quinta-feira, 28 de março de 2013

Diário do Tripulante deseja-lhe uma Boa Páscoa

A todos os seus leitores e passageiros, o «Diário do Tripulante», deseja uma Boa Páscoa, estendendo os votos a todos os seus familiares e amigos.


Aproveito ainda, e porque nunca é de mais incentivar à leitura, para lembrar que os interessados na compra do Livro "Diário do Tripulante - As melhores histórias e aventuras", pode ser adquirido on-line com 10% de desconto, recebendo-o comodamente em sua casa sem custos adicionais* através do envio de um mail para livro.diariotripulante@hotmail.com



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terça-feira, 26 de março de 2013

Que viva la Pascua en 28E: Haja paciência...

Chuva, muita chuva e espanhóis, muito espanhóis. Se a primeira questão pode alterar-se de ano para ano, já a presença dos espanhóis nos eléctricos de Lisboa na semana da Páscoa não muda. Todos os anos é assim e todos os anos há histórias diferentes para contar, e ainda a semana vai a meio e já hoje tive uma situação caricata com um casal espanhol que entrou já ao final da tarde no Martim Moniz. A viagem tinha como destino o Largo do Camões, devido a uma manifestação que decorria junto à residência oficial do Primeiro-Ministro, mas se há dias em que tudo parece estar guardado para acontecer, hoje foi o dia. 

Ainda circulava pela Avenida Almirante Reis, rumo ao Camões e com o eléctrico bem composto, recebo uma mensagem da Central para «até ordens em contrário, circular entre Graça e Martim Moniz». Surpreso com a mensagem recebida logo após ter recebido uma idêntica mas para se circular entre o Camões e o Martim Moniz, procurei saber com o controlador da carreira se era algum engano ou se algo mais havia a impedir a passagem dos eléctricos e enquanto aguardava resposta do rádio, ia explicando aos que iam entrando que era provável terminar viagem na Graça. Péssima ideia! Uma das senhoras sentada num dos primeiros bancos, ouviu e de imediato meteu-se na conversa e num tom de voz exaltado não deixou de reclamar.

«Mas então isto afinal termina onde? Graça ou Camões?», ao que lhe respondi que estava a tentar saber ao certo mas que era provável ser na Graça, mas a senhora não quis sequer tentar numa primeira fase e muito a quente entender o que lhe dizia. «Então porque é que lá pôs L.Camões no Martim Moniz? Andamos a brincar? Eu tenho de ir pegar ao serviço ainda...», retorquia. Ora perante aquele impasse e sem obter resposta da central lá cheguei ao Largo da Graça e aguardei antes de chegar à paragem pela confirmação que chegaria finalmente uns 3 minutos depois. Se na rua chovia bem, dentro do eléctrico mais parecia uma trovoada, depois de ter dito que ali terminava a viagem devido a uma árvore que tinha tombado sobre a rede aérea, cortando assim a corrente eléctrica.

Depois das várias explicações nas várias línguas, lá saíram todos os passageiros e o tal casal espanhol que atravessou a rua e aguardou que eu realizasse a manobra para voltar para o Martim Moniz. Entretanto aproximava-se cada vez mais a hora da minha rendição que ditaria o fim do meu dia de trabalho que era para ser na Estrela e que acabou por ser no Martim Moniz. E foi precisamente a caminho do Martim Moniz, ali na Rua da Palma que a senhora nuestra hermana se dirigiu a mim, pedindo que lhe devolvesse o dinheiro dos bilhetes, mostrando-me os cartões "VivaViagem", «por no haber sido capaz de hacer el viaje de 28 asta final».

