sábado, 27 de abril de 2013

Todos rendidos a Lisboa e ao "eléctrico chamado desejo"...

Não sei se Lisboa é um destino em saldos, ou se o facto de ter sido um dos melhores destinos europeus, tenha levado a que nos últimos fins-de-semana, tenha havido pelas ruas da cidade uma invasão oriunda de todos os cantos do Mundo. As ruas repletas de gente, obrigam a uma gincana para que se consiga chegar a um lugar e as paragens com filas fora do normal, fazem com que se tornem cada vez mais normais por estes dias, sobretudo por onde passa o eléctrico 15 e 28. Se um vai para a monumental zona de Belém, o outro percorre os bairros históricos sempre a subir e a descer, o que faz delirar os turistas que chegam em grande número mas que querem viajar sentados.

Assim acontece no Martim Moniz, como mostra a foto que podia ser de arquivo, mas que é de hoje no ponto de partida da carreira 28E, por onde andei este Sábado. A fila chega mesmo a atravessar a rua, mas quando o eléctrico chega à paragem e abre a porta, entram pouco mais de 20 pessoas, e assim que ficam preenchidos os lugares, os restantes preferem aguardar pelo próximo. Do lado de fora perguntam-me se «há lugar para mais 3 pessoas?» -Há para mais 3, 5, 10, 15, é até atingir a lotação. Mas «ok, mas não há para sentar, vamos no próximo». Começa então mais uma viagem pelas colinas de Lisboa. Na Graça já o eléctrico enche para logo nas Portas do Sol voltar a vazar. É um entra e sai, quando é, porque há muitas viagens que parecem um verdadeiro expresso das colinas, porque atingida a lotação, poucos são os que pretendem sair.

Chegamos aos Prazeres e quando anuncio o final da viagem muitos desatam-se a rir, num acto que ainda não consegui perceber o porquê, mesmo depois de andar há 3 anos a conduzir eléctricos, e outros há que dizem que querem voltar. Esta tarde lá surgiu um casal português, para contrariar a estatística e perguntar como faziam para voltar. «Temos bilhete de ida e volta, como fazemos para voltar?» Explico-lhes que têm de sair e aguardar na paragem nova partida de regresso. Mas algo intrigava o senhor que não tardou em ripostar «então e se não tiver lugar para me sentar?» Ora cá está uma das tais perguntas que não pedem outra resposta se não, terá de viajar de pé

Óbvio que poderia ter sugerido que aguardassem pelo próximo, mas em dias como o de hoje em que poucos eram os eléctricos que andavam a horas, poderiam ter de aguardar muito tempo pelo próximo. O certo é que o senhor não terá gostado da ideia de ter de viajar de pé e lá ficou na paragem à espera do próximo.

O dia não estava de facto a ser fácil, porque a procura era em muito superior à oferta e se em dias de feira da Ladra já é complicado, se juntar-mos uma feira na Graça, mais complicado fica com as constantes entradas e saídas que acabam por atrasar os eléctricos que já têm ao fim-de-semana um horário bastante apertado. Pelo meio há ainda os turistas receosos de um fim do mundo antecipado que querem a todo o custo andar no "eléctrico do desejo", nem que para tal entrem pela porta de trás. Mas quando o fazem igualmente com o intuito de viajar à conta dos que pagaram, o melhor mesmo é convidá-los a entrar pela porta da frente, onde tiveram de adquirir o bilhete que lhes permitia fazer uma viagem na casinha amarela, como não há em mais parte nenhuma do mundo, e que fez a revista de LE FIGARO ficar rendida à Vida Portuguesa e ao "eléctrico chamado desejo" que é Lisboa.

n.d.r.: Imagem revista LE FIGARO, do blogue de Cataria Portas.

sábado, 20 de abril de 2013

Até os turistas gostavam de ser guarda-freios... ou de provar a boa azeitona portuguesa



