quinta-feira, 10 de setembro de 2009

"Sim, já é de 15 em 15!", Entendidos?

Ainda a semana não terminou e aposto que a frase que mais repeti esta semana foi precisamente a que está no título deste post. A carreira 79 até é uma das que se faz bem, mas quando calha na escala duas vezes numa semana... é dose. Nem sei como há quem goste de por lá andar todos os dias. Há dias que passam num ápice e outros há, que demoram eternidades a passar. Na terça-feira (08/09/09) foi um daqueles dias que nunca mais se via «o fim ao tacho» como se costuma dizer, mas hoje até passou bem rápido, embora tivesse de fazer á mesma as 14 viagens á volta dos Olivais.

Na terça-feira já muitos haviam perguntado se a carreira já tinha voltado ao horário habitual de 15 em 15 minutos, e apesar das caras serem quase sempre as mesmas todos os dias, hoje que é quinta-feira, mais uma quantidade de perguntas e todas iguais... «Já é de 15 em 15 sr.motorista?»... É, e já desde segunda-feira.

Depois a pergunta gera sempre conversa no autocarro. uns porque não entendem o porquê de horários férias escolares e dizem que «aqui só anda a 3.ª idade», e outros dizem que «já foi um bónus terem posto o autocarro aos sábados á tarde e domingos». Há também aqueles do tipo um senhor que entrou a meio da tarde na Encarnação e me disse que «não se compreende o porquê da carreira não ir à Quinta do Morgado», mas não se pode agradar a todos. Entretanto e já perto do final do dia, eis que entra uma senhora e ao abrir da porta, lá deu início a um diálogo de conversas curtas.

Passageira ao entrar: «Já é de 15 em 15 minutos ou ainda é de meia em meia?»
Motorista: «Boa Tarde, antes de mais...»
Passageira: «Já é de 15 em 15?»
Motorista: «Boa Tarde!...»

A Passageira hesita por instantes, cala-se e opta por sentar-se, dando preferência por, não ficar a saber a frequência do autocarro que é a habitual naquela carreira, do que dizer boa tarde ao motorista e então ter uma resposta. Já sentada, lá chegou a uma conclusão e comentou com a vizinha da cadeira do lado que «ele (que era eu) queria que eu tivesse dito boa tarde, mas como não disse, esperava que eu dissesse. Mas também não vou dizer porque ás vezes dizemos e não respondem». Lá está aquela ideia que comportamento gera comportamento e a prova que a educação afinal nem sempre vem de cima.

Imagem: Horário da carreira 79, disponível em www.carris.pt

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

A trovoada e o calor a fazer das suas...

A trovoada e a chuva desta madrugada prometiam trazer uma manhã agitada. Não admira, tendo em conta que a maioria dos condutores conduzem de igual forma, quer faça chuva quer faça sol. Ainda em casa, o rádio (do despertador) começa a tocar pela manhã cedo, lembrando que está na hora de sair da cama para mais um dia de trabalho, hoje na 742. As notícias já davam conta de acidentes, congestionamentos e cheias, em Lisboa.

Num instante cheguei a Alcântara e lá comecei o serviço rumo à Ajuda. As pessoas, essas até apreciam que entravam viradas do avesso, talvez consequências de uma noite mal dormida devido á forte trovoada. Ao mínimo sinal vermelho do validador, respondiam com murros; ao verem "Univ.Ajuda" na bandeira, mostravam a sua revolta por não ir para o Casalinho, já para não dizer que hoje todos se lembraram de trazer notas de 10 e 20 euros para comprar os poucos bilhetes que vendi. As moedas "voaram" num instante.

Já da parte da tarde o calor apertou, mas a calma de Agosto já lá vai... Quem não resistiu ao calor foi um BMW que avariou na subida da Rua da Aliança Operária(ver foto), em plena linha do eléctrico, o que causou transtornos aos passageiros da 18E e posteriormente das carreiras 742 e 60, porque quando lá cheguei estava já a Policia Municipal (do Smart Carris), a tentar controlar o trânsito para que a viatura desimpedisse a via. Ficámos ali 10 minutos parados e lá conseguiram tirar o carro de cima da linha.

