quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Os Eléctricos de Lisboa numa edição de 8 Postais para coleccionar ou enviar...

Uma viagem de eléctrico proporciona sempre sensações diferentes a cada viagem. Vivências e situações que muitos gostam de partilhar com os familiares e amigos. O carro que mal estacionado impede a passagem do eléctrico é aquela que menos gostarão de partilhar porque a viagem pode ficar a meio, mas se o eléctrico passa apenas a 1 centímetro já é uma alegria enorme, nem que para tal o guarda-freio tenha de fechar o espelho do carro. A viagem prossegue e ao passar por uma rua estreita de Alfama onde o aproximar da janela do eléctrico à janela do prédio traz um agradável aroma a refugado, abre de imediato o apetite. São sensações que gostamos de repetir ou que nos remetem para outros locais e origens. O cheiro da sardinha assada nas ruas em plenos santos populares com as ruas enfeitadas, ou o cheiro da castanha assada que entra com o fumo que sai dos assadores dos vendedores de rua, ou simplesmente o subir e descer pelas sinuosas colinas de Lisboa.

Todos os que viajam no eléctrico terão certamente uma história destas para contar e partilhar e pensando nisso mesmo, mas também naqueles que coleccionam postais ou nos entusiastas deste meio de transporte, decidiu o autor deste blog criar um pack de 8 postais para que possa partilhar com o mundo as suas histórias e vivências da viagem realizada no famoso eléctrico lisboeta. E porquê 8 postais? Porque são 5 as carreiras de serviço público, mais 2 de serviço turístico e 1 postal dedicado ao eléctri'cork, o eléctrico de turismo que rasga as ruas de Lisboa forrado a cortiça.  

Pretende-se assim, que se dê a conhecer todas as carreiras através do Bilhete Postal e que este seja um bom ponto de partida para a descoberta daquela carreira, na qual ainda poderá não ter viajado. Uma edição de autor, com os 8 postais cintados e arquivados numa capa, em forma de livro para que os possa arquivar na sua estante se assim preferir. «Os Eléctricos de Lisboa - Livro de Postais» encontra-se à venda por 5.00 €léctricos e além da compra on-line quer por mail, facebook ou ebay, pode também encontrá-los à venda na Livraria "Palavra de Viajante" em São Bento, e na loja do Museu da Carris.

[n.d.r.]: As fotografias desta edição de autor são da autoria do próprio autor e não podem ser reproduzidas sem autorização do mesmo.

domingo, 13 de novembro de 2016

e.City Gold agora também testado ao longo do rio na carreira 15E entre P.Figueira e Belém

Depois de transportar os passageiros nas carreiras 706 e 758 nos dias úteis, o novo autocarro eléctrico e.City Gold da Caetano Bus, iniciou este fim-de-semana serviço regular de passageiros na carreira 15E durante a tarde de sábado e domingo, transportando assim milhares de passageiros entre a Praça da Figueira e Belém. E depois da formação na passada sexta-feira como aqui relatei, hoje foi a vez de verificar como responde o novo autocarro, já com passageiros e efectuando paragens. E o resultado é bastante positivo.

As três portas disponíveis no veículo permitem uma melhor deslocação dos passageiros, ao contrário do que acontece nos autocarros apenas com duas portas, que fazem com que quem neles viaja, tenha tendência para não utilizar o corredor após a porta de saída. Surpresa para alguns passageiros foi também o silêncio do veículo, o que faz com que apenas se ouça as conversas cruzadas que se vão tendo ao longo da viagem, hoje em grande parte sobre o veículo.

Chegados ao Cais do Sodré, mais uma "casa cheia" rumo a Belém e na paragem havia quem dissesse que «agora é que a Carris anda bem, com carros novos...» Havia também quem esperasse pelo 714, mas como ali estava um autocarro novo, «vamos neste até Belém para experimentar e depois mudamos lá para o 714...» A viagem decorre e são vários os braços esticados em direcção ao autocarro, como quem aponta chamando a atenção de quem vai ao lado dizendo «olha um autocarro novo...»

