Quando o telemóvel toca perto da hora de render, só há dois cenários possíveis à partida. Ou o autocarro avariou, ou enganei-me a tirar o serviço. Mas como esta segunda hipótese em grande parte das vezes basta ocorrer uma vez para se abrir bem a pestana, hoje quando o telefone tocou, só pensei que o autocarro deveria ter avariado.Pois como já aqui foi dito, os carros são como as pessoas e para avariarem, basta estarem bons. O de hoje não avariou, mas furou um pneu. Estava no Areeiro e lá tive de apanhar uma boleia para ir render o colega ao Relógio. Começava assim o dia de trabalho.
Troca de carro feita na estação da Musgueira e o resto do serviço lá se fez com grande normalidade, apesar da forte chuvada que caiu esta tarde em Lisboa. Já na ultima viagem e quando pensava já na hora em que o 17 passava à porta da estação para me trazer para casa, porque hoje não tinha levado o meu carro, eis que surge uma chamada da central. Mau presságio!
«Sr.Motorista, precisava de um grande favor seu. O autocarro da 25 que faz a ultima viagem do Prior Velho, não pega. Não se importa de ir lá fazer a viagem, uma vez que já está a chegar á (22)Portela e ia recolher?....», de imediato vi que o jogo mental que tinha feito com o horário da 17 tinha ido por água abaixo.
“Ok, colega eu vou lá fazer a viagem...”, até porque ainda tinha um 17 depois do que estava previsto apanhar e só depois passaria a ser de 30 em 30 minutos, pelo que como era só uma viagem, a mossa não era muito grande.
Já no regresso a casa e quando vinha à conversa com outro colega, pensando que já ficariam por ali os episódios de hoje, eis que surge alguém no 17 que embora a hora tardia e o pouco movimento de passageiros, estivesse com receio de não ter lugar sentado.
O passageiro lá entrou com a cadeira na mão, provando que quando menos se espera os insólitos aparecem. Hoje foi a cadeira de alguém que não queria viajar de pé e que acabou por gerar alguns sorrisos nos restantes passageiros, mas outrora já foram sanitas, televisões, entre outras coisas mais. Comigo ao volante ainda não me apareceu nada do género, mas já ouvi colegas a contar que até um frigorífico já quiseram transportar na carreira 79, durante uma mudança de alguém que recorreu ao autocarro para se mudar.
Obviamente que tamanho objecto foi recusado, já os outros por vezes torna-se complicado, porque o motorista é de imediato acusado de repressão social entre outras coisas mais. Mas o certo é que um autocarro é um transporte de passageiros e não de mercadorias, embora em algumas situações, alguns passageiros são mesmo a mercadoria mais perigosa, passe a redundância.
Boas Viagens!












