sábado, 23 de junho de 2012

«Mas disseram que não passavam aqui eléctricos hoje!»

A recolha é por certo a viagem mais desejada depois de um longo dia de trabalho. Sobretudo em dias como o de hoje, onde os turistas pareciam emergir de todos os cantos da Praça do Comércio, fazendo com que não restassem lugares disponíveis para as paragens seguintes, no circuito turístico da CarrisTur.

E se lugares faltavam para os turistas, outros lugares também faziam falta e para se estacionar um carro, porque hoje é dia de São João e comer na rua a bela sardinha no pão. Os arraiais de Lisboa, preparavam-se a meio da tarde para a noite que não deve ter tanta procura como a de Santo António, mas ainda assim eram muitos os carros estacionados e de qualquer maneira, no Campo das Cebolas em frente à Fundação Saramago.

Efectuava então a recolha a Santo Amaro mas a viagem foi curta. Da Praça do Comércio cheguei à R.Alfândega e de lá não consegui sair porque este Fiat Punto impedia a passagem do eléctrico. Eram vários os arrumadores no local e de imediato mostraram-se preocupados com o facto de eu estar a chamar a Polícia. «Mas senhor, disseram que não passavam aqui eléctricos hoje!», dizia um mais aflito, talvez o que estendeu a mão para receber a moeda de quem só pensou no seu umbigo, ou simplesmente de quem pensou que aquele foi o seu salvador ao ter arranjado um lugar que até não deu trabalho a estacionar.

Informei de imediato a Central de Comando de Tráfego que solicitou o reboque à PSP. Passados 40 minutos aproximadamente, apareceu o dono do carro, impávido e sereno. Entrou no carro, fez rodar a chave e eis que surge o reboque. Por fracções de segundo livrou-se de ir a pé e livrou-se da multa, já que os agentes do reboque, não chegaram já a ver o veículo estacionado. E lá foi contente da vida o condutor do carro, pois afinal hoje foi o seu dia de sorte! Uma sorte que foi o azar de outros...

"Diário do Tripulante" ao som do Fado... na TVI

E no mês em que Lisboa está em festa, o Fado nos eléctricos é sem dúvida, dos eventos mais procurados e aguardados pelos lisboetas amantes deste cantar popular, agora Património Mundial da Humanidade. Entre jovens e idosos, muitos são os que procuram o eléctrico decorado a rigor com as sardinhas e claro está, com fadistas, guitarristas e muito Fado à mistura. Este ano a iniciativa da EGEAC em parceria com a Carris, não esteve só no 28E, mas também no 12E. 

Mas foi no 28E que tive o prazer de receber a equipa de reportagem da TVI (Lara Santos e Tiago Donato), que foram ver como é ouvir o Fado entre as colinas de Lisboa e saber como surge afinal o blogue "Diário do Tripulante" e mais recentemente o livro que agora chega às livrarias e que pode ser também a adquirido através deste espaço

Afinadas as guitarras, pede-se silêncio, que se vai cantar o Fado no eléctrico. A viagem decorre pelos carris do 28E e pelo meio nunca se sabe o que pode acontecer. Primeiro, discute-se o lugar sentado, depois a vez na fila da paragem, porque o que importa é entrar neste eléctrico que leva o Fado aos bairros mais pitorescos da cidade, por onde passa o 28. E pelo meio, houve ainda quem ficasse sem gasóleo. Interrompeu-se o fado e a viagem, uniram-se forças para empurrar o carro e lá prosseguimos viagem até aos Prazeres. Uma viagem que convido agora a verem ou reverem, através da reportagem da TVI que foi emitida este sábado, 23 de Junho de 2012 no «Jornal da Uma».

 

Esta reportagem é da autoria de Lara Santos com imagem de Tiago Donato e montagem de José Santos e faz parte do bloco do Jornal da Uma, da TVI do dia 23/06/2012 e também está disponível em http://www.tvi.iol.pt/programa/30/videos/128740/video/13653676




segunda-feira, 18 de junho de 2012

De Itália para Portugal com... desconto!

Seja só uma paragem ou no percurso todo, alguns dos passageiros que utilizam as carreiras da Carris, estão cada vez mais habituados a viajar de forma ilegal. E são várias as formas como o fazem julgando até que o tripulante é um grande totó que não se apercebe de nada e lá vão em direcção ao lugar localizado o mais próximo possível da saída. O caminho da porta da entrada até ao lugar, depois da passagem pelo validador é feito quase como acontece no atletismo após o cortar da meta, em que só falta levantarem os braços e gritar de alegria, por terem conseguido "enganar" mais um. Mas na maioria estes passageiros pretendem ser discretos e rápidos. Há os que validam, e após sinal vermelho com o apito prolongado, lá seguem caminho dizendo que «estas máquinas estão sempre avariadas, não mandam arranjar isto...» e outros há que reclamam já falta de paciência para com os validadores.

