sábado, 26 de junho de 2010

[Off Topic]: Ás compras no Chiado, com o 28E

É fim-de-semana e se muitos aproveitam para passear, aproveitando para aliviar o stress de uma longa semana de trabalho, outros há que nestes dois dias de folga aproveitam para fazer as compras que há muito têm planeadas. Os que durante a semana se deslocam para o trabalho de transportes públicos, querem aproveitar o tempo ao máximo do fim-de-semana e usam o carro próprio, mas os que fazem do carro transporte diário, preferem deixar de se preocupar com estacionamentos e com o trânsito de uma cidade cada vez mais saturada.

E é mesmo para os que preferem os transportes públicos que aqui vos deixo uma sugestão diferente do habitual. O verão chegou e para quê entrar num centro comercial quando há pelas ruas e pátios de Lisboa, lojas para todos os gostos e feitios? A zona histórica do Chiado é das mais diversificadas e está ali mesmo ao lado da Baixa.
Apanhe então o eléctrico 28E e desça na zona do Largo do Camões.

Se lhe apetecer um café, tem logo na entrada da Rua Garret «A Brasileira», que no meu entender não é dos melhores cafés da zona, muito por causa do péssimo atendimento, embora tenha vindo a público recentemente que se deve a um protesto dos funcionários para com os patrões. Mas e nós consumidores, temos alguma culpa nisso? Sugiro portanto a Bernanrd
, uns metros mais abaixo, onde pode também desfrutar de uns magníficos croissants...

Em frente a Bertrand convida-o à leitura e porque não a recuar no tempo e ver como era Lisboa nos anos passados com recurso aos livros «Lisboa Desaparecida» de Marina Tavares Dias, livros estes que contam também com diversas imagens dos eléctricos que outrora faziam a delícia dos lisboetas nas suas deslocações diárias.

Paredes-meias com a Bertrand está «A Vida Portuguesa», uma loja que convida no presente a viver o passado através de produtos tipicamente portugueses desde a pasta Couto aos Sabonetes Confiança, não esquecendo claro está, os lápis Viarco ou os carimbos que usávamos na escola, onde há inclusive um de um eléctrico em miniatura.

Uma loja que surgiu de uma investigação da jornalista Catarina Portas sobre os produtos antigos portugueses, que agora têm futuro numa loja que também ela manteve a traça antiga.

Se continuar a descer a Rua Garrett vai encontrar as típicas e também antigas casas de cafés que contrastam com as mais modernas da era das cápsulas. Mas se precisa comprar uma t-shirt para enfrentar as tardes quentes de verão ou procurar um calçado que lhe facilite as subidas íngremes das colinas,
entre na arcada do pátio Siza Vieira e siga em frente até à Omlet.

Não lhe proponho nada de calorias com ovos. A Omlet é uma simpática loja com produtos de design próprio e produções exclusivas de autor, entre as quais destaco a t-shirt do eléctrico ou do ascensor da Bica, bastante simples e diferentes daquelas que costuma ver por ai à venda.

Aqui vende-se também as recém-chegadas alparcatas da Argentina Paez, com o conforto, simplicidade e o bom andar que se exige para subir e descer as ruas de Lisboa, enquanto faz as suas compras pelo comércio tradicional.

Se gosta de artesanato também encontra na Omlet os tradicionais eléctricos de Lisboa, reproduzidos em metal e feitos à mão, que são sem dúvida singulares. Há também desenhos em vinil para decorar vidros e muito mais desde artigos de decoração ao vestuário e tudo num espaço simpático e acolhedor.

E agora que já fez as compras todas, sugiro que continue a descer a Rua Garrett e vire à esquerda em direcção ao Rossio. Observe a grande obra de Masnier du Ponsard - o Elevador de Santa Justa. Pode levar para casa um cd de Amália Rodrigues à venda na loja móvel que habitualmente ali está instalada e siga em direcção à Praça da Figueira. Por esta altura o seu estômago poderá estar já a dar horas e tem duas opções: A pastelaria Suíça ou a Nacional. Eu prefiro a Nacional, mas deixo a escolha ao seu critério.

