quinta-feira, 6 de maio de 2010

Quando estacionar recorde-se que «Portugal não é só seu...»

Já dizia o Herman José em 1991 que «lugar para o carro quase nunca há, mas fiquei escandalizado com tanta falta de chá», na rubrica "Portugal não é só teu", sobre os carros que mal estacionados, impediam a circulação dos eléctricos. Um anúncio do passado com olhar sobre o presente e que nos recorda como o humor pode fazer a diferença e chamar a atenção daqueles que se fazem distraídos, ou que ainda têm muita falta de chá.

Sem dúvida um bom exemplo do que é possível fazer-se com orçamentos baixos e com recurso ao audiovisual.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Mais uma interrupção e mais do mesmo...

E porque as imagens valem mais do que mil palavras, aqui fica a foto da interrupção que tive esta tarde na 25E. Mais do mesmo...

"Hoje, por causa desta carrinha, a carreira 25E ficou parada 30 minutos"...
"Hoje, por causa desta carrinha, dezenas de pessoas chegaram mais tarde aos seus compromissos"...

"Hoje, por causa desta carrinha, dezenas de pessoas esperaram mais tempo que o habitual pelo eléctrico"...

"Hoje, por causa desta carrinha, a viagem seguinte à da interrupção, não pode ser feita na totalidade"...
"Hoje e todos os dias por causa de carros mal estacionados como este, a carreira 25E não consegue fazer cumprir o seu horário em grande parte das vezes"...


Respeite o eléctrico! Seja consciente, e respeite quem usa o transporte público, por uma mobilidade mais sustentável.

Evite ser o protagonista destas imagens. Os utilizadores do transporte público agradecem!


Foto em cima, à esquerda: Tarde de 05/05/2010
Foto ao lado, à direita: Tarde de 30/04/2010


terça-feira, 4 de maio de 2010

Diário de um tenista a bordo dos eléctricos da Carris

Hoje o amarelo da bola com que costuma jogar deu lugar ao amarelo do eléctrico que aprendeu a conduzir. Nas bandeiras de destino, o número 1 anunciava que a bordo ia Federer. O melhor tenista do Mundo, Roger Federer teve hoje um passeio diferente do habitual pelas ruas de Lisboa, nesta sua segunda estadia em Portugal, por ocasião do Estoril Open'10. O número um mundial, treinou esta manhã no Jamor, "mas ainda antes de se dirigir ao Estádio Nacional, percorreu algumas das zonas históricas da cidade de Lisboa aos “comandos” de um… eléctrico! Numa iniciativa conjunta da João Lagos Sports e Carris, o jogador suíço treinou a condução do tradicional eléctrico lisboeta no Museu do Eléctrico, no Largo do Calvário (Alcântara), tendo aí recebido o respectivo diploma pela aprendizagem", diz o site da prova.

O percurso teve início em Santo Amaro, num eléctrico, e terminou no recinto do Estoril Open, num autocarro histórico (de 1952), pertencente ao Museu da CARRIS. No final o tenista mostrou que está habituado a andar de transportes públicos e que é defensor de uma mobilidade mais sustentável.

“Estou bastante habituado a andar de eléctrico, pois costumava viajar desta forma no Inverno quando treinava em Basileia e no verão andava de bicicleta. Daí que não seja totalmente estranho para mim este meio de transporte. O facto de ter passeado num eléctrico antigo e com tanta história, numa cidade que não conheço, tornou a manhã ainda mais agradável”, confessou Federer.

O site da Lagos Sport adianta ainda que após a passagem pela Rua da Junqueira, "Federer viu em primeiro lugar o Museu dos Coches, seguindo-se depois a passagem em frente à residência oficial do Presidente da República, Cavaco Silva, no Palácio de Belém. A mítica fábrica dos Pastéis de Belém antecedeu a paragem em frente ao Mosteiro dos Jerónimos, onde o grupo de alunos do Colégio St. Julians de Carcavelos se alargou a 16 crianças, que daí seguiram pela “mão” do suíço até à Avenida da Torre de Belém, terminando o passeio na Rotunda de Algés. A viagem até ao Complexo de Ténis do Estádio Nacional do Jamor, onde treinou com Leonardo Tavares, novamente no court 13, foi feita dentro de um autocarro, igualmente cedido pela Carris, datado de 1957 (!), que deixou Roger Federer à entrada do Sponsors Village".

