domingo, 25 de outubro de 2015

Da calma de um domingo ao desassossego de uma viagem...

O dia começou bem cedo apesar de ser domingo. Às 06h32 já estava a sair de S.Amaro para Algés com a carreira 15E. As ruas desertas perante a chuva que insistia em cair faziam prever que o dia ia ser calmo e foi, apesar de muitas ocorrências. Primeira volta completa concluída e no regresso a Algés, uma pausa para um café, para abrir a pestana que teimava em querer fechar. A azáfama no café junto ao terminal de Algés era grande porque hoje era domingo de feira, mas com tanta chuva, muitos eram os que não queriam arriscar a montar a tenda ou a banca.

Há muito que não entrava naquele café até porque com a passagem das rendições de Algés para o Calvário, foram poucas as vezes que parei para os lados de Algés. No entanto é sempre bom voltar onde somos bem recebidos e onde comemos bem. Aquela montra repleta de bolos e salgados faz qualquer um esquecer a dieta nem que seja só por um dia... e lá me esqueci. Comi uma madalena com passas que estava deliciosa. Regressei ao eléctrico e iniciei viagem, mas mal sabia eu que minutos depois voltaria a parar. Aquela viagem tinha como destino o Cais do Sodré, porque em Lisboa insiste-se em fazer provas desportivas no centro da cidade porque só assim parece atrair atletas, mas o certo é que terminaria no Largo da Princesa devido a um despiste de uma viatura de entrega de bolos e pão. 

O dia não começava da melhor forma para aquele condutor com um despiste a causar graves danos nos carros estacionados no sentido oposto. Afinal estas coisas só acontecem a quem anda na estrada e todos estamos sujeitos. Estivemos 1h30 à espera que a PSP chegasse ao local para tomar conta da ocorrência. E depois de desimpedida a linha, lá segui viagem para Santo Amaro. 

Chegou a pausa para o almoço e o regresso foi já com o eléctrico articulado, uma vez que a primeira parte do serviço tinha sido feita com um remodelado, como aliás acontece todas as madrugadas. Rendi no Calvário, fui a Algés e no regresso nova paragem, mas agora depois do Largo da Princesa. Um carro estacionado à grande e à francesa, ou não tivesse este matrícula de Paris. Aviso os passageiros, grande parte dos quais, turistas que provavelmente iria demorar, pelo que poderiam tomar como alternativa 729 ate Belém e retomar percurso de eléctrico até à Praça da Figueira, mas a maioria não ligou nada ao que lhes disse.

Aguardaram... aguardaram até que alguns se dirigem a mim e questionam: "mas quando é que isto anda?" 

- Quando chegar a polícia ou o dono do carro. Não seria difícil a resposta, mas se uns não entendiam o porquê do eléctrico não conseguir passar, outros estavam ali apenas para testar a nossa paciência e profissionalismo, atendendo aos comentários do tipo «já podia ter dito, que já passou um 729...» ou «é todos os dias a mesma coisa com o 15E», como se fosse culpa nossa o mau estacionamento de quem só conta com seu próprio umbigo. 

E o dia não poderia terminar sem a "inspectora da praxe"... Praça da Figueira a 4 minutos da partida, decido chegar à paragem e abrir as portas porque estava a chover. Os clientes entram e sentam-se. A 1 minuto de arrancar para Belém ouço um toc-toc na porta da cabine e a inevitável pergunta: «Então isto não anda daqui?» -Falta 1 minuto, esclareço. A mulher de imediato responde: «Fazem o que querem, é sempre a mesma m****», digo-lhe que reclame com a Carris, porque parece que havia faltado a chapa da frente. A mulher mal criada, insulta-me mandando-me para a piiiiii da minha mãe, que coitada está no hospital. Contei até 10 e pensei que era a última viagem antes de render. Chamar a polícia para a identificar por injúrias, iria causar sérios transtornos para os restantes e eu iria sair depois da minha hora e afinal de contas, as vozes de burro não chegam aos céus. Ela foi feliz na viagem por me insultar e eu acabei o serviço sem problemas.

Mas há mais marés que marinheiros e haverá de chegar o dia em que hei-de vê-la correr atrás do eléctrico...