Mais um fim-de-semana na capital portuguesa e repleto de turistas, a comprovar pelo que se viu este sábado pelas ruas da Baixa. No Martim Moniz, a fila para o eléctrico 28E chegava à entrada do Poço do Borratém e a procura era também elevada na Praça do Comércio em busca do eléctrico para Belém ou para um passeio mais tranquilo pelas colinas de Lisboa. A presença dos navios de cruzeiro em Lisboa trazem sempre muitos turistas que pretendem em pouco tempo, ver o máximo possível da cidade de Lisboa. Os que trazem a lição já previamente estudada, acabam por comprar o bilhete combinado para todas as rotas turísticas, mas outros ficam-se apenas por um dos trajectos, deixando o resto do tempo em terra para passear ou fazer compras.

Com as esplanadas da baixa cheias e com muita cerveja à mistura, animação é algo que não tem faltado por estes dias e quando os clientes estão bem dispostos até o serviço acaba por correr melhor. Entusiasmados com a viagem pela Graça, São Vicente e pelas ruas estreitas de Alfama em direcção ao Castelo, os turistas que cruzavam a Baixa em direcção ao Chiado, a bordo do eléctrico das colinas nem ficaram chateados, como é habitual, por causa de uma interrupção que impedia por momentos a continuação do trajecto devido a uma mini-explosão numa das lojas próximas da Bica. Se muitos aproveitaram para almoçar pelo Chiado, outros acabaram por tomar outro rumo em direcção à monumental zona de Belém.


Com o sol a convidar ao passeio pelas ruas, não é de estranhar também que muitos tenham igualmente escolhido o 28E para uma tarde diferente, com o ar a correr pelas janelas em busca do melhor local para se obter uma boa vista sobre a cidade, ou uma esplanada para matar a sede. E miradouros e esplanadas é do que há mais pela cidade. Um casal de turistas brasileiro, dizia-me durante a interrupção que «estamos amando a vossa cidade. Lisboa tem carisma e é tudo gente boa, muito legal», diziam com um brilho nos olhos ao mesmo tempo que eu escutava com agrado e com um arrepio simpático daqueles que nos deixam quase sem reacção quando assim se referem à nossa cidade.

A pausa no trajecto dava portanto para troca de ideias entre turistas e um guarda-freio apaixonado por Lisboa. De França, um casal aparentemente, já muito viajado, questionava-me sobre alguns detalhes mais técnicos do eléctrico. Fazia-lhes alguma confusão o porquê da grelha que decora a frente e a traseira do eléctrico afecto ao turismo. Após uma breve explicação sobre a dita grelha, a resposta foi um arranhado «Superrrrr!» e não abandonaram o eléctrico sem dizer que «vous avez la profession plus intéressant de Lisbonne, sûrsement».

Se é a profissão mais interessante de Lisboa não o poderei dizer, mas certo é que são dias como os de hoje e clientes como estes que fazem com que cada vez mais, goste de fazer aquilo que faço. Conduzir pessoas numa cidade maravilhosa, mas nem sempre bem aproveitada, que tem do nascer e do pôr do Sol mais bonito, porque afinal de contas Lisboa é uma cidade com uma luz especial. E certo é também que sou um privilegiado por poder dizer que faço o que realmente gosto. 

E se nos eléctricos foi mais ou menos assim o dia de hoje, já no regresso a casa e a bordo de um dos autocarros da companhia, constatei uma vez mais que, nem sempre se trata de um veículo de transporte de passageiros. De bicicletas a televisores já vi um pouco de tudo. Mas um barril de azeitonas é que nunca tinha visto e este senhor, deve ter apanhado uma boa promoção ali para os lados da Ribeira porque comprou ou teve a sorte de alguém lhe oferecer este barril que abriu o apetite pelo menos a mim, porque cheirava muito bem a azeitonas. Davam certamente para um excelente petisco para o final desta tarde de sábado, com umas boas iguarias à mistura.

Hoje foi assim, amanhã espero que assim continue, a ter e a proporcionar boas viagens a bordo dos veículos da CCFL.