Lá lhe expliquei que não lhe iria devolver dinheiro algum, primeiro porque não tinha comprado ali o bilhete, segundo porque uma queda de árvore é um imprevisto que pode acontecer em Lisboa, como em Espanha como em qualquer lugar do Mundo e terceiro porque, sendo o bilhete de 24 horas poderia utilizá-lo ainda amanhã, porque era muito pouco provável que caísse outra árvore no percurso do eléctrico 28E. Mas a senhora indignada aumentava o seu tom de voz e dizia que em Espanha já lhe tinham devolvido o dinheiro e que queria o livro de reclamações. Disse-lhe que poderia apresentar a reclamação no mesmo local onde tinha comprado as viagens, dado que lá teria o livro de reclamações e a senhora continuava então indignada por não haver um livro de reclamações em cada eléctrico. 

Ora eu mesmo pagava para ver como será em Madrid - cidade onde já estive e que conheço minimamente como funcionam as coisas no sector dos transportes - querer apresentar uma reclamação no autocarro, obrigando-o a estar parado na paragem até que terminasse de escrever a reclamação. Não havia horário que resistisse...

E assim vão as férias de quem diz que vem passar férias e assim vão os dias de quem tem de trabalhar, com as condicionantes climatéricas desajustadas à época, com as manifestação que se tornam sistemáticas e com os imprevistos que nos cortam a corrente.

Ainda assim não deixa de ser interessante trabalhar por esta altura e poder contactar com diferentes culturas. Despeço-me desejando boas viagens a bordo dos nossos veículos.

segunda-feira, 25 de março de 2013

[Off Topic]: Eléctrico de Belém está de volta e em breve com café...

À semelhança do que acontece em algumas das cidades europeias, Lisboa vai ter um "eléctrico" café em breve. Há alguns anos instalado em Belém, servindo de apoio aos tripulantes que ali têm rendições, a fim de realizarem pequenas refeições e usufruir do merecido descanso,  o atrelado N.º173 que circulou em Lisboa entre 1952 e 1988, ganha agora nova vida. A parceria entre a Carris e o «Banana Café», teve em conta a preservação e renovação, sem custos para a empresa, o que à partida poderia causar alguma estranheza quanto ao resultado final da imagem a transmitir do atrelado. Contudo o «Diário do Tripulante» aplaude desde já o restauro do eléctrico que voltou a ter as cores da Carris mais vivas, transmitindo assim melhor imagem a quem por ali passa.

Aquele espaço que envolvia um estacionamento desorganizado, ganhará então dentro de alguns dias um novo café e uma esplanada para as tardes de sol que este Verão promete trazer. Com projecto de RRJ Arquitectos, esta iniciativa do «Banana Café» contará com um deck em redor das árvores, mesas e um espaço reservado aos tripulantes, dando assim continuidade à utilidade que o mesmo tinha anteriormente. 

Com alterações significativas, nomeadamente referentes ao que se exige na área da restauração, o certo é que o atrelado voltou a Belém e com melhor aspecto. Agora prosseguem os trabalhos da área envolvente que a constatar pela imagem do projecto, deixará de ter carros e ganhará mais um espaço de lazer para os lisboetas e para quem nos visita, num local emblemático e com recurso a um veículo que faz também ele parte da história de Lisboa. Recorde-se que também noutras cidades europeias, são usados os transportes públicos para a criação de espaços de lazer e cafés, criando assim uma ligação mais forte entre o veículo e os utentes do café, como acontece por exemplo em Praga, com o «Tramvaj Café», também localizado numa das praças emblemáticas da cidade.

O «Tramvaj Café» é uma das atracções da Praça Venceslau, onde circulou a carreira 11 e um dos locais escolhidos pelos turistas para desfrutar de um sumo, de um café, ou até de pequenas refeições. Agora chega a vez de Lisboa ganhar um espaço idêntico, usando um atrelado que também circulou pela praça onde agora ficará instalado como «Banana Café». 

sexta-feira, 22 de março de 2013

[Off Topic]: Mercado de Gastronomia e Arte Popular até Domingo no Museu da Carris



O Museu da Carris abriu hoje as portas ao primeiro “Mercado Gastronomia e Arte Popular” que ali permanecerá até ao próximo dia 24 de Março (Domingo). Com entrada livre e aberto ao público entre as 12:00 e as 20:00, este mercado é uma organização “Rotas de Portugal” com vista a permitir dar a conhecer o país através da rota do vinho, da rota da gastronomia e claro está, do artesanato.

