terça-feira, 27 de maio de 2014

De olho na net: "Viagens com Vida" na Carris

Directores, guarda-freios, motoristas, agulheiros, cobradores, telefonistas. Falam com o entusiasmo e saudosismo de tempos que já passaram e que dificilmente se voltarão a repetir. Para muitos deles a Carris de hoje não é a que conheceram, mas nenhum deixa de demonstrar o orgulho em ter feito parte desta empresa com mais de 141 anos. "Viagens com Vida" é um documentário sobre as vidas profissionais na Carris, realizado pela PAHDAudiovisuais. Um trabalho que está agora disponível no youtube e que vale a pena ser visto porque também eles fizeram parte da história da Carris...

sábado, 24 de maio de 2014

Hoje falou-se castilhano em Lisboa: ¡HALA MADRID! (com fotos e vídeo)

Qual Páscoa, qual Natal, qual verão? A Final da Liga dos Campeões fez transbordar Lisboa com uma invasão espanhola que logo pela manhã nos fazia querer parecer que estaria-mos em Espanha e não em Portugal. Ruas cortadas, palcos montados, cânticos e muita alegria pelas ruas de um país que tem tido poucos motivos para sorrir. A UEFA escolheu Lisboa há 2 anos como palco da final da prova rainha das competições por equipas na Europa. Hoje todos os caminhos iam dar ao Estádio do Sport Lisboa e Benfica, mas muitos foram os que aproveitaram as primeiras horas na capital portuguesa para conhecer a cidade a bordo dos nossos eléctricos que uma vez mais conseguiram aguentar a pressão de uma elevada procura.

Num sobe e desce constante, e sempre com muita farra à mistura, gritou-se por Ronaldo, relembrou-se Mourinho e Futre. Cantou-se e pulou-se numa viagem que chegou a fazer querer que o eléctrico saltava dos carris. Pintado de vermelho e branco com as cores do Atlético ou de azul e branco com as cores do Real, o 28E encantou os nuestros hermanos com viagens e muitas fotografias num dia que esgotou a paciência e trouxe muitas dores de cabeça aos guarda-freios de serviço. 

O certo é que embora rivais, os adeptos das duas equipas mostraram grande fair-play e acima de tudo desfrutaram de uma viagem por vezes atribulada com carros parados por, falta de combustível ou porque alguém, queria como recordação uma foto tirada na frente do eléctrico. Agora as atenções centram-se no Estádio da Luz e nos ecrãs que transmitem o jogo e certo é que a festa será espanhola.

Para memória ficam as fotografias de um dia em que Lisboa mais pareceu uma cidade espanhola, até porque o inesperado aconteceu, quando uma manifestação de trabalhadores espanhóis da Coca-Cola percorreu as ruas da Baixa, cortando por instantes a circulação dos eléctricos onde se ouvia alto e bom som através da coluna do carro de som da CGTP que «Contra el robo y la injusticia, sólo queda ir a la luta», surpreendendo portugueses e castelhanos que não deixaram de comentar «como és posible los trabajadores españoles hacer una manifestación en Liboa?!». As atenções voltaram-se depois para o futebol mas depois da Champions, vem o Rock in Rio não no relvado da Luz, mas no relvado da Bela Vista em mais um evento que colocará Lisboa no centro das atenções. 

 


E assim foi este sábado de Campeões na carreira 28E...

quinta-feira, 22 de maio de 2014

De França para o Mundo a bordo do emblemático 28E e à descoberta de Lisboa com a reportagem France3

Et voilá, no passado dia 18 de Maio a France 3 emitiu no seu programa "Mediterraneo", a reportagem que a sua equipa realizou em Novembro passado a bordo do eléctrico 28 sobre este ícone da cidade de Lisboa e sobre o livro que teve origem neste blogue - o Diário do Tripulante.  Levei-os então a conhecer as ruas estreitas de Alfama com direito a uma paragem no Miradouro das Portas do Sol ainda antes de iniciar o meu serviço. Se a entrevista a bordo enquanto passageiro se tornou numa tarefa complicada dada a afluência de passageiros no interior, quem nem sempre vêem com bom agrado a presença de uma câmara de televisão, outros há que aproveitam para chamar a atenção do que vai mal, com o objectivo de serem também eles entrevistados. 

Puis nous suivons voyage a bordo do 28E e pelo encanto que cada uma das suas viagens nos oferece num sobe e desce constante que nos guia também ao já emblemático café 28 em pleno bairro do Castelo. Ouçamos os testemunhos de quem viaja a bordo do transporte mais procurado por turistas num retrato sobre o quotidiano lisboeta e seus eléctricos aos olhos da equipa de reportagem francesa...



