quarta-feira, 30 de maio de 2012

Olha a sardinha (polaca) linda... na 28E!

Se há dias em que chegamos ao final do serviço satisfeitos hoje foi um desses dias. O serviço correu muito bem, tirando a porta de trás que nem sempre queria colaborar na abertura e com a compreensão dos passageiros que teimavam em gritar lá do fundo... «Então não abre atrás? Eu toquei!»

Mas quando transportamos uma turista polaca acompanhada de dois portugueses que mais pareciam autênticos guias demonstrando o seu companheirismo e amizade ao mostrarem os detalhes de uma cidade que a deixava a cada esquina de boca aberta. Um casal de francês mostra-se surpreendido por eu falar francês e ficam encantados da vida, aproveitando para pedir algumas explicações sobre os títulos de transporte e uma turista italiana não entende o porquê do validador indicar sinal vermelho quando diz ter dinheiro no cartão ao mesmo tempo que no visor do validador lê-se «Viagens esgotadas. Carregar cartão.»

Uma turista de um qualquer país nórdico entra e pergunta se é possível tirar fotos no interior, coisa rara nos tempos que correm, mas provavelmente ela apercebeu-se de imediato que aquele eléctrico era uma das peças de museu vivo da Carris, e lá lhe respondi que sim, mas sem flash (risos).

Cabelos ao vento lá iam desfrutando as viagens pelas colinas de uma cidade que de dia para dia vai ganhando cor com os festões que assinalam as festas de Lisboa à semelhança do eléctrico que conduzi hoje com as sardinhas das Festas de Lisboa 2012, da EGEAC. 

E quando é assim o dia de trabalho, até dá gosto e nem se dá pelo passar das horas! Que assim sejam todos os dias! Boas viagens a bordo dos veículos da CCFL com ou sem sardinhas.

terça-feira, 29 de maio de 2012

"Batalha" Brasil-França numa viagem que em tudo se parecia a uma superfície comercial num 1º de Maio

Numa altura em que os lisboetas já só pensam nas festas da cidade que se aproximam a passos largos, como anunciam as sardinhas pelos sinais da Baixa, e nas caracoladas que prometem fazer companhia durante os jogos do Euro2012, outros há que nem sequer sabem da existência dessas festas em honra a Santo António e que só querem é conhecer Lisboa através dos eléctricos que percorrem as ruas estreitas de Alfama, Chiado, Bairro Alto, etc...

Se a viagem no 28E faz-se que nem sardinhas enlatadas, como é hábito "apregoar-se", já no circuito das colinas da CarrisTur, o limite da lotação são 24 lugares sentados, para que se possa desfrutar de uma viagem tranquila e sem peripécias para os turistas mais distraídos, ou confusões com a entrada e saída nas paragens. Mas a verdade é que nem sempre tudo corre com normalidade e hoje foi o dia!

Com uma procura considerada, e hoje nomeadamente por brasileiros e franceses, os eléctricos acabavam por sair da Praça do Comércio - o seu ponto de partida - bem compostos e os poucos lugares que restavam, eram preenchidos na paragem seguinte, na Praça da Figueira. Mas se neste serviço, não acontecem situações que diariamente presenciamos quer seja no 28E, 25E 15E ou outras, o certo é que na última viagem tudo parecia querer contrariar esse facto. Uma interrupção nas Escolas Gerais, originou um maior tempo de espera pelo eléctrico, para os turistas que de férias, parecem correr a caminho do trabalho.

A minha chegada à Praça da Figueira, acabou por ser algo semelhante ao dia 1 de Maio num Pingo Doce qualquer (passe a publicidade). Perante uma paragem repleta de turistas, mas em que todos pareciam estar ao molho, em vez de estarem numa fila de forma ordeira, o abrir da porta originou os primeiros empurrões e trocas de palavras entre povos oriundos da Europa e das Américas. 

Peço calma na entrada porque só tinha 8 lugares disponíveis. Um casal de Ingleses entram e sentam-se de imediato, dizendo que tinham sido os primeiros a chegar. Mas ao mesmo tempo, tenho já dentro do eléctrico 1 francesa com dois bilhetes. O marido não tinha ainda vencido o "muro" criado pelos que forçavam a todo o custo a entrada no eléctrico. Restavam só 4 lugares e tinha 5 turistas brasileiros querendo entrar no eléctrico, ou melhor estavam praticamente já todos sentados com um apenas por sentar. Começava então a batalha Brasil-França em que o resultado final daria direito ao único lugar disponível.

