quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Extraordinário!... na 738

Extraordinário o serviço que fiz esta manha... Extraordinário o desrespeito pelos outros utentes da via... E o melhor, é mesmo ficar por aqui no que ao de extraordinário vi esta manhã. Que ninguém respeita os transportes públicos eu já sabia, mas como andei em zonas onde nunca antes tinha andado com um autocarro, acho que tem interesse destacar o serviço que fiz esta manhã em dobra com um «extraordinário 405» na carreira 738 entre o M.Pombal e o Alto de Santo Amaro.

Na primeira viagem e ao receber os primeiros passageiros logo me lembrei da recente reportagem da SIC, já aqui referida, com uma comparação dos estatutos sociais que se podem ver a bordo de diferentes carreiras. Sendo esta carreira, uma das que serve as zonas envolventes à Lapa, C. Ourique e Alto de Santo Amaro, poderia haver uma pouco mais de respeito e simpatia e isto, claro está, tendo em conta a teoria porque na prática é tudo diferente.
O reforço da carreira está lá sobretudo por causa das escolas e de facto o autocarro enche só com a miudagem daqueles que se dizem os "senhores de bem" e que gostam de tratar tudo e todos por «você, sei lá!». nada tenho contra estes senhores, mas estas crianças que andam em escolas onde se paga o dobro de uma outra qualquer e que aparecem nos rankings das melhores escolas, deveriam ter certamente melhor educação e saberem comportar-se dentro de um transporte que não é pessoal, mas sim público.

Para começar e logo pela fresquinha, uma jovem entra na Rua Braancamp e pede um bilhete. Enquanto o bilhete sai da máquina, (erro meu, que já deveria ter aprendido que o bilhete só sai depois da quantia apresentada...) a rapariga começa numa luta com a sua mala em busca de 10 cêntimos que faltavam para perfazer o 1.40 €. Aguardo a sua reacção até porque os 10 cêntimos tardavam em aparecer e de repente começa a transpirar com um ar aflito de quem iria já chegar atrasada ás aulas, caso não se transportasse naquele autocarro.

Perguntei-lhe para onde ia (algo que já calculava...) ao que me respondeu que «vou para a escola e já um pouco atrasada, mas faltam-me 10 cêntimos!». Então mas "não sabia que ia para a escola de autocarro e que não tendo titulo de transporte teria de o comprar e que o mesmo custaria 1.40€?", perguntei eu só mesmo para ver a reacção da jovem e não por faltarem os 10 cêntimos.

«Pois tem toda a razão, mas não se importa que lhe fique a dever os 10 cêntimos, por favor... É que ainda por cima vou ter um teste». Quase que vertia a lágrima e antes que lhe desse um treco lá lhe dei o bilhete e disse que para a próxima paga 20 cêntimos dos juros. Foi como que se lhe tivesse tirado um peso de cima das costas, mas não deixei de avisar que tem de ser mais responsável e preparar as viagens antes de sair de casa. O meu consciente decidiu assim!

Quando saiu já perto da escola, teve a atenção em vir á porta da frente agradecer e desatar a correr para o interior da escola. Na viagem de regresso foi um «avé-Maria» para fazer a Rua dos Lusíadas e tudo, claro está, uma vez mais pelos carros que param a qualquer momento e em qualquer lugar para deixar as crianças que não podem andar uns metros para a escola. Toca de parar o trânsito que o porteiro até ajuda e o tempo foi tanto que até me juntei ao extraordinário da frente como se vê na imagem. Repare-se também que havia espaço para o senhor em questão colocar a sua viatura à direita, permitindo assim a passagem dos autocarros, mas para quê tanto trabalho se basta parar e abrir portas?...
É caso para se dizer que para se ter educação, não é preciso ter nenhum estatuto e para se ser respeitado, basta dar-se primeiro ao respeito. É tudo uma questão de ética e bom senso que já vai faltando cada vez mais nesta cidade e noutras, ainda assim gostei do serviço, até porque foi o meu primeiro serviço extraordinário em quase três anos de Carris.
Á tarde há mais, mas por outras freguesias e outras classes sociais... Haver vamos como corre!
Boas Viagens!






