quinta-feira, 9 de outubro de 2014

O regresso aos carris e um agradecimento aos profissionais de saúde que encontrei...

Todas as profissões têm os seus espinhos, de professores a médicos, de calceteiros a cozinheiros. Ao jeito de cada um deles, cada dia tem as suas aventuras e rotinas. Mas muitos desses profissionais apenas são conhecidos por algo que fazem de errado ou simplesmente passam pelo intervalo da fama que muitos outros têm por realmente serem muito bons. Quem deles tira proveito, seja o aluno, o paciente ou até o cliente, apenas se aponta o dedo por este ou aquele trabalho menos conseguido ou quando o mesmo merece o elogio, muitas das vezes o mesmo nem chega a saber que o teve, por omissão da informação relatada. 

Se o autocarro chega atrasado, a culpa é do motorista, mas se o motorista abre a porta fora da paragem ou encontra um achado passa de besta a bestial e tal como no caso dos tripulantes, o mesmo acontece com os profissionais da saúde que ora são excelentes se mostram demasiado cuidados, ora são péssimos se consultam a despachar. Há de tudo e para todos os gostos. No entanto, e em grande parte das vezes, apenas tomamos conhecimentos do excelente profissionalismo de alguns quando temos de recorrer a eles. 

Como é do conhecimento de quem segue este espaço, quer através do blogue, quer através da rede social, no passado dia 15 de Setembro lesionei-me ao frenar o eléctrico tipo 700, afecto ao serviço "Tram Tour" que me afastou dos carris até ao dia 09 de Outubro. Primeiro a comunicação do acidente de trabalho à central, depois a recolha do eléctrico à estação, a ida ao hospital e um longo processo do que parecia ser uma simples lesão. Com o passar das horas, as dores iam aumentando e o braço acusava cada vez mais a dor no ombro direito que me impossibilitava de o levantar acima da cintura.

Pelo meio, muitos questionavam como poderia alguém aleijar-se ao rodar um freio, outros diziam que já não se fazem guarda-freios como antigamente, enquanto que eu pensava igualmente como era possível um simples estalar do ombro durante o movimento, provocar tantas dores. E ao longo desta ausência dos carris durante quase um mês, tive a oportunidade de conhecer excelentes profissionais. Da ortopedista que me viu (um pouco a despachar no hospital de São José) da qual desconheço o nome, ao ortopedista Dr. Beja da Costa da Clínica de Todos os Santos por intermédio do seguro, não esquecendo claro está toda a equipa de terapeutas, assistentes e recepção da Clínica FisioRoma, nomeadamente à terapeuta Luisa Ferreira que me acompanhou ao longo da recuperação.  

Foi um período de tempo dedicado ao repouso e recuperação da Omalgia provocada por uma tendinite no ombro direito com várias contrações musculares ao nível do Trapézio Superior. Hoje após nova consulta no seguro, tive alta com incapacidade temporária de 20%, e prolongamento da fisioterapia a fim de se poder ver como irá agora responder o braço ao esforço diário para que se consiga recuperar totalmente a lesão contraída. Sei que ao longo desta ausência fiz falta enquanto número, mas não enquanto profissional, porque em nenhum lado há insubstituíveis. Confesso que sentia já a falta da rotina diária, da condução, do nem sempre fácil contacto com os passageiros, mas ao mesmo tempo sabia que o importante é acima de tudo a recuperação. 

E decido fazer este agradecimento público agora enquanto tenho tempo para a escrita, porque os próximos dias serão preenchidos entre o trabalho e a fisioterapia. Assim pretendo mostrar que neste país marcado, hoje pela triste notícia da perda do jornalista Fernando