Depois de recuperar energias aproveite o resto do dia para regressar a casa, desfrutando uma vez mais do eléctrico 28, que agora vai apanhar no Martim Moniz.
Boas compras e Boas viagens!

Links úteis:

http://www.carris.pt
http://www.bertrand.pt
http://www.avidaportuguesa.com
http://www.omlet.pt

[n.d.r.]: As lojas aqui referidas foram escolhidas por minha livre vontade, após uma visita não identificada e onde fui bem atendido, não tendo como objectivo qualquer tipo de publicidade solicitada.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

O sossego e o desassossego de um Portugal - Brasil na 25E

Costuma-se dizer que Agosto é o melhor mês para se trabalhar em Lisboa e até é verdade, mas o facto de haver um Mundial em Junho e um Portugal-Brasil a meio da tarde faz com que o serviço seja do mais calmo que há. O sossego invade as ruas de Lisboa que parece tornar-se numa aldeia onde até o som dos pássaros se ouve quando estamos, por exemplo, parados num semáforo em Santos.

O pior é quando o jogo acaba! Abrem-se portas, os carros aparecem de todos os lados criando um efeito semelhante ao dos pombos quando lhe atiramos milho. O sossego desaparece e dá lugar ao desassossego...

Hoje durante o Portugal - Brasil, foi assim na 25E:

Também, hoje, mas depois do Portugal - Brasil foi assim na 25E:
Por causa destes adeptos que além de não saberem festejar, também não respeitaram o professor (que levou com uma garrafa na cabeça, segundo os presentes no local) que pedia menos folia, por respeito ao exame que os seus alunos ali realizavam na faculdade ali da Rua de São Paulo, lá se foram os 10 minutos que tinha para ir comer. Há dias assim!

Boas Viagens!

quinta-feira, 24 de junho de 2010

3.ª Fase da «Rede7» entra Sábado em vigor.

Entra em vigor já este sábado a 3.ª Fase da "Rede 7", inserida na reestruturação da rede iniciada em Setembro de 2006. Esta 3ª Fase de intervenção na rede vem na sequência do prolongamento da linha vermelha de metropolitano a S. Sebastião e ao todo são 26 as carreiras que nesta fase são objecto de alteração, das quais sete têm um modificação de percurso, seis alteram a frequência, três das quais no sentido do seu reforço em períodos do dia com maior procura.

Mas as grandes alterações, ou as mais significativas, recaem sobre 7 carreiras. Segundo o «Diário de Notícias»...

"A carreira 16, entre a Praça do Chile e Benfica, passa a chamar-se 716, fica com o percurso encurtado a São Sebastião e deixa de ir à Praça do Chile.

A 40 (Cais do Sodré - Olaias) passa a 740, é encurtada até à Praça de Londres e deixa de ir às Olaias, enquanto a 49 (ISEL - Saldanha) passa a circular apenas entre o estabelecimento universitário e Entrecampos, com funcionamento apenas nos dias úteis.

O novo percurso 778 (antigo 78) continua a ligar o Campo Grande ao Paço do Lumiar, mas com um acrescento no Alto da Faia, e o novo 796 (antigo 106, entre Campo Grande e Galinheiras) sofre uma alteração na zona das Galinheiras.

O 713 (Marquês de Pombal -- Campolide) deixa de ir ao Marquês de Pombal e passa a incluir as Avenidas Novas e a terminar no Arco do Cego, enquanto o 718 (ISEL -- Amoreiras) fica encurtado à Alameda Dom Afonso Henriques, deixando de ir às Amoreiras.

Quanto à frequência, vão ser reforçadas as periodicidades de passagem do 723, do 738 e do 758.

Já as carreiras 21, 39 e 53 (que se transforma em 753) vão sofrer uma redução a este nível, devido à procura ser menor do que a esperada."

Para além dos encurtamentos, prolongamentos e extinções das carreiras há ainda mudanças de cores e de numeração, que pode ser consultada nos folhetos que a Carris irá distribuir aos passageiros e através do site oficial da companhia em www.carris.pt

terça-feira, 22 de junho de 2010

A paragem mágica da 25E, até ao paraíso...

