sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Lisboa é também a cidade onde ocorrem as interrupções mais insólitas...

Nos últimos dias, Lisboa tem andado nas bocas do mundo pelas melhores razões A CNN classificou a capital portuguesa como a mais "cool" da Europa e a revista Traveler classificou a Rua Augusta como uma das 31 ruas do Mundo que devem ser percorridas e visitadas antes de se morrer. Contudo Lisboa também tem os seus insólitos e se um eléctrico pára demasiadas vezes durante o dia, ora por cargas e descargas, ora por veículos mal estacionado, pouco de insólito isto tem, sobretudo na carreira 25E onde é uma constante. 

Mas quando um guarda-freio se depara com uma interrupção causada por um contentor, então aí sim, é verdadeiramente insólito. Assim foi esta tarde quando a minha colega Cátia Pereira se deparou com este cenário que não deixou - e bem - de registar. O eléctrico voltou a parar por alguns minutos sem que ninguém desse sinal de presença. Supostamente deveria estar um camião por perto para o remover, mas o certo é que não estava. Aqui poderia tocar-se à campainha mas não para o condutor do contentor. Aqui o importante era que o camião aparecesse, o que aconteceu alguns minutos depois, não deixando no entanto de tornar esta interrupção numa das mais insólitas a que já assisti enquanto guarda-freio. 

E assim vai o dia na 25E pelo olhar da guarda-freio de serviço, já que eu andei pela 28 de madrugada onde tudo correu dentro da normalidade sem interrupções nem contratempos nesta cidade dos insólitos que vai andando nas bocas dos Mundo por outras e melhores razões.

[n.d.r.: Foto de Cátia Pereira] 

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

[Off Topic]: Lisboa ganhou um tipo de letra baseado nos cabos que fornecem a energia aos nossos eléctricos

Invulgar e característico. Assim se pode descrever o novo tipo de letra oficial de Lisboa, baseado nas formas que a rede aérea dos eléctricos traça nos céus de Lisboa. "LX Type" é a nova tipografia da cidade com o apoio da Câmara Municipal de Lisboa. A junção aleatória dos cabos que transportam os 600 volts de corrente contínua que fazem os eléctricos movimentarem-se diariamente colorindo de amarelo as ruas de Lisboa, criam letras e cada uma delas remete-nos para um lugar da cidade onde é possível chegar-se de eléctrico.

Lisboa já merecia uma fonte assim e no site do projecto lxtype.pt pode ser testada e descarregada gratuitamente. Não quis deixar de experimentar quais seriam as voltas que o meu nome daria pela cidade das sete colinas à boleia dos cabos da rede aérea dos eléctricos de Lisboa.
R - Rua Augusta
A - Arco da Rua Augusta
F - Feira da Ladra
A - Alfama
E - Elevador de Santa Justa
L - LX Factory

E até aqui este projecto é misterioso ou não cruzasse eu quase todos os dias a Rua Augusta. Não tivesse já eu visitado o Arco da Rua Augusta que tanto admiro, tal como a Feira da Ladra que anuncio no eléctrico a cada terça ou sábado quando chego a bordo do 28 a São Vicente. E até o bairro onde eu cresci está interligado ao meu nome nesta fonte oficial de Lisboa. Segue-se o Elevador de Santa Justa que não me canso de visitar e fotografar pelas suas vistas e pela sua beleza. E por fim a LX Factory que fica a paredes meias com a minha estação de recolha e que visito de vez em quando. Experimente também você ver que roteiro dá o seu nome e boa viagem pelos carris de Lisboa a bordo nos eléctricos que se movem graças aos cabos que agora deram origem a esta nova tipografia de Lisboa.  

Conheça então como nasce este projecto e partilhe-o porque Lisboa e os eléctricos merecem.


O Diário do Tripulante, felicita os mentores do projecto e a Câmara Municipal de Lisboa por este novo LX Type. 

sábado, 25 de janeiro de 2014

Mastertram na estreia do MasterChef Portugal


"A prova começa... agora!" Foi desta forma que arrancaram as gravações do MasterChef Portugal que teve lugar hoje na Praça do Comércio. O conhecido programa de televisão que tem a culinária como ingrediente, escolheu o centro da capital portuguesa para o seu casting. Dos 500 concorrentes apenas 50 foram seleccionados. Mas ainda antes de se colocar as mãos nos pratos e de se apresentar o programa que irá para o "ar" apenas em Março, os jurados entraram de forma surpreendente e inesperada na sala de visitas da cidade e a bordo de um dos símbolos de Lisboa - o Eléctrico. 