terça-feira, 13 de outubro de 2009

«Lisboa vista à lupa de autocarro» na SIC

Muitas das histórias que por vezes aqui são contadas, custam a acreditar mas outras há que já foram vistas e revistas várias vezes. Há coisas boas e coisas más, como em tudo na vida, e se um dia o serviço não corre como desejamos, noutro já corre melhor do que se previa. Uns passageiros são mais simpáticos que outros e também eles dizem que o mesmo se passa com os motoristas. Uns são da ocasião, outros são clientes fixos de determinadas carreiras, nem que seja apenas por distracção ou passeio.

O leitor deste blog, recordar-se-á certamente do «papa-bolos» da 79 como é apelidado por lá, entre outros. Contudo há também os que são frequentes por se deslocarem para o trabalho e acontece em muitos dos casos, sobretudo nos serviços de meios-dias e médias, transportar-mos um passageiro de manhã para o seu local de trabalho e transportá-lo ao fim do dia, de volta a casa.

Contudo são os motoristas e/ou guarda-freios efectivos que acabam por ir conhecendo mais estes passageiros, tornando-se mesmo numa rotina. Mas depois de algum tempo são também os supras que chegam a reconhecer determinada cara por ser frequente transportá-la, ou por determinada história e/ou situação.

Há carreiras que se distinguem pelas pessoas que por lá se transportam, já o aqui disse várias vezes e este é um dos factores que nos leva a gostar mais de uma carreira que outra, embora tenha que se fazer o serviço na mesma. Há portanto vários cenários durante uma semana e em várias carreiras. No passado dia 9 de Outubro, o "Jornal da Noite" da SIC, emitiu uma reportagem sobre isso mesmo.

Em duas viagens de autocarro, conseguiu a estação de Carnaxide encontrar duas Lisboas em ângulos opostos. Entre a carreira 28 e a 759 há claras diferenças e as duas são um bom exemplo dos muitos que por vezes originam as histórias deste blog. Mas como as imagens valem sempre mais que mil palavras, aqui vos deixo o link para a reportagem que passou na 2.ª parte do Jornal da Noite deste dia 9 de Outubro, bastando para tal ver entre o minuto "18m30s" e o minuto "24m15s".

É «a Lisboa do 759 dos reformados e da classe média e média/baixa, dos bairros sociais e o 28 da Lisboa turística e de todos aqueles que têem emprego certo e futuro definido», numa reportagem de Pedro Coelho, Luis Pinto e João Santos a bordo dos autocarros da Carris.

Imagens: SIConline

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Há 62 anos atrás era assim...

Há 62 anos atrás os lisboetas optavam pelo eléctrico como meio de transporte nas suas deslocações na cidade. Recorde-se que nessa altura a rede de transportes em Lisboa era maioritariamente composta por eléctricos, tal como acontece actualmente, mas nas grandes cidades europeias. Por cá vai-se apostando agora no metro e sobretudo no transporte rodoviário, mas ainda assim, é interessante olhar o passado através de documentos como é o caso deste folheto que encontrei recentemente no blog «Dias que voam», onde para além deste há muitos outros factos e histórias antigas que se podem hoje recordar.

Haviam em 1947 cerca de 463 eléctricos ao serviço dos passageiros, contra os 72 autocarros existentes, mas por chegar estavam mais 73 autocarros, enquanto que nas oficinas da Carris construíam-se mais eléctricos. Nesse ano o serviço de autocarros havia transportado cerca de 5 milhões de passageiros, oferecendo assim, - e permitam-me a linguagem política um dia depois de uma noite eleitoral - uma maioria absoluta para o transporte eléctrico que havia transportado cerca de 259 milhões de passageiros.

