condutores também são os responsáveis pela bilhética? É que parece-me bem que não. 

Pagaram mais 6 euros e lá regressaram ao Matim Moniz. Ao todo gastaram 24 euros para ir aos Prazeres e virem de lá com um desgosto. No final ainda me diziam que era um transporte muito caro. E eu lá lhe expliquei uma vez mais que se tivesse procurado alguma informação antecipadamente teria sido bem mais barato e que a culpa não era de todo minha. Ele, mais calmo e frio, lá acabou por concordar e pedir desculpa, mas que estava muito desgostado com a situação. Disse mesmo que se sentia enganado.   

E assim vão as viagens pelas colinas de Lisboa, numa semana em que o livro InstaTram - Lisboa foi destaque na sugestão cultural da rubrica Lusobreves da TSF, direccionado ao público francês residente em Portugal. Para ouvir aqui ao minuto 3.10: https://www.tsf.pt/programa/lusobreves/emissao/edicao-de-21-de-fevereiro-2019-10609674.html?autoplay=true  Recorde-se que este livro pode ser encontrado na livraria Palavra de Viajante em Lisboa, ou recebê-lo comodamente em sua casa através da compra online através do email livro.diariotripulante@hotmail.com 

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

InstaTram - Lisboa já disponível!

É o terceiro título no âmbito das edições de Autor com a chancela deste blogue. Depois de "Lisboa e Praga de Eléctrico" e "Os Eléctricos de Lisboa - Livro de postais", o autor Rafael Santos, lança agora um novo projecto. "InstaTram - Lisboa" pretende mostrar o quotidiano dos amarelos da Carris, através das fotografias que o autor tem vindo a partilhar na sua conta do Instagram. 

O livro que agora se encontra disponível para venda, conta com 206 páginas a cores com fotografias que não sofreram qualquer edição após a publicação na rede social, ou seja, as fotos são apresentadas conforme publicadas, com os respectivos filtros, focos e desfocos, sendo que umas apresentam parte das legendas, enquanto outras dispensam isso mesmo, porque a imagem pode ter inúmeras interpretações. 

Por enquanto o livro pode ser adquirido online através do ebay, mas também do pedido ao autor através do endereço de email livro.diariotripulante@hotmail.com , mas também pode encontrá-lo à venda na livraria Palavra de Viajante, em Lisboa.

"InstaTram - Lisboa" tem um custo de venda ao público de 13.50 €léctricos e os portes de envio são grátis para Portugal. 

quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

Um dia diferente nos carris de Lisboa (com vídeo): "Olha o presidente!"

Normalmente os eléctricos de Lisboa são muito fotografados por quem se passeia pelas ruas da capital. Conhecidos mundialmente e procurados por quem nos visita, os eléctricos de Lisboa estão cada vez mais nas bocas do mundo. São filas intermináveis nas paragens, compostas por quem não quer deixar a cidade sem viajar a bordo das "casinhas" amarelas, tal e qual como acontece com os que visitam Roma e não querem partir sem ver o Papa.

Acarinhado também pelos nativos, o eléctrico continua a ser o cartão postal da cidade das sete colinas e considerado por muitos como um museu vivo da cidade. Não admira portanto, que nas recentes visitas de estado, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, o inclua no programa. E assim foi também hoje, durante a visita de Estado do Presidente da Bulgária e Senhora à semelhança das mais recentes visitas de estado, como foi o caso das visitas dos presidentes da Suiça, Alemanha, entre outros. 

Hoje coube ao autor do Diário do Tripulante, a honra de transportar o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa, seu homólogo Rumen Radev e Senhora, numa viagem com início e fim na Praça do Comércio, que incluiu parte do trajecto da carreira 28E entre o Martim Moniz e a Rua da Conceição. Durante a viagem, Marcelo Rebelo de Sousa, contou um pouco da história da cidade, e foi comentando a viagem pelas ruas estreitas da capital.