Confesso que já tinha saudades do contacto com os passageiros que embora nem sempre seja fácil, por vezes torna-se bem engraçado. As férias já lá vão e o regresso ao trabalho foi esta segunda-feira e até custou menos do que pensava, mas que não me importava de ter continuado as férias, isso é garantido.

A cidade está mais calma, parece que muitos também já foram de férias e andar por estes dias na carreira 25E até parece que algo mudou, mas não. Bem, se calhar até mudou. É que neste regresso, fiquei hoje a saber que há uma paragem que desaparece, numa carreira que vai para o Paraíso!

Não é nenhuma inovação, embora a Carris seja uma empresa receptiva a mudanças, nem tão pouco é uma visão futurista. A verdade é que esta tarde quando me dirigia uma vez mais para os Prazeres, um senhor perguntou-me se ia para o Paraíso. Disse-lhe que era a carreira 12 que passava na Rua do Paraíso, mas ele insistiu e perguntou então «mas este eléctrico não vai para o Cemitério dos Prazeres?» , pois ele referia-se mesmo era ao Paraíso que para ele é, nada mais nada menos do que, um cemitério. Pontos de vista diferentes que nem sempre esperamos conhecer, mas aos quais estamos sujeitos quando se conduz pessoas por uma cidade como Lisboa.

Se esta visão diferente do habitual da morte, me tinha deixado a pensar no que terá levado aquele senhor a fazer tal pergunta, a pensar fiquei também quando numa outra viagem, uma jovem entra no Largo Vitorino Damásio depois de ter feito uma maratona ao jeito da Rosa Mota para apanhar o eléctrico, e ter pedido se a deixava «sair naquela paragem que desaparece, ali em cima na R. São Domingos, s.f.f.»

Pensei de imediato... "Queres ver que a Carris já tem paragens novas e a ordem de serviço escapou-me?", mas optei por perguntar qual a paragem a que se referia, ao que de imediato me tentou esclarecer. «Sabe aquela companhia de seguros no início da R. São Domingos à Lapa...», "Sim, sim..." «Depois lá em cima costumam parar sempre porque há sempre gente para entrar ou para sair porque vejo da minha janela, mas não vejo lá a paragem como as outras...», "Sim mas existe lá uma paragem." «Pensei que eram favores que faziam às pessoas por ser na Lapa, sei lá... Mas de facto não podia ser porque as pessoas ficam também lá à espera. Achava estranho.»

"A paragem está assinalada através de uma placa igual ás outras, mas está fixa na rede aérea, como pode reparar" (já no local da paragem)... «Pois está. Afinal não desapareceu, está cá mesmo e por cima da minha janela, que fixe... É que moro aqui há pouquíssimo tempo e nem tinha reparado, mas obrigada na mesma.»

Afinal ainda não foi desta que as paragens passaram a desaparecer e a aparecer ao avistar o eléctrico ou o autocarro. Modernices que ainda devem tardar a chegar. E com esta me despeço por hoje.

Beijos e Abraços e Boas viagens a bordo dos veículos da CCFL.


sábado, 19 de junho de 2010

De férias e na pele de passageiro... em Barcelona

Há muito que esperava esta viagem e nomeadamente esta semana de férias, que chegou depois da principal noite das festas de Lisboa. O destino estava há muito escolhido, mas só agora chegou a oportunidade de viajar até à Catalunha, onde fiquei durante uma semana, na magistral cidade de Barcelona.

Chegou então a vez de me tornar passageiro e turista, depois de durante todo o ano transportar passageiros e turistas que visitam Lisboa. A bordo da TAP cheguei ao novo Terminal 1 do Aeroporto de El Prat que fica a 40 minutos (apróx.) do centro de Barcelona. Daqui à Plaza de Espanya, utilizei o autocarro 46 dos TMB (empresa equivalente à Carris), depois de ter comprado o bilhete, que tal como em Lisboa custa 1.40 €.

Bem perto do terminal da carreira 46, o posto de informação turística fornece as informações necessárias para quem acaba de chegar a Barcelona. Mas por incrível que pareça, é difícil obter um mapa da rede de autocarros, talvez porque os TMB queiram que as pessoas optem pelo Metro, como anunciam na publicidade que está visível no interior dos próprios autocarros.

