terça-feira, 5 de janeiro de 2010

A blogosfera recorda: Proibido Parar e Estacionar, Excepto CARRIS

Falta de civismo, desrespeito, rebaldaria. Estas podem ser três palavras que caracterizam o que se vai vendo por esta cidade, nomeadamente no que diz respeito ao trânsito e ao mau estacionamento, sobretudo nas paragens dos autocarros. Na maioria dos casos, são apenas os passageiros que reparam nestas situações, até porque são eles que pretendem aceder a um transporte que se vê obrigado a parar alguns metros distante do abrigo.

Estas situações, que em alguns casos já foram aqui referidas por mim, seja através dos textos que vou escrevendo, seja através dos recentes vídeos que produzi a bordo de algumas carreiras, mostram a educação - ou falta dela - dos automobilistas que andam pela nosso país. Se necessitam de fazer um pagamento no multibanco, estacionam na paragem. Se precisam comprar um perfume na perfumaria que fica dentro do centro comercial que não tem parque de estacionamento, lá estão eles a deixar o carro no recorte da paragem. Se há mercadorias para entregar, lá deixam as carrinhas... na paragem.

Então e nós que queremos apanhar as pessoas que estão á nossa espera na paragem, paramos onde? A pergunta só pode ter como resposta, a faixa de rodagem, estorvando os restantes utentes da via. Tudo graças aos senhores e senhoras que se julgam donos de tudo e de todos e que quem vier atrás se desenrasque. Já nem a buzinas ligam, quanto mais a sinais de luzes.

Outros há que podem pensar que tudo isto não passa de uma implicância da parte dos motoristas, mas o certo é que o principal prejudicado é o utente dos transportes, numa altura em que se incentiva cada vez mais ao uso do transporte público. Já imaginou um idoso ter de subir um degrau do autocarro quando este poderia estar mais baixo se tivesse parado junto ao lancil do passeio?

Mas nem sempre são apenas os motoristas e os passageiros que dão conta destes problemas. Na blogosfera encontram-se posts que abordam estes problemas, que em alguns dos casos, se forem multados «cai o Carmo e a Trindade», e é precisamente num blog com este título que encontrei uma larga referência ás paragens dos autocarros em Lisboa e ao estacionamento abusivo por parte dos automobilistas. A pergunta que se coloca é: Qual a solução?

Em OCarmoeaTrindade.blogspot.com são apresentadas imagens de paragens que se situam bem no centro da cidade, na Avenida de Roma e que são constantemente utilizadas como estacionamento para quem ali vai ás compras. O autor do blog chega mesmo a publicar imagens das viaturas mal estacionadas e com a policia a passar por perto sem nada fazer, como refere o post intitulado Carris - I

Mas a tentativa por parte de alguns motoristas em fazer ver a estes senhores que estão a estorvar também foi provada pelo «Carmo e a Trindade» no post Carris - II, mas nem sempre as coisas correm de feição. Se uns até pedem desculpa, outros há que se estão nas tintas para o que diz quem vai ao volante do autocarro ou até mesmo os passageiros como se pode comprovar através das imagens que são publicadas num outro texto do autor do blog, em Carris - III.

Carlos Medina Ribeiro é um dos que contribui para o blog que mostra estas situações com que nós motoristas nos deparamos diariamente e até pergunta a certa altura, quantas são as viaturas de vigilância Bus, dando a querer entender que ainda há muito para fazer neste campo, como provam as imagens que acompanham este texto.


Mas quem também não deixa passar esta questão em branco é o blog de quem quer andar a pé. O blog PasseioLivre.blogspot.com diz que surgiu para «clamar pela consciência cívica dos condutores e dar aos indignados uma ferramenta para expressarem legalmente a sua indignação, não pretendendo de forma alguma apelar a qualquer tipo de dano nos veículos infractores», e se em grande parte dos assuntos aqui debatidos são a ocupação indevida dos passeios, o certo é que quem anda a pé utiliza também o transporte público e como tal sente-se lesado pelos senhores que estacionam nas paragens.

