quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

[Off Topic]: Lisboa aos olhos do canal franco-alemão "arte"

No dia internacional do fotógrafo, não quero apenas deixar uma fotografia, porque há hoje em dia fotógrafos que também fazem vídeos e há fotografias que se tornam filmes. Lisboa é uma vez mais o pano de fundo para um excelente documentário que não poderia deixar de partilhar convosco. «Lisboa, cidade iluminada do fado" é um documentário da autoria de Lourdes Picareta, que foi produzido pela televisão franco-alemã "ARTE".

O fotógrafo José Cabral, conhecido na blogosfera como o «Alfaiate Lisboeta» apresenta a cidade através das imagens e viaja a bordo de um eléctrico para dar início a uma viagem pelas colinas de Lisboa, onde encontramos também Joana Vasconcelos, José Avillez, entre outros. O melhor mesmo é viajar através dos 43 minutos deste fantástico documentário com imagens inéditas da capital portuguesa e por vezes vertiginosas.

Para ver a versão em Francês aqui...

Para ver a versão em Alemão aqui...

Foto e vídeo com dr "ARTE"

"Posto de Congestionamento", até quando?

Nesta zona de Lisboa não é preciso esperar pela hora de ponta da manhã ou da tarde para que o congestionamento de trânsito seja visível. Numa zona onde o comodismo impera, ninguém esquece que os automóveis para circularem precisam de ser abastecidos, contudo há sempre quem esqueça o próximo e que para o eléctrico circular é preciso ter a linha desimpedida. Na rua Domingos Sequeira, próximo da Basílica da Estrela, a qualquer hora do dia chegamos a verificar filas para o posto de abastecimento, que deve apresentar preços fantásticos por litro, dada a quantidade de pessoas que escolhe aquele posto para encher o depósito. Mas além do posto de combustível existe também um infantário mesmo ao lado e para os meninos lá deixarem, os papás também deixam por instantes o carro na via de trânsito porque o espaço reservado à entrada e saída de passageiros, está permanentemente ocupado com viaturas estacionadas.

Mas afinal de contas, onde pára a polícia? E a Câmara de Lisboa, quando decide tomar medidas quanto ao acesso a este posto de abastecimento? As perguntas cairão certamente em saco roto e quanto aos senhores automobilistas que fazem daquele posto paragem habitual, continuarão impávidos e serenos a ouvir a campainha do eléctrico tocar, como quem pede para que saiam da frente. Por vezes bastam 5 ou 10 centímetros para a direita, mas ora distraídos com o telemóvel enquanto esperam a vez, ora distraídos com a forma como o senhor da bomba segura na mangueira em direcção ao depósito do veículo da frente, o certo é que o eléctrico lá vai estando parado à espera de poder prosseguir a sua viagem.

No interior do eléctrico, uns passageiros vão bufando, outros vão comentando que é sempre a mesma coisa, mas hoje até no autocarro bufaram, porque parado do lado de cá do cruzamento, ali permaneci durante alguns minutos, dando tempo que o semáforo acendesse verde, laranja... vermelho... verde, laranja...vermelho e o eléctrico do outro lado tocava a campainha sem que os mesmos senhores se dignassem a prosseguir viagem em busca de outro posto de abastecimento, ou em busca de um lugar que permitisse a passagem do eléctrico. A mim não me restou outra alternativa se não esperar que o caos ali presenciado durante minutos terminasse, porque avançando iria obstruir o cruzamento da avendia Infante Santo. E as pessoas que usam o transporte público uma vez mais prejudicadas pelos senhores que só contam e pensam no seu próprio umbigo. 

Mas agora questiono eu, fazendo uma introspecção na minha humilde maneira de ver as coisas: Custava muito, retirarem de vez aquele estacionamento ilegal e fazerem uma via de acesso própria para o abastecimento, delimitado com pinos e marcas rodoviárias? Isto já para não colocar a questão da presença daquele posto de abastecimento a paredes meias com um prédio à direita e com um infantário à esquerda. Ou será necessário ir a Coimbra tirar um curso para se perceber que assim a cegada continuará a transformar este posto de abastecimento num "posto de congestionamento"? 

sábado, 4 de janeiro de 2014

2014 começou molhado nesta carreira...