Promessas ou não, o certo é que alguém volta a falar numa futura aposta deste meio de transporte que é mais económico, menos poluente e mais rápido, isto claro está se forem criadas as condições necessárias à sua circulação, como acontece nas principais cidades europeias, onde a aposta é cada vez mais neste meio, e onde funciona.
Politicas à parte, o essencial e o que importa referir é que apesar de hoje serem apenas cinco as carreiras resistentes, os eléctricos continuam a ser o bilhete postal desta cidade e continuam a fazer parte da história da própria Carris, até porque foi aqui que tudo começou - no modo eléctrico. Com melhores recursos e com uma forte aposta numa renovação da frota, os autocarros têem contudo vindo a ganhar adeptos e a ultrapassar barreiras e como eles andam por ai atravessando a cidade de uma ponta à outra, resta-me ficar por aqui nos dados históricos e rumar para mais um dia de trabalho num dos autocarros da cidade...
Boas Viagens!

domingo, 11 de outubro de 2009

Lisboetas a bordo para mais uma chamada a votos...

Depois das Legislativas... as Autárquicas e eis mais um domingo de eleições, desta feita na 718. Se nas anteriores eleições, pouco movimento tinha havido pela 745, já hoje não posso dizer o mesmo do serviço que tive na 718 com o autocarro sempre cheio, mesmo nas viagens matinais, sobretudo ali na zona de Campolide e do Palácio da Justiça, onde estavam as mesas de voto da freguesia.

Numa das viagens foram 6 minutos parado na paragem e custou a fechar a porta, fazendo lembrar uma hora de ponta de um dia de semana. Pelo que se podia ver a abstenção, deve baixar certamente em relação ás últimas eleições e os resultados esses, só mesmo depois das 20h00.

Amanha a semana prossegue e já com o presidente da câmara eleito pelos lisboetas que hoje se deslocaram, de carro, autocarro, eléctrico, táxi ou a pé para as secções de voto, provocando também alguns atrasos em algumas carreiras como foi o caso dos ultimos dias de campanha.

Boas Viagens!

sábado, 10 de outubro de 2009

Quando as "Madames" decidem deixar o carro de qualquer maneira...

Hoje não vos trago nenhuma história do meu dia de trabalho, até porque foi bastante calmo na carreira 718. Da parte da tarde e depois de tratar de umas coisas ali para os lados da Graça, decidi dar uma volta na 28E para ver como estava de afluência e como outra coisa não seria de esperar, os eléctricos andavam a "transbordar", a "rebentar pelas costuras", tipo "sardinha em lata" e tudo o que se possa imaginar. Arriscaria mesmo a dizer que estaria pior que um dia quente de verão, com imensos turistas que optaram por tirar férias em Outubro.

E se os eléctricos quando estão cheios já demoram mais a circular, porque há sempre alguém que vai saindo e entrando, pior ainda é quando as "madames" decidem parar os seus carros, como que a rua fosse toda delas e que quem viesse atrás que tivesse passado antes ou que espere. Não é novidade nenhuma para os colegas guarda-freios que passam por estas situações todos os dias e a toda a hora. Contudo, hoje a "madame" que estacionou o carro (na foto, 57-51-IC) na Rua das Escolas Gerais, na esquina com a Calçadinha do Tijolo, além de ter estorvado quem por ali se deslocava de transportes públicos, acabou por dar trabalho redobrado aos guarda-freios porque o tempo do semáforo que permite a passagem alternada, em via única, dos eléctricos, permitiu que os eléctricos do sentido oposto descessem.

