sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Hoje assinalam-se os 143 Anos da Carris!

143 Anos! Poucas são as empresas que se podem gabar de ter tantos anos de vida. A Carris, agora inserida na designada e recente marca "Transportes de Lisboa" completa hoje 143 anos de vida.

Independentemente de uma administração conjunta com o metro e Transtejo, para os seus trabalhadores, nomeadamente tripulantes que são a cara da empresa, será sempre Carris. Uma longa história que só é possível ser contada graças a todos nós, passageiros e funcionários. Todos juntos fazemos a história de uma empresa que em 18 de Setembro de 1872 foi fundada no Rio de Janeiro. A Companhia Carris de Ferro de Lisboa, introduziu na cidade o então moderno sistema de transporte, composto por carris instalados na via pública por onde circulavam carruagens puxadas por animais – os chamados «americanos», que tornaram mais cómodas as viagens até então realizadas noutras carruagens que não evitavam o mau estado das vias por onde passavam. E um ano depois era então inaugurada a primeira linha de carros «americanos», entre Santos e Santa Apolónia.

Depois dos Americanos vieram os Eléctricos a 31 de Agosto de 1901 e seguiram-se depois os autocarros nos anos 40 com os primeiros a serem adquiridos para serviço à Exposição Mundial que se realizou em Belém. Ao longo dos anos, construíram-se novas estações, e apostou-se fortemente na renovação da frota o que fez com que a Carris obtivesse a certificação em 2006. Até 2011 a Carris vinha então, continuando a apostar na melhoria do serviço, com a vinda de novos autocarros, mas esquecendo um pouco a aposta nos eléctricos. Na verdade foram eles o ponto de partida da Carris e são neles que a maioria das cidades europeias aposta.

Depois a empresa viria a passar por dias mais difíceis com a crise instalada em Portugal e planos que levaram à redução drástica de serviços e tripulantes, e hoje a Carris está quase irreconhecível tendo em conta ao que nos foi habituando ao longo da sua gloriosa história de 143 anos. Em breve serão concessionadas as carreiras de autocarro a uma empresa privada – a Avanza, num processo que tem feito correr muita tinta nos jornais e muita contestação. Embora ainda sem decisão do Tribunal Constitucional quanto à permissão da concessão nos moldes apresentados, a assinatura está para breve assim como o fim da actual legislatura. O futuro é portanto incerto com partidos da oposição a prometerem que caso vençam as eleições é tudo para voltar a ser como era até aqui.

Veremos então o que o futuro nos reserva e se daqui a um ano poderemos estar aqui a escrever novamente sobre o aniversário desta centenária empresa de transportes públicos. 

A história resumida da Carris, está disponível de forma mais completa no livro «Lisboa e Praga de Eléctrico» que pode ser adquirido na página do facebook.com/lisbonandpraguebytram 

English version:

143 Years! There are few companies that can boast of having so many years. Carris, now inserted in the designated and recent brand "Transports of Lisbon" complete today 143 years of life.

Regardless of a joint administration with the Metro and Transtejo, for their employees, including crew members who are the face of the company, will always Carris. A long history that can only be told thanks to all of us, passengers and employees. All together we make the history of a company that on September 18, 1872 was founded in Rio de Janeiro. The Carris of Lisbon Iron, introduced in the city then modern transportation system, composed of rails installed in the street where circulated drawn carriages animals - so-called "American", which made it convenient travel so far performed in other carriages that did not prevent the poor state of the roads through which they passed. And a year later it was then inaugurated the first line of cars "American", between Santos and Santa Apolonia.

After the Americans came the Streetcar system at 31 August 1901 and were followed after the buses in the 40's with the first to be acquired for service to the World Expo held in Bethlehem. Over the years, were built new stations, and bet heavily on fleet renewal which caused the Carris obtain certification in 2006. By 2011 Carris then came, continuing to focus on improving the service, with the arrival of new buses, but forgetting a little bet in trams. In fact they were the starting point of Carris and are in them than most European cities bet.