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

C.E.C. inaugura exposição fotográfica "Eléctrico 326" n'«O Marques», em Lisboa

Agora há mais um motivo para ir almoçar ou jantar ao restaurante "O Marques". Se o local já era recomendado pela boa cozinha e atendimento que aliados ao preço faziam o cartão de visita da casa, agora e sobretudo depois da renovação, o espaço está mais acolhedor e continua a mostrar um pouco da história dos nossos eléctricos. Numa iniciativa conjunta entre o Paulo Marques e o Clube de Entusiastas dos Caminhos-de-ferro, surge a primeira exposição fotográfica sobre a temática dos amarelos. 

Inspirada no 326, cujo proprietário é o o mesmo do restaurante, a exposição mostra várias fotografias do referido eléctrico nos tempos em que transportava passageiros até ao processo de recuperação já a cargo do Paulo Marques, conforme em tempos aqui dei a conhecer através de um vídeo. A preservação da história continua assim a ser salvaguardada por este entusiasta e associado do C.E.C. e hoje foi brindada em pleno restaurante perante outros associados e amigos.

O «Diário do Tripulante» não podia faltar a esta inauguração que pretende ser a primeira de muitas, englobando a temática dos eléctricos. Lisboa ganha assim mais um espaço de exposição temporária para fotografias. Acompanhando esta exposição está o modelo do eléctrico à escala, propriedade do Clube de Entusiastas, enquanto que no televisor vão passando imagens que hoje fazem parte da história mas que outrora faziam parte do quotidiano desta cidade. 

A exposição estará patente durante os próximos meses pelo que não poderá arranjar desculpas para não a visitar e porque não, desfrutar de um bom "bife à Marques" ou outra iguaria. Sente-se sobre os carris instalados no corredor da entrada, ou nos bancos que outrora foram de um eléctrico e desfrute desta viagem pelo tempo, com boa companhia, boa comida e boa bebida.

O Restaurante «O Marques» fica na Rua do Forno, mesmo atrás do Teatro D. Maria II no Rossio e é difícil não o encontrar por muito escondido que possa estar. 


segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Dia mau vs Dia bom

E eis que chegou o Outono! O fumo dos assadores de castanhas está de volta às ruas da Baixa e a confusão está de volta no trânsito lisboeta. O Domingo aparentemente prometia ser um dia calmo, salvo nas proximidades das Assembleias de Voto, por ser dia de eleições legislativas em Portugal. Carros com os "4 piscas", bengalas, canadianas e claro está o cheiro a naftalina das roupas que há muito não saíam dos armários. Há que levar a melhor combinação para se ir votar porque há sempre encontros inesperados e encontramos sempre amigos e vizinhos, que embora possam morar bem perto, só os vimos por estas ocasiões. Sempre foi assim, é assim e sempre será...

No entanto o dia na 28E esteve longe de ser calmo. Atulhado de turistas, como já é sua característica, o 28E andava fora de horas e sem espaço para mais uma agulha, ou não tivesse a chuva vindo contribuir para que, mais ainda que nos outros dias, não quisessem sair dos eléctricos no terminal. Depois o trânsito complicava-se junto à Sé com os autocarros de turismo, e os mais nervosos no trânsito chegavam a ameaçar quem lhes aparecia à frente. Chegaram-me a oferecer porrada duas vezes numa só viagem, e sem entender o porquê, porque até estava num dia bem Zen, na esperança que os resultados eleitorais, trouxessem boas notícias, o que acabaou por não se confirmar.

Os turistas que viajavam junto a mim, nem queriam acreditar no que assistiam e perguntavam se era sempre assim, pois também eles não entendiam o porquê de tanta falta de civismo ao volante. Depois a interrupção da praxe com 1 hora de paragem que deixou muita gente pelo caminho e muitos outros à espera, e tudo por causa de alguém que pensou única e exclusivamente no seu próprio umbigo.

Mas como depois de um dia mau, vem sempre um dia bom, hoje o regresso ao Tram Tour, foi assim mesmo, bom. Com os turistas entusiasmados por descobrir Lisboa e sem as confusões habituais, as voltas a bordo do 700 lá foram sendo feitas sem grandes problemas depois de uma manhã que digamos, poderia até ter corrido melhor, caso a comunicação interna entre Carris e Carristur funcionasse melhor, porque as comemorações do 5 de Outubro acabaram por cortar a Rua do Arsenal e nós aguardava-mos uma ordem para trajecto alternativo. Afinal de contas o 5 de Outubro que já nem feriado é ainda causa algum constrangimento na cidade.