O «PasseioLivre» mostra através de um post recente «um novo paradigma no apoio aos transportes públicos» e nele estão contidas também imagens desse mesmo problema - a ocupação das paragens por outros veículos que não, os transportes públicos.
n.d.r.: As imagens apresentadas foram retiradas dos blogs referidos no texto e são da respectiva responsabilidade dos seus autores.

domingo, 3 de janeiro de 2010

Quando as dores afectam a audição, a explicação torna-se complicação

Quem ainda acredita que esta profissão de motorista não tem interesse nenhum, está profundamente enganado. Quais são as profissões que permitem que durante o seu período de trabalho se veja e aprenda uma eternidade de coisas? Poucas ou quase nenhumas! Mas ser motorista de um autocarro, numa cidade como Lisboa, permite-nos ouvir histórias do arco da velha, constatar através de alguns passageiros, as consequências que faz uma solidão e em alguns casos ser o muro de lamentações de muitos que não têem com quem desabafar.

Por muito que por vezes se tente manter uma certa distância, a porta da banqueta serve de apoio a uma conversa, que em alguns dos casos é "arrancada a ferros" pelo passageiro. Outros há que ocupam as cadeiras até ao terminal, para ali saírem e voltarem a entrar para regressar ao ponto de partida. São viagens que servem para passar o tempo, nem que seja, apenas para sair de casa.

Mas engraçado nesta profissão, é também o facto de passado algum tempo, adivinhar-mos algumas das reacções e objectivos dos passageiros que vamos transportando. A certa altura entramos num estilo «piloto automático» e já sabemos que aqueles que dão passagem aos restantes passageiros, na paragem de Alcântara, por exemplo, tem apenas como objectivo, criar uma barreira para que entrem à borla, como se o motorista nada percebesse. Sentem-se naqueles momentos, como os grandes artistas se sentem quando cativam o público nos seus espectáculos, mas com uma diferença: o olhar de esguelha, para ver se o motorista é assim tão distraído.

Hoje por exemplo, quem parecia estar algo distraído, era o senhor que entrou na paragem da Casa Pia, com destino ao Bairro Madre Deus e que originou mais um daqueles diálogos que parecem por á prova o motorista, se não vejamos...

Passageiro com o seu sotaque alentejano e já na casa dos 70 anos entra no autocarro, dando as boas tardes, mostrando que ainda é de outras gerações e diz que pretende ir para o Bairro Madre Deus.

Motorista: «Então, acertou em cheio no autocarro. É só sentar-se (dado que já tinha validado o título de transporte) e esperar pela última paragem...
Passageiro: «Não senhorii. Eu quero a penúltima, porque moro no Largo da Madre Deus há pouco tempo, sabi?»
Motorista: «Ah então é da zona...»
Passageiro: «Mas o que eu queria, era que o meu amigo me disséssi era qual a camioneta que devo apanhari p'ra ir jantariá Rua de São Paulo, na volta do regresso.»
Motorista: «Então apanha o primeiro que aparecer. Se for o 742, desce aqui no Museu do Azulejo e apanha o 794. Se for o 759 a aparecer primeiro, pode descer na P.Comércio, ali perto da estação dos barcos e apanhar o 794 que é o que lá passa...»
Passageiro: «Mas não ta compreendendo? Eu só quero apanhar quando for jantar, mas não sei é qual é que vai daqui para lá.»
Motorista: «Directo, o senhor não tem nenhum. Tem sempre de apanhar dois e é os que já lhe disse».
Passageiro: «Então é o 742 que me leva até lá né verdadi?»
Motorista: «Ou o senhor não ouve bem o que lhe digo, ou então expliquei-me mal...»
Passageiro: Não. Sabe é que eu tenho uns problemas... Vou ser operado a uma hérnia e amanhã vou ao hospital... Mas então é o 794, é isso?»

E lá lhe tive de explicar de novo como haveria de fazer para chegar onde pretendia. Lá entendeu e pediu desculpas, mas como fez questão de repetir, estava com uns problemas porque ia ser operado a uma hérnia.
Como se não bastasse este discurso, com o qual até eu fiquei baralhado, com o facto como umas dores de uma hérnia tiram qualquer um do seu estado normal, ainda tive de levar na viagem imediatamente a seguir com um grupo de jovens que entraram no Calvário e decidiram por-se aos berros uns a favor do Benfica e outros do Sporting. E como berros é algo que já vai sendo hábito na 742, o resultado só poderia ser acabado o serviço completamente cansado e com uma forte dor de cabeça.

Foi mais um dia e amanhã logo se verá como será. Boas Viagens!

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

O primeiro dia do ano com «ídolo» da carreira 12

De Miraflores, mais precisamente do colega e amigo, Marcel Mazoni chega-me o relato do primeiro dia de 2010 na carreira 12. Como é habitual nestes dias de Feriado, encontra-se um pouco de tudo e de tudo, encontra-se nada. As superfícies comerciais fecham portas, cafés e lojas apresentam-se de grades corridas. As famílias juntam-se em casa para o almoço ou para o jantar e nas ruas, restam os que têem de se deslocar para o trabalho, ou os que não têem família e que procuram alguma companhia e distracção.

