quarta-feira, 5 de outubro de 2016

[Off Topic]: Um sonho chamado "123" tornado realidade em Portugal

Esta paixão pelo que faço, mas sobretudo o facto de trabalhar na Carris, levou a que ao longo destes quase 10 anos, tenha conhecido muitos dos entusiastas que, ora de forma mais virtual, ora de forma mais física e presencial vão partilhando histórias e vivências do quotidiano e história desta empresa com 143 anos de existência. Partilham-se fotografias antigas, discutem-se rotas, fala-se de modelos, sons, cores, números, destinos, enfim, uma série de factos que juntos, ajudam a contar essa história. Sabemos portanto que há diversos veículos, entre autocarros e eléctricos que outrora percorreram as ruas de Lisboa ao serviço da CCFL, mas que agora fora de serviço, estão espalhados pelo país ou até mesmo pelo estrangeiro. Uns mais bem preservados que outros, mas todos com uma história.

CCFL 123 ainda em serviço público
Já por diversas vezes aqui falei e elogiei o esforço e dedicação do Paulo Marques que tem uma colecção pessoal de eléctricos, devidamente guardados e preservados, tendo alguns ainda em vista a sua preservação e restauro. Mas recentemente outro entusiasta, o Pedro Mendes decidiu entrar a bordo desta viagem pelo mundo dos clássicos e sua preservação, assim como da própria história dos entusiastas da Carris. Agora a aventura foi trazer novamente para solo português o autocarro 123 que muitas vezes subiu ao Castelo pelas ruas apertadas daquele pitoresco bairro lisboeta e que estava em terras inglesas.

E foi com algum agrado e surpresa que ontem recebi um telefonema do Pedro Mendes para estar no Carregado para assistir à chegada do 123. Ora estando de folga sem planos, não poderia rejeitar esta oportunidade de viajar na história e entrar num autocarro que saiu do serviço quando eu tinha apenas 4 anos de vida. Este AEC Mark III foi desenvolvido durante a 2 ª Guerra Mundial, e teve como inspiração o novo London Transport "RT" de dois andares, sendo concebido para proporcionar um bom desempenho e facilidade de condução. O motor de 9,6 litros era o mais potente disponível na época e a caixa de velocidades era epicicloidal, operada por ar comprimido.

No entanto estava longe de pensar que o iria conduzir, mas o desafio foi lançado no local e coube-me a mim retirá-lo do reboque que o tinha transportado desde Inglaterra. Foi uma experiência gratificante onde pude comprovar, como era difícil trabalhar naqueles anos, ao serviço da população de Lisboa. Estavam mais que provados os testemunhos ouvidos ao longo das diversas formações que tenho tido na Carris. Levantar o rabo da cadeira para rodar a direcção foi apenas um desses testemunhos. Agora o futuro do 123 está mais risonho, pois está entregue a quem gosta de eléctricos e autocarros, está entregue a quem será capaz de o restaurar, preservar e quem sabe um dia fazer com que volte novamente às ruas de Lisboa.

O regresso ao solo português
Por instantes viajei até aos anos 80, seja pelo trabalhar do motor, seja pelo cheiro característico, seja pelos cartazes publicados no interior do autocarro. Não podia portanto deixar de agradecer publicamente ao Paulo Marques e ao Pedro Mendes por me terem proporcionado esta tarde inesquecível e terem dado a oportunidade que ainda não tive na Carris, ou seja conduzir estas viaturas dignas de museu. Mas não queria igualmente deixar de agradecer ao "chefe" Gama, formador da Carris pela ajuda incansável que deu ao explicar-me via telefone, como trabalhar com aquela caixa de velocidades, pois afinal de contas eu nunca tinha conduzido um autocarro daqueles. Portanto uma aventura que contou com a ajuda de vários amigos e entusiastas, como foi também o caso do Pedro Rodrigues Costa que ajudou a dar o "Start" inicial com o encosto das baterias.

Uma tarde entre amigos com gostos em comum, à qual se juntou ainda o entusiasta Pedro Barreto que não deixou de registar as suas fotos para memória futura deste dia inesquecível. Um bem haja a todos e que tudo corra pelo melhor para que o 123 possa ainda um dia circular e reeditar alguma das carreiras por onde circulou.

Fiquem então com um pequeno vídeo da autoria do Pedro Mendes do momento em que retirei o 123 do reboque...



