quinta-feira, 19 de junho de 2014

Lisboa ao rubro pelas melhores e piores razões...

Lisboa está ao rubro, e os turistas nem parecem estar de férias. Correm, gritam, e stressam diariamente por causa de uma simples viagem de eléctrico e nem a realização dos jogos do Mundial de futebol que se realiza no Brasil, parece prender por instantes a atenção de quem anda por Lisboa. O caos do trânsito na Baixa mantém-se devido à Avenida Ribeira das Naus estar encerrada, mesmo que as obras estejam paradas ou aparentemente terminadas. A semana tem sido portanto atípica e muito cansativa. Uma viagem que está prevista ser feita em 1h20, chega a levar 2h00 e os atrasos acabam por originar a insatisfação de quem aguarda.

A Polícia Municipal, está cansada de trabalhar na gestão do tráfego nas artérias que ligam à Praça do Comércio e ao Cais do Sodré, e depois acabam por descarregar nos eléctricos turísticos que não dispõem de paragem para receber passageiros na Praça do Comércio, porque o senhor presidente da Câmara de Lisboa, não quer eléctricos a passar na Travessa do Corpo Santo. Com o circuito ao contrário, os turistas já por si desorientados, ficam ainda mais, quando escutam para olhar à direita o que afinal está à esquerda. 

Depois há os grupos que compram bilhete normal e pensam ter um eléctrico reservado para si, o que causa discussões por vezes acesas entre passageiros na disputa por um lugar à janela. E as viagens lá vão correndo dentro das condições disponíveis porque é impossível fazer-se melhor, numa cidade que podia receber melhor quem nos visita. 

Inédito esta semana, só mesmo o facto de não ter encontrado nenhum carro mal estacionado, que parecem ter sido substituídos por alguns acidentes que acabaram por causar as habituais interrupções devido ao tempo que a polícia demora a chegar a um acidente. Assim sendo, só me resta desejar que esta semana chegue rapidamente ao fim porque ao terceiro dia de trabalho já me sinto completamente esgotado e sobretudo porque a próxima semana será marcada pela formação que há muito aguardava - os 700's! Depois outras novidades surgirão neste mundo ferroviário pelas colinas de Lisboa.

A todos os leitores desejo um excelente final de semana e se for o caso, umas óptimas viagens a bordo dos veículos da CCFL. 

domingo, 8 de junho de 2014

Lisboa em festa!

No prato ou no pão a Sardinha já está de volta às ruas de Lisboa. Com ela vem o chouriço assado, o manjerico e claro, o arquinho e balão. As festas de Lisboa 2014 estão de volta para assinalar os santos populares que têm Santo António como anfitrião. Os fados voltaram a andar sobre carris à boleia do 12E e do 28E com a iniciativa "Andar em Festa" e seguem-se agora as noites pelas ruas de Alfama, Mouraria, Bica, Marvila nos tradicionais arraiais que decorrem durante o mês de Junho.

Depois há a grande noite de 12 para 13 que começa com os casamentos de Santo António seguindo-se noite dentro com as Marchas Populares a desfilarem na Avenida e muita animação ao longo de uma noite que não tem fim. Dia 13 Santo António percorre as ruas de Alfama na tradicional procissão e como tão estão previstos os habituais constrangimentos na circulação das carreiras que por ali passam. 

Quem não podia deixar de transportar a sardinha era o tradicional 28E que também já anda há umas semanas decorado a rigor. Este ano também os ascensores fazem alusão aos museus e igrejas circundantes. Vamos lá então andar em festa nesta cidade que é uma festa e boas viagens a bordo dos veículos da CCFL...



terça-feira, 27 de maio de 2014

De olho na net: "Viagens com Vida" na Carris

Directores, guarda-freios, motoristas, agulheiros, cobradores, telefonistas. Falam com o entusiasmo e saudosismo de tempos que já passaram e que dificilmente se voltarão a repetir. Para muitos deles a Carris de hoje não é a que conheceram, mas nenhum deixa de demonstrar o orgulho em ter feito parte desta empresa com mais de 141 anos. "Viagens com Vida" é um documentário sobre as vidas profissionais na Carris, realizado pela PAHDAudiovisuais. Um trabalho que está agora disponível no youtube e que vale a pena ser visto porque também eles fizeram parte da história da Carris...

