"Há dias em que por muito que queiramos trabalhar, não nos deixam. Hoje foi o dia!" Esta frase poderia ser sem dúvida uma das que surgem em pacotes de açúcar, mas nem é. Ainda assim é a frase que mais se adequa à interrupção desta manhã/tarde na Sé de Lisboa. Como se não bastasse a confusão habitual dos autocarros de turismo que nem ali deviam ter acesso devido ao espaço reduzido, para além de se tratar de uma zona histórica da cidade, hoje um deles teve o azar de avariar e não só impedindo a circulação dos eléctricos num sentido, mas sim nos dois. O resultado foi uma "longa" interrupção das carreiras 12E, 28E e 737, até que chegasse o Pronto Socorro da empresa do respectivo autocarro.domingo, 25 de setembro de 2011
segunda-feira, 19 de setembro de 2011
Como um carro tão pequeno incomoda tanta gente...
Não sei se o dono do Smart queria dar nas vistas ou se pensava que tinha um carro maior. O certo é que perturbou a vida de muita gente, mas já lá chegamos. Primeiro foi na Estrela um carro que ficou sem gasóleo a causar uma interrupção na carreira 28E onde tive serviço nesta segunda-feira já caótica. O automobilista teve o cuidado de deixar um papel no vidro dizendo que tinha ido comprar gasóleo à bomba mais próxima. Passados alguns minutos, chegou ele e o gasóleo mas o carro não quis pegar. Aos poucos lá convenceu os mirones presentes no local a ajudá-lo a empurrar o carro até ao Largo da Estrela, o que fez com que finalmente os eléctricos pudessem circular.
Inverti a marcha na Estrela e de lá parti rumo ao Largo da Graça, onde iria então encontrar a tal situação do Smart. Ora o automóvel em questão tinha espaço suficiente na traseira para poder estacionar, e sem exagero cabia lá outro smart, mas talvez para querer ser o centro das atenções, pelo facto de provavelmente, passar despercebido todos os dias, lá decidiu deixar o carro a impedir a passagem do eléctrico.
A campainha do eléctrico tocou insistentemente durante algum tempo, na esperança que estivesse por perto, mas ninguém apareceu. Informei a Central de Comando de Tráfego que por sua vez, solicitou à PSP o reboque. Duas horas passaram até aparecer o dito reboque, dando a ideia que talvez a "Troika" tenha também mandado reduzir os custos com os reboques na cidade de Lisboa.
Já com o Smart em cima do reboque, surge então (como é habitual) o dono do carro, indignado com o aparato e deixando-me também a mim indignado por se tratar do proprietário da papelaria em frente. «Mas o carro está aqui desde manhã...!», dizia para o agente da PSP o dono do carro, ao que o agente respondeu: «Pois e provavelmente desde a hora em que este eléctrico aqui ficou parado. Documentos da viatura e carta de condução por favor».
Pagou o reboque, a multa e voltou a estacionar o carro no mesmo lugar, mas desta feita, bem estacionado! Quem não gostou muito da ideia do senhor foram os passageiros que durante duas horas ficaram sem aquela chapa da 28E.
domingo, 18 de setembro de 2011
Uma "emoção do cacete" no dia em que a Carris completa 139 anos...
No dia em que a Carris completa 139 anos, pouco destaque foi dado à data, ao contrário de anos anteriores em que até as bandeiras de destino dos autocarros anunciavam o aniversário, acompanhadas de bandeirinhas com as cores de Lisboa e da Carris, que chamavam a atenção dos transeuntes que se cruzavam com autocarros e eléctricos. Este ano a Carris decidiu em conjunto com o grupo desportivo, organizar um passeio de Bicicleta para os seus funcionários e amigos, com partida de Santo Amaro, percorrendo o eixo ribeirinho até à P.Comércio, tomando como rumo a Avenida da Liberdade em direcção a Entrecampos, voltando então de seguida a Santo Amaro.
Impossibilitado de participar no evento, devido ao serviço, limitei-me a ver a agitação matinal nos preparativos ainda antes da partida onde constatei logo que não havia competição como se queria, até porque todos os participantes envergavam a camisola amarela da Carris. Estavam ali para o convívio.
Mas bicicletas à parte, neste 18 de Setembro, o serviço que tive foi no circuito eléctrico das colinas da CarrisTur, onde não posso deixar de destacar o comentário de um turista brasileiro, que admirado com o «bondinho», ao ver-me colocar o trolley na Praça da Figueira, em troca com o Pantógrafo, lá soltou a frese do dia...
«Nossaaa, pilótar esse trem é uma emoção do cacete! O cara mexe em todo o que é botão e lado e corda do bondinho. Ser motorneiro (guarda-freio) aqui não é fácil não...»
Carris: Há 139 anos a servir Lisboa
A Carris está de parabéns! Hoje completa 139 anos de existência. Uma longa história que só é possível ser contada graças a si que é passageiro(a) da Carris e graças aos seus trabalhadores. Todos juntos fazemos a história de uma empresa que em 18 de Setembro de 1872 foi fundada no Rio de Janeiro. A Companhia Carris de Ferro de Lisboa, dotou a cidade de Lisboa de uma rede de transportes públicos colectivos utilizando, na época, o chamado sistema americano: carruagens movidas por tracção animal deslocando-se sobre carris.