[n.d.r.]: As fotos que acompanham o texto são da autoria de Rafael Santos e de Richar Lomas. O vídeo é da autoria de Pedro Mendes. 

domingo, 25 de setembro de 2016

Dos carris de Lisboa para o Mundo, através da revista francesa "Destination"

E o Diário do Tripulante "leva-me" mais uma vez até França, desta feita à boleia da revista Destination, inteiramente dedicada a Lisboa. Depois da entrevista para a televisão francesa que também por aqui passou para viajar no 28, agora foi a vez da imprensa escrita dedicar uma reportagem sobre o tão procurado 28E, levando assim, a que fosse contactado por uma jornalista francesa para contar alguns episódios do dia-a-dia naquele eléctrico. São mais de 5 páginas dedicadas ao 28 numa reportagem que nos remete aos Prazeres para daí viajar pelas colinas rumo a Alfama. A revista não é fácil de encontrar em Portugal, mas aqui deixo algumas imagens do artigo publicado. 


Mas para além do 28, a revista aborda também o bairro de Belém e fornece um guia para quem nos visita. Entre então a bordo desta viagem em francês pelas colinas de Lisboa com o amarelo da Carris...





O Diário do Tripulante agradece a Annie Crouzet pelo envio do artigo no formato PDF.

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

[Off Topic]: Carris celebra protocolo com CaetanoBus e testará novo autocarro eléctrico 100% português

A Carris e a CaetanoBus celebraram hoje no Museu da Carris em Lisboa, um protocolo para a cedência gratuita de um autocarro e.city Gold, entre 03 de Outubro e 02 de Janeiro, com o objectivo de serem realizados testes em contexto de serviço. Com capacidade para 88 passageiros, o autocarro eléctrico não produz dióxido de carbono nem ruído e apresenta baixos custos de energia e de manutenção. Segundo Tiago Farias, o administrador da Carris, este autocarro irá circular em duas carreiras.

"Vamos testar [o autocarro] em duas linhas que são emblemáticas na cidade: a 706, que é uma linha circular que faz Cais do Sodré, Santos, Rato, Avenida da Liberdade, Conde Redondo, Estefânia, Praça do Chile e acaba por terminar em Santa Apolónia, e a 758, que é uma radial que sai do Cais do Sodré, vai até à Praça de Camões, segue até ao Rato, Amoreiras, Campolide e vai até Benfica", informou.

A autonomia do protótipo que será usado nas ruas de Lisboa é de 80 quilómetros e o tempo de carregamento ronda os 30 minutos. "Tudo isto tem de ser testado para que possa funcionar em pleno numa cidade complexa como a cidade de Lisboa, com ruas muito estreitas, com uma topografia muito acentuada e com velocidades comerciais muitas vezes baixas", observou Tiago Farias. 
Já no que diz respeito à relação da Carris com a CaetanoBus, Tiago Farias confessou: "Só tenho pena que, desde 2009, nunca mais nos tenham fornecido. Mas a culpa não é vossa, a culpa é nossa, que nunca mais comprámos um autocarro". Ainda assim, vincou que a empresa vai apostar numa "frota moderna e com qualidade".
Segundo o site "Notícias ao Minuto", o secretário de Estado adjunto e do Ambiente, José Mendes, que também marcou presença no evento, recordou que, no âmbito do quadro comunitário Portugal 2020, haverá "financiamento para operadores privados e públicos para a renovação da frota com veículos amigos do ambiente", tanto a gás natural como eléctricos. Também no âmbito dos fundos comunitários se prevê a "possibilidade de financiar sistemas de carregamento" para autocarros eléctricos, que "têm de estar estrategicamente situados", realçou José Mendes.

Os interessados em conhecer melhor este autocarro concebido pela CaetanoBus poderão consultar as características ténicas no site do construtor. Segundo o que o "Diário do Tripulante" conseguiu apurar numa primeira fase o autocarro terá como estação de recolha, a estação de Santo Amaro onde recolhem os veículos eléctricos da empresa que no passado dia 18 de Setembro comemorou 144 anos de vida.

Mais infos: http://caetanobus.pt/pt/buses/e-city-gold/

Fonte: Noticias ao Minuto Fotos: Rafael Santos

[Off Topic]: Carris celebra protocolo com CaetanoBus e testará novo autocarro eléctrico 100% português

A Carris e a CaetanoBus celebraram hoje no Museu da Carris em Lisboa, um protocolo para a cedência gratuita de um autocarro e.city Gold, entre 03 de Outubro e 02 de Janeiro, com o objectivo de serem realizados testes em contexto de serviço. Com capacidade para 88 passageiros, o autocarro eléctrico não produz dióxido de carbono nem ruído e apresenta baixos custos de energia e de manutenção. Segundo Tiago Farias, o administrador da Carris, este autocarro irá circular em duas carreiras.

