quinta-feira, 30 de maio de 2013

Em dia de Greve do Metro, até as filas dos autocarros conseguiram superar as do eléctrico 28E.

Normalmente é sempre assim. Quando tudo tem de correr bem, acaba por correr mal. Assim começou hoje o dia logo pela manhã com a saída da estação a ser impedida por causa de um atropelamento. Á minha espera na P.Comércio estava um pequeno grupo de jornalistas internacionais, que iam a convite do Turismo de Lisboa, dar uma volta pelas colinas da cidade a bordo do eléctrico vermelho da Carristur. Com a lesada já a caminho do hospital restava então aguardar-se pela retirada do ligeiro, após indicação da PSP, o que acabou por adiar a partida do serviço ocasional em cerca de 45 minutos, mas como em Lisboa muito há para ver, o grupo acabou por visitar o «Lisbon Story Centre» antes de embarcar no eléctrico que os levava a mostrar a Lisboa antiga e pitoresca.

O caos parecia ter ficado para trás e digo, parecia porque hoje foi dia de Greve no Metro de Lisboa. Com as estações fechadas 24 horas, muitos foram os que trouxeram os seus carros para o centro, a fim de evitarem as longas filas de espera nas paragens da Carris, apesar do reforço de autocarros, que parece ter contemplado apenas a carreira 736. Se numa primeira visão, a quantidade de autocarros a circular e de pessoas a aguardar nas paragens, mais parecia um regresso aos anos 80 quando Lisboa transpirava uma rede de transportes à superfície, realmente digna desse nome. Mas a cidade cresceu e as pessoas mudaram os seus hábitos, o que faz com que nestes dias surjam também sempre aqueles que se perdem quando não podem andar debaixo da terra. Confesso que ao Passar pelo Martim Moniz, até fiquei na dúvida se a paragem do eléctrico 28E tinha ou não sido alterada para junto da Igreja, porque hoje a fila do 708 era bem maior do que é habitual na paragem da carreira 28E.


Mas filas à parte lá vinham, e também em grande número, chegando os turistas que queriam descobrir Lisboa com o eléctrico turístico. O desespero por arranjar lugar no 28E acabava por levar 4 espanhóis até à Praça do Comércio onde finalmente conseguiram viagem com lugar sentado. O preço do bilhete não interessava, pois o que queriam mesmo era aproveitar da melhor forma as férias. Entrego os auriculares e após informar os canais para as respectivas línguas, eis que uma das senhoras comenta com os restantes membros do seu grupo «Mira, por supuesto que no podía oír nada, porque tenia el adesivo en la oreja de la acumputura...»
 
Olhei para trás porque, queria ter a certeza que a senhora não estava a brincar e não estava mesmo. Tirou um adesivo da orelha, que mais parecia um penso rápido e lá colocou finalmente o auricular dizendo «Ahora si, escucho bien!». E lá prosseguimos viagem sem problemas até à R.Conceição, já depois de termos passado pelos Anjos, Graça, Alfama e Castelo. Depois seguiram-se 45 minutos parado perante o cenário da imagem que está à direita. Os turistas, esses deixaram de ter por instantes um passeio turístico, para mergulharem no stress de uma hora de ponta em Lisboa, num dia marcado pela Greve do Metro e dos 24 que iam a bordo, apenas 4 desistiram. Amanhã há mais, sem Greves mas com uma sexta-feira a prever igualmente trânsito pelas ruas da capital.


terça-feira, 28 de maio de 2013

"Sugestão do Tripulante": Convite à leitura com a 83ª Feira do Livro de Lisboa

Até 10 de Junho «há mais vida no Parque» e tudo porque ali decorre a 83ª Edição da Feira do Livro de Lisboa. Incentivando uma vez mais à leitura, a Feira do Livro oferece preços mais apetecíveis em tempos de crise. Promove apresentações, debates, sessões de autógrafos, concertos musicais e muito mais. Com um horário mais alargado e mais próximo das tardes quentes como acontecia há alguns anos atrás, esta Feira do Livro tem também mais pavilhões e espaços de refeição. Assim sendo, o "Diário do Tripulante" sugere uma vez mais a quem simplesmente pretende sair de casa para desfrutar de uma tarde num local pouco procurado pelos lisboetas, ou a quem procura há muito por aquele livro com o preço quase proibitivo, uma ida à feira que está no Parque Eduardo VII em Lisboa.

