quarta-feira, 15 de julho de 2015

Férias: Já planeou as suas? Em breve uma nova sugestão para quem procura um destino Europeu...

Chegou a época habitual em que a maioria dos portugueses gozam alguns dias de férias, contudo outros há que não os podem gozar nesta época e acabam por escolher outros destinos no inverno, no entanto os transportes públicos não podem parar, apesar da habitual redução da oferta, que é nestes meses adequada à procura, salvo nas carreiras mais turísticas onde a redução faz mossa dada a afluência de turistas e talvez por isso a carreira 28E seja das poucas que não sofre alterações com horários de verão, porque nesta carreira digamos que é verão o ano inteiro (risos).

Se muitos escolhem Lisboa para as merecidas férias, outros há que estão desejosos que estes dias cheguem para explorar outras cidades, outros países e é nesse sentido que procurei embarcar num novo projecto em paralelo com este do Diário do Tripulante, com foco em duas capitais europeias onde o eléctrico ainda é imagem de marca de quem as visita. À cidade de Lisboa, junta-se assim Praga, a capital da República Checa, que fica a 2.776 Km de Lisboa. As duas capitais, embora distantes, têm muito em comum. Do rio à arquitectura diversa, dos eléctricos à história. 

Sendo Praga o meu destino favorito europeu, e tendo já lá estado por três vezes, este projecto apresenta assim num só livro as duas cidades que cresceram com a sua rede de eléctricos que se foi expandido. Inspirado num trabalho fotográfico de René Kubašek, que em 2004 fotografou "Lisboa e Praga aos olhos dos guarda-freios", este livro estará muito em breve disponível para venda e em três línguas, porque não se dirige apenas para portugueses que procuram outras paragens, mas também para aqueles que procuram Lisboa como destino das suas férias. "Lisboa e Praga de Eléctrico", não é apenas um livro com fotografias a preto e branco das duas capitais. É muito mais que isso. É um livro que conta a história das duas empresas de transporte no que aos eléctricos diz respeito, ainda que de forma reduzida, mas que dá a conhecer Lisboa e Praga ao longo das carreiras de eléctrico ainda existentes. 

Uma viagem diferente e divertida que liga também o livro que o acompanhará na viagem, à rede social facebook, onde poderá posteriormente relatar as suas experiências e partilhar também as suas fotografias. Esta edição de autor, estará disponível muito em breve em algumas livrarias de Lisboa, na Loja do Museu da Carris, e claro, aqui através da compra on-line com os portes de envio grátis. Fiquem atentos à chegada deste novo livro que lhe convida ao conhecimento, à exploração e à viagem por duas das mais bonitas capitais do continente europeu.

Página do projecto no Facebook: https://www.facebook.com/lisbonandpraguebytram

terça-feira, 7 de julho de 2015

Informação: De férias e com novo projecto a ser publicado em breve

Têm sido alguns os mails que têm chegado a este blogue, no sentido de saber o que se passa pelo facto de pouco ter sido publicado nos últimos tempos. Na verdade está tudo bem comigo, e trata-se apenas de falta de tempo livre para poder relatar o que se vai passando nos carris, numa Carris que já viveu melhores dias. O aumento da carga horária, assim como a entrada num novo projecto pessoal, já aqui divulgado à direita tem feito com que a escrita na blogosfera tenha ficado em stand-by. Digamos que está de greve como tem estado todo o sector dos transportes nestes últimos tempos, contra a destruição das referidas empresas, para dar lugar a verdadeiros negócios da china. A Carris e o Metro passam em breve a ser geridos pelos espanhóis com capitais mexicanos e quanto aos eléctricos ninguém sabe. Ninguém nos diz nada. 

A incerteza, o impasse, o futuro está assim nas mãos de alguém, sem sabermos quem. Também este, um factor desmoralizador que poderá ter contribuído para a ausência de textos, porque na verdade histórias e situações há todos os dias, seja pelo atraso do eléctrico, pelo carro mal estacionado ou simplesmente por alguém que vem chateado do trabalho e descarrega no tripulante. 

Entretanto iniciei um curto período de férias, que servirá para olear um pouco o novo projecto que pretende dar a conhecer Lisboa e Praga de Eléctrico, as duas capitais europeias onde o eléctrico é imagem de marca para quem as visita. O livro sairá muito em breve, mas até lá já está disponível no facebook a plataforma de suporte ao projecto que será publicado em Português, Checo e Inglês.

