quinta-feira, 30 de setembro de 2010

[Off Topic] Sabia que... Há história no eléctrico da P.Comércio?

Depois de ter lido o título deste post [Off Topic], o leitor pode estar já a pensar que lhe vou falar da história da série de eléctricos composta por carros tipo Salão, mas engana-se, não porque não fosse tema para ser abordado, mas porque estamos em comemorações do Centenário da República e porque esse mesmo eléctrico que está em permanência na Praça do Comércio, entrou para a história da própria República, após ter sido o «palco» de um dos episódios mais marcantes da primeira República.

Na verdade, quem passa pela Praça do Comércio, pode ver de imediato o eléctrico vermelho, tipo salão da série 300, assim como o imponente Arco da Rua Augusta, ou as simétricas arcadas que ladeiam uma das maiores praças europeias. Contudo, muitos não sabem que esse mesmo eléctrico que hoje serve de posto de venda e informação da Carristur, é apelidado de «Afonso Costa» e que durante o serviço regular de passageiros, e quando ainda era amarelo, ostentava o número 355.

Foi precisamente neste Eléctrico, que a 3 de Julho de 1915, «o conhecido político, temeroso dos frequentes atentados que então se multiplicavam pelas ruas da cidade, protagonizou uma cena hilariante a bordo deste carro», lê-se na "História do Eléctrico da Carris", de Marina Tavares Dias. «Ouvindo o sonoro disparo do disjuntor a saltar do cabo [aquilo a que na gíria os guarda-freios apelidam de «saltar a breca»], Afonso Costa julgou estar perante um tiroteio e atirou-se pela janela do eléctrico, partindo o braço na queda», cita ainda o mesmo livro.

Outros testemunhos, relatam que Afonso Costa teve um traumatismo craniano após a queda. Ainda assim este não é o único eléctrico a fazer parte da história do Centenário da República, mas é o único que diariamente está sob o olhar de todos os transeuntes que passam pela Praça do Comércio.

Ainda sobre as comemorações do Centenário da República, referir que a partir do próximo dia 4 de Outubro estará patente no Museu da Carris a Exposição «A República de Eléctrico», que em breve será aqui referida. Fique atento.

Fonte: «A História do Eléctrico da Carris», de Marina Tavares Dias.
Fotos: Rafael Santos e Arquivo Municipal de Lisboa

terça-feira, 28 de setembro de 2010

[Off Topic]: Goze mais a cidade. Utilize os transportes públicos!

E porque nunca é de mais incentivar o uso do transporte público em detrimento do automóvel particular, por uma cidade cada vez mais sustentável, aqui vos deixo o vídeo que está na plataforma YouTube e que mostra o que passam milhares de pessoas dos 700 mil carros que entram diariamente na cidade, e o que poderá mudar se todos optarem pelo transporte público. Uma iniciativa do projecto menosumcarro.pt



Menos um carro, e goze mais a cidade!

sábado, 25 de setembro de 2010

Na minha biblioteca... «A beleza de Lisboa - Eléctrico 28, uma viagem na História»

Chegou este mês às livrarias o livro que lhe dá a conhecer a beleza de Lisboa com uma viagem na história. Uma viagem ao passado, no presente com a ajuda do eléctrico 28. Um livro editado pela Imprensa Nacional Casa da Moeda e que resulta de uma associação da autora Nysse Arruda, ao "atelier" de "design" de Henrique Cayatte, e à fotógrafa Clara Azevedo. Uma obra de referência para os habitantes locais e turistas que visitam a cidade e que, a bordo do eléctrico 28, percorrem uma rota com grande significado histórico na capital. 

"A ideia foi produzir um livro com um "design" contemporâneo e arrojado, muito bem ilustrado e com tiragens em versões em português e inglês. A autora pretende (...) ampliar a divulgação do turismo histórico e cultural da cidade de Lisboa, detalhando cada um dos monumentos que pontuam a rota do "28", datados desde o século XII até o século XIX, bem como os museus, os teatros, os miradouros e os jardins que se encontram no percurso e todos os factos históricos relevantes que tiveram lugar em um ou outro ponto do percurso, somando assim cerca de 2.500 anos de História da cidade de Lisboa. 

Pretende-se ainda transmitir as vivências quotidianas da cidade e as manifestações culturais e sociais como, por exemplo, a tradicional Feira da Ladra e as festas de Santo António, sem esquecer de referenciar as personalidades culturais, como o poeta Fernando Pessoa, ou mesmo a evocação da Lisboa Queirosiana", diz o site da livraria Bertrand


Sabia por exemplo, que a Sé de Lisboa é «...o único edifício românico-gótico da capital portuguesa»? (pág.32), ou que Lisboa é «uma das cidades mais antigas da Europa, habitada e visitada há mais de três milénios...» (pág.12). A completar o conteúdo editorial do livro, inclui-se um capítulo com a História e os detalhes técnicos sobre o próprio eléctrico 28 como também dados sobre a criação da rede de eléctricos da Carris no início do século passado e um historial da própria empresa. A finalizar também fazem parte um mapa do percurso, a lista das paragens e ainda uma lista com todas as moradas, contactos e horários de funcionamento dos monumentos e sítios citados no texto.