Then the company would go through the most difficult days of the crisis installed in Portugal and plans that led to the drastic reduction of services and crew, and today Carris is almost unrecognizable taking into account what we have been accustomed throughout its glorious history 143 years. Will soon be the concessionary bus routes to a private company - the Avanza, a process that has done much ink to flow in the newspapers and a lot of defense. Although no decision of the Constitutional Court on the permission granted in our molds, the signing is expected shortly as soon as the end of the current legislature. The future is so uncertain with the opposition parties to promise that if they win the elections is anything to go back to how it was here.

Then we will see what the future holds and if a year from now we may be here to write again about the centennial anniversary of this public transport company.

A brief history of Carris, is available more fully in the book «Lisbon and Prague tram" which can be purchased at the facebook.com/lisbonandpraguebytram page.

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

«This is 24 tram?» no Chiado Tram Tour...

Dois meses depois voltei ao Chiado Tram Tour, onde surgem turistas que perguntam: «This is 24 tram?» 

Digamos que é uma amostra porque o trajecto é realmente «pequeno e caro», dizem os turistas após uma viagem completa e mais curta quando o eléctrico fica a meio do trajecto devido a uma viatura mal estacionada ou devido às cargas e descargas das cervejas numa zona onde o consumo é tanto que requer abastecimento diário. 

As pessoas ainda não se habituaram à presença do eléctrico passados todos estes meses e as interrupções continuam a marcar o dia de trabalho de quem ali tem de prestar serviço. As viagens ora se fazem num instante, ora demoram eternidades, o que torna complicado cumprir o horário pré-estabelecido e os turistas rapidamente entendem isso acabando por fazer a volta completa. Os carros buzinam perante a marcha lenta do eléctrico que a custo lá vai passando aqui e ali e nem quero imaginar o tempo que levará uma viagem do Carmo a Campolide no futuro. O certo é que o circuito tem de ser prolongado para ter mais procura porque a funcionar como "elevador" tem pouca procura para o desgaste de material a que está sujeito.

Amanhã estou de volta ao Castle Tram Tour e na esperança que tão cedo não volte para estes lados, porque torna-se muito chato andar com o eléctrico vazio quase todo o dia, onde o tempo parece custar mais a passar... 

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

«O Marques» trouxe de volta o 15 para o Rossio...

«O 15 voltou ao Rossio...», dizem os entusiastas. Mas na verdade ele não passa ainda da Praça da Figueira. O motivo pela expressão, deve-se à reabertura do renovado restaurante «O Marques», o conhecido entusiasta e coleccionador de eléctricos da Carris, que tanto tem feito na defesa e preservação deste emblemático transporte que faz parte da história da capital portuguesa, no passado e que continua a marcar presença no presente. 

Admirado por lisboetas e por quem visita a capital, os eléctricos estão cada vez mais presentes nos espaços comerciais, seja através de vídeos, fotografias ou objectos de recordações e até miniaturas. Assim sendo, os eléctricos não poderiam deixar de marcar presença vincada neste espaço característico e já emblemático de Lisboa, embora ainda desconhecido por muitos, onde aliás já eram lembrados através de alguns objectos em exposição.

Agora o Paulo Marques, decidiu dar mais "vida" ao seu restaurante, proporcionando um espaço mais agradável, mantendo o acolhimento que sempre foi de excelência para quem o visita. Localizado atrás do Teatro Nacional D.Maria II, «O Marques» destaca-se agora de imediato para quem chega a partir da Praça do Rossio, local onde em tempos partia a linha 15 de Eléctricos, rumo ao Estádio do Jamor (início dos anos 40).

A fotografia do eléctrico tipo "Salão", o 326 (do qual é proprietário fisicamente) dá-lhe as boas vindas ao fundo dos carris que durante 80 anos ajudaram o ascensor da Bica a vencer o declive da Rua da Bica de Duarte Belo e que agora estão n'«O Marques» para lhe indicar o caminho para o local onde se pode encontrar a excelente relação qualidade-preço.