Devidamente "equipado" a rigor coube ao 578 levar os jurados até ao palco que estava à frente dos 500 candidatos e de toda a população que ali in loco quis assistir às gravações. Manuel Luis Goucha, Rui Paula e Miguel Rocha Vieira deram a cara pelo sucesso que promete ser mais um «MasterChef», mas foi Manuel Luis Goucha o centro das atenções para quem ali passava e o conhecia da televisão, e que não deixou de acenar a quem o cumprimentava, mostrando que a fama não se pode nem deve nunca confundir com simpatia. Já o mesmo não acontecia com os turistas que aguardavam pela partida do eléctrico das Colinas onde estive de serviço neste Sábado e que desconheciam por completo as caras que ali tinham chegado de eléctrico. 

Houve até, quem pedisse que a volta «seja rápida para chegar na hora de provar o prato», dizia em tom de brincadeira um dos turistas brasileiros. Os minutos que antecediam a partida das 12h00 eram empolgantes para quem assistia já dentro do eléctrico a tudo o que ali se passava à volta e de nervos para os 500 candidatos à colher de pau que os levaria à fase final. E com tanta colher à mistura inevitável foram também as conversas sobre pratos por quem entrava no eléctrico com o objectivo de conhecer as colinas, mas que de imediato se iam rendendo às experiências culinárias já obtidas por Lisboa, tecendo rasgados elogios ao bacalhau e ao pastel de nata.

Portanto um dia diferente e de fazer crescer água na boca. Amanhã há mais, mas sem culinárias porque a receita de amanhã tem outros ingredientes. Boas viagens a bordo dos veículos da CCFL.

[Fotos: Rafael Santos e cabaredogoucha.pt]

sábado, 18 de janeiro de 2014

Lisboa congelou nesta sexta-feira, 17 de Janeiro de 2014...

(Foto: Agência Lusa)

E eis que o caos instalou-se em Lisboa nesta sexta-feira, 17 de Janeiro de 2014. Confirmaram-se as previsões para o temporal, mas nada fazia prever a chuva torrencial de granizo que se fez sentir em algumas partes da cidade, deixando bloqueadas algumas artérias da capital. Lisboa acordou então gelada e molhada, porque a agua também marcou presença com força. E várias foram as imagens partilhadas ao longo do dia, muitas delas através dos tripulantes da Carris que se viram bloqueados durante mais de 2 horas, tornando-se autênticos repórteres a registarem um momento que ficará certamente para a história. E como as imagens falam por si, eis algumas das imagens que foram circulando durante esta sexta-feira nos jornais e nas rede sociais...

Após a forte chuva, o rebentamento de um colector inundou a P.Figueira (Foto: Rafael Santos)
Praça da Figueira (Foto: Rafael Santos)
Inundação em Santo Amaro (Foto: Nuno Martins)
Inundação em Alcântara (Foto: Nuno Martins)

Na Estrada de Benfica... (Foto: Luis Ferreira)
A 758 foi uma das carreiras que se viu bloqueada... (Foto: Luis Ferreira)

40 a 50 centímetros de gelo, provocaram o caos (Foto: Paula Dias)
Passageiros e tripulantes, não tiveram outro remédio, se não aguardar pela ajuda... (Foto: Pedro Macedo)
Bombeiros, Cantoneiros e Polícias foram os homens que ajudaram a aliviar o caos (Foto: Luis Ferreira)
Durante algumas horas foi este o cenário (Foto: Pedro Macedo)
À falta de um limpa neves, eis uma bobcat da CML a auxiliar nos trabalhos (Foto: Agência Lusa)
(Foto: Correio da Manhã TV)
(Foto: DN.pt)



quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Mesmo sem um "i" na testa por vezes torna-se complicado querer ajudar quem nos questiona...