O Diário do Tripulante agradece à equipa de reportagem da France 3, composta por Yannick Aroussi, Richard de Silvestro e Marie-Line Darcy pelo convite para a entrevista e renova os agradecimentos a Yannick Aroussi pelo envio da reportagem.

terça-feira, 20 de maio de 2014

São Luis voltou a sair à rua em dia dos Museus

Numa parceria entre o Museu da Carris e o Museu dos Coches, no passado dia 18 de Maio, dia quem que se assinala o dia internacional dos Museus, o eléctrico número 2 voltou a sair às ruas de Lisboa para um trajecto entre Santo Amaro e Belém. Para quem não teve oportunidade de viajar no tempo a bordo deste eléctrico no passado Domingo, aqui fica um vídeo de Jorge Ferreira que nos mostra como foi tranquila a viagem pela história entre estes dois pólos museológicos emblemáticos da cidade de Lisboa.


segunda-feira, 12 de maio de 2014

[Off Topic]: Lisboa mexe-se com o "Corredor do BUS"

Chegou ao fim mais uma semana de trabalho para mim e pelo meio, inúmeras foram as provas que se realizaram pela cidade como aliás, tem vindo a ser já um hábito. De bicicleta ou a pé, a correr ou simplesmente a caminhar, o certo é que Lisboa mexe-se e bem. Mas entre as inúmeras provas e iniciativas há uma que merece de facto ser destacada neste blogue, não só pela temática que está directamente ligada ao universo deste blogue, mas também pela originalidade aliada a um conhecimento que se consegue obter da própria cidade de Lisboa. 

"Corredor do BUS" é o nome que João Campos escolheu para o projecto que pretende dar a conhecer Lisboa a correr pelos percursos das carreiras da Carris, embora não seja colocada de parte a possibilidade de serem percorridos trajectos de empresas congéneres. Com ponto de encontro marcado através do Blogue "Corredor do BUS" e divulgado no facebook, os participantes reúnem-se no terminal da carreira escolhida, à hora marcada e sem necessidade de título de transporte, a menos que não consiga chegar ao fim da viagem e recorra à carreira propriamente dita. 

Algumas das carreiras já foram percorridas pelos seguidores desta corrida que não passa despercebida a quem está aos comandos de um eléctrico ou autocarro no trajecto seleccionado. 734, 735, 12E, 28E foram por exemplo algumas das corridas já efectuadas e todas sem horário de passagem ou chegada a cumprir. Pelo meio do percurso são feitas ligeiras pausas para reagrupar e recuperar forças porque a cidade e as suas colinas assim obrigam. 

O projecto é recente, mas prevê-se duradouro e para tal está já marcado o próximo encontro para o dia 17 de Maio, onde a proposta é partir do Cais do Sodré rumo a Santa Apolónia, mas pelo trajecto do 706 que passa por São Bento, Rato, Gomes Freire, Estefânia, P.Chile, Paiva Couceiro, Escola Patrício Prazeres, chegando depois a Santa Apolónia com o Tejo a brindar a chegada ou quem sabe um dos enormes paquetes que por ali costuma atracar. 

E todos estão convidados a participar, bastando seguir as coordenadas e caso necessário obter mais informações através do blogue do Corredor do BUS, onde se pode encontrar também após cada trajecto o relato e as fotos obtidas ao longo da corrida, dando assim ainda mais interesse a um projecto sem dúvida, interessante de se conhecer. Quanto ao Diário do Tripulante, fica a esperança de que em breve seja possível o seu autor reunir forças e trocar também o autocarro ou o eléctrico pelos ténis e correr à descoberta de Lisboa de uma forma descontraída e ao mesmo tempo atlética. 

domingo, 11 de maio de 2014

Turismo electrizante: Corre-se e chora-se por um eléctrico em Lisboa...

Desesperadamente e após longo tempo de espera a turista avista o eléctrico vermelho. No topo sobre fundo preto lê-se «Circuito Turístico». É mesmo este! Sozinha em plena Praça Luís de Camões, no meio de um intenso corrupio de gente que por ali aproveitava mais uma tarde de sol, eis que a porta aberta do eléctrico, mesmo sem o guarda-freio que estava a fazer a agulha no auxílio à manobra do eléctrico 28 que seguia na frente, convidava à entrada daqueles que pouco valor dão ao respeito. Desse aquela porta acesso a um poço sem fim, e entraria certamente na mesma, porque o que interessava era entrar no eléctrico. 

O eléctrico estava com a lotação dos 24 lugares completa. Apercebendo-se da entrada não autorizada da turista, o guarda-freio, encarecidamente explica-lhe que a lotação estava cheia, havendo já e excepcionalmente dois passageiros que optaram por viajar de pé, junto aos dois pontos de escuta da rectaguarda. Teria portanto de aguardar o próximo eléctrico, ou optar pelo 28 uma vez que o bilhete era válido. 