sábado, 24 de maio de 2014

Hoje falou-se castilhano em Lisboa: ¡HALA MADRID! (com fotos e vídeo)

Qual Páscoa, qual Natal, qual verão? A Final da Liga dos Campeões fez transbordar Lisboa com uma invasão espanhola que logo pela manhã nos fazia querer parecer que estaria-mos em Espanha e não em Portugal. Ruas cortadas, palcos montados, cânticos e muita alegria pelas ruas de um país que tem tido poucos motivos para sorrir. A UEFA escolheu Lisboa há 2 anos como palco da final da prova rainha das competições por equipas na Europa. Hoje todos os caminhos iam dar ao Estádio do Sport Lisboa e Benfica, mas muitos foram os que aproveitaram as primeiras horas na capital portuguesa para conhecer a cidade a bordo dos nossos eléctricos que uma vez mais conseguiram aguentar a pressão de uma elevada procura.

Num sobe e desce constante, e sempre com muita farra à mistura, gritou-se por Ronaldo, relembrou-se Mourinho e Futre. Cantou-se e pulou-se numa viagem que chegou a fazer querer que o eléctrico saltava dos carris. Pintado de vermelho e branco com as cores do Atlético ou de azul e branco com as cores do Real, o 28E encantou os nuestros hermanos com viagens e muitas fotografias num dia que esgotou a paciência e trouxe muitas dores de cabeça aos guarda-freios de serviço. 

O certo é que embora rivais, os adeptos das duas equipas mostraram grande fair-play e acima de tudo desfrutaram de uma viagem por vezes atribulada com carros parados por, falta de combustível ou porque alguém, queria como recordação uma foto tirada na frente do eléctrico. Agora as atenções centram-se no Estádio da Luz e nos ecrãs que transmitem o jogo e certo é que a festa será espanhola.

Para memória ficam as fotografias de um dia em que Lisboa mais pareceu uma cidade espanhola, até porque o inesperado aconteceu, quando uma manifestação de trabalhadores espanhóis da Coca-Cola percorreu as ruas da Baixa, cortando por instantes a circulação dos eléctricos onde se ouvia alto e bom som através da coluna do carro de som da CGTP que «Contra el robo y la injusticia, sólo queda ir a la luta», surpreendendo portugueses e castelhanos que não deixaram de comentar «como és posible los trabajadores españoles hacer una manifestación en Liboa?!». As atenções voltaram-se depois para o futebol mas depois da Champions, vem o Rock in Rio não no relvado da Luz, mas no relvado da Bela Vista em mais um evento que colocará Lisboa no centro das atenções. 

 


E assim foi este sábado de Campeões na carreira 28E...

quinta-feira, 22 de maio de 2014

De França para o Mundo a bordo do emblemático 28E e à descoberta de Lisboa com a reportagem France3

Et voilá, no passado dia 18 de Maio a France 3 emitiu no seu programa "Mediterraneo", a reportagem que a sua equipa realizou em Novembro passado a bordo do eléctrico 28 sobre este ícone da cidade de Lisboa e sobre o livro que teve origem neste blogue - o Diário do Tripulante.  Levei-os então a conhecer as ruas estreitas de Alfama com direito a uma paragem no Miradouro das Portas do Sol ainda antes de iniciar o meu serviço. Se a entrevista a bordo enquanto passageiro se tornou numa tarefa complicada dada a afluência de passageiros no interior, quem nem sempre vêem com bom agrado a presença de uma câmara de televisão, outros há que aproveitam para chamar a atenção do que vai mal, com o objectivo de serem também eles entrevistados. 

Puis nous suivons voyage a bordo do 28E e pelo encanto que cada uma das suas viagens nos oferece num sobe e desce constante que nos guia também ao já emblemático café 28 em pleno bairro do Castelo. Ouçamos os testemunhos de quem viaja a bordo do transporte mais procurado por turistas num retrato sobre o quotidiano lisboeta e seus eléctricos aos olhos da equipa de reportagem francesa...