Mas a paciência para com estes senhores e senhoras é que já começa a faltar a alguns dos tripulantes, que saturados de tantas borlas, lá acabam por chamar a atenção de um ou outro passageiro que gosta mais de dar nas vistas ou que não é ainda exímio na arte de enganar o tripulante. Depois há aqueles que são amantes das promoções típicas de supermercado - o pague um, leve dois! Algo que foi resultando até hoje quando na carreira 735 o tripulante se apercebeu que algo não estava a ser feito de forma correcta. Acabou-se então a promoção!

De origem italiana, a passageira em questão, parece ser habitual frequentadora da carreira 735 e se num primeiro dia entra por trás com malas e faz-se esquecida para validar o título de transporte, já num segundo dia fez-se acompanhar de uma amiga com quem iria aproveitar a tal hipotética promoção pague um e leve dois, em que o mesmo passe dava para as duas viajarem. Mas como não há uma sem duas nem duas sem três, eis que hoje era ela e mais duas amigas, e o tripulante decidiu então estar atento e com olhos de lince. A primeira valida o Lisboa Viva, e de surra passa para a segunda que decide validar no validador da frente, e talvez comprometida com algo deixa inesperadamente cair o passe.

Nestas situações a verdade acaba sempre por vir ao de cima e o passe acabaria por cair com a fotografia virada para cima. Não vendo ninguém presente do sexo masculino entre o grupo e por não constatar a barba em nenhuma das raparigas, o tripulante do 735, solicita à jovem que lhe deixe ver o passe em questão. «A menina usa barba?» perguntou o tripulante à jovem que em instantes de segundos ficou mais vermelha que a luz de paragem do semáforo. O cartão foi de imediato retido, o que acabou por deixar indignada a jovem italiana que há já alguns dias usava-o para se transportar... «perdi meu passe e carreguei este por isso é meu!», justificava.

E assim acabava a validade da promoção semanal, quinzenal ou até mensal em que um pagava e dois viajavam! Agora até reaverem o passe de volta vão ter de optar pelo slogan "para viajar vais ter de pagar!" Capito?...


[n.d.r]: História vivida a bordo da 735, relatada e gentilmente cedida pelo tripulante Ro Dias.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

FarmTram na Praça do Comércio...

E o meu regresso ao circuito turístico da Carristur fez finalmente jus ao logótipo deste blogue. O campo veio para a cidade e por alguns momentos, parecia que o eléctrico desbravava os campos cultivados com hortaliças, girassóis, pêssegos, entre outros produtos hortícolas que este fim-de-semana dão outro ar à Praça do Comércio, graças ao Mega Pic-Nic de uma marca nacional que prometeu trazer o campo e o mar para a cidade, juntamente com um concerto musical de Tony Carreira.

Mas não se ficou por ai. Além do campo e do mar, trouxe também a confusão no trânsito na zona envolvente e a supressão de serviços de transporte para este sábado. Muitos foram os curiosos que já esta tarde observavam os últimos arranjos e enquanto os turistas iam entrando no eléctrico e perguntando o que ali se iria passar, do meio da praça, moviam-se empilhadores com sacos de terra e palha para os animais que a partir desta noite ali vão pastar.

Um turista mais curioso, quis saber ao certo o que  ali se iria passar no dia de amanhã, e a promotora lá lhe informou que era um evento que acontecia anualmente, que consistia num pic-nic, com um concerto musical e presença de animais de campo na cidade. O turista, surpreendido com tal evento, disse que deveria ser muito interessante e quando soube que ia ter porcos, não deixou de perguntar se iria haver barbecue.

Mas pic-nic's à parte, houve ainda tempo para turistas e noivos tirarem fotos junto à casinha vermelha que esta tarde andou bem preenchida com muitos turistas, entusiasmados com a cidade das sete colinas e outros mais stressados com o relógio. E se juntar-mos tudo isto, o resultado quase daria uma aplicação idêntica à do facebook com o título «FarmTram», onde no meio de uma quinta em plena Praça do Comércio, tudo vale para dar uma volta no eléctrico das colinas e de preferência em contra-relógio para que não se estraguem cenouras, couves, alfaces etc...

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Ahh fadistas!!.. nos eléctricos 12 e 28

A foto possível, numa das paragens da viagem na 12E
Foi com grande entusiasmo e persistência que muitos amantes do Fado aguardavam na Praça da Figueira pelo eléctrico do Fado, quando ainda eram 14h20. A iniciativa da EGEAC em parceria com a Carris repete-se há já alguns anos e está inserida nas comemorações das festas de Lisboa. Com partidas anunciadas para as 16h e às 19h, este ano a novidade é a inclusão da carreira 12E que recebe pela primeira vez o Fado. E quem também se estreou neste evento fui eu, após ter passado ao lado nos anos anteriores.

