sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Diz que é uma espécie de Assalto...

Boas caros leitores deste blog!

Hoje mais uma história escrevo neste bolg depois de um dia de serviço na 742 com o regresso do trânsito intenso a juntar-se ás terríveis obras do metro, junto a S.Sebastião que nos obriga a dar voltas, voltas e mais voltas.


O serviço até corria bem e correu, tirando a maluqueira de quem não tem nada para preencher as suas tardes como aquele passageiro que entrou na rua do Cruzeiro, com destino ao Pólo Universitário da Ajuda.


Perdão. Eu disse passageiro? ! Bem, bilhete não tinha e também não o comprou e depois para não bastar decidiu pregar um susto a quem ia no autocarro, mas creio que sem muito êxito.


Dizia ele que se tratava de um assalto e para todos ficarem quietos que só queria o portátil de um, a carteira de outra e que o motorista encostasse o autocarro. Olhei "sorrateiramente" pelo espelho e vi que a pistola que queria mostrar era apenas a mão de punho fechado com indicador apontado, tal qual o formato de uma pistola.


Ninguém lhe ligou nenhuma, porque via-se logo que era mais um dos afectados pela onda de criminalidade que abala o país, mas este, afectado de outra forma. Enfim mais um episódio para mais tarde recordar.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Agosto

Pois é, pouco tenho escrito por aqui.

Sinais que tudo se passa com normalidade e que pouco há a acontar nesta calmia de Agosto, que prestes acabará coma chegada de Setembro e o regresso às aulas. Vem ai o regresso da confusão com as mochilas nas costas a baterem no visinho do lado, os papás a levarem os meninos aos colégios e a entupirem as ruas, como costuma acontecer no Valsassina, ali em Sete Rios na estrada das larangeiras, enfim numa série de locais impróprios para estacionar.

Quanto ao Agosto é a calma de sempre, com a maioria das pessoas de férias o que nos deixa mais à vontade pelas ruas de Lisboa, embora o cuidado tenha de ser o mesmo porque andam por aí muitos espanhóis, francêses, etc que basta pensarem que têem de virar à esquerda ou à direita e zásssssss, nem pisca fizeram nem nada que se pareça.

Confusão mesmo só na zona do El Corte Inglês onde as obras do metro causaram novas alterações, dand mais um desvio às carreiras 718,742 e 203. Mesmo assim ainda se vai fazendo, bonito de se ver será no próximo mês.

A quem esteve de férias, desejo um bom regresso ao trabalho, para quem ainda vai... umas boas férias!

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Há dias... e dias!


Com este post, coloco em dia este blog (diário) e nele conto duas situações, a primeira passada no dia 13 de Agosto, num semi-serão na carreira 36, e bem perto da hora de recolher.

Do lado do passageiro, primeiro veio uma indirecta, mas logo se remediou com um elogio daqueles que sabe mesmo bem ouvir de vez em quando.

Estava a chegar ao Lumiar com destino ao Sr.Roubado quando fui abordado da seguinte forma... «O sr. a conduzir assim, mais uma hora e estava no Porto, tal a rapidez.» e quando me preparava para responder, lá soltou... «Mas deixe-me dar-lhe os parabéns que, apesar de rápido também conduz bem e ainda é tão novinho.»

Agradeci o comentário e lá foi ela pelo Lumiar enquanto continuei rumo ao Sr.Roubado.

Já mais recentemente tive um susto que nunca tinha tido. A manhã de feriado estava a ser demasiado calma na 106 até á 3.ª viagem onde me assustei com um cavalo!

Isso mesmo um cavalo. O bicho apareceu desalmado, talvez assustado com algo pela ribanceira abaixo, ali p’ros lados da Torrinha e não fosse eu ter acelerado ele embatia mesmo na lateral do autocarro. Os passageiros também se assustaram porque viram a cavalagem que era a força dos vidros a partirem-se se o coitado do animal entrasse pela lateral do B7L a dentro.

Ao que parece o cavalo até é calmo e costuma por ali andar a pastar. Confesso que nunca o tinha visto, mas desta vez vi-o bem e mesmo na estrada. Pois “cavalos” até se vêem alguns por aí mas como aquele são poucos ...

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

2.000 horas sem registo de acidentes e a primeira queda...

Quando me preparo para receber o primeiro prémio de condução defensiva (2.000 horas sem registo de acidentes), pasado 1 ano e 5 meses desde a minha entrada na Carris, eis que surge o primeiro incidente que para a empresa é considerado acidente.

Carreira 745, com destino ao Prior Velho. A manhã até estava a correr bem, apesar do calor que se fazia sentir no interior do B10M, numa manhã soalheira que já tinha transportado umas boas dezenas de turistas recém-chegados a Lisboa.

Perto das 11h00 mandam-me parar na paragem do Mercado da Encarnação. Uma senhora com os seus 77 anos entra e aguardo que se sente para evitar qulquer contra tempo. Já sentada no lado esquerdo do articulado e dois lugares atrás do meu lá ia ela até à próxima paragem, já na quinta do Morgado, mas quando faço a curva para entrar neste bairro, mais concretamente na Rua Vice-Almirante Augusto Castro Guedes, eis que o som de um trambolhão soa-me aos ouvidos.

