terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Sugestão da Semana (11): Desfrute do Parque das Nações com o 708

Saiba que...

A carreira 708 foi integrada na Rede7 em 2006, substituindo a então conhecida carreira 8 que ligava a Praça do Chile à Encarnação desde 1949, ano em que foi inaugurada. Seguiu-se depois em 1966 um prolongamento da linha até Moscavide, numa primeira fase de forma parcial, tendo o seu percurso aumentado conforme aumentavam também os arruamentos que iam crescendo nesta zona oriental da cidade. Mas em 1970 a carreira via novamente o seu percurso ser aumentado e desta feita, mais no centro da cidade, com a substituição do percurso até então da carreira 8 mas de eléctricos, carreira esta que ligava o Rossio ao Apeadeiro do Areeiro e que viu o seu fim com a chegada da linha verde do metropolitano.

A carreira 8 que fazia M.Moniz-Moscavide, viria então em 2006 integrar a Rede7, com a nova e actual designação de 708 circulando entre o Martim Moniz e o Parque das Nações-Norte. “Se por um lado trouxe benefícios, nomeadamente nas ligações do Parque das Nações ao resto da cidade e no novo serviço nocturno nos Olivais, também levantou alguma polémica pelo abandono de algumas ligações existentes desde a criação do bairro e pelo percurso pouco directo”. 

A cidade através da carreira...

Mas é precisamente no Parque das Nações que incide a sugestão desta semana. Local habitualmente escolhido para desfrutar de uma bela tarde de Sol, é também o sítio certo para a prática de desporto ao ar livre, dada a sua extensão, jardins e espaços que se conseguem manter um pouco afastados da confusão do trânsito e da poluição de uma cidade cada vez mais saturada.

Partindo então do Martim Moniz, local de grande agitação armazenista, nomeadamente por comunidades chinesas e indianas, a carreira 708 serve toda a Avenida Almirante Reis, sendo actualmente o único autocarro a ligar o Martim Moniz ao Areeiro. Se nesta parte do percurso a maioria dos passageiros são de idade mais avançada, já daqui para a frente a procura é generalizada. A proximidade ao Aeroporto de Lisboa e a passagem por algumas empresas sediadas na Marechal Gomes da Costa, fazem com que a procura desta carreira seja abundante em horas de ponta.

A zona dos Olivais também continua a receber a visita do 708 e daqui até à Estação do Oriente é um abrir e fechar de olhos num caminho que se faz acompanhar de uma ciclovia, alternativa possível também para esta sugestão da semana.

Passada a Estação do Oriente onde é possível o transbordo com várias carreiras da Carris e com a CP, o 708 sobe parte da Av.Dom João II em direcção ao Parque das Nações-Norte, não sem antes passar pela Alameda dos Oceanos e pelo Rossio Levante. Chega então ao Passeio do Tejo onde termina esta carreira. Recordo que o transporte de bicicletas é válido na 708 inserido no serviço BikeBus que a Carris lançou em 2007. As carreiras Bike Bus funcionam 7 dias por semana, no horário específico de cada carreira.

Vamos ao desporto!

Agora que já está no local certo, se levou bicicleta, siga em direcção ao Parque das Nações- Sul e desfrute da urbanização que substituiu uma lixeira, por ocasião da Expo’98. Pode depois regressar ao ponto de partida e voltar para casa no 708, mas como acredito que vai entusiasmar-se com a pedalada, pode também regressar ao centro da cidade de bicicleta, continuando pela Av. Infante Dom Henrique.

Mas se pedalar não é o seu forte e se nem bicicleta levou, opte então por uma caminhada pelo Parque Tejo, e se gosta de fotografia pode igualmente levar a sua máquina e desfrutar das belas paisagens que se conseguem obter sobre o estuário do Tejo com a Ponte Vasco da Gama a marcar presença. Relvados não faltam pelo Parque das Nações e há também campos de Ténis para os aficionados das raquetes.

Se ainda assim, nada lhe agradou, e se não é amigo de fazer desporto, pode aproveitar para passear à beira Tejo. Desça em direcção ao Centro Comercial Vasco da Gama. Daí à Estação do Oriente é um pulo e lá pode apanhar o 708 para voltar ao centro da cidade. Alternativas não faltam para uma tarde bem passada no Parque das Nações,  com a ajuda dos transportes públicos.

