quinta-feira, 22 de junho de 2017

Um eléctrico chamado "Arraiolos"...

Podia ser um eléctrico chamado desejo, mas este é diferente e já é conhecido como o eléctrico de Arraiolos. Ora se o eléctrico não vai ao Alentejo, vem o Alentejo ao eléctrico de Lisboa. A ideia surgiu há cerca de dois anos, quando numa das minhas várias deslocações à simpática vila de Arraiolos, desafiei a artesã Maria Hortense Canelas a decorar um eléctrico em Lisboa, até porque já tínhamos na altura, dois forrados a cortiça. Nessa mesma altura Hortense tinha vindo do Vaticano onde tinha entregue um tapete ao Papa Francisco. 

Sempre pronta a novos desafios, Hortense de imediato me deu luz verde para tratar dos contactos e de se avançar com o projecto, mas não era assim tão fácil, até que só um ano depois tive resposta. Mas como quem espera sempre alcança, assim que me questionaram por parte da Carristur se a ideia se mantinha de pé, a resposta foi obviamente que sim. Sobretudo porque este projecto seria fundamental no apoio aos artesãos que há tantos anos lutam pela certificação desta arte secular que é, a confecção dos tapetes de Arraiolos. 

Do mail, passámos à primeira reunião, onde dei a conhecer as partes e daí partimos para a apresentação de um projecto estudado e elaborado por forma a ser apresentado à administração. Peguei na máquina fotográfica, fui fotografar o eléctrico e estudar os locais onde poderiam ser aplicados os tapetes, sempre com o conhecimento e experiência da Hortense envolvidos no diálogo porque para Hortense não há impossíveis. Depois seguiu-se a fotografia aos tapetes. Juntei as peças e foi feita uma maqueta. O Turismo do Alentejo associa-se a esta ideia e apresenta-se então à Carristur um projecto final, que de imediato foi do agrado de todos. 

Seguiram-se meses de trabalho. As bordadeiras pegaram na agulha para começar a bordar o que seria o forro do tecto, baseado numa réplica do tapete oferecido ao Papa, enquanto que o desenhador tratava do desenho exterior. O carpinteiro ia preparado as madeiras onde iam ser aplicados os tapetes e a certa altura já havia cortinas e tapetes para os bancos. Ponto por ponto, os tapetes foram ganhando forma e dando um colorido diferente ao eléctrico 744 afecto ao serviço Tram Tour. Horas e horas de trabalho de todas as partes envolvidas, que deram lugar ao resultado verificado esta manhã no Largo da Graça, onde foi inaugurado.

Com a presença da Direcção da Carris e Carristur, do Turismo do Alentejo, da Presidente de Junta de São Vicente e da artesã Hortense, o Eléctrico foi o centro das atenções com quem todos quiseram tirar uma fotografia ou uma selfie. Enaltecido todo o trabalho e importância deste projecto como incentivo à certificação do Tapete de Arraiolos, enquanto as bordadeiras iam bordando tapetes para dar a conhecer aos presentes a técnica desta arte, lá partimos viagem até ao Largo Camões. 

Um dia inesquecível para mim que depois de todo o envolvimento neste projecto, me foi dada a oportunidade de ser eu a conduzi-lo na estreia, transportando assim os convidados naquele que é agora o eléctrico mais charmoso de Lisboa. Após o evento o eléctrico iniciou serviço de turismo, causando surpresa e admiração por parte dos turistas presentes em Lisboa e que tiveram a honra de poder viajar ao longo do trajecto verde da YellowBus. 

Não podia portanto deixar de agradecer à Hortense e à Carristur por terem levado a bom porto esta ideia que um dia tive em Arraiolos, vila que sugiro uma visita e que a partir de hoje terá também um eléctrico sempre presente na sua memória. Convido-vos agora a verem um video que produzi, e que mostra todo o trabalho de montagem deste projecto Electric'rug. Boas viagens!

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Histórias pelas colinas de Lisboa à boleia do eléctrico no GEO

Foi com grande entusiasmo e satisfação que a convite do GEO - Gabinete de Estudos Olisiponenses, estive neste final de tarde de quarta-feira no Palácio Beau Séjour em Benfica no âmbito do III Ciclo de Conferências dedicado a "Temas Olisiponenses". O convite surgiu devido às histórias e aventuras que aqui tenho vindo a partilhar ao longo dos anos e mais recentemente devido à publicação de livros e postais que visam manter vivo este interesse e valorização pelo Eléctrico de Lisboa.