"Vamos testar [o autocarro] em duas linhas que são emblemáticas na cidade: a 706, que é uma linha circular que faz Cais do Sodré, Santos, Rato, Avenida da Liberdade, Conde Redondo, Estefânia, Praça do Chile e acaba por terminar em Santa Apolónia, e a 758, que é uma radial que sai do Cais do Sodré, vai até à Praça de Camões, segue até ao Rato, Amoreiras, Campolide e vai até Benfica", informou.

A autonomia do protótipo que será usado nas ruas de Lisboa é de 80 quilómetros e o tempo de carregamento ronda os 30 minutos. "Tudo isto tem de ser testado para que possa funcionar em pleno numa cidade complexa como a cidade de Lisboa, com ruas muito estreitas, com uma topografia muito acentuada e com velocidades comerciais muitas vezes baixas", observou Tiago Farias. 
Já no que diz respeito à relação da Carris com a CaetanoBus, Tiago Farias confessou: "Só tenho pena que, desde 2009, nunca mais nos tenham fornecido. Mas a culpa não é vossa, a culpa é nossa, que nunca mais comprámos um autocarro". Ainda assim, vincou que a empresa vai apostar numa "frota moderna e com qualidade".
Segundo o site "Notícias ao Minuto", o secretário de Estado adjunto e do Ambiente, José Mendes, que também marcou presença no evento, recordou que, no âmbito do quadro comunitário Portugal 2020, haverá "financiamento para operadores privados e públicos para a renovação da frota com veículos amigos do ambiente", tanto a gás natural como elétricos. Também no âmbito dos fundos comunitários se prevê a "possibilidade de financiar sistemas de carregamento" para autocarros eléctricos, que "têm de estar estrategicamente situados", realçou José Mendes.
Fonte: Noticias ao Minuto Fotos: Rafael Santos

domingo, 18 de setembro de 2016

Parabéns Carris: 144 Anos a fazer movimentar Lisboa

Todos juntos fazemos a história de uma empresa que em 18 de Setembro de 1872 foi fundada no Rio de Janeiro. A Companhia Carris de Ferro de Lisboa, introduziu na cidade o então moderno sistema de transporte, composto por carris instalados na via pública por onde circulavam carruagens puxadas por animais – os chamados «americanos», que tornaram mais cómodas as viagens até então realizadas noutras carruagens que não evitavam o mau estado das vias por onde passavam. E um ano depois era então inaugurada a primeira linha de carros «americanos», entre Santos e Santa Apolónia.

Depois dos Americanos vieram os Eléctricos a 31 de Agosto de 1901 e seguiram-se depois os autocarros nos anos 40 com os primeiros a serem adquiridos para serviço à Exposição Mundial que se realizou em Belém. Ao longo dos anos, construíram-se novas estações, e apostou-se fortemente na renovação da frota o que fez com que a Carris obtivesse a certificação em 2006. Até 2011 a Carris vinha então, continuando a apostar na melhoria do serviço, com a vinda de novos autocarros, mas esquecendo um pouco a aposta nos eléctricos. Na verdade foram eles o ponto de partida da Carris e são neles que a maioria das cidades europeias aposta.

Depois a empresa viria a passar por dias mais difíceis com a crise instalada em Portugal e planos que levaram à redução drástica de serviços e tripulantes, e hoje a Carris está quase irreconhecível tendo em conta ao que nos foi habituando ao longo da sua gloriosa história, mas o presente diz-nos que o futuro terá novos desafios. Começaram a chegar já novos tripulantes e em breve a gestão passará a ser feita pela autarquia. Não se sabe se será melhor ou pior, resta-nos esperar para ver e esperar para que sejam boas mudanças, levando a que a empresa volte a ser imagem de marca de uma cidade que tem também ela crescido e que volte a ser a Carris que todos nós nos habituamos a conhecer e a viver. 

A todos os trabalhadores da Carris, o Diário do Tripulante dá os parabéns porque são eles o motor desta marca que comemora hoje 144 anos de vida. Parabéns Carris!