«Moço, nóis estavamos primeiro. Esse senhor está sendo grosseiro...», dizia uma turista brasileira (...) «Pardons, mais c'est mon mari», alegava a francesa. Pedi que chegassem a uma conclusão de quem estava primeiro porque não poderia eu decidir, uma vez que não tinha visto quem tinha chegado primeiro, até que depois de muita gritaria, insulto e "chega pra lá", venceram os franceses. E se faltavam lugares, de imediato sobravam 4. Chegaram mais três turistas e a viagem prosseguiu com apenas um lugar livre, mas só até ao Castelo.

Nas Portas do Sol tinha dois à espera do eléctrico e lá seguiram viagem, uma sentada, outra de pé na retaguarda. Mas o pior estava para vir no Largo do Camões com dois casais ingleses. Abro a porta e digo-lhes que está já completo. De imediato gritam comigo dizendo que estavam há duas horas à espera e que tinham pago 18 euros. Digo-lhe que não havendo lugares, não tinha o direito de expulsar ninguém. Insiste em dizer-me que pagou 18 euros e que ia viajar comigo custasse o que custasse. Peço-lhe para que seja condescendente e veja como iam preenchidos todos os lugares disponíveis, mas insistia em não em querer ouvir. 

Informo-lhe que quando começou o circuito, foi avisado pelo áudio-guia de que se saísse não era garantido que tivesse lugar no próximo eléctrico, mas o senhor teimava em descarregar a sua revolta em cima de mim, decidindo empurrar-me e entrando em direcção ao corredor do eléctrico agarrando-se a um balaústre junto à retaguarda, dizendo «let's go...».

Os restantes rejeitavam tamanha atitude, mas para evitar mais chatices e o impedimento da carreira 28E que já se juntava atrás com dois eléctricos, prossegui viagem com o senhor que pensa que por ter pago 18 euros pode fazer o que quer e mandar no que não é dele, arranjando confusões mesmo quando o objectivo de umas férias possa ser descansar e estar longe de confusões...

 

domingo, 27 de maio de 2012

De Algés a Belém a bordo do 15E

E porque hoje é domingo aqui fica uma sugestão de passeio pela cidade com o eléctrico 15E, de Algés à Praça da Figueira, fugindo assim à muita procura do 28E. 

E assim é a carreira dos Museus (15E) pelo olhar de quem a conduz...

 

Boas Viagens com a CCFL.

[n.d.r.]: Video gravado através de um telemóvel colocado ao lado da chapa da carreira junto ao para-brisas frontal, durante uma viagem na 15E, não interferindo com a condução nem com a prestação de um serviço público de qualidade.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

[Off Topic]: Colina acima e abaixo com o 12E, na revista TimeOut

A revista TimeOut Lisboa, publica na edição desta semana uma reportagem na Cidade de Lisboa sobre os locais que se podem visitar, se quiser ser turista por um dia e fugir às enchentes de quem nos visita e à habitual confusão do eléctrico 28E. «Próxima paragem: postais de Lisboa», é o título da reportagem de Renata Lobo que entrou a bordo do 12E, de Nuno Castro que apanhou o Barco e de Ana Luzia que fotografou as duas formas alternativas de descobrir Lisboa.

E foi com o guarda-freio Malta que a Renata Lobo iniciou a viagem pela rota do Castelo. «Inaugurada em 1915, a carreira 12 fazia o percurso do Rossio a São Tomé...» Seguiram-se depois alguns encurtamentos e há alguns anos a esta parte, o 12 passou a ser circular numa viagem que dura aproximadamente 17 minutos se não houver interrupções. A principal procura desta carreira é para chegar de forma rápida e directa ao Largo das Portas do Sol, a paragem mais próxima do Castelo. 

«"Castelo!", anuncia ao parar o guarda-freio Malta, efectivo nesta carreira há quatro anos e que confirmámos ser fluente em inglês, francês e espanhol...» , escreve a TimeOut Lisboa nesta sua edição n.º243, acrescentando que a viagem no 12E, suporta «20 lugares sentados e 38 de pé, entre turistas e residentes, numa viagem onde, por vezes, a proximidade dos edifícios nos permite escutar a vida de Lisboa antiga.»