O Diário do Tripulante agradece à equipa de reportagem da France 3, composta por Yannick Aroussi, Richard de Silvestro e Marie-Line Darcy pelo convite para a entrevista e renova os agradecimentos a Yannick Aroussi pelo envio da reportagem.

terça-feira, 20 de maio de 2014

São Luis voltou a sair à rua em dia dos Museus

Numa parceria entre o Museu da Carris e o Museu dos Coches, no passado dia 18 de Maio, dia quem que se assinala o dia internacional dos Museus, o eléctrico número 2 voltou a sair às ruas de Lisboa para um trajecto entre Santo Amaro e Belém. Para quem não teve oportunidade de viajar no tempo a bordo deste eléctrico no passado Domingo, aqui fica um vídeo de Jorge Ferreira que nos mostra como foi tranquila a viagem pela história entre estes dois pólos museológicos emblemáticos da cidade de Lisboa.


segunda-feira, 12 de maio de 2014

[Off Topic]: Lisboa mexe-se com o "Corredor do BUS"

Chegou ao fim mais uma semana de trabalho para mim e pelo meio, inúmeras foram as provas que se realizaram pela cidade como aliás, tem vindo a ser já um hábito. De bicicleta ou a pé, a correr ou simplesmente a caminhar, o certo é que Lisboa mexe-se e bem. Mas entre as inúmeras provas e iniciativas há uma que merece de facto ser destacada neste blogue, não só pela temática que está directamente ligada ao universo deste blogue, mas também pela originalidade aliada a um conhecimento que se consegue obter da própria cidade de Lisboa. 

"Corredor do BUS" é o nome que João Campos escolheu para o projecto que pretende dar a conhecer Lisboa a correr pelos percursos das carreiras da Carris, embora não seja colocada de parte a possibilidade de serem percorridos trajectos de empresas congéneres. Com ponto de encontro marcado através do Blogue "Corredor do BUS" e divulgado no facebook, os participantes reúnem-se no terminal da carreira escolhida, à hora marcada e sem necessidade de título de transporte, a menos que não consiga chegar ao fim da viagem e recorra à carreira propriamente dita. 

Algumas das carreiras já foram percorridas pelos seguidores desta corrida que não passa despercebida a quem está aos comandos de um eléctrico ou autocarro no trajecto seleccionado. 734, 735, 12E, 28E foram por exemplo algumas das corridas já efectuadas e todas sem horário de passagem ou chegada a cumprir. Pelo meio do percurso são feitas ligeiras pausas para reagrupar e recuperar forças porque a cidade e as suas colinas assim obrigam. 

O projecto é recente, mas prevê-se duradouro e para tal está já marcado o próximo encontro para o dia 17 de Maio, onde a proposta é partir do Cais do Sodré rumo a Santa Apolónia, mas pelo trajecto do 706 que passa por São Bento, Rato, Gomes Freire, Estefânia, P.Chile, Paiva Couceiro, Escola Patrício Prazeres, chegando depois a Santa Apolónia com o Tejo a brindar a chegada ou quem sabe um dos enormes paquetes que por ali costuma atracar. 

E todos estão convidados a participar, bastando seguir as coordenadas e caso necessário obter mais informações através do blogue do Corredor do BUS, onde se pode encontrar também após cada trajecto o relato e as fotos obtidas ao longo da corrida, dando assim ainda mais interesse a um projecto sem dúvida, interessante de se conhecer. Quanto ao Diário do Tripulante, fica a esperança de que em breve seja possível o seu autor reunir forças e trocar também o autocarro ou o eléctrico pelos ténis e correr à descoberta de Lisboa de uma forma descontraída e ao mesmo tempo atlética. 

domingo, 11 de maio de 2014

Turismo electrizante: Corre-se e chora-se por um eléctrico em Lisboa...

Desesperadamente e após longo tempo de espera a turista avista o eléctrico vermelho. No topo sobre fundo preto lê-se «Circuito Turístico». É mesmo este! Sozinha em plena Praça Luís de Camões, no meio de um intenso corrupio de gente que por ali aproveitava mais uma tarde de sol, eis que a porta aberta do eléctrico, mesmo sem o guarda-freio que estava a fazer a agulha no auxílio à manobra do eléctrico 28 que seguia na frente, convidava à entrada daqueles que pouco valor dão ao respeito. Desse aquela porta acesso a um poço sem fim, e entraria certamente na mesma, porque o que interessava era entrar no eléctrico. 