Quem já conhece o Marques, sabe que a sua paixão pelos eléctricos começou quando ainda era criança. No principio dos anos 90 começou a fotografar e já em 1996 tinha adquirido o primeiro eléctrico, o n.º 615. Os anos foram passando e o entusiasmo aumentando. Chegou ao ponto de criar um pavilhão no seu terreno particular, para receber os eléctricos que ia adquirindo, a stands de automóveis, em terrenos baldios, ou até mesmo a vizinhos espanhóis, recentemente eles foram reorganizados num novo espaço conforme o Diário do Tripulante anunciou e divulgou aqui.

Mas já em 2009 o Diário do Tripulante, tinha aqui dado a conhecer este restaurante que se situa na Travessa do Forno, 11 e que não consta na maioria dos guias turísticos, mas que vale certamente pela visita e acima de tudo pela comida. É o verdadeiro e típico restaurante português. Estão lá os tremoços, as pipas do vinho e claro os rojões. O Paulo e o Vítor são so irmãos que herdaram o negócio dos pais e que dão a cara por este espaço que está sempre bem composto e para o qual se sugere uma reserva para desfrutar de um bife à Marques ou escolher entre a carta disponível, os três ou quatro pratos diários disponíveis.

Não deixe a mesa sem provar o doce da casa de uma casa que agora tem o amarelo como predominante e a modernidade junta com a história da própria cidade em cada fotografia colocada sobre as mesas. Recorde-se que para além do gosto que nutre pelos eléctricos e pela sua história, o proprietário deste restaurante sabe bem receber e tem há já 25 anos, bem no centro da cidade um espaço que é tipicamente português e que dá gosto visitar. Fica feita a sugestão, para uma pausa a meio da tarde ou para uma refeição mais completa. O restaurante «O Marques», fica na Travessa do Forno n.º 11, junto ao quartel dos Bombeiros do Rossio (atrás do teatro D.Maria II).

A sugestão está dada, portanto resta agradecer ao Paulo Marques, a amabilidade com que me recebeu como sempre esta tarde. 

"The Marques' brought back the 15 to Rossio ...

"The 15 returned to Rossio ...", say enthusiasts. But in fact it does not even pass the Figueira Square. The the term reason is due to the reopening of the renovated restaurant "The Marques', the known enthusiast and Carris tramway collector, who has done so much to defend and preserve this emblematic transportation that is part of the history of the Portuguese capital last and continues to be present in the present.

Admired for Lisbon and visitors to the capital, the trams are increasingly present in commercial spaces, either through videos, photos or memories of objects and even thumbnails. Thus, the trams could not fail to score creased presence in this characteristic and already emblematic area of ​​Lisbon, though still unknown to many, which incidentally were already reminded through some objects on display.

Now Paul Marques, decided to give more "life" to your restaurant, providing a more pleasant space, keeping the reception has always been excellent for those who visit. Located behind the National Theatre of D. Maria II, "The Marques 'stands out now immediately for those arriving from the Rossio Square, where once broke a 15 Electrical line, towards the Jamor stadium (in the early' 40).

A photograph of the trolley type "Hall", the 326 (which physically owner is) gives you welcome to the bottom of the rails that for 80 years helped lift Bica overcome the slope of the Duarte Belo Bica Street and are now n '"The Marques' to indicate you the way to the place where you can find excellent value for money.

It is recalled that in addition to the taste that nourishes for trams and for its history, the owner of this restaurant knows well received and there has already been 25 years, right in the city center a space that is typically Portuguese and a pleasure to visit. It is the suggestion made for a break in the afternoon or for a more complete meal. The restaurant "The Marques' is on the Travessa do Forno No. 11, near the  Rossio Fire Station (behind the theater D. Maria II).

The suggestion is given, then left thank Paulo Marques, kindness in receiving me as usual this afternoon.

