Extraordinário o serviço que fiz esta manha... Extraordinário o desrespeito pelos outros utentes da via... E o melhor, é mesmo ficar por aqui no que ao de extraordinário vi esta manhã. Que ninguém respeita os transportes públicos eu já sabia, mas como andei em zonas onde nunca antes tinha andado com um autocarro, acho que tem interesse destacar o serviço que fiz esta manhã em dobra com um «extraordinário 405» na carreira 738 entre o M.Pombal e o Alto de Santo Amaro. Na primeira viagem e ao receber os primeiros passageiros logo me lembrei da recente reportagem da SIC, já aqui referida, com uma comparação dos estatutos sociais que se podem ver a bordo de diferentes carreiras. Sendo esta carreira, uma das que serve as zonas envolventes à Lapa, C. Ourique e Alto de Santo Amaro, poderia haver uma pouco mais de respeito e simpatia e isto, claro está, tendo em conta a teoria porque na prática é tudo diferente.
O reforço da carreira está lá sobretudo por causa das escolas e de facto o autocarro enche só com a miudagem daqueles que se dizem os "senhores de bem" e que gostam de tratar tudo e todos por «você, sei lá!». nada tenho contra estes senhores, mas estas crianças que andam em escolas onde se paga o dobro de uma outra qualquer e que aparecem nos rankings das melhores escolas, deveriam ter certamente melhor educação e saberem comportar-se dentro de um transporte que não é pessoal, mas sim público.Para começar e logo pela fresquinha, uma jovem entra na Rua Braancamp e pede um bilhete. Enquanto o bilhete sai da máquina, (erro meu, que já deveria ter aprendido que o bilhete só sai depois da quantia apresentada...) a rapariga começa numa luta com a sua mala em busca de 10 cêntimos que faltavam para perfazer o 1.40 €. Aguardo a sua reacção até porque os 10 cêntimos tardavam em aparecer e de repente começa a transpirar com um ar aflito de quem iria já chegar atrasada ás aulas, caso não se transportasse naquele autocarro.
Perguntei-lhe para onde ia (algo que já calculava...) ao que me respondeu que «vou para a escola e já um pouco atrasada, mas faltam-me 10 cêntimos!». Então mas "não sabia que ia para a escola de autocarro e que não tendo titulo de transporte teria de o comprar e que o mesmo custaria 1.40€?", perguntei eu só mesmo para ver a reacção da jovem e não por faltarem os 10 cêntimos.
«Pois tem toda a razão, mas não se importa que lhe fique a dever os 10 cêntimos, por favor... É que ainda por cima vou ter um teste». Quase que vertia a lágrima e antes que lhe desse um treco lá lhe dei o bilhete e disse que para a próxima paga 20 cêntimos dos juros. Foi como que se lhe tivesse tirado um peso de cima das costas, mas não deixei de avisar que tem de ser mais responsável e preparar as viagens antes de sair de casa. O meu consciente decidiu assim!
Quando saiu já perto da escola, teve a atenção em vir á porta da frente agradecer e desatar a correr para o interior da escola. Na viagem de regresso foi um «avé-Maria» para fazer a Rua dos Lusíadas e tudo, claro está, uma vez mais pelos carros que param a qualquer momento e em qualquer lugar para deixar as crianças que não podem andar uns metros para a escola. Toca de parar o trânsito que o porteiro até ajuda e o tempo foi tanto que até me juntei ao extraordinário da frente como se vê na imagem. Repare-se também que havia espaço para o senhor em questão colocar a sua viatura à direita, permitindo assim a passagem dos autocarros, mas para quê tanto trabalho se basta parar e abrir portas?...
É caso para se dizer que para se ter educação, não é preciso ter nenhum estatuto e para se ser respeitado, basta dar-se primeiro ao respeito. É tudo uma questão de ética e bom senso que já vai faltando cada vez mais nesta cidade e noutras, ainda assim gostei do serviço, até porque foi o meu primeiro serviço extraordinário em quase três anos de Carris.
Á tarde há mais, mas por outras freguesias e outras classes sociais... Haver vamos como corre!
Boas Viagens!










+copy.jpg)
+copy.jpg)