segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Há 114 anos a circular electricamente sobre carris nas ruas de Lisboa

Fundada em 1872 no Brasil, a Carris – Companhia de Carris de Ferro de Lisboa, trouxe para a capital portuguesa no ano seguinte, o transporte «americano» com carros puxados por animais, que vieram assim substituir as carroças até então muito utilizadas. A primeira linha foi entre a Estação da linha Férrea Norte e Leste (Stª. Apolónia) e o então extremo Oeste do Aterro da Boa Vista (Santos).

Os alfacinhas acotovelavam-se para ver aqueles «32 carros elegantes, sólidos, de boa construção», que prometiam alívios a muitos pés e rapidez nas deslocações. E se o sucesso foi enorme, logo no primeiro domingo de serviço, com 6000 passageiros transportados em 7 carros, maior seria o sucesso dos eléctricos que vieram substituir «os americanos» a 31 de Agosto de 1901.

No princípio foi o susto, mas depressa os lisboetas acalmaram. Renderam-se aos encantos práticos dos amarelos que entraram assim na história da cidade, que viria a crescer em redor das novas linhas de eléctricos.

Dia e noite, os operários trabalharam nas ruas da cidade, abrindo valas, desviando canalizações e instalando carris, abrindo assim caminho a uma nova era do transporte público em Lisboa, com a chegada dos eléctricos que já tinham chegado às instalações da Carris em Junho. Ao todo eram 80 carros abertos, com uma lotação de 36 passageiros sentados e 5 de pé, e de 75 carros fechados, que levavam 24 passageiros sentados e 14 de pé.

“Os guarda-freios, de fato azul-escuro, calças com lista vermelha e galões dourados no boné de pala direita, e os condutores aperaltados com uniforme idêntico, mas com listas douradas nas calças e galões prateados no chapéu, estavam prontos para levarem os eléctricos no seu primeiro passeio oficial. Às 6 da manhã do dia 31 de Agosto de 1901 foi inaugurado o serviço de eléctricos, na linha entre o Cais do Sodré e Algés. Ao longo do caminho, juntou-se gente para admirar os carros, comentar as modernices do letreiro luminoso que indicava o destino do veículo, o fender, designado como salva-vidas na versão portuguesa, encurvado na dianteira do eléctrico como protecção contra atropelamentos, a campainha estridente que avisava os distraídos para se afastarem do meio da rua.”, lê-se no livro «Aventuras sobre Carris».

Rapidamente foram esquecidos os americanos e os medos respeitantes aos choques eléctricos que dizia-se que estes iam causar, mas ainda assim havia quem “aconselhasse a formação de uma Associação dos Fluminados dos Carros Eléctricos, não fosse o Diabo tecê-las...”

Mas a frota da Carris foi crescendo à semelhança das carreiras e com o passar dos anos já ninguém dispensava os eléctricos que em 1910 tinham já uma extensão de 114 Kms. Vinte anos mais tarde foram atingidos os 147 Kms, mas actualmente são apenas 48Kms divididos pelas 5 carreiras actuais. Muitos foram os modelos que compuseram a frota ao longo dos anos e muitos foram também as alcunhas que os eléctricos foram tendo. Do «São luís» aos «Caixotes», não esquecendo o «Afonso Costa» ou os «Almaranjas», eles foram os antecessores dos actuais «Remodelados» e «Articulados» que efectuam o serviço público regular de passageiros 114 anos depois da inauguração da tracção eléctrica em Lisboa. Hoje os eléctricos “lutam” tenazmente pela sua sobrevivência!



E se na época poucos foram os que ficaram indiferentes ao aparecimento dos eléctricos, hoje ainda muitos são os que dão preferência  a este transporte típico da cidade de Lisboa, mesmo que haja carreiras de autocarros sobrepostas nos percursos dos carris. Hoje como há 114 anos, os eléctricos fazem parte do quotidiano da capital portuguesa e é o delírio para muitos dos turistas que nos visitam. A importância desta data, não podia deixar de ser referida neste “Diário do Tripulante” que hoje apresenta algumas imagens sobre os nossos eléctricos.

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

"Preso por ter cão e preso por não ter"

E a loucura continua nas ruas de Lisboa. Filas intermináveis de turistas nas paragens dos eléctricos e nas pastelarias mais conhecidas. Espera-se 1 hora para entrar a bordo do 28 porque querem ir sentados e espera-se o mesmo tempo numa fila para a pastelaria para se comer um pastel de nata. Eis Lisboa no auge do turismo e sem capacidade de resposta para tanta procura. Hoje andei pela 15 durante a tarde e terminei o dia na 28 e por todo o lado havia procura a mais para a oferta disponível, facto este que nos leva na maioria das vezes a esquecer limites de lotação até porque é impossível controlar as pessoas que entram e saem a cada paragem que percorremos.