Resultado: Aquela interrupção foi o ponto de encontro dos que subiam com os que desciam. Já com a "madame" a presenciar todo o aparato com o carro colocado na Calçadinha do Tijolo que era o que deveria ter feito logo de início. Quem ficou contente por todo o aparato foram os turistas que não se cansaram de tirar fotografias ás manobras dos 7 eléctricos que se foram juntado. Eu também quis tirar umas para agora partilhar convosco...
Já depois da manobra feita, a viagem lá prosseguiu até ao M.Moniz sempre com o eléctrico cheio até á porta e com um misto de italiano, espanhol, inglês, francês, alemão e claro o português, e todos com uma vontade enorme de andarem de eléctrico, ainda que a viagem já tivesse chegado ao fim. É nesta altura que o(a) guarda-freio diz que terminou a viagem e eles permanecem todos como se lhes tivessem dito que acabou mas há mais e podem ficar...
Boas Viagens!


quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Carris na FIL «Portugal Tecnológico 2009» até 10 de Outubro

Não sabe o que fazer neste final de semana em que o tempo não ajuda? Então aqui fica a minha sugestão para este final de semana. Não apanha chuva e fica a conhecer o que de bom se faz por cá sobretudo a nível tecnológico, com a feira «Portugal Tecnológico 2009» que começou no passado dia 7 de Outubro e que decorrerá no pavilhão 1 da FIL até ao próximo dia 10 de Outubro (Sábado). A entrada é gratuita e certamente que não virá de mãos a abanar, dada a quantidade de ofertas de material de marketing e merchandising das empresas representadas.

Esta tarde aproveitei a folga e desloquei-me atá ao Parque das Nações, onde visitei a feira em questão e destaco alguns stands, como o da Carris onde estava disponível um vídeo com a história da vinda dos primeiros autocarros de Inglaterra, que viriam mais tarde a substituir em grande parte o serviço então prestado pelos eléctricos. Em conjunto com os STCP, o stand estava inserido numa área dedicada á mobilidade onde a interacção pessoal é posta em prática através de um videowall. O metro do porto e o de Lisboa também estavam representados assim como outras empresas de transporte público que em conjunto tornaram aquele stand num dos maiores da feira.

Destaque para uma maqueta do metro do porto que acabou por ser alvo de algumas fotos dos visitantes. Por parte da Carris havia livros, fitas/porta-chaves, chocolates e mapas. Faltou mesmo algumas maquetas que fazem parte do espólio do museu e que dariam certamente mais vida ao local.

A Polícia de Segurança Pública colocou um carro patrulha, uma carrinha da Divisão de Trânsito, motas e documentação, através da qual se torna possível saber as principais áreas de acção e inclusive, ver como funcionam todos os dispositivos que estão a bordo das viaturas. A GNR coma sua brigada do GIPS também está bem representada no pavilhão 1 da FIL.

Nesta feira há ainda um espaço da Loja do Cidadão onde até se pode tratar do Cartão do Cidadão e ir visitando a feira enquanto aguarda pela sua vez... O computador Magalhães também lá está representado, assim como o Institudo de Emprego e Formação Profissional. As empresas de comunicações também não podiam faltar, ou não estivessem elas ligadas á tecnologia. Há ainda um espaço reservado a apresentações e conferências e um espaço exterior em tendas dedicado às regiões norte e sul do pais.

É uma feira interessante e que nos mostra o que de bom se faz por cá, ajudando a deixar de parte aquela ideia de que tudo o que é bom vem de fora. Se ainda não a visitou e não tem planos para este final de semana, ainda vai a tempo de ir até á FIL entre as 11h e as 00h00 até ao próximo dia 10 de Outubro.