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

O regresso à 25E num dia em que o trânsito teve tudo menos "fashion"

E ontem foi dia de regresso à 25E depois de muitos meses de ausência. Não é que esta seja uma carreira que cause saudades, muito por culpa dos carros mal estacionados na Rua de São Paulo, que nos impedem de realizar um serviço a 100%, mas também que nos impedem muitas vezes de recolher a horas. No entanto o seu trajecto mais curto desde Agosto devido às obras que se realizam no Corpo Santo, levaram a que esta se tornasse uma carreira mais tranquila, sobretudo para quem habitualmente anda na 15E ou na 28E e não é portanto de estranhar que durante a tarde andássemos como se de uma folga se tratasse... em plena acalmia. 

Mas o mesmo já não se podia dizer com o aproximar da hora de ponta, sobretudo numa semana de regresso às aulas e com uma "fashion night" nas lojas dos arredores, causando um caos no trânsito do centro de Lisboa que não foi nada fashion. E se a isto juntarmos um corte de corrente momentâneo então o horário fica mesmo para esquecer. Encurtamento à Estrela e no regresso, a viagem dos «porquês?». Chegados ao Corpo Santo, informo que termina a viagem mas há sempre aqueles que além de não lerem os avisos das paragens, não lêem também os destinos da bandeira. Explico que a carreira está encurtada desde Agosto, mas muitos dizem não compreender pelo facto do 15E poder passar... Deixo essas questões para o provedor do cliente, que só ele saberá dar a resposta mais correcta, apesar de constar nos avisos afixados.

Regresso aos Prazeres já atrasado muito por culpa do trânsito, mas um passageiro entra e de forma agressiva questiona mesmo que não saudando ninguém: «Estão em Greve?». Não respondi porque a forma vaga como lançou para o ar a questão podia não ser para mim. Apesar de ter uma vontade enorme de dizer que sim, muitos estão em greve ao título de transporte dado serem cada vez mais os passageiros que viajam à borla... 

Mas o dia e a semana não podia acabar sem a típica interrupção da Rua de São Paulo com um carro mal estacionado a impedir a passagem do eléctrico. Recebo ordens para aguardar no Corpo Santo porque a chapa da minha frente aguardava nesse local a chegada do reboque, o que não aconteceu até ao final do serviço da 25E, tendo os eléctricos recuado para efectuar a recolha. 

Para a semana há mais e já com uma Carris a assinalar 144 anos de existência...

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

28 ao rubro: Mais trabalhasse e mais interrupções teria para tardar a entrar na folga

Mais uma viagem mais uma interrupção. Poderia ser esta a frase resumo desta semana sobretudo por esta quarta-feira, o meu último dia antes da merecida folga. Mas se ontem o dia tinha sido calmo na 15E ao ponto de apanhar passageiros a dormir no fim da viagem, já esta manhã energia parecia não faltar aos passageiros que mal dormem para andar no 28E. Após realizar a primeira viagem do Martim Moniz rumo aos Prazeres, já depois de ter feito uma viagem no sentido inverso, aproveitava ou pouco tempo disponível entre a chegada e a partida da próxima viagem para atender uma chamada que tinha recusado no decorrer da viagem por estar a conduzir. Contudo, uma turista decidia dar dois murros na lateral do eléctrico no sentido de me chamar. Indico-lhe a paragem e que aguarde lá. Mas como respeito é algo que cada vez mais falta a quem nos visita, ela insistia em interromper aqueles preciosos minutos que temos disponíveis e que são nossos. Mais dois murros no painel do eléctrico dizendo que era só uma questão. Explico-lhe que já lhe respondia, mas que estava ao telefone e pedi que respeitasse o meu tempo. 

Revoltada, como se o mundo acabasse em instantes e não fosse esclarecida, estica-me o terceiro dedo e manda-me para outro lado em inglês. E eu também já revoltado e farto de tanta falta de respeito, viro-lhe as costas. Já quando faltavam 5 minutos para a partida, chego o eléctrico à paragem para acolher os passageiros e inicio viagem. Um dos turistas na paragem diz-me que «ela devia ser louca!». Mas lá segui para M.Moniz onde me esperava a hora do almoço. 