Fique ainda a conhecer a restante rede BikeBus Carris aqui: http://www.carris.pt/fotos/editor2/mapa_bike_bus.pdf

Fonte: a minha página carris, de Luís Cruz Filipe / www.carris.pt 
Fotos: Rafael Santos

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

[Off Topic]: Segurança Rodoviária vs Respeito

Em Dezembro de 2011 uma jovem de 17 anos perdeu a vida ao atravessar a Av. 24 de Julho, depois de ter sido surpreendida com um eléctrico da carreira 15E com destino a Algés. Um mês e meio depois um jovem de 24 anos sofre também um atropelamento nesta via e também por um eléctrico, que o deixa amputado. Mas afinal de contas, quantos mais acidentes serão necessários para se tomarem medidas?

Quando este tipo de acidentes surgem, o alvo mais fácil de ser atingido é o guarda-freio, que para quem ainda não sabe é a pessoa que conduz o eléctrico, veículo este com características próprias e que circula sobre carris, não tendo qualquer hipótese de se desviar de eventuais obstáculos que possam surgir de repente. Muitos são também os que ao longo deste corredor reservado a transportes públicos, agem como se estivessem a andar num espaço reservado a peões.

Poderia portanto admirar-me pelo facto de não ocorrerem mais acidentes, mas rapidamente chego a uma conclusão. Aqueles a que todos apontam as “espadas”, acusando-os de criminosos, são de facto grandes profissionais que chegam a evitar vários acidentes ao longo de um dia de trabalho. E chego rapidamente a esta conclusão, porque também eu lá ando todos os dias a conduzir e vejo situações que me deixam incrédulo.

Ao avistar uma pessoa, o guarda-freio abranda a marcha e toca a campainha alertando da presença/aproximação do eléctrico, porque o habitual é as pessoas circularem na beira do passeio. A resposta é quase sempre a mesma: Insultos verbais, gestuais e gozo!

O respeito já nem parece fazer parte da língua portuguesa com o novo acordo ortográfico e quando não há respeito, deixa de haver segurança rodoviária, porque tudo se torna num reino sem rei ou num salve-se quem puder.

Custa-me portanto ver vidas a serem perdidas, pessoas a ficarem com marcas que durarão para sempre, mas custa-me igualmente ver uma classe como a que represento, ser-lhe constantemente apontado o dedo, como que se fosse o culpado de toda a situação. Na verdade as pessoas andam de cabeça no ar, com phones nas orelhas e em muitos dos casos confiam demasiado num veículo que tem uma distância de travagem superior a qualquer carro, pelo facto da aderência ser ferro com ferro!

Não posso no entanto deixar de referir uma vez mais que os eléctricos não circulam nos passeios e que não vão certamente ao encontro dos peões, pelo que se os peões vão ao encontro dos veículos sejam eléctricos, autocarros ou apenas um automóvel ligeiro, sendo que para estes dois últimos ainda há a hipótese de desvio do peão, o melhor mesmo é serem tomadas medidas de forma a educar ou re-educar os peões.

Termino então, sugerindo ás entidades competentes, que sejam vedados os atravessamentos neste corredor, através da colocação de gradeamento ao longo da sua extensão, deixando apenas abertas as travessias e paragens. E uma palavra de apoio também para os colegas envolvidos em ambos os acidentes, porque todos estamos sujeitos. Não tenho dúvidas que como profissionais que são, fizeram tudo o que estava ao alcance para que o acidente fosse evitado. Força!

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

FORMAÇÃO: Das 360 páginas aos 24 metros...

Tem aproximadamente 360 páginas, 13 capítulos, várias imagens, explicações e tudo com um objectivo, o de dar a conhecer como se deve trabalhar com o eléctrico articulado da Carris. Engana-se portanto quem pensava que eu tinha decido agora seguir a carreira de Padre, ao ver um livro com algum volume e de dimensões reduzidas. Na verdade esta é a Bíblia sim, mas do eléctrico que em 1995 chegou a Lisboa para ligar a Cruz Quebrada à Praça da Figueira, mas que acabou por ficar sempre a funcionar entre Algés e a Praça da Figueira.