Aproveite já a sugestão, para começar a utilizar transportes públicos (se ainda não for essa a sua opção principal), uma vez que o local está servido por transportes rodoviários (Carris) e ferroviários (Metro e CP), através da Estação do Oriente, uma estação que no futuro será diferente com a chegada do Comboio de Alta Velocidade que também está representado na FIL através do Stand da Rave, no espaço mobilidade.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Esmiuçado pelas bandeiras da 36 e seus passageiros

Se há dias em que o melhor é mesmo nem sair de casa, hoje era um desses dias. Começou com a confusão causada pela chuva. Já ninguém sabe andar de transportes quando chove e todos decidem levar o carro para o trabalho. As filas aumentam, os cruzamentos "entopem" e o resultado fica á vista nos atrasos por eles causados nos transportes públicos. O percurso P.Comércio - C.Sodré, mais parecia um daqueles partos difíceis e arrancado a ferros. Mas a quantidade de pessoas na paragem e as ordens da central levavam-me de novo até Odivelas.

Mas não havia cortes que resistissem. Chove em Lisboa e a cidade para. O que também parece parar nestes dias são as pessoas que fazem muitas perguntas e grande parte delas sem nexo, senão vejamos este tipo de diálogo desta manhã...


Passageira: «Desculpe, passa ali em Entrecampos não passa?»
Motorista: «Exactamente, passa na Estação e na rotunda de Entrecampos!»
Passageira: «Então e não passa no cruzamento com a Av.Forças Armadas?»
Motorista: «Sim é a rotunda de Entrecampos...»
Passageira: «Ah! Então posso sair na paragem antes dessa?»


Palavras para quê? O importante é esmiuçar o motorista, já que este termo está tanto na moda. Uns metros à frente dois acidentes complicam a passagem do autocarro mas com jeito lá se passa rumo a Odivelas. No regresso a fila para o centro da cidade começava já no C.Pequeno e ao chegar ao M.Pombal e quando levava bandeiras de "36 Rossio", pedem-me que faça transbordo para o carro de trás que ia ao C.Sodré.

Como tinha poucos passageiros (tendo em conta que era um autocarro articulado), consegui fazer o transbordo, mas não sem antes, ser uma vez mais esmiuçado por um passageiro que insistia em dizer-me que «isto assim é que não é nada! Se queria ficar aqui tinha posto M.Pombal e não Rossio, porque nós aqui somos passageiros e não os bombos da corte...» , mas eu é que queria ir só ao M.Pombal? Esta gente esta toda passada! E vá lá que ainda saiu dizendo que sabia bem que a culpa não era minha, mas que ainda assim tinha de o ouvir.

É nestas e noutras alturas que o motorista se sente uma vez mais o muro das lamentações e pensa que não teria ouvido aquilo se não estivesse ali naquele preciso momento. Volta dada ao Marquês e nova viagem para o Sr.Roubado, mas para mim seria apenas até ao Lumiar. No Saldanha, uma senhora entra e diz-me «Boa tarde, este carro não passa ao Pulido Valente, pois não? Vai só até ao Saldanha...» e lá tive de explicar uma vez mais que ia para o Sr.Roubado, via Saldanha e que passaria no hospital.

Já da parte da tarde a chuva resguardou-se e permitiu que o trânsito fosse menos intenso, mas o que não foi menos intensa foi a última viagem do dia e para o Sr.Roubado. Um pouco atrasado porque efectuei quase todas as paragens desde o Cais do Sodré, para não dizer mesmo todas e ao chegar ao Lumiar a C.C.T. pede-me que no terminal colocasse o carro na hora, entrando no C.Grande. No destino tinha ainda "36 Sr.Roubado" porque era aí que iria terminar aquela viagem.

Nas paragens iam ficando alguns passageiros que queriam o carro que ia para Odivelas, e ás 17h58 dava então por terminada a viagem no Sr.Roubado. Todos os passageiros saíram do autocarro com a excepção de um que estava na ultima fila do articulado. Ao ver o autocarro vazio, dirigiu-se até mim para também ele esmiuçar-me...

