terça-feira, 31 de maio de 2016

Imagens que falam por si porque aqui há gato...

-Ó moço, esse bonde vai na serra da Estrela onde tem café de gatos?

E assim começou o dia na 28E nesta terça-feira. Filas e mais filas, de pessoas e de eléctricos porque ora há um carro mal estacionado, ora há atrasos e depois lá vem a tal bola de neve do atraso puxa atraso com os turistas a não facilitarem por vezes o trabalho não trazendo trocado ou não sabendo como validar o título de transporte porque neste campo parece que estamos mais à frente, pois até já temos a bilhética sem contacto.

Mas hoje a manhã não foi de todo fácil, até porque não se pode sempre contar com a ajuda de quem está do outro lado do rádio para orientar a carreira, lugar aliás, que dispensava porque aquilo deve chegar alturas que é pior que um restaurante em hora de almoço em pleno centro de Lisboa.

Mas como foi de gatos que começou este texto, deixem-me esclarecer que aqui não há gato. O bonde era o 28 e não vai para a Serra da Estrela mas sim pela Calçada da Estrela rumo aos Prazeres. O que a senhora procurava era o novo café-biblioteca "Aqui há gato" que tem dado que falar por aquelas bandas, ao ponto de já ter apanhado uma senhora no Camões que queria entrar com o gato ao colo só porque ia para o café da Calçada da Estrela que tinha aberto. 

Mas como nem só de gatos se tem falado nestes dias deixo-vos de seguida algumas imagens que falam por si só, quanto às peripécias e interrupções que tenho apanhado nos últimos dias que nem sempre permitem que se efectue o serviço público de passageiros a 100%, numa altura que a procura já começa a aumentar até porque as festas já aí estão à porta e já por aí se vêm sardines, ou melhor turistas completamente esturricadas pelo sol que se tem feito sentir na capital...





 E assim vão os dias pelos eléctricos de Lisboa...

segunda-feira, 30 de maio de 2016

Anda tudo a precisar de apanhar ar...

Os dias não têm dado tréguas para aqui vir relatar algumas das situações com as quais me vou deparando no dia-a-dia, mas hoje consigo aqui abordar os últimos dias de serviço que marcaram uma vez mais o regresso à borracha com o serviço extraordinário do Rock in Rio, e não foi de todo pacífico esse regresso. Habituado a este tipo de serviço, dado ser o terceiro rock in rio que faço ao serviço da Carris, este ano terá sido além do mais fraco, aquele que criou mais problemas, embora tenham sido resolvidos a tempo com a ajuda da PSP. 

Hoje encontramos cada vez mais jovens que nem as autoridades respeitam, quanto mais o motorista. Depois dos improvisos iniciais ainda na cidade do rock quanto ao custo do bilhete, lá consegui iniciar viagem rumo ao Cais do Sodré ás 03h20. Mal arranquei o botão "STOP" foi a escolha principal dos jovens para "brincar" com o motorista, esquecendo aquela rapaziada que quanto mais paragens efectuadas mais retardada estaria a chegada ao Cais do Sodré. Mas quando a isto se junta uma nuvem de fumo no autocarro com cheiros pouco agradáveis, resta mesmo convidar a sair ou a apagar os emissores de fumos não desejados a bordo dos autocarros. 

Como a ordem não foi acatada (como aliás já esperava), pedi pelo menos respeito pelos restantes passageiros, mas não foi preciso andar muito até me cruzar com um carro da PSP que apercebendo-se dos "4 piscas" do autocarro abrandaram, tendo solicitado ajuda dos agentes para resolver a questão. Foram então convidados a sair 2 vezes pelos agentes da PSP, mas o gozo continuava até que foram forçados a pedir reforços para retirar os cerca de 10 a 15 elementos que estavam a incomodar os restantes passageiros naquela viagem rumo ao Cais do Sodré.

A chegada dos reforços, fez com que de imediato se levantassem das cadeiras e abandonassem o autocarro. É caso para se dizer que esta malta nem para eles são bons. Pagaram um bilhete e não chegaram ao destino, ficaram apeados acompanhados pelos agentes da PSP que entretanto me mandaram prosseguir viagem. E lá prossegui viagem tentando dar conhecimento da situação à central, mas infelizmente sem resposta. O resto da viagem foi feita de forma tranquila e sem chatices. 

Já hoje de volta ao ferro, na carreira 12E, uma invasão italo-francesa causou uma discussão entre os passageiros habituais da 12 e os turistas que não queriam ceder o lugar a um idoso. Tive de intervir e solicitar que fosse cedido o lugar reservado para o efeito, tendo ficado resolvida a questão. 