Em certa altura da conversa que mantive com o Marcel, percebi que este seu relato do primeiro dia de trabalho na carreira 12, em 2010, merecia aqui referência, porque este blog, não só retrata o meu dia-a-dia, mas como o de todos os tripulantes da Carris. Á semelhança do que acontece comigo com a carreira 35, também o Marcel tem a sua preferida e é nada mais nada menos que a carreira 12 que liga Santa Apolónia a Alcântara-Mar (Museu Oriente).

Entre estes dois pontos, já vão havendo caras conhecidas. Umas mais simpáticas que outras, mas umas sem dúvida, mais marcantes, seja pela simpatia ou pela boa disposição. Entre os passageiros habituais desta carreira está o «velho do rádio» e que foi o seu primeiro passageiro deste ano de 2010.

Frequentador assíduo das carreiras 12, 794, 28 e 750 («que eu saiba», diz o Marcel), é célebre por trazer sempre consigo uma cadeira para esperar pelo autocarro, não vá estar a paragem ocupada. Mas com ele vem também o seu rádio a pilhas, através do qual insiste em ouvir sua música em "alto e bom som". Não gosta de se sentar noutro lugar do autocarro, que não seja a "cadeira do co-piloto".

Mas com o «velho do rádio», os motoristas da carreira 12 já sabem que têem conselhos a seguir do então co-piloto. Frases como "cuidado com a direita!", ou quando está de chuva: "devagarinho, que isso tá de chuva e a pedra é quadrada...", já vão sendo conhecidas. E esta manhã quando o Marcel, preparava-se para tirar uma foto ao autocarro que conduzia neste primeiro dia de 2010, eis que o senhor do rádio, pedia que lhe tirasse também uma fotografia. O resultado é a fotografia simpática que anexo e que é da autoria do Marcel, que gentilmente cedeu para o «Diário do Tripulante».


Ao Marcel Mazoni e ao Sr.Carlos ("velho do rádio"), aqui ficam os votos de um excelente 2010!

n.d.r.: História e Fotos, gentilmente cedidas por Marcel Mazoni (motorista afecto á estação de Miraflores). Texto de Rafael Santos

Bem-vindo 2010: Da cantina dos coveiros na 79, aos "Ferrero rocher" na 35!

2009 já lá vai e é tempo para o habitual balanço do ano. A título pessoal, este ano que ontem terminou, depois de mais um serviço na carreira 5, ficou marcado pelas entrevistas inesperadas, que dei a Revistas, Jornais e Rádio e que foram as principais fontes de divulgação de um blog que começou por mera brincadeira, mas com um objectivo sério e estudado - dar a conhecer o dia-a-dia de um motorista e/ou guarda-freio da Carris. As dificuldades que se encontram diariamente, o contacto com o público e um serviço que embora possa parecer fácil, tem muito que se lhe diga.

Ao todo, o blog «diário do tripulante», contou em 2009, com 206 post's com histórias, sugestões, vídeos, reportagens, e alguns desabafos. Em 2010 poderão ser mais ou menos, tudo dependerá da disposição, do interesse de quem o lê, mas claro tudo dependerá ou não, das histórias que poderão surgir, quer seja a bordo de um autocarro ou de um eléctrico, mas todas elas com Lisboa, como pano de fundo.

Quanto ao final do ano, lá me safei de um serviço na passagem do ano e celebrei junto da família, a chegada de 2010. A tarde foi passada a levar para casa os restantes passageiros que aos poucos iam deixando os seus empregos. Mas já depois das 18 horas, Lisboa ficou quase deserta, à semelhança da noite de Natal. Quanto à meia-noite propriamente dita, não deu para grandes festarolas, até porque o serviço deste primeiro dia de 2010, tinha início marcado para as 7h15.

Carreira 79 em dia 1 de Janeiro, já se previa que ia ser bastante calma, sobretudo porque não havia Junta de Freguesia aberta, nem Posto Médico, nem tão pouco o Spácio Shopping, embora este último tivesse clientela, se estivesse de portas abertas. Entre a viagem das 7h30 e das 10h00 não transportei um único passageiro, embora tivesse feito uma paragem pelo meio, mas haviam mandado parar apenas para saber se já tinha visto algum café aberto.

