quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Adeus 2014...Olá 2015: A noite mais longa do ano

O guião repete-se ano após ano. O cenário tem como fundo o fogo de artifício e pelo meio, vários episódios desde a correria pelas compras de última hora para um jantar especial ou pela busca do melhor local para se dar as boas vindas ao novo ano e deixar para trás o ano que termina. Mas enquanto uns festejam, outros há que contam os minutos e até mesmo as horas. Assim é na Carris, como em tantas outras empresas, quando a família tem de ficar em segundo plano para que se cumpra mais uma noite de serviço. Se no Natal o deserto instala-se ao final da tarde de 24 de Dezembro, já quando se comemora a passagem de ano, o papel inverte-se.

O entardecer faz trazer para a rua o reboliço de uma noite que se espera sempre de festa, mas que nem sempre acaba da melhor forma. Ao que parece este ano até nem foi dos piores, a constatar pelas reportagens televisivas e também nos transportes públicos não terá sido das mais complicadas. Ainda assim, este ano as ruas do centro da cidade voltaram a ser tomadas pelos peões que roubaram o lugar aos carros por uma noite. Assim foi na Praça do Comércio onde a música deu as boas vindas a 2015 acompanhado de muito champanhe. 

Passei na praça perto das 05h15 rumo à estação de Santo Amaro onde iniciaria mais um dia de trabalho, o primeiro de 2015 e ainda eram muitos os vestígios de uma longa noite, muitas eram as luzes azuis das sirenes das ambulâncias e carros de polícia, muitos eram os cantoneiros que tentavam disfarçar a cara com que Lisboa iria acordar. A dificuldade em entrar no meu local de trabalho foi inesperada até porque nem me lembrava que lá dentro e em pleno Museu da Carris, o espaço tinha sido alugado para um "Reveillon" diferente, dando à estação um fervilhar de outros tempos, mas com outros estados de espírito, na minha opinião nem sempre os mais adequados, para um local onde circulam veículos sobre carris. Tempos modernos, onde a história dá lugar à diversão.

Inicio o serviço de plantão, para colmatar alguma falta de última hora e sem saber ainda a que horas iria regressar a casa. Mas não correu mal. Fiz uma troca de carro por avaria da roldana na carreira 28E e fiz quatro viagens e meia na carreira 15E, corri assim a cidade de uma ponta à outra, verificando assim que este dia 1 estava igual a si mesmo, com uma cidade a acordar deserta mas que com o passar das horas se encheu de turistas que escolheram Lisboa para dar as boas vindas a 2015.

E que para o ano de 2016 cá estejamos todos novamente a relatar como foi a noite, a madrugada e o primeiro dia do ano que certamente não será muito diferente deste. A todos os votos de um óptimo 2015.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Próspero Ano 2015

O Diário do Tripulante deseja a todos os seus leitores, passageiros e amigos...
Um Próspero Ano 2015!


** Boas Festas **

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quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

O 28 é dos melhores do mundo e agora quem o diz são os australianos e a SIC foi perceber o porquê...

O 28 anda nas bocas do Mundo e desta vez o eco vem da Austrália através do jornal The Daily Telegraph que o acaba de eleger como  um dos melhores eléctricos do Mundo. Com o seu trajecto característico e digo eu, único, o eléctrico que liga o Martim Moniz aos Prazeres volta assim a subir ao topo de uma lista onde constam outras cidades como por exemplo Genebra (Suíça), Istambul (Turquia), Melbourne (Austrália), Casablanca (Marrocos), Amesterdão (Holanda), Toronto (Canadá), Praga (República Checa) e São Francisco (EUA).

A SIC quis saber o porquê desta eleição e subiu a bordo do 28, viajando pelas ruas estreitas de Alfama e falando com portugueses e estrangeiros que no fundo são a razão da existência deste ex-libris da capital portuguesa que já originou igualmente muitas das histórias aqui relatadas neste blogue e publicadas também no livro "Diário do Tripulante - As melhores histórias e aventuras" que neste Natal pode ser adquirido pelo preço promocional de 10€.




sábado, 13 de dezembro de 2014

No reino do salve-se quem puder...

Sempre que estacionar ou abandonar o seu veículo para ir às compras, lembre-se que outras pessoas usam transporte público para fazer o que você faz e sem poder parar à porta do supermercado ou do estabelecimento. Não pense só no seu umbigo. Afinal de contas a rua é de todos. 


Assim começou este sábado que marcou o meu regresso ao circuito das Colinas, que foi antecipado por um serviço ocasional que deixou logo apresentada a nossa cidade no que ao civismo diz respeito. Primeiro um carro mal estacionado impediu a passagem do eléctrico na Estrela. Remediada a situação com uma manobra com o objectivo de inverter a marcha nos Prazeres, eis que nos deparamos com outro veículo sobre os carris porque alguém tinha decidido ir comprar um tecido, talvez para estender na mesa de Natal. 