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Noite de Transbordo num regresso à borracha na 15E

Já sem chuva tal como apontavam as previsões, e com o Sol a dar ares de sua graça, assim começou o o meu dia de trabalho nesta quinta-feira, horas antes das luzes dos candeeiros substituírem os raios de um Sol que tem teimado em não aparecer. A realização do Rally de Portugal, com a prova especial em Lisboa, que tem lugar esta sexta-feira, levaria-me de novo a sair dos carris com mais um regresso à borracha, ao volante de um MAN.  Coube-me então o serviço de transbordo na carreira 15E, entre S.Amaro e Algés, devido ao corte de trânsito na zona do Mosteiro dos Jerónimos, que obrigava ao desvio da carreira pelo Restelo, via carreira 751 até à Avenida da Torre de Belém, onde depois de percorrida, retomaria o trajecto da carreira 15E já no Largo da Princesa.

Mas se para muitos passageiros, a presença de autocarros na carreira que é feita por eléctricos, é uma surpresa, para outros já não é novidade nenhuma. Os mais atentos às notícias sabiam o motivo do transbordo, outros perguntavam o porquê e houve ainda quem tentasse adivinhar o porquê, com os mais variados motivos, e a maioria sem sentido de ser.

E se por um lado este tipo de serviço é excelente para variar e quebrar a rotina diária, há também a parte chata de ter de estar a repetir sempre a mesma informação, porque a maioria dos passageiros limita-se a olhar para o número da carreira e quando olha, deixando para trás o destino ou outro tipo de informação. Desculpa-se portanto à partida, os estrangeiros que terão chegado por exemplo a Belém, de eléctrico e esperavam certamente o regresso ao centro da cidade no mesmo meio de transporte. 

No entanto não me deixa igualmente de causar alguma incompreensão para com os senhores passageiros que ao chegarem a Belém, e ao verem a estrada cortada, através de grades e de um aparato policial, questionem o desvio do autocarro rumo ao Restelo, como que fosse vontade do motorista alterar o trajecto. Isto depois da maioria perguntar se «vai mesmo para Algés?» Ora se pretendem ir para o CCB, porque não perguntam antes se passa no CCB? 

Mas desvios à parte, a noite acabaria por ficar marcada pela questão "TRANSBORDO" e aqui os turistas acabaram por vencer os portugueses, a nível de compreensão. Se na paragem da Universidade Lusíada, um estudante me perguntava o que era um Transbordo, deixando-me a pensar se estaria a falar a sério ou a brincar. O certo é que não sabia mesmo e lá lhe tive de explicar. Mas atrás não ficariam também os passageiros que ao chegarem a Santo Amaro e ao receberem informações para fazer o transbordo para o eléctrico, se dirigiam a mim num tom exaltado dizendo que a bandeira do autocarro dizia "PÇ. FIGUEIRA". Confirmava-lhes que de facto tinha la escrito, mas que convinha lerem tudo, porque também lá tinha a inscrição "Transbordo". 

«Mas afinal quando sai a camineta?», perguntava-me um jovem já desesperado na paragem de Santo Amaro. Expliquei-lhe que não seria camineta nenhuma mas sim um eléctrico e que estava apenas a inverter a marcha para prosseguir rumo à Praça da Figueira. Confusões à parte no que diz respeito ao Transbordo, o certo é que foi sem dúvida um serviço diferente do habitual, que acabou por originar viagens diferentes também para quem se transportou na carreira 15E, para uns com apenas um pequeno desvio, para outros com uma grande chatice e para um, até com direito a alteração de trajecto devido ao "Rally Dakar", imagine. Havia portanto alterações e motivos para todos os gostos, e tudo devido ao Rally de Portugal e não do Dakar. Esta sexta-feira será igual. Para Sábado está já marcado o regresso aos carris e ao 28E. 

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Mas não havia mais nada para acontecer hoje?