Depois de dois anos de condução do tradicional eléctrico de Lisboa, tive então agora a oportunidade de tirar a formação destes "irmãos" mais novos e as diferenças são muitas, desde o tamanho ao seu funcionamento. Como tal a formação tem ajudado a esclarecer as dúvidas que vão surgindo ao longo dos dias. Depois dos primeiros dias em sala com os estudos técnicos, hoje foi o dia de ir para a rua conduzir, naquele que foi o primeiro contacto directo com o articulado da série 501-510.

O eléctrico reservado para o efeito foi o 503 e a publicidade do mesmo parecia ter sido escolhida de propósito. Na zona lateral e junto às portas lia-se «Respira Fundo... e Segue!». Havia melhor conselho para início da condução deste veículo?

As portas só abrem quando os botões estão com os led's acesos!
Entrámos então no eléctrico 503 que foi preparado conforme está estabelecido internamente e foi feito o "teste de componentes", que no fundo é uma verificação por parte do sistema de todos os elementos e seu funcionamento. Começava então mais uma etapa desta carreira. E não foi preciso muito para constatar algumas situações que acabam por ser engraçadas, embora quem esteja do lado de fora, não ache graça nenhuma que é o facto do eléctrico se aproximar das paragens e por muito que leve uma placa a dizer «Formação», bandeiras de «Reservado» e ainda indiquemos com o braço que não efectua paragem, eles insistem em bracejar mesmo quando o eléctrico já está para sair da paragem.

Depois há os que vêem um eléctrico amarelo e desatam a correr para a paragem ao estilo Rosa Mota, mas tudo não passa claro está, de um esforço físico, porque não fazemos ainda o transporte de passageiros. E por fim há os que tudo querem e tudo perdem! Um eléctrico remodelado da carreira 15E circulava na nossa frente e numa das paragens, várias foram as pessoas que ao avistarem o articulado decidiram aguardar por ele. Quando o eléctrico tradicional avança e constatam que o de trás afinal é de Formação, o movimento é generalizado e bem ao estilo de uma «flash mob» com o desânimo de quem parece ter acabado de perder o último comboio do dia!

E no geral, a formação tem sido bastante interessante e tem superado as expectativas no que ao carro diz respeito. 

[n.d.r.]: Foto do Eléctrico 503 tirada a 19/01/2012 e gentilmente cedida por Rogério Dias.

sábado, 14 de janeiro de 2012

Os passageiros frequentes

Há muito que ando para escrever sobre eles. São visitas constantes e em muitos dos casos várias vezes num dia. Outros há que passam connosco o dia e são por essa razão, os passageiros frequentes. Andam tanto de autocarro como de eléctrico e em muitos dos casos chegam mesmo a criar laços de amizade com os tripulantes. Quando ainda desempenhava funções de motorista, na estação da Musgueira, cedo me apercebi que haviam passageiros que não estavam apenas de passagem. A carreira 79 era um bom exemplo do que aqui hoje retrato.

Mas a minha mudança para os eléctricos, levou-me ainda mais ao encontro desses passageiros que não se limitam apenas a dizer "boa tarde" ou a validar o seu título de transporte. Limitado a cinco carreiras acabo por me cruzar mais vezes com os passageiros que vou transportando e que em alguns dos casos, nós tripulantes somos a única companhia deles.

O contacto diário, faz-nos adivinhar onde querem sair, o que vão fazer e já sabemos até os que gostam de sair pela porta da frente e os que pedem "um jeitinho" nem que seja para pegar nos sacos das compras que já vão pesando nos braços de quem a todo o custo sobre o estribo do eléctrico. Há os que entram várias vezes ao dia, seja para subir ou descer a colina e há os que entram ao início da tarde e só saem quando o sol já se pôs, como acontece na carreira de circulação 12E.

Também eles, já sabem quando estamos para mais ou menos conversa, e se estamos alguns dias fora daquelas carreiras que utilizam, perguntam logo se estivemos de férias ou se aconteceu algo de preocupante. Na verdade, em muitos dos casos, acabamos por estranhar também se o senhor que adora falar do Benfica não nada no 28 ou se o conhecido poliglota não entra pela porta do eléctrico pronto a ajudar os turistas mais afoitos. 