E para chegar até à Feira do Livro de Lisboa são quatorze, as carreiras da Carris que pode utilizar, além das linhas amarela e azul do Metro de Lisboa, para que não chegue ao recinto já martirizado pela sempre demorada procura de um lugar para estacionar. E este ano a falta de tempo ou o jantar com os amigos também não vão ser desculpa, até porque instalados na feira estão também alguns restaurantes, assim como as roulotes das bifanas e das farturas.

http://www.fontedapalavra.com/fotos_livros/capa%20diario%20tripulante.jpgEsta é portanto a "Sugestão do Tripulante" para as semanas que se seguem, no mês em que será igualmente assinalado o primeiro ano da edição do livro «Diário do Tripulante» editado pela Fonte da Palavra e que será "livro do dia" já no próximo dia 2 de Junho, no pavilhão A12 junto à Praça Verde da feira.

A ler com os transportes...

Mas além do «Diário do Tripulante» que reúne as melhores histórias a bordo dos amarelos de Lisboa, outros livros há a sugerir nesta edição da Feira do Livro de Lisboa com os transportes como pano de fundo, ou não fosse essa a temática deste blogue. Assim, no pavilhão A19 dos CTT-Correios de Portugal uma edição sobre os elevadores e ascensores de Lisboa. "Elevadores, Ascensores e Funiculares de Portugal" de Jaime Fragoso de Almeida. Um livro que relata “histórias”, algumas bem insólitas, muito em sintonia com a época da sua construção. Esta obra dá a conhecer, de uma forma divertida, a história dos principais elevadores, ascensores e funiculares de Portugal. Preço venda ao público: 41,00€/Preço de Feira: 32.80€.
 
Ainda no mesmo pavilhão, "Transportes Públicos Urbanos em Portugal", obra da autoria de Gilberto Gomes, investigador e consultor nas áreas de história dos transportes e da indústria. O livro tem uma tiragem limitada a 5000 exemplares e contém as emissões filatélicas Transportes Públicos de 2005 e Transportes Públicos Urbanos de 2007, 2008, 2009 e 2010, num total de 25 selos. A obra descreve o nascimento e implementação das redes de transportes urbanos no país, nos últimos 173 anos. Segue ainda a linha editorial de anteriores edições dos CTT, dividindo-se em dois capítulos essenciais: “Os transportes e o território” e “Os transportes e as cidades”. Enquanto que o primeiro descreve a evolução dos meios de transporte no país, o segundo capítulo é dedicado ao desenvolvimento dos transportes nas cidades de Lisboa, Porto, Portalegre, Coimbra, Barreiro, Aveiro e Braga.

Para quem planeia viajar, encontrará entre os pavilhões A33 e A39 no espaço Porto Editora, os mais recentes guias de viagem CityPack com 10% de desconto, que acabam sempre por ser uma boa aquisição para começar a planear a sua viagem. Para os amantes da aviação, no Espaço Pequenos Editores, encontra-se uma publicação sobre a história da TAP, com excelente qualidade gráfica e fotográfica que relata a historia da empresa de bandeira portuguesa por 36 €.

Como chegar à feira do Livro com a Carris?

A Feira do livro localiza-se no Parque Eduardo VII, virada para o Marquês Pombal, mas se vem da zona mais a norte tem o 713 e o 742. Já do lado sul da feira, a rotunda do Marquês Pombal é ponto de encontro de várias carreiras e entre elas estão as, 702, 711, 712, 720, 723, 727, 736, 738, 744, 746, 748 e 783 e os seus horários e percursos podem ser consultados no site da Carris em www.carris.pt

Como chegar à feira do Livro com o Metro?

As estações do Marquês de Pombal e Parque são as mais próximas do recinto. Assim poderá chegar à feira de Metro, através das linhas azuis e amarela. Para quem pretende iniciar a visita pelo Marquês de Pombal, terá de optar pela estação com o mesmo nome, mas se prefere descer o recinto em busca do livro que tanto procura, poderá sair na estação Parque, apenas para quem circula na linha azul.

domingo, 26 de maio de 2013

Será que merecem mais?