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Há 114 anos a circular electricamente sobre carris nas ruas de Lisboa

Fundada em 1872 no Brasil, a Carris – Companhia de Carris de Ferro de Lisboa, trouxe para a capital portuguesa no ano seguinte, o transporte «americano» com carros puxados por animais, que vieram assim substituir as carroças até então muito utilizadas. A primeira linha foi entre a Estação da linha Férrea Norte e Leste (Stª. Apolónia) e o então extremo Oeste do Aterro da Boa Vista (Santos).

Os alfacinhas acotovelavam-se para ver aqueles «32 carros elegantes, sólidos, de boa construção», que prometiam alívios a muitos pés e rapidez nas deslocações. E se o sucesso foi enorme, logo no primeiro domingo de serviço, com 6000 passageiros transportados em 7 carros, maior seria o sucesso dos eléctricos que vieram substituir «os americanos» a 31 de Agosto de 1901.

No princípio foi o susto, mas depressa os lisboetas acalmaram. Renderam-se aos encantos práticos dos amarelos que entraram assim na história da cidade, que viria a crescer em redor das novas linhas de eléctricos.

Dia e noite, os operários trabalharam nas ruas da cidade, abrindo valas, desviando canalizações e instalando carris, abrindo assim caminho a uma nova era do transporte público em Lisboa, com a chegada dos eléctricos que já tinham chegado às instalações da Carris em Junho. Ao todo eram 80 carros abertos, com uma lotação de 36 passageiros sentados e 5 de pé, e de 75 carros fechados, que levavam 24 passageiros sentados e 14 de pé.

“Os guarda-freios, de fato azul-escuro, calças com lista vermelha e galões dourados no boné de pala direita, e os condutores aperaltados com uniforme idêntico, mas com listas douradas nas calças e galões prateados no chapéu, estavam prontos para levarem os eléctricos no seu primeiro passeio oficial. Às 6 da manhã do dia 31 de Agosto de 1901 foi inaugurado o serviço de eléctricos, na linha entre o Cais do Sodré e Algés. Ao longo do caminho, juntou-se gente para admirar os carros, comentar as modernices do letreiro luminoso que indicava o destino do veículo, o fender, designado como salva-vidas na versão portuguesa, encurvado na dianteira do eléctrico como protecção contra atropelamentos, a campainha estridente que avisava os distraídos para se afastarem do meio da rua.”, lê-se no livro «Aventuras sobre Carris».

Rapidamente foram esquecidos os americanos e os medos respeitantes aos choques eléctricos que dizia-se que estes iam causar, mas ainda assim havia quem “aconselhasse a formação de uma Associação dos Fluminados dos Carros Eléctricos, não fosse o Diabo tecê-las...”

Mas a frota da Carris foi crescendo à semelhança das carreiras e com o passar dos anos já ninguém dispensava os eléctricos que em 1910 tinham já uma extensão de 114 Kms. Vinte anos mais tarde foram atingidos os 147 Kms, mas actualmente são apenas 48Kms divididos pelas 5 carreiras actuais. Muitos foram os modelos que compuseram a frota ao longo dos anos e muitos foram também as alcunhas que os eléctricos foram tendo. Do «São luís» aos «Caixotes», não esquecendo o «Afonso Costa» ou os «Almaranjas», eles foram os antecessores dos actuais «Remodelados» e «Articulados» que efectuam o serviço público regular de passageiros 114 anos depois da inauguração da tracção eléctrica em Lisboa. Hoje os eléctricos “lutam” tenazmente pela sua sobrevivência!



E se na época poucos foram os que ficaram indiferentes ao aparecimento dos eléctricos, hoje ainda muitos são os que dão preferência  a este transporte típico da cidade de Lisboa, mesmo que haja carreiras de autocarros sobrepostas nos percursos dos carris. Hoje como há 114 anos, os eléctricos fazem parte do quotidiano da capital portuguesa e é o delírio para muitos dos turistas que nos visitam. A importância desta data, não podia deixar de ser referida neste “Diário do Tripulante” que hoje apresenta algumas imagens sobre os nossos eléctricos.