As pessoas gostam e o motorista também. O serviço vai a meio e não há dores nas costas. A cadeira é boa e a posição de condução a ideal. Faz falta um validador na entrada porque apenas um, acaba um pouco por retardar as entradas, contudo já está pensada a colocação do segundo validador para breve. No terminal aproveitei para testar a posição de passageiro em alguns dos lugares mais traseiros e ao contrário do que se possa julgar por algumas imagens, ainda sobra espaço entre os joelhos e as costas da cadeira da frente e afinal de contas, o veículo está homologado, logo cumpre os requisitos, mas como a Caetano Bus já referiu, tudo pode ser adaptado à vontade do cliente e recordo que este é um protótipo de testes que circulará por Lisboa até ao final do ano. 

Quanto aos consumos, não se portou nada mal. Andei sempre completo nas seis viagens realizadas entre Belém e Praça da Figueira, e apanhei algum trânsito na Ribeira das Naus, porque ainda não há árvore de Natal mas já temos o Galo de Barcelos, causando algum pára-arranca e no fim ainda recolhi com 30% da carga após 48 Km's percorridos e certamente 100% de satisfação em quem nele se transportou. 

Agora chega a hora de desligar a corrente porque seguem-se dois dias de folga. Boas viagens a bordo dos veículos da CCFL.

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Fora dos carris mas 100% eléctrico!!

Silêncio... mas não se vai cantar o fado. Vamos andar no novo autocarro eléctrico da Salvador Caetano, que está por estes dias e até ao final do ano ao serviço da Carris, realizando testes em exploração real nas carreiras 706 e 758 durante a semana e agora também aos fins-de-semana na carreira 15E durante a tarde entre a Praça da Figueira e Belém. Concebido totalmente em Portugal pela Salvador Caetano, este autocarro é 100% eléctrico e com emissões Zero. Dotado de um sistema de propulsão 100% eléctrico, o protótipo tem uma autonomia para 80 km e tempo de carregamento de 1h30 minutos. Contudo, a autonomia do veículo pode ser aumentada desde que instalado um conjunto de baterias adicionais.  

Hoje tive a oportunidade de o conduzir após uma introdução ao veículo pelo representante da Salvador Caetano, que tem estado na Carris a acompanhar os testes que andam a ser realizados na 706 e 758. Se a primeira reacção ao olhar é boa, a condução é ainda melhor. Silencioso ao ponto de esperar-mos ouvir o arranque do motor que acaba por não ocorrer, e confortável desde o momento em que nos sentamos na cadeira do motorista, ou mesmo quando viajamos de pé enquanto passageiros.

Com travagens e arranques suaves, proporcionados por sistemas eléctricos e mecânicos que juntos criam uma agradável surpresa para quem nele viaja, o novo autocarro apresenta um comprimento de 12 metros, uma largura de 2,5 metros e uma altura de quatro metros. Com um peso bruto de 18 toneladas e uma tara de 12 toneladas, oferecendo uma lotação até 88 passageiros. O veículo vem equipado com um motor eléctrico síncrono que desenvolve uma potência nominal de 160 kW às 1.500 rpm e um binário de 1.500 Nm. 

E no seu interior, nada foi deixado ao acaso. A Caetano desenvolveu todo o software que tem permitido reajustes, como é o caso por exemplo da iluminação interior que causava alguns reflexos no vidro frontal, facto este reportado por alguns motoristas da Carris que nele têm realizado serviço, sendo já possível a redução da luminosidade. Agora o "Faíscas" como já foi apelidado entre entusiastas, passará também a circular aos fins-de-semana para serem analisadas as diferenças de consumos numa carreira mais plana, ajudando assim os sobre-lotados eléctricos ao longo da marginal.  

Com uma campainha semelhante à do metro do Porto, o novo autocarro eléctrico tem chamado à atenção também pelo seu design, dado que adopta novos estilos, mas não fugindo muito do desenho habitual de um autocarro urbano, facto este que leva a que consigamos ler os lábios de quem o vê passar, como foi o caso de uma senhora na Junqueira que ao ver, terá comentado com a pessoa do lado «um autocarro todo bonito, sim senhor...»