Nem sempre os passageiros são as personagens principais das histórias aqui relatadas. Hoje quero aproveitar este espaço, para "agradecer" ainda que de forma irónica, ao senhor presidente da Câmara Municipal de Lisboa ou aos seus vereadores, que decidiram esta semana fazer obras de repavimentação da R.Madalena em plena luz do dia. Ora estando no centro da cidade, era de prever que o caos se instalasse, sobretudo quando se fecham duas ruas bastante movimentadas, canalizando o trânsito para a R.Conceição. Não era portanto de admirar, que a cada viagem os eléctricos ali ficassem parados entre 15 a 20 minutos, com destino ao Martim Moniz.

Ora se Lisboa ficou no 2º lugar como melhor destino europeu, no que a buracos e obras diz respeito, terá mesmo ficado em 1.º lugar. Se é esta a imagem que gostam de passar a quem nos visita, os meus parabéns ficam aqui vincados publicamente porque conseguiram. Os turistas não deixam de referir isso mesmo quando andam a bordo dos eléctricos da Carris.

Mas o dia não começava mesmo da melhor maneira e foi mesmo necessária a ajuda «médica» dos amarelinhos que após diagnosticarem a avaria lá a conseguiram reparar e assim pude continuar o serviço, mas até onde pude, porque um carro haveria de impedir a minha passagem sem causar danos. Seguiu-se depois a hora de almoço e no regresso de novo o caos da Baixa que agora agravava-se com o aproximar da hora do jogo entre o Benfica e o Newcastle, com os adeptos ingleses a obrigarem ao corte de trânsito em algumas vias da Baixa.

E se pensa o leitor que o dia ficava por aqui, engana-se porque além da incompreensão de alguns passageiros perante os atrasos causados por todas as situações já referidas, ainda havia lugar para uma avaria num dos eléctricos que acabaria por impedir a circulação dos restantes e logo num dos piores sítios desta tarde. Precisamente na R.Conceição. O agente da PSP metia já as mãos na cabeça perante tanta confusão e outros faziam já contas à vida ora para chegar a casa, ora para chegar a tempo à Luz onde se jogava mais um jogo da Liga Europa.

Quanto a nós, restou-nos aguardar uma vez mais pela ajuda da equipa da manutenção das "casinhas amarelas" que diariamente carregam milhares de pessoas pelas colinas à descoberta da capital, conhecida agora, pelos buracos ou obras, e dar alternativas aos turistas que se viam assim bloqueados num passeio pela cidade que tantos apregoam mas que poucos se preocupam, nomeadamente com situações como as verificadas esta semana em pleno centro da cidade.

Uma senhora não compreendia mesmo o porquê dos eléctricos avariarem e se quando entrou me tinha dito que «há uma hora que estou à espera do eléctrico», nesta fase já não tinha pressa nem preocupação com o tempo perdido, porque ali permanecia a questionar-me o porquê do eléctrico da frente ter avariado e porque «é uma grande chatice ter de ir a pé, que disparate..», como se quando uma pessoa tem de recorrer ao hospital também seja um disparate. Sinceramente não entendo qual a dificuldade de se perceber que um carro também avaria quando menos se espera.

sexta-feira, 29 de março de 2013

Diário do Tripulante – Versão 3.0

O Diário do Tripulante ganha a partir de hoje uma nova imagem. Mais colorida e animada, esta imagem que compõe o novo logotipo do blogue e um fundo mais animado, dá assim continuidade à evolução deste espaço, acompanhando as mudanças que foram surgindo ao longo dos cinco anos que está na rede. E tudo começou a 11 de Agosto de 2007 quando decidi abrir este espaço de partilha deste universo,  para muitos desconhecido. O desenho do autocarro Volvo movido a gás natural, da autoria de Vítor M.Vaz dava assim as boas vindas a quem entrava em diariodotripulante.blogspot.pt

O primeiro logótipo do «Diário do Tripulante» da autoria de Vítor M.Vaz (2007)

Sobre rodas ou nos carris, as histórias e episódios aqui relatados neste blogue, têm composto um misto daquilo que é o dia-a-dia de um motorista ou de um guarda-freio na cidade de Lisboa. O que começou numa brincadeira, acabou por se tornar o ponto de encontro de muitos, tal como os autocarros e eléctricos desta cidade, que cruzam vidas a cada viagem que fazem pelas ruas da capital.