Num intenso e por vezes complexo diálogo em inglês, a turista não queria sequer ouvir o que o guarda-freio tinha para lhe dizer e berrava... berrava, como se não houvesse amanhã, como se o poço não tivesse mesmo fundo e tentasse ouvir o eco de uma reclamação sem sentido algum. O guarda-freio explicava-lhe também que embora válido, o bilhete não garantia lugar no eléctrico seguinte após a saída numa paragem e a turista, desiste e caminha em direcção do chiado, como se o guarda-freio do eléctrico que alegremente tinha visto, fosse o seu maior inimigo de uma estadia em Lisboa. 

O eléctrico prosseguiu a viagem em busca da história que Lisboa dá a conhecer ao longo do trajecto que agora é feito em sentido contrário por imposição da Câmara Municipal que alega haver obras numa rua que está fechada, mas que na verdade não tem obras e está aberta. Os turistas comentam a forma rude e agressiva como a turista tinha abordado a entrada no eléctrico mesmo sem o tripulante estar presente. Passou-se pelo Chiado, desceu-se a Vítor Cordon, para de imediato se subir como se de um "looping" se tratasse. Ao topo avista-se o Castelo e a Graça ao mesmo tempo que se ouve um bruaaa de espanto pela desafogada vista que se obtém. 

Desce-se novamente à Baixa para ganhar fôlego e subir à Graça. A Procissão da Nossa Senhora da Saúde congestiona o trânsito nos Anjos e Martim Moniz e o Circuito das Colinas a par com o emblemático 28, vê-se obrigado a voltar para trás. Segue então viagem para a Praça da Figueira e dali ao Comércio é uma questão de minutos. A turista do Camões surge inesperadamente como a chuva numa bela tarde de sol. Pede para entrar e o guarda-freio, diz-lhe que ali não há paragem e que está cheio. Ela desata novamente a correr em direcção ao eléctrico vermelho que seguia na frente. Mas a guarda-freio diz igualmente que ali não pode entrar. Apenas na Praça do Comércio. A turista revolta-se e abre os braços em desespero. 

Pela atitude e gestos quem estava à volta e não soubesse o que ali se passava, poderia julgar que o Mundo estaria prestes a acabar. A turista não desiste e começa a correr ao lado dos dois eléctricos vermelhos. Também ela fica vermelha da corrida e do calor que se fazia sentir. Chega à Praça do Comércio segundos depois dos eléctricos e mal a porta de trás do eléctrico se abre para os passageiros saírem ainda antes de se iniciar nova viagem, já ela entrava e sentava-se como se de uma verdadeira meta se tratasse. Começa a chorar e diz que está há dois dias a tentar fazer o trajecto e não conseguia entrar porque ou estava cheio ou não havia eléctrico por causa de um carro mal estacionado. 

Os guarda-freios e a promotora de serviço na Praça do Comércio, compreendem o desespero mas explicam ao mesmo tempo que há regras e todas bem explicitas nos folhetos e no audio-guia, onde é dito que «embora seja possível sair em qualquer paragem, poderá no entanto, não ter lugar no veículo seguinte, derivado da reduzida lotação dos eléctricos....», assim como o facto das paragens estarem assinaladas. Afinal de contas em todo o lado a maioria dos transportes param nas paragens indicadas e por cá não é excepção. 

A turista respira fundo, senta-se e consegue finalmente fazer o que tanto desejava, andar no eléctrico vermelho que parte para mais uma viagem, deixando o guarda-freio deste blogue a pensar uma vez mais no tipo de turismo que se faz por aqui. Um turismo que parece querer ser um paralelismo ao stress diário dos portugueses. Um turismo sobre carris e nuns veículos que só por isto são únicos em qualquer parte do Mundo.

E assim se pode resumir e em jeito de prosa parte do caótico dia que foi o desde domingo na cidade de Lisboa. Amanhã há mais e com mais turistas que apesar de tudo são bem vindos e até nos causam igualmente bons momentos. Boas viagens a bordo dos veículos da CCFL.

sábado, 10 de maio de 2014

[Off Topic]: Festa inaugural do Village Underground Lisboa teve lugar hoje

Decorreu hoje (10/05/2014) ao final da tarde a festa de inauguração oficial do Village Underground Lisboa, que está desde Abril de 2014 instalado no complexo do Museu da Carris, na Estação de Santo Amaro, em Lisboa. A paredes meias com os eléctricos que ainda hoje circulam nas ruas de Lisboa e com os que já fazem parte do passado, tal como os autocarros que fizeram história ao longo dos 141 anos de vida da Carris, o Village Underground Lisboa, tem já parte dos seus escritórios partilhados ocupados por criativos e artistas das mais diversas áreas. 