Mas Marcelo não quis desperdiçar a oportunidade de saber como funcionava o eléctrico e quis partilhar esse conhecimento com o presidente da Bulgária e Senhora. Aproximou-se da plataforma da frente e ai prosseguiu ao lado do guarda-freio até às Portas do Sol, onde foi feita uma paragem para avistar o Tejo, o casario de Alfama e tirar algumas fotografias, e claro está, as selfies. 

A viagem foi retomada a bordo do eléctrico já junto ao Miradouro de Santa Luzia, onde uma ex-aluna de Marcelo, aproximou-se da janela do eléctrico e quis dar a conhecer, o seu orgulho em tê-lo como presidente. Marcelo surpreendido, comentou com o seu homólogo e a viagem prosseguiu. Chegados à Praça do Comércio, o presidente da Bulgária fez questão de tirar uma fotografia com a tripulação desta viagem na companhia do presidente da república portuguesa, para mais tarde recordar.

E para recordar fica também este vídeo disponibilizado pelo site oficial da presidência da república portuguesa, e que o Diário do Tripulante agora partilha. Um dia sem dúvida inesquecível para mais tarde também poder recordar. 





Vídeo da autoria da Presidência da República: http://www.presidencia.pt/?idc=10&idi=159737

quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

A viagem das 13h30 a marcar a diferença numa pacata manhã na carreira 15E

A viagem das 13h30 podia ser igual a tantas outras mas hoje não foi. Com partida de Algés e destino à Praça da Figueira, lá vinha eu descontraído, transportando turistas e portugueses que procuraram esta manhã o 15E para a sua deslocação. Uns estranham quando surjo na paragem com um autocarro. Outros sorriem e dizem que "hoje não ficamos certamente interrompidos por quem só pensa no próprio umbigo", fazendo alusão aos mal estacionados. Chegado à paragem do Largo da Princesa, entram mais uns passageiros à medida que outros vão saindo, embora o autocarro não prossiga cheio rumo ao destino final. 

Entre esses passageiros entrou um senhor que após se sentar num dos 4 bancos do lado direito que ficam frente a frente, decidiu mudar para o lado oposto, comentando com os vizinhos do lado que "é que eu já sou maluco e se apanho sol na moleirinha ainda fico pior", soltado de imediato uma enorme gargalhada. A este passageiro, vamos de apelidar neste texto, de Joaquim. 

E o Joaquim lá prosseguiu o resto da viagem, agora no lado esquerdo, sentado no ultimo lugar simples da fila ali mesmo em frente à porta da saída. Mas ao chegar ao Cais do Sodré, e já depois de tentar meter conversa ao longo da viagem com alguns passageiros, o tal Joaquim decidiu finalmente o seu alvo para criar um problema naquela viagem que tal como a manhã estava a ser tranquila. 

Entre os passageiros que entraram no Cais do Sodré, estava um homem de cor (ao qual passaremos neste post a chamar de Rui) que educadamente tinha cumprimentado o motorista ao entrar e imediatamente atrás de si, uma senhora idosa com uma canadiana que procurava um lugar para se sentar (á qual chamaremos neste post de Adelaide)

O Rui após validar o seu título de transporte e como a esta altura o corredor do autocarro estava já algo preenchido, encostou-se ali junto à cava da roda da frente e ao balaústre para arrumar a sua carteira na pasta que trazia consigo, sem se ter apercebido que atrás de si e querendo sentar-se estava a dona Adelaide. Entrava então em acção o Joaquim falando para o geral do autocarro que "esta malta não respeita os velhos. Nem deixam a senhora se sentar..." 

Perante isto, o Rui, após deixar a dona Adelaide passar, diz-lhe que "não deve estar a falar comigo certamente." E o Joaquim inicia então como tanto desejava, um diálogo aceso....