Assustado encostei o autocarro e fui ver o que se havia passado, quando me deparo com a cliente que havia acabado de entrar. Não hesitei em perguntar, já depois de saber como estáva... «Porque é que a senhora se levantou?», ao que me responde: «Não me levantei! Ia sentada mas desiquilibrei-me com a curva».

Dadas as queixas apresentadas pela senhora, chamei o INEM e solicitei duas testemunhas, porque já sabia o que dali podeia vir.

De facto a um motorista de autocarro acontece um pouco de tudo e até na chamada ao INEM, há algo a contar, porque depois de solicitada a emergência e já passados 15 minutos recebo uma chamada do INEM a pedir identificação exacta do local. Como não via a placa indicativa do nome da rua, dei pontos de referência como: «Quinta do Morgado, junto ao mercado da Encarnação», e do outro lado dizem-me: «Mas isso não é sacavém!»

«Mas ninguém vos disse Sacavém. Aliás nem o podia dizer porque a carris não opera em Sacavém», disse eu. Lá se dizem esclarecidos, mas até aparecerem foi mais 10 minutos e pelo meio mais um contacto e desta feita com o CODU (Centro de Orientação de Duentes Urgentes) na linha, e logo me lembrei do que se havia passado há tempos em Alijó.

Explicada a situação, lá a ambulância localiza o local e diz que posso desligar. Entretanto no local chega a técnica da carris para tomar algumas notas.

Chega então a ambulância e logo após uma brigada de trânsito para que suprasse o balão. Estava montado o aparato em plena quinta do Morgado com curiosos por perto a tentarem saber o que havia acontecido.

Estreava-me assim com as burucracias de um acidente, do qual já pedi a descaracterização, esperado agora que as testemunhas respondam e que o mesmo seja descaracterizado. Quanto À senhora em questão, não teve nada de grave, apenas foi ao hospital tirar um RX. Do mal o menos...

É caso apra dizer que até sentadas caiem nos autocarros. Enfim mais um dia nesta carreira de motorista...

domingo, 17 de agosto de 2008

As recolhas da discórdia...

755 MUSGUEIRA
35 MUSGUEIRA
36 MUSGUEIRA, entre outras...

Eis algumas das bandeiras de destino que causam sempre confusão entre passageiros distraídos e motorista da Carris.

A primeira (755) recolhe com as referidas bandeiras, proveniente de Sete Rios, pelo percurso da carreira até à Av.Brasil onde entra na rua das Murtas com destino à Musgueira e é precisamente nesta paragem da avenida do Brasil que tenho a primeira história deste capítulo.

Antes de encostar à faixa da esquerda, verifiquei pelo espelho que resistiam duas passageiras distraídas certamente. Gentilmente prontifiquei-me a encostar o autocarro à paragem e informar que o mesmo ia para a recolha – Musgueira, ao que uma saiu agradecendo, não tendo o mesmo acontecido com a outra.

Confusa, a cidadã brasileira questiona-me: «Pra onde você vai?», ao que volto a dizer que vou com destino à Musgueira. Em tom revoltado diz-me: «Mas eu vou pra av.igreja...»


Contem até 3 para mim e informei: «Terá de descer aqui e apanhar o autocarro que diga nas bandeiras “755 Poço Bispo”, ao que de imediato me responde: «Mas eu pego todas as noites o 755 e agora o senhor me diz que não passa lá?!»

Pacientemente lá tornei a explicar, que aquele carro ia recolher pelo que ia por um percurso diferente, tendo ela de estar atenta às bandeiras.

Desagradada com o facto de ter de sair: «Você não tem de me expulsar do ónibus porque eu pego toda a noite 755... Está sendo muito indelicado»

A paciência esgota-se e digo: «Eu não a tou a expulsar, apenas alertei, mas sendo assim, parece que quer descer na Musgueira...» e fechei a porta. Também ela chateada, informa-me que sai ali mas que iria apresentar queixa minha, coisa que não aconteceu...

Na 35 também já há algo idêntico, mas mais “soft”. Local: Hospital Júlio de Matos, viro à direita em vez da curva habitual à esquerda com destino à cidade Universitária e eis que surge lá do fundo um desabafo: «O senhor enganou-se!»

E eu respondo: «Eu não me enganei. A senhora é que parece estar enganada porque este autocarro vai para a Musgueira», chateada lá saiu a palavrear algo que não fiz questão de tentar perceber dada a má educação da mesma...

Enfim situações diferentes mas com o mesmo fim e que também já me aconteceram no Lumiar com a 36... E a desculpa é quase sempre a mesma: «O senhor mudou agora as bandeiras porque dizia lá....»

sábado, 16 de agosto de 2008

Perguntas teimosas da sabedoria...

Se há coisa que rapidamente me faz passar da simpatia à antipatia, mas que é algo com que já vou lidando melhor são as perguntas sem nexo. E elas surgem quase todos os dias.