Este será portanto, um dia diferente na carreira do tenista Roger Federer que até já pode contar aos seus amigos que conduziu um dos mais antigos transportes da cidade de Lisboa - o amarelo da Carris. Um dia que também será recordado pela Guarda-Freio e restante comitiva que o acompanhou nesta viagem onde Federer recordou a sua infância.

Foto do exterior do eléctrico com Federer aos Comandos: site Carris.pt
Foto do Interior do eléctrico com Federer mostrando diploma: Estorilopen.net

[Off Topic]: Na 80ª Feira do Livro com o ranger das calhas

Mais um ano e uma vez mais o Parque Eduardo VII a servir de palco para a realização de mais uma Feira do Livro. Este ano com algumas novidades entre as quais o facto de ter começado mais cedo e de fechar portas diariamente ás 23h30. Mas as novidades não se ficam por aqui. Segundo a organização a feira está este ano dividida por cores para uma melhor orientação por parte do visitante e cada cor tem uma praça onde diariamente ocorrem sessões de autógrafos e outros eventos.

Mais virada para o Marquês de Pombal, a Feira do Livro de Lisboa, é sempre uma boa alternativa para uma tarde diferente, ou um final de tarde agradável em contacto com a leitura. Este ano a falta de tempo ou o jantar com os amigos também não vão ser desculpa, até porque instalados na feira estão também alguns restaurantes, assim como as roulotes das bifanas e das farturas.

O bom tempo que se fez sentir no fim-de-semana passado, originou a primeira enchente desta 80ª Feira, mas se não foi dos que por lá já passou, ainda tem tempo porque a feira só termina a 16 de Maio. À semelhança do ano anterior, a minha primeira visita a esta edição da Feira do Livro, fez com que não viesse de mãos a abanar, tudo porque encontrei no pavilhão A62 da editora «Assírio e Alvim», o livro "Cem anos a ranger nas calhas" de Eduardo Cintra Torres e a menos de metade do preço, o que fez com que fosse uma boa compra.

Se procura este ou outros livros, então o melhor é mesmo não perder tempo e ir até à Feira do Livro de Lisboa e de preferência com recurso aos transportes públicos dado que na zona envolvente nem sempre é fácil arranjar um lugar para estacionar.

Presente nesta edição da Feira está também um clássico de Lisboa. A carrinha que durante anos percorreu a cidade com a sua Biblioteca Itinerante e com ela um espaço lúdico que permite aos novos e graúdos soltarem algumas gargalhadas com as rábulas que vão sendo representadas.

Tal como no ano anterior, deixo-lhe de seguida as alternativas que tem para se deslocar até à Feira do Livro com recurso à Carris, através das carreiras 718 e 742 no topo norte e ás carreiras 12,22,36,44,48,53,83,702,711,713,720,723,727,738,745 e 746 no topo sul.

Boas Leituras e Boas Viagens!

Foto: Rafael Santos / Imagem do Livro: Wook

sábado, 1 de maio de 2010

Sexta-feira na 25E... com direito a «soirée» na 15E

Quando a semana passa a correr é bom sinal. É prova que o serviço correu sem grandes ocorrências, até porque as interrupções na Rua de São Paulo já são marca registada da carreira 25E. O local é quase sempre o mesmo e quando pensamos que "desta já nos safámos" eis que chegamos aos últimos lugares de estacionamento desta rua para ali ficarmos a tocar a campainha durante alguns segundos na esperança que alguém apareça para tirar a viatura, que se tivesse ficado bem estacionada junto ao lancil do passeio, nenhum incómodo tinha causado.

Mas o desfecho é quase sempre o mesmo... Comunica-se à Central de Comando de Tráfego a interrupção e aguarda-se a chegada do reboque. Entretanto aparecem os que se julgam donos da razão, engenheiros das passagens "Resvés Campo de Ourique", que fazem trinta por uma linha, desde o dizer que «passa com custo, mas passa...», ao ajoelhar e fechar um dos olhos tirando o azimute e dizer que «o melhor é não arriscar, se não é o pai do menino...», contudo estas mesmas pessoas para as quais o eléctrico passa sempre, esquecem-se de um pormenor que é o estribo do eléctrico.