Depois no serviço, acabei por transportar um entusiasta que disse saber da existência do meu novo livro, e que fazia questão de me oferecer um DVD com imagens dos anos 50 a 90 dos eléctricos de Lisboa. Acabou a volta, foi ao Hotel e voltou para me oferecer o dito DVD. Pediu-me que não publicasse, nem partilhasse pois era uma oferta pessoal. Foi simpático o seu gesto e vou respeitar o seu pedido. Saiu na Graça e esperou por outra volta só para ouvir o motor do 741 a subir a Angelina Vidal, porque para ele, aqueles sim são os verdadeiros eléctricos de Lisboa. Não se despediu sem antes dizer que espera ansiosamente pelo regresso do eléctrico 24...

  

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Sugestão do Tripulante (15): Liberdade e Resistência no caminho do 12E e 28E

As sugestões de visita estão de volta ao “Diário do Tripulante”, agora também com a versão inglesa à boleia do projecto «Lisboa e Praga de Eléctrico». Esta semana convidamos uma viagem à história da política portuguesa, quando estamos em vésperas de eleições legislativas.

Entre o Limoeiro e a Sé de Lisboa, onde passam as carreiras 12E e 28E, surge renascido após longas décadas encerrado ao público, o edifício da antiga prisão do Aljube. É um edifício dos finais do século XVI, mas foi no Século XX que acolheu muitos presos políticos que resistiam à ditadura do estado novo. Recentemente o espaço foi convertido num museu que pretende ser um espaço de memória e de evocação da luta pela liberdade.

Com entrada gratuita, o visitante começa por fazer a visita no piso térreo, numa sala destinada às exposições temporárias onde está actualmente a exposição «Manifestação. Um Direito». Já a exposição permanente divide-se por três pisos e se fizer o caminho pelas escadas, vai encontrar diversas frases que retratam o passado deste edifício. No primeiro piso aborda-se o tema “Portugal num Mundo entre guerras” onde são apresentados documentos, fotografias e relatos do regime ditatorial. Entre as duas guerras mundiais instalou-se o Estado Novo, comandado por Oliveira Salazar apoiado por militares e com forte inspiração no fascismo italiano. Fala-se ainda das Oposições e Clandestinidade e dos Tribunais Políticos.

Subindo ao segundo piso, o visitante é remetido para a Resistência ao regime, através de revoltas, greves e propaganda clandestina. Surge a intensa luta do Partido Comunista e explica-se o Percurso Prisional e mostram como eram os curros ou gavetas daquele Isolamento no Aljube.

No piso superior o visitante é remetido para o Colonialismo e Luta Anticolonial e claro, para a reposição da Liberdade que chegou na madrugada de 25 de Abril de 1974 com a chamada Revolução dos Cravos, ao fim de 48 anos de Ditadura. Ao longo de toda a exposição, o visitante é surpreendido por vozes e sons que o remetem para a época e no quarto piso, existe um auditório e uma cafetaria com uma vista para o Rio Tejo e para a Cidade.

O piso -1 foi reservado para dar a conhecer a Arqueologia resultante das escavações de 2004 que permitiram evidenciar momentos essenciais do edifício, desde o período romano.

Tram Driver Tips (15): Freedom and resistance in the way of the tram lines 12E and 28E.

The suggestions of visit are back to "Diário do Tripulante", now also in English on a ride the "Lisbon and Prague by Tram" project. This week we invite you on a journey to the history of Portuguese politics, when we are on the eve of parliamentary elections.

Between Limoeiro and Lisbon Cathedral, where it circulates the tram 12E and 28E, it emerges reborn the building of the former prison Aljube, after long decades closed to the public.

It is a building from the late sixteenth century, but it was the twentieth century that hosted many political prisoners who resisted the Estado Novo dictatorship. Recently the space was converted into a museum that aims to be a space of memory and evocation of the struggle for freedom.

With free admission, the visitor begins by making the visit on the ground floor space dedicated to temporary exhibitions which is currently the exhibition "Manifestação Um Direito".
The permanent exhibition is divided over three floors. If you make your way up the stairs, you will find several phrases that represent the past of this building.

