Depois do convite feito por uma jornalista alemã que vive em Lisboa, fiz então um percurso pela cidade das sete colinas, mostrando cantos e recantos de uma cidade que a cada esquina tem sua história para contar.
Numa tarde agradável pelas ruas de Alfama, foi com gosto que dei a conhecer o bairro onde cresci e por onde hoje, circulo aos comandos do eléctrico 28 ou do eléctrico turístico. Numa entrevista para o seu blogue pessoal que retrata Lisboa aos olhos dos seus habitantes, Eva apresenta então «Das Lissabon von Rafael Santos», ou seja, «Lisboa por Rafael Santos».
E os mais diversos temas são abordados num longo texto acompanhado por imagens captadas ao longo do trajecto que fizemos da Baixa a Alfama. As perguntas mais frequentes, as tradições, as festas de Lisboa e o Santo António e claro a praga dos tuk-tuk.
Tudo num artigo publicado em Alemão porque é para alemães que ela escreve, mas que pode ser lido com recurso à tradução on-line do google. Apanhe então boleia desta viagem pelas ruas de Alfama e seus encantos, no blogue de Eva Mäkler:
Depois de uma semana no Castle Tram Tour, eis que hoje regressei ao Chiado Tram Tour, e como é sempre bom regressar a esta carreira, que nos dá a ideia que estamos a conduzir numa nova cidade, porque afinal de contas há 20 anos que não circulavam por ali eléctricos e eu só tenho 8 anos de Carris. As pessoas continuam a estranhar a presença do eléctrico, mas é com agrado que o vêem passar e hoje o dia foi de surpresas. Primeiro, tive as duas primeiras viagens do dia com boa procura por parte dos turistas que estão em Lisboa, que mesmo sabendo que o trajecto era curto aproveitaram para desfrutar do bilhete que permite entrar e sair do eléctrico. Segundo porque tive um turista da Áustria que também é entusiasta de eléctricos que veio em busca do 24, e que ficou satisfeito com o trajecto, prometendo voltar em Setembro, na esperança que o Chiado Tram Tour já se inicie no Carmo em direcção a Campolide.
Mas a surpresa das surpresas estava para chegar no Príncipe Real quando um táxista parou ao meu lado e perguntou se era para continuar a ir ali. Disse-lhe que sim e talvez para prolongar ás Amoreiras e não é que ele ficou radiante com a notícia, chegando a dizer que «finalmente que apostam no eléctrico que isso é óptimo para Lisboa e para o turismo...»
Tive as primeiras interrupções neste trajecto também neste domingo, primeiro com um carro mal estacionado e depois com uma avaria de um eléctrico da 28E que também ela hoje se iniciava no L.Camões para a Estrela, que me impediu de passar durante algum tempo, e esteve comigo o Paulo Marques o entusiasta e coleccionador de Eléctricos ex-CCFL que tem o restaurante «O Marques» atrás do Teatro D. Maria II. Um dia em cheio que culminou com um auxílio no reboque ao 565, provando que os velhos 700 ainda estão "ali para a curvas" e com um grupo de turistas chineses que creio terem contribuído para o record diário deste recente trajecto inaugurado a 28 de Maio de 2015.
Mas as pessoas querem e mais e nós também por isso agora é esperar que chegue o prolongamento até Campolide para que explorar ao máximo o potencial turístico desta carreira.
Há 20 anos que não se ouvia o mítico som do compressor e da válvula de um eléctrico nas ruas do Bairro Alto e Príncipe Real. Agora o eléctrico voltou a subir a Rua da Misericórdia, dando uso aos carris que por ali permaneciam longe da agitação ferroviária, e tudo graças ao novo circuito turístico da Carristur apelidado de «Chiado Tram Tour». A surpresa pelo regresso do eléctrico tem sido um misto de satisfação, alegria mas também desagrado e descontentamento. Há de tudo e para todos os gostos, sobretudo porque o trajecto é curto e o preço é turístico, ou não fosse este um trajecto criado para isso mesmo.
Inaugurado a semana passada, quando frequentava o curso de formação para renovar a minha habilitação para certificação de motoristas (CAM), o Chiado Tram Tour, voltou sem dúvida a trazer ao topo das notícias e conversas o tão desejado regresso da carreira 24E. Contudo, a falta de material circulante não permite para já a reabertura da linha enquanto serviço público, o que não quer dizer que não possa ainda vir a acontecer. Mas continuo a defender que é preferível ter um circuito embora pequeno a fazer circular eléctricos, que os ter parados na estação. Nesta primeira fase a viagem completa dura apenas 20 minutos e liga o Largo Camões ao Príncipe Real com um bilhete que custa 6 euros e que é válido por 24 horas. No entanto há sempre a possibilidade de se comprar um bilhete de 14 euros que é válido também no «Castle Tram Tour» que começa na Praça da Figueira e circula pela colina da Graça e Castelo num trajecto de 40 minutos.
Confesso que deu-me prazer voltar a andar de eléctrico pelas ruas onde o mesmo há 20 anos atrás tinha deixado de passar, e agora a conduzi-lo, o prazer foi ainda maior, sobretudo ao ver a surpresa dos transeuntes que ainda não estão habituados a ver o verde a passar por ali. O mesmo se passa com os automobilistas e sobretudo com as cargas e descargas que ao ouvirem o tilintar da campainha ficam surpreendidos com a nossa presença. Há turistas que acham caro e há os que dizem ser uma volta surpreendente. A passagem pela Igreja de São Roque e pelo Miradouro de São Pedro de Alcântara onde chegamos a dizer um "Olá" ao Ascensor da Glória são os principais pontos de atracção que se juntam ao fantástico jardim do Príncipe Real onde agradáveis esplanadas convidam à contemplação.
Uns metros à frente há o Jardim Botânico que a pé se chega em 5 minutos, enquanto o trajecto não é prolongado às Amoreiras ou até Campolide, algo que parece estar previsto para o início do Inverno, altura essa em que já deverá haver eléctrico também no Carmo, passando assim o Chiado Tram Tour a iniciar viagem junto ao Elevador de Santa Justa e Convento do Carmo, e a terminar nas Amoreiras. Resta-nos portanto esperar pelos próximos episódios porque por enquanto o trajecto continuará a ser curto mas ainda assim atractivo sobretudo graças ao seu audio-guia e interessante para quem pretende explorar o bairro dado que o bilhete permite entradas e saídas ao longo do trajecto.