Quando o telefone toca...


Nem sempre são boas as notícias quando o telemóvel toca e aparece no visor o aviso que a chamada é proveniente da Expedição. Ou não vamos ter rendição ou caiu algum serviço à última da hora e estão-nos a ligar para colmatar a falha. A primeira chamada é recusada até porque estava em viagem, já a segunda coincide com a minha permanência no terminal e claro está, como previa, era para me pedirem para fazer um parte de um serviço, no serão da carreira 15E.
Como não tinha nada programado e até tinha levado o meu carro para a estação, acabei por desenrascar o serviço, marcando assim a estreia na carreira 15E e num serão de sexta-feira. Foi-me dado tempo para aconchegar o estômago até porque o serviço só terminaria perto da 01h00, mas apesar de ser sexta-feira, era também fim do mês o que significa que Lisboa parou com as longas filas de trânsito que me roubaram parte desse tempo que tinha.


Mas quando estas situações acontecem, ou tudo corre bem, ou tudo corre mal. Desta vez não correu mal, mas pouco faltou, primeiro porque tive de trocar de eléctrico com o da carreira 12E dado que a roldana saltava na Rua da Conceição e depois porque fiquei sem campainha de alarme, tendo também de trocar de eléctrico e desta feita com um que iria recolher, após serviço na carreira 28E. Tudo contratempos para quem tinha de efectuar a última viagem da carreira 25E e daí seguir para a Praça da Figueira onde iria entrar na carreira 15E.

O serão da 15E


«Passa nas Docas?» foi a pergunta mais ouvida em toda a noite, mas «passa em Santos?», também teve lugar no pódio e isto numa noite em que voltei a fazer um serviço pelo qual muitos morrem de amores, mas pelos quais eu continuo a não ter amor algum por eles... os serões! Ás 21h50 já as garrafas de Vodka iam a meio e escusado será dizer que depois de abertas não podem entrar.

Hoje bebe-se por estilo e não por gosto. A diversão passa por gritar ou meter-se com quem usa o transporte para regresso a casa depois de um dia de trabalho. Contesta-se o preço do bilhete que custa 1,40€, já depois de terem gasto muitos mais euros na bebida. Querem divertir-se à custa de outros até porque muitos não sabem sequer dar valor à vida. Uns compram bilhetes, outros arriscam a multa e se a fiscalização aparece numa paragem sem alguma atracção por perto, o certo é que nessa paragem sai quase toda a gent
e. Até mesmo a jovem que comprou bilhete até ao Cais Sodré e acabou por sair em Santo Amaro, porque a amiga não tinha comprado, talvez querendo ser mais esperta que os outros.

Na 24 de Julho, duas raparigas comentam a viagem rápida pelas calhas. «Isto é tudo em madeira, não fazia ideia... que loucura», dizia uma para a outra que de imediato afirmava que «isto mais parece é a montanha russa», dado o bater do carro em rectas e a respectiva oscilação. Mas afinal tudo vale para chegar ao local desejado, entrar dentro de quatro paredes e ouvir música até às tantas.


Um eléctrico muito à frente...


Quem também queria ouvir música talvez fosse o eléctrico 564, que sem saber como e porquê surgiu na Estrela com uns headphones pendurados no pantógrafo, para meu espanto quando fui alertado por outro colega, tendo mesmo sido motivo de uma gargalhada entre os guarda-freios ali presentes depois de um ter dito de forma irónica, que provavelmente eu tinha «arrancado os headphones a alguém que estava descontraído a ouvir música numa das janelas da Lapa», ainda quando decorria o serviço na carreira 25E.

Como nada mais podia fazer, alertei os colegas da manutenção quando recolhi, a fim dos mesmos poderem retirar os headphones, que mesmo em contacto com a corrente não davam musica nem ao eléctrico nem tão pouco ao guarda-freio :)

É caso para dizer que era um eléctrico muito à frente!...

Boas Viagens!

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Situações que contadas ninguem acredita...

As situações que vão ocorrendo no nosso dia-a-dia, quer seja num autocarro ou num eléctrico e que tenham Lisboa como pano de fundo, são sempre factos que dariam para escrever mais do que um livro, e muitos desses factos, completamente descabidos ou impensáveis.

