quarta-feira, 30 de março de 2011

Há quem goste mesmo de aproveitar o transporte público até ao limite...

O regresso à condução depois de uma semana de formação não podia ser melhor. O primeiro dia... dentro da normalidade, já o segundo... alguém quis quebrar a normalidade quando entrou no eléctrico e viu uma turista a filmar o caminho do eléctrico. Ainda o título de transporte não estava validado e já a senhora em questão, "puxava" das suas cordas vocais para alertar que não queria ser filmada. «E priibido filmar caras, e não me filmas porque sabes bem q'é priibido ouvisteee???»

Ora se temos por hábito acolher bem quem vem de fora, esta senhora entrou de imediato para  a curta estatística dos que não sabem receber, e isto porque a turista nem sequer lhe tinha dirigido a lente da câmara. Ora como se não bastasse, havia também de aparecer alguém que gosta de saborear a viagem mesmo até ao último segundo, aquele em que a porta já se fecha. Daqueles que merecem hoje destaque na edição semanal da revista TimeOut Lisboa, o que prova que ainda há alguém que se coloca no nosso lugar a observar estes passageiros, mais esquecidos, ou distraídos.

Ora já vem sendo hábito a Timeout Lisboa apontar algo que «ama» e algo que «odeia» em Lisboa e os temas são dos mais diversos. Recordo por exemplo que Amam ver os motoristas cumprimentarem-se quando se cruzam, como aliás a seu tempo aqui referi. Depois a certa altura até adaptei esta rubrica da revista que leio habitualmente e criei aqui no blogue um post sobre o que nós, tripulantes «Adoramos e Detestamos» (clique para ler ou reler).

Mas esta semana a jornalista Ângela Marques assinou o artigo que dá conta que no geral todos odeiam..."Pessoas que só se levantam à última nos autocarros ou no metro"

Percebemos os distraídos. Aqueles que vão a ler a TimeOut e perdem a noção do tempo e do espaço. Mas estamos a falar dos militantes. Aqueles que sabem bem que a sua paragem está a chegar mas optam por ficar mais um bocadinho sentados, a aquecer os bancos e a deixar as mulheres grávidas e jornalistas cansados de escrever à espera.


Claro que ainda por cima geralmente temos tanto azar que estamos entre estas pessoas e a porta do autocarro ou do metro. Resultado: quando a porta já abriu, já está a pensar fechar-se, já toda a gente fez a dança das cadeiras e encontrou o lugar perfeito, há um indivíduo que decide levantar-se e encaminhar-se para a porta. Com isto abalroa-nos de uma maneira que por momentos pensamos ter ficado com os joelhos do Pedro Mantorras e total incapacidade para nos levantarmos nas duas horas seguintes. É aborrecido.


Mas irritante mesmo é vê-los depois com aquele ar de indignação a olhar para a porta a fechar-se, como se o motorista tivesse feito de propósito para a fechar mais cedo, como se as nossas pernas os tivessem atrapalhado e como se alguém os devesse ter avisado de que era ali que desejavam sair. E não pode ser só preguiça. Eles devem adorar transportes públicos. Só isso explica que queriam sempre aproveitar a viagem até ao último segundinho.
  
Sem dúvida um artigo de alguém que se coloca no nosso lugar a tentar entender o porquê de haver sempre alguém que quer sair já depois da porta se fechar, e que não podia deixar de estar aqui referido no blogue. Obrigado à autora do artigo. Foi sem dúvida bem reparado e já me deixou mais descansado porque afinal não sou só eu que reparo nestes pormenores... 





 

quinta-feira, 24 de março de 2011

[Off Topic]: O MAN 14.240 HOCL NL

Na carreira 702 com destino à Igreja da Serafina
Para os leitores mais curiosos, aqui ficam algumas fotografias que tenho vindo a registar enquanto passageiro, nas minhas deslocações pela cidade e claro está, as características do autocarro que conduzi durante a formação que termina esta sexta-feira, com vista à obtenção do C.A.M. - Certificado de Aptidão para Motoristas Pesados de Passageiros.

