terça-feira, 28 de junho de 2011

[Off Topic] : Ascensor da Bica, há 119 anos a fazer parte de Lisboa

O Ascensor da Bica, completou esta terça-feira 119 anos de existência. O ascensor, produto da Nova Companhia dos Ascensores Mecânicos de Lisboa, foi inaugurado no dia 28 de Junho de 1892, estabelecendo a ligação entre a Rua de S. Paulo e o Largo do Calhariz. Desde essa altura, o transporte tornou-se um verdadeiro ex-libris da cidade, atraindo milhares de turistas, para além dos lisboetas que todos os dias o utilizam. Está classificado, desde Fevereiro de 2002, como Monumento Nacional e foi o primeiro transporte de Lisboa criado para percorrer uma das encostas mais íngremes da cidade. 

Recorde-se que o Ascensor da Bica, liga a Rua de São Paulo, ao Largo do Calhariz, servindo também de ligação entre as carreiras 25E e 28E, sempre com o casario e o Tejo como pano de fundo. Referência para os habitantes da Bica, Bairro Alto e até turistas, o Ascensor da Bica foi também hoje referência na imprensa nacional, com a SIC a dar grande destaque no seu «Primeiro Jornal».

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Tv Record a bordo do 28E

Sempre na boca do Mundo e procurada diariamente por turistas, a carreira 28E está em destaque regularmente na imprensa e desta feita foi o programa «Giro» da Tv Record que veio dar um giro na carreira 28E com a jornalista Luciana Quaresma a ter a companhia de Nysse Arruda, autora do Livro «Eléctrico 28 - Uma viagem na História».


Uma viagem no eléctrico 28E é sem dúvida uma das melhores recordações que se pode levar de Lisboa como podem constatar na reportagem do programa que de seguida vos deixo...

Divagações num regresso às madrugadas com a 12E

(...)
É sempre bom ver Lisboa a acordar,
Sentir o fresco a correr pelas janelas.
Do eléctrico que percorre ruas e vielas
Para levar quem passeia ou quem vai trabalhar.


Da Praça da Figueira ao Castelo,
Passei na Mouraria e depois na Baixa.
Mais uma volta para alegrar
Os turistas que iam no amarelo.


Pela 12 não morro de amores,
Porque a que gosto mesmo é a 28.
Mas nela aparece sempre alguém
A querer ir até aos Restauradores.
                                               (...)


Rafael Santos

terça-feira, 21 de junho de 2011

Quando a estupidez não tem limites, corre-se o risco de se ficar entalado!

Portugal já foi a votos e já elegeu um novo governo. O Santo António já lá vai e da crise já não se ouve falar tanto, mas que as pessoas voltaram a estar insuportáveis, isso é garantido. E se a tudo isto juntar-mos uns quantos turistas, que encantados com Lisboa querem ver tudo como se o mundo fosse acabar na hora seguinte aliados a umas quantas interrupções então temos o «caldo entornado» na carreira 28E.

Foram-se a maioria dos arraiais, o cheiro da sardinha assada e os sorrisos e boa disposição deram lugar a rostos mais cerrados, vozes rabugentas entre outras coisas mais. Pelo meio das perguntas habituais sobre o Castelo, sobre Alfama ou o Chiado, lá tem de aparecer alguém que não nos ajuda em nada a minimizar as consequências de um dia repleto de interrupções naquela que é a minha carreira favorita, mas também aquela em que hoje até tinha pago para não andar por lá.

Uma interrupção nas Escolas Gerais obriga-me a fazer uma manobra na R.Conceição, deixando quem ia com mais pressa ali mesmo, e outros mais em passeio, com direito a uma volta extra à Praça do Comércio. Em voz alta informo do sucedido, todos permaneceram intactos... até verem o eléctrico virar para a Praça do Comércio. «Desculpe lá mas isto não era suposto ir à Sé? Vira para aqui e não diz nada?», diz-me exaltado um jovem estudante, que pela idade, parecia estar já ao nível da faculdade e com mais educação do que a demonstrou.