Joaquim: "Não estou a falar contigo não. ou tocaste-te?"
Rui: "Não me toquei, mas também não és ninguém para me tratares por tu."
Joaquim: "E tu, quem és tu?"
Rui: "E tu, quem és tu?
Joaquim: "E tu, quem és tu?"
Rui: "E tu, quem és tu?
Joaquim: "E tu, quem és tu?"
Rui: "E tu, quem és tu? (já ambos aos gritos)
Joaquim: "vai mas é falar assim para a tua família atrasado"
Rui já exaltado: "atrasado és tu. Em vez de estares aí a mandar postas de pescada, levantavas-te e ajudavas a senhora a sentar-se."
Joaquim: "E tu não me conheces de lado nenhum, estavas de pé ajudavas tu"
Rui: "mas fiz-te algum mal? devo-te alguma coisa? Estás a gritar para mim para quê se nem é nada contigo e a própria senhora não me disse nada e viu que eu não reparei nela»
Joaquim: "ao pé da polícia não falas assim..."
Rui: "Então chama a polícia se queres ver.. não me pesa a consciência de nada. Sou educado e vou trabalhar, não ando a passear como se calhar tu andas"

A gritaria era tal que já eu tentava acalmar o Rui, pedindo que ignorasse o óbvio, ao mesmo tempo que dois passageiros iam criando uma espécie de muro de Berlim entre ambos. A viagem parecia ter o karma atrás, pois os semáforos ficavam todos vermelhos a cada passagem, mas chegávamos então à Praça do Comércio, quando o Joaquim se dirige a mim e diz "Senhor motorista, vai ter de parar o autocarro na esquadra da Rua da Prata para identificar este senhor"

A dona Adelaide sentada no tal lugar dizia: "deixem-se disso que é uma coisa sem importância nenhuma". Mas o Rui dizia lá do fundo "vá lá então já que esse louco quer a polícia", mas dado que já se tinham acalmado não era intenção minha parar até porque o terminal era já a uns metros. Mas o sinal vermelho obrigou a isso e onde? Precisamente à porta da Esquadra da PSP.

Os agentes entram no autocarro, o Joaquim pede para identificarem o Rui porque o tinha injuriado e a meio disto a dona Adelaide levanta-se e diz que "foi por causa do meu lugar mas o senhor não me viu. Não fez por mal." O agente poderá por instantes ter pensado ser algo para os apanhados e terá dito para a dona Adelaide que "mas eu ainda não lhe perguntei nada." 

O Rui tenta explicar o sucedido e defende-se dizendo que tal como todos os passageiros a bordo podiam comprovar o Joaquim é que começou a provocá-lo sem mais nem menos. O agente informa o Joaquim que para apresentar queixa tem de efectuar um pagamento de duas custas no valor de 20 euros cada. O mesmo diz que tem conhecimento. Os agentes retiram o Joaquim do autocarro e apercebendo-se perante a opinião generalizada dos passageiros que o problema estava já do lado de fora do autocarro, informa-me que posso prosseguir viagem e comigo seguiu o Rui e a dona Adelaide. 

Uns metros à frente a viagem chegaria finalmente ao fim com o Rui a dirigir-se a mim e a pedir desculpa pelo transtorno causado mas que apenas entrou para se deslocar para o trabalho como faz todos os dias, mas que não estava à espera ser agredido verbalmente desta forma por um sujeito que se intrometeu num caso que nem era com ele.

Para trás tinha ficado um Joaquim com ar desolado a ver o autocarro partir sem ter o Rui identificado, entrando na Esquadra para possivelmente preencher papeis...

E assim vão as viagens a bordo dos veículos da CCFL, na esperança que amanhã o serviço seja bem mais tranquilo, porque as pessoas hoje em dia parecem entrar num transporte com um único objectivo, o de encontrar alguém onde descarregar todo um stress ou frustração.

Boas viagens! 

[n.d.r.]: Os nomes Joaquim, Rui e Adelaide são fictícios e foram escolhidos de forma abstracta apenas para ajudar a entender os diálogos cruzados desta aventura que foi esta viagem entre Algés e a Praça da Figueira.

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