 
O espaço escolhido pela organização, que tem o apoio da Electrolux foi o Museu da Carris que irá acolher além deste, mais três mercados. Depois deste por ocasião da Páscoa, o mercado voltará ao Museu da Carris no Verão, por ocasião das festas de Santo António, no Outono por ocasião do São Martinho e por fim no Inverno dando as boas-vindas ao Natal.

Sem dúvida uma excelente oportunidade para num espaço com história, conhecer os produtos que fazem parte da história do país. Do vinho ao Queijo, não esquecendo os azeites, e os doces regionais, tudo aleado a um artesanato que caracteriza diversas regiões do país e tudo com preços de feira. Mais informações estão disponíveis no site dos organizadores em www.rotasdeportugal.net

O Diário do Tripulante, deseja assim uma boa viagem aos sabores de Portugal durante esta visita ao Mercado Gastronomia e Arte Popular. 


sábado, 16 de março de 2013

"Today, is not a day" e até Murphy parece ter andado pela cidade onde se espera 3 horas por um reboque...

Tudo fazia prever que este meu início de semana ia ser carregadinho de turistas, oriundos dos dois cruzeiros que atracaram este Sábado em Santa Apolónia e que optam sempre por ver um pouco de Lisboa, ora através dos autocarros panorâmicos, ora através do eléctrico turístico até porque o preço é convidativo para quem tem pouco tempo em terra. Um dos cruzeiros era precisamente o MSC Preziosa que veio directamente dos estaleiros navais de STX France em St. Nazaire rumo a Lisboa numa viagem para convidados VIP. Depois da estadia em Lisboa, partiu para Génova onde será inaugurado oficialmente. Esta atracção marítima trazia portanto muitos turistas e não era de estranhar o grande aglomerado de passageiros que aguardavam logo pelas 10h10 a partida do primeiro eléctrico. 

Cinco minutos foram os suficientes para lotar o eléctrico que partiu então em busca das  colinas de Lisboa e começava assim a minha semana de trabalho. Mas a saída da P.Comércio garantia num primeiro olhar à entrada da Rua da Prata, uma interrupção devido a um pequeno acidente entre terceiros que acabaria por ficar resolvido passados 10 minutos e algumas fotos registadas pelos turistas que fotografam tudo e mais alguma coisa. Parecia não querer começar da melhor maneira esta manhã de sábado. Já na P.Figueira mais turistas a aguardarem o eléctrico que já não dispunha de lugares para quem o esperava. A sugestão só podia ser uma. Dada a enorme procura o melhor seria dirigirem-se até à paragem inicial do circuito, na P.Comércio.

Seguimos então viagem. Mas a chegada a Santos não trazia boas notícias para aqueles passageiros que queriam a todo o custo aproveitar da melhor forma o pouco tempo disponível em Lisboa. Um carro mal estacionado, que provavelmente pernoitou naquele local após uma noite bem alegre e acompanhada de muita bebida, impedia a passagem do eléctrico. Se a primeira interrupção parecia querer dizer que as coisas não começavam da melhor maneira, tínhamos então aqui o adágio que nos trazia à memória Murphy, com a sua teoria comummente citada (ou abreviada) por "Se algo pode dar errado, dará".

E o certo é que deu tudo menos certo, porque depois de comunicada a interrupção à central de comando de tráfego, e esta ter solicitado à PSP o reboque para a remoção da viatura, restou-me dar alternativas aos passageiros porque a espera prometia ser longa. O tal adágio de Murphy dizia-me que por ser sábado, iria tardar a chegar o reboque e o certo é que tardou. Foram 3 horas, as necessárias para que o reboque chegasse ao local, já com os restantes eléctricos turísticos ali parados, tendo o serviço sido suspenso até ás 14h00, hora em que se voltou a circular, já depois de removido o carro. 

