sábado, 31 de outubro de 2009

Na 35 e de olho nas castanhas...

Se no verão custa estar a trabalhar e ver alguém a entrar com um gelado na mão, já no Outono é o cheiro a castanha assada que vem daqueles assadores à moda antiga que nos faz abrir o apetite a cada vez que se abre a porta e o pior mesmo é se alguém se lembra de entrar com elas na mão. Há um ano atrás (aproximadamente), recordo-me de ter aqui abordado o tema das castanhas, por ocasião da prótese dentária que havia encontrado esquecida no chão do autocarro, mas hoje não resisti mesmo ao cheio que invadia o autocarro no terminal do Hospital de Santa Maria.

O dia de São Martinho é só dia 11 de Novembro, mas uma boa castanha assada come-se a qualquer dia e se já a meio da tarde havia transportado centenas de pessoas com compras e até frango assado para o jantar, também eu fui fazer o gosto á barriga e comer meia-dúzia de castanhas compradas ali na porta do Hospital durante os 7 minutos que tive de "almofada" entre a chegada e a partida. "Caíram que nem ginjas", como se costuma dizer e se por lá passarem, podem comprar porque eram das boas e nem uma trazia lagarta (risos).
Hoje é também dia das Bruxas e não podia faltar a bordo do autocarro alguém que faça parte do grupo de pessoas que querem fazer deste dia mais um Carnaval. Elas vestidas de bruxas e eles de Dráculas, vale tudo para chamar a atenção e houve mesmo quem conseguisse arrancar-me uma gargalhada com um daqueles óculos fundo de garrafa que ao entrar lá foi dizendo em jeito de brincadeira: «Que autocarro é este? É que... cada vez vejo menos sabe! E com esta coisa do www...»

E assim foi a última viagem deste dia na carreira 35 onde aproveitei também para visitar, ainda antes de entrar ao serviço, a exposição comemorativa dos 120 anos da Linha de Cascais que está patente na estação do Cais do Sodré.
Amanhã termino a semana, que diga-se tem custado a passar. Haver vamos como corre!
Boas Viagens!
Imagens: Rafael Santos / Mascarilha.pt

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

A surpresa de uns é a inquitação de outros na 738...

Grande parte dos passageiros quando pretendem apanhar um autocarro, regem-se apenas pela carreira e muitos são os que nem lêem o destino. Contudo, outros há que até se o autocarro for diferente do habitual notam logo. A surpresa de uns acaba no entanto por ser a inquietação de outros que ao abrir da porta estranham logo uma divisória que não estavam habituados a ver. Andar com um autocarro dos novos na 738 ainda que em extraordinário, é também motivo para se estranhar, mas há falta de outros...

A rapaziada que esta manhã apanhei ali na paragem de Entrecampos, teceu logo grandes elogios ao novo autocarro e até a bandeira colorida de destino comentavam enquanto entravam. Outros validavam o seu titulo de transporte, olhando estranhamente para a cabine de protecção ao motorista, talvez pouco habituados a andar em carreiras nocturnas.

Houve também quem fizesse um compasso de espera num jogo mental do «entro, não entro; entro não entro...» até que se decidiu a entrar e dizer "isto agora é muito fino...", esboçando um caloroso sorriso matinal, numa manhã com forte neblina na cidade.

Chegado ao Alto de Santo Amaro, era altura de regressar ao Marquês de Pombal e duas paragens bastaram para que na Rua Luís de Camões, uma senhora ter dito que "maçada esta aqui no meio que não faz sentido nenhum, credo! Nem para entrar dá jeito senhor!", mostrando-se bastante inquietada com a divisória de vidro que prende quando aberta, a porta da cabine.
Não estava a senhora certamente habituada a ver um autocarro com tanto apetrecho, sendo de imediato esclarecida também por um passageiro que satisfeito dizia "este é dos novos minha senhora. Não se nota logo?! Ainda cheira a novo...", mostrando que foi uma manhã onde na 738 poderia bem ter sido gravado uma edição do «Prós e Contras» da RTP.
Foto: Pedro Almeida

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Menos um carro... melhor ambiente!

Já imaginou a nossa cidade como está na foto? Autocarros, Eléctricos e Bicicletas. Esta imagem foi retirada este sábado na Baixa de Lisboa e é a imagem que se pretende para ajudar a cuidar do ambiente e nesse sentido, a Carris lança esta terça-feira o projecto «Menos Um Carro», um projecto que se traduz num Movimento a favor de uma mobilidade mais sustentável. Segundo o site oficial do movimento, «O objectivo consiste em convidar cada pessoa a repensar a necessidade de utilização de viatura particular na cidade, dadas as alternativas e argumentos assentes na sustentabilidade.
Cada um deverá desejar ser Menos Um Carro! Porque é um Ser mais consciente. Mais cívico.