Se muitos agradecem o "jeitinho" aqui e ali, porque cabe sempre mais um, outros há que não gostam cá de apertos. E se não há em casa com quem implicar, porque não implicar com o guarda-freio só porque sim?

A "srª.regras", apelido que acabei de dar à senhora, surge no final da fila na paragem do Largo Camões com destino aos Prazeres e pergunta se ainda pode entrar. Sem lhe ver o rosto ou sequer a sombra, porque já tinha um turista a tapar-me a visibilidade da porta, digo-lhe para tentar, porque não conseguia ver se cabia ou não, desde que a porta fechasse e eu visse o espelho, não haveria problema. Mas a senhora prepotente de imediato disse: «mas o senhor é que tem de dizer se há ou não lugar para mim. Deve haver regras e limites de lotação. Quero apenas saber se é seguro!?»

-Pois bem, então, se está assim tão preocupada é porque certamente não tem pressa e pode esperar pelo próximo que venha mais vazio e que seja mais seguro. Disse-lhe. Todos os que percebiam português repudiaram a atitude daquela senhora que talvez quisesse que pedisse alguém para sair para que ela pudesse entrar para se sentir mais segura. Afinal de contas, embirrou só porque sim, porque todos viam que estava cheio e que não era necessária tanta conversa, até porque um jeitinho ali e outro aqui, até cabia. Afinal nesta carreira somos presos por ter cão e por não ter...  

E agora o melhor: Modo folga activo! para a semana há mais. Boas viagens a bordo dos veículos da CCFL

domingo, 9 de agosto de 2015

O acordar de Lisboa num regresso à 28E e com muitas histórias para contar...

São 07h05 de Domingo, 09 de Agosto de 2015 quando entro na estação. O expedidor fica admirado de me ver e afirma que caí da cama. Mas depois de 20 dias no Tram Tour que inicia após as 09h30, estive de volta à 28E. Confesso que tinha saudades, embora durante todo este tempo, só tenha visto carros cheios, paragens com filas intermináveis e colegas desesperados pela hora do fim do serviço. 

A carreira 28E é a mais bonita como trajecto mas é também a mais cansativa, contudo eu estava à espera deste dia para poder descansar um pouco da condução exigente que requerem os eléctricos do tipo 700. O dia prometia ser quente a confirmar-se pelas temperaturas altas ainda de madrugada. Muito álcool a correr pelas veias de quem deambulava pela 24 de Julho e uma operação stop no local habitual.

Com o eléctrico já preparado, lá segui rumo à Praça da Figueira, sem grandes enchentes porque na minha frente seguia um 15E, a "varrer" as paragens. Primeira viagem com partida do Martim Moniz para os Prazeres às 08h00 e na paragem estavam já turistas. Não quero imaginar a que horas acordaram nem questionar se terão tomado o pequeno almoço. Entram, validam o título de transporte, procuram lugar à janela porque ainda há a esta hora lugares para escolha. A cidade ainda está meio adormecida quando arrancamos em direcção à Almirante Reis. Rua após rua, alcançamos a Graça e pelo percurso vou-me apercebendo que fotografam tudo o que vão vendo e o que não vão vendo. 

O aproximar de uma rua, faz com que ajeite-se a objectiva, pressiona-se o botão e logo se verá se tem algo que se aproveite. Muitos "bons dias", coisa rara nos tempos que correm. Alcançamos o Largo das Portas do Sol, local privilegiado para ver o nascer do Sol, com todo aquele casario de Alfama e torres de igrejas a contemplarem a vista com o Tejo a espelhar a luz por todo o lado. Deixemos-nos de imagens poéticas que a viagem só termina nos Prazeres. A viagem que habitualmente demora 45 a 50 minutos, faz-se a estas horas em apenas 25 minutos, mas os turistas começam aos poucos a sair dos hoteis, hostels e apartamentos locais e o 28 vai enchendo. 

A manhã passa num instante e num entra e sai constante de gente em busca do Castelo enquanto que outros buscam apenas um lugar sentado para curtir a viagem. Os que vão nas janelas ainda captam uns frames, aos restantes restam-lhes segurarem-se onde seja possível. Na frente surge um grupo de turistas em segways, que guiados por quem julga ser autoridade, parou o trânsito para que ocupassem a via. Não me chateei porque era domingo e porque há muito que não ia à 28E. Chateei-me sim com um grupo de italianos que à força queriam entrar no eléctrico quando este transbordava já pelas portas e janelas. 

