quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Semana atípica com interrupções à grande e à francesa

Chega ao fim Agosto e volta a azáfama da cidade no regresso ao trabalho e à escola. Ainda assim comecei a semana fora dos carris muito por culpa das obras de requalificação do Cais do Sodré que obrigam agora a que o serviço nocturno da carreira 15E seja feita com recurso a um transbordo de autocarro durante os dias úteis. Foi portanto mais um regresso à borracha. O serviço até nem correu mal, apesar das inúmeras queixas dos passageiros quanto à falta de informação, que muitos teimam em "descarregar" no motorista como se fosse ele quem nas horas vagas vá colar papeis nas paragens ou actualizar o site da empresa com a informação das alterações. O certo é que o aviso foi afixado, mas certo é também que pouca gente os lê.

Seguiram-se depois três dias seguidos na carreira 28E que continua a transpirar de turistas a toda a hora e em todas as paragens e três dias desgastantes dada a quantidade de perguntas todas elas na mesma direcção. Se vai para o Castelo ou como faz para se pagar ou até mesmo o porquê de ter de sair no terminal, tudo serve para questionar o tripulante, porque por cá, tudo aparenta ser diferente dos outros lados, ou simplesmente porque nos outros lados não usam o transporte público. 

Não importa se é amarelo, verde ou vermelho. É um eléctrico e para eles é o 28 porque só do 28 falam a maioria dos guias. E se os contrariamos dizendo que não é o 28 então o caldo está entornado porque acredite eles dizem sempre saber mais que nós. Só eles são os donos da razão, ao ponto de no terminal não quererem abandonar o eléctrico porque pagaram 2.85€ para uma viagem que afinal tem um terminal mas que nos guias vem como sendo um trajecto turístico. Por vezes tem de se recorrer ao pedido de ajuda da PSP porque para eles nós estamos em profunda brincadeira.

Vira a bandeira e segue para nova viagem, já com sintomas de gripe a reduzir uma paciência cada vez mais escassa nos tempos que correm. E nestas alturas o Murphy, claro está aparece sempre para dar uma voltinha. Naqueles dias em que a gripe te vence e onde não podes já ver nem ouvir ninguém mas onde tens de trabalhar porque a folga está à porta e tens esperança que melhores no dia seguinte, eis que surgem sempre os passageiros mais antipáticos e mais chatos que podem existir. Aqueles que entram a gritar contigo porque estão há 1 hora à espera do eléctrico como se eu os tivesse obrigado a tal. Aqueles que embora a viagem termine na Estrela te garantem e dizem que dizia la na bandeira Prazeres, enfim para quê teimar...

Mas a semana não podia terminar sem um regresso às interrupções que continuam a dar que falar nem que seja pelos curiosos que passam e sabem mais que quem conduz o eléctrico ou dos velhos do Restelo que dizem que no tempo deles já tinham pegado no carro e andado. Estava a 3 horas de terminar a semana de trabalho quando na descida do Limoeiro rumo aos Prazeres me deparo com uma viatura mal estacionada. O eléctrico não podia prosseguir o seu caminho normalmente. Dou três toques fortes de campainha para ver se o proprietário estava por perto, mas sem sucesso. A matrícula originária de França mas os cachecóis da selecção das quinas faziam acreditar que fosse algum emigrante de férias por cá e o mais provável era estar a visitar o Castelo. 

Informo a central da interrupção cerca das 10h20 de terça-feira e a mesma solicita à PSP o reboque. Restava aguardar, mas os minutos iam passando à medida que também passavam transeuntes e turistas em que os revoltados com a situação mostravam o descontentamento pela falta de respeito ao contrário dos turistas que vibravam com a situação, tirando selfies, fazendo vídeos e tirando fotografias. Havia de tudo e para todos os gostos. Os eléctricos foram-se juntando porque na zona em questão, pouco havia a fazer no que diz respeito a desvios...

O trânsito chega mesmo a parar nos dois sentidos daquela congestionada artéria histórica da cidade até que surgem dois agentes para auxiliarem o tráfego, enquanto o eléctrico e o Mercedes CLA  continuavam a ser o centro das atenções... Já levava uma hora de interrupção e eis que um táxi que subia a rua abranda. O motorista mete a cabeça de fora e grita que "todos juntos pegam no carro e isso anda..." e prosseguiu mas não por muitos metros já que o trânsito viria a parar novamente. O tal taxista terá parado o táxi e dirigiu-se a pé até ao local da interrupção. Tentou reunir um grupo de pessoas para pegar no carro já perante o olhar do agente da Polícia Municipal. E eu na esperança que o pára-choques ficasse nas mãos deles para ver como se iriam desembrulhar da situação. 

Não porque tenha prazer em estar parado horas à espera de um reboque, mas simplesmente porque penso que estas pessoas têm de ser penalizadas fortemente, porque se pegarem sempre num carro que estorve o eléctrico e o encostarem, eles vão continuar a estacionar de qualquer forma sem saberem que estiveram a impedir a passagem de centenas de pessoas. Além do mais, quem pegava no carro não seguia nos eléctricos porque esses já tinham cansado de esperar e seguido seu caminho por outras alternativas, deixando-me a pensar o porquê de serem sempre os de fora chatearem-nos com estes problemas que não dependem de nós. Encostaram a traseira mas a frente mantinha inalterada porque o peso do motor do Mercedes era quase invencível aos braços daqueles corajosos que se diziam capazes de mover o mundo. 

Mas para eles aquele jeitinho era o suficiente para o eléctrico passar e a partir dali era só mesmo má vontade minha. É sempre má vontade de quem lá anda todos os dias e que conhece as ruas por onde passa o eléctrico como as palmas da mão.