Escusado será de dizer, que a impaciência dos passageiros voltou ao de cima, que até em questionaram o porquê de não ultrapassar o eléctrico, isto já depois de terem visto o policia mandar-me aguardar atrás do eléctrico. Amanhã há mais e espero que esta noite não haja trovoada...
Outras notícias do dia
Entretanto, chegou-me por email da Linha Aberta da Carris a informação que "no próximo dia 11 de Setembro (6ª feira) a partir das 22:00h a Central de Comando de Tráfego da CARRIS vai transferir as suas instalações da Estação de Santo Amaro para a Estação de Miraflores.A partir desse momento até às primeiras horas do dia 13 de Setembro (Domingo), o Sistema de Ajuda à Exploração e Informação aos Passageiros (SAEIP) permanecerá fora de serviço. Por este motivo os painéis electrónicos de informação estarão desligados, sem informação do tempo de espera dos veículos, e o serviço de informação através de SMS (SMS CARRIS) ficará fora de serviço durante esse período."

Boas Viagens!

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

35 da P.Chile para a Alameda...

E a partir de hoje a minha carreira favorita (a 35, claro está) passa a ter um novo terminal nas chapas designadas de reforço que até então faziam "C.Sodré - P.Chile". Com o prolongamento à Alameda, estas chapas acabam por fazer correspondência também à linha vermelha do metro que também já se estendeu até S.Sebastião. Esta manhã, já vi como estavam feitas as pequenas alterações e já deu para perceber que os passageiros ficaram bastante satisfeitos com esta alteração.

Embora ainda só tenha feito este troço, como passageiro dado que estou de folga e porque andava por lá perto, parece-me no entanto que ficou substancialmente melhor, quer a nível de horário, quer a nível de serviço prestado ao cliente. Agora resta-me aguardar que saia um serviço na escala para poder tirar as minhas próprias ilações. Com esta alteração a carreira 35 continua então a ter como terminais o C.Sodré e o Hosp. Santa Maria e passa a ter a Alameda como terminal das chapas de reforço e do serviço nocturno.

Agora e numa opinião muito pessoal, só bastava alterarem a configuração da bandeira de destino do Hosp. Santa Maria e colocarem umas letras maiores tal como acontece com o 732 onde aparece "H. Santa Maria" em vez das minúsculas letras que dizem "Hosp. Santa Maria". Por falar em alterações, também nunca é de mais lembrar os mais distraídos que foi criada uma nova carreira designada de "Expresso", com o número 780 que circula nos dias úteis e nas horas de ponta, entre o Saldanha e Benfica. A carreira 781 passou também recentemente a funcionar aos fins-de-semana e feriados, servindo assim os seus passageiros entre o C.Sodré e o Prior Velho.

Amanhã já é dia de trabalho. As folgas passam rápido e venha então mais uma semana de trabalho.

Boas Viagens!

domingo, 6 de setembro de 2009

Imagens de uma cidade: Lisboa

E porque ás vezes sabe bem ser turista, ainda que da própria cidade...

O eléctrico 577, na mítica carreira 28, a subir a Calçada da Estrela
Boas viagens!

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Av.República - "Ontem e Hoje" a fechar a semana


E já está finalizada mais uma semana de trabalho, tendo hoje andado pela carreira 36 e tendo verificado que já se acabou realmente o sossego, com o regresso das férias. A Av. da República estava já repleta de automóveis, contrastando assim com o mês de Agosto onde se circulava com grande normalidade. Parado no semáforo, recordei-me que tinha algures no meu arquivo uma foto daquela avenida, mas de outros tempos.

Aqui está a foto que contraria o que hoje se passou nesta avenida. Nesta imagem de 1967, havia poucos carros e ainda haviam eléctricos. Hoje já haviam muitos carros e eléctricos, já há uns anos que por ali não passam. Fica assim mais uma recordação de Lisboa de outros tempos...

Bom fim-de-semana e Boas Viagens. Eu regresso na 3.ª Feira!
Foto: Retirada da Internet e de autor desconhecido

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

E esta semana já chega de 742...

E lá chegou ao fim mais um dia de trabalho, hoje sem nada de mais a contar porque foi um daqueles dias em que tudo correu bem e onde os ponteiros do relógio, parece que andaram mais rápido que o habitual e o serviço, esse foi o mesmo de ontem assim como o autocarro que já tinha a cortina devidamente reparada. Foi o 3.º dia da semana na mesma "altura", o que eu para ficar a conhecer um pouco melhor o dia-a-dia do motorista que já é efectivo de carreira, ao contrário do "supra", como é o meu caso.

As caras são as mesmas (no geral), adivinha-se até as paragens que vão ser feitas a cada paragem e cada dia que passa, parece que passa mais rápido. Contudo, torna-se por vezes chato estar todos os dias a fazer o mesmo e a transportar aqueles que não são tão desejados, digamos assim. Há portanto uma conclusão a tirar disto tudo. Há vantagens e desvantagens em ser supra ou efectivo.