On the first floor addresses the theme "Portugal num Mundo entre Guerras" there are presented documents, photographs and accounts of Dictatorial Regime. It was during the Two World Wars , that was settled in Portugal the Estado Novo, lead by António de Oliveira Salazar supported by military and strong inspiration from Italian Fascism. There is also information of the Opposition and Political Courts.

Going up to the second floor, the visitor is referred to the resistance regime through riots, strikes and clandestine advertising. Comes the intense struggle of the Communist Party and explained the Prison course, and it is shown as were the "Curros" or "Drawers" were in Aljube.

Upstairs the visitor is referred to the colonialism, the anticolonial struggle and certainly, for the replacement of Liberty that arrived in the early hours of April 25, 1974 with the Revolução dos Cravos, ending 48 years of dictatorship.

Throughout the exhibition, the visitor is surprised by voices and sounds that refer to the time. On the fourth floor there is an auditorium and a cafeteria overlooking the Tagus River and the city of Lisbon.

The Floor -1 is reserved to publicize the result of Archaeology excavations that took place in 2004 and have highlighted key moments of the building from the Roman period.


Nota: Para visitar o museu deverá sair na paragem "Limoeiro" (12E / 28E)
Note: To visit the museum should get out at the stop "Limoeiro" (12E / 28E)

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Hoje assinalam-se os 143 Anos da Carris!

143 Anos! Poucas são as empresas que se podem gabar de ter tantos anos de vida. A Carris, agora inserida na designada e recente marca "Transportes de Lisboa" completa hoje 143 anos de vida.

Independentemente de uma administração conjunta com o metro e Transtejo, para os seus trabalhadores, nomeadamente tripulantes que são a cara da empresa, será sempre Carris. Uma longa história que só é possível ser contada graças a todos nós, passageiros e funcionários. Todos juntos fazemos a história de uma empresa que em 18 de Setembro de 1872 foi fundada no Rio de Janeiro. A Companhia Carris de Ferro de Lisboa, introduziu na cidade o então moderno sistema de transporte, composto por carris instalados na via pública por onde circulavam carruagens puxadas por animais – os chamados «americanos», que tornaram mais cómodas as viagens até então realizadas noutras carruagens que não evitavam o mau estado das vias por onde passavam. E um ano depois era então inaugurada a primeira linha de carros «americanos», entre Santos e Santa Apolónia.

Depois dos Americanos vieram os Eléctricos a 31 de Agosto de 1901 e seguiram-se depois os autocarros nos anos 40 com os primeiros a serem adquiridos para serviço à Exposição Mundial que se realizou em Belém. Ao longo dos anos, construíram-se novas estações, e apostou-se fortemente na renovação da frota o que fez com que a Carris obtivesse a certificação em 2006. Até 2011 a Carris vinha então, continuando a apostar na melhoria do serviço, com a vinda de novos autocarros, mas esquecendo um pouco a aposta nos eléctricos. Na verdade foram eles o ponto de partida da Carris e são neles que a maioria das cidades europeias aposta.

Depois a empresa viria a passar por dias mais difíceis com a crise instalada em Portugal e planos que levaram à redução drástica de serviços e tripulantes, e hoje a Carris está quase irreconhecível tendo em conta ao que nos foi habituando ao longo da sua gloriosa história de 143 anos. Em breve serão concessionadas as carreiras de autocarro a uma empresa privada – a Avanza, num processo que tem feito correr muita tinta nos jornais e muita contestação. Embora ainda sem decisão do Tribunal Constitucional quanto à permissão da concessão nos moldes apresentados, a assinatura está para breve assim como o fim da actual legislatura. O futuro é portanto incerto com partidos da oposição a prometerem que caso vençam as eleições é tudo para voltar a ser como era até aqui.

Veremos então o que o futuro nos reserva e se daqui a um ano poderemos estar aqui a escrever novamente sobre o aniversário desta centenária empresa de transportes públicos. 

A história resumida da Carris, está disponível de forma mais completa no livro «Lisboa e Praga de Eléctrico» que pode ser adquirido na página do facebook.com/lisbonandpraguebytram 

English version:

143 Years! There are few companies that can boast of having so many years. Carris, now inserted in the designated and recent brand "Transports of Lisbon" complete today 143 years of life.