Esta situação levou-me novamente a pensar na tese que estou farto de defender, sugerir, ou o que seja. A Carris devia estar habilitada em parceria com a Polícia Municipal, tal como acontece com o "Smart Bus", com um reboque para situações como esta, em que parte da receita da multa revertesse a favor da companhia, que se vê assim privada de realizar um serviço público porque alguém só pensa no seu umbigo. E mais espantado fico quando olho para o relógio e vejo que o único reboque da PSP chega ao local 3 horas depois de solicitado, tratando-se Lisboa de uma capital europeia e que em casos como este parece mais, uma cidade digna do terceiro mundo.

Iniciei então finalmente a minha segunda viagem do dia ás 14h00 mas o dia estava predestinado a não correr como é habitual e à semelhança da primeira viagem saí novamente com a lotação do eléctrico completa e desta feita com a maioria dos turistas, de nacionalidade espanhola, ao contrário da primeira volta onde o francês era a língua que dominava. Mas a viagem teria um percurso ainda mais reduzido porque ficaria pouco depois "preso" na Rua dos Cavaleiros atrás de um eléctrico da carreira 12E. Com o percurso já desviado com o objectivo de acertar o horário e por indicação superior, o certo é que o tal Murphy parecia mesmo estar presente naquele eléctrico contrariando a circulação.

Uma carrinha da corporação de bombeiros que descia a mesma rua que os eléctricos subiam, tentou facilitar a manobra, com vista a que os eléctricos prosseguissem marcha, acabaria por bater em dois dos carros estacionados, impedindo de vez a circulação dos eléctricos. Alguns dos turistas que seguiam no eléctrico nem queriam acreditar e diziam-me «Today, is not a day!»... Desolados com tamanho azar, desabafavam que tinham estado duas horas à espera para fazer o circuito e logo teria de se dar este acidente que impedia que continuassem. Ora se para o reboque foram precisas 3 horas na primeira interrupção, aqui bastava a presença da divisão de trânsito da PSP e saber a quem pertenciam os carros afectados pelo embate do auto-tanque dos bombeiros. 

A circulação no local chegou mesmo a ficar confusa, tendo a PSP solicitado a alguns proprietários que reordenassem o estacionamento, mesmo que para tal fosse necessária a ajuda dos agentes para umas braçadas numa direcção assistida a braços de um Fiesta que enfrentava não só a inclinação da calçada como o empedrado irregular e uma condutora já com poucas forças para aquele tipo de manobras. Houve de tudo e para todos os gostos naquela rua.

Foram 2 horas de interrupção até que a papelada estivesse preenchida, os carros retirados, as medidas tiradas e a linha desimpedida. Já sem passageiros, segui de imediato para a Praça do Comércio, onde finalmente consegui fazer a minha última viagem do dia e sem interrupções, já com o Preziosa a cruzar o cais das colunas despedindo-se de Lisboa, rumo a Génova e com os turistas convidados a bordo que não levaram certamente a melhor recordação de Lisboa, nomeadamente no que à falta de civismo dos automobilistas diz respeito, mas também à inoperacionalidade do reboque da PSP, que por ser um (como diziam no local) acaba por não ter mãos a medir a tantos pedidos. 

E assim se vai fazendo turismo numa cidade com o trânsito cada vez mais impraticável que acaba por não deixar a melhor imagem, mas que ainda assim vale a pena visitar. Boas viagens a bordo dos veículos da CCFL.

terça-feira, 12 de março de 2013

Quando o chão foge dos pés, é o eléctrico que se perde de vista...

E o regresso ao trabalho depois da Gripe que me afastou dos carris, foi precisamente na 18E. Se muitos foram os meses sem ir para os lados da Ajuda, o certo é que em duas semanas hoje foi a terceira e ao final do segundo dia consecutivo, a certeza é clara: a 18E é uma carreira que a mim não me assiste, como diz o Hélio. É que ir lá uma vez por outra, até se torna "zen", para aliviar o stress de outras carreiras, mas duas vezes seguidas é dose, sobretudo numa carreira onde não se passa nada e onde por vezes há quem queira contrariar, nem que para tal se desafie o tripulante que vai calmamente a conduzir o eléctrico que desce a colina da Ajuda em direcção ao Cais do Sodré.