  

 

Entrada ao Serviço: Set.2008 a Jan.2009

Na carreira 30: Picoas - Picheleira

Capacidade:

Lugares Sentados:24
Lugares em Pé:32

Motor Tipo / Euro:

D 0836 LOH56/4

Emissões (g/kW.h):

NOx:3,21
HC:0,04
NMHC:-
CO:0,02
PT:0,018
CH4:-
Na carreira 797 a entrar na Av.General Rocçadas

Medidas (mm):

Comprimento:9500
Largura:2500

Peso (kg):

Peso Bruto:14000
Tara:8410

Características de Acessibilidade:

Piso Rebaixado:Sim
Sistema de Ajoelhamento (Kneeling):Sim
Rampa de Acesso a Deficientes:Sim
Espaço para Cadeira de Rodas:Sim
Na carreira 797: A.Cego - Sapadores

Segurança:

Videovigilância:Sim

Sistemas de Informação e Comunicação ao Passageiro:

Display de Informação ao Público:Sim
Sistema de Comunicação Interior e Exterior com os Passageiros:Sim

Conforto e Ambiente:

Ar Condicionado:Sim
Odorização Ambiente:Sim
Estes autocarros circulam habitualmente nas carreiras 30; 70 (já aqui sugerida para respirar o ar puro que ainda há em Lisboa); 702 e 797. Contudo eles acabam também por surgir aos fins-de-semana noutras carreiras onde a procura é menor durante esses dias.
[n.d.r.]:Dados técnicos recolhidos do site oficial da Carris

terça-feira, 22 de março de 2011

O simpático regresso temporário à borracha

Sendo a Carris uma empresa que tem vindo a apostar fortemente na formação dos seus tripulantes, quer seja na inicial, ou na chamada reciclagem, não é de admirar que esta faça também parte do nosso dia-a-dia, nem que seja durante esse tempo, onde para muitos de nós acaba por ser o período onde são vividos os melhores momentos desta carreira. Como aqui relatei a seu tempo, já por lá passei quatro vezes desde a minha entrada na Carris em 2007. E se muitas das coisas na teoria não são idênticas ao que se passa na realidade, creio que há sempre algo novo a aprender em cada uma das sessões, o que torna interessante estas acções de formação ministradas pela CarrisTur, que têm recursos a várias ferramentas.

Mas o aparecimento do CAM, como normativa europeia para condutores de pesados de passageiros, acabou por me colocar uma vez mais na formação para a obtenção deste Certificado de Aptidão para Motoristas, que está a decorrer durante esta semana, o que tem feito também com que, não tenham aqui surgido novas situações vividas ou presenciadas a bordo dos eléctricos. Durante uma semana voltei assim, para a borracha e com muito agrado.

E hoje voltei a conduzir um autocarro, o que me deixou bastante satisfeito, até porque nunca tinha conduzido o modelo em questão. Feita a breve apresentação do veículo, lá conduzi no percurso entre o Museu dos Coches e o Restelo, na carreira 28 e vice-versa, ou seja, por um dia troquei apenas de veículo, dado que a carreira foi também a 28, número este, ao qual já estou habituado ver na bandeira do meu eléctrico. Este período de condução, serviu para analisar a condução económica e defensiva praticada, tendo obtido uma percentagem de 85% em condução livre. 

Estreei-me contudo, no modelo do autocarro, dado que não tinha estes MAN  (2950) na Musgueira. Resta-me agora a aguardar uma oportunidade para conduzir um dos novos articulados, dado que, é então o único veículo do serviço regular de passageiros que ainda não conduzi na Carris. A formação termina na sexta-feira e o regresso ao ferro está já agendado para terça-feira, depois desta data um regresso à borracha só será possível ou durante alguma interrupção temporária no modo eléctrico ou quando foi possível fazer extraordinários noutras estações. Até lá desejo-vos boas viagens a bordo dos veículos da CCFL.

quarta-feira, 16 de março de 2011

[Off Topic]: Lisboa aos olhos dos turistas (I)

Lisboa está cada vez mais na moda para os turistas. Uma cidade de contrastes que tanto pode ser cara para uns, como estar em saldos o ano todo para outros. Apesar da degradação de bairros como o Bairro Alto, Mouraria ou Alfama, de Lisboa sobressai o Rio Tejo ao qual ninguém fica indiferente. Habituado a trazer turistas do Aeroporto ao Centro da cidade e do centro até ao Aeroporto, nos tempos da borracha, agora dou-lhes a conhecer Lisboa através de um dos "postais" da cidade - o eléctrico.

Não admira portanto que a grande maioria dos passageiros que transporto diariamente sejam turistas. Uns mais simpáticos que outros e alguns mais chatinhos que outros, o certo é que, é muito engraçado ver e analisar como se comportam as gentes de outros locais, talvez da mesma forma como eles nos observam quando somos nós no lugar deles. De mapa na mão e sempre com a vontade de fazer várias viagens com um bilhete apenas, ainda que o mesmo seja apenas para uma viagem, eles lá vão desfrutando da luz única desta cidade que esconde um segredo a cada esquina.