Visite http://www.facebook.com/lisbonandpraguebytram e siga nesta viagem à descoberta das capitais de Portugal e da República Checa.

sábado, 13 de junho de 2015

De Lisboa para Alemanha e para o mundo...

Depois do convite feito por uma jornalista alemã que vive em Lisboa, fiz então um percurso pela cidade das sete colinas, mostrando cantos e recantos de uma cidade que a cada esquina tem sua história para contar. 

Numa tarde agradável pelas ruas de Alfama, foi com gosto que dei a conhecer o bairro onde cresci e por onde hoje, circulo aos comandos do eléctrico 28 ou do eléctrico turístico. Numa entrevista para o seu blogue pessoal que retrata Lisboa aos olhos dos seus habitantes, Eva apresenta então «Das Lissabon von Rafael Santos», ou seja, «Lisboa por Rafael Santos».

E os mais diversos temas são abordados num longo texto acompanhado por imagens captadas ao longo do trajecto que fizemos da Baixa a Alfama. As perguntas mais frequentes, as tradições, as festas de Lisboa e o Santo António e claro a praga dos tuk-tuk. 

Tudo num artigo publicado em Alemão porque é para alemães que ela escreve, mas que pode ser lido com recurso à tradução on-line do google. Apanhe então boleia desta viagem pelas ruas de Alfama e seus encantos, no blogue de Eva Mäkler:












domingo, 7 de junho de 2015

De volta ao Chiado e com direito a dar apoio a um 28...

Depois de uma semana no Castle Tram Tour, eis que hoje regressei ao Chiado Tram Tour, e como é sempre bom regressar a esta carreira, que nos dá a ideia que estamos a conduzir numa nova cidade, porque afinal de contas há 20 anos que não circulavam por ali eléctricos e eu só tenho 8 anos de Carris. As pessoas continuam a estranhar a presença do eléctrico, mas é com agrado que o vêem passar e hoje o dia foi de surpresas. Primeiro, tive as duas primeiras viagens do dia com boa procura por parte dos turistas que estão em Lisboa, que mesmo sabendo que o trajecto era curto aproveitaram para desfrutar do bilhete que permite entrar e sair do eléctrico. Segundo porque tive um turista da Áustria que também é entusiasta de eléctricos que veio em busca do 24, e que ficou satisfeito com o trajecto, prometendo voltar em Setembro, na esperança que o Chiado Tram Tour já se inicie no Carmo em direcção a Campolide.

Mas a surpresa das surpresas estava para chegar no Príncipe Real quando um táxista parou ao meu lado e perguntou se era para continuar a ir ali. Disse-lhe que sim e talvez para prolongar ás Amoreiras e não é que ele ficou radiante com a notícia, chegando a dizer que «finalmente que apostam no eléctrico que isso é óptimo para Lisboa e para o turismo...»

Tive as primeiras interrupções neste trajecto também neste domingo, primeiro com um carro mal estacionado e depois com uma avaria de um eléctrico da 28E que também ela hoje se iniciava no L.Camões para a Estrela, que me impediu de passar durante algum tempo, e esteve comigo o Paulo Marques o entusiasta e coleccionador de Eléctricos ex-CCFL que tem o restaurante «O Marques» atrás do Teatro D. Maria II. Um dia em cheio que culminou com um auxílio no reboque ao 565, provando que os velhos 700 ainda estão "ali para a curvas" e com um grupo de turistas chineses que creio terem contribuído para o record diário deste recente trajecto inaugurado a 28 de Maio de 2015.

Mas as pessoas querem e mais e nós também por isso agora é esperar que chegue o prolongamento até Campolide para que explorar ao máximo o potencial turístico desta carreira.

quarta-feira, 3 de junho de 2015

"Chiado Tram Tour": Eléctrico no Príncipe Real 20 anos depois...

Há 20 anos que não se ouvia o mítico som do compressor e da válvula de um eléctrico nas ruas do Bairro Alto e Príncipe Real. Agora o eléctrico voltou a subir a Rua da Misericórdia, dando uso aos carris que por ali permaneciam longe da agitação ferroviária, e tudo graças ao novo circuito turístico da Carristur apelidado de «Chiado Tram Tour». A surpresa pelo regresso do eléctrico tem sido um misto de satisfação, alegria mas também desagrado e descontentamento. Há de tudo e para todos os gostos, sobretudo porque o trajecto é curto e o preço é turístico, ou não fosse este um trajecto criado para isso mesmo. 