Muitas são as perguntas que nos fazem durante as viagens pelas ruas de Lisboa e nem sempre a maioria delas se relaciona com as carreiras ou títulos de transporte. As pessoas continuam em geral a defender aquela velha máxima de que o motorista da Carris sabe onde é a farmácia Barral, a pastelaria Canas ou a embaixada da Roménia porque trabalha na Carris e ponto. Contudo, por vezes lá surge algum local mais discreto ou desconhecido que nos impossibilita de ajudar o passageiro e ora é compreendido por quem questiona, ora é visto como uma desgraça porque «não trabalha na Carris?»... perguntam de imediato e de forma espantada. Sim mas a Carris é uma empresa de transportes públicos que opera em Lisboa e não propriamente um roteiro de ruas, lojas, serviços, e afins.

Mas pior que tudo isto é quando estamos na pausa do almoço ou ainda prestes a "pegar" ao serviço e somos abordados no local de rendição onde outrora havia um posto de vendas e informação (que tanta falta faz, diga-se) para saber «onde se paga o parquímetro» da emel, ou onde fica uma florista nas proximidades «porque há um velório ali ao lado e queria levar umas flores...», já para não falar na quantidade de vezes que nos pedem trocos para pagar o parque. 

Num instante parece que nos colocam um "i" na testa, e se chega um eléctrico ao terminal então o caldo está entornado (risos). Os mais afoites são sem dúvida os turistas que embora continuem a não entender o porquê de terem de sair dos eléctricos no terminal, de imediato perguntam como se não houvesse amanhã, onde se volta a entrar ou onde se compra o bilhete. Começa então a confusão. Se indicamos que os bilhetes se compram na papelaria, situada na rua em frente, ficam perdidos porque não vêm a porta e logo pensam que é longe ou que se vão perder. Já se indicamos que a paragem é do outro lado da rua, então eles permanecem ali no mesmo local porque é ali que o eléctrico está parado. Depois... depois é vê-los correr atrás do eléctrico para que não tenham de esperar pelo próximo. 

Mas o que nos deixa mesmo à beira de uma vontade enorme em desaparecer é por exemplo, quando duas turistas se dirigem e perguntam pelo eléctrico turístico, apresentando um voucher da YellowBus. Tentei ajudar explicando no meu françuguês que passava a cada 30 minutos naquela paragem. Uma das turistas diz que já sabia dessa parte mas que já ali estava há 1 hora à espera. Expliquei-lhe então que poderia ter havido algum imprevisto ou interrupção no percurso e que nesse caso, o melhor seria contactar a YellowBus, a empresa responsável pelo serviço turístico, através dos contactos disponíveis no mapa. Mas a senhora queria entender tudo menos a parte do "contactar a empresa a quem comprou o serviço". Pergunta-me minutos depois onde era afinal a paragem. E lá lhe indiquei o local, mas a senhora dizia que não via nenhum poste verde nem placa amarela, conforme lhe tinha descrito. 

Bem fiquei na dúvida se não via bem ou se estaria a gozar com a minha pessoa cuja vontade em ajudar se ia perdendo a cada vez que ela falava, porque cada vez mais me culpabilizava pelo tempo de espera, quando hoje nem no serviço turístico estava a trabalhar. Com custo lá encontrou a paragem e apenas depois de lhe ter dito em português, porque já tinha esgotado as palavras que conheço em inglês e francês para lhe dizer o que era uma paragem e onde estava situada. E lá foi para a paragem. 

Contudo, não se ficaria por aqui. Minutos depois, volta a dirigir-se a mim e em francês lá me dizia que o eléctrico continuava sem aparecer. Expliquei-lhe então que, supondo que ela ali tinha chegado após a passagem do eléctrico, teria de esperar 30 minutos pelo seguinte e que tirando essa hipótese, apenas uma interrupção poderia causar algum atraso, como aliás também está referido nas condições do serviço, no panfleto que a mesma já dispunha. E eis que ela me diz, «ok então eu apanho um táxi e depois vocês pagam-me o táxi e devolvem-me o valor do bilhete». Disse-lhe pela última vez que nós apenas conduzimos, não gerimos nada, nem tão pouco os imprevistos e que aquela situação devia expor no local apropriado. E a senhora dizia compreender-me mas insistia que não fazia sentido nenhum, bla, bla, bla, e eis que finalmente chegava a minha chapa para render, porque confesso que estava à beira de esgotar por completo a minha paciência que não era muita, sobretudo numa semana desgastante como esta em que o despertador tem teimado em tocar antes das 5h00.