O efectivo sabe praticamente o que faz ou vai fazer durante todo o ano, porque a escala repete-se de "x" a "x" tempo, já o supra, limita-se a saber as folgas que tem durante o ano e a aguardar que saia o serviço na escala. Ainda assim, varia mais as carreiras o que não torna tão monótono o serviço. Amanhã é o ultimo dia de trabalho da semana e não é na 742, porque esta carreira para mim e nesta semana chegou ao seu terminal.

Ainda assim registo a frase do dia, ouvida no terminal do Casalinho da Ajuda, de uma passageira que tentava aconselhar uma jovem e que a certo ponto lá proferiu que «...elas não gostam deles, mas o que sei dizer é que vão lá picar...». O que o motorista tem de ouvir...

Boas viagens!

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Muita teoria, mas também muita prática! 742 no seu melhor...

Diz o ditado que «para morrer, basta estar vivo», mas há também quem opte pela teoria da Lili Caneças que em tempos disse que, «estar vivo é o contrário de estar morto». Qual delas optar não interessa, o que interessa mesmo é que esta teoria pode servir para descrever o meu dia de trabalho de hoje. Se estar vivo é o contrário de estar morto, então, cair é o contrário de levantar. Estar deitado é o contrário de estar em pé e estar parado é o contrário de estar a andar.

Pois bem, o dia começou ao contrário. Pode parecer estranho mas não. Aconteceu um pouco do que já foi referido acima. Estive algum tempo parado (em vez de começar a andar), vi uma pessoa cair na rua (coitada, deve ter-se aleijado) e vi a cortina cair sobre mim (foi por pouco que não me acertou), mas começando pela manhã, acabei de render o colega e logo na minha frente, uma senhora com o seu carrinho verde, decidiu tentar «empurrar» o autocarro amarelo da minha frente, porque tinha pressa para chegar ao seu trabalho.

Escusado será dizer que a pressa terminou em vagar e sem o seu pára-choques. O pior foi que inicialmente não se deu como culpada, depois lá caiu em si e viu que tinha batido por trás e que vinha da esquerda para a direita e lá se deu como culpada, mas.... Eis que surge um "mas"... só tirava «o carro com a presença da Polícia, por via das dúvidas.» O resultado alastrou-se rapidamente à Rua das Janelas Verdes, à Rua Maria Pia, à Rua de Alcântara e todas as carreiras que por ali passavam, pararam.

Passado um tempo lá apareceu a Polícia Municipal do "nosso" smart de vigilância Corredor Bus que fez as marcações e mandou retirar os carros do local. Á hora que devia partir do Casalinho estava em Alcântara e podem desde já imaginar o granel que estava montado nas paragens seguintes. São coisas que acontecem, pois seguindo a teoria, para se ter um acidente de viação basta ter carro e andar na estrada.

Resolvido o problema e já com a chapa na hora, chego á P.Chile. Os passageiros entraram, fechei as portas, olhei para o espelho esquerdo, olhei para a frente e vejo na passadeira da frente um vulto a cair. Era mesmo uma senhora que havia tropeçado nos Carris do eléctrico que infelizmente já não passa na Morais Soares (era uma boa solução apra terminar com as paragens em segunda fila). Estava distraída a senhora e confesso que até a mim me doeu os joelhos...

E porque não há uma sem duas nem duas sem três... Hoje houve até quatro. A meio da tarde lá apareceu na paragem do Casalinho o indivíduo que chateia sempre a cabeça ao motorista com a lamuria de uma dor (que não tem) nas pernas para ficar fora da paragem junto à tasca da Boa-Hora. Comigo não se safa, porque se está doente das pernas e não pode andar, se bebe (e não é pouco) ainda fica pior. "Isto só pára nas paragens. Não é como o táxi. Ou fica aqui ou na próxima", disse-lhe, embora ele insistisse que «mas não te custava nada parares ali amigoooo», como meu amigo não é de certeza, contei até três e fechei a porta: "Está decidido. Não queres sair aqui, sais na próxima", mas não me livrei das ameaças normais do tipo que lá ia dizendo que «agora atirava-me aqui para o chão e tinhas de parar obrigatoriamente e chamar o teu chefiii».

Para terminar, um susto ao subir a Rua Maria Pia. De repente, ouvir um estalo e vi a cortina da minha frente cair sobre mim. Mais uma prova da teoria, que para cair basta estar em pé. Tal como um desmaio de uma pessoa, a cortina ressentiu-se do sol que suportou toda a tarde e deu de si. E lá tive de terminar a viagem com o rolo da cortina ali mesmo na minha frente, porque nem as hastes se tinham soltado. São coisas que acontecem quando menos se espera e que tornam caricato um dia de trabalho, onde desde então, todos os que entravam, olhavam com espanto.