A ideia nasce na Carris, empresa de transporte colectivo de passageiros que serve a Grande Lisboa, e intui uma sinergia de esforços, articulando o empenho de diferentes entidades, no sentido do alerta e da sensibilização para a mudança de atitudes e comportamentos no que respeita à realidade do tema.

Neste sentido, é criado este ponto de encontro online onde pode aceder a toda a informação no sentido de conhecer o porquê da urgência de uma mudança e perceber quais os reais benefícios em optar por uma mobilidade mais sustentável, quer seja do ponto de vista ambiental, do social, como do económico.»

Como lisboeta que sou quero respirar um ar cada vez melhor nesta cidade. Como motorista da Carris sinto também, que cada vez mais, os transportes têem a sua vida dificultada pelo excesso de carros que diariamente circulam na cidade e nesse sentido já me associei a este movimento, através do site http://www.menosumcarro.pt/ e já calculei o meu Indíce de Mobilidade Sustentável cujo resultado foi:

"O Seu IMS é de: 80
Já está sensibilizado e toma medidas concretas que tornam a sua mobilidade mais sustentável.Está de parabéns e deve continuar a progredir no sentido da máxima mobilidade sustentável possível.Obrigada pelo seu contributo positivo.Contamos consigo para passar a palavra a quem lhe está próximo.Juntos somos mais fortes, e fazemos TODA a diferença. "



Adira você também e calcule o seu IMS. Boas visitas e Boas Viagens!

Foto: Rafael Santos / Video: Menosumcarro.pt

domingo, 25 de outubro de 2009

«Lisboa Eléctrica II»: Viagem pelas colinas com a carreira 28E

Inaugurada em 1914, esta é ainda hoje a «jóia da coroa» da rede de eléctricos de Lisboa. É já património de Lisboa e conhecida em todo o mundo. Partindo do Martim Moniz, esta carreira começa por subir ruas, passa por largos e por estreitos, sobe e desce colinas e sempre cheio até á porta. Na Graça quase esvazia para quem quer ver o Tejo do topo da colina, mas num instante volta a encher para levar turistas ao Castelo ou para levar a passear aos Prazeres quem aproveita uma tarde de sol na capital.

Veio substituir as carreiras 10 e 11 que eram carreiras de circulação da Graça e que circulavam em sentidos opostos e é hoje a mais procurada. É a par da carreira 12, a que circula com trolley e onde não é permitido o uso do pantógrafo, dado o seu percurso sinuoso. É a minha carreira preferida da Carris e como tal também aqui merece destaque com este segundo vídeo desta rubrica «Lisboa Eléctrica»...


Boas Viagens!

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Mais que 108 razões para detestar esta carreira...

Acabo mais uma semana de trabalho que poderia ter sido porreira, se não tivesse sido tão cansativa e sobretudo se não tivesse tido uma sexta-feira como a de hoje na carreira 108. A manhã foi na 738 e passou num abrir e fechar de olhos, já a tarde foi uma eternidade para chegar à noite e com muitas razões para detestar a carreira em causa, diria mesmo, mais que 108 razões...

Primeiro a festa nas Galinheiras para meia-dúzia de "gatos pingados" que tomaram conta dos terminais das carreiras 106 e 108, na presença da PSP e com devido conhecimento da Carris, depois o autocarro com que andei que embora ainda cheire a novo (se bem que na 108 nem se sente o cheiro a novo), acabou por me cansar sobretudo psicologicamente porque já se encontrava com algumas avarias, algo que no meu ponto de vista deve deixar a Volvo envergonhada, porque não se justifica um carro acabado de chegar apresentar as anomalias que se têem verificado. Sorte a da Carris que os mesmos ainda estão na garantia.

Ainda sobre estes carros, dizer que têem um excelente posto de condução, com uma cadeira confortável e sem dúvida que a cabine ajuda sobretudo em carreiras como a 108. O pior é os botões que há espalhados pelo autocarro, que aliciam aqueles que nada fazem durante o dia, se não chatear o motorista, carregando nos botões de emergência, solicitando rampa de deficientes e tudo o que se possa imaginar. E como o dia foi bastante cansativo, vou ficar por aqui e aproveitar o fim-de-semana para recuperar as energias que foram gastas esta tarde/noite naquela que cada vez mais considero - e perdoem-me o termo - a carreira do piolho.