A chegada dos organizadores, guitarristas e fadistas, causou de imediato agitação na paragem entre passageiros habituais, turistas e simples amantes do fado e desta iniciativa. Muitos há que acompanham o eléctrico no Fado desde a primeira edição, nem que para tal tenham de esperar duas horas para garantir lugar. Entre a azáfama de conseguir entrar a bordo do eléctrico, há empurrões, palavras de ordem e por vezes insultos. Mas tudo vale a pena para se ouvir o Fado nem que a viagem seja curta e pelas ruas da Mouraria que ligam num instante o Castelo ao centro da cidade.

"Silêncio!", ordena o Sr. Beja para de seguida dar as boas vindas a todos e fazer as apresentações. Pela primeira vez tive também direito a palmas e juro que não cantei o Fado! Eléctrico cheio, que nem sempre facilita a vida aos jornalistas que queriam a todo o custo captar as melhores imagens dos cantares dos fadistas e dos rostos contentes de quem seguia viagem.

Com os músicos Manuel Gomes e Fernando Gomes, os fadistas Henriqueta Batista, Ana Maurício, Luís Matos e Nuno Aguiar, entoaram vários temas que fizeram sentir a verdadeira força do Fado, agora classificado como património da Humanidade. 


E assim se juntaram dois gloriosos patrimónios: O Fado e o Eléctrico, que pelas colinas de Lisboa, cantaram o Fado e puseram gente a cantar dentro e fora do eléctrico. E assim será até dia 10 de Junho, sempre às 16h e às 19h com partidas alternadas da Praça da Figueira e do Martim Moniz, numa iniciativa que na minha opinião, não deveria apenas acontecer durante as festas de Lisboa, mas sim, várias vezes no ano. 

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Já é possível comprar o livro «Diário do Tripulante» on-line



Depois de ultrapassados alguns contratempos, o livro «Diário do Tripulante - As melhores histórias e aventuras», da editora Fonte da Palavra está finalmente à venda. Mas como pode o leitor adquirir o seu exemplar? Este artigo vai ajudá-lo na resposta...

Directamente no Blogue «Diário do Tripulante»:

Com um desconto de 10% sobre o preço de capa enviando um mail para livro.diariotripulante@hotmail.com com os seguintes dados:
- Nome
- Quantidade de Exemplares pretendidos
   - Morada (apenas no caso de optar pela entrega via CTT)

Posteriormente será contactado para confirmação de dados por parte do autor do livro "Diário do Tripulante".  O preço de capa do livro é de 16.00 € (14.50€ preço com desconto - Portes de envio grátis para Portugal Continental).

Através do site da Editora Fonte da Palavra:

Acessível através do endereço www.fontedapalavra.com, acedendo ao separador "Catálogo".

Nas Livrarias:

Livrarias Bertrand ou através do site da Bertrand.pt
Livraria on-line Wook.pt
Livraria Ferin
Livrarias Fnac
Livrarias Book House

Brevemente disponível noutras livrarias.

No Museu da Carris:

Loja do Museu da Carris

No 28Café:

Emblemático café situado no Castelo que homenageia o eléctrico 28 com a sua réplica ao eléctrico Lisboeta

Marcelo Rebelo de Sousa sugere «Diário do Tripulante - As melhores histórias e aventuras», no Jornal das 8 da TVI

No seu comentário semanal, no Jornal das 8 de domingo na TVI, o Professor Marcelo Rebelo de Sousa sugeriu entre outros, o livro «Diário do Tripulante - As melhores histórias e aventuras», que teve origem neste blogue. A referência foi feita este domingo, 03 de Junho de 2012, pelo próprio, como sendo «algo muito curioso. Alguém que trabalhou na televisão, largou tudo para ir trabalhar num eléctrico de Lisboa». 


O livro estará em breve nas livrarias, e toda a informação sobre o seu lançamento e venda, estará aqui disponível brevemente, depois de resolvida a questão com a distribuidora, que impediu até então a comercialização do mesmo. Contudo agradeço desde já a honrosa referência feita pelo professor Marcelo Rebelo de Sousa no Jornal das 8 de domingo, na TVI.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

[Off Topic]: Junho é mês de festas em Lisboa!

Entrámos finalmente em Junho, o mês em que se celebra na cidade de Lisboa, Santo António. Nas ruas dos bairros tradicionais da capital há manjerico, sardinha assada, chouriço, música e muita animação. Mas à semelhança de anos anteriores, a Carris em parceria com a EGEAC junta-se também à festa com o "Jazz às Onze" e o "Fado nos Eléctricos", não esquecendo os teatros a bordo dos autocarros com o evento "Omnibus". A programação é vasta e está disponível no site oficial das festas de Lisboa e claro, da Carris em www.carris.pt

Motivos não faltam para sair de casa e como sempre deve optar pelos transportes públicos, porque os arraiais de Lisboa estão habitualmente colocados em locais de difícil estacionamento, e para que se possa divertir sem restrições.

Não estranhe portanto se ao entrar num autocarro ou eléctrico, encontre um tripulante de pólo bege. É o fardamento de verão da Carris que entrou hoje em vigor. 

Boas festas de Lisboa!

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