Regardless of a joint administration with the Metro and Transtejo, for their employees, including crew members who are the face of the company, will always Carris. A long history that can only be told thanks to all of us, passengers and employees. All together we make the history of a company that on September 18, 1872 was founded in Rio de Janeiro. The Carris of Lisbon Iron, introduced in the city then modern transportation system, composed of rails installed in the street where circulated drawn carriages animals - so-called "American", which made it convenient travel so far performed in other carriages that did not prevent the poor state of the roads through which they passed. And a year later it was then inaugurated the first line of cars "American", between Santos and Santa Apolonia.

After the Americans came the Streetcar system at 31 August 1901 and were followed after the buses in the 40's with the first to be acquired for service to the World Expo held in Bethlehem. Over the years, were built new stations, and bet heavily on fleet renewal which caused the Carris obtain certification in 2006. By 2011 Carris then came, continuing to focus on improving the service, with the arrival of new buses, but forgetting a little bet in trams. In fact they were the starting point of Carris and are in them than most European cities bet.

Then the company would go through the most difficult days of the crisis installed in Portugal and plans that led to the drastic reduction of services and crew, and today Carris is almost unrecognizable taking into account what we have been accustomed throughout its glorious history 143 years. Will soon be the concessionary bus routes to a private company - the Avanza, a process that has done much ink to flow in the newspapers and a lot of defense. Although no decision of the Constitutional Court on the permission granted in our molds, the signing is expected shortly as soon as the end of the current legislature. The future is so uncertain with the opposition parties to promise that if they win the elections is anything to go back to how it was here.

Then we will see what the future holds and if a year from now we may be here to write again about the centennial anniversary of this public transport company.

A brief history of Carris, is available more fully in the book «Lisbon and Prague tram" which can be purchased at the facebook.com/lisbonandpraguebytram page.

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

«This is 24 tram?» no Chiado Tram Tour...

Dois meses depois voltei ao Chiado Tram Tour, onde surgem turistas que perguntam: «This is 24 tram?» 

Digamos que é uma amostra porque o trajecto é realmente «pequeno e caro», dizem os turistas após uma viagem completa e mais curta quando o eléctrico fica a meio do trajecto devido a uma viatura mal estacionada ou devido às cargas e descargas das cervejas numa zona onde o consumo é tanto que requer abastecimento diário. 

As pessoas ainda não se habituaram à presença do eléctrico passados todos estes meses e as interrupções continuam a marcar o dia de trabalho de quem ali tem de prestar serviço. As viagens ora se fazem num instante, ora demoram eternidades, o que torna complicado cumprir o horário pré-estabelecido e os turistas rapidamente entendem isso acabando por fazer a volta completa. Os carros buzinam perante a marcha lenta do eléctrico que a custo lá vai passando aqui e ali e nem quero imaginar o tempo que levará uma viagem do Carmo a Campolide no futuro. O certo é que o circuito tem de ser prolongado para ter mais procura porque a funcionar como "elevador" tem pouca procura para o desgaste de material a que está sujeito.

Amanhã estou de volta ao Castle Tram Tour e na esperança que tão cedo não volte para estes lados, porque torna-se muito chato andar com o eléctrico vazio quase todo o dia, onde o tempo parece custar mais a passar... 

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

«O Marques» trouxe de volta o 15 para o Rossio...

«O 15 voltou ao Rossio...», dizem os entusiastas. Mas na verdade ele não passa ainda da Praça da Figueira. O motivo pela expressão, deve-se à reabertura do renovado restaurante «O Marques», o conhecido entusiasta e coleccionador de eléctricos da Carris, que tanto tem feito na defesa e preservação deste emblemático transporte que faz parte da história da capital portuguesa, no passado e que continua a marcar presença no presente. 

Admirado por lisboetas e por quem visita a capital, os eléctricos estão cada vez mais presentes nos espaços comerciais, seja através de vídeos, fotografias ou objectos de recordações e até miniaturas. Assim sendo, os eléctricos não poderiam deixar de marcar presença vincada neste espaço característico e já emblemático de Lisboa, embora ainda desconhecido por muitos, onde aliás já eram lembrados através de alguns objectos em exposição.