Mas a planta do metro obtém-se facilmente e nela constam os postos de venda da TMB que são cerca de 4 em toda a cidade, onde se pode então obter o mapa de toda a rede de transportes. Essencial para quem quer conhecer toda a cidade sem se preocupar com estacionamentos e parquímetros.Por 24 euros compra-se um título de transporte válido para autocarros, metro, comboios e eléctricos, o que me permitiu percorrer a enorme cidade de Gaudi - Barcelona.

O sistema de transportes é de fácil utilização e o tempo de espera por um autocarro não ultrapassa os 3 a 5 minutos, até porque são muitos os corredores BUS espalhados pela cidade. Barcelona é uma cidade com muito para ver, pelo que o plano das férias tem de ser bem preparado.

Do monte de Montjuic à serra de Tibidabo, passando pela Casa Batló e pelas Ramblas, o turista não pode deixar de ver a monumental obra inacabada da Sagrada Família. Uma igreja ainda em construção, mas onde se pode já ver a importância que o monumento tem na vida e obra de Gaudi. O Museu Nacional de Arte da Catalunya é também um local que deve visitar se o seu próximo destino de férias for Barcelona.

Barcelona dispõe de uma nova rede de eléctricos com seis carreiras que ligam a zona universitária à periferia oeste e o parque da citaduela à periferia leste. Em Tibidabo circulam ainda os antigos eléctricos azuis, mas por azar durante a minha estadia, não circularam.

Em breve espero trazer até aqui mais imagens num vídeo que estou a editar. O que é bom acaba de pressa e o certo é que 2ªfeira já é dia de regressar aos carris de Lisboa.

Boas Viagens!!!


quarta-feira, 9 de junho de 2010

Carris: Andamos a pensar em si

Um novo passe, uma frota renovada, serviços de SMS "ao minuto" e uma reestruturação da rede com a 3.ª fase da Rede 7, são algumas das apostas da Carris, para continuar a contribuir para a mudança da cidade de Lisboa. A Carris lança esta quinta-feira mais uma campanha de marketing através dos media com o objectivo de captar novos clientes e de os convidar a utilizar os autocarros e eléctricos amarelos que circulam pelas ruas de Lisboa.

Uma campanha que antes de se dar a conhecer ao público em geral, foi apresentada aos tripulantes através de um folheto/poster. Entretanto on-line está já o spot publicitário que passará a ver na televisão, um spot bem produzido no meu ponto de vista, e com esperança que de facto a cidade se torne mais responsável como se diz no folheto entregue, uma vez que em relação ao eléctrico ainda há por ai muita falta de respeito.




terça-feira, 8 de junho de 2010

O guarda-freio (ladrilhador) na carreira 25E

Se há publicidades que marcam e merecem ser destacadas. Esta é certamente uma delas. Além de criativa, é apelativa e chama a atenção. Não admira portanto que andar com um eléctrico repleto de azulejos, também eles símbolo de um país que os «usou como suporte para a expressão artística durante mais de cinco séculos. De forte sentido cenográfico descritivo e monumental, o azulejo é considerado hoje como uma das produções mais originais da cultura portuguesa», por isso mesmo, a SuperBock e a Egeac, decidiram decorar dois eléctricos com uma réplica de peças quadradas de cerâmica.

Até aqui tudo bem! Não foi necessário carregar baldes de massa, nem a presença do ladrilhador, mas o certo é que para que sejam vistos pelas ruas de Lisboa, são necessários guarda-freios, e se em muitos casos, são os artistas das obras de arte os mais procurados, aqui quem aparece na fotografia é o guarda-freio. Sobretudo se tivermos em conta a perseguição que me foi feita esta tarde na Estrela. E porquê?, pergunta naturalmente o leitor... Para tirar fotografias aos azulejos da marca de cervejas que convida a festejar as festas de Lisboa.Não sei se o fotógrafo em questão, estava contratado pela Egeac, pela Carris ou até mesmo pela SuperBock, o que eu sei é que entre a Rua João de Deus e a Rua Ferreira Borges, não se ficou apenas pela fotografia, mas sim pelas várias fotografias que foi captando, intervalando os click's na máquina com a corrida em busca de ângulos e cenários diferentes. E até a corda do trolley foi por si ajeitada para que não sujasse os "azulejos".