Cruzamento de linhas imperceptível = atenção redobrada
Nem sempre o chapéu de chuva é o melhor amigo quando chove torrencialmente, sobretudo quando a chuva vem puxada a vento, como aconteceu durante largos minutos nesta manhã de sábado em Lisboa. As primeiras voltas do dia na 12E não faziam antever enchentes até porque o tempo não estava convidativo ao passeio para os lados do Castelo, mas o certo é que já a meio da manhã nem o temporal afastou os passageiros que timidamente foram entrando para uma voltinha ou simplesmente para uma viagem entre uma e outra paragem. «Que temporal. Ó Manel, se continuar a chover desta maneira, não saímos na Praça da Figueira. Damos mais uma volta até parar a chuva...», dizia uma das passageiras habituais da 12 para o seu marido que tem cada vez mais dificuldade a andar. A rotina semanal deste casal, estava prestes a ser alterada, mas lá deram mais duas voltas até que a chuva abrandou. Mas não foram os únicos. Passageiros habituais e turistas, acabaram por dar duas voltas seguidas no mínimo, porque a chuva que caía forte lá fora apenas se ouvia lá dentro.

Onde estão os carris?...
As ruas pareciam autênticos rios a desaguar numa baixa completamente alagada. Os algerozes "cuspiam" água em todas as direcções e em segundos as ruas ficavam desertas ao mesmo tempo que os cafés enchiam. O anúncio da paragem do Castelo, pouca diferença fazia numa manhã como a de hoje. Os vidros embaciados, dificultavam-me ainda mais a vida, perante uma manhã em que mal os carris se conseguiam ver, e escusado será falar do lixo que amontoado nas ruas, rolava rua abaixo à boleia das correntes de água. Terra e pedras acumulavam-se nas linhas, tornando por vezes mais instável a viagem que por norma é suave na subida dos Cavaleiros em plena Mouraria. 

E como se não bastasse o temporal, eis que um autocarro da 708 decidiu avariar por instantes em pleno Martim Moniz. Uma abertura espontânea da porta de trás acabou por bloquear o veículo em plena linha do 12E e 28E. Na tentativa de ajudar o colega a resolver o problema, não me livrei de uma valente molha, e o autocarro apenas 10 minutos depois decidiu colaborar e deixar-nos passar, sem que fosse necessária a ajuda do pronto-socorro. Situações que acontecem inesperadamente e que acabam por causar ligeiros atrasos, que no caso de hoje até foi bem compreendido pelos passageiros que assistiam como se estivessem na primeira fila à tentativa dos tripulantes na resolução do problema, até porque dentro do eléctrico não chovia e o que eles queriam mesmo era não apanhar chuva. 

Mas depois da tempestade veio a bonança e se a manhã foi de resguardo a tarde deu para o passeio. Depois das voltinhas na 12E, a tarde foi entre Algés e a Praça da Figueira na carreira 15E, que ajuda sempre os turistas na sua busca constante pela zona de Belém. Mas a tarde terminaria da mesma forma como comecei o dia, com o carro vazio, porque se de manhã foi a chuva a afastar os clientes, já ao final da tarde foi o frio que os fez recolher mais cedo. E assim foi o primeiro dia de trabalho de 2014, onde voltaram as reclamações dos passageiros e a má disposição, fazendo esquecer a simpatia e compreensão que se presenciou na época festiva.   

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

2013/2014: Balanços de um ano "cortado" e previsões para um ano que se quer "inteiro"...

Mais um ano chega agora ao fim. É hora de deixar para trás meses que ficarão ora para a história, ora para o arquivo deste blogue. 2013 não foi, nem de longe nem de perto, um daqueles anos que iremos recordar com agrado, porque a crise serviu de desculpa para cortes, para aumentos  dos serviços e produtos, e para uma qualidade de vida cada vez mais inferior, quando comparamos Portugal a outros países da União Europeia. A chamada crise começou também a roubar-nos aquele gosto pelo desempenho das funções, que agora é cada vez menos, o que fez com que muitos colegas abandonassem, não só a empresa como o próprio país, como aliás tem vindo o nosso governo a sugerir. Mas políticas à parte, embora não goste de fazer balanços e previsões, o certo é que este ano que agora se despede de nós, acabou também por ser um ano em que alguns dos meus objectivos ficaram por alcançar, não por vontade própria, mas porque também não me foram abertas as portas para tal.

