quarta-feira, 19 de abril de 2017

28E: De volta às ruas que me viram crescer...

Eram 7h00 quando dava entrada nesta manhã de Quarta-feira, na estação de Santo Amaro. O meu serviço iniciava às 7h20 e marcava o meu regresso à carreira 28E depois de cinco meses afastado devido a uma limitação física temporária, causada pelo acidente de Novembro passado. Debelada a lesão, lá regressei com algum entusiasmo confesso ou não fosse esta a minha carreira preferida. Foram 5 meses mas pareceram muitos mais. Limitado à carreira 15E, nomeadamente ao eléctrico articulado onde viajamos fechados numa cabine, foi portanto algo estranha a diferença sentida ou então era apenas por estar uma bonita manhã em Lisboa que todos diziam "Bom dia"...

De Santo Amaro ao Martim Moniz foi um pulo e de repente já tinha cerca de 25 pessoas prontas para subir o estribo do 28E neste dia de regresso às aulas. Muitos estudantes a caminho do Largo da Graça e alguns turistas que procuram cedo, descobrir Lisboa de eléctrico porque provavelmente já tinham visto na véspera as longas filas pela tarde. Ao longo da viagem que parecia a primeira quando comecei a desempenhar funções de guarda-freio na empresa, fui descobrindo algumas novidades. Uma loja nova, uma obra acabada, um Largo da Graça totalmente diferente e um regresso ao bairro que me viu crescer...

Da Graça a Alfama é só descer a Voz do Operário e deixar rolar pelos carris as rodas que ainda cedo chiam ao curvar a rua onde tantas vezes joguei à bola, ou nas Escolas Gerais onde passava tardes junto do sinaleiro da Carris à espera que chegasse o eléctrico para vira a raquete. Mais uma paragem e mais uma cara conhecida. «Olha o Rafael...Então os pais estão bons? Está tudo bem lá por casa?» e de seguida logo outra passageira solta um desabafo «Pensei que lhe tinha saído o euromilhões...» pois antes fosse. 

As viagens prosseguiram sem grandes percalços e interrupções e o regresso ao famoso 28E não poderia ter corrido melhor, tirando o pormenor apenas de à 3ª paragem já estar quase sem trocos porque hoje todos pareciam ter combinado entrar com uma nota de 20€ para pagar um bilhete..

Mas 28E sem peripécias não é 28E e não podia deixar de aparecer a turista que no Largo da Graça já depois de ter passado a paragem do Castelo me pergunta pelo dito. Digo-lhe que já passámos e que tinha de sair e apanhar no sentido contrário o eléctrico e descer na quarta paragem. A mesma diz "ok, ok" e senta-se. Chegados ao Martim Moniz informo que é o terminal. E elas riem-se e perguntam "então mas onde é o Castelo?" e depois de também eu sorrir, lá lhes disse que era la no topo, apontando para as muralhas visíveis do Martim Moniz... Agora é voltar a apanhar novamente ali à frente porque esta viagem terminou mas outra está para recomeçar, e assim é a rotina diária pelos carris de Lisboa...


quinta-feira, 6 de abril de 2017

De volta ao carro da Estrela quatro meses depois...

Quatro meses passaram desde a última vez que tinha conduzido um eléctrico remodelado, mais conhecido como o tradicional eléctrico lisboeta. E desde então nunca mais tinha conduzido, porque há precisamente quatro meses, no decorrer de uma viagem no eléctrico 28E, fui abalroado por um pesado de mercadorias que desgovernado embateu no meu eléctrico, deixando-o pronto para uns valentes meses no estaleiro e levou-me para o hospital com uma fractura num dedo. A fractura curou-se com recurso a uma tala, mas a tala acabou por provocar uma lesão no nervo radial, que me levou à baixa e posteriormente a um regresso com incapacidade temporária que me limitou à condução dos eléctricos articulados na linha 15E.

Foram quatro meses, que pareciam anos, mas a última consulta médica as noticias eram mais animadoras e podia voltar progressivamente à condução dos tradicionais eléctricos, com o objectivo de ver se na próxima consulta não há retrocessos e posso voltar a 100%. Assim foi. Hoje regressei às "casinhas" amarelas na carreira 25E, a tal pela qual nunca morri de amores, mas e não é que adorei?

O aviso sonoro das paragens, deram lugar à saudação de alguns passageiros. A indicação de que o bilhete é comprado na máquina, deu lugar à venda pessoal do bilhete. O poder da condução voltou porque o eléctrico remodelado depende e exige mais de nós. Mas voltaram também as interrupções e hoje foi apenas uma mas durou mais de uma hora. 

Encontrei uma Lisboa diferente, porque há muito que não ia para aqueles lados do 25E. Mas há coisas que não mudam. O cheiro da laca dos cabelos aperaltados que se preparam para uma tarde de passeio no eléctrico da Lapa, ou a velha expressão «Pode-me dar aqui um jeitinho?» e, ou era por há muito não ter um contacto para além do vidro da cabine ou hoje dado o sol que se fazia sentir, os passageiros estavam todos muito simpáticos. 

O serviço decorreu sem grandes percalços e a mão respondeu bem, apesar de notar algum cansaço muscular, o que é perfeitamente normal para quem esteve mais de 3 meses apenas nos articulados. Agora é esperar que a recuperação atinja os 100% e para lá vamos sem pressas, porque o que interessa é ficar bem para poder como hoje fazer aquilo que realmente gosto, conduzir pessoas pelas colinas de uma Lisboa cada vez mais moderna e cosmopolita.

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