O certo é que em locais de grande procura turística e não só, como é o caso da Estrela, a prova está mais que dada. A falta do posto de venda e informação ao cliente é notória e continua a dar uma imagem negativa de quem presta um serviço público de transporte numa capital europeia, acabando por recair sobre nós essa falha, com a constante procura por parte dos nossos passageiros, embora nem sempre consigamos corresponder da melhor forma, como foi o caso destas turistas, que também tornaram mais complicada a situação.

Amanhã é outro dia e com greve no metro, dia também apropriado para muitas perguntas, sobretudo feitas por quem está habituado a andar debaixo da terra, e que nestes dias se vêm obrigadas a tomar alternativas à superfície. Resta-me portanto desejar a todos os passageiros habituais e aos que nestas ocasiões nos procuram, umas boas viagens a bordo dos veículos da CCFL. 

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

[Off Topic]: Lisboa aos olhos do canal franco-alemão "arte"

No dia internacional do fotógrafo, não quero apenas deixar uma fotografia, porque há hoje em dia fotógrafos que também fazem vídeos e há fotografias que se tornam filmes. Lisboa é uma vez mais o pano de fundo para um excelente documentário que não poderia deixar de partilhar convosco. «Lisboa, cidade iluminada do fado" é um documentário da autoria de Lourdes Picareta, que foi produzido pela televisão franco-alemã "ARTE".

O fotógrafo José Cabral, conhecido na blogosfera como o «Alfaiate Lisboeta» apresenta a cidade através das imagens e viaja a bordo de um eléctrico para dar início a uma viagem pelas colinas de Lisboa, onde encontramos também Joana Vasconcelos, José Avillez, entre outros. O melhor mesmo é viajar através dos 43 minutos deste fantástico documentário com imagens inéditas da capital portuguesa e por vezes vertiginosas.

Para ver a versão em Francês aqui...

Para ver a versão em Alemão aqui...

Foto e vídeo com dr "ARTE"

"Posto de Congestionamento", até quando?

Nesta zona de Lisboa não é preciso esperar pela hora de ponta da manhã ou da tarde para que o congestionamento de trânsito seja visível. Numa zona onde o comodismo impera, ninguém esquece que os automóveis para circularem precisam de ser abastecidos, contudo há sempre quem esqueça o próximo e que para o eléctrico circular é preciso ter a linha desimpedida. Na rua Domingos Sequeira, próximo da Basílica da Estrela, a qualquer hora do dia chegamos a verificar filas para o posto de abastecimento, que deve apresentar preços fantásticos por litro, dada a quantidade de pessoas que escolhe aquele posto para encher o depósito. Mas além do posto de combustível existe também um infantário mesmo ao lado e para os meninos lá deixarem, os papás também deixam por instantes o carro na via de trânsito porque o espaço reservado à entrada e saída de passageiros, está permanentemente ocupado com viaturas estacionadas.

Mas afinal de contas, onde pára a polícia? E a Câmara de Lisboa, quando decide tomar medidas quanto ao acesso a este posto de abastecimento? As perguntas cairão certamente em saco roto e quanto aos senhores automobilistas que fazem daquele posto paragem habitual, continuarão impávidos e serenos a ouvir a campainha do eléctrico tocar, como quem pede para que saiam da frente. Por vezes bastam 5 ou 10 centímetros para a direita, mas ora distraídos com o telemóvel enquanto esperam a vez, ora distraídos com a forma como o senhor da bomba segura na mangueira em direcção ao depósito do veículo da frente, o certo é que o eléctrico lá vai estando parado à espera de poder prosseguir a sua viagem.

No interior do eléctrico, uns passageiros vão bufando, outros vão comentando que é sempre a mesma coisa, mas hoje até no autocarro bufaram, porque parado do lado de cá do cruzamento, ali permaneci durante alguns minutos, dando tempo que o semáforo acendesse verde, laranja... vermelho... verde, laranja...vermelho e o eléctrico do outro lado tocava a campainha sem que os mesmos senhores se dignassem a prosseguir viagem em busca de outro posto de abastecimento, ou em busca de um lugar que permitisse a passagem do eléctrico. A mim não me restou outra alternativa se não esperar que o caos ali presenciado durante minutos terminasse, porque avançando iria obstruir o cruzamento da avendia Infante Santo. E as pessoas que usam o transporte público uma vez mais prejudicadas pelos senhores que só contam e pensam no seu próprio umbigo. 

