Pensava que a falta de educação tinha limites, mas hoje tive a certeza que não. Depois de quase 4 anos de serviço na Carris, pela primeira vez um passageiro teve em mente a agressão física porque a verbal já acontece no dia-a-dia com alguma frequência. E porquê? Por causa de uma interrupção e por causa do preço do bilhete ser agora de 2.50 €.
Mas afinal de contas que culpa tenho eu que o bilhete custe dois euros e cinquenta? Nenhuma claro. A história contada nem dá para acreditar, porque nem eu estava a querer acreditar que tal situação estava a acontecer comigo e tudo começou no Largo do Chiado naquela que era para ser a última viagem do dia, mas que se tornou na antepenúltima. Um casal já «maduro» entra com destino ao Martim Moniz e a senhora tinha cartão sete colinas, ao contrário do senhor que me pediu um bilhete para a Graça. Digo-lhe: «São dois euros e cinquenta por favor...»
«Dois euros e cinquenta? Até à Graça?... Mais vale ir de táxi!», diz prontamente o senhor, ao que lhe respondi: «O preço do bilhete é único quando comprado a bordo», mas o senhor fazia questão de insistir... «É que mais vale ir de táxi. E é o que vou fazer mesmo...», isto ao mesmo tempo que descia do eléctrico. Contudo a senhora dizia ainda do lado de dentro, «mas eu já passei o meu, anda lá que eu ajudo-te a pagar».
Até que tive então de pedir que se decidissem rápido, porque estávamos ali a perder bastante tempo com a incerteza, até que se decidiu a viajar com a Carris até à Graça. Lá seguimos então viagem, mas ao chegar ao Largo da Graça, o rádio toca com uma chamada da central de comando de tráfego, dando conhecimento da impossibilidade de prosseguir viagem pela rua da Graça, tendo de inverter a marcha no Largo da Graça e ir até à P.Figueira, chegando depois ao M.Moniz que era o meu destino.
A senhora levanta-se e diz: «Esse seu colega está a falar tão alto que está a incomodar os passageiros todos, sem necessidade....», pois está, «mas é para me informar que não podemos passar do Largo da Graça, devido a uma interrupção». O que eu fui dizer....
Passageira: «Então quero que me devolva o dinheiro do bilhete...»
Tripulante: «Queira-me desculpar, mas isso não posso fazer.»
Passageira: «Isto é um roubo. Quer que eu também o assalte?»
Tripulante: «Queira-me desculpar, mas para reclamar o preço do bilhete terá de ser nas lojas da Carris. Eu não lhe posso devolver o dinheiro.»
Passageira (num tom já elevado e em estado alterado): «Tá a brincar comigo? Tenho idade para ser sua mãe...»
Tripulante: «Não estou a brincar. Estou a falar a sério e a trabalhar que é para isso que me pagam...»
Passageira: «Quer que eu lhe dê um murro? (ao mesmo tempo que fecha o punho e puxa o braço atrás)
Tripulante: «Então dê lá o murro. Não se esqueça é que isto tem câmaras e que depois não sai daqui sem justificar perante as autoridades o porquê de me ter agredido, até porque não lhe faltei ainda ao respeito como a senhora já fez comigo...»
Passageira: «É que dou-lhe mesmo!»
Mas não deu, porque entretanto o marido, o amigo, ou seja lá o que for... aquele que tinha pedido um bilhete para a Graça, mas que afinal até queria continuar para além da Graça, puxou-a para fora do eléctrico, perante a indignação de todos os turistas e restantes passageiros, pela falta de respeito de uma senhora que já tinha mais que idade não só para ser minha mãe como dizia, mas sobretudo para ter mais juízo e respeito por quem não lhe faltou ao respeito.
Tudo isto num dia para esquecer ou talvez não, até porque começou com a boa disposição de um grupo de francesas quando ainda antes de pegar ao serviço, me dirigia para o local de rendição, na carreira 28E respondendo em francês ás perguntas que me iam fazendo sobre como chegar ao Elevador de Santa Justa. Lá lhes disse, brincando no final que explicando em francês era mais caro. Em resposta a malandrice falou mais alto e uma delas chegou mesmo a perguntar se podiam pagar com o corpo, o que gerou uma enorme risota ao grupo das amigas e ao meu colega. Afinal os velhotes têm razão... Hoje em dia, elas são piores que eles. E esta hein?!