Impressionados com a beleza dos edifícios e a agilidade do eléctrico a ranger nas curvas apertadas do bairro de Alfama, não perdem a oportunidade de deixar no cartão de memória da máquina fotográfica, não uma mas várias fotografias do eléctrico. Outros há que preferem a imagem em movimento e lá vão pelas ruas, colina acima e colina abaixo a gravar a passagem do eléctrico, esquecendo até que estão numa calçada típica portuguesa onde os buracos parecem já fazer parte do quotidiano. Alguns chegam mesmo a tropeçar, mas de imediato se recompõem porque o que importa é levar a imagem do eléctrico para a sua terra natal. 

Posto isto, decidi trazer até aqui um olhar diferente da nossa cidade, daquela que percorremos todos os dias, daquela que deixa todos com vontade de voltar, ou seja, uma Lisboa aos olhos dos turistas. Daqueles que vieram a Lisboa e não partiram sem antes andar de eléctrico. E porque as imagens valem sempre mais que mil palavras, o primeiro vídeo que aqui vos trago é de turistas franceses, que por sinal gosto de transportar. 

Uma câmara de vídeo, uma máquina fotográfica, dois protagonistas e Lisboa como pano de fundo deram então origem a um vídeo que se intitula simplesmente «Lisboa», numa visita de três dias com a autoria dos intervenientes Philippe Trzebiatowski e Antoine Poggetti e que está disponível na plataforma Vimeo, para ver e ser revisto porque vale realmente a pena ver.

segunda-feira, 14 de março de 2011

[Off Topic]: Para tornar mais doce a viagem pelas colinas...

Hoje o «Diário do Tripulante» desvia-se da sua temática e dedica este post aos mais gulosos. Contudo não ficam de parte os eléctricos, claro está. Desta feita, e depois de várias passagens pela Rua da Conceição com a carreira 28E, e mais precisamente depois do alerta de um colega, via "sms" sobre a novidade presente numa das montras dessa rua, levou-me na hora da folga a ir até lá verificar o trabalho do artesão. 
A Papabubble com origem em Barcelona no ano de 2004, chegou a Lisboa em finais de 2009 e desde então que se apresenta como sendo a «loja mais doce da baixa», e apresenta-se bem! Na verdade esta loja de rebuçados feitos à mão reúne uma panóplia de sabores, desenhos e personalizações e conta desde à pouco tempo com uma das imagens da cidade na sua montra, feita em pasta de açúcar. O eléctrico 28 lá está a convidar os turistas e transeuntes a entrar no mundo da guloseima, e a tornar mais doces as viagens que se podem iniciar na paragem mesmo ali ao lado.

Rebuçados de Banana e Cacau são para já os que sugiro, mas outros sabores estão disponíveis e tudo com um único objectivo, satisfazer a gula e tornar mais doce o dia-a-dia de quem por ali passa e porque não, dos passageiros mais amargurados com que por vezes me cruzo no dia-a-dia de trabalho, quer seja no 28E ou numa outra carreira...

Boas viagens com ou sem rebuçados! 

sábado, 12 de março de 2011

"Miauuu, miauuuu"

A semana não podia começar com melhor desejo por parte de uma passageira que esta manhã entrou já depois de eu ter arrancado dos Prazeres. A porta voltou-se a abrir e ao entrar a senhora agradeceu-me encarecidamente. Mas um agradecimento acompanhado de um desejo, e se muitos nem obrigado dizem, outros há que agradecem e fazem votos que «Deus lhe pague», talvez porque não tenham trocos, ou com um «saúdinha», porque nos tempos que correm é bem preciso.

Mas esta senhora foi mais longe nos desejos e o que ela queria mesmo é que eu «seja feliz e tenha muitas gatinhas, gatinhas boas é o que lhe desejo...» E se confirmar-se o seu desejo então o melhor mesmo é estar preparado para as ouvir miar... boas viagens e bom fim-de-semana.

quarta-feira, 9 de março de 2011

O arquitecto que tirou mal as medidas...

Já por aqui foi dito várias vezes, que um serviço na carreira 18E é quase como estar de folga, tendo em conta as restantes carreiras. Mas o certo é que não morro de amores por esta monotonia da carreira que liga a Rua da Alfândega à Ajuda, contudo e como a semana até foi cansativa para os lados da 28E com algo semelhante a uma invasão turística, decidi desta vez não trocar o serviço que me atribuíram esta tarde na carreira 18E.