Surpreendido fiquei eu, com a amabilidade (coisa rara nos tempos que correm) de um senhor que se transportava no autocarro e se levantou a perguntar se era necessária alguma ajuda para remover a cortina que estava suspensa. Foi simpático, mas consegui minimizar o problema. Hoje já será reparado nas oficinas.
E amanhã há mais...

Boas Viagens!

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Não está nos cinemas mas é candidato a um globo: "Tirem-me deste cheiro"

Bem, já há uns dias que nada havia de especial para contar, porque para contar há sempre todos os dias, mas hoje cheguei a casa ainda com o odor que esta tarde me obrigou quase a conduzir com a cabeça de fora. Eu sei que já foi um tema aqui abordado - os cheiros, mas hoje o dia até estava calmo, apesar do serviço na 35 recair sobretudo, em viagens para o Hospital de Santa Maria. Pois eu até prefiro as viagens para a P.Chile...

Agosto já lá vai e o primeiro dia de Setembro, trouxe a confusão de volta ao centro da cidade. O que se fazia em 3 minutos passou a ser feito em 8 ou mais, porque muitos já regressaram ao trabalho, o que fez aumentar o trânsito para os lados da P.Comércio. Logo pela manhã e ainda a aguardar a rendição, no Cais do Sodré, um rapaz pergunta-me o porque do passe durar 30 dias se o mês tinha 31. Lá lhe tentei explicar, mas rapidamente vi que ele falava só para protestar (e mal), porque a cada resposta minha, dizia «mas o mês tem 31 dias, não se compreende...»

Ultrapassado esse momento, lá veio a má disposição de quem parecia estar revoltado por ter voltado ao trabalho. "Mas que culpa tenho eu disso?" A pergunta fica no ar...

Já da parte da tarde e depois da pausa para almoço, aparece na paragem da João XXI, uma senhora que já a conheço só pelo cheiro e pela sua arrogância. Perdoem-me os leitores mais sensíveis, mas é daqueles passageiros que nos fazem querer ver a sua paragem de destino o mais rapidamente possível.

Recordo-me da primeira vez que a transportei (na 745), onde entrou e perguntou: «Passa no C.Grande?», e recordo-me ter respondido na altura que apenas passaria no Jardim e não no interface. Mas na altura foi tão arrogante comigo que ficou logo apresentada e sempre que entra pergunta o mesmo, embora já saiba que passa lá.

Hoje vi-a na paragem e pensei: "Lá vem ela perguntar se passa no C.Grande...", mas antes que perguntasse disse eu: «Então vamos até ao C.Grande não é verdade?...» Surpreendida, pergunta: «É pois, mas como é que sabe? É que eu vim no 22 e vi que estava enganada, pois costumo ir no 745». Pronto cheguei rapidamente a uma conclusão: Péssima ideia ter dito que ia para o C.Grande. Mais valia ter esperado ela perguntar e sentar-se. Pois assim ficou em pé junto á cadeira da frente a contar o que tinha feito toda a tarde.

«Sabe vim agora do restaurante do antigo jogador do Benfica, vou lá todas as tardes descascar batatas, porque cozinhar, não cozinho. É a minha filha q trabalha lá...» E para não ser directo, até porque já nem estava a ouvir o que me dizia, tal não era o cheiro que transportava consigo. "Faz bem, mas não acha que era melhor sentar-se lá atrás, para não correr o risco de cair... É que posso ter de travar de repente e cair", mas ela estava firme e dizia «estou bem segura, não se preocupe...» Oh nãooooooo!!!!!!!!

Lá cheguei ao C.Grande já depois de muito ouvir o que já não estava a ouvir e de cheirar o que já não cheirava. Já estava anestesiado ao ponto de chegar a casa e ter de lavar bem a cara e o nariz para libertar aquele cheiro que para dar um certo realismo ao texto, era um cheiro a mijo retardado. Algo que por muito que tente não consigo compreender nem suportar. A ÁGUA NÃO FAZ MAL A NINGUÉM!!!!

A sorte nestas alturas é quando entra alguém com um perfume agradável que vai sanando o ambiente do autocarro, onde já nem os extractores actuam, ao estilo de uma saga qualquer de um filme numa sala perto de si. Não é o "tirem-me deste filme", mas poderia ser bem o «Tirem-me deste cheiro...»

Boas viagens

Translate