sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Quando o regresso à Ajuda faz jus ao nome do destino

Passou o mês da celebração dos 145 anos da Carris e estamos já em Outubro com um Outono pouco comum, com temperaturas altas que ainda não convidam à bela da castanha assada, apesar dos fumos dos assadores andarem já pelas ruas de Lisboa. O calor tem marcado presença e talvez por isso o turismo continue em altas. As ruas repletas, os eléctricos cheios, os cruzeiros a reservarem bastantes eléctricos e até os Reis da Holanda andaram por cá. Lisboa está mesmo na moda e como tal é urgente a aposta nos eléctricos porque eles são cada vez mais o postal vivo da cidade que qualquer turista quer ver, viajar e mais tarde recordar. 

Tiram-se fotografias, fazem-se vídeos mas acima de tudo viaja-se e não interessa para onde até que a certa altura numa manhã da carreira 18E já depois de entrar no eléctrico e validar o título de transporte uma passageira questiona se passo na Junqueira. Digo-lhe que não e indignada questiona-me: "Então?" E de seguida esclareço... «Então, não passa. No Calvário vira para a Ajuda.» Confusa a passageira não sabe se há-de sentar-se ou sair e pergunta, "então mas que eléctrico é este?" e digo-lhe que é o 18E. Prontamente me responde que "não entendo como é que vai para a Ajuda e não passa na Junqueira..." e senta-se.

Na paragem seguinte um senhor pergunta-me se passo na Infante Santo. Digo-lhe que sim e minutos depois sai em Santos. Continuo ao fim destes anos todos de guarda-freio, sem entender o porquê de serem aqueles passageiros que diariamente viajam na Av. 24 de Julho, questionarem sobre onde passa, sabendo que naquela avenida só há a linha entre Alcântara e o Cais do Sodré que obrigatoriamente nos leva a passar na Infante Santo.

Mas o regresso ao 18E não fica por aqui. Um corte da chapa da frente a Santo Amaro, origina reclamações no Cais do Sodré quando um senhor, chateado com a vida, digo eu, entra dizendo-me de forma bastante exaltada e num tom de voz elevado que "É sempre a mesma porcaria. Tanta propaganda com a Câmara e não vejo melhoras nenhumas. O zé povinho paga o passe e vocês aparecem quando querem...", como se isto fosse literalmente assim. Primeiro porque não cabe a quem conduz gerir os horários das carreiras nem decidir os destinos e depois porque a passagem da gestão para a Câmara de Lisboa não permite que as mudanças se sintam como da noite para o dia. 


1 comentário:

PAULO ALEGRE disse...

Boa noite. Em que local foi tirada esta foto?

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