No decorrer desta semana presenciei mais uns quantos que tão depressa não me irei esquecer. Não porque tenham sido demasiado importantes, mas pelos actos por exemplo da funcionária da Câmara Municipal de Lisboa que com o seu colega decidiram deixar o veículo, (ao qual não sei o que chamar, porque nem é mota, nem é carro nem carrinha) em cima da linha do eléctrico que fazia mais uma viagem dos Prazeres à Rua da Alfândega.


Como em redor não havia lixo espalhado nos passeios, deduzi logo que estivessem no café ali ao lado. Chego o eléctrico um pouco à frente já depois de ter alertado a minha presença com a campainha e verifico que os mesmos estão encostados ao balcão descontraídos a beber umas imperiais. Faltava mesmo só os tremoços, porque não lhes faltou a lata que tiveram para dizerem que só tinha era de esperar «porque se fosse-mos à casa de banho também tinhas de te aguentar...», dizia a funcionária do município, ao mesmo tempo que transmitia uma imagem que não devia de toda uma classe.

Mas esta não foi a única situação parecida. Já ontem, o serviço que tive não dava um livro, mas sim um filme. Porque a chegada à Rua de São Paulo - claro é sempre nesta rua - com destino à Estrela, uma carrinha mal estacionada ainda antes de chegar ao Ascensor da Bi
ca, deixou-me ali parado cerca de 25 minutos, também depois de já ter tocado a campainha insistentemente durante algum tempo, sem sinais de que o proprietário estivesse por perto.

Mas engana-se - como eu - quem pensa que o proprietário estava longe. Depois de ter informado a central da interrupção e ter pedido o reboque, um carteiro dos CTT informa-me que o dono da carrinha era um homem de t-shirt branca que estava encostado à porta de uma loja e que já nos tinha visto até, desde a altura que ali tinha-mos chegado. Descontraidamente dirige-se para a carrinha e pergunta se «não passa por causa da carrinha? Desculpe mas nem tinha reparado que era eu que estava a estorvar...», escusado será dizer que os passageiros que permaneceram dentro do eléctrico só não lhe chamaram santo.


Mas a semana deu ainda para ver os cavalos da GNR em treinos para as comemorações desta força que se comemora em breve (2ªfeira - 3 de Maio), o que acabou por fazer parar a carreira 18E por alguns minutos, sempre agradáveis para ver a força com que os cavalos vencem a colina da Ajuda, para encanto também dos turistas que se transportam no 18E com ideia que aquele é o eléctrico que os leva ao Castelo de São Jorge ou a Belém.

Outros há que até perguntam qual o destino e seguem viagem, porque o que querem mesmo é conhecer Lisboa com a ajuda do eléctrico.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

HeavyTram com fruta à mistura...

Mais uma semana para o historial desta nova etapa na Carris. Sexta-feira, sempre com muito trânsito à mistura e claro está algumas situações que me deixam a pensar "será que isto está mesmo a acontecer?"...

O certo é que em segundos vejo que a realidade é mesmo o que os meus olhos vêem e se numa tarde onde os turistas eram a nota dominante até na carreira 18E, onde vendi mais de 40 bilhetes (algo também fora do normal, nesta carreira que tem dias que surpreendem mesmo quem queria aca
bar com ela), deixaram de o ser logo depois de, já perto do final da tarde, ter chegado à paragem do Cais do Sodré, com destino à Ajuda, e ter na paragem um passageiro com o seu estilo heavy metal apurado, de phones nos ouvidos e o belo do óculo de sol à aviador. De casaco comprido preto e cruz prateada ao pescoço, lá ia fazendo a vénia a quem entrava no eléctrico, deixando-se ficar para último.

Já prestes a retomar a marcha, acaba mesmo por entrar e o som dos seus phones era de imediato audível em todo o eléctrico. «Boa tarde sr. guarda-freio, quero um bilhete s.f.f.», dizia de forma alegre, ao mesmo tempo que a perna acompanhava a batida da bateria. O bilhete rapidamente sai da máquina e num instante pergunta-me se pode ali permanecer encostado à esquerda do eléctrico: «não se importa que vá aqui, pois nã
o? É para apanhar o fresquinho da janela», dizia ao mesmo tempo que voltava a colocar o phone na orelha esquerda e acrescentando que «é uma loucura andar de eléctrico. Muito obrigado por vocês serem honestos e manterem de pé este meu prazer que é andar de eléctrico».