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

"Preso por ter cão e preso por não ter"

E a loucura continua nas ruas de Lisboa. Filas intermináveis de turistas nas paragens dos eléctricos e nas pastelarias mais conhecidas. Espera-se 1 hora para entrar a bordo do 28 porque querem ir sentados e espera-se o mesmo tempo numa fila para a pastelaria para se comer um pastel de nata. Eis Lisboa no auge do turismo e sem capacidade de resposta para tanta procura. Hoje andei pela 15 durante a tarde e terminei o dia na 28 e por todo o lado havia procura a mais para a oferta disponível, facto este que nos leva na maioria das vezes a esquecer limites de lotação até porque é impossível controlar as pessoas que entram e saem a cada paragem que percorremos.

Se muitos agradecem o "jeitinho" aqui e ali, porque cabe sempre mais um, outros há que não gostam cá de apertos. E se não há em casa com quem implicar, porque não implicar com o guarda-freio só porque sim?

A "srª.regras", apelido que acabei de dar à senhora, surge no final da fila na paragem do Largo Camões com destino aos Prazeres e pergunta se ainda pode entrar. Sem lhe ver o rosto ou sequer a sombra, porque já tinha um turista a tapar-me a visibilidade da porta, digo-lhe para tentar, porque não conseguia ver se cabia ou não, desde que a porta fechasse e eu visse o espelho, não haveria problema. Mas a senhora prepotente de imediato disse: «mas o senhor é que tem de dizer se há ou não lugar para mim. Deve haver regras e limites de lotação. Quero apenas saber se é seguro!?»

-Pois bem, então, se está assim tão preocupada é porque certamente não tem pressa e pode esperar pelo próximo que venha mais vazio e que seja mais seguro. Disse-lhe. Todos os que percebiam português repudiaram a atitude daquela senhora que talvez quisesse que pedisse alguém para sair para que ela pudesse entrar para se sentir mais segura. Afinal de contas, embirrou só porque sim, porque todos viam que estava cheio e que não era necessária tanta conversa, até porque um jeitinho ali e outro aqui, até cabia. Afinal nesta carreira somos presos por ter cão e por não ter...  

E agora o melhor: Modo folga activo! para a semana há mais. Boas viagens a bordo dos veículos da CCFL

domingo, 9 de agosto de 2015

O acordar de Lisboa num regresso à 28E e com muitas histórias para contar...

São 07h05 de Domingo, 09 de Agosto de 2015 quando entro na estação. O expedidor fica admirado de me ver e afirma que caí da cama. Mas depois de 20 dias no Tram Tour que inicia após as 09h30, estive de volta à 28E. Confesso que tinha saudades, embora durante todo este tempo, só tenha visto carros cheios, paragens com filas intermináveis e colegas desesperados pela hora do fim do serviço. 

A carreira 28E é a mais bonita como trajecto mas é também a mais cansativa, contudo eu estava à espera deste dia para poder descansar um pouco da condução exigente que requerem os eléctricos do tipo 700. O dia prometia ser quente a confirmar-se pelas temperaturas altas ainda de madrugada. Muito álcool a correr pelas veias de quem deambulava pela 24 de Julho e uma operação stop no local habitual.

Com o eléctrico já preparado, lá segui rumo à Praça da Figueira, sem grandes enchentes porque na minha frente seguia um 15E, a "varrer" as paragens. Primeira viagem com partida do Martim Moniz para os Prazeres às 08h00 e na paragem estavam já turistas. Não quero imaginar a que horas acordaram nem questionar se terão tomado o pequeno almoço. Entram, validam o título de transporte, procuram lugar à janela porque ainda há a esta hora lugares para escolha. A cidade ainda está meio adormecida quando arrancamos em direcção à Almirante Reis. Rua após rua, alcançamos a Graça e pelo percurso vou-me apercebendo que fotografam tudo o que vão vendo e o que não vão vendo. 