Este sábado ficou marcado com o regresso aos serões com serviço na 15E, que como já sabem é carreira pela qual não morro de amores. A primeira parte do serviço foi com um eléctrico articulado e a segunda com um remodelado, mas mal peguei ao serviço, quando fiz a ronda inicial ao eléctrico deparei-me com os bancos traseiros completamente cortados. Nem queria acreditar que pouco tempo depois do eléctrico 502 ter saído da reparação geral, onde inclusive, levou estofos novos, já está naquele estado. Deixa-me a pensar seriamente se valerá de facto a pena, a empresa gastar euros com reparações gerais, respondendo assim às queixas por parte dos passageiros que dizem não ter condições decentes. Afinal, quando são dadas melhores condições, eles provam que preferem andar com as piores condições possíveis. E nem só os estofos sofreram da falta de civismo de quem se transporta num veículo que é público. Os rabiscos com tinta voltaram a atacar. Digam-me lá agora: Qual a felicidade que isto pode dar a uma pessoa?

Mas vandalismo à parte, o serviço já não era bom por natureza, com 8h47 e para juntar ao "menu" ainda tivemos uma manifestação em Belém que obrigou ao corte da carreira a S.Amaro, o que ainda assim não evitou a pergunta da praxe: «Passa em Belém?» E nem o aviso na paragem do Calvário em português e inglês parecia ajudar a cada chegada a Santo Amaro. O comboio era hoje uma boa alternativa para chegar a Belém, mas as pessoas que têm o Navegante, provaram não estarem habituadas a usar outros veículos sobre carris. A confusão ficou portanto instalada nos principais pontos por onde passa o 15. 

Cais do Sodré, Praça do Comércio e Praça da Figueira eram as paragens críticas de uma tarde que prometia ser longa. Mas como uma manifestação não chegava, eis que a RDP África decidiu fazer uma festa neste dia de África, com direito a desfile do Rossio para a Praça do Comércio, o que acabou por gerar congestionamento na Rua do Arsenal, chegando mesmo a ficar interrompida a passagem na Praça do Comércio por instantes. Com o aproximar da noite e da final da Liga dos Campeões, previa-se que acalmasse um pouco, mas o certo é que depois da festa na P.Comércio, o povo seguiu até Algés onde no passeio marítimo, a música era outra. Os eléctricos remodelados foram poucos para tanta gente e agora que terminei o serviço parece que ainda tenho aquele barulho de fundo de um eléctrico repleto de gente aos berros e a trocar palavras, nos meus ouvidos. Amanhã há mais, mas longe da Marginal.

Amanhã a música, espero eu, será outra e pelas colinas por onde passa o 28E. Boas Viagens.

terça-feira, 21 de maio de 2013

Outra vez o 24... outra vez em vésperas de Autárquicas

Hoje voltei ao trabalho, após uma semana de pausa. Com o regresso marcado para a carreira 28E, onde a procura por parte dos turistas continua em alta, mais parecia que tinha chegado a um país estrangeiro porque fala-se cada vez menos português numa viagem a bordo do eléctrico mais procurado de Lisboa. Mas ainda na véspera deste regresso aos carris, saiu uma notícia no jornal "Diário de Notícias", que volta a colocar em destaque o tão falado regresso da carreira 24E, que tarda em concretizar-se.

Não deixa contudo de ser curioso que durante as Autárquicas de 2009 este tenha sido um dos temas abordados, ao mesmo tempo que se prometiam mais eléctricos em Lisboa, incluindo a expansão da rede até à Alta de Lisboa. Mas o 24, suspenso desde 1996, já teve o seu regresso anunciado várias vezes, mas sempre sem se concretizar. Pelo meio, vários diferendos entre a autarquia e empresa que gere a rede de eléctricos na capital, fazendo assim, com que o tema em redor do eléctrico de Campolide, não passe de uma bandeira de cartaz político.

Ora com eleições autárquicas à porta o tema parece ganhar novamente destaque na imprensa e desta feita, anunciando vontade da autarquia no seu regresso. A Carris diz não ser uma prioridade até porque o eixo é já servido por autocarros. A falta de material circulante é também uma barreira para tirar este projecto do papel, porque há anos que o governo português não aposta neste meio de transporte amigo do ambiente, ao contrário de outros países europeus. A tudo isto não podemos claro está, deixar de parte a crise que se agravou, obrigando a cortes significativos, que se vão reflectindo diariamente.