O eléctrico estava com a lotação dos 24 lugares completa. Apercebendo-se da entrada não autorizada da turista, o guarda-freio, encarecidamente explica-lhe que a lotação estava cheia, havendo já e excepcionalmente dois passageiros que optaram por viajar de pé, junto aos dois pontos de escuta da rectaguarda. Teria portanto de aguardar o próximo eléctrico, ou optar pelo 28 uma vez que o bilhete era válido. 

Num intenso e por vezes complexo diálogo em inglês, a turista não queria sequer ouvir o que o guarda-freio tinha para lhe dizer e berrava... berrava, como se não houvesse amanhã, como se o poço não tivesse mesmo fundo e tentasse ouvir o eco de uma reclamação sem sentido algum. O guarda-freio explicava-lhe também que embora válido, o bilhete não garantia lugar no eléctrico seguinte após a saída numa paragem e a turista, desiste e caminha em direcção do chiado, como se o guarda-freio do eléctrico que alegremente tinha visto, fosse o seu maior inimigo de uma estadia em Lisboa. 

O eléctrico prosseguiu a viagem em busca da história que Lisboa dá a conhecer ao longo do trajecto que agora é feito em sentido contrário por imposição da Câmara Municipal que alega haver obras numa rua que está fechada, mas que na verdade não tem obras e está aberta. Os turistas comentam a forma rude e agressiva como a turista tinha abordado a entrada no eléctrico mesmo sem o tripulante estar presente. Passou-se pelo Chiado, desceu-se a Vítor Cordon, para de imediato se subir como se de um "looping" se tratasse. Ao topo avista-se o Castelo e a Graça ao mesmo tempo que se ouve um bruaaa de espanto pela desafogada vista que se obtém. 

Desce-se novamente à Baixa para ganhar fôlego e subir à Graça. A Procissão da Nossa Senhora da Saúde congestiona o trânsito nos Anjos e Martim Moniz e o Circuito das Colinas a par com o emblemático 28, vê-se obrigado a voltar para trás. Segue então viagem para a Praça da Figueira e dali ao Comércio é uma questão de minutos. A turista do Camões surge inesperadamente como a chuva numa bela tarde de sol. Pede para entrar e o guarda-freio, diz-lhe que ali não há paragem e que está cheio. Ela desata novamente a correr em direcção ao eléctrico vermelho que seguia na frente. Mas a guarda-freio diz igualmente que ali não pode entrar. Apenas na Praça do Comércio. A turista revolta-se e abre os braços em desespero. 

Pela atitude e gestos quem estava à volta e não soubesse o que ali se passava, poderia julgar que o Mundo estaria prestes a acabar. A turista não desiste e começa a correr ao lado dos dois eléctricos vermelhos. Também ela fica vermelha da corrida e do calor que se fazia sentir. Chega à Praça do Comércio segundos depois dos eléctricos e mal a porta de trás do eléctrico se abre para os passageiros saírem ainda antes de se iniciar nova viagem, já ela entrava e sentava-se como se de uma verdadeira meta se tratasse. Começa a chorar e diz que está há dois dias a tentar fazer o trajecto e não conseguia entrar porque ou estava cheio ou não havia eléctrico por causa de um carro mal estacionado. 

Os guarda-freios e a promotora de serviço na Praça do Comércio, compreendem o desespero mas explicam ao mesmo tempo que há regras e todas bem explicitas nos folhetos e no audio-guia, onde é dito que «embora seja possível sair em qualquer paragem, poderá no entanto, não ter lugar no veículo seguinte, derivado da reduzida lotação dos eléctricos....», assim como o facto das paragens estarem assinaladas. Afinal de contas em todo o lado a maioria dos transportes param nas paragens indicadas e por cá não é excepção. 

A turista respira fundo, senta-se e consegue finalmente fazer o que tanto desejava, andar no eléctrico vermelho que parte para mais uma viagem, deixando o guarda-freio deste blogue a pensar uma vez mais no tipo de turismo que se faz por aqui. Um turismo que parece querer ser um paralelismo ao stress diário dos portugueses. Um turismo sobre carris e nuns veículos que só por isto são únicos em qualquer parte do Mundo.

E assim se pode resumir e em jeito de prosa parte do caótico dia que foi o desde domingo na cidade de Lisboa. Amanhã há mais e com mais turistas que apesar de tudo são bem vindos e até nos causam igualmente bons momentos. Boas viagens a bordo dos veículos da CCFL.

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