O aproximar de uma rua, faz com que ajeite-se a objectiva, pressiona-se o botão e logo se verá se tem algo que se aproveite. Muitos "bons dias", coisa rara nos tempos que correm. Alcançamos o Largo das Portas do Sol, local privilegiado para ver o nascer do Sol, com todo aquele casario de Alfama e torres de igrejas a contemplarem a vista com o Tejo a espelhar a luz por todo o lado. Deixemos-nos de imagens poéticas que a viagem só termina nos Prazeres. A viagem que habitualmente demora 45 a 50 minutos, faz-se a estas horas em apenas 25 minutos, mas os turistas começam aos poucos a sair dos hoteis, hostels e apartamentos locais e o 28 vai enchendo. 

A manhã passa num instante e num entra e sai constante de gente em busca do Castelo enquanto que outros buscam apenas um lugar sentado para curtir a viagem. Os que vão nas janelas ainda captam uns frames, aos restantes restam-lhes segurarem-se onde seja possível. Na frente surge um grupo de turistas em segways, que guiados por quem julga ser autoridade, parou o trânsito para que ocupassem a via. Não me chateei porque era domingo e porque há muito que não ia à 28E. Chateei-me sim com um grupo de italianos que à força queriam entrar no eléctrico quando este transbordava já pelas portas e janelas. 

Digo-lhes que têm de esperar o próximo e eles dizem que não! Digo-lhes que sim e eles insistem em empurrar ao ponto de já eu estar quase fora da minha cadeira. Cada um fala mais alto que outro e eu tenho de gritar e dizer que enquanto não saírem o eléctrico não pode continuar porque não consigo conduzir com pessoas ao meu colo. Saíram finalmente do eléctrico e prossegui até ao Castelo onde o eléctrico ficou vazio. Entram mais turistas. Russos e franceses. Os russos entram e sentam-se no último banco do eléctrico. Pergunto-lhes quem paga a viagem e questionam-me o preço. Digo-lhes que é 2.85€ cada pessoa e respondem-me em russo algo que não entendi mas que devia querer dizer que era muito caro. 

As francesas entram com um bilhete comprado a bordo às 09h15 quando já eram 11h20. Explico-lhes que já não era válido porque era só para uma viagem. Dizem-me que «mas é para uma hora...» Digo-lhes que não. Que quando comprado a bordo é apenas para essa viagem e que mesmo que fosse uma hora já tinha expirado. Até que uma das três compreende e pede então um bilhete. Paga o bilhete, entrego-lhe o mesmo e as amigas dizem «então para comprar outro vamos noutro sentido» e saíram as três. Vá-se lá entender esta gente. Pagaram um bilhete para atravessarem a estrada e a Carris agradece!

Confesso que já tinha saudades destas aventuras pela carreira mais louca da Europa e quiçá... do mundo, onde muito mais havia por contar como por exemplo querer fazer uma agulha para manobrar o eléctrico no Camões e a chave de agulhas não estar apta para tal situação e ter os turistas a rirem-se de um guarda-freio afoito em querer desenrascar-se como podia...  

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

"Lisboa e Praga de Eléctrico / Lisabon a Praha z tramvaje" já à venda! nyní na prodej!

O que têm em comum Lisboa e Praga? Muito e nada! Mas têm ambas o eléctrico como imagem característica de quem as visita e foi nesse sentido, que em 2014 comecei a trabalhar num novo projecto inspirado no trabalho do fotógrafo checo René Kubasek que em 2004 fotografou "Lisboa e Praga aos olhos dos guarda-freios". Ora 10, quase 11 anos depois muito mudou em ambas as cidades mas a importância dos eléctricos, essa manteve-se inalterável. E é nesse sentido que surge o meu novo livro «Lisboa e Praga de Eléctrico» que pretende dar a conhecer a história dos eléctricos de forma resumida mas também dar a conhecer o que se pode ver em ambas as capitais através de uma viagem de Eléctrico. 