E que jeito dá ter uma esquadra no percurso da carreira. Devia haver uma em todas as carreiras, porque normalmente quando é necessário nunca encontramos um polícia. Ora se a montanha não vai a Maomé, vai Maomé à montanha. E assim foi esta tarde quando no meio daquela acalmia toda do eléctrico 18, dois cidadãos, aparentemente ciganos de leste, decidem contrariar as regras, como se fossem donos e senhores de um eléctrico ao seu dispor. Após a saída do último passageiro que tinha como destino o Calvário, um dos cidadãos atrás referidos, decide forçar a porta da saída quando esta já se encontrava a fechar, retendo assim o eléctrico na paragem, para que se aguardasse a chegada do segundo elemento que num estado embriagado mal conseguia andar.

Entrando um pela porta da frente e outro pela de trás. Título de transporte, não tinham e a embriagues e o cheiro pouco agradável com que se faziam acompanhar, impedia-me de todo continuar a viagem, sem que os mesmos tivessem de abandonar o eléctrico, até porque trata-se de um transporte público e não privado. Peço-lhes então que saiam do eléctrico, uma vez que não tinham título de transporte válido e porque o mais certo era ter problemas durante o resto da viagem porque um até já tinha improvisado com um dos passageiros.

Depois da primeira, pedi a segunda vez, mas como a reacção era sempre a mesma, a de quem tinha o chão a fugir-lhe dos pés com um olhar meio adormecido, decidi então pedir ajuda à PSP que estava mesmo ali ao lado. Não veio um mas sim, quatro agentes que ao chegarem ao eléctrico, já tinham os dois tipos a sair pelos seus próprios meios. Se até então não percebiam nada de português, quando me ouviram chamar os agentes, já percebiam tudo. E lá prossegui viagem até ao cais do Sodré.

Mas de volta à acalmia de uma carreira que de facto tem pouca procura, nomeadamente nos moldes em que ela está actualmente, após o corte ao Cais do Sodré, não quero terminar este olhar sobre os dois dias no 18 sem deixar de referir a agilidade com que foi colocado um sinal de trânsito na Boa Hora, mesmo à frente de um espelho parabólico através do qual temos a única visão quanto à possibilidade ou não de avançar perante a curva fechada junto ao mercado. Ora ainda que o sinal lá tenha ganho poiso durante pouco tempo (devido a obras), o certo é que não custava nada ter um pouco mais de atenção por quem coloca a sinalização vertical.

domingo, 10 de março de 2013

[Off Topic]: A primeira vez afastado do meu Mundo por obrigação

Pela primeira vez, escrevo aqui no blogue, não sobre o meu dia de trabalho mas sobre a minha ausência. Inesperada e motivada por uma forte Gripe, que me levou à cama e sem reacção e forças para enfrentar o que fosse. Vi-me então obrigado a recorrer ao centro de saúde, local onde não ia há já alguns anos, nomeadamente após a entrada na Carris, dada a assistência prestada anualmente através da medicina do trabalho, e depois porque há muito não estava realmente doente ao ponto de recorrer ao médico. A folga passada na cama na esperança que as melhoras chegassem, foi interrompida apenas para a visita interna promovida pela Carris, às instalações do Metro, para que possamos conhecer melhor «a viagem que nos une». 

Não iria adivinhar que na data da visita iria estar doente e estando a marcação feita, não quis obviamente faltar ao compromisso nem sequer perder uma oportunidade para ver como é a realidade de quem transporta debaixo do solo. Produtiva para o conhecimento profundo sobre a empresa Metro, esta visita acabou no entanto, por não ser favorável ao meu estado gripal que piorou. Desloquei-me então ao Centro de Saúde da Graça. A sensação ao entrar foi tanto de nostálgica, como de receosa. Nostálgica pelo facto de ali ter sido acompanhado desde miúdo e por recordar os tempos em que não havia tantas preocupações como as que vivemos nos dias de hoje. Receosa porque ao ver a quantidade de pessoas sentadas numa sala de espera com ar tão mau ou pior que o meu, levaria-me a querer que iria sair dali pior, sobretudo porque já sabia que o tempo de espera não ia ser curto.