A verdade é que este espaço já vinha juntando as duas profissões que compõem a cara da Carris – os motoristas e guarda-freios, um ano após a sua abertura e em Setembro de 2009 chegava a altura de dar uma nova imagem ao blogue «Diário do Tripulante», com recurso a uma fotomontagem da autoria de Daniel Pedrogam, que gentilmente cedeu a imagem que juntava um autocarro a um eléctrico, porque a partilha de histórias por parte de colegas de outras estações era já uma realidade. 


A fotomontagem de Daniel Pedrogam adaptada às colinas de Lisboa (2009-2013)

Mas em 2010 surgiu a oportunidade de me transferir da Musgueira para Santo Amaro e passava assim a andar na linha, mas sempre sem deixar de lado a minha paixão pelos autocarros. No fundo, Lisboa não seria a mesma sem os “amarelos” sejam eles numa versão borracha ou ferro. As histórias vividas enquanto motorista, passavam assim a partilhar o espaço com histórias vividas sobre carris, nas cinco carreiras que resistem da rede de eléctricos. Os textos aqui publicados passavam agora a abranger toda a rede da Carris.

E muito mudou. O blogue contou cada vez mais com fotografias, vídeos, sugestões e chegou mesmo a dar origem ao livro “Diário do Tripulante – As melhores histórias e aventuras”, editado pela Fonte da Palavra em Junho de 2012. Surgiu também a página do facebook e a aproximação a outros targets.

As duas realidades, a partir de agora, ilustradas por Patrícia Costa (2013)
Nesse mesmo sentido surge agora este novo logótipo que passará a dar as boas vindas a quem entra neste espaço que pretende manter o espírito jovem e criativo, e se possível com um pouco de ironia à mistura. Da autoria de Patrícia Costa, arquitecta de profissão e freelancer de ilustração nas horas vagas, este novo desenho inclui tudo o que já faz parte deste espaço. Lisboa como pano de fundo, onde não podiam faltar os seus símbolos emblemáticos, entre os quais os tão procurados pelos turistas, Castelo de São Jorge e a Torre de Belém. A rede da Carris também não foi esquecida porque é nela que se desenrolam as histórias aqui relatadas. Nesse mesmo sentido escolhi para o fundo do blogue a malha da rede com recurso a cores suaves para não cansar, nem distrair o leitor do assunto principal.

A paragem do novo banner é portanto o ponto de partida para esta nova viagem pela nova imagem deste blogue que destaca as minhas duas carreiras preferidas da rede, a 735 enquanto motorista e a 28E enquanto guarda-freio, e que tão bem representadas ficaram nesta ilustração da Patrícia Costa que além de leitora assídua deste espaço desde os primeiros dias é também, autora da página no facebook dedicada ao 28 (www.facebook.com/kvintee8), enquanto modelo à escala, também resultado desta beirã de gema que é apaixonada por Lisboa e pelos nossos eléctricos.

Importa no entanto, além dos agradecimentos à Patrícia por ter acreditado e colaborado neste projecto, renovar uma vez mais os agradecimentos aos autores dos logótipos anteriores, o Vítor M.Vaz e o Daniel Pedrogam, que também fazem parte da história deste espaço que se foi construindo aos poucos. Veja então como foi o processo desta mudança de imagem no vídeo que se segue...


Mas as novidades não ficam por aqui. Esta versão 3.0 trás também uma nova identidade ao blogue com um domínio mais português. Agora torna-se mais fácil aceder e partilhar o endereço deste espaço que também é seu. www.diariodotripulante.pt é o novo domínio deste espaço. Partilhe-o com os seus familiares e amigos para que todos juntos sigam esta viagem que nos une.

