E lá diz a gíria popular no que a comparações diz respeito, que «ou é 8 ou é 80» e se há muito que não era escalado na carreira 56, hoje foi a segunda vez esta semana. Primeiro estranha-se, depois entranha-se e quando se chega perto do final do serviço e pensamos que até parece mentira ninguém ter entrado a reclamar com alguma coisa, eis que chego á paragem do Campo Pequeno com destino às Olaias e um passageiro mal mete o pé no interior do autocarro, desabafa logo em jeito de revolta...«Não temos o direito como passageiros de saber para onde vai o autocarro?», perguntava-me o senhor, pensando eu que já ia uma vez mais, ouvir que a mensagem do "Feliz Natal" poderia aparecer ao lado do número da carreira e não substituindo-o, mas eu estava profundamente enganado. «Os senhores deviam ter a obrigação de informar os passageiros quando o percurso muda!», exclamava. Mas chegava a altura de eu tentar perceber ao que se referia, e lá lhe disse: "Em primeiro lugar BOM DIA!, depois, não consigo entender onde o senhor quer chegar... É que o percurso desta carreira está igual", disse-lhe.
«É que apanhei um autocarro 56 nas Olaias e o seu colega chegou ao Areeiro e virou para a direcção do Aeroporto e eu queria vir para o Campo Pequeno. Sei que a culpa não é sua, mas tenho de reclamar com alguém!», e como o jeito em que falava, não era de todo o mais educado, respirei fundo e já depois de lhe ter explicado que não era certamente comigo que teria de reclamar, informei que o mais provável, era o autocarro em questão, estar a recolher à Musgueira, tendo também nestes casos, o passageiro de ter atenção ao destino que está na bandeira, e a resposta do senhor foi nem mais nem menos que «pronto, mas já vi que vocês têem sempre razão e ainda ficam chateados só porque não lhes digo Bom dia...», e não temos razões para tal? , pergunto eu.
Basta pensar que nas nossas mãos estão os destinos de milhares de pessoas que se cruzam diariamente, e que não é certamente com «apedrejamentos» de falta de respeito que obtêm um excelente serviço prestado porque, por muito que o motorista consiga abstrair-se das situações, gera sempre uma revolta interna. E não me admira que a revista TimeOut na sua edição desta quarta-feira tenha destacado na sua rubrica «Amamos & odiamos» da secção Grande Alface, os condutores de autocarros.
A revista que aborda "tudo o que há para fazer em Lisboa", ama ver «os condutores de autocarro que se cumprimentam na estrada», até porque em grande parte dos dias são mais as vezes que recebemos a saudação e o cumprimento de um colega que se cruza à distância, do que um simples "bom dia" ou "boa tarde" dos milhares de passageiros que transportamos no dia-a-dia. Por estas e por outras razões, irei como até aqui, contribuir para que a TimeOut continue a amar ver os motoristas cumprimentarem-se.
E porque não há uma sem duas, nem duas sem três, referir que iniciou-se hoje a campanha já aqui referida anteriormente apelidada de «Carris Presente», inicialmente dirigida aos tripulantes e que em breve será alargada ao público em geral. Ao recolher, cheguei junto da árvore de Natal da estação da Musgueira e tirei um dos ursos que a decoram e que indicam quais os bens que podem ser dados para quem mais precisa. Lê-se no urso que «todas as ofertas recebidas serão entregues ao Banco de Bens Doados e à Entreajuda, para que quem mais precisa possa sorrir este Natal». Em breve lá deixarei a minha contribuição...Boas Viagens e Boas Festas!