No blogue, foram menos os textos publicados, também em relação a anos anteriores, talvez porque a motivação para a escrita também tenha sido alvo de cortes, ou simplesmente porque histórias semelhantes já foram anteriormente descritas. Contudo, histórias e situações desenrolam-se todos os dias num espaço aberto ao público 24 horas por dia, como é o caso dos nossos autocarros e eléctricos, que embora cada vez menos a circularem, também por imposições da dita crise, continuam cada vez mais a ser procurados por quem tem cada vez menos euros ao final do mês, obrigando-os a procurar pelo transporte público e em muitos dos casos sem título de transporte válido, como aliás mostraram os últimos resultados referente à fraude nos transportes. 2013 marca no entanto uma viragem no visual do blogue, quando em Março, foi publicada a versão 3.0 com um endereço simplificado, uma renovação da imagem de fundo e do logótipo em desenho animado da autoria de Patrícia Costa.

Quanto ao Livro, editado pela Fonte da Palavra, também foram menos a seguirem viagem até aos leitores neste ano de 2013, também porque o corte no acesso à cultura acabou por marcar presença neste ano terrível que foi 2013, motivo para o qual outras ideias e projectos não tenham sido ainda postos em prática. Ainda assim, marquei presença pelo primeiro ano na Feira do Livro de Lisboa. Contudo, prevê-se que 2014 não seja melhor, embora se anuncie já o regresso aos mercados que irá originar um processo de retoma económica em Portugal. Políticas, como diz o outro, e para as quais tenho cada vez menos paciência.

A nível profissional, 2013 pouco ou quase nada acrescentou ao meu histórico de quase 7 anos ao serviço da Carris, e se a formação dos carros “tipo 700” ou os do “Museu” eram objectivos delineados para este ano, escusado será dizer que não foram alcançados, porque também as acções de formação foram reduzidas, devido à contenção orçamental imposta pelo Estado. A ver vamos se a dita retoma económica permite atingir essas metas em 2014, porque embora todas as condicionantes impostas por esta crise, que me fazem receber cada vez menos a cada mês que passa, ainda continuo a gostar e defender os meus “amarelos”, tal como em 2007 quando procurei dar outro rumo à minha vida profissional, resta apenas saber até quando me permitem fazê-lo.

Mas 2013 também teve algumas coisas boas e obviamente que não me refiro às autárquicas que uma vez mais, voltaram a prometer o regresso do eléctrico 24 ou aposta em novas linhas, porque como sempre, dessas eleições ganham-se apenas novos asfaltos para as ruas que esperam 4 anos para receber novos pisos, permitindo assim aos nossos autocarros melhores viagens. Mas Lisboa ganhou novos espaços em 2013. Em Belém um atrelado da Carris foi transformado numa esplanada – o «Banana Café» e o 28 chegou finalmente ao Castelo, graças à abertura do «28 Café», numa parceria de Nuno Brito e Eunice Brito com o Museu da Carris, que deu origem a um emblemático e acolhedor café onde se homenageia e bem não só a carreira 28, mas o próprio eléctrico como símbolo característico desta cidade de Lisboa.

Mas 2013 não se iria despedir sem antes nos apresentar um renovado Museu da Carris que agora conta também com um espólio e história do Metropolitano de Lisboa dando assim continuidade ao processo de integração de ambas as empresas. Sem dúvida um espaço que deve ser visitado em 2014. O ano que se aproxima, irá também trazer a presença do "Diário do Tripulante" em França, através da reportagem que foi realizada em Novembro passado pela equipa de televisão francesa France 3, através do programa «Mediterrâneo» e que conto trazer-vos também até aqui.

Para 2014 espera-se além de saúde e paz, que seja um ano melhor que 2013, embora as previsões indiquem o contrário. Gostava sinceramente que fosse um ano com menos greves, porque seria um sinal de melhoria e de estabilidade, até porque ao contrário do que muita gente faz questão de anunciar, as greves não só têm impacto no utente, mas também nos próprios trabalhadores que prescindem de parte do seu vencimento para lutar em prol dos seus direitos. Gostava igualmente que em 2014 os media publicassem artigos fundamentados em ambos os lados da barricada, porque publicarem-se textos dizendo que os trabalhadores dos transportes dispõem de telemóveis, cartões de crédito e viaturas, é no mínimo, generalizar um sector cada vez mais dividido, em que quem está a dar a cara é quem menos regalias tem. O telemóvel que tenho é meu e uso-o para comunicar com a minha família, com quem cada vez menos, tenho o prazer de conviver e cartão de crédito tenho um, é meu e não o uso, porque nunca gostei de dar passos maiores que a minhas possibilidades. Viaturas, vou tendo realmente uma por dia e da empresa, mas são as minhas ferramentas de trabalho para transportar milhares de pessoas por dia pelas ruas desta cidade de Lisboa.