Ainda assim, os projectos da Frente Tejo/CML para a renovação do eixo Cais do Sodré/Corpo Santo, apresentam as linhas para o eléctrico 24, prevendo-se assim que esta seja uma vez mais uma bandeira de cartaz político para as eleições que se seguem, até porque António Costa, o presidente da autarquia lisboeta, sabe bem o carinho que os lisboetas nutrem por este meio de transporte. 

O certo é que esta era uma linha com um enorme potêncial turístico e que podia aliviar um pouco a saturada 28E, mas como afirma também a Carris, o seu regresso não depende apenas da transportadora, dado que teria de ser reordenado o estacionamento no Príncipe Real, assim como obras nas vias férreas e aérea.

sábado, 18 de maio de 2013

[Off Topic]: Subida à Glória teve como assistente um dos guarda-freios que várias vezes vence a subida

Na noite da passada sexta-feira a Calçada da Glória encheu-se de gente. O Ascensor da Glória parou e deu lugar aos ciclistas. A «Subida à Glória»  é uma corrida aberta à participação de todos (e todas) numa das mais icónicas "rampas" da cidade. Centro e treze anos após a 1.ª edição, a história encontra-se com a contemporaneidade, trazendo o espetáculo do ciclismo para o centro de Lisboa. Com 265 metros de extensão e declive médio superior a 17%, a calçada que tantas vezes é vencida com a ajuda do Ascensor foi a pista para um surpreendente espetáculo sobre duas rodas, na tentativa de bater o recorde oficial desta subida em bicicleta, na posse de Alfredo Piedade (55 segundos em 1926!), mas que agora pertence a Ricardo Marinheiro com 39 segundos.

Nesta mítica corrida-festa no coração da nossa cidade, contou-se com a participação de várias gerações de ciclistas, profissionais e amadores, utilizadores urbanos da bicicleta e atletas de competição.
 
A prova integrou o programa do Congresso Internacional de História do Ciclismo e teve como assistentes durante a realização da prova, um dos guarda-freios que por dia sobe mais de 40 vezes a calçada da Glória a bordo do Ascensor, mas ainda assim, longe de bater o record com os cerca de 2 minutos que demora a viagem. 
 
Uma noite diferente com o velho amarelinho a ter o previlégio de assistir à partida e à chegada dos participantes, como pode o leitor agora comprovar através do link para a reportagem da RTP:


Foto: DR abola.pt

sábado, 11 de maio de 2013

Sugestão do Tripulante (13): Fim-de-semana nos elevadores à descoberta de Lisboa

Lisboa, cidade conhecida pelas suas Sete Colinas e caracterizada também pelas suas ruas íngremes e sinuosas, que dificultam a circulação pedonal, viu em 1884 com o aparecimento do Ascensor do Lavra, o ultrapassar de barreiras tornando o longe mais próximo e de forma mais rápida e suave. No ano seguinte surgiu o da Glória e sete anos depois, o da Bica. Em 1902 surgia na capital o primeiro elevador vertical, o de Santa Justa. Estes importantes e históricos meios de transporte, foram classificados como Monumentos Nacionais em 2002 e com o sol a convidar ao passeio, nada melhor que aproveitar o fim-de-semana para os conhecer e desfrutar das belas vistas e recantos que cada um nos proporciona. Nesse sentido aqui fica mais uma sugestão do «Diário do Tripulante», desta feita para um fim-de-semana diferente.

O ponto de partida é a Praça dos Restauradores, caracterizada pela sua largura e pelo monumento obelisco de 30 metros de altura que assinala a libertação de Portugal, do domínio espanhol em 1 de Dezembro de 1640. As figuras de bronze do pedestal representam a Vitória, com uma palma e uma coroa, e a Liberdade. Os nomes e datas nos lados do obelisco são os das batalhas da Guerra da Restauração. Situada no início da principal avenida da cidade - a Avenida da Liberdade, a Praça dos Restauradores conta ainda no seu lado poente com um Monumento Nacional que se move em direcção ao Bairro Alto, mas a primeira viagem sugerida é no lado oposto, mais precisamente no Largo da Anunciada, até porque foi o primeiro Ascensor a surgir na cidade de Lisboa. Valide o seu título de transporte e aguarde a partida até ao extremo superior. Depois de vencida a forte inclinação entre os prédios que parecem ser rasgados ao passar da cabine, saia pelo pórtico da Travessa Forno Torel e siga para a esquerda em direcção ao Jardim do Torel. 