Inaugurado a semana passada, quando frequentava o curso de formação para renovar a minha habilitação para certificação de motoristas (CAM), o Chiado Tram Tour, voltou sem dúvida a trazer ao topo das notícias e conversas o tão desejado regresso da carreira 24E. Contudo, a falta de material circulante não permite para já a reabertura da linha enquanto serviço público, o que não quer dizer que não possa ainda vir a acontecer. Mas continuo a defender que é preferível ter um circuito embora pequeno a fazer circular eléctricos, que os ter parados na estação. Nesta primeira fase a viagem completa dura apenas 20 minutos e liga o Largo Camões ao Príncipe Real com um bilhete que custa 6 euros e que é válido por 24 horas. No entanto há sempre a possibilidade de se comprar um bilhete de 14 euros que é válido também no «Castle Tram Tour» que começa na Praça da Figueira e circula pela colina da Graça e Castelo num trajecto de 40 minutos.

Confesso que deu-me prazer voltar a andar de eléctrico pelas ruas onde o mesmo há 20 anos atrás tinha deixado de passar, e agora a conduzi-lo, o prazer foi ainda maior, sobretudo ao ver a surpresa dos transeuntes que ainda não estão habituados a ver o verde a passar por ali. O mesmo se passa com os automobilistas e sobretudo com as cargas e descargas que ao ouvirem o tilintar da campainha ficam surpreendidos com a nossa presença. Há turistas que acham caro e há os que dizem ser uma volta surpreendente. A passagem pela Igreja de São Roque e pelo Miradouro de São Pedro de Alcântara onde chegamos a dizer um "Olá" ao Ascensor da Glória são os principais pontos de atracção que se juntam ao fantástico jardim do Príncipe Real onde agradáveis esplanadas convidam à contemplação. 

Uns metros à frente há o Jardim Botânico que a pé se chega em 5 minutos, enquanto o trajecto não é prolongado às Amoreiras ou até Campolide, algo que parece estar previsto para o início do Inverno, altura essa em que já deverá haver eléctrico também no Carmo, passando assim o Chiado Tram Tour a iniciar viagem junto ao Elevador de Santa Justa e Convento do Carmo, e a terminar nas Amoreiras. Resta-nos portanto esperar pelos próximos episódios porque por enquanto o trajecto continuará a ser curto mas ainda assim atractivo sobretudo graças ao seu audio-guia e interessante para quem pretende explorar o bairro dado que o bilhete permite entradas e saídas ao longo do trajecto.






terça-feira, 26 de maio de 2015

776: Ao som dos pássaros numa carreira onde se respira saúde...

Embora não fosse uma prioridade para este ano, a Carris, decidiu que eu devia efectuar já a formação para a renovação do CAM. O CAM foi mais uma daquelas siglas que foram inventadas na Europa para sacar dinheiro a quem precisa de trabalhar e no fundo é uma qualificação para exercer a função de motorista. Regressei então à sala onde em 2007 fui recebido quando entrei na Carris. O primeiro dia de formação, custa sempre um pouco sobretudo para quem está habituado a andar no movimento, nada que não se aguente, até porque o saber não ocupa lugar e aprende-se sempre com as acções de formação, nem que seja na troca de opiniões em sala. A manhã foi dedicada aos primeiros socorros e a parte da tarde foi dedicada à condução económica e defensiva.

Já hoje foi dia de condução e de voltar à borracha. A ver passar os eléctricos, lá fui até Algés onde iria iniciar o meu serviço na carreira 776, carreira esta que veio substituir os eléctricos que outrora chegaram à Cruz Quebrada. Nunca tinha trabalhado nesta carreira, pelo que tudo era uma novidade nesta tarde quente de Maio. Como cheguei um pouco antes à rendição, aproveitei a boleia do colega Porfírio que de forma simpática lá me foi dando as dicas ao longo do trajecto. "Cuidado com o espelho naquele poste, aqui a estrada aperta um pouco, ali tens de abrir mais para curvar e é levar isto na boa..."

Caminho revisto, estava então na hora de meter as mãos ao volante, nesta acção que pretende neste dia ver através de um sistema informático a minha condução, para amanhã ser avaliada em sala e na quinta-feira voltar ao volante para ver os resultados após a formação. 