Concluindo, quero apenas desejar a todos os amigos, colegas, leitores e seguidores deste blogue, um próspero ano 2014 e que todos os objectivos sejam por vós alcançados, assim como desejo que os meus sejam também. Prometo apenas que em 2014 irei tentar manter este espaço activo, ora com histórias, ora com sugestões ou imagens deste quotidiano marcado por viagens constantes a bordo de veículos que circulam sobre carris ou sobre o asfalto, mas que juntos não passam ainda despercebidos de todos vós. Boas Festas. 

domingo, 22 de dezembro de 2013

Boas Festas pelas colinas de Lisboa!

Vêm tios e sobrinhos, primos e primas, avós, netos, pais e filhos. O Natal é isto mesmo - Família. Não é de estranhar portanto que hoje a maioria dos clientes do eléctrico das colinas tenham sido famílias portuguesas que decidiram passar umas pequenas férias na capital. Uns mais atentos à história da cidade que ia sendo contada através do audio-guia, outros mais preocupados com a noite da consoada. Fora do habitual foram também os inúmeros telefonemas recebidos pelos passageiros durante os trajectos, claro está, para os votos de Boas Festas. A maioria com um sotaque mais nortenho, despacha mais rápido as chamadas, porque «agora estamos aqui num eléctrico por Lisboa, depois falamos melhor, mas não te preocupes que nós levamos as rabanadas...». Já outros dizem que «o melhor é tirares à tarde os pastéis de bacalhau que depois fritamos mais à tarde». E a tarde não terminaria sem uma troca de ideias entre mãe do outro lado do telemóvel e filha do lado de cá e a bordo do eléctrico... «A mãe esteja descansada que eu estendo a massa e frito os coscorões, mas faço pela manhã para a casa não ficar a cheirar a fritos a noite toda...», e isto no meio de inúmeras discussões para saber afinal onde se passava a noite da consoada.

Toca mais um telefone e toca a campainha do eléctrico. Como sempre lá tivemos uma interrupção na Lapa junto ao conhecido café Cristal. Os minutos iam passando e passando pelo local ia a policia que não perdeu tempo em tomar conta da ocorrência. Contrariando o habitual, o dono deste Mercedes não estava no café mas sim, tinha ido às compras ao supermercado que fica numa rua paralela. Enquanto eu e os turistas esperavam, os agentes iam preenchendo a multa, até que chegou o senhor. Carregado com dois sacos numa mão e um jornal na outra, lá disse o que dizem todos sempre: «fui só ali num instante...»

Já o agente da PSP assim como eu, pouco interesse tínhamos em saber onde o senhor tinha ido, mas o certo é que as compras saíram-lhe bem caras, porque se numa das mãos levava sacos e na outra o Jornal, havia ainda espaço para pegar na multa acabadinha de passar. Revoltado lá retirou o carro e provavelmente na próxima irá estacionar o carro para ir às compras, ou não...

Mas em vésperas de Natal, a azáfama continua pelo centro da cidade. A correria às compras de última hora, fazem crer que afinal a crise é só para alguns. Filas de trânsito intermináveis, sacos atrás de sacos e um circo de Luz que continua a ser um perigo em plena Praça do Comércio. Mas outros perigos andam nas ruas por estes dias. A pressa em chegar ao Natal por vezes acaba em vagares e os passeios viram estradas quando menos se espera, sim porque era o que menos esperava para terminar o dia, era um acidente na hora da recolha, após um senhor já com alguma idade ter embatido de frente num semáforo no cruzamento de Alcântara. E lá ficaram novamente os eléctricos parados à espera que retirassem o Audi dos carris. 

E assim vão os dias que antecedem a noite mais longa do ano, com muito bacalhau à mistura, doces e prendas. Resta então ao autor deste blogue desejar a todos os passageiros, leitores, colegas e amigos, um Feliz Natal e um Próspero Ano 2014. 