A típica pergunta: «Sabe dizer-me qual o autocarro que apanho para o Hosp. Santa Maria?»
Ao que respondo: «Este (35) por exemplo vai para lá!...»
Ao que volta a perguntar: «Então mas não era o 755? É que disseram-me que só o 755 dava...»
Aqui está um pouco resumido porque se for a postar uma conversa deste tipo completa também vocês iriam perder a paciência de ler o resto.

Depois também há o contrário, que é entrarem no autocarro, sentarem-se e passado um tempo solicitarem: «Não se importa de dizer quando chegar-mos a Santa Apolónia?!...» e se estou a fazer a carreira 7 respondo como é natural: «A senhora desculpe, mas este autocarro não passa em Santa Apolónia. Terá de descer na P.Chile e apanhar o 706 ou o 35...»

E ela responde: «Desculpe, mas disseram-me que era o 7!»
Eu: «Mas disseram-lhe mal, porque o 7 circula entre Sr.Roubado e P.Chile»
E ela: «Pois mas eu apanhei este porque garantiram-me que passava em Santa Apolónia» entretanto lá se esgota a paciência
E eu: «Então deixe-se estar sentadinha e quando vir a estação Santa Apolónia, toque para sair, já que não acredita no que lhe estou a dizer...»

Remédio santo para ela dizer: «Pronto se o senhor diz, saberá certamente melhor que eu...»

Enfim, mais uma das histórias com que vamos lidando e aprendendo a lidar.

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Rebuçados na 777...


Quando a esmola é muita até o pobre desconfia, mas por vezes a simpatia e a maneira como as coisas são feitas tiram qualquer dúvida que resista.

Estava, creio na 3ª ou 4ª semana de trabalho e estava a fazer a carreira 777 – carreira que fiz muitas vezes nos primeiros meses de trabalho – quando uma senhora entra e diz: «Já ontem andei consigo aqui e está cá outra vez hoje...»

Um pouco a quente respondi: «É verdade e não é que goste muito de aqui andar...», pois na altura a carreira ainda passava pelo interior do bairro sete céus. Conhecendo a dita senhora a população ali residente, ou melhor, uma parte da mesma, lá me foi dando alguns conselhos, não fosse eu estar ali sem conhecer a zona. A conversa foi tão agradável e simpática que se arrastou até ao Campo Grande e pelo meio lá deixou na banqueta rebuçados Dr.Bayard e uns de café, e lá deu a saber que seu marido se encontrava muito doente e que iria comprar medicamentos para ele.

E aqui entra também um pouco da nossa acção Social...

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

As primeiras histórias e aventuras desta carreira...

Quando entrei na Carris, tal como tantos outros, de imediato me disseram que iria ter muitas histórias para contar e é verdade. Passado cerca de um ano e meio – altura em que escrevo este capítulo – recordo-me de algumas de muitas histórias caricatas.

Por vezes chego a casa e acabo por comentar este ou aquele episódio e logo me dizem...«A tua vida parece um filme». Mas não é a minha vida, mas sim a vida de um motorista da Carris.

Nos primeiros meses de trabalho, escalado para a carreira 108, rendo o companheiro na Musgueira que é o local de rendição desta carreira. Logo fui informado que o espelho direito estava estalado. Verifiquei o mesmo e pensei. “Vou até ás Galinheiras para ver como corre a coisa...”

Certo é que a dificuldade em visualizar a lateral direita do autocarro era muita e para não bastar o amortecedor da cadeira do motorista devia ter a mola pasmada e com os ressaltos do asfalto, sofria pancada nas costas porque a cadeira embatia no extintor.

Pensei: “Se vou andar assim com este carro 7 horas seguidas, saio daqui pronto para uma visita ao Hospital para fazer um RX à coluna”. E pedi fonia à CCT – Central Comando de Tráfego, a fim de relatar as avarias.

Do outro lado de imediato me responderam, já depois de lhes ter informado... «Sr.Motorista, já andaram ai dois colegas e ninguém se queixou...»

Fiquei chateado com a resposta, pensado que seria por ser “maçarico”, mas não. O colega da CCT devia estar mesmo mal disposto, ou num dia menos bom. Vendo que não valia a pena chatear-me segui rumo ao C.Grande.

Nem de propósito... também aquele autocarro parecia estar em dia não! Um passageiro alerta-me para o facto do carro estar a perder óleo. Fui verificar o compartimento do motor e parecia ser um tubo roto. Pedi fonia mas ninguém atendia até que chegou outra chapa e através dessa pedi para ligar á CCT.

De imediato duvidaram da minha palavra até que tive de dizer: «Estou a alertar do sucedido. Se houver mais algum problema acrescido desta situação, a responsabilidade não será minha!» Foi o essencial para me solicitar a troca de carro na estação. Mas como o azar não ficava por aqui, o carro que haviam trocado saiu da estação e quando subia para as galinheiras fiquei sem correia do alternador. Nova troca e finalmente pude continuar o serviço sem precalços.

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