São por norma os últimos lugares sentados a serem ocupados, mas quando são necessários, já não estão vagos. Depois entre passageiros, gera-se uma troca de olhares, soltam-se comentários e por fim - em alguns casos - a inevitável discussão. De costas para a rua e de frente para frente os bancos vermelhos estão «reservados para passageiros inválidos, doentes ou idosos e senhoras grávidas ou crianças de colo», mas na ausência destes qualquer um se pode lá sentar.
O pior mesmo, é quando entra alguém no eléctrico já com o olhar fisgado naqueles primeiros quatro lugares, como que quem diz "qual destes é que se vai levantar para eu me sentar?!" Apelidados por muitos como o «banco dos palermas», sabe-se lá porquê, estes lugares são como a primeira fila do Cinema. E porquê? Porque há pessoas conscientes, outras nem tanto e há os que se julgam mais espertos que os outros.
Ora esta tarde em plena hora de ponta, na carreira 25E, assisti a uma discussão como há muito não via sobre esta temática. Uma senhora entrou e solicitou o lugar a um dos passageiros que estava sentado nesses referidos bancos revestidos de napa vermelha. «Desculpem, mas alguém tem de me ceder o lugar porque já não tenho idade para ir de pé». A forma talvez não tenha sido a mais correcta de o fazer, e foi o suficiente para um dos senhores responder de imediato. «Que idade é que a senhora tem? É que não sabia que isto agora era por idades...»
A troca de palavras ia aumentando enquanto os restantes passageiros iam entrando. Num instante já se falava em próteses no joelho e operações à coluna vertebral, tal e qual como se estivéssemos numa sala de espera de um qualquer posto médico do país. Passados alguns segundos lá chegaram a um consenso e pelo que me apercebi pelo espelho, um outro passageiro idoso limitou-se a trocar de lugar «para pôr ordem no galinheiro que já não vos posso ouvir com a conversa do lugar e da idade», dizia de forma convicta.
Posso dizer-vos que a troca de palavras entre a senhora e os restantes chegou a palavras menos bonitas que dispenso aqui transcrever, mas que me provaram que por vezes quem anda de vestido e sapato de salto alto, mais parece andar de chinelo na mão e avental pela rua fora, tal o nível a que conseguem descer por causa de um lugar.
Talvez por estas e outras discussões, alguém diga que este é o lugar dos palermas, até porque por vezes a palermice na discussão do lugar é tanta que o guarda-freio ou motorista tem de intervir. E neste campo, confesso que me irrita bastante por exemplo andar numa carreira movimentada como a 28E, estar o carro quase lotado, entrar alguém com uma criança ao colo e todos os que estão sentados, limitarem-se a olhar para fora da janela, como se estivessem completamente distraídos.
Ainda assim registo alguns comentários por vezes ouvidos nestas discussões e que são dignos de uma verdadeira palermice, se não vejamos...
«Só me sentei porque venho cansada de trabalhar...», ai é? Então e os outros? [...]«Desculpe mas o que não faltam aí é lugares, peça a outro», mesmo à lei do salve-se quem puder. É caso para dizer, "lugares há muitos seu palerma"!