E se nos azulejos se pode ler o conselho da marca de cerveja, «Seja prudente. Beba com moderação», é caso para dizer «Seja prudente. Fotografe, mas com moderação». Sem correrias aqui vos deixo a fotografia possível do referido eléctrico, captada com o telemóvel enquanto aguardava a hora de partida rumo à Rua da Alfândega, na carreira 25.



Boas viagens e boas festas de Lisboa!


Fonte sobre o tema azulejos: wikipedia

Da sardinha ao manjerico, na carreira vinte e cinco

Poderia estar a escrever este texto ao som de um dos êxitos do Quim Barreiros, mas para música pimba, basta já o terminal das carreiras 18E e 25E que por estes dias tem também farturas, porras, pão com chouriço e claro a sardinha assada. Falo-vos da Rua da Alfândega, que para muitos é o campo das cebolas ou simplesmente a Casa dos Bicos. As festas de Lisboa já estão na rua e com elas veio também o fado no eléctrico 28 e o cheiro a sardinha assada.

Ainda antes de partir para mais uma viagem aos Prazeres, há tempo para ouvir apregoar o manjerico. E se os gritos do «regar e pôr ao luar» não são os mesmos de outrora, já o cheiro da planta e o vaso de barro juntam-se aos cravos de papel com versos que têm o mesmo encanto, desde os tempos em que pelas ruas de Alfama, com os meus amigos, pedia um "tostãozinho para o Santo António".

Na verdade, se "há festa em Portugal, São os santos populares, Da sardinha ao manjerico, Os cheiros andam pelos ares". Tendas de cerveja espalham-se pela cidade, e do Arraial da Madalena ao Arraial da Bica, passando pelo da Madragoa, o eléctrico 25E lá vai galgando a rua de São Domingos, para delírio dos franceses que, ficam de boca aberta perante a garra com que o velho amarelo ainda sobe o declive de um dos bairros nobres da cidade e que os leva ao encontro do «tram numéro vingt-huit», na Estrela.

Muitos apanhados de surpresa, outros nem tanto. «
Vos fêtes sont fantastiques», diz uma francesa ao mesmo tempo que quer tirar uma fotografia ao eléctrico que por esta altura tem a decoração das sardinhas.

Da Estrela aos Prazeres, a viagem passa num abrir e fechar de olhos, até porque o trânsito é pouco, sinal que muitos já estão de férias. De regresso à R.Alfândega, mais um grupo de turistas e o eléctrico a sair da Estrela bem ao estilo da carreira 28E, ou seja, tipo sardinha em lata. «Não há direito! Pagar um passe para andar em pé», desabafa uma senhora, lá do meio do eléctrico. O burburinho instala-se mas por poucas paragens até porque na maioria são estrangeiros, os que ali se transportam.

O sinal de paragem acende-se acompanhado do tocar da campainha. Sai uma senhora em Santos-o-velho e há portanto lugar para mais um. Na paragem seguinte não entra um, mas três e na Praça do Comércio o que era uma lata de sardinhas, tornou-se numa caixa vazia, como aquelas em que depois do arraial, não resta uma sardinha.

Arraiais à parte, o dia terminou com o «auxiliar do tripulante». Não é oficialmente nenhum cargo novo na Carris, mas apenas um jovem que pelos vistos anda pelos autocarros e que tem o sonho de ser motorista. Conheci-o já de regresso a casa, quando entrei no 794. Depois do meu colega lhe ter dito que era eu o tripulante do blogue, o rapaz que, ao que parece nem gosta muito de ir à escola, não hesitou em perguntar «como é que se faz um blogue? É que quero fazer um do auxiliar do tripulante», na verdade o que ele gosta mesmo é de andar nos autocarros e espera um dia poder contar as aventuras, como faz questão de se apresentar, do «auxiliar do tripulante»...

Boas viagens!

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