Mas só no ano seguinte, mais precisamente a 23 de Janeiro de 1873, o escritor Luciano Cordeiro de Sousa e seu irmão Francisco Cordeiro de Sousa, diplomata, obtêm os direitos para a implantação na cidade de Lisboa, de um sistema de transporte do tipo americano denominado Viação CarrilVicinal e Urbana a Força Animal. Em 14 de Fevereiro, a Câmara Municipal de Lisboa aprova o trespasse daquela concessão para a Empresa Companhia Carris de Ferro de Lisboa. Em 17 de Novembro é inaugurada a primeira linha de "Americanos". O troço então aberto ao público estendia-se entre a Estação da Linha Férrea do Norte e Leste (Sta Apolónia) e o extremo Oeste do aterro da Boa Vista (Santos).Depois dos Americanos vieram os Eléctricos a 31 de Agosto de 1901 e seguiram-se depois os autocarros nos anos 60 com os primeiros a serem adquiridos para serviço á Exposição Mundial que se realizou em Belém. Ao longo dos anos, construíram-se novas estações, e apostou-se fortemente na renovação da frota o que fez com que a Carris obtivesse certificação em 2006.
Nos últimos anos a Carris tem continuado a apostar na melhoria do serviço, com a vinda de novos autocarros, mas esquecendo um pouco a aposta nos eléctricos. Na verdade foram eles o ponto de partida da Carris e são neles que a maioria das cidades europeias aposta.
Contudo, hoje que passam 139 anos desde a sua criação, a Carris que é de todos nós, está de parabéns e por isso também nós estamos de parabéns. Sugiro portanto, nesta data em que se completam 139 anos um vídeo que encontrei há uns tempos na plataforma Youtube e que é sem dúvida uma bonita imagem aos que ajudaram a construir a Carris que ainda hoje resiste apesar das inúmeras dificuldades. Uma merecida homenagem através de registos fotográficos
Após 139 anos de vida, continuamos a desejar-lhe boas viagens a bordo dos veículos da CCFL.
terça-feira, 13 de setembro de 2011
Ou tudo, ou nada!
![]() |
| Aqui, a polícia apareceu rápido para resolver a situação |
E depois de um dia maçador como o de hoje em que tudo aconteceu, desde interrupções, pessoas a pedir-me dinheiro para o táxi porque o eléctrico não podia seguir viagem devido a uma carrinha mal estacionada, quando nem se quer ela se transportava no eléctrico da frente e muito menos no meu que era o turístico, até um grupo de russos que nem inglês falavam e queriam que fosse pegar na carrinha com mais 5 pessoas. A juntar a tudo isto, mais um acidente na Rua da Prata com discussão e mirones à mistura a empatarem o trânsito. Um dia certamente para ser esquecido, e que ficou registado através destas imagens que captei durante as 2h30 aproximadamente, que foi o tempo em que os eléctricos ficaram parados na Voz do Operário à espera da Policia.
E antes do reboque, imagine-se claro está... apareceu o dono da viatura!
![]() |
| Durante 2h30, aproximadamente, foi este o cenário visível na R.Voz do Operário por alguém que só se lembrou do seu umbigo... |
![]() |
| Faltava-lhe só um «bocadinho assim...», como diz o Nilton... "coisito e tal". |
domingo, 11 de setembro de 2011
Momentos únicos...
E são momentos como este da fotografia que acompanha este pequeno texto, que fazem da nossa profissão, uma profissão realmente diferente de muitas. Esta tarde no eléctrico que serve de bilheteira aos circuitos turísticos, esta senhora talvez ali encaminhada por alguém que tudo julgava saber, protagonizou um momento muito diferente do habitual com uma simples pergunta.
Depois de diariamente, a pergunta que bate "record's" ser: «Onde posso apanhar o eléctrico 28?», eis que alguém decidiu perguntar se era ali que se tirava os diabetes. E esta ein?...
Boas viagens a bordo dos veículos da CCFL!
sexta-feira, 9 de setembro de 2011
Á descoberta do "Hills tramcar - take away"...
«Sejam bem vindos ao circuito de eléctrico das Colinas da Carristur...», assim começa a viagem a bordo dos eléctricos vermelhos que partem da Praça do Comércio, em direcção às colinas da cidade pelas piturescas ruas de Lisboa, atravessando os bairros da Mouraria, Anjos, Graça, Alfama, Chiado, Santa Catarina, São Bento, Lapa, Madragoa entre outros.E se no 28E a confusão é constante ao longo da viagem, quer seja pelos apertos, quer seja pelo passageiro mais afoito que não perdoa se não lhe cedem lugar, nos turísticos a confusão surge quando já não há mais lugares porque não é permitida a viagem a passageiros de pé, com o fim de não interferir a visão dos que vão sentados comodamente a desfrutar da viagem.