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

[Off Topic]: Museu da Carris renovado - Carris e Metro agora unidos para uma viagem pela história

Agora há mais razões para visitar o Museu da Carris. E porquê? Porque aos 141 anos de história da Carris juntam-se os 54 anos do Metro de Lisboa, nesta viagem que nos une em busca da história, não só de ambas as empresas, mas também da própria cidade de Lisboa que cresceu também ela com a expansão da rede de transportes. 

O agora renovado espaço, divulga ao público as memórias, que ao longo de mais de um século, a Carris e o Metro prestaram ao crescimento de Lisboa, como se pode comprovar através de textos, fotografias e de objectos de valor histórico e documental em exposição, onde se destaca a divulgação da história de ambas as empresas.

Mais acolhedor e iluminado, o Museu da Carris conduz agora o visitante a uma viagem no tempo, através de raros documentos e objectos postos à sua disposição: relatórios, fotografias, uniformes, títulos de transporte, equipamento oficinal, eléctricos, autocarros e agora também com máquinas de bilhética do Metropolitano que se juntam no núcleo 3 com um pórtico de entrada e com uma cabine de uma carruagem.

Mas não é tudo. No Museu da Carris há ainda um espaço multimédia dedicado a Lisboa e espaço para os mais novos, onde podem ser realizadas festas de aniversário, entre outros eventos diversos. A viagem pela história passa por uma acolhedora loja com diversos artigos e termina numa galeria onde são expostos trabalhos temporários dos mais diversos temas e artistas. 

Assim sendo, o Museu da Carris que se situa na situa-se na Estação de Santo Amaro, na Rua 1.º de Maio, 101 - 103 é cada vez mais uma ponto de atracção na capital. Por isso se não sabe onde ir na sua próxima folga ou fim-de-semana já aqui tem mais uma ideia, até porque, melhor do que qualquer texto ou qualquer imagem, é mesmo ver com os próprios olhos a rica história das empresas de transporte que diariamente se cruzam consigo. 

Para mais informações sobre preços e horários deverá consultar o site oficial do Museu da Carris disponível através do endereço http://museu.carris.pt/ .

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Em modo Natal

Desde o passado dia 3 de Dezembro que os Ascensores de Lisboa, estão com uma nova roupagem e assim ficarão até dia 6 de Janeiro de 2014. Com motivos alusivos ao Natal e aos miradouros vizinhos de cada um deles, os Ascensores da Carris despertam a curiosidade do público para a possibilidade de efectuarem uma viagem ímpar nos Ascensores de Lisboa, na época do natal, através de uma manipulação fotográfica que representa a invasão natalícia sobre as mais refinadas vistas que cada miradouro nos proporciona. Imagens que marcam…

Segundo a Carris, «esta campanha tem, ainda, como objectivo desincentivar a tendência que, nos últimos anos, se tem vindo a agravar, de vandalismo dos ascensores da Bica, Lavra e Gloria, através do grafitismo das respectivas cabinas, o que se traduz, para além, da degradação da imagem positiva da Empresa e da cidade, sobretudo junto dos turistas, num aumento de custos para a CARRIS, traduzido num montante anual de cerca de 9.000 euros, respeitante a trabalhos de limpeza exterior dos referidos ascensores, para além dos custos de imagem e de perda de receita que não são possíveis quantificar», esclarece no site oficial a empresa de transportes.

O Diário do Tripulante, aproveitou a ingressão pela Baixa lisboeta durante a folga e viajou a bordo dos Ascensores históricos que ganham agora mais espírito natalício num constante sobe e desce. E como por vezes também é bom ser turista ainda que na própria cidade, eis algumas das fotos que recolhi esta tarde...

Ascensor do Lavra

Ascensor da Glória

Ascensor da Glória

Ascensor da Bica

Ascensor da Bica

Ascensor da Bica
Votos de boas viagens e um Feliz Natal.

sábado, 14 de dezembro de 2013

Dia exaustivo a bordo do 28E e com vivas a Salazar...