Sim o Natal não é só coisas boas, com ele vem o trânsito, os carros que param em todo o lado para comprar uma prenda, e claro não podemos esquecer que com o Natal vem a triste ideia da Câmara Municipal de Lisboa fechar ao trânsito a Ribeira das Naus, apagar as luzes da Praça do Comércio, e as filas que nos deixam parados longos minutos...

sábado, 6 de dezembro de 2014

[Off Topic]: Eléctrico de Natal já circula pelas ruas de Lisboa

Arrancou hoje mais uma edição do Eléctrico de Natal da Carris e este ano com uma parceria da YellowBus, a marca de turismo da Carris que vem assim dar a oportunidade de todos andarem a bordo do eléctrico que tem o pai natal aos comandos. Com partidas da P.Comércio das 10h às 12h30 e das 14h00 às 16h3o, as viagens têm duração de 1 hora e irão repetir-se nos próximos dias 7,8,13,14 e 20 de Dezembro. Durante a semana as viagens estão reservadas para as escolas. 

A viagem ao rítmo de temas natalícios passa pela Praça da Figueira, Rua dos Fanqueiros, Cais do Sodré, Av. 24 de Julho, Estação de Santo Amaro onde inverte o percurso para voltar à Praça do Comércio. Os adultos pagam 6 euros, as crianças 3 euros e o pack família (2 Adultos+2 Crianças) custa 15 euros. As crianças até aos 3 anos não pagam. As luzes que decoram o eléctrico vêem-se ao longe e quando este se aproxima o tilintar do sino chama a atenção dos mais distraídos que não o deixam de seguir com um simples olhar. É a magia do Natal de volta às ruas da capital e este ano em tons de cor-de-rosa à semelhança do ano anterior.


sábado, 8 de novembro de 2014

"Interruption day" na 25E: Até quando!?

A situação é já normal há muito pelos lados de Santos, Lapa mas sobretudo na Rua de São Paulo. Centenas de pessoas vêm o seu trajecto diário ser interrompido por alguém que pensa exclusivamente no seu umbigo. A situação ocorre várias vezes por semana e prejudica seriamente o serviço prestado pela Carris que tem quase sempre de esperar pela disponibilidade de um reboque para remover os carros que impedem a passagem do eléctrico.

E são cada vez menos os dias em que há apenas uma interrupção. Esta sexta-feira não foi uma, não foram duas, não foram três, enfim foram demasiadas interrupções para um só dia. E começaram cedo porque se de manhã a carreira já tinha sido perturbada por causa de um acidente entre terceiros, já após ter iniciado o meu serviço ás 14h00 na Estrela, bastou-me vir à Rua da Alfândega para no regresso aos Prazeres ficar parado no Largo de Santos com um BMW mal estacionado. 

Comuniquei a interrupção à CCT e aguardei o reboque para remover o carro que no seu interior tinha um livro com um título interessante: "Descobre porque vieste ao doutor", o que me levou de imediato  a sugerir um novo livro para o senhor ou senhora que conduzia este carro que passará nada mais, nada menos por "Descobre porque não está aqui o carro do doutor"...

Resolvida a interrupção, prossegui então viagem para os Prazeres, mas na viagem seguinte, nova paragem devido a um carro mal estacionado. Desta feita em plena Rua de São Paulo, onde além da falta de consciência de quem estaciona, uma simples alteração no estacionamento autorizado resolvia a questão. Bastava retirarem 5 centímetros ao passeio, mas parece que não há vontade de ninguém em querer resolver esta questão, ou diz-se mesmo que não se pode mexer na quota do passeio, quando há em Lisboa passeios bem mais estreitos que aquele.

Mas burocracias à parte, o certo é que é sempre o utilizador do transporte público, aquele que escolhe um meio mais sustentável e amigo do ambiente, a ser prejudicado em detrimento daqueles que ainda chegam por vezes ao local e não estando satisfeitos com o prejuízo que já estão a causar, ainda dizem que "mas acho que passa!", como se fosse vontade do tripulante estar a parar um transporte público para poder observar o modelo do carro ou simplesmente apanhar um pouco de ar.

Desta feita, não foi o reboque que veio resolver a situação, mas sim os braços dos turistas e restantes passageiros que cansados de esperar decidiram meter mãos à obra e pegar no carro para dentro do recorte, de forma a que o eléctrico conseguisse prosseguir viagem, com o habitual "farrobadó" de palmas e gritaria pela emoção de terem conseguido com que o eléctrico se voltasse a mover. Sorte a do proprietário da viatura que se livrou de o ir buscar ao parque da PSP. 

Mas mais estaria para vir, quando pensava eu que já bastava por este dia. Nova interrupção já perto das 20h00 em Santos, precisamente no mesmo local da primeira interrupção aqui referida, mas agora com a chapa da minha frente. E mais um desfecho diferente porque aqui apareceu a dona do carro que o chegou para a frente passados 25 minutos, o que não fez no entanto, com que se livrasse da multa porque a PSP já estava no local a autuar.