O Jardim do Torel foi requalificado recentemente e além dos espaços ajardinados, conta com boas áreas de repouso, e de uma vista sobre a colina oposta, a do Príncipe Real, onde se destaca o Miradouro São Pedro de Alcântara. Num anexo ao jardim do Torel, encontra-se uma esplanada que serve umas boas tostas mistas, mas se a fome ainda não lhe aperta, aproveite para ouvir o cantar dos pássaros, ou aproveite e vá até ao Campo dos Mártires da Pátria, onde o jardim apresenta um simpático conjunto de aves, entre galinhas, patos e pavões. Volte ao Torel e opte pela descida no Ascensor que o ajudou a subir. 
 
No lado oposto, já depois de atravessar a Avenida que no próximo mês de Junho recebe o desfile das Marchas Populares de Lisboa, vai encontrar o Ascensor da Glória, ali mesmo ao lado do Palácio Foz. Trata-se de um belo edifício, de linhas sóbrias, revelando o "novo gosto" italiano. Em 1889, o palácio é adquirido pelo marquês da Foz, que transformou os seus interiores no que de mais sumptuoso se conhecia em Lisboa, recebendo trabalhos de José Malhoa e Columbano. Nesta altura dispunha de uma pequena ermida. Com o correr dos anos o Palácio foi perdendo o seu recheio e a sua sumptuosidade. Nos dias de hoje é ocupado pelo Instituto de Comunicação Social e por um posto de turismo.

Na calçada da Glória encontra então mais uma cabine amarela que outrora foi movida a contra-peso de água. O Ascensor da Glória foi então inaugurado em 1885, fazendo desde então a ligação entre a Praça dos Restauradores e o Bairro Alto, tratando-se do ascensor mais movimentado da capital. Suba até à extremidade superior da colina e vire à direita, repouse e desfrute da vista desafogada sobre o centro de Lisboa, com a Sé, o Castelo de São Jorge e a Igreja da Graça no horizonte. Depois de obter umas fotografias fantásticas sobre a cidade desta "janela" sobre o centro de Lisboa, dê uma volta pelas lojas do Príncipe Real, e volte a entrar a bordo do Glória, desta vez para descer rumo aos Restauradores, porque vai certamente encontrar pormenores na descida que não observou na subida. 

A próxima paragem é a Rua do Ouro, onde vai encontrar o único elevador vertical que presta serviço público em Lisboa. Inaugurado em 1902, o Elevador de Santa Justa, resulta do trabalho do arquitecto Raoul Mesnier du Ponsard, aluno de Gustave Eiffel. A sua estrutura de ferro fundido, enriquecido com trabalhos em filigrana, faz a ligação entre a Rua do Ouro e o Largo do Carmo, através do passadiço na parte superior. Prepare-se então para estar nos céus da baixa pombalina, de onde pode avistar o Tejo e todo o casario da baixa e da colina do Castelo. No topo existe ainda um restaurante onde pode desfrutar de uma refeição com boa companhia e boas vistas sobre Lisboa, como pano de fundo. 

Siga agora até ao Largo do Carmo, local crucial da revolução de Abril. Desça em direcção à Rua do Carmo, uma das mais animadas artérias de Lisboa, com lojas requintadas e cafés entre os quais, "a Brasileira", um dos mais antigos de Lisboa. Suba a Rua em direcção ao Largo de Camões, grande poeta português e autor dos Lusíadas. Suba pela Rua do Loreto e certamente que se irá cruzar com um dos eléctricos da carreira 28E, que por esta altura deve andar apinhado de gente, como aliás acontece um pouco por todo o ano. 

Chega então ao Largo do Calhariz da. Aqui encontra o Ascensor da Bica, de todos o mais pitoresco, inaugurado em 1892 faz a ligação entre a Rua de São Paulo e o Largo do Calhariz. A vista desta extremidade do seu curto mas apetecível trajecto é deslumbrante, com os estendais de roupa estendida, os candeeiros típicos de Lisboa com os seus corvos e claro está o Tejo. Tal como nos anteriores ascensores, sugiro a descida e posteriormente a subida porque a viagem vale mesmo a pena. 
 
Agora que já tem o trajecto sugerido, resta apenas dar algumas indicações e sugestões quanto ao serviço prestado pela Carris. 

