sábado, 22 de fevereiro de 2020

Mais uma viagem, mais uma interrupção: Um "grande" carro para um condutor tão "pequeno"

Certamente que já teve alguma vez conhecimento de uma interrupção de serviço devido a carros mal estacionados, nomeadamente no serviço de eléctricos, quer seja através das notícias vindas a público, quer seja por viajar de eléctrico ou até mesmo através deste blogue. Na verdade, a Câmara Municipal  de Lisboa em cooperação com a EMEL, tem tentado colmatar este problema na cidade, contudo a falta de civismo ultrapassa a escala e torna-se complicado responder a todas as ocorrências. Só em 2019, a Carris perdeu 743 horas de serviço, devido a carros mal estacionados ou parados em segunda fila. "São só cinco minutos".... aqui, mais cinco ali e acolá.

Contudo, não adiantam as campanhas levadas a cabo pela autarquia quer através de mupis publicitários nas ruas, quer através das redes sociais, porque o condutor pensa cada vez mais, única e exclusivamente no seu umbigo. Hoje na carreira 24E o dia de serviço estava prestes a ser diferente de tantos outros. Saí da estação às 06h58 para realizar serviço entre o L.Camões e Campolide e tudo parecia correr fora da "normalidade" para uma carreira que costuma ter algumas interrupções. Na verdade ao fim de 6 horas não tinha tido nenhuma interrupção e pouco mais de uma hora faltava para concluir mais um dia de trabalho. 

Até que... a 45 minutos de ser rendido no Largo do Camões por um colega que continuasse assim o serviço da carreira na parte da tarde, eis que na viagem anterior com destino a Campolide na chegada às Amoreiras, avisto ao longe um carro com a frente saída que através do meu azimute apurado, logo me fez crer que dali não iria passar. E confirmou-se! 

Aproximei-me da paragem na Av. Conselheiro Fernando Sousa e constatei que o grande Tesla, também eléctrico e dotado de sensores e tecnologia por todos os lados, impossibilitava a passagem do eléctrico rumo ao seu destino que era Campolide. Toquei à campainha para ver se o condutor estaria por perto, mas sem êxito. Os passageiros que seguiam a bordo, seguiram o resto do trajecto a pé enquanto dei conta da interrupção à Central de Comando de Tráfego da Carris, a fim de ser accionado o reboque. 

A verdade é que nunca esperei o desfecho que viria a ter, muito embora já calculasse que não iria terminar o meu dia de trabalho, na hora prevista. A polícia Municipal até foi rápida a chegar ao local com o reboque. Diria que não tardaram mais que 20 minutos, contudo a reacção dos agentes à chegada foi logo esclarecedora. Era impossível retirar o Tesla do local, não só pelas suas dimensões e peso, mas acima de tudo porque parecia ter sido ali estacionado tipo rolha de cortiça. Pressionado entre o abrigo da paragem e o carro de trás. O condutor, ao contrário do próprio carro, não estará certamente dotado de inteligência, respeito e acima de tudo, civismo. 

O reboque tentou levantar o carro para o puxar para dentro, mas ele nem mexia. A boa vontade dos agentes da Polícia Municipal para tentar remediar a situação, não foi suficiente, e restou apenas chamar os colegas dos bloqueadores para bloquear o veículo. Quanto aos eléctricos, aqueles que circulam sobre carris e que são o transporte público de muita gente, tiveram de ficar parados. A carreira 24E ficou assim temporariamente suspensa devido ao comodismo e à falta de civismo de quem quis colocar "o rossio na rua da betesga". Restava então aguardar a chegada do proprietário. 

Não sei quanto tempo permaneceram os eléctricos parados, o certo é que eu saí do local já bem perto das 15h quando fui rendido e tudo permanecia igual desde o momento a que ali tinha chegado, ás 13h31. Assim, ficaram muitos passageiros impedidos de usar a carreira 24E, muitos turistas privados de usar o eléctrico, e eu que devia ter terminado o meu dia no Largo do Camões ás 14h11, saí muito depois dessa hora e nas Amoreiras. Todos prejudicados porque a falta de civismo continua a imperar nas ruas de Lisboa, onde há cada vez menos respeito pelo transporte público.  

Resta agradecer o esforço, ainda que inglório dos agentes da Polícia Municipal que, com os meios disponíveis tentaram o melhor, ainda que o melhor tenha sido insuficiente para resolver rapidamente a interrupção do serviço.

Boas Viagens a bordo dos veículos da CCFL.


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