segunda-feira, 16 de março de 2020

No 1º Dia com medidas de contenção ao COVID-19, não há como descrever a atitude de algumas pessoas...

Depois de dois dias em isolamento voluntário aproveitando a boleia da escala de serviço que ditou folga no fim-de-semana, hoje foi dia de regressar ao trabalho. Tal como eu muitos dos portugueses regressaram hoje ao trabalho e enfrentaram novas medidas e novos hábitos de forma a conter a proteger todos do novo coronavírus. Aqueles que não podem ficar em casa adoptando o tele-trabalho têm então de prosseguir a sua vida até que seja decretada a quarentena. Nos transportes, a entrada passou a ser feita pela porta de saída, a venda a bordo foi suspensa e a validação deixou de ser obrigatória, medidas apresentadas pela Carris no sábado, conforme o Diário do Tripulante deu aqui a conhecer.

Ditou a escala então, que hoje iniciaria a semana ao serviço na carreira 24E entre o Largo Camões e Campolide, mas já a caminho do trabalho constatava que a afluência aos transportes era menor, e o mesmo acontecia com o trânsito, porque recorde-se, hoje foi o primeiro dia sem aulas, no âmbito das medidas de contenção apresentadas pelo Governo Português. Aqueles que não encontraram as medidas de segurança ainda implementadas, defenderam-se como puderam, seguindo as regras impostas pela empresa, os tripulantes mantiveram a porta da frente encerrada, o que deixou muitos passageiros surpreendidos e até mesmo chateados. 

O ser humano consegue sempre surpreender-nos e nem perante uma situação crítica como a que vivemos devido ao vírus mortal que se faz sentir no Mundo e em especial na Europa, deixa de o fazer. Perante a minha indicação gestual de que a entrada se fazia por trás, muitos insistiam que queriam entrar pela frente, ao mesmo tempo que outros esmurravam a porta da frente para ver se a mesma passava a abrir. A entrada por trás nem sempre foi feita como ditam as regras do bom senso, de deixar sair primeiro e entrar depois, mas tendo em conta que estava na 24E com pouca afluência, esse nem foi o mail maior. 

Outra das atitudes que reparei ao longo do serviço, foi a preocupação com que hoje toda a gente acordou, no que à validação do título de transporte diz respeito. Mesmo com uma fita a delimitar a margem de segurança junto ao validador, foram vários os passageiros que após entrarem por trás, se deslocaram à frente para o fazer. Não reprovo de todo a atitude, porque demonstra responsabilidade em querer pagar um serviço de transporte, contudo, o que não me deixa de causar estranheza é que quando nada fazia prever uma situação como a actual, sempre que alertava algum passageiro por não ter validado era o fim do mundo, hoje todos querem validar. Quando normalmente se entra pela frente e sai-se por trás, todos querem entrar por trás e agora que a entrada faz-se por aí, todos querem entrar pela frente. Vai-se lá entender esta gente!  

Mas pior que isso, pior que não respeitarem quem está a trabalhar para tentar manter a cidade dentro da normalidade possível, são aqueles que se transportam e que ao telemóvel comentam que "isto parece é um Carnaval, tudo com máscaras e luvinhas..." Acho mesmo que as pessoas ainda não caíram na realidade e só quando olharem à volta e virem pessoas a cair para o lado, vão tomar as devidas precauções. Depois há os turistas, sempre com atitudes hilariantes como andarem a lotar carros na carreira 28E como se nada fosse. Vi pelo menos dois, onde a margem de distância para o passageiro do lado não era certamente superior a 30 centímetros, quando o aconselhável é 1 metro.

Largo do Rato - 13h00 - 16/03/2020
Turistas que ao entrarem se riem da sinalética, que gozam com a situação, gente sem escrúpulos que devia estar em casa, isolado porque não estão a trabalhar, estão simplesmente a passear, e quando assim é, numa fase como estas onde os casos confirmados aumentam em catadupa, nada mais há a dizer destas atitudes para as quais começo já ter alguma dificuldade em encontrar adjectivos que classifiquem tamanho egoísmo e falta de responsabilidade. 

As fronteiras aéreas continuam abertas e o movimento no Aeroporto de Lisboa é o que se tem visto pelas redes sociais. Gente que chega, sabe-se lá de onde, que não é sujeita a qualquer teste nem medição de temperatura e que horas depois estão a entrar dentro de um autocarro ou eléctrico, cruzando-se com quem tem obrigatoriamente de ir trabalhar. Mas até quando Portugal?

Hoje custou-me regressar ao trabalho, hoje custou-me ter de transportar pessoas que não são sequer dignas desse nome e só espero sinceramente que tudo isto passe rapidamente para vos desejar boas viagens a bordo dos veículos da CCFL, porque nenhuma empresa, nenhum trabalhador, está preparado para um surto víral como este, mas cabe-nos a nós todos juntos ajudar a parar esta propagação mortal que nos tira o sono e que nos quebrou as rotinas. Resumindo, após as atitudes que observei hoje, considero que só vamos vencer isto com um "Estado de Emergência", obrigando todos a ficar em casa! 

#Fiqueemcasa , por mim, por si, por nós todos! 

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