Ascensor do Lavra:
Horário de Funcionamento:2ª Feira a sábado: 7:00h - 21:00h
Domingo e feriado: 9:00h - 21:00h  

Tarifa de Bordo (válida por duas viagens): 3.70 €
 
Ascensor da Glória:
Horário de Funcionamento:2ª a 5ª Feira: 7:00h – 23:55h
6ª Feira: 7:00h – 00:25h
Sábado: 8:30h – 00:25h
Domingo e feriado: 9:00h – 23:55h

Tarifa de Bordo (válida por duas viagens): 3.70 €
 
Elevador de Santa Justa:
Horário de Funcionamento do Elevador de Santa Justa:Todos os dias: 7:00h - 22:00h (Horário de Inverno)
Todos os dias: 7:00h - 23:00h (Horário de Verão)

Horário de Funcionamento do Miradouro de Santa Justa:Todos os dias: 8:30h - 20:30h
Tarifa de Bordo (válida por duas viagens, inclui acesso ao miradouro): 5.15 €
 
Ascensor da Bica:
Horário de Funcionamento:2ª Feira a sábado: 7:00h - 20:55h
Domingo e feriado: 9:00h - 20:55h
Tarifa de Bordo (válida por duas viagens): 3.70 €

Mas pode poupar dinheiro e fazer todo este trajecto por muito menos, se para tal optar pelo título de transporte pré-comprado e o «Diário do Tripulante» sugere que opte pelo bilhete diário Carris/Metro 24 Horas, que tem um custo de 6.30 € + 0.50 € do cartão "7Colinas" ou "VivaViagem". Obtenha mais informações através dos ascensores e tarifas, através do site oficial da Carris em carris.pt e desfrute da sua cidade através dos amarelos da Carris.

Boas viagens a bordo dos veículos da CCFL.

quinta-feira, 9 de maio de 2013

E hoje, alguém apelidou o eléctrico turístico de «comunista» devido à sua cor

A semana aqui do tripulante chegou ao fim e com ela vem uma pausa semanal para recuperar energias, após duas semanas desgastantes com cruzeiros em Lisboa e muitos turistas pela capital, desde franceses a russos, passando por brasileiros, espanhóis ou italianos. Depois de uma passagem pela carreira 15E e pela 28E, o final da semana foi no circuito das colinas da CarrisTur. E muito haveria por contar nesta semana, mas não me sai da cabeça o encanto que se apoderou de uma família brasileira que viajou comigo em busca das colinas da cidade. A cada esquina e a cada subida, não conseguiam conter o entusiasmo que a viagem lhes provocava, o encanto que cada prédio lhes transmitia e até os estendais de roupa estendida em Alfama. «Olha só que lindo. Nossa, vê só essa ruazinha ai... Olha o Beco da Mó, parece uma favela com essas ruas estreitas e casas sobrepostas...»

A certa altura da viagem, anuncio a chegada à paragem do Castelo, local onde habitualmente alguns turistas decidem sair para visitar o monumento que dá o nome ao bairro, mas desta vez ninguém quis sair e o chefe da família brasileira dizia mesmo: «não vamos querer sair porque você é um cara simpático que até já nos falou onde é o restaurante onde vamos jantar...», justificava já depois de um pedido de orientação quanto à localização do restaurante onde teria lugar o repasto.

Mas refeições e encantos à parte o certo é que chegaram ao fim da viagem completamente satisfeitos e transmitindo que «a vossa cidade é linda de mais. Amámos o passeio e vamos querer repetir», ou não fossem eles turistas que aposto, até devem sonhar com os eléctricos. E por falar em eléctricos, muito já chamaram os nossos turistas a este transporte característico da cidade...

Bondinho, tramvaj, tranvia, onibus, bus, enfim da simples tradução à mais complicada confusão, muito lhe chamam, mas hoje um senhor fez questão de marcar a diferença. Circulava eu já na Rua da Conceição em direcção à Estrela quando um senhor me bate na porta pedindo para entrar. Avisei-o que não poderia abrir a porta fora da paragem. Ele não insistiu e decidiu dar corda aos sapatos, como se não houvesse amanhã. Correu em direcção à paragem e quando lá cheguei, tira de forma repentina do seu bolso, o passe e pergunta-me se passo na Estrela. Informo-lhe que passava na Estrela, mas que era um eléctrico turístico, pelo que o passe não era válido. «Mas ainda há turismo?», perguntava-me de forma algo cómica. Disse-lhe que havia e não era pouco, daí ter o carro cheio. Mas o senhor queria mais conversa e pergunta-me então, como poderia ir para  Estrela e lá lhe disse que teria de aguardar pelo 28E, um eléctrico amarelo. 