Passavam mais 20 minutos e eis que surge finalmente o reboque ao fim de 1h30 de espera. Começam os trabalhos de remoção da viatura e chega também o proprietário do carro. Grita «É meu! é meu!» e naquele preciso instante os corajosos já não estavam lá para mandar vir, nem para barafustar com a pessoa certa. Pude finalmente prosseguir viagem enquanto o senhor ficou a ser multado pela Polícia. Ainda tive uma falha de corrente pelo caminho, mas pude finalmente terminar o serviço e a semana... Próxima paragem: Centro de saúde...

Boas viagens! 

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Dia do contra neste vai e vem constante pela confusão lisboeta...

E estamos em Agosto! Chegaram os nossos emigrantes e talvez por isso não se note tanto este ano, uma acalmia porque se a esse facto juntar-mos os voos Low-Coast para Lisboa, então está explicado o porquê das ruas de Lisboa estarem repletas de gente. As filas para os Pastéis de Belém atravessam a rua e chega quase à raquete onde o eléctrico inverte a marcha e os eléctricos esses, continuam cheios, a rebentar pelas costuras, provando que fazem falta mais veículos para a procura que se regista.

Mas se hoje a manhã até estava a correr bem, tendo em conta os últimos dias, o pior estaria para vir quando inesperadamente uma idosa ao entrar no eléctrico na Rua da Junqueira, cai após ser empurrada pela porta automática. Terá tentado entrar primeiro com os braços para se agarrar e as células da porta não terão detectado o movimento das pernas, e a senhora acabou no meio do chão. De imediato surgiram os habituais insultos destas ocasiões... «Andas a dormir... não vês as pessoas a entrar! Fechas as portas e entalas as pessoas ó camelo....».

Ignoro numa primeira fase os insultos, porque a minha preocupação inicial era acudir a senhora e chamar ajuda médica. Contacto o 112 que prontamente enviou uma ambulância ao local, ao mesmo tempo que tinha outros clientes a reclamar que todos os dias acontecia algo que os impedia de chegar ao destino, quando estava aos olhos de todos o sucedido, mas continuam sempre a pensar no seu próprio umbigo. A senhora de 84 anos, queixava-se da sua perna enquanto o sangue escorria do golpe causado pelo degrau do articulado. 

Tento acalmar a senhora ao mesmo tempo que lhe mostro e explico que nós não temos acesso ao fecho das portas porque elas são automáticas. A senhora, embora com dores pela queda, compreende e nem coloca em causa isso. Outros dizem desconhecer e embora se transportem neles há anos ainda pensavam ser o guarda-freio a fechar as portas. E dizia eu que a manhã estava a correr bem... A senhora foi transportada ao hospital e eu tive de recolher a Santo Amaro, para os procedimentos habituais nestas situações. 

Retomo o serviço pouco depois. Entretanto vem a hora do almoço. No segundo tempo do serviço era para sair da estação com um autocarro porque não havia eléctricos disponíveis, até que à hora da saída, a manutenção dá como pronto um eléctrico. Saio para a Praça da Figueira. Já de regresso para Algés, o eléctrico viria a avariar em Pedroços. Tento com alguns testes retirá-lo do cruzamento para não impedir o tráfego restante. Consigo fazê-lo chegar ao terminal com muito custo e peço ajuda "médica" agora para o eléctrico. E tive de recolher novamente. Afinal há dias em que tudo parece querer contrariar-nos. A manutenção vai ao local e ordena a recolha com precaução. Nas paragens as pessoas vêm o eléctrico com indicação na bandeira "RESERVADO" e 4 piscas e apesar de constatarem uma marcha lenta, bracejam e gritam que estão há horas à espera e ainda vou reservado....

Recolha efectuada, saio com outro eléctrico. Finalmente parecia poder prosseguir sem avarias e incidentes o resto do serviço até que o rádio toca e da central a colega informa que há um acidente na Rua da Prata e temos de terminar viagem no Cais do Sodré. Informo as pessoas pelo microfone interno que «devido a um acidente na rua da Prata a circulação dos eléctricos encontra-se interrompida, pelo que a viagem termina no Cais do Sodré, tendo os senhores passageiros com destino além dessa paragem, tomar como alternativa outro meio de transporte...» e embora alheio peço desculpa pelo incómodo causado.

E de volta os insultos... «Todos os dias há acidentes. Andam a gozar com quem paga o passe!» como se comprar passe impedisse os acidentes... Seria óptimo! Mas afinal as pessoas querem sempre é descarregar o stress e a raiva do seu dia-a-dia no elo mais fraco que encontram, porque todos se juntam contra um, aquele que naquele momento está a dar a cara pela empresa à qual eles compraram o título de transporte. Deixam de pensar por momentos, e tudo serve para "atacar" o condutor, que tudo faz para que tudo corra bem, para não ter chatices. Afinal de contas hoje foi mais um daqueles dias em que não foi fácil para quem andava na rua aos comandos do veículo, nem para quem estava atrás do computador a controlar a carreira. Há dias assim, que só são superados pela simpatia e boa disposição entre colegas como aconteceu hoje ao longo das diversas ocorrências. Que assim fosse sempre, pois o difícil tornava-se mais fácil...

Resta-me desejar as rápidas melhoras à senhora que infelizmente caiu ao tentar entrar, informar que nós nos eléctricos articulados apenas damos ordem de abertura às portas e o resto é automático e apenas impedimos a reabertura após o fecho da ultima porta aberta. Aos restantes, os votos de boas viagens a bordo dos veículos da CCFL..

Translate