Agora o Paulo Marques, decidiu dar mais "vida" ao seu restaurante, proporcionando um espaço mais agradável, mantendo o acolhimento que sempre foi de excelência para quem o visita. Localizado atrás do Teatro Nacional D.Maria II, «O Marques» destaca-se agora de imediato para quem chega a partir da Praça do Rossio, local onde em tempos partia a linha 15 de Eléctricos, rumo ao Estádio do Jamor (início dos anos 40).

A fotografia do eléctrico tipo "Salão", o 326 (do qual é proprietário fisicamente) dá-lhe as boas vindas ao fundo dos carris que durante 80 anos ajudaram o ascensor da Bica a vencer o declive da Rua da Bica de Duarte Belo e que agora estão n'«O Marques» para lhe indicar o caminho para o local onde se pode encontrar a excelente relação qualidade-preço.

Quem já conhece o Marques, sabe que a sua paixão pelos eléctricos começou quando ainda era criança. No principio dos anos 90 começou a fotografar e já em 1996 tinha adquirido o primeiro eléctrico, o n.º 615. Os anos foram passando e o entusiasmo aumentando. Chegou ao ponto de criar um pavilhão no seu terreno particular, para receber os eléctricos que ia adquirindo, a stands de automóveis, em terrenos baldios, ou até mesmo a vizinhos espanhóis, recentemente eles foram reorganizados num novo espaço conforme o Diário do Tripulante anunciou e divulgou aqui.

Mas já em 2009 o Diário do Tripulante, tinha aqui dado a conhecer este restaurante que se situa na Travessa do Forno, 11 e que não consta na maioria dos guias turísticos, mas que vale certamente pela visita e acima de tudo pela comida. É o verdadeiro e típico restaurante português. Estão lá os tremoços, as pipas do vinho e claro os rojões. O Paulo e o Vítor são so irmãos que herdaram o negócio dos pais e que dão a cara por este espaço que está sempre bem composto e para o qual se sugere uma reserva para desfrutar de um bife à Marques ou escolher entre a carta disponível, os três ou quatro pratos diários disponíveis.

Não deixe a mesa sem provar o doce da casa de uma casa que agora tem o amarelo como predominante e a modernidade junta com a história da própria cidade em cada fotografia colocada sobre as mesas. Recorde-se que para além do gosto que nutre pelos eléctricos e pela sua história, o proprietário deste restaurante sabe bem receber e tem há já 25 anos, bem no centro da cidade um espaço que é tipicamente português e que dá gosto visitar. Fica feita a sugestão, para uma pausa a meio da tarde ou para uma refeição mais completa. O restaurante «O Marques», fica na Travessa do Forno n.º 11, junto ao quartel dos Bombeiros do Rossio (atrás do teatro D.Maria II).

A sugestão está dada, portanto resta agradecer ao Paulo Marques, a amabilidade com que me recebeu como sempre esta tarde. 

"The Marques' brought back the 15 to Rossio ...

"The 15 returned to Rossio ...", say enthusiasts. But in fact it does not even pass the Figueira Square. The the term reason is due to the reopening of the renovated restaurant "The Marques', the known enthusiast and Carris tramway collector, who has done so much to defend and preserve this emblematic transportation that is part of the history of the Portuguese capital last and continues to be present in the present.

Admired for Lisbon and visitors to the capital, the trams are increasingly present in commercial spaces, either through videos, photos or memories of objects and even thumbnails. Thus, the trams could not fail to score creased presence in this characteristic and already emblematic area of ​​Lisbon, though still unknown to many, which incidentally were already reminded through some objects on display.

Now Paul Marques, decided to give more "life" to your restaurant, providing a more pleasant space, keeping the reception has always been excellent for those who visit. Located behind the National Theatre of D. Maria II, "The Marques 'stands out now immediately for those arriving from the Rossio Square, where once broke a 15 Electrical line, towards the Jamor stadium (in the early' 40).

A photograph of the trolley type "Hall", the 326 (which physically owner is) gives you welcome to the bottom of the rails that for 80 years helped lift Bica overcome the slope of the Duarte Belo Bica Street and are now n '"The Marques' to indicate you the way to the place where you can find excellent value for money.

It is recalled that in addition to the taste that nourishes for trams and for its history, the owner of this restaurant knows well received and there has already been 25 years, right in the city center a space that is typically Portuguese and a pleasure to visit. It is the suggestion made for a break in the afternoon or for a more complete meal. The restaurant "The Marques' is on the Travessa do Forno No. 11, near the  Rossio Fire Station (behind the theater D. Maria II).