Com o importante apoio da Embaixada da República Checa, da Dopravni Podnik hl. Mesto de Praha e do Museu da Carris, este novo livro segue a imagem a preto e branco do projecto em que se baseou e pretende ser o ponto de partida para uma verdadeira e única troca de imagens entre as duas capitais através da página do facebook.com/lisbonandpraguebytram 



O livro encontra-se já à venda por 12.00€ e pode recebê-lo em sua casa comodamente sem pagar mais por isso, bastando apenas enviar um email com os seus dados para lisbonandpraguebytram@gmail.com mas está também à venda em alguns locais da cidade de Lisboa e em breve estará possivelmente disponível em Praga.





To, co mají společné Lisabonu a v Praze? Mají mnoho a nic! Ale oba mají pravomoc jako charakteristický obrázek o tom, kdo návštěvy, a to bylo v tomto smyslu, který v roce 2014 začal pracovat na novém projektu, inspirovaného dílem České fotografem René Kubásek, kteří v roce 2004 fotografoval "Lisabon a Prahu v očích brzdaře." Nyní 10, téměř 11 let později se mnohé změnilo v obou městech, ale význam elektrický, toto zůstalo beze změny. A to je to, co přijde svou novou knihu "Lisabonskou a pražské tramvaje", která má za cíl představit historii elektrického krátce, ale také poznat, co lze vidět v obou hlavních městech přes tramvajové výlet.



Díky významné podpory Velvyslanectví České republiky, Dopravní podnik hl. Mesto Praha a Carris muzeum, tato nová kniha navazuje na snímek v černé a bílé projektu, na kterém se opřela a chce být výchozím bodem pro skutečně unikátní výměnu obrázků mezi oběma hlavními městy přes facebookové stránce. com / lisbonandpraguebytram



Kniha je již v prodeji za -325.00 CZK do může přijímat jej pohodlně do vaší domácnosti, aniž by platit víc za to, jen zasláním e-mailu s vaše údaje lisbonandpraguebytram@gmail.com, ale je také v prodeji v částech Lisabon a brzy bude k dispozici pravděpodobně v Praze.




quarta-feira, 29 de julho de 2015

25E: A carreira dos 100 metros de barreiras...

Esta semana voltei a ter um serviço numa carreira de serviço público depois de algum tempo nos turísticos. Estive de volta à 25E, a tal carreira pela qual nunca morri de amores. E foi um regresso simpático até certa altura, porque a 15 minutos de render para terminar o serviço, lá tinha de apanhar uma interrupção que me impedia de chegar à Estrela onde iria ser rendido por um colega. 

O dia começou cedo e se já há alguns dias os horários de verão entraram em vigor, muitos ainda não se terão habituado e não é de estranhar portanto que ao abrir da porta uma senhora entre e diga «Tão tarde! estou há imenso tempo à espera...» e escusado será dizer que não teve resposta da minha parte, pois já cheguei à conclusão que além de nem sempre educados, eles não compreendem só o que não lhes convém. Para a próxima se disser "bom dia", talvez tente explicar que estão em vigor novos horários.

Mas foi um dia em que fiquei igualmente a saber que há clientes que já apelidam esta carreira, como a carreira dos 100 metros de barreiras e não é para menos. Na verdade, o senhor que entrou no Corpo Santo com destino aos Prazeres, lá disse logo na entrada «vamos lá ver quantas barreiras temos hoje...» E se não entendi o que queria dizer de início, logo me apercebi quando parei junto ao Mini Preço para habitual descarga de mercadoria. «Ora cá temos a primeira barreira...»

Uns metros à frente, uma carrinha mal estacionada e «segunda barreira»... Foi rápido a aparecer o dono e prosseguimos viagem até ao Ascensor da Bica, onde um camião descarregava e carregava um contentor de entulho e o senhor lá disse novamente... «Terceira barreira, pá mas esta é uma barreira enorme...», minutos depois lá prosseguimos e lá fomos encontrando mais barreiras pelo caminho e certamente por mais de 100 metros. 

E assim vão os dias neste verão quente e cada vez mais repleto de turistas...

Translate