Uma pergunta tão irónica, como o passageiro que já perto do início da tarde tinha entrado no autocarro, para ir até ao Cemitério. Dizia-me que ia acender uma vela pela sua falecida esposa, e que aproveitava para ir á cantina dos coveiros, a ver se poderia beber um café, porque na bomba da Galp era em copos de plástico... Entre beber um café num copo de plástico e ir beber a um cemitério, venha o diabo e escolha, mas eu escolheria certamente o copo de plástico.

Bem e terminado o serviço na 79, rumei até ao Areeiro, para fazer um extra na "minha" 35, dando assim as boas vindas a 2010, com 6 viagens naquela que para mim é a carreira mais "porreira" da minha estação. Entre votos de um bom ano e rever alguns passageiros que há muito não via, em cinco horas tive ainda direito a uma oferta. Se no ano passado, neste mesmo dia, me tinham oferecido um relógio, já hoje a oferta, foi mais doce, com um pack de três «Ferrero Rocher». Terei sido eu um Ambrósio? (risos)

Ofertas à parte, o primeiro dia do ano já está passado, e ao que parece nem foi nada fácil para os colegas que estiveram de serviço na Rede da Madrugada, com os habituais excessos de passageiros mais irresponsáveis. Por estas e por outras razões, esta continua a ser a noite mais problemática do ano para se trabalhar.

Amanhã há mais. Boas Viagens!


quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

[Off Topic]: «Os outros lisboetas», numa excelente reportagem TVI

Até aqui tenho trazido alguns episódios e histórias muitas delas com os lisboetas, como principais intervenientes, nas suas viagens a bordo dos autocarros e eléctricos da Carris, por esta cidade magnífica que é, Lisboa. Umas mais engraçadas que outras. Algumas até inéditas e impensáveis, mas nesta Lisboa o que não falta é História. Foi aqui que nasci, foi aqui que cresci e é aqui que gosto de estar. E razões não faltam, para provar esta minha paixão por Lisboa.

«Lisboa foi distinguida em três categorias nos World Travel Awards. É o melhor destino europeu, a melhor cidade europeia para uma escapadela e, ainda, a melhor cidade destino de cruzeiros.» A TVI, e a equipa do "Repórter TVI" durante várias semanas, tentou «redescobrir a cidade que D. Afonso Henriques conquistou em 1147. Tantos séculos depois, encontramos uma Lisboa livre e humana. Uma Lisboa do povo, que aqui e ali, regista momentos e retratos de outros tempos. Quem são afinal estes outros lisboetas e porque resistem eles à história contemporânea?»

A resposta está numa excelente reportagem da jornalista Conceição Queiroz, com imagem de Ricardo Ferreira, montagem de Miguel Freitas e grafismo de Ricardo Rodrigues, que passou na passada segunda-feira, após o «Jornal Nacional». Uma reportagem que destaco e que trago até aqui, para que, quem não viu, veja agora como era a Lisboa de outros tempos e a Lisboa actual. Das ruas estreitas e casarios, aos eléctricos, com os «outros lisboetas» que também fazem desta cidade um dos principais destinos do Mundo.

Clique na imagem para ver o vídeo. Se quiser comentar esta reportagem sobre Lisboa, faça-o através do site TVI



Foto: Rafael Santos / Link: tvi.iol.pt

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

De olho na net... e na Carris de outros tempos

Do passado ao presente, há pela Internet, centenas, se não milhares, de vídeos e fotografias que mostram a Carris que temos hoje a a que existiu no passado. Imagens nostálgicas para alguns, ou até indiferentes para outros, mas todas elas com um misto de história que nos reportam a tempos passados e a uma Lisboa de outros tempos, a Lisboa dos nossos pais e avós.


Há uns tempos lancei aqui no blog este olhar pelo mundo da World Wide Web e aqui vos deixo mais um video que encontrei, desta feira da autoria de Filipe Fernandes e que data de Agosto de 2009, com recurso a diversas fotografias de diversos autores, acompanhado do som de Leona Lewis.


É um retrato de uma viagem no tempo do passado até aos dias de hoje que vale a pena recordar.





n.d.r.: O vídeo apresentado é da responsabilidade do seu autor e está disponível em http://www.youtube.com/
Foto: Autor Desconhecido / Video: Filipe Fernandes

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

2 Anos, 7 Meses e 20 Dias depois... o primeiro «Crash»

E pronto! Terminou assim mais uma semana que, além de ter custado a passar, teria de ficar a saber o que é preencher uma Participação Amigável de Acidente Automóvel, 2 anos, 7 meses e 20 dias depois de ter entrado ao serviço na Carris. Estava na hora errada, no lugar errado e na carreira errada!