Para mim está aprovado e recomendado, sobretudo pelo painel dotado de uma ergonomia semelhante à dos Mercedes Citaro, que permite ajustar todo o conjunto (volante+painel) de uma só vez, mas também pelo conforto quer para o motorista, quer para o passageiro. Agora terei a oportunidade, de no próximo domingo, ver como é realmente em exploração real, porque hoje as viagens foram na companhia dos colegas que comigo tiraram a formação e do representante da Salvador Caetano. Mas certo é que o futuro passa por estes carros 100% eléctricos, com baixos custos, diria quase nulos, de manutenção associados. 

Resta-me por fim agradecer à Carris pela oportunidade dada em testar este veículo 100% eléctrico, mas que não anda sobre carris, e desejar a todos os passageiros que nele viajam uma boa viagem a bordo deste produto 100% produzido em Portugal, porque como já dizia a publicidade de uma outra marca, «o que é nacional é bom», como mostra o "minuto verde" da RTP...

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Impossível adormecer em semana de WebSummit em Lisboa

Semana de muito inglês à mistura com o "WebSummit" em Lisboa, que veio ajudar a aumentar o caos que se vive diariamente nos transportes, que deixam cada vez mais quem necessita do transporte público para se deslocar ao trabalho, com mos nervos à flor da pele. Mas afinal de quem será a culpa? É da Carris claro está! Ou melhor é de quem dá a cara pela Carris, porque somos nós e é sobre nós que recaem todas as queixas e reclamações. Reclamar está na moda, desrespeitar ainda mais. Os dias não têm sido fáceis pelas ruas de Lisboa com as obras que também, parecem ser culpa nossa, embora esteja aos olhos de todos os que se transportam, as dificuldades que elas nos causam. Horários são impossíveis de serem cumpridos e quando a porta se abre, já se esperam "bocas" e insultos. 

Ontem andei pela carreira 25E que continua encurtada ao Corpo Santo, por causa das obras de remodelação do eixo ribeirinho, e a meio da tarde o terminal recuou uns metros para a Rua Bernardino da Costa para garantir melhor acessibilidade e segurança aos passageiros. Informo que a viagem termina então nessa nova paragem e de imediato uma passageira responde «vocês fazem o que querem, cada um pára onde lhe dá jeito. Se o eléctrico vai para a esquerda porque não para lá?» Tento explicar que é por razões de segurança mas quando chego à parte da palavra "..ança" já a senhora ia a pregoar pela rua fora rumo ao seu destino.

Na viagem seguinte, novo episódio, mas desta feita a culpa não seria do terminal, mas sim das obras em Santos que causavam longas filas pela Rua da Boavista. Já a caminho da Estrela e ao chegar a Santos uma senhora na paragem levanta o braço, como manda a lei, para solicitar a paragem do eléctrico. Efectuo a paragem, abro a porta e quando vejo que a senhora se prepara para dizer algo pensei... "vai dar uma saudação com o tradicional 'Boa tarde'..." Mas não. A senhora mexe os lábios e meio tímida mas com uma vontade enorme de picar o guarda-freio diz... «Quase que adormecia aqui à espera do eléctrico» Pois não demorou a ter resposta. "Pois ainda bem que não adormeceu, pois caso contrário o eléctrico passava e tinha de esperar pelo próximo...". 

A senhora sorriu e disse: «Agora você esteve muito bem...» e sentou-se, já com outra passageira a dizer-lhe que «eles coitados não se podem desviar, não podem fazer milagres...»

E o dia lá foi passando, aguardando aqui e ali que a escavadora saísse de cima dos carris, ou que o calceteiro acabasse de martelar mais uma pedra na calçada portuguesa que vai resistindo ainda que em menor escala. 

Já hoje o tema da conversa era outro, as eleições dos Estados Unidos. Uma manhã na 15E com um remodelado, e uma viagem do CCB ao centro de congressos com um passageiro a analisar com alguém do outro lado do seu telemóvel a vitória do Trump e possíveis consequências. A preocupação era tanta como a abstenção em Portugal. Vive-se cada vez mais o problema dos outros que os nossos e depois reclamam quando a democracia funciona, por muito que não se concorde com os resultados. Afinal de contas foram os americanos que escolheram o seu futuro, seja ele risonho ou muito triste. 

E assim vão as viagens pelos carris de Lisboa...

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