O velhote do banco também lá anda todos os dias e por isso estranha-se quando não aparece. A D.Luísa tem lugar cativo na 12E e é uma simpatia de pessoa. E não podia deixar de parte o senhor das escolas gerais ao qual apelido «grande chefe», porque sempre que entra diz... "Olha o grande chefe" e acredito que diga o mesmo a todos. Para os lados da Ajuda há a "senhora das horas", que a apelidei assim porque está sempre a perguntar-me a que horas arranca o eléctrico quando ela o apanha todos os dias à mesma hora. 

São simples rotinas diárias que se tornam repetitivas e por isso fáceis de fixar. São assim também os dias de quem pelas ruas de Lisboa conduz milhares de pessoas e todas com um objectivo, nem que seja simplesmente, o descarregar de um descontentamento no tripulante, como muitas vezes acontece.

Entretanto, segunda-feira começo a formação para a condução de eléctricos articulados, pelo que  o regresso ao contacto com o público está previsto para daqui a três semanas. Até lá, votos de boas viagens a bordo dos veículos da CCFL.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

[Off Topic]: Se ajudou a fazer a diferença...

Veja agora como foi a campanha Carris Presente 2011. Se foi um dos que ajudou a marcar a diferença, saiba agora qual o tratamento que foi dado ao seu contributo porque tudo isto é solidariedade e tudo isto também é a Carris. Mas porque imagens valem sempre mais que todas as palavras aqui fica o vídeo...


Obrigado por ter feito parte desta iniciativa!

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

A simpatia da turista de Curitiba no país do papel...

Depois da excelente passagem por Madrid, onde tive a oportunidade de conhecer não só a cidade, como também toda a sua rede de transportes, eis que estou de volta aos carris de Lisboa e ao contacto com os turistas. Se o regresso ao trabalho foi assinalado com um serviço na carreira 25 onde reencontrei um dos leitores brasileiros assíduos deste blogue, que está de novo em Portugal, hoje andei no circuito eléctrico das colinas, no conhecido serviço turístico da Carristur.

E imaginem o que é receber ao final da tarde, uma turista oriunda também ela do Brasil, mais precisamente de Curitiba, com uma simpatia e cultura geral que deixa qualquer um rendido à conversa. Explicado o circuito pela promotora de serviço na Praça do Comércio, lá seguimos pelas ruas estreitas de Lisboa, para contentamento da turista que segundo disse, gosta de se aventurar pelo mundo das viagens. Sai do seu país com um destino e sabe que tem uma data para voltar. Pelo meio, tudo é planeado a cada chegada, ou seja, viaja pela Europa sem destino. 

Para Lisboa reservou uma semana e diz-se satisfeita pela opção, porque chegou de França, país que segundo ela, espera não voltar. «Comi mal p'ra caramba e não gostei de nada!», desabafava. Já quanto a Lisboa «é muito legal, gente simpática, comida boa e uma história espalhada pelas ruas...» Amante e escritora de poesia, pergunta-me onde fica a casa de Fernando Pessoa e conta-me algumas das peripécias que já teve pela longa viagem por esta Europa fora. A última viagem do dia do circuito, parecia estar reservada para ela e a meio da viagem, já nem queria escutar o áudio-guia, porque o que interessava mesmo saber, era o que melhor se podia tirar desta cidade e arredores. Sugeri-lhe alguns restaurantes e museus que devia visitar, pois na verdade ela tem de levar as melhores recordações de Lisboa.

Fascinada com o "bondinho", dizia não cansar-se de viajar colina acima, colina abaixo e na despedida deixou a promessa que amanhã vai querer voltar a andar de eléctrico e que quando chegar ao Brasil vai querer conhecer o "Diário do Tripulante", porque «certamente que vou encontrar boas histórias de quem lida com turistas. Pois se eu que estou em trânsito tenho tanta coisa p'ra contar, imagino você», dizia acrescentando que Lisboa ia ficar juntamente com Veneza nas suas cidades eleitas como favoritas. E quando assim é motivo para nos orgulhar-mos do que temos por cá. Pois da minha parte foi um prazer conhecer esta turista, que não só alegrou a tarde, como partilhou um pouco do que já conhece por esse mundo fora. 

E impossível de esquecer será também a expressão inicial quando se aproximou do eléctrico e lhe foi explicado o circuito de Fátima.  Pois já tinha ido a Sintra e já tinha feito os circuitos de autocarro e pelo meio já tinha visitado alguns monumentos e onde ia entregavam-lhe um papel, o que lhe deixou indignada. «Puxa cara! Aqui em Portugal vocês têm tesão do papel. Todo lado que você vai, lhe dão um papel. Tou cansada de jogar papel no lixo...» 