A carreira 12E funciona de segunda a sexta das 8.00 às 20.45; Sábados, Domingos e Feriados das 9.00 às 20.15 . A tarifa de bordo custa 2.85€ e é válida apenas para a viagem em que é adquirida e o bilhete pré-comprado custa 1.25€ e é válido por uma hora após a primeira validação. Mais informações estão disponíveis no site oficial da Carris em www.carris.pt  

terça-feira, 22 de maio de 2012

Há procura do milagre na carreira do Corpo Santo

Esta tarde no Terminal dos Prazeres após interrupção na 25E
Um serviço na carreira 25E não requer um Corpo Santo porque já o tem como terminal, graças às intermináveis obras da praça do Comércio, mas requer uma paciência de Santo para a constante atenção necessária ao estacionamento da Rua de São Paulo e do Largo de Santos. Na verdade estes locais sempre foram críticos para esta carreira e para os seus passageiros, que são «massacrados» pelas sucessivas interrupções causadas por quem só pensa no seu umbigo.

Raro é o dia em que não há uma paragem da carreira devido a alguém que decidiu parar o carro de qualquer maneira e por vezes até os serviços ocasionais ficam lá presos por centímetros como aconteceu ontem no serviço de Aluguer que tive pela manhã. No entanto, hoje a tarde até parecia estar a ser complicada mais para os lados da Rua do Comércio com uma interrupção a desviar algumas rotas das carreiras que por ali passam, mas quando me dirigia para o Corpo Santo, lá me cruzei com dois eléctricos que no sentido oposto, se viam impossibilitados de chegar aos Prazeres. 

Ontem  a caminho de um aluguer e impedidos de prosseguir
E lá apareceu o autocarro a substituir os eléctricos como sempre acontece nestas ocasiões em que o elo mais fraco se vê impossibilitado de realizar com sucesso a sua missão. Com alguma razão os passageiros lá reclamavam a paz que tarda em aparecer para os lados do Conde Barão. Primeiro a retirada do 794, depois o encurtamento da 25E ao Corpo Santo e uma maratona diária entre o terminal dos barcos do Terreiro do Paço e o Corpo Santo, onde rezam talvez aos Santos da igreja ali presente no largo para que um milagre aconteça e que um dia não tenham interrupções durante a viagem que os leva ao trabalho. 

Certo é também, que reclamam sempre com o tripulante, que pouco pode fazer e que certamente até preferia ter a "ajuda" do 794 ou regressar com o 25E, o mais breve possível ao terminal da R. Alfândega evitando assim um sem número de viagens que se tem de fazer num serviço, que acaba por se tornar mais maçador e que só vai sendo atenuado pela simpatia de alguns passageiros que vão entrando e saindo entre os Prazeres e o Corpo Santo.

E assim vão as viagens pela carreira 25E...

 

domingo, 20 de maio de 2012

Quando a paciência esgota na 28E...

Fazer a barba durante uma viagem de autocarro pode parecer irreal, e pouco higiénico, mas a verdade é que há quem o faça. Mas pior que isso é alguém fazer a barba a outra pessoa, com uma gillette, sem gel ou espuma de barbear e muito menos água. E tudo isto aconteceu durante uma viagem no 735 esta tarde quando me deslocava até Sapadores, a fim de apanhar o 28E com destino à Estrela onde iria render. Confesso que quando um colega que também seguia viagem naquele autocarro, me alertou nem queria acreditar. Mas um simples olhar sobre o lugar em questão, fez com que me apercebesse que a barba do senhor era feita com minúcia pela sua esposa, apesar da expressão sofredora do senhor, talvez pelo passar da lâmina no rosto.  

Já no eléctrico 28E, onde foi o meu serviço este domingo, a manhã passou-se com grandes enchentes por parte dos turistas, o que já vem sendo hábito nos tempos que correm. Mas pior que as enchentes, porque essas acabam por trazer sempre alguma receita para a Carris, é ter alguns turistas que persistem em querer fazer de nós totós. Pois já foram algumas as vezes que também eu fui turista, e em todas passageiro e utilizador dos transportes públicos para me deslocar e conhecer as cidades em que já estive. No entanto, sempre que chegava  a um terminal, levantava-me e seguia o meu caminho, nem que esse fosse até à paragem para voltar a entrar no transporte.

Mas ao que parece por cá e para os nossos turistas tudo é diferente neste pedaço de terra à beira-mar plantado na extremidade da Europa. Chego aos Prazeres e perante toda a calma dos que permaneciam sentados, alertei: «Fim da viagem! Terminus! Finish! Capolinea! C'est fini!»