 

Aos leitores, resta-me agradecer pela confiança e por continuarem a seguir viagem neste blogue e desejar que continuem a ter boas viagens a bordo dos veículos da CCFL.


Rafael Santos

quinta-feira, 28 de março de 2013

Diário do Tripulante deseja-lhe uma Boa Páscoa

A todos os seus leitores e passageiros, o «Diário do Tripulante», deseja uma Boa Páscoa, estendendo os votos a todos os seus familiares e amigos.


Aproveito ainda, e porque nunca é de mais incentivar à leitura, para lembrar que os interessados na compra do Livro "Diário do Tripulante - As melhores histórias e aventuras", pode ser adquirido on-line com 10% de desconto, recebendo-o comodamente em sua casa sem custos adicionais* através do envio de um mail para livro.diariotripulante@hotmail.com



*Promoção válida para envios em Portugal Continental. Para envios para as Ilhas e estrangeiro, por favor entre em contacto através do mesmo endereço, para questionar os custos.

terça-feira, 26 de março de 2013

Que viva la Pascua en 28E: Haja paciência...

Chuva, muita chuva e espanhóis, muito espanhóis. Se a primeira questão pode alterar-se de ano para ano, já a presença dos espanhóis nos eléctricos de Lisboa na semana da Páscoa não muda. Todos os anos é assim e todos os anos há histórias diferentes para contar, e ainda a semana vai a meio e já hoje tive uma situação caricata com um casal espanhol que entrou já ao final da tarde no Martim Moniz. A viagem tinha como destino o Largo do Camões, devido a uma manifestação que decorria junto à residência oficial do Primeiro-Ministro, mas se há dias em que tudo parece estar guardado para acontecer, hoje foi o dia. 

Ainda circulava pela Avenida Almirante Reis, rumo ao Camões e com o eléctrico bem composto, recebo uma mensagem da Central para «até ordens em contrário, circular entre Graça e Martim Moniz». Surpreso com a mensagem recebida logo após ter recebido uma idêntica mas para se circular entre o Camões e o Martim Moniz, procurei saber com o controlador da carreira se era algum engano ou se algo mais havia a impedir a passagem dos eléctricos e enquanto aguardava resposta do rádio, ia explicando aos que iam entrando que era provável terminar viagem na Graça. Péssima ideia! Uma das senhoras sentada num dos primeiros bancos, ouviu e de imediato meteu-se na conversa e num tom de voz exaltado não deixou de reclamar.

«Mas então isto afinal termina onde? Graça ou Camões?», ao que lhe respondi que estava a tentar saber ao certo mas que era provável ser na Graça, mas a senhora não quis sequer tentar numa primeira fase e muito a quente entender o que lhe dizia. «Então porque é que lá pôs L.Camões no Martim Moniz? Andamos a brincar? Eu tenho de ir pegar ao serviço ainda...», retorquia. Ora perante aquele impasse e sem obter resposta da central lá cheguei ao Largo da Graça e aguardei antes de chegar à paragem pela confirmação que chegaria finalmente uns 3 minutos depois. Se na rua chovia bem, dentro do eléctrico mais parecia uma trovoada, depois de ter dito que ali terminava a viagem devido a uma árvore que tinha tombado sobre a rede aérea, cortando assim a corrente eléctrica.

Depois das várias explicações nas várias línguas, lá saíram todos os passageiros e o tal casal espanhol que atravessou a rua e aguardou que eu realizasse a manobra para voltar para o Martim Moniz. Entretanto aproximava-se cada vez mais a hora da minha rendição que ditaria o fim do meu dia de trabalho que era para ser na Estrela e que acabou por ser no Martim Moniz. E foi precisamente a caminho do Martim Moniz, ali na Rua da Palma que a senhora nuestra hermana se dirigiu a mim, pedindo que lhe devolvesse o dinheiro dos bilhetes, mostrando-me os cartões "VivaViagem", «por no haber sido capaz de hacer el viaje de 28 asta final».

