Por vezes dou comigo a pensar, no porquê da existência das bandeiras de destino dos autocarros e eléctricos em serviço regular de passageiros. Muitas são as vezes em que por lapso ou por distracção, alguns passageiros acabam por entrar numa carreira que na verdade nem era a que realmente pretendiam para chegar a determinado destino.
Mas se a razão “distracção” é uma boa justificação, outros há que entram num determinado autocarro e/ou eléctrico porque estão habituados a ver determinado tripulante por lá, ou porque simplesmente distinguem a carreira pelo modelo do carro habitual. O problema é quando o tripulante muda de carreira ou o autocarro habitual, é substituído por outro que raramente costuma andar em determinada carreira.
Ora por isso mesmo existem na frentes e no topo uma bandeira de destino, com o respectivo número da carreira e o destino final. Mas mesmo assim, esta não parece ser a solução para alguns. Os que não sabem ler, estão desculpados e por alguma razão, antes de entrarem perguntam qual a carreira e o destino. Aos invisuais, temos claro está, o cuidado de parar mesmo que não sejamos solicitados e informamos de que carreira se trata. Mas então qual é mesmo o problema dos que até vêem, sabem ler e insistem em querer entrar, mesmo que na bandeira de destino esteja “RESERVADO” ?!
A resposta pode estar repartida por vários factores, tais como pressa, a tal associação de um modelo de carro a uma carreira ou até mesmo, só porque sim! Na verdade é o que tem acontecido durante estas semanas de formação para a condução de eléctricos articulados. Depois dos estudos técnicos do eléctrico, fomos para a rua, nomeadamente para a carreira 15E que circula entre a Praça da Figueira e Algés. E para além da inscrição “RESERVADO”, junto ao vidro frontal está uma placa branca com a inscrição a preto “FORMAÇÃO”.
Nem uma nem outra parecem ajudar, porque ao aproximar o eléctrico das paragens, os braços levantam-se solicitando paragem, os passes começam a «ganhar vida» saindo dos bolsos e os passageiros que estão sentados na paragem levantam-se. Atempadamente ainda dizemos gestualmente que não serve, mas mesmo assim, muitos são os dedos que ganham força para pressionar os botões das portas. Ultimo recurso: Utilizar o microfone e através do sistema de comunicação com o exterior do veículo, informamos que o eléctrico encontra-se reservado.
E se muitos aceitam e até agradecem, outros há que ficam ainda mais furiosos e movimentam os braços num acto de revolta e desespero. Será que custa entender um pouco que para se conduzir um eléctrico, tem de se aprender?. Ou seja, que tem de haver uma formação e que essa formação, neste caso só é possível com um carro igual ao que habitualmente os transporta...
E assim tem sido as últimas semanas com estes diálogos entre formandos (tripulantes) e passageiros, quer seja de forma gestual, visual ou até verbal.
[n.d.r.]: Foto gentilmente cedida por Rogério Dias