Mas nem sempre uma viagem a bordo do vermelho pode passar despercebida. Seja pelo computador de bordo que não quer colaborar, seja por algum turista que não falando, no mínimo inglês, quer que nós o entendamos em russo ou chinês. E por falar em chinês, esta tarde não foi um, mas sim duas chinesas que protagonizaram um momento daqueles que filmado daria uma bela cena de apanhados e neste caso a vítima tinha sido eu!
Situado em plena Rua da Conceição com destino à Estrela, aguardava a luz verde do semáforo que ordena o trânsito no cruzamento com a Rua da Prata. No interior do eléctrico iam quatro turistas. Dois deles espanhóis e duas chinesas, cada uma no seu lugar para viajarem mais à vontade. Uma delas não terá resistido à montra dos pastéis de nata da pastelaria que ladeava a sua janela. Sem me aperceber de nada, até porque o eléctrico turístico não tem espelhos, a chinesa em questão terá mesmo pedido dois pastéis de nata ao senhor do café.
O sinal passa do vermelho para o verde e arranco com o eléctrico. De imediato ouço em género aflitivo «Stop, Stop!!!Driver, Driver stop the tram!», algo que me originou a parar de imediato o eléctrico que mal tinha começado a rolar sobre os carris. Assustado, pensei que a senhora estaria a sentir-se mal, mas quando me virei para ver o que se passava, ela por gestos lá me explicou que estava a comprar os pastéis de nata. Nem queria acreditar que tal situação me estava a acontecer.
Mas não deve fazer isso em viagem, até porque já está tudo a buzinar, expliquei-lhe. De imediato me disse para não me preocupar porque já só faltava o troco e entretanto o sinal ficou novamente vermelho. O verde voltou pouco depois e elas lá iam falando em chinês e rindo durante a viagem, desfrutando desde então, não só das vistas que entravam pela janela, como do pastel de nata.
É caso para dizer que pastéis há muitos e podia pelo menos ter-se lembrado do guarda-freio, a quem não só pregou um valente susto, como ainda lhe abriu o apetite!
quinta-feira, 8 de setembro de 2011
Acabou-se o sossego!!
Escreveu Fernando Pessoa a certa altura no seu «Livro do Desassossego» que "(...)Amo, pelas tardes demoradas de verão, o sossego da cidade baixa, e sobretudo aquele sossego que o contraste acentua na parte que o dia mergulha em mais bulício. A Rua do Arsenal, a Rua da Alfândega, o prolongamento das ruas tristes que se alastram para leste desde que a da Alfândega cessa, toda a linha separada dos cais quedos - tudo isso me conforta de tristeza, se me insiro, por essas tardes, na solidão do seu conjunto(...)".
Tal como Fernando Pessoa, também nós tripulantes amamos trabalhar nos meses em que a maioria goza férias, uma maioria que dá um vazio à cidade, permitindo que se ande com um à-vontade pelas ruas de Lisboa, transportando os que se passeiam, os que trabalham, ou simplesmente os que nada mais têm para fazer se não, distrair-se durante as horas mortiças que a vida lhes reservou.
Todos os dias iguais, mas todos os dias diferentes. Mas hoje foi realmente um dia diferente. Diria mesmo, que foi um dia atípico, no meu regresso à 25E. Talvez um dia normalíssimo, ou não estivesse eu há muito tempo sem andar pelos carris que ligam a Rua da Alfândega aos Prazeres. Acostumado já à confusão do «chega para lá só mais um bocadinho», da 28E, o serviço de hoje foi na carreira da Lapa que continua igual a si mesma. Gente de bem, que só conta com o seu umbigo. Quem vier atrás que espere, porque o importante é comprar o jornal, dar um dedo de conversa com o senhor do café, ou comprar um bife para o jantar. E se o carro estiver a estorvar.... não faz mal o eléctrico espera!, pensam estes senhores e senhoras que se julgam superiores a tudo e todos.
Mais uma carrinha e mais uns minutos de espera, foi assim hoje... é assim sempre na 25E. Na Estrela, 5 eléctricos esperam turistas num aluguer, entre os muitos que voltaram a surgir tal como o calor que voltou a dar um ar de sua graça. A falta de eléctricos para satisfazer a todos da melhor maneira possível, levou-me ainda a fazer uma viagem na 28E, onde registei a foto que acompanha este texto.
A confusão do trânsito aqui não marca presença até porque a polícia municipal estava por perto e atravessar o Martim Moniz foi coisa rápida, já depois de ter apanhado os passageiros que aguardavam um 28 para os levar à Graça, ao Castelo, à Sé ou para uma volta pela cidade. Mas se a confusão não está na estrada, ela está no passeio, à semelhança da que se vivia no interior do eléctrico e olhar para aquele monte de caixas foi como se estivesse a olhar pelo espelho retrovisor interior, como se, de uma hipérbole perfeita se tratasse para comparar o amontoado de caixas ao amontoado de pessoas que pareciam não ter mais eléctricos durante o dia.
E assim foi o regresso à 25E com um desvio pela 28E...
Subscrever:
Mensagens (Atom)