No geral, a carreira é pequena e dá bastantes viagens num serviço, contudo, o dia passa normalmente com passageiros que na maioria saúdam o motorista, coisa rara nos tempos que correm. Encontrei muitos colegas reformados da Carris ao longo do trajecto onde se respira bom ar e muita saúde, ou não terminasse esta carreira junto à Faculdade de Motricidade Humana. Longe das enchentes turísticas do 28E ou do 15E hoje o dia foi calmo e ao som dos pássaros no concelho de Oeiras. E assim vão as viagens pelos veículos da CCFL...

Não consegui estar presente nos primeiros testes efectuados no regresso do eléctrico ao Príncipe Real passados 20 anos, mas voltei a estar no terminal da Cruz Quebrada onde também não ia à muitos anos. Quanto ao Chiado Tour, arranca já dia 28 com um trajecto entre L.Camões e P.Real. 

sábado, 9 de maio de 2015

Uma orientação desorientada entre São Vicente e Santa Apolónia em plena Praça do Comércio...

Em plena Praça do Comércio, no intervalo de uma viagem no circuito das colinas, uma senhora portuguesa atravessa a rua na minha direcção e em modo apressado inicia um diálogo que podia fazer perder a paciência a qualquer um...



Senhora: -Como vou para São Vicente? (Sim é normal não ter dito boa tarde, porque não interessa ser bem educado/a mas sim saber como se vai do ponto x para y)
Eu: -Na terceira rua depois do arco, apanha o eléctrico 28.
Senhora: -Mas não passa aqui na Praça do Comércio?
Eu: -Se passasse aqui, não mandava a senhora para a terceira rua depois do arco...
Senhora: -Está bem, mas então é o 28? Terceira rua? Mas....
(Pausa)
Senhora: -Mas não passa aqui nada para Santa Apolónia?
Eu: -Sim passa o 728, 735, 759, mas perguntou-me por São Vicente...
Senhora: -Sim mas Santa Apolónia a São Vicente é um instante.
Eu: -Então é fazer como achar melhor para si...
Senhora: -É que tenho de estar às 17h30 em São Vicente... A que horas é que chega o eléctrico e o autocarro?
Eu: -Não sei senhora, mas passam entre 10 a 15 minutos, compreenda que têm horários diferentes...
Senhora: -Está bem, então terceira rua, mas qual, sabe o nome?
Eu: -Sim terceira rua, é a Rua da Conceição.
Senhora: -E como vou para lá afinal?
Eu: -Passa por baixo do arco triunfal e vira na terceira à esquerda que tem lá a paragem.
Senhora: -Mas a rua da Conceição não é para ali? (Apontando para a Rua de Alfândega)
Já egotado de paciência...
Eu: -Desculpe lá mas já lhe disse tudo e já lhe dei duas hipóteses para o que me perguntou, agora decida-se e oriente-se. 
Senhora: -Desculpe lá, mas que disparate, perde a paciência muito rapidamente...

Pudera, até um Santo perdia a paciência perante tanta ignorância junta! Afinal de contas eu falo chinês?!  

quinta-feira, 7 de maio de 2015

8 Anos sobre Carris...

E hoje assinalam-se 8 anos desde o dia em que entrei na Companhia Carris de Ferro de Lisboa, onde iniciei funções como motorista, desempenhando actualmente o cargo de guarda-freio. São 8 anos de muitas histórias, de muitas viagens e de um gosto pelos transportes que cresce de ano para ano, embora com alguns espinhos ao longo das últimas viagens. Costumo dizer que tive sorte, quando a 7 de Maio de 2007 entrava nas instalações da Carris para uma nova carreira da minha vida profissional, depois de uma passagem pelo mundo da comunicação social, onde me faltou aquele factor "C". 


Na Carris encontrei o caminho para conduzir os meus objectivos pessoais e profissionais, porque adoro conduzir, porque admiro o contacto (nem sempre fácil) com o público e porque gosto de movimento. Estava portanto no caminho certo. O gosto por representar esta marca e vestir a farda que outrora impunha respeito, foi-se mantendo e apesar de tudo, da crise, dos "roubos" a que temos sido sujeitos, continuo diariamente a desempenhar funções aos comandos dos veículos da CCFL, com a mesma dedicação, empenho e paixão. Com o mesmo orgulho em vestir a camisola e acreditar que o futuro será melhor que o presente. 

Quanto ao futuro, ninguém saberá o que nos reserva por enquanto, mas eu pessoalmente gostava que a Carris dos tempos da imagem que acompanha este texto, voltasse e que eu por cá continuasse muitos e bons anos. A todos os que têm seguido esta viagem, a continuação de uma boa viagem a bordo dos veículos da CCFL, e de preferência, pública!

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