Digo-lhes que têm de esperar o próximo e eles dizem que não! Digo-lhes que sim e eles insistem em empurrar ao ponto de já eu estar quase fora da minha cadeira. Cada um fala mais alto que outro e eu tenho de gritar e dizer que enquanto não saírem o eléctrico não pode continuar porque não consigo conduzir com pessoas ao meu colo. Saíram finalmente do eléctrico e prossegui até ao Castelo onde o eléctrico ficou vazio. Entram mais turistas. Russos e franceses. Os russos entram e sentam-se no último banco do eléctrico. Pergunto-lhes quem paga a viagem e questionam-me o preço. Digo-lhes que é 2.85€ cada pessoa e respondem-me em russo algo que não entendi mas que devia querer dizer que era muito caro. 

As francesas entram com um bilhete comprado a bordo às 09h15 quando já eram 11h20. Explico-lhes que já não era válido porque era só para uma viagem. Dizem-me que «mas é para uma hora...» Digo-lhes que não. Que quando comprado a bordo é apenas para essa viagem e que mesmo que fosse uma hora já tinha expirado. Até que uma das três compreende e pede então um bilhete. Paga o bilhete, entrego-lhe o mesmo e as amigas dizem «então para comprar outro vamos noutro sentido» e saíram as três. Vá-se lá entender esta gente. Pagaram um bilhete para atravessarem a estrada e a Carris agradece!

Confesso que já tinha saudades destas aventuras pela carreira mais louca da Europa e quiçá... do mundo, onde muito mais havia por contar como por exemplo querer fazer uma agulha para manobrar o eléctrico no Camões e a chave de agulhas não estar apta para tal situação e ter os turistas a rirem-se de um guarda-freio afoito em querer desenrascar-se como podia...  

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

"Lisboa e Praga de Eléctrico / Lisabon a Praha z tramvaje" já à venda! nyní na prodej!

O que têm em comum Lisboa e Praga? Muito e nada! Mas têm ambas o eléctrico como imagem característica de quem as visita e foi nesse sentido, que em 2014 comecei a trabalhar num novo projecto inspirado no trabalho do fotógrafo checo René Kubasek que em 2004 fotografou "Lisboa e Praga aos olhos dos guarda-freios". Ora 10, quase 11 anos depois muito mudou em ambas as cidades mas a importância dos eléctricos, essa manteve-se inalterável. E é nesse sentido que surge o meu novo livro «Lisboa e Praga de Eléctrico» que pretende dar a conhecer a história dos eléctricos de forma resumida mas também dar a conhecer o que se pode ver em ambas as capitais através de uma viagem de Eléctrico. 

Com o importante apoio da Embaixada da República Checa, da Dopravni Podnik hl. Mesto de Praha e do Museu da Carris, este novo livro segue a imagem a preto e branco do projecto em que se baseou e pretende ser o ponto de partida para uma verdadeira e única troca de imagens entre as duas capitais através da página do facebook.com/lisbonandpraguebytram 



O livro encontra-se já à venda por 12.00€ e pode recebê-lo em sua casa comodamente sem pagar mais por isso, bastando apenas enviar um email com os seus dados para lisbonandpraguebytram@gmail.com mas está também à venda em alguns locais da cidade de Lisboa e em breve estará possivelmente disponível em Praga.





To, co mají společné Lisabonu a v Praze? Mají mnoho a nic! Ale oba mají pravomoc jako charakteristický obrázek o tom, kdo návštěvy, a to bylo v tomto smyslu, který v roce 2014 začal pracovat na novém projektu, inspirovaného dílem České fotografem René Kubásek, kteří v roce 2004 fotografoval "Lisabon a Prahu v očích brzdaře." Nyní 10, téměř 11 let později se mnohé změnilo v obou městech, ale význam elektrický, toto zůstalo beze změny. A to je to, co přijde svou novou knihu "Lisabonskou a pražské tramvaje", která má za cíl představit historii elektrického krátce, ale také poznat, co lze vidět v obou hlavních městech přes tramvajové výlet.



Díky významné podpory Velvyslanectví České republiky, Dopravní podnik hl. Mesto Praha a Carris muzeum, tato nová kniha navazuje na snímek v černé a bílé projektu, na kterém se opřela a chce být výchozím bodem pro skutečně unikátní výměnu obrázků mezi oběma hlavními městy přes facebookové stránce. com / lisbonandpraguebytram



Kniha je již v prodeji za -325.00 CZK do může přijímat jej pohodlně do vaší domácnosti, aniž by platit víc za to, jen zasláním e-mailu s vaše údaje lisbonandpraguebytram@gmail.com, ale je také v prodeji v částech Lisabon a brzy bude k dispozici pravděpodobně v Praze.




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