Mas agora questiono eu, fazendo uma introspecção na minha humilde maneira de ver as coisas: Custava muito, retirarem de vez aquele estacionamento ilegal e fazerem uma via de acesso própria para o abastecimento, delimitado com pinos e marcas rodoviárias? Isto já para não colocar a questão da presença daquele posto de abastecimento a paredes meias com um prédio à direita e com um infantário à esquerda. Ou será necessário ir a Coimbra tirar um curso para se perceber que assim a cegada continuará a transformar este posto de abastecimento num "posto de congestionamento"? 

sábado, 4 de janeiro de 2014

2014 começou molhado nesta carreira...

Cruzamento de linhas imperceptível = atenção redobrada
Nem sempre o chapéu de chuva é o melhor amigo quando chove torrencialmente, sobretudo quando a chuva vem puxada a vento, como aconteceu durante largos minutos nesta manhã de sábado em Lisboa. As primeiras voltas do dia na 12E não faziam antever enchentes até porque o tempo não estava convidativo ao passeio para os lados do Castelo, mas o certo é que já a meio da manhã nem o temporal afastou os passageiros que timidamente foram entrando para uma voltinha ou simplesmente para uma viagem entre uma e outra paragem. «Que temporal. Ó Manel, se continuar a chover desta maneira, não saímos na Praça da Figueira. Damos mais uma volta até parar a chuva...», dizia uma das passageiras habituais da 12 para o seu marido que tem cada vez mais dificuldade a andar. A rotina semanal deste casal, estava prestes a ser alterada, mas lá deram mais duas voltas até que a chuva abrandou. Mas não foram os únicos. Passageiros habituais e turistas, acabaram por dar duas voltas seguidas no mínimo, porque a chuva que caía forte lá fora apenas se ouvia lá dentro.

Onde estão os carris?...
As ruas pareciam autênticos rios a desaguar numa baixa completamente alagada. Os algerozes "cuspiam" água em todas as direcções e em segundos as ruas ficavam desertas ao mesmo tempo que os cafés enchiam. O anúncio da paragem do Castelo, pouca diferença fazia numa manhã como a de hoje. Os vidros embaciados, dificultavam-me ainda mais a vida, perante uma manhã em que mal os carris se conseguiam ver, e escusado será falar do lixo que amontoado nas ruas, rolava rua abaixo à boleia das correntes de água. Terra e pedras acumulavam-se nas linhas, tornando por vezes mais instável a viagem que por norma é suave na subida dos Cavaleiros em plena Mouraria. 

E como se não bastasse o temporal, eis que um autocarro da 708 decidiu avariar por instantes em pleno Martim Moniz. Uma abertura espontânea da porta de trás acabou por bloquear o veículo em plena linha do 12E e 28E. Na tentativa de ajudar o colega a resolver o problema, não me livrei de uma valente molha, e o autocarro apenas 10 minutos depois decidiu colaborar e deixar-nos passar, sem que fosse necessária a ajuda do pronto-socorro. Situações que acontecem inesperadamente e que acabam por causar ligeiros atrasos, que no caso de hoje até foi bem compreendido pelos passageiros que assistiam como se estivessem na primeira fila à tentativa dos tripulantes na resolução do problema, até porque dentro do eléctrico não chovia e o que eles queriam mesmo era não apanhar chuva. 

Mas depois da tempestade veio a bonança e se a manhã foi de resguardo a tarde deu para o passeio. Depois das voltinhas na 12E, a tarde foi entre Algés e a Praça da Figueira na carreira 15E, que ajuda sempre os turistas na sua busca constante pela zona de Belém. Mas a tarde terminaria da mesma forma como comecei o dia, com o carro vazio, porque se de manhã foi a chuva a afastar os clientes, já ao final da tarde foi o frio que os fez recolher mais cedo. E assim foi o primeiro dia de trabalho de 2014, onde voltaram as reclamações dos passageiros e a má disposição, fazendo esquecer a simpatia e compreensão que se presenciou na época festiva.   

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