Passageiro 2: «Ó chefe, isto não ia para Odivelas!?!»
Motorista: «Não senhor. Este carro é só até ao Sr.Roubado...»
Passageiro 2: «Desculpe mas dizia lá Odivelas, se já não diz você mudo em andamento...»
Motorista: «Desculpe mas é impossível, primeiro porque teria de me levantar para mudar o destino e segundo, se reparar todos os passageiros saíram sem eu falar, só o senhor permaneceu. Será que só você é que está certo?»
Passageiro 2: «Desculpe mas isto não fica assim, porque vocês fazem o que querem e fazem de nós parvos... Vou escrever pró Carris e dizer que esse carro dizia Odivelas e não Sr.Roubado...»
Motorista: «Pode escrever o que o senhor entender, mas olhe que o engano foi seu e como vê aqui (até lhe mostrei a chapa), eu fazia 18h00 aqui no Sr.Roubado...»
Passageiro 2: «Mas você mudou... Dizia Odivelas!»

E como não vale a pena teimar com esta gente que tem sempre razão... Lá saiu, mas não sem antes apontar num papel a hora e «o número da camioneta».

Amanhã termino a semana e só espero que não me esmiuçem mais porque esta semana já chega!

Boas Viagens!
Foto gentilmente cedida por A.J.Pombo

sábado, 3 de outubro de 2009

Um bilhete "p'otocarro" e o cartão do cidadão...

O dia até poderia correr bem e correu, mas o cansaço depois de um serviço de oito horas e tal com duas de folga numa carreira como a 106 deixa qualquer um de rastos. E nem é pelo total de horas do serviço (que não deixam de ser chatas), é sobretudo pela carreira que é demasiado curta com viagens a rondar os 17 minutos o que origina a passar várias vezes nos mesmos locais e em curtos períodos de tempo, já para não dizer que acaba-se por ver as mesmas caras mais que uma vez num serviço.

Da parte da manhã a azáfama das compras e alguém que após uma corrida ao estilo de Rosa Mota nos seus tempos áureos, me pede «um bilhete p'otocarro». Achei engraçado o termo, mas nem sequer me deu para comentar com a pessoa porque basta o serviço ser na 106 para a moral e boa disposição se ir perdendo viagem a viagem. Pois o autocarro não precisava pagar bilhete, e o que ela pretendia era mesmo um bilhete,mas para ela.

A manhã passava rapidamente e o pior ainda estava para vir, com a segunda parte do serviço - a maior. Na Torrinha um passageiro entra e tenta validar a sua viagem com o cartão do cidadão, mas por enquanto ainda não é válido e se os validadores conseguissem ler aqueles cartões eu faço ideia a quantidade de viagens nulas que eram adicionadas aos cadastros por não estarem carregados.

No autocarro ouviam-se miúdos aos berros. Numa outra língua discutia-se algo e já para o final do dia alguém comentava que andava a trabalhar e a descontar para muitos dos que ali andavam, viverem ás suas custas. A campanha para as autárquicas também, apareceu nas Galinheiras com a comitiva partidária a ocupar a via da esquerda o que por instantes causou algum congestionamento. Ainda os alertei para o facto de não poderem deixar ali os carros porque passavam ali autocarros e o que me responderam é que «o António Costa manda amigo!»
Entrava então mais um passageiro que descarregava o seu descontentamento já dentro do autocarro e como ele dizia «todos os 4 em 4 anos é assim... Todos fazem tudo e nenhum faz nada e o zé povinho é que se trama...»

Aos poucos lá começo a ver o fim do serviço na chapa (missão, ainda assim, difícil) e já nem contava pelas mãos as viagens feitas. Recolho á estação com uma dor de cabeça e com aquela gritaria do miúdo que queria sentar-se na cadeira da frente e que a mãe teimava em querer sentá-lo na do meio. Restava-me esperar pelo 17 para regressar a casa e até para isso foi preciso esperar algum tempo. Hoje tudo parecia querer contrariar-me. Amanhã espero que seja mais calmo até porque a manhã começa bem com um serviço na Maratona...

Boas Viagens!

Foto gentilmente cedida por Pedro Almeida

Translate