Atrás de mim ia já um senhor com um sorriso e com um pensamento que nem eu quero imaginar. O homem lá continuava a ouvir o seu heavy metal, obrigando-me também a ter de ouvir os decibéis que, eram perceptíveis mesmo para quem não levava nada nos ouvidos. Já na paragem do Conde Barão diz-me que eu devia ter orgulho na minha profissão ("por acaso até tenho") porque ser guarda-freio sempre foi uma profissão que lhe invejou, garantia.


«Mas quando era mais novo o que eu queria mesmo era ser guarda-freio do 28. Ehehe dava mesmo Graça ter os Prazeres de conduzir estes carros, não sei porquê. Não ligue, talvez por causa da manivela não sei», dizia ao mesmo tempo que curtia a música e a viagem no eléctrico. Já em Santos, talvez pelo facto do final de tarde ter arrefecido, decide sentar-se lá atrás e dar também música aos restantes. Os sorrisos pela figura única que ali se transportava, perdoem-me a redundância, eram trocados entre os restantes passageiros e quando chegou à Boa-Hora, despede-se dizendo boa tarde a todos e gritando que «eu gosto de andar de eléctrico e digo a toda a gente, ao contrário de outros. Desculpem mas eu curto mesmo disto!»


Já do lado de fora do eléctrico segue o seu rumo enquanto que alguém no interior do eléctrico dizia que «o homem deve ser é doido!». A verdade é que o homem não se meteu com ninguém, pagou bilhete e ainda curtiu a viagem à sua maneira.

Quem viajou também à sua maneira e na ultima viagem que fiz para a R. da Alfândega foi uma idosa que já a apanhei várias vezes no Calvário e consigo trás sempre uma caixa de fruta vazia. Pede-me sempre encarecidamente para a deixar entrar por trás com a caixa e promete que não estorva ninguém até sair duas paragens à frente. Como o eléctrico ia praticamente vazio, lá lhe autorizei a transportar-se e já depois de acomodar na retaguarda a caixa de madeira vazia, dirige-se ao validador, passou o título de transporte e «muito obrigado senhor condutor. Fica aqui com quatro peças de fruta para o seu jantar, pelo jeito que me fez», ao mesmo tempo que colocava o saco em cima do controller, e escusado será dizer que a senhora ficaria chateada se eu não tivesse aceite. Pessoas de outras gerações com outros hábitos e outros costumes.

São estas e outras coisas que fazem desta profissão única e como alguém disse esta tarde, ser uma profissão digna de se ter orgulho.


quinta-feira, 22 de abril de 2010

Uma carta passageira

Inesperada ou inconveniente. O remetente era uma agência de viagens já o destinatário era muito provavelmente a senhora que entrou na Rua de São Domingos, na Lapa e com destino à Rua da Alfândega, com uma mão cheia de cartas, que mais parecia o carteiro da minha rua, que agora aprendeu a tocar todos os dias na minha campainha, mesmo não tendo correspondência para me entregar.

Durante a viagem o som do rasgar do papel, ia sendo intervalado com o olhar atento e por vezes desagradado da senhora ao ler o que vinha no interior de cada uma, dando a ideia de estar a ver alguma conta da luz, água, ou gás ou porque não do telefone...

Mas viajar, qualquer um gosta, e das duas, uma: ou a carta apresentava também ela, uma conta por pagar ou então era publicidade enganosa. O certo é que chegados ao terminal da R. Alfândega uma das passageiras alertou-me que ali tinha ficado uma carta. Como não estava à espera que alguém me escrevesse, muito menos para o eléctrico, calculei logo que fosse da senhora que tinha entrado na Lapa e tentei ver para onde tinha ido, mas já sem êxito.

A carta estava ainda fechada e assim ficou. Entreguei-a na expedição da estação quando recolhi, mas dispensei o tradicional apregoado "é o correio!", e o mais provável é esta carta "viajar" de novo até aos correios e posteriormente para a morada da senhora.

Depois de uma prótese dentária (ver aqui) esquecida no autocarro que deixou muita gente sem palavras, hoje foi uma carta esquecida no eléctrico, que deixou alguém a falar para o boneco, a menos que a senhora ainda não se tenha apercebido que perdeu aquela carta.


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