E quando pensava que a questão estava arrumada, lá me disse que «então o seu é vermelho é o eléctrico dos comunistas. Se assim é, é mesmo melhor esperar pelo amarelo, porque não quero nada com os comunistas...» E lá segui viagem sem voltar a responder, porque se o fizesse teria conversa para toda a tarde. O certo é que de vermelho ou amarelo, o regresso está apenas previsto para daqui a 10 dias. Até lá andarei por Lisboa à descoberta de outras paragens e de algumas sugestões para si que segue diariamente o «Diário do Tripulante». Até lá, boas viagens a bordo dos veículos da CCFL.

terça-feira, 7 de maio de 2013

Meia-Dúzia de anos ao serviço da Carris



Mais um ano passou e hoje completo 6 anos de Carris. A 7 de Maio de 2007 entrava nas instalações da Carris em Cabo Ruivo, para dar início ao curso de motoristas, depois de afastada a possibilidade de me tornar guarda-freio. A vontade enorme em mudar o rumo a uma carreira profissional que tinha escolhido no mundo da televisão, mas que me deixava a maior parte do tempo sem trabalho, aliada à minha prestação numa loja de roupa masculina durante 5 anos, fez com que arriscasse e me inscrevesse na Carris.

Tive a sorte de ser um dos candidatos seleccionados e de poder representar uma empresa que este ano completa 141 anos de vida, ligada à história dos transportes e da própria cidade de Lisboa. O gosto que nutria pelos meios de transporte, nomeadamente pelos eléctricos, fez-me sentir como peixe na água e era com grande gosto que passava a vestir a farda azul da Carris.

Estive os três primeiros anos na estação da Musgueira, o que me permitiu conhecer melhor, zonas da cidade que até então desconhecia. Um ano passava e parecia ter encontrado a estabilidade que tardava em aparecer no mercado audiovisual. Mas o bichinho do jornalismo sempre ficou e com muita ironia à mistura, em Agosto de 2008 nascia este espaço ao qual dei o nome de «Diário do Tripulante», fazendo jus ao que os formadores me tinham dito nos primeiros dias da formação inicial na Carris. Pois muitas histórias iria ter para contar.

Observando o quotidiano a bordo dos autocarros amarelos fui registando situações que em muitos dos casos, contadas ninguém acreditaria. Constatei factos e vi que as pessoas teimam em perder velhos hábitos. Surgiu em meados de 2009 a confirmação de um pedido que tinha feito por escrito à administração da Carris. Tinha sido aceite o meu pedido de transferência para a estação de Santo Amaro, onde passaria desde Janeiro de 2010 a desempenhar as minhas actuais funções: Guarda-freio.

Entre subidas e descidas pelas colinas da cidade passava agora a ter um contacto mais directo com as gentes dos bairros típicos de uma Lisboa que é cada vez mais procurada por turistas. Uma mistura interessante que transporto diariamente nos eléctricos de Lisboa, verdadeiras peças de museu ambulantes.

Hoje passam 6 anos e muita coisa mudou desde que entrei na Carris. A crise instalou-se em Portugal e consigo trouxe inúmeras consequências quer pessoais, quer profissionais no dia-a-dia de quem se transporta e de quem faz transportar. Estados de humor menos vincados mas um espírito de sacrifício do qual só nós nos podemos orgulhar. Apesar de tudo, continuo a gostar daquilo que faço e de representar uma marca com uma história única no sector dos transportes. Faço o que gosto e ainda me pagam para tal. Se bem ou mal, já é outra nota de quinhentos, mas acreditem que é óptimo quando fazemos o que gostamos e isso sim é o mais importante.

E assim espero continuar a transportar pessoas, em viagens pelas ruas de Lisboa, esperando ter como até aqui matéria para dar a conhecer aos leitores deste espaço e do livro que foi editado no ano anterior e que continua à venda e a dar a conhecer como é afinal ser tripulante numa empresa de transportes públicos numa cidade como Lisboa. 

[n.d.r.: Foto autocarro de: Pedro Almeida e eléctrico de: Bernardo Rafael]

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