O piso molhado até poderia ter sido a causa do acidente, mas a condutora do veículo que neste início de tarde, me abalroou o pára-choques traseiro do 1624, em Alcântara, de imediato atribuiu as culpas á sua distracção.

A condutora em questão, deu-se de imediato como culpada, e fez questão de dizer que era o seu primeiro acidente. Assim sendo já somos dois, dado que este é o primeiro acidente que tenho desde que entrei na Carris. Embora sem qualquer culpa no acidente, também eu fiquei um pouco chateado com o sucedido, embora sejam coisas que só acontecem a quem anda na estrada.

O carro da senhora, não teve danos além de uma raspadela, já o mesmo não se pode dizer do 1624 da CCFL, que vai ter de recorrer ao "posto médico/oficinal". Feita a participação, resta agora prosseguir com os procedimentos habituais e esperar que me descaracterizem o acidente, até porque eu já tinha saído da paragem e aguardava luz verde do semáforo, para prosseguir a minha viagem até á Universidade da Ajuda.

Destaque para a prontidão de um colega e de uma passageira que se ofereceu para ser testemunha, algo inédito nos dias que correm. Todos os restantes, abandonaram de imediato o autocarro. No resumo do dia, basta dizer que fiquei bastante aborrecido com o sucedido, que acabou por me estragar a hora do almoço.

Para a semana espero que corra melhor. A todos votos de boas viagens a bordo dos veículos da CCFL e Boas Festas!

domingo, 27 de dezembro de 2009

"BlackFriday, BlackService! Só na 718!"

"BlackFriday, BlackService! Só na 718!", este poderia ser sem dúvida, o slogan para concorrer com o da campanha lançada pelo El Corte Inglês, para este fim-de-semana, com a respectiva promessa de preços loucos, «nos saldos nunca vistos» como dizem os responsáveis por esta superfície comercial, que utilizou esta ideia vinda dos Estados Unidos, para incentivar ao consumo numa época onde habitualmente o volume de vendas é baixo.

Depois da azáfama em vésperas de Natal, este fim-de-semana foi a correria a São Sebastião e o que ali se viu foi uma autêntica "palhaçada", desculpem-me o termo. Mas se tiver-mos em conta que «depois do Imperador Diocleciano saber que São Sebastião não morrera após o lançamento das suas flechas, mandou-o prender novamente e São Sebastião foi martirizado no circo até á morte» (in «A vida dos Santos»). Ora também aqueles que hoje foram ao El Corte Inglês, martirizaram os autocarros que nem nas paragens conseguiam encostar, muito graças ao mau estacionamento provocado por suas excelências - os loucos pelos saldos.

Passeios, passadeiras, paragens... tudo servia para deixar o carro e correr em direcção ás portas que dariam acesso a um consumo, muitas vezes desnecessário, sobretudo nos tempos que correm onde a palavra crise está na ponta da língua do povo. A pergunta do dia foi sem dúvida «passa no corte inglês?» E outros até pensavam que os saldos começavam logo ali no 718.

Na paragem após a mitra, no Poço Bispo e em direcção ás Amoreiras, um grupo de ciganos romenos com a sua catrefada de putos atrás, aproveita o embalo dos restantes passageiros para entrarem no autocarro. Todos eles bem ensinados, com o habitual gesto em direcção ao validador, na tentativa de enganar o totó do motorista, porque eles é que são todos os espertos, mas cansado de tanta borla... "Desculpem lá, mas os vossos títulos não deram sinal na máquina. Não se importam de voltar a validar?..." e lá veio a resposta do costume «a máquina está avariada...», e depois de dizerem que era só até ao Lidl, eis que lá sugeri que se era só até ao Lidl também podiam ir bem a pé.

Como se já não bastasse tudo e mais alguma coisa vir aqui parar, ainda tinha de os transportar á borla e com um mau cheiro que aposto, dificilmente iria sair do autocarro. São uma autêntica peste estes tipos, e se tivermos em conta também que São Sebastião é «o santo invocado contra a peste», estava tudo em família, numa carreira que até se faz bem durante a semana, mas que com os preços loucos que o El Corte Inglês promete, deixa qualquer motorista louco para terminar um serviço.
Amanhã termino a semana! E como diz o colega e leitor habitual do blog, a todos «Boas Viagens a bordo dos autocarros e eléctricos da CCFL»

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