Refiro ainda que a edição deste livro por parte da INCM «marca o início de um projecto que visa dar a conhecer aos portugueses e cidadãos de outros países alguns dos locais mais emblemáticos de Portugal...», refere Estêvão de Moura, presidente do Cons. Admin. da Imprensa Nacional-Casa da Moeda. Já José Manuel Silva Rodrigues, presidente do Cons.Admin. da Carris, lembra que «a publicação de uma obra sobre o Eléctrico 28 reveste-se, sem dúvida, de grande interesse, não apenas nacional, mas também internacional, porque o "28" faz parte integrante da imagem e da vida de Lisboa».

A jornalista Nysse Arruda é a autora do livro que já faz parte da minha biblioteca e em declarações à TVI24, disse que «as pessoas que lerem o livro vão-se aperceber que podem conhecer a história e as belezas de Lisboa, só com um bilhete de eléctrico na mão. É a bordo do 28 que se descobrem muitos dos segredos de Lisboa e muita da sua monumentalidade», explicou a autora do livro, que tem uma capa 3D da autoria do designer Henrique Cayatte.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Pergunta do dia na carreira 36: "Excuse me, which bus goes to Alcatraz?"

Ao fundo a Prisão de Alcatraz
Continuo de férias, mas como estou por Lisboa, não deixo de ter contacto com os autocarros e eléctricos da Carris, até porque em semana da mobilidade, tenho optado, como quase sempre diga-se, pelo transporte público nas minhas deslocações do dia-a-dia, poupando combustível, paciência a procurar lugares e ganhando tempo. 
Tenho utilizado mais o autocarro e tenho visto coisas que me fazem recordar um passado recente. A insatisfação constante de quem se transporta continua igual sem tirar nem por, e não admira portanto que se entre numa rede social como o facebook e se leia comentários ao «net bus carris», do estilo.... "para quê gastar dinheiro nisto se podemos ser assatados?!", interrogava de forma indignada uma utilizadora da rede social.

Na verdade, o público nunca está satisfeito, porque para ser assaltado não precisa estar ligado à Internet. Sempre se correu esse risco em cidades como a nossa. Uma cidade que recebe diariamente milhares de turistas, que se transportam na Carris e que querem a todo o custo saber qual o autocarro a tomar para chegar ao destino.

Mas nem só os comentários no facebook geram gargalhadas. Basta imaginar-se no lugar do motorista da carreira 36, numa tarde de Outono, tal como aconteceu hoje ao meu colega Armando Aldegalega, e imaginar que lhe entra uma turista e lhe pergunta... "Excuse me, which bus goes to Alcatraz?"

Ora a turista queria certamente saber qual o autocarro que a levava a Alcântara, até porque Alcatraz é o nome de uma famosa prisão numa ilha ao largo de S Francisco, na Califórnia (USA). E se calhar o melhor era mesmo apanhar o cable car de San Francisco e depois ir de barco. Fica dada a sugestão.

Mas se pensar-mos que a turista possa ter lido o tal comentário dos assaltos por se andar de computador ou telemóvel no «net bus Carris», então se calhar já faça sentido o destino Alcatraz. Na verdade estas e outras situações acabam por gerar uma gargalhada a quem está do outro lado, tal como nós também podemos gerar aos outros quando vamos ao estrangeiro. 
E é por estas e por outras que a nossa profissão é diferente de todas. Aqui fica o meu agradecimento ao Armando, pela partilha deste episódio vivido esta tarde na carreira 36, que era daquelas que menos gostava de fazer, enquanto estive na estação da Musgueira.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

De olho na net: A Lisboa do 28

Criticados por uns e amados por muitos, os eléctricos de Lisboa, assumem-se cada vez mais como símbolo da cidade das sete colinas. Actualmente são apenas 5 as carreiras existentes, entre as quais se destaca, claro está, a carreira 28 que é a preferida dos turistas que visitam Lisboa. Não se estranha portanto que as pesquisas efectuadas na plataforma on-line YouTube, nos dê vários resultados em torno desta carreira que liga o Martim Moniz aos Prazeres, passando pela Graça, Alfama, Castelo, Baixa, Chiado, Bica, S.Bento e Estrela.