Poucas são as pessoas que realmente dão valor ao nosso trabalho, ou talvez não. Poucas são as pessoas que nos saúdam, mas também já estamos habituados. Poucas são as pessoas que não se queixam da falta de dinheiro ou de saúde e também é o pão nosso de cada dia. Mas muitas são as pessoas que em época de Natal, passam a cumprimentar o tripulante, ou até mesmo a desejar umas boas festas. Algumas até nos dão um doce para adoçar um dia amargo que nestes dias ainda se torna mais, com o trânsito em direcção à Baixa. Afinal estamos naquela altura do ano em que se esquece a crise, que pelo que parece, é só para alguns, e estamos também, naquela época em que o cheiro a ferodo abunda pelas filas que passam a ser longas. 

Quem aguarda o eléctrico na paragem, não pensa sequer no que poderá ter acontecido pelo caminho, e mal a porta se abre, é uma gritaria daquelas que também já vamos estando habituados. O eléctrico circula cheio, mas há sempre lugar para mais um. Encosto daqui, aperto dali, «levante-se mas é que eu já tenho 80 anos e quero ir sentada que tenho direito», ordena uma senhora sem tento na língua. Reclama que esteve 30 minutos à espera, que na verdade foram 40 porque só 20 foram necessários para descer a Almirante Reis. Diz que paga o passe e já não tem idade para andar nestes apertos e correrias, como se a tal fosse obrigada. Mora em S.Bento onde tem um supermercado à porta, mas teima em fazer as compras no Largo da Graça. Não gosta de turistas e ordena-lhes que «vão para a sua terra». Esquece-se a senhora que já viveu uma vida, que o turismo é importante, porque para ela o importante agora é que não lhe roubem mais da pensão que já não lhe chega para sobreviver, lamenta.

Entra sempre muito revoltada, mas acaba sempre por sair calmamente e com um agradecimento ao guarda-freio, ora porque descansa as pernas da longa espera, ora porque alguém a bordo lhe faz ver as coisas num outro ponto de vista, mas certo é que nunca abandona o eléctrico sem demonstrar o seu saudosismo por outras épocas. «Meu rico Salazar, fazes cá tanta faltinha...»

«No tempo dele não dizias isso...», respondem-lhe lá do meio do corredor. E lá vai ela para casa com os sacos numa mão e a muleta na outra. O Eléctrico esse permanece a percorrer os carris repletos de uma folha caduca que parece manteiga. No Largo Camões mais uma paragem de 10 minutos. A fila para a entrada do Parque de Estacionamento que está "completo" não anda nem desanda. Tocam buzinas, vindas de todas as direcções daquela praça. Os movimentos visíveis são apenas os dos transeuntes que carregam sacos com embrulhos pelos passeios numa correria em direcção das lojas como se não houvesse amanhã, porque afinal a crise não chega a todos. 

Finalmente lá chegámos aos Prazeres e com um atraso bastante significativo. Já não dá para fazer viagem completa até ao Martim Moniz. Recebo ordens para ir apenas até à Graça e ao mesmo tempo, percebo o descontentamento de uma turista espanhola por ter de sair no terminal e ter de voltar a entrar para regressar ao ponto de partida. Explico-lhe que a linha não é circular e daí ter de tomar em conta o destino na bandeira e lá parece compreender. Não compreendia no entanto o porquê de ter de pagar outro bilhete. Mas afinal até tinha "viva viagem", validou novamente e lá foi de novo a desfrutar de uma viagem que para mim nunca mais tinha fim. 

Saturado já ao fim de 9 horas após o início e com as 2 horas de pausa pelo meio, o que eu queria mesmo era que chegassem as 20h46 que tardavam em aparecer. Cheguei à Graça e lá estava de novo a turista espanhola sentada como se fosse a única que estava bem já após toda a gente ter saído. Lá saiu e voltou a entrar e desta feita pagou 2.85 € porque o seu cartão já tinha esgotado as viagens. Saiu na Rua Augusta, local onde por pouco não passava, porque tinha acabado o espectáculo multimédia na Praça do Comércio e uma multidão cruzava a passadeira como se de uma manifestação se tratasse. Resumindo, entrei às 10h09, saí às 20h46 e confesso que por hoje já não posso ver, carros, pessoas, luzes de natal, árvores, presentes, e tudo o que esteja interligado. 

Como vêem, nem sempre de boas histórias se faz o nosso dia de trabalho, porque por vezes até o cansaço nos vence e eu hoje fui vencido pelo cansaço.    

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