Não deixa de ter razão...

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Quando todos decidem estar atentos à distracção diária...

Há coisas que nos vão acontecendo no dia-a-dia que por mais banais que possam parecer, acabam por nos deixar a pensar, se não vejamos. Na maioria das vezes e pela experiência que tenho vindo a adquirir desde que entrei na Carris em 2007, a maioria dos passageiros quando pretende deslocar-se de um ponto para outro da cidade, opta por determinada carreira seja ela de eléctrico ou autocarro. Muitos estão de passagem, outros fazem dessas deslocações, rotina diária e acredite também que para muitos outros, essas deslocações são uma forma de distracção para ocupar o tempo demasiado livre que têm. 

Habituados a que determinada carreira siga em direcção ao seu terminal, esquecem-se por vezes ou quase sempre, que é tão importante ver o número da carreira, como o seu destino. Pois na verdade o que eles dão especial atenção é ao número e depois há aquelas alturas em que por motivos diversos, a carreira vai encurtada e eles entram como se nada fosse.

Há também as carreiras que têm chapas que fazem parte do percurso, funcionando como um reforço e o caso mais concreto que vos posso dar como exemplo é a carreira 28E no caso dos eléctricos com as chapas "Graça-Estrela" e a 735 no caso dos autocarros com as chapas "C.Sodré-Alameda".

E a razão pela qual este texto faz sentido, é porque hoje, estava precisamente numa dessas chapas da 28E a fazer viagens entre a Graça e a Estrela e lá apanhei uma senhora que entrou com destino à Estrela e no final quando avisei que a viagem tinha terminado, me questionou se... «não vai para os Prazeres?». Podia até aceitar que a senhora em questão tivesse entrado distraída, mas quando lhe disse que não ia aos Prazeres, de imediato me disse que «lá em cima dizia Prazeres». Ora se nos autocarros a alteração do destino da Bandeira está à distância de um "click" num botão, já nos eléctricos o sistema ainda é de rolo, tendo de se rodar uma manivela para fazer rolar a tela sobre o letreiro, algo que não daria muito jeito para ser feito em andamento, nomeadamente sem o espelho auxiliar.

Mas esta até é daquelas situações que por tantas vezes acontecerem já nem dou tanta importância. No entanto até ao final do meu serviço, a referida manivela do rolo da bandeira, ficou presa, deixando de rolar a tela com as indicações do destino, tendo ficado visível a inscrição "Estrela". O resultado foi uma viagem para a Graça, onde todos os passageiros, incluindo aqueles que nunca ligam ao destino, alertarem-me que levava bandeiras de Estrela, tendo um deles chegando mesmo a dizer, «ó amigo então, já devia saber que a Estrela fica para o lado contrário». Disse-lhe que a bandeira se tinha avariado e ele não perdeu tempo. «Avariada o tanas, você esqueceu-se foi de mudar!»

Na paragem seguinte nova pergunta. «Vai para a Graça ou para a Estrela? Diz lá Estrela!» e por esta altura, também já eu me interrogava, mas esta gente hoje tirou o dia para reparar na bandeira ou para me chatear?! É que nunca reparam no destino e hoje é a coisa que mais reparam! Não dá realmente para perceber estes passageiros que quando tudo está bem, tendem a complicar e quando algo está mal, não querem facilitar! 

Assim vão as viagens pelas ruas de Lisboa!


[n.d.r.]: A fotografia escolhida, é meramente exemplificativa e foi tirada no restaurante de Paulo Marques, «O Marques» onde estão expostas algumas peças de eléctricos, pelo facto do proprietário ser um dos aficionados deste transporte.

sábado, 31 de dezembro de 2011

O ano em revista. Um dia em vídeo


Hoje chega ao fim mais um ano. 2011 não foi um ano propriamente favorável no sector dos transportes, com as consequências da pedida de ajuda externa por parte do governo. Várias medidas foram implementadas e outras anunciadas que entrarão em vigor no ano de 2012 que está já à porta. Mas no que ao «Diário do Tripulante» diz respeito, 2011 fica marcado pela chegada do blogue ao Facebook ainda em Janeiro. No mês seguinte o salto foi da Internet para a televisão, com a reportagem da RTP a bordo do eléctrico 28, para o programa "Portugal em Directo".
O terceiro mês do calendário, não foi nada favorável aos utilizadores dos transportes públicos, muito graças aos ajustamentos da rede da Carris, facto esse que não pôde ficar de lado, porque foi motivo de lamentação por parte dos nossos queridos passageiros. Em Março tive o meu regresso à borracha, com a frequência do curso de formação para Qualificação de Motoristas, com vista à obtenção do CAM.