Numa sala com frescos bonitos e repleta de habitantes de Benfica e não só, lá se deu início a mais uma palestra, desta feita dedicada ao transporte mais antigo da capital. Mas antes os visitantes e eu mesmo fomos surpreendidos com uma exposição dedicada aos eléctricos, onde estavam mapas, livros e objectos de um coleccionador que também tive o prazer de conhecer já no decorrer da palestra. 

Com início marcado para as 18h30, e depois de um tempo de desconto previsto para as chegadas de última hora, lá demos início à troca de ideias e de conhecimentos. Tinha preparado para este evento a projecção de um power point com um dos temas que mais constrangimentos tem vindo a causar aos eléctricos - as interrupções, com o objectivo de sensibilizar os presentes mas também dar a conhecer os problemas inerentes a um simples carro mal estacionado.

As reclamações, as situações que ocorrem durante e pós-interrupção e os procedimentos a efectuar nestas situações. Contei também algumas das situações mais cómicas vividas ao longo destes 10 anos de Carris, e respondi a algumas perguntas que iam surgindo de quem assistia. Entre entusiastas e anónimos, esta conferência valeu sobretudo pelo esclarecimento e pelo dar a conhecer situações que o público em geral e o passageiro desconhece. 


O que estava previsto demorar 1h00, prolongou-se por muito mais tempo e quando olhámos para o relógio já eram quase 21h00 e a sala ainda estava composta, porque os eléctricos continuam a ser um tema importante para os lisboetas, porque a conversa estava animada e interessante. No fim houve quem dissesse que a partir de hoje ia ter mais cuidado ao estacionar próximo das linhas dos eléctricos e ouve quem ficasse surpreendido com o que um guarda-freio tem de fazer ao longo de um dia de trabalho. Muitos desconheciam que o eléctrico tinha areia e outros quiseram saber para quando estava previsto afinal, o regresso do eléctrico 24.

Houve de tudo e para todos os gostos e no final houve ainda tempo para um pequeno brinde com vinho do Porto para despedida de um final de tarde muito simpático, onde as conversas fluem numa abrir e fechar de olhos. É sempre assim quando fazemos ou falamos do que gostamos. Quanto ao eléctrico 24 não pude dar resposta concreta até porque não sei. Deixo esses detalhes para as entidades oficiais, até porque estive ali a título e convite pessoal. A Carris teve conhecimento através do GEO e através do meu inspector, mas não estiveram presentes e como tal não foi possível ter uma resposta oficial sobre o 24.

Foi um final de tarde e uma folga bastante bem passada, e não posso terminar sem deixar de agradecer publicamente o convite que me foi endereçado e a hospitalidade com que me receberam. Foi um prazer ter participado nesta iniciativa do Gabinete de Estudos Olisiponenses da Câmara Municipal de Lisboa. 

Fotos gentilmente cedidas por João Lima

domingo, 11 de junho de 2017

Quando as novas tecnologias passam para a linguagem do quotidiano...

Chegou o auge das festas de Lisboa. Santo António comemora-se já na noite de amanhã, mas as festas já começaram no início do mês, trazendo para as ruas centenas de pessoas. Mas a semana até começou longe da confusão, em pleno sossego da carreira 18E onde já não era escalado há algum tempo. E que diferenças encontrei... Comecei por estranhar as saudações dos passageiros coisa rara nos tempos que correm, e depois estranhei sobretudo as alterações pós-obras na calçada da Ajuda. Mas não deixei de estranhar a quantidade de turistas que já começam a procurar o 18E, talvez para fugir às enchentes do 28E ou para conhecer outras zonas da cidade. E estranhei sobretudo porque o eléctrico andou quase sempre bem composto e porque o tempo para as viagens começou a ser mais apertado, talvez por causa dos constrangimentos causados pelas obras do Calvário, que fazem jus ao nome.