Pelo meio, os turistas brasileiros preocupados com o facto de não passarem pelo Castelo, quando já lhes tinha dito por duas vezes que poderiam permanecer, dado que iria lá passar pela carreira 12E. Resolvida esta manobra, logo outra interrupção me obrigaria a fazer o curto trajecto entre os Prazeres e a Estrela, a fim de colocar o eléctrico na hora. 
Depois, após uma terceira interrupção, e com um calor abrasador, três eléctricos tinham-se juntado devido a um carro mal estacionado. Com o carro já quase lotado na R.Conceição, os passageiros na paragem não se aventuravam a tentar entrar até que fecho a porta e arranco. Precisamente no momento em que surge um senhor (digo, senhor porque não quero baixar ao nível e falta de educação que o senhor teve para comigo), que força a porta enquanto esta fecha, mostrando uma ganancia total para entrar, quando tinha um outro eléctrico atrás mais vazio. 
Paro o eléctrico, depois de ouvir «não feche a porta pá!!! Está parvo...»

Digo-lhe que não deve entrar no eléctrico quando este se encontra com a porta a fechar e em andamento. Diz-me aos berros «Não estava a andar! Você é um estúpido pa!» Com idade talvez para ser meu avô, o senhor em questão, não arranjou aliados no eléctrico, até porque se havia alguém que não era estúpido ali naquela questão, era eu. Jamais tentaria entrar num transporte correndo o risco de ficar entalado na porta.

Contestado pelos restantes passageiros pela forma como gritou, sentou-se no lugar mais próximo da porta da saída tentando disfarçar o olhar sobre as janelas que já atravessavam a Rua Augusta, mas sempre debaixo do olhar repugnante dos que naquele eléctrico seguiam viagem.

Um dia que certamente teria corrido melhor se estivesse de folga, mas até lá ainda faltam mais dois dias. Resta-me portanto desejar-vos boas leituras e viagens a bordo dos veículos da CCFL!

[n.d.r.]: Foto retirada do Flickr.com Direitos reservados ao autor

domingo, 12 de junho de 2011

A folia do Santo António onde até "eléctricos" servem bebidas...

Se noutros tempos, a grande noite era a do desfile das marchas, em que Lisboa saia para a rua de fogareiro e travessa na mão, hoje em dia Santo António comemora-se  já nas vésperas, o que é bom para esquecer a crise, o FMI e todos os outros problemas, mas que acaba por ser péssimo para quem, tem de trabalhar com um eléctrico pelas ruas de Alfama. Ruas engalanadas com os tradicionais festões coloridos, mesa posta na rua, imperial a sair da torneira e uma fumaçada que sai dos fogareiros, deixando na roupinha um cheiro característico de quem andou nas festas da cidade.

De facto trabalhar nestes dias não é nada fácil. Interrupções atrás de interrupções e uma constante tentação para se parar o eléctrico e pegar numa bifana ou numa sardinha para fazer o gosto à barriga. A cada esquina lá surge o desafio... «Vai uma sardinha sr.guarda-freio?», perguntam do varandim de S.Tomé, enquanto aguardo a chegada do dono da viatura que está a impedir a passagem do eléctrico. 

Já na Graça e a meio da tarde uma senhora do restaurante das Portas do Sol, entrava com um saco cheio de pão quente. A noite prometia ser longa e com fé na clientela. O cheiro do pão quente, juntava-se mais abaixo ao do chouriço assado que saía da grelha junto ao eléctrico da Voz do Operário, ao qual atribuo este ano o «prémio» de melhor banca de arraial. A réplica está tão bem feita que ao longe poder-se-ia dizer que tinha havido um descarrilamento, mas cujo o guarda-freio tinha tido a proeza de o deixar bem estacionado. 

Turistas e transeuntes sorriem em todas as viagens quando lá se passa e nestes dias nem me importava de trocar o meu eléctrico pelo eléctrico da Voz do Operário, porque pelo menos nestes dias, não trabalhava com a incerteza de saber se ia ou não chegar a casa, porque até ao final do serviço ainda estive quase a ficar preso novamente nas Escolas Gerais. Mas este ano já me safei, porque amanhã há-de haver quem trabalhe por mim, assim como na segunda. 

Resta-me então desejar-vos uns bons Santos! 

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Na 12E com o cravinho da sorte...

Feriado na 12E, vésperas de se festejar o Santo António e os rituais que todos os anos se repetem. Dos arraiais ás missas, passando pelos peditórios e promessas.  