Ainda assim, o facto de esta ser uma carreira, por norma calma, não impede que de vez em quando apareça lá alguém que nos deixa perplexo com o à vontade ou como se diz na gíria, com a «lata» idêntica à de um rapaz que esta tarde na Avenida 24 de Julho com destino à Ajuda, me mandou parar enquanto corria para a paragem.

Ao aperceber-me que o rapaz corria em direcção à paragem, em jeito de corrida ao concurso «the biggest loser» e depois de ter levantado o braço ainda que com algum custo, lá abrandei a marcha até que parei então na paragem ainda com um compasso de espera pelo rapaz. Este entra, senta-se e nem titulo de transporte, nem um "obrigado", nem sequer "boa tarde"....

- Desculpe. Não se importa de validar o seu título de transporte!?... questionei tendo como resposta algo imperceptível num sotaque ou açoriano ou madeirense até que depois de lhe ter dito que não entendi, me respondeu com um à vontade... «Não tenho título...» ao mesmo tempo que permanecia sentado. Sugeri-lhe então que pagasse uma tarifa de bordo ou que saísse. Optou pela segunda via depois de algum tempo na esperança que eu fosse convencido pelo comentário que ainda proferiu «mas é só até ali ao fuunddoooo»

Lá seguiu a pé pela Avenida 24 de Julho. Mas ainda tinha de haver outro episódio a marcar este meu regresso à 18 e a poucas horas do final do serviço. Na última viagem para a Alfândega antes da recolha, uma interrupção na Boa Hora. Um Skoda que segundo o papel colado no tabelier pertencia a um arquitecto, que ao que parece, tirou mal as medidas do estacionamento tendo ficado a impedir a passagem dos eléctricos e o regresso a casa de alguns passageiros e até guarda-freios que lá ficaram mais de uma hora, o tempo que durou a missa na igreja da Boa Hora. 

Terminada a missa, lá veio a descer a calçada como se fosse dono do mundo e nem com um pedido de desculpas, lá acabou por tirar o carro, com a sorte de não ter sido rebocado. 

domingo, 6 de março de 2011

É carnaval, ninguém leva a mal: Sem corda no trolley e com horários apertados na 28E

Um fim-de-semana para esquecer na 28E! Primeiro os novos horários que entraram em vigor no Sábado, já com o encurtamento das chapas "Graça-Estrela" que passam agora a fazer "Graça-L.Camões" e com o tempo que é mais curto para cada viagem. Depois a invasão de italianos que só sabem falar italiano e dizer «non capito!» 

A juntar a tudo isto, é Carnaval e por norma ninguém leva a mal, mas como a chuva até deu um ar de sua graça, os balões de água que em São Tomé foram "disparados" pelos putos, não tiveram outro fim se não o rebentar no vidro e quem se ficou a rir foram os camones que encheram os eléctricos desde que o sol apareceu até que se pôs. 

Mas se hoje até não fosse um Domingo de Carnaval, diria que algum ilusionista se tinha transportado no meu eléctrico, porque a meio da tarde quando seguia em direcção aos Prazeres, ao passar em frente à Basílica da Estrela avisto dois colegas da manutenção que afinal até estavam à minha espera, sem eu saber. Eles faziam-me sinal para entrar na raquete da estrela, mas eu já tinha passado a agulha rumo aos Prazeres.

Eles pensavam que eu sabia o que se passava e eu pensava que não se podia seguir em frente, mas na verdade eles sabiam bem mais do que eu, dado que foram informados pela central de comando de tráfego que o meu eléctrico tinha partido do Martim Moniz sem corda no Trolley. Ora eu é que não sabia de nada e nem tão pouco tinha rádio para comunicar à central. Quando sai para saber o que se passava, perguntam-me... «então vais continuar sem corda? Se salta o trolley como é que o puxas?!...»

Sem corda? Pois quando olhei para o trolley lá constatei que não tinha mesmo a corda nem vestígios. E posto isto tive a sorte de ter feito toda a viagem sem ter saltado, porque se não tinha empatado toda a carreira, por uma "avaria" que só me leva a crer ter sido brincadeira de Carnaval. Porque não havendo nem vestígios na vara nem na ilhós junto à janela de trás onde é dado o nó da corda. Tudo em leva a querer que um simples isqueiro terá ajudado à brincadeira...

Translate