Hoje deixo-vos aqui um trabalho da autoria do utilizador do YouTube «trainstrain1», um vídeo que convida a um passeio nos tradicionais amarelos de Lisboa.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

[Off Topic]: Carris apresenta 30 novos autocarros com acesso à Internet

A partir de hoje já há mais uma razão para optar pelo transporte público em Lisboa. A Carris apresentou esta manhã na Estação do Oriente os 30 novos autocarros, que já circulam nas carreiras 36 e 745 e que estão dotados de acesso à Internet. “Nestes 30 autocarros Carris Net Bus, a utilização e o livre acesso à Internet é gratuita para os clientes”, salienta Luís Vale, director de comunicação da Carris. Para tal, basta ter um aparelho wi-fi e seleccionar a rede “Carris-TMN”.

Mas a Internet a bordo não é a única novidade destes autocarros que foram apresentados hoje pelo Sr. Presidente da Companhia Carris de Ferro de Lisboa, na presença do Sr. Secretário de Estado dos Transportes. Com um investimento na ordem dos 11 milhões de euros, estes novos autocarros oferecem aos clientes elevados padrões de conforto - ar condicionado, piso rebaixado, rampa de acesso para cadeira de rodas, indicadores de destino electrónicos, mas também elevados níveis de segurança decorrentes do facto de todos estarem equipados com sistemas de vídeo-vigilância.

Carlos Correia da Fonseca, Secretário de Estado dos Transportes, destacou "o investimento da Carris na renovação da Frota e na evolução do seu pessoal tripulante ao longo destes 138 anos que a Companhia Carris de Ferro de Lisboa, agora celebra".

Já o Presidente da Carris, José Silva Rodrigues lembrou que a Carris é uma empresa certificada e como tal "a chegada destes novos autocarros ajudarão certamente a prestar um melhor serviço ao passageiro que opta diariamente pelos transportes públicos".


Presentes na apresentação estiveram os representantes de todas as estações de recolha da Carris, assim como a orquestra ligeira da Banda de Empregados da Carris. Mas como as imagens valem sempre mais do que mil palavras aqui deixo disponível, a foto-reportagem mais completa da apresentação dos novos autocarros.



Reportagem de Rafael Santos

terça-feira, 21 de setembro de 2010

«Antes e Agora» (V): O Rossio 40 anos depois...

A última vez que peguei nesta rubrica foi em Julho de 2009 e passado mais de um ano, creio que está na altura de aproveitar esta pausa no trabalho para voltar a trazer até aqui recordações de outros tempos através do recurso à fotografia. Como era Lisboa de outros tempos? Como é a Lisboa actual? As respostas estão numa comparação que é feita entre uma fotografia da época e uma da actualidade.

E este regresso ao “Antes e Agora” incide sobre uma das praças mais bonitas de Lisboa, a Praça Dom Pedro IV – Rossio, onde até anos 60 circulavam eléctricos que davam uma beleza ainda maior a esta praça. Por aqui passava, por exemplo, o eléctrico que ia para a Graça e que agora parte do Martim Moniz.

Actualmente o Rossio é apenas servido pelos autocarros que ligam o centro da cidade aos mais variados cantos da cidade. Aqui passam grande parte das carreiras da rede da Carris.

A norte da praça ergue-se o teatro no antigo local do Paço dos Estaus. O teatro foi construído entre 1842-46 segundo a iniciativa de Almeida Garrett. A sua inauguração ocorreu a 13 de Abril de 1846. O arquitecto foi Fortunato Lodi.


Fotos do arquivo municipal de Lisboa e de Rafael Santos

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

[Off Topic]: Não queira fazer parte da estatística, respeite os transportes publicos!

Em 2009 os veículos da Carris fizeram 1.359 paragens devido a carros mal estacionados e foram passadas mais de nove mil multas a veículos em transgressão e 350 pedidos de reboque. Contudo este ano e até ao final do mês de Agosto os números atingiram já cinco mil autuações e 220 pedidos de reboque. Estes números podem no final do ano indicar que há cada vez mais desrespeito pelo transporte público e muitas das situações que levam às autuações e aos pedidos de reboque já aqui foram referidas neste blog, como retrata a imagem já publicada.

Na realidade todos estes casos saem caro à Carris porque cada paragem custa 400 euros. A estatística conta apenas as paragens que levam mais de 10 minutos e indica que o prejuízo ascende aos 500 mil euros, como dá a conhecer o Engº. José Maia (Dir.UCOP - Unidade de Controlo Operacional) em entrevista à SIC, numa reportagem que vos apresento de seguida.



Na próxima vez que estacionar, lembre-se de ver, se o seu carro não impede a passagem do autocarro ou do eléctrico, para que não faça parte desta estatística que custa mais de 500 mil euros, e que foi também notícia na TSF.

Boa viagens a bordo dos veículos da CCFL.

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