Lá lhe expliquei que não lhe iria devolver dinheiro algum, primeiro porque não tinha comprado ali o bilhete, segundo porque uma queda de árvore é um imprevisto que pode acontecer em Lisboa, como em Espanha como em qualquer lugar do Mundo e terceiro porque, sendo o bilhete de 24 horas poderia utilizá-lo ainda amanhã, porque era muito pouco provável que caísse outra árvore no percurso do eléctrico 28E. Mas a senhora indignada aumentava o seu tom de voz e dizia que em Espanha já lhe tinham devolvido o dinheiro e que queria o livro de reclamações. Disse-lhe que poderia apresentar a reclamação no mesmo local onde tinha comprado as viagens, dado que lá teria o livro de reclamações e a senhora continuava então indignada por não haver um livro de reclamações em cada eléctrico. 

Ora eu mesmo pagava para ver como será em Madrid - cidade onde já estive e que conheço minimamente como funcionam as coisas no sector dos transportes - querer apresentar uma reclamação no autocarro, obrigando-o a estar parado na paragem até que terminasse de escrever a reclamação. Não havia horário que resistisse...

E assim vão as férias de quem diz que vem passar férias e assim vão os dias de quem tem de trabalhar, com as condicionantes climatéricas desajustadas à época, com as manifestação que se tornam sistemáticas e com os imprevistos que nos cortam a corrente.

Ainda assim não deixa de ser interessante trabalhar por esta altura e poder contactar com diferentes culturas. Despeço-me desejando boas viagens a bordo dos nossos veículos.

segunda-feira, 25 de março de 2013

[Off Topic]: Eléctrico de Belém está de volta e em breve com café...

À semelhança do que acontece em algumas das cidades europeias, Lisboa vai ter um "eléctrico" café em breve. Há alguns anos instalado em Belém, servindo de apoio aos tripulantes que ali têm rendições, a fim de realizarem pequenas refeições e usufruir do merecido descanso,  o atrelado N.º173 que circulou em Lisboa entre 1952 e 1988, ganha agora nova vida. A parceria entre a Carris e o «Banana Café», teve em conta a preservação e renovação, sem custos para a empresa, o que à partida poderia causar alguma estranheza quanto ao resultado final da imagem a transmitir do atrelado. Contudo o «Diário do Tripulante» aplaude desde já o restauro do eléctrico que voltou a ter as cores da Carris mais vivas, transmitindo assim melhor imagem a quem por ali passa.

Aquele espaço que envolvia um estacionamento desorganizado, ganhará então dentro de alguns dias um novo café e uma esplanada para as tardes de sol que este Verão promete trazer. Com projecto de RRJ Arquitectos, esta iniciativa do «Banana Café» contará com um deck em redor das árvores, mesas e um espaço reservado aos tripulantes, dando assim continuidade à utilidade que o mesmo tinha anteriormente. 

Com alterações significativas, nomeadamente referentes ao que se exige na área da restauração, o certo é que o atrelado voltou a Belém e com melhor aspecto. Agora prosseguem os trabalhos da área envolvente que a constatar pela imagem do projecto, deixará de ter carros e ganhará mais um espaço de lazer para os lisboetas e para quem nos visita, num local emblemático e com recurso a um veículo que faz também ele parte da história de Lisboa. Recorde-se que também noutras cidades europeias, são usados os transportes públicos para a criação de espaços de lazer e cafés, criando assim uma ligação mais forte entre o veículo e os utentes do café, como acontece por exemplo em Praga, com o «Tramvaj Café», também localizado numa das praças emblemáticas da cidade.

O «Tramvaj Café» é uma das atracções da Praça Venceslau, onde circulou a carreira 11 e um dos locais escolhidos pelos turistas para desfrutar de um sumo, de um café, ou até de pequenas refeições. Agora chega a vez de Lisboa ganhar um espaço idêntico, usando um atrelado que também circulou pela praça onde agora ficará instalado como «Banana Café». 

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