E todos se riam às gargalhadas permanecendo sentados. Solicito que saiam até porque já estavam a atrasar a partida e a entrada dos que já aguardavam na paragem pelo 28E. Mas a risota continuava até que a minha paciência esgotou após uma manhã onde a cada terminal esta situação se repete, e disse: «FINISH! Get out please. Not yet understood? I do not have to wait more time please...»

De repente todos passam da gargalhada ao descontentamento até que um grupo de espanhóis, de forma revoltada diz-me que sou parecido com o Mourinho. «Eres como Mourinho! Estamos en Portugal, estamos en el país de José Mourinho! Qué indignación tener que abandonar el tranvía y volver a entrar» Não respondi porque iria dar demasiada importância a quem não tinha o mínimo de razões para reclamar o que fosse, porque afinal estava no terminal. Escusado será dizer que tiveram de pagar novo bilhete para voltar ao Chiado, e por se saber ficou o porquê de me terem comparado ao José Mourinho. Terá sido pela eficiência e rapidez com que uma simples frase fez toda a gente levantar-se e sair, ou pela forma determinada com que foi expressa essa frase?

segunda-feira, 14 de maio de 2012

[Off Topic]: Vem aí a noite dos museus!

No próximo dia 19 de Maio tem lugar mais uma noite dos museus. E este ano, o Museu da Carris volta a associar-se aos festejos do Dia Internacional dos Museus – 18 de maio – e Noite dos Museus – 19 de maio. Esta é mais uma oportunidade para ter contacto com a história da empresa de transportes de Lisboa, no ano em que a Carris comemora 140 anos de vida. 140 anos a contribuir para a a evolução da cidade, com a expansão da sua rede ao longo dos anos.

O Dia Internacional dos Museus comemora-se desde 1977. Este dia é uma ocasião para realçar o papel e importância dos Museus no desenvolvimento das sociedades. Recentemente, cerca de 30.000 Museus de mais de 100 países comemoram este dia, facultando ao público uma grande variedade de iniciativas.
 
Como anuncia o site oficial da Carris, o «tema deste 35.º aniversário do Dia Internacional dos Museus é MUSEUS NUM MUNDO EM MUDANÇA: NOVOS DESAFIOS, NOVAS INSPIRAÇÕES».

O Museu da CARRIS estará aberto, facultando entrada gratuita:
                18 de maio (6.ª feira) – das 10:00 às 17:00 horas
                19 de maio (sábado) – com entrada gratuita entre as 17:00 e as 24:00 horas.

Aproveite e assista ao concerto da Orquestra Ligeira da Banda de Música da CARRIS, que se realiza às 21:30 horas, no Museu da CARRIS no dia 19 de maio. Consulte o programa deste dia aqui.

Participe, visite o Museu da CARRIS!

sexta-feira, 11 de maio de 2012

O "pendura" extremamente diferente na 15E...

Há anos que andam pendurados e se muitos é apenas para uma boleia na ajuda a vencer a subida, outros há que o fazem por divertimento ou rotina. A sós ou acompanhados os penduras, são na maioria miúdos que chegam mesmo a faltar às aulas para "surfar" as colinas de Lisboa em cima do estribo do eléctrico, agarrados a uma porta ou às janelas tentando sempre escapara ao olhar mais atento do guarda-freio, ou à inesperada aparição da autoridade.

Há quem vá para a escola ou até para o trabalho à boleia da pendura do eléctrico, e se os putos levam as mochilas às costas, hoje vi um "pendura" que no eléctrico da frente não só ia descontraído a caminho do trabalho, ou até mesmo já pronto a fazer qualquer entrega, que com seu engenho, e visto ao longe me fez pensar que o eléctrico tinha alguma deformação na sua retaguarda ou talvez uma publicidade inovadora a três dimensões. Mas afinal o que eu tinha avistado era mesmo real e não era defeito do eléctrico nem tão pouco inovação publicitária. Era engenho do "pendura" que decidiu levar bagagem, mas sem correr o risco de a perder pelo caminho.

Uma mochila com imane, talvez mais indicada para usar nas motas, agarrada à traseira do eléctrico, acabaria por chamar a atenção dos turistas pelas paragens em que o eléctrico ia passando. Afinal de contas esta era uma forma de entrega por estafetas, talvez nunca vista na Europa, dando provas que por cá tudo é possível. De Algés à Infante Santo este pendura já graúdo, provou ser "extremamente diferente".

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