terça-feira, 10 de abril de 2018

Quando inesperadamente África está tão perto, como o 24 está perto de regressar...



Mais uma volta mais uma viagem... mais uma semana e com muita chuva à mistura. E no meio de tanta confusão há sempre alguém que pergunta se do outro lado do rio é África, se o eléctrico vai para Algés, quando acabam por descer em Santo Amaro, ou se já não há eléctricos só porque aparece um autocarro com "15E P.Figueira" na bandeira de destino. Há de tudo e para todos os gostos. E depois há também aqueles momentos em que se chega ao terminal, todos os passageiros saem, faz-se a vistoria para ver se nada ficou esquecido e se regressa ao posto de condução. 

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Assim foi hoje a meio da manhã quando em Algés, após a revista ao autocarro me desloquei ao posto de condução e fechei a folha da viagem ali terminada. Nada tinha ficado esquecido, ou melhor...

A certa altura coloco a moldura horária já com a folha fechada e pronta para nova viagem e eis que, ouço no meio do silêncio do autocarro, só interrompido pelo som da chuva lá fora, sons vindos de África...


Não seria esta possivelmente a banda mas o som e o ritmo estava próximo, através de um toque de telemóvel que afinal tinha ficado esquecido, embora não o tenha visto. Levantei-me e fui em busca do som... vinha do meio do autocarro, ali entalado entre a cadeira e o painel lateral do autocarro, porque provavelmente caiu do bolso da sua proprietária. Tocava mas estava já na hora de partir. Esperei chegar ao terminal seguinte e caso tocasse atendia, mas a pessoa procurava-o insistentemente ao longo da viagem.

De Algés ao Cais do Sodré, os ritmos africanos estiveram bem presentes animando aquela viagem. E porque foi no Cais do Sodré que uma passageira entra e questiona: "Bom dia senhor motorista, não encontraram aqui nenhum telemóvel?", questionei depois eu como era o telemóvel e o mesmo foi descrito. Disse-lhe que o tinha encontrado mas que não tinha atendido por estar a conduzir...

"Mas podias atender...!" 

Disse-lhe que não, porque estava ao volante. Mas cansada de esperar pelo regresso do autocarro vindo de Algés, desabafa "mas como então ia saber onde estava se não atendias?"  E lá lhe expliquei que caso não voltasse a tocar quando estivesse parado, ou caso não o procurassem, seria entregue na estação de recolha e a proprietária teria de contactar a Carris no sentido de saber se tinha sido encontrado. Esclarecida a senhora agradeceu e acrescentou "mas que sorte o senhor ter encontrado..." e lá foi descansada e a dar a conhecer aos seus contactos que o mesmo já estava e novo em seu poder...

E tudo isto depois de uma noite emocionante e histórica nos carris de Lisboa, com o regresso da Zorra Z-1 ao troço Príncipe Real - Campolide, com vista à preparação dos carris para o regresso da carreira 24E, isto 23 anos depois de ter sido suspensa. 


Boas viagens a bordo dos veículos da CCFL. 

[n.d.r.: O clip de música foi escolhido aleatóriamente por semelhança ao rítmo ouvido no autocarro inesperadamente]

1 comentário:

CR 35 disse...

Engraçado.Alguém já reparou que até nos toques de telemóvel conseguimos fazer um perfil de uma pessoa. Basta ouviu-los e quase que adivinhamos de que nacionalidade,etnia,modo de vida,alta,baixa e do bairro é o dono. Não é preciso Facebook para sacar dados.

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