Boas Viagens!

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

794: "Se a chuva fosse vinho..."

O Instituto de Meteorologia previa para o dia de ontem e de hoje, ventos fortes, frio e bastante precipitação. Ontem o caos instalou-se na cidade, sobretudo pela manhã, com a chuva a fazer das suas e com as sarjetas a não darem vazão a tanta água. Já hoje as previsões não acertaram a 100%, mas ainda assim e por volta das 13h20, quando eu me preparava para mais um dia de trabalho, na 794 eis que "São Pedro", se lembra de abrir as comportas e do céu vinha uma enorme «tromba» de água que me transformou num autêntico pinto, porque nem chapéu de chuva tinha comigo.

O resultado só poderia ser um: Começar o serviço completamente encharcado e com a sofagem ligada para secar as calças... Já sentado na primeira cadeira do novo B7R, ia um senhor que por sinal era bastante cómico com as suas conversas e logo pela forma que me abordou quando entrei, vi logo que ia haver assunto para o resto da viagem. E lá segui rumo à Estação do Oriente. Tempo de chuva em Lisboa é também sinónimo de trânsito e impaciência por parte de alguns.

E o referido senhor lá me ia dizendo: «Sabe amigo, a malta anda chateada porque está a chover e muito e parece que é molhada.... Agora imagine você se fosse vinho! Ui aí é que estavam todos contentes e de boca aberta para o céu ou com palhinhas», provocando um riso enorme e generalizado dentro do autocarro. «Pior é que ficava tudo tingido da cor do vinho!», esclarecia.

O resto do serviço decorreu como se previa, e com um carro que dá gosto conduzir, mas que ainda está cheio de truques por desvendar, sobretudo comigo, porque foi a segunda vez que andei com estes autocarros.

Amanhã há mais e prevê-se que a chuva volte a cair com força, mas amanhã já levo o chapéu :)

Boas Viagens!

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

«Lisboa Eléctrica»: Viagem pela capital com a 15E

Foi a primeira carreira da rede de eléctricos, tendo sido inaugurada a 31 de Agosto de 1901, e circulava entre o Cais do Sodré e Ribamar (actualmente Algés). Já teve salões e agora são os articulados que servem os passageiros nas suas deslocações diárias entre a Praça da Figueira e Algés. Foi também uma das carreiras já escolhidas por este blog como sugestão da semana, através da qual se pode visitar o Museu da Carris, entre outros.

Este é o primeiro vídeo porque também ela foi a primeira carreira. Seja feita justiça e viaje então na carreira 15E e veja o que pode ver ao longo do seu percurso. Este é uma pequena amostra do percurso da carreira e está inserido numa série de vídeos exclusivos neste blog e que aos poucos e quando houver tempo, vão aparecendo.




Boas viagens!

A primeira reclamação e sem fundamento...

E lá começou mais uma semana em grande «stress»... Uma dobra na 35 logo para começar a segunda-feira bem cedinho com duas "viradas", mas não sem antes tomar conhecimento através do meu inspector acompanhante daquela que é a primeira reclamação que tenho em quase três anos de Carris, e sem qualquer fundamento.

Diz o passageiro que na carreira 36 no dia "x" com destino ao Sr.Roubado, o impedi de sair pela porta da frente indicando-lhe que a porta de saída era a de trás. Agora pergunto eu: mas o que estaria de mal se assim fosse?

Acontece que neste mesmo dia houve um jovem que entrou no Lumiar, como que se o autocarro fosse todo dele, sem passe nem titulo de transporte válido e nem bom dia, nem boa tarde. Quando quis sair já no final da Estrada do Desvio, tocou a campainha e dirigiu-se para a porta da frente, não pedido autorização para sair. As portas de trás abriram já depois de ter efectuado uma paragem meio apertada porque havia tocado mesmo em cima da paragem, e permaneceu na porta da frente, olhando depois para mim e dizendo: «Então não abre aqui?», tendo me limitado a dizer que a porta de saída era a de trás, porque não custava nada ao passageiro ter pedido para sair ali na frente.

Ainda descontente decidiu então escrever um mail para a Carris, porque agora está na moda reclamar de tudo e todos, mesmo quando não se tem razão. A minha explicação foi dada ao inspector e cabe agora à Carris, responder ao passageiro.

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