The suggestion is given, then left thank Paulo Marques, kindness in receiving me as usual this afternoon.

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Há 114 anos a circular electricamente sobre carris nas ruas de Lisboa

Fundada em 1872 no Brasil, a Carris – Companhia de Carris de Ferro de Lisboa, trouxe para a capital portuguesa no ano seguinte, o transporte «americano» com carros puxados por animais, que vieram assim substituir as carroças até então muito utilizadas. A primeira linha foi entre a Estação da linha Férrea Norte e Leste (Stª. Apolónia) e o então extremo Oeste do Aterro da Boa Vista (Santos).

Os alfacinhas acotovelavam-se para ver aqueles «32 carros elegantes, sólidos, de boa construção», que prometiam alívios a muitos pés e rapidez nas deslocações. E se o sucesso foi enorme, logo no primeiro domingo de serviço, com 6000 passageiros transportados em 7 carros, maior seria o sucesso dos eléctricos que vieram substituir «os americanos» a 31 de Agosto de 1901.

No princípio foi o susto, mas depressa os lisboetas acalmaram. Renderam-se aos encantos práticos dos amarelos que entraram assim na história da cidade, que viria a crescer em redor das novas linhas de eléctricos.

Dia e noite, os operários trabalharam nas ruas da cidade, abrindo valas, desviando canalizações e instalando carris, abrindo assim caminho a uma nova era do transporte público em Lisboa, com a chegada dos eléctricos que já tinham chegado às instalações da Carris em Junho. Ao todo eram 80 carros abertos, com uma lotação de 36 passageiros sentados e 5 de pé, e de 75 carros fechados, que levavam 24 passageiros sentados e 14 de pé.

“Os guarda-freios, de fato azul-escuro, calças com lista vermelha e galões dourados no boné de pala direita, e os condutores aperaltados com uniforme idêntico, mas com listas douradas nas calças e galões prateados no chapéu, estavam prontos para levarem os eléctricos no seu primeiro passeio oficial. Às 6 da manhã do dia 31 de Agosto de 1901 foi inaugurado o serviço de eléctricos, na linha entre o Cais do Sodré e Algés. Ao longo do caminho, juntou-se gente para admirar os carros, comentar as modernices do letreiro luminoso que indicava o destino do veículo, o fender, designado como salva-vidas na versão portuguesa, encurvado na dianteira do eléctrico como protecção contra atropelamentos, a campainha estridente que avisava os distraídos para se afastarem do meio da rua.”, lê-se no livro «Aventuras sobre Carris».

Rapidamente foram esquecidos os americanos e os medos respeitantes aos choques eléctricos que dizia-se que estes iam causar, mas ainda assim havia quem “aconselhasse a formação de uma Associação dos Fluminados dos Carros Eléctricos, não fosse o Diabo tecê-las...”

Mas a frota da Carris foi crescendo à semelhança das carreiras e com o passar dos anos já ninguém dispensava os eléctricos que em 1910 tinham já uma extensão de 114 Kms. Vinte anos mais tarde foram atingidos os 147 Kms, mas actualmente são apenas 48Kms divididos pelas 5 carreiras actuais. Muitos foram os modelos que compuseram a frota ao longo dos anos e muitos foram também as alcunhas que os eléctricos foram tendo. Do «São luís» aos «Caixotes», não esquecendo o «Afonso Costa» ou os «Almaranjas», eles foram os antecessores dos actuais «Remodelados» e «Articulados» que efectuam o serviço público regular de passageiros 114 anos depois da inauguração da tracção eléctrica em Lisboa. Hoje os eléctricos “lutam” tenazmente pela sua sobrevivência!



E se na época poucos foram os que ficaram indiferentes ao aparecimento dos eléctricos, hoje ainda muitos são os que dão preferência  a este transporte típico da cidade de Lisboa, mesmo que haja carreiras de autocarros sobrepostas nos percursos dos carris. Hoje como há 114 anos, os eléctricos fazem parte do quotidiano da capital portuguesa e é o delírio para muitos dos turistas que nos visitam. A importância desta data, não podia deixar de ser referida neste “Diário do Tripulante” que hoje apresenta algumas imagens sobre os nossos eléctricos.

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