Arraial montado, fogareiro ligado e já cheira a grelhado. Mas na paragem da Sé talvez no final da missa um grupo de senhoras entra com ramos de cravos. Diziam trazer os cravos benzidos de Santo António, coisa que tal nunca tinha ouvido. Pois do pão de Santo António já tinha ouvido falar... Uma das senhoras, arranca um dos cravos do ramo e ao entrar diz-me...
«Bom dia sr.Guarda-freio,
Tome lá um cravinho,
Para que tenha sorte,
No resto do Caminho.»

E ali ficou o cravo no resto do serviço. Continua assim, a carreira 12 a ser conhecida pela mais castiça das carreiras da rede de eléctricos, quer seja pelas ofertas, pelos passageiros ou pela complicação que por vezes é subir a calçada de Santo André.

Resta-me portanto desejar-vos uns bons santos populares!

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Sugestão da Semana: Exposição "Os 110 anos dos Eléctricos em Lisboa"

Foi inaugurada esta Quarta-Feira no edifício da Junta de Freguesia de Alcântara, a mais recente exposição organizada pelo CEC - Clube de Entusiastas do Caminho de Ferro, intitulada «Os 110 anos dos Eléctricos em Lisboa". Através de vários documentos e fotografias, é possível conhecer-se a história de toda esta aventura que começou por carros puxados por animais - os «Americanos», que em 31 de Agosto de 1901 deram lugar aos primeiros eléctricos. A inauguração desta exposição contou com a presença da Srª. Presidente da Junta de Alcântara que não deixou de referir que é sua intenção «continuar a defender este transporte característico de Lisboa e bastante essencial para bairros como o de Alcântara e Ajuda», acrescentando ainda que «o eléctrico 18 faz parte desta freguesia e queremos mantê-lo no futuro...», disse a Dr.Maria Isabel de Faria.

Presentes na cerimónia inaugural, além do «Diário do Tripulante», estiveram também alguns associados e amigos do CEC que atentamente, ouviram José Pinheiro, o presidente do Clube, que foi explicando com recurso a imagens o evoluir de toda a história dos eléctricos de Lisboa. Da palestra partiu-se para uma visita guiada a uma exposição que estará disponível até dia 24 de Junho de 2011, de 2ª a 6ª Feira das 14h30 ás 18h00. 

Para visitar a exposição que está patente na Sala Engº. Mario Maia Rebelo, no edifício da Junta de Freguesia de Alcântara, Rua dos Lusíadas nº. 13 poderá como sempre recorrer aos autocarros e eléctricos da Carris. A minha primeira sugestão é claro está o eléctrico 18E que parte da R.Alfândega com destino à Ajuda, tendo uma paragem muito próxima da Jnta de Freguesia, na Rua Leão de Oliveira. 
Mas se vem de outras zonas da cidade recordo que pode ainda recorrer a outras carreiras que têm paragens próximas do local da exposição. A saber...

15E, 714, 720, 724, 727, 732, 738, 742, 751, 756 e 760.

Como vê, não tem razões para não visitar esta exposição e aprofundar o conhecimento sobre a longa história daquele que é o transporte público mais antigo da capital.


Boas viagens e boa visita!

domingo, 5 de junho de 2011

Up!... Up!... Up!...Up!...

Aos sábados há feira da Ladra, aos sábados a 28E anda à pinha, aos sábados há carros mal estacionados e este sábado houve também quem se impôs perante o estacionamento selvagem da Rua Voz do Operário. De regresso às madrugadas lá vi novamente o acordar da cidade que é sempre bonito de se ver, ainda que ao sábado não seja dos melhores dias, porque para trás fica uma noite de sexta e muitos estragos pelo caminho.

Mas de facto o serviço decorria dentro da normalidade, algo até estranho, pelo facto de não ter tido interrupções. Contudo, na última viagem lá tinha de aparecer um automóvel a impedir a passagem do eléctrico. E lá tinha de aguardar a chegada... ou do dono ou do reboque da PSP. 

Ainda assim, e depois de alguns minutos, com a campainha dos dois eléctricos ali parados a tocar bem alto, lá apareceu toda a gente... menos o dono do carro e muito menos o reboque, claro está! Mas de dentro do meu eléctrico um norueguês mais revoltado com a forma como aquele carro ali estava a impedir a passagem, decidiu fazer de imediato uma petição no interior do eléctrico e lá reuniu braços para pegar no carro, de forma a que o eléctrico pudesse prosseguir viagem!

A campainha do eléctrico deu então lugar ao som da força daqueles turistas que certamente não vão esquecer a passagem por Lisboa... «UP!...UP!...UP!...»

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