Abril chegava com interrupções, ora na 25E, ora na 28E, mas sempre com as histórias caricatas que cada uma delas acabam por causar. Uma passagem pela 12E dá direito a pequeno almoço, em troca de companhia ao longo do dia. É assim na carreira de circulação, onde dão voltas quem não tem mais volta a dar à solidão.
Colina acima, colina abaixo, chegámos a Maio, mês este marcado pelo lançamento do primeiro álbum musical d'Os Lábios, a banda portuguesa, que escolheu um eléctrico para fazer o seu lançamento, num concerto único pelos carris da cidade, e que se tornou num dia de trabalho inesquecível para quem os conduziu. 

Junho é mês das festas em Lisboa, e festa foi o que não faltou nos eléctricos que voltaram a ter uma vez mais, o Fado - agora Património da Humanidade. Mas Julho logo chegou com o "Diário do Tripulante" a dar algumas sugestões para quem se transporta diariamente nos veículos da Carris, porque afinal, validar verde não custa!

Em Agosto as merecidas férias, e o no regresso a estreia no serviço turístico da Carristur, com o Circuito Eléctrico das Colinas. Um serviço que também ele tem originado histórias únicas e hilariantes que em muitos dos casos, são originadas pelos simpáticos turistas que ficam encantados com os nossos eléctricos. 
A 18 de Setembro de 2011 a Carris completa 139 Anos de existência, o que tem tornado esta empresa, uma imagem de marca no sector dos transportes. Talvez por essa mesma razão, várias são as pessoas que gostariam de a representar, e antes de tentar a sua sorte, acabam por contactar o tripulante deste diário. Vários foram os emails recebidos, com perguntas de todo o género. 

Umas mais técnicas que outras, e pelo meio, alguns pedidos para que se explique afinal como funciona o eléctrico e como é um dia de um tripulante. Mas nem sempre o tempo e a disponibilidade permitem todos os esclarecimentos. Outubro ficou marcado pelas diversas cheias e em Novembro foram as gravações do anúncio de Natal da operadora móvel Optimus, onde estive presente com o eléctrico 564. 

Várias foram as viagens relatadas ao longo do ano, porque como dizia Fernando Pessoa, «para viajar basta existir», e por isso mesmo a Rede Globo, também esteve em Lisboa no mês de Novembro, mês este marcado por manifestações que originaram cortes e cortes anunciados que geraram manifestações, como é o caso da população da ajuda que se tem manifestado contra o anunciado fim do eléctrico 18E.

Com Dezembro chegou o eléctrico de Natal e mais uma série de reportagens televisivas sobre os eléctricos de Lisboa e sobre a colaboração da Carris com a Central do Rio de Janeiro, com vista à recuperação dos bondes de Santa Teresa. Ao longo do ano, muitos foram os dias em que os eléctricos foram saído para as ruas, sem saber com o que iriam contar, tal como acontece com os autocarros.

Numa profissão como esta em que tudo parece ser chato, a verdade é que tudo é diferente a cada dia que passa. Por essa mesma razão e pelos diversos pedidos que fui recebendo ao longo do ano, decidi terminar 2011, com uma lembrança para os leitores do "Diário do Tripulante", leitores esses que espero continuar a transportar através deste endereço em 2012. Veja então, uma pequena amostra do que é feito antes do eléctrico sair para a rua e estar pronto a receber passageiros. No caso concreto calhou em escala um serviço no circuito turístico, mas tudo o resto é basicamente o mesmo...

"Chegar à expedição, levantar a chapa e saber o carro atribuído. Ligar o carro, deixar carregar o depósito do ar, verificar os areeiros, fazer subir o Pantógrafo, baixar o trolley, testar a campainha, os travões e o sistema da areia, e esperar que tudo corra bem ao longo do dia".

Feliz Ano Novo 2012!


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