Já de barriga cheia volto para o segundo tempo de trabalho para mais quatro viagens na famosa 28E. Ainda não estava na hora de render e já estava a receber ordens para avançar via sms pela consola de comunicação com a central comando de tráfego. Efectuei a rendição e inicio viagem. Uma turista pede-me 2 bilhetes sentados. Digo-lhe que sentado ou de pé são 5.70€. Ela procura trocos ao mesmo tempo que olha para o corredor e diz: «mas não tem lugares vagos!» Informo-lhe que não é um eléctrico turístico e que pode viajar de pé. Mas ela insiste que não quer viajar de pé, mas sim sentada. Digo-lhe que nada posso fazer, porque não posso obrigar ninguém a levantar-se para ela se sentar e ela decide esperar pelo próximo, como tantos outros fazem.

A viagem prossegue rumo aos Prazeres mas não por muito tempo, já que nas Escolas Gerais, o Trolley decide saltar da rede aérea e a corda decide também ela ficar presa numa espia, impossibilitando a que puxasse a vara para recolocar a roldana no lugar devido. Precisamente na paragem antes, dois turistas ao verem o meu eléctrico atrás do qual onde seguiam viagem, tinham saído para viajarem mais à vontade no meu, mas andaram 50 metros. Informo a central do sucedido e peço ajuda do carro do fio para solucionar o problema. Digo aos passageiros que têm como alternativa o Largo das Portas do Sol, a poucos metros do local para prosseguirem viagem sem penalização tarifária. Mas alguns permaneciam intactos como se nada tivesse acontecido. Afinal de contas eles até acham sempre graça a estas situações e estão de férias pelo que têm tempo para esperar para verem o desfecho. 

Chega então a ajuda de Santo Amaro e após subirem à parte superior do eléctrico, lá se conseguiu retirar a corda da espia e recolocar a roldana no cabo da rede aérea. Podia assim prosseguir viagem. Segui reservado para o L.Camões a fim de acertar o horário rumo ao Martim Moniz, por indicação da CCT e estava resolvido o problema e restabelecida a circulação, já depois de todos darem ideias. "Puxe assim, faça ali, corte aqui", como aliás acontece sempre.

Do Martim Moniz segui novamente para os Prazeres e na viagem de regresso para depois recolher mais um episódio haveria de surgir. Na rua do Loreto, perante uma tranquilidade daquelas a que assistimos quando estamos na praia a desfrutar do sol e a ver as ondas, estava uma carrinha do lixo a recolher em plena hora de ponta o lixo do comércio local. Em frente à peixaria, quase parecia uma lota com as caixas do peixe em esferovite colocadas em pilha sobre a linha do eléctrico. A rapariga mal tinha mãos a medir para tanto lixo tal como a carrinha que aparentava já estar com o depósito cheio. Passavam os minutos... 5... 10... 18 e eis que finalmente conseguiram colocar o lixo e retirar a carrinha da frente. Os turistas já tinham registado esta recordação através de inúmeras fotos. Os brasileiros diziam que eram «uns folgados» enquanto que os franceses diziam que «c'est incroyable».

Tardava assim a chegar a merecida folga mas deste episódio já me tinha livrado e restava chegar ao Martim Moniz para depois recolher. Contudo, como não há uma sem duas nem, duas sem três, eis que na Avenida Almirante Reis a uns metros da Marisqueira do Ramiro, um Peugeot impede a passagem do eléctrico rumo ao Martim Moniz. O lugar de estacionamento é perpendicular mas a condutora do carro achou que era na diagonal que ficava bem estacionado. Parei às 19h24 e informei a central, a fim de ser enviado o reboque, dado que após tocar insistentemente à campainha ninguém aparecia. Mas aqui os minutos foram mais e chegou a ultrapassar uma hora. Pelo meio, lá tinha de aparecer alguém a dizer o mesmo de sempre... «Então isso não passa? Não me diga! Eu acho que passa bem!» Ironicamente digo que somos nós que estamos a descansar... e o senhor insiste «Ah bem me parecia, estão é a descansar...» e esclareço-o, pois ao ponto que já devia estar a jantar com a família e ainda aqui estou. Colocou a viola no saco e seguiu o seu caminho enquanto eu e os restantes colegas ali parados prosseguimos também à espera do reboque. 

O dia virou noite até que aparece uma senhora com o dedo no ar como se um donut's estivesse a pedir mas a dizer «é meu é meu! Não passa?» Chateado digo-lhe que "não passa desde as 19h24. São 20h45 e provavelmente a senhora até já jantou e por causa de si os passageiros tiveram de prosseguir o resto do caminho a pé e eu já devia estar em casa e ainda aqui estou!" e ela desmente-me e diz: «Impossível estar aqui desde as 19h24!» É preciso ter uma lata... ao ponto de dizer «então recue lá...» Desculpe mas isto agora só anda para a frente, agora tem de retirar o carro para a frente e depois dos eléctricos passarem retira o carro... E assim foi. Pude finalmente seguir até ao Martim Moniz e recolher. 