E porque de regressos se inicia este post, não posso deixar de lado o regresso também ele à 12E. Já com as sardinhas na grelha e o pão no cesto, o eléctrico rasga as ruelas da Mouraria cobertas de fumo e cheiro a grelhados. Os turistas deliram e juntam-se à festa. Lisboa está na rua e confusão não falta nos bairros históricos da cidade onde se comemoram os santos populares. A zona do Castelo continua a ser a mais caótica e perdemos imenso tempo entre São Tomé e as Portas do Sol. Mas como depois da tempestade vem a bonança, nada como acabar a semana na 15E com o sossego de trabalhar numa cabine onde nos livramos daqueles amassos habituais da 28E. 


Ok, temos o bater na porta para trocar dinheiro ou para comprar o bilhete, ou até mesmo para perguntar se vamos para Belém, mas esta semana descobri uma nova forma de se comunicar. Na Praça da Figueira uma rapariga pretendia saber se eu ia para Algés, apesar de na bandeira já ter o destino "15E BELÉM", e como não havia vidro para abrir, e como não estava a entender o que a rapariga pretendia, ela à boa maneira portuguesa, desenrascou-se e pegou no telemóvel, entrou no facebook e escreveu no seu mural com fundo colorido a questão "Vai para Algés?" , disse-lhe que não e ela agradeceu com um like! Chegam assim as comunicações digitais ao quotidiano dos nossos passageiros. 



sábado, 3 de junho de 2017

Turismo com fartura e fartura de arraiais no mês das festas de Lisboa

Mais um verão e mais umas festas da cidade, onde o caos se instala porque Lisboa continua a ser divulgada lá fora, mas pouco se faz cá dentro para termos melhor capacidade de resposta para enchentes como as que verificamos diariamente quer no trânsito quer no número de turistas nos nossos eléctricos. A semana tem sido portanto de loucos e bastante cansativa. Comecei a semana com reclamações pelo facto das agências de turismo agora terem ganho o hábito de ir com um autocarro descarregar grupos de turistas ao terminal dos Prazeres visto que no Martim Moniz as filas são sempre enormes, mas o certo é que pouco podemos fazer quando estes grupos ali se deslocam e entram com cartões "viva viagem" pré-carregados. 

As reclamações sucedem-se também no que aos tempos de espera diz respeito e agora a frase da moda preferida pelos nossos passageiros é que «isto mudou para a Câmara mas está igual ou pior ainda...», mas o certo é que as alterações não se fazem assim num abrir e fechar de olhos e o certo é que anda tudo saturado. Clientes e Tripulantes, que se deparam com uma cidade que permanece com muitas obras onde há cada vez mais passeio e cada vez menos estrada. Está bonita a cidade mas pouco prática, até para o transporte público. Mas deixemos a análise deste tema para o fim de todas as obras.

Agora o que interessa é que já cheira a sardinha assada e manjerico. O Santo António está à porta e nas ruas estão já os arraiais que trazem sempre centenas de pessoas para as ruas dos bairros mais pitorescos de Lisboa onde passam por exemplo, os eléctricos 12, 25 e 28. E se no Corpo Santo, a festa dos comes e bebes faz-se sem grande mossa, o mesmo já não se passa em São Tomé, onde trânsito, peões e barraquinhas se juntam para serem causa de inúmeros atrasos nas carreiras que ali passam. É portanto urgente a presença da Polícia Municipal naquele troço histórico de Lisboa, que não tem capacidade para tanta gente, a fim de ser colocada ordem no trânsito para que não estejamos ali parados aos 15 e 20 minutos.

Junho é por norma mês de festas e romarias na capital e o Diário do Tripulante associa-se às festas e no âmbito das palestras do Gabinete de Estudos Olisiponenses, aceitou o convite para estar no próximo dia 21 Junho pelas 18H30 em Benfica a contar algumas das "histórias pelas colinas de Lisboa à boleia do eléctrico", onde será focado um tema que causa inúmeros constrangimentos à circulação dos eléctricos nesta cidade, como forma de alertar e consciencializar a população de Lisboa.

E como não há festas sem surpresas, também este mês a Carristur inaugurou o novo serviço de Aerobus, com alterações nas rotas existentes, passando agora a serem circulares. Ainda durante este mês uma novidade chegará às ruas de Lisboa por intermédio da YellowBus Tours, por isso fiquem atentos que Lisboa fervilha de festa e turismo.


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