Na paragem seguinte uma turista brasileira queira entrar com uma tarifa de bordo já utilizada. Digo-lhe que não é válido e ela teima comigo dizendo que sim! Informo que é válido apenas na viagem em que é  comprado e ela insiste dizendo que "a colega tinha dito que era para duas paradas, ora se eu fiz uma parada posso fazer a segunda". Contei até 10 e expliquei-lhe que não estava ali para enganar ninguém e se estava a explicar que não era válido é porque não era mesmo. Mas com custo lá pagou mais uma tarifa de bordo, não deixando de dizer que "devia estar inscrito no ingresso porque quem me garante que fala verdadxi?!", sugeri-lhe então que se dirigisse a um balcão Carris e se informasse. 

E assim têm sido, algo atribuladas as viagens a bordo dos veículos da CCFL

sábado, 7 de maio de 2016

E vão 9... ao serviço da Carris

Em 2007, neste mesmo dia 7 de Maio, começava uma nova etapa na minha carreira profissional. Depois de crescer no bairro de Alfama no meio do vai e vem constante dos eléctricos que cruzavam as Escolas Gerais, e de ter escolhido o jornalismo televisivo como formação profissional após o ensino secundário, quis o destino que fosse aos comandos dos eléctricos que viria a passar grande parte do meu dia-a-dia. Interessado desde cedo pelos transportes públicos, nomeadamente os da Carris porque eram os que me levavam e traziam da escola, a entrada da Carris viria a mostrar-me o outro lado da empresa, passava assim a ver como funcionavam as coisas do lado de dentro e passava também eu a representar essa marca centenária.

Inscrevi-me como Guarda-freio depois da passagem pela televisão e de 6 anos no comércio têxtil, mas as vagas existentes eram apenas para motoristas. A falta de trabalho na televisão e o querer mudar de rumo fez com que não ficasse na paragem à espera da próxima chamada e entrei a bordo de uma nova aventura pelas ruas de Lisboa. Concluída a formação, apresentei-me na Estação da Musgueira onde permaneci durante 3 anos efectuando serviço em todas as carreiras afectas nessa estação de recolha e de Cabo Ruivo. Passados os 3 anos surge então a oportunidade de me transferir para a Estação de Santo Amaro, passando assim a desempenhar as funções de Guarda-Freio. 

Em 2012, durante a formação de Eléctricos Articulados com o
formador Cardoso e com o colega Gaspar...
Os anos passaram e já vão 9... 9 anos ao serviço da Companhia Carris de Ferro de Lisboa, com um percurso interessante, na medida em que esta nova aventura levou também à criação deste blogue, onde tenho vindo a partilhar convosco, histórias e situações do dia-a-dia de quem conduz milhares de passageiros por dia. Depois também de forma inesperada surge a oportunidade de editar um livro com as melhores histórias aqui relatadas. E foram muitas. Juntei assim a paixão pela condução do transporte público, ao da escrita.

Na carreira 15E de autocarro devido à
prova do etapa do Rally de Portugal
Mais recentemente a publicação de um novo livro numa edição de autor, permitiu-me juntar igualmente duas paixões: Lisboa e Praga vistas através do fascínio que uma viagem de eléctrico nos proporciona. Digamos portanto que esta opção de entrada na Carris acabou por ser uma boa opção na altura, no entanto muitos espinhos foram surgindo neste percurso, porque nem sempre é fácil lidar com o público cada vez mais exigente e conduzir um transporte numa cidade onde há cada vez menos respeito pelo transporte público. Depois a conjuntura do país nos últimos 4 anos não foi a melhor e o sector dos transportes foi dos mais penalizados. Greves, cortes, supressão de carreiras e redução do pessoal tripulante, que origina sempre um desgaste aos que permanecem a dar a cara pela empresa. 

Não nego que ao longo de 9 anos, não tenha ponderado sair e procurar uma nova carreira lá fora, mas com algum esforço e empenho, optei por ficar e manter-me a representar as cores da Carris, sempre com o mesmo brio profissional que impus desde o primeiro dia, apesar de ter dias melhores que outros, como todos nós tempos, mas afinal de contas até a Carris já teve dias melhores e piores. O ciclo da vida é assim mesmo e resta-nos tentar fazer melhor amanhã e dar o nosso melhor a cada dia. Espero assim, que a situação actual da empresa melhore, e que se volte a apostar no modo eléctrico como tantas vezes se promete em campanhas eleitorais. 

Quanto ao futuro, que venham mais 9... 10... 20... Os que sejam, mas acima de tudo com saúde, força e paciência para enfrentar o dia-a-dia aos comandos dos eléctricos (e por vezes autocarros) pelos carris de Lisboa.

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