Um autocarro transformado em café e um espaço de convívio agradável e ideal para quem pretende dar o primeiro passo no seu projecto pessoal e profissional. A réplica do Village londrino está portanto em crescimento no coração da capital portuguesa e de portas abertas para o receber. O Diário do Tripulante também lá esteve e dá-lhe agora a conhecer um pouco do espaço composto por contentores e antigos autocarros da Carris...

Veja as fotos do Village Underground Lisboa:










"A noite não podia deixar de ser de festa, por isso conte com o concerto de Jibóia e MGDRV, e os DJ Sets de Stereo Addiction, Heartbreakerz, Twofold e Dilen. 
A curadoria da Red Bull Music Academy Radio vai levar a quatro contentores Klipar, Rastronaut, White Selecta e Pedro Menício. 
Por fim, na exposição Orffman, vários artistas interpretam álbuns de rock psicadélico, acrobacia e live painting. 
A juntar ainda intervenção live painting por Urburner, acrobacias de rua pela Buzico Agência e a possibilidade de livre circulação pelos espaços de trabalho para conhecer os projectos residentes.
Entrada livre." in Destak

Mais informações sobre este projecto disponível no Facebook em http://www.facebook.com/villageundergroundlisboa

quarta-feira, 7 de maio de 2014

7 Anos ao serviço da Carris...

E hoje assinalam-se 7 anos desde o dia em que entrei na Companhia Carris de Ferro de Lisboa, onde iniciei funções como motorista, desempenhando actualmente o cargo de guarda-freio. São 7 anos de muitas histórias, de muitas viagens e de um gosto pelos transportes que cresce de ano para ano. Costumo dizer que tive sorte, quando a 7 de Maio de 2007 entrava nas instalações da Carris para uma nova carreira da minha vida profissional, depois de uma passagem pelo mundo da comunicação social, onde me faltou aquele factor "C". 

Na Carris encontrei o caminho para conduzir os meus objectivos pessoais e profissionais, porque adoro conduzir, porque admiro o contacto (nem sempre fácil) com o público e porque gosto de movimento. Estava portanto no caminho certo. O gosto por representar esta marca e vestir a farda que outrora impunha respeito, foi-se mantendo e apesar de tudo, da crise, dos "roubos" a que temos sido sujeitos, continuo diariamente a desempenhar funções aos comandos dos veículos da CCFL, com a mesma dedicação, empenho e paixão. Com o mesmo orgulho em vestir a camisola e acreditar que o futuro será melhor que o presente. 

Estes 7 anos passaram rápido, e pelo meio, houve a possibilidade de criar este espaço que pensei e criei para relatar e dar a conhecer como é de facto esta profissão a que poucos dão valor. Para mostrar que um motorista ou guarda-freio não está ali apenas para abrir e fechar portas. Para provar que nem sempre é fácil conduzir pessoas numa cidade como Lisboa, onde o stress impera e onde o trânsito respeita cada vez menos o transporte público. 

Depois veio a oportunidade de colocar em livro as melhores histórias que por aqui passaram, numa experiência única e inesquecível que teve lugar no emblemático Museu da Carris, local que admiro bastante e onde teve lugar o lançamento do «Diário do Tripulante - As melhores histórias e aventuras». Ao longo deste tempo, tive igualmente a oportunidade de defender o eléctrico como símbolo de Lisboa, dando ideias, promovendo-o junto das redes sociais e dando a conhecer um pouco dos seus bastidores também neste espaço, através de vídeos ou fotografias. 

Foram 7 anos que me deram igualmente o prazer de conhecer gente interessante, no mundo dos transportes públicos, sejam profissionais ou simples entusiastas. Mas foram também anos com alguma amargura, porque nem tudo é um mar de rosas. Contudo foram um conjunto de anos que considero vitais na minha carreira profissional, porque acima de tudo, é importante poder fazer aquilo que se gosta e na Carris eu tenho esse prazer. Novos projectos pessoais se encarrilam no horizonte e a nível profissional muitos mais anos se esperam pelos carris de Lisboa, ao mesmo tempo que espero igualmente, que seja realmente dado o devido valor a quem faz movimentar a cidade de Lisboa à superfície, ou seja, os Tripulantes da Carris.

Se serão mais 7... 10... 20... anos, o tempo se encarregará de o dizer, mas certo é que o meu gosto pela Carris e por aquilo que faço, ninguém poderá alterar e assim sendo, sempre envergarei com gosto e orgulho a camisola da Companhia Carris de Ferro de Lisboa, que este ano celebra os 142 anos de vida.

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