Consulta médica largos minutos depois da chegada e o receituário com antibióticos, comprimidos para dores e estados febris e uma baixa (a primeira desde que trabalho) por incapacidade de me apresentar ao serviço. Três dias longe do tráfego e "preso" a uma cama, durante um estado que não foi propriamente pensado para uma pessoa activa como eu e disposta a não parar.

Agora já quase recuperado, resta-me uma tosse forte que não em tem dado o mínimo de descanso, mas amanhã estou finalmente de volta aos amarelos, porque neste momento, a doença que sinto é a falta do contacto com o exterior e o respirar do ar e o sentir da luz desta cidade que me espera. Já sem febre e sem delirar, posso mesmo afirmar que não consigo estar muito tempo longe dos amarelos, por muito que por vezes, o tempo custe a passar.
 

sexta-feira, 1 de março de 2013

Na 18E «é preciso ter lata!»

Há já alguns meses que não ia para os lados da Ajuda e hoje lá me calhou na escala um serviço na carreira 18E, longe da confusão da carreira 28E com os inúmeros turistas que visitam Lisboa e longe das interrupções constantes da carreira 25E devido ao mau estacionamento. Longe da procura de outros tempos, o 18 lá continua a ajudar a população a subir até ao bairro da Ajuda, e continua também a proporcionar algum descanso aos tripulantes que conseguem encontrar nesta carreira um escape ao stress diário. Confesso que nunca morri de grandes amores pela carreira da Ajuda, apesar de saber da importância que ela tem para os moradores daquela artéria da cidade.

Mas certo é também, que continua a ser na carreira 18E que se vai ouvindo das expressões mais engraçadas, típicas de uma cidade, que pelos lados da Ajuda, mais se parece com uma aldeia de onde se avista o Tejo com o Palácio da Ajuda à esquerda e o de Belém lá no fundo à direita. Com uma tarde soalheira a convidar ao passeio de eléctrico, houve até turistas que quiseram andar no 18E, mas em número muito inferior ao da tão procurada 28E.

Na paragem do Calvário, a situação repete-se quase sempre a cada chegada com destino à Ajuda. Os passageiros que aguardam a chegada do 760 ao avistarem o eléctrico, correm como que se o mundo terminasse minutos depois, porque o que interessa é apanhar o eléctrico nem que se corra o risco de se ser atropelado ao atravessar. A pressa chega a ser tanta que a corrida só termina no estribo do eléctrico, depois de passarem à frente dos que ali estavam já à espera do 18. Não admira portanto que surjam pequenas picardias.  «É preciso ter lata!», reclama uma das senhoras que se sente lesada ainda a meio da fila. Os que tinham acabado de correr na direcção do eléctrico, validavam já o passe quando outro passageiro do lado de fora diz de forma a apaziguar os ânimos que «cabemos todos e havemos de caber num buraco mais pequeno.»

Mas a senhora insiste... «Mas que lata. Vem dali a correr e passa à frente de todos...» E quando menos se esperava uma outra passageira entra no eléctrico e ao mesmo tempo responde: «Que o eléctrico é de lata já todos sabemos! E mais, é de Lata, Ferro e Madeira!», e escusado será dizer que a risada foi total naquele eléctrico, para descontentamento da senhora que se sentia ainda assim lesada por não ter entrado na sua vez.

O certo é que durante o resto do serviço, poucas mais situações ocorreram, até porque, além da oferta excessiva de lugares, naquela carreira da Ajuda, não se passa mesmo nada. Resta-me portanto desejar-vos boas viagens a bordo dos veículos da CCFL.

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