Cheguei à estação atrasado e entro na folga duas horas mais tarde do que devia porque nesta cidade tudo vale menos arrancar olhos, porque ninguém respeita ninguém e quem vier atrás que feche a porta, assim como eu também fecho agora esta semana, na esperança que na próxima o meu íman às pessoas que aparecem só para implicar atraia menos vezes. Boas viagens!

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

[Off Topic] : Informação ao cliente - Motivo Obras

No seguimento do processo de reestruturação da frente ribeirinha de Lisboa, nomeadamente na renovação do troço entre o Cais do Sodré e o Corpo Santo e dadas as inúmeras questões recebidas na caixa do correio do Diário do Tripulante, venho por esta via a título pessoal, uma vez que este não é um órgão oficial de comunicação da empresa, dar a conhecer ao cliente as alterações em vigor à data da publicação deste artigo, no que diz respeito ao serviço do modo eléctrico, decorrente das alterações provocadas pelas obras em questão.

Assim o ponto da situação é o seguinte:

Carreira 12E : Sem alterações a registar

Carreira 15E : Após a abertura do novo troço via Av. Ribeira das Naus, a carreira 15E quando proveniente de Algés,  prossegue via Avenida Ribeira das Naus até ao novo Largo do Corpo Santo, onde retoma o seu trajecto anterior pela Rua do Arsenal em direcção à Praça da Figueira. Actualmente não efectua paragem no Largo do Corpo Santo. No sentido Algés continua a efectuar o percurso normal, via R. Bernardino da Costa até ao Cais do Sodré.

Nos dias úteis após as 21h30 e até ao final do serviço, a carreira funciona em modo autocarro no troço P. Figueira - S.Amaro, onde é efectuado o transbordo para o Eléctrico para o resto do troço compreendido entre S.Amaro e Algés. No sentido Algés, o autocarro circula via R.Fanqueiros, R.Comércio, R.Ouro (onde efectua paragem), R.Arsenal, retomando depois o trajecto habitual. No sentido P.Figueira o autocarro circula via Av.Ribeira das Naus até à estação fluvia Sul e Sueste (onde efectua paragem), seguindo pela R. Alfândega e Rua da Prata onde retoma seu trajecto habitual.

O transbordo nos referidos dias efectua-se na portaria da estação de Santo Amaro sem prejuízo tarifário para os clientes.

Carreira 18E : A carreira 18E regressa aos carris na próxima segunda-feira, 5 de Setembro com um novo trajecto entre o Cemitério da Ajuda e Belém dada a impossibilidade de retomar a totalidade do seu percurso até ao Cais do Sodré devido às obras do projecto de requalificação do Cais do Sodré/Corpo Santo. Assim sendo a carreira 18E passa a ligar dois pontos de elevado interesse turístico reforçando ainda a oferta no troço Belém - Calvário, local onde será possível efectuar transbordo para outras carreiras que servem outros locais da cidade, anuncia a Carris no seu site oficial.

Suspenso desde Outubro de 2015, devido às obras da Calçada da Ajuda, a carreira 18E regressa assim numa nova versão até que as obras fiquem concluídas no Cais do Sodré.

Carreira 25E  : Desde o passado dia 22 de Agosto que a carreira 25E foi encurtada ao Largo do Corpo Santo devido às obras da Rua do Arsenal. Assim sendo, a carreira funciona actualmente entre o Corpo Santo e os Prazeres, num encurtamento que estima-se durar dois meses.  

Carreira 28E : A carreira 28E não tem alterações a registar devido às obras em curso, no entanto convém referir que entraram em vigor novos horários no passado dia 29 de Agosto de 2016 e que podem já ser consultados no site oficial da Carris.

Qualquer informação adicional sobre o serviço da Carris deverá ser contactado o Centro de Atendimento Transportes de Lisboa através dos contactos seguintes:

Centro de Atendimento Transportes de Lisboa
Complexo de Carnide | Estrada da Pontinha
1600-582 Lisboa
Tel: 213500115
e-mail: atendimento@transporteslisboa.pt
Atendimento: Dias úteis, das 8h30 às 19h00



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