O certo é que o dia não poderia terminar sem mais episódios deste género até porque esta "série" tem mais impacto quando se trata de uma sexta-feira. A zona de Santos com inúmeros bares e discotecas, faz com que assim seja. E na última viagem dos Prazeres para a Rua de Alfândega, já atrasados devido à interrupção anterior, lá ficaram os eléctricos uma vez mais parados porque alguém decidiu estacionar em plena via de trânsito.

E assim ficou a carreira parada entre as 21h05 e as 23h00, quando apareceu o reboque para rebocar esta viatura. Mas se pensa que ficou por aqui engana-se porque uns metros mais à frente estava mais um a impedir a passagem, porque afinal esta sexta-feira era dia dos artistas do volante andarem à solta e o provável é terem feito uma concentração na zona de Santos. Contudo, aqui a solução foi mais rápida porque a condutora estava a jantar no restaurante em frente. Após ouvir a campainha do eléctrico tocar, pousou os talheres, passou o guardanapo pelos lábios, levantou-se e num sprint dirigiu-se ao carro para que pudéssemos seguir finalmente viagem rumo ao Corpo Santo, porque o tardar da hora já não garantia a ninguém, que se passasse bem na Rua de Alfândega. 

Um dia realmente atípico, em todos os aspectos, até porque tinha trocado eu o meu serviço para sair mais cedo, por ter um jantar de aniversário combinado e quando era suposto sair ás 21h30 acabei por terminar o meu serviço às 23h45 porque até seguir viagem na recolha rumo a Santo Amaro, ainda haveria de apanhar nova interrupção e desta feita por um carro da Polícia Municipal, porque provavelmente naquela hora já não deveriam passar eléctricos e porque nestas noites há sempre ocorrências em volta dos estabelecimentos deste eixo onde a vida nocturna consegue superar a rotina diária daquela artéria da cidade. E agora questiono eu uma vez mais: Mas até quando isto continuará assim? Até quando não haverá uma solução para esta carreira poder circular sem constrangimentos?  

Será que custa muito a autarquia meter os olhos nesta situação que acontece todos os dias e que prejudica a vida a quem anda de transportes públicos, numa cidade que se quer mais sustentável e amiga do ambiente?

Ficam as perguntas e fica também mais um dia para esquecer neste quotidiano lisboeta...

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

A mentira tem perna curta, mesmo quando viaja no 15E

"A mentira tem perna curta". O ditado é antigo, mas continua bem actual, sobretudo a bordo dos transportes públicos quando os casais entram entusiasmados com os seus filhos pedem dois bilhetes apenas porque acham que dizer que os filhos tem menos de 4 anos é tarefa fácil e que os leva a poupar uns euros. Contudo, já deveriam saber que os mesmos quando estão nestas idades, gostam sempre de dizer a verdade ou até mesmo acrescentar mais uns anos para se fazerem mais homens e mulheres. Eles são sempre os mais sinceros e desmascaram os pais quando eles menos esperam. 

Surgem depois os "sorrisos amarelos" ou o "psshhhtt cála-te" acompanhado de um chega para lá. Mas se isto acontece sobretudo na carreira 28E, já o mesmo não se passa na carreira 15E, onde os bilhetes são adquiridos nas máquinas de venda a bordo, não sendo portanto necessário dizer ao guarda-freio os bilhetes pretendidos, ficando à responsabilidade do passageiro a compra do mesmo. Mas também entre a P.Figueira e Algés viaja a mentira e não por poucas vezes. 

Mas também aqui a "mentira tem perna curta". E a culpa é do sistema de aviso de paragens. Porque a qualquer momento está disposto a contrariar quem ao telefone diz estar ainda em Algés, querendo fazer com que a pessoa do outro lado acredite e ainda tenha de esperar algum tempo, quando o sistema acaba de dizer logo no instante seguinte... «Próxima paragem... Santos, correspondência com o comboio.»

Mas o inverso também acontece e hoje quando hoje na paragem da Rua Pinto Ferreira, um senhor dizia ao telefone para quem o ouvia desesperado por tanto esperar que, «estou já a chegar à Praça da Figueira, mais 5 minutos e estou aí...» Mas eis que o sistema decide avisar: "Próxima Paragem... Hospital Egas Moniz" e ao que parece do outro lado terão ouvido, até porque o eléctrico naquela viagem ia quase vazio o que faz com que o som do sistema seja mais audível. Não sei o que terá perguntado quem o escutava, o certo é que o senhor que viajava no eléctrico mesmo junto à cabine, ficou um pouco atrapalhado e disse...«Egas Moniz? Não, deve ter ouvido mal, já passámos até o Calvário, isto deve estar é avariado...»

Afinal de quem é a culpa? É da Carris claro está, que nem deixa os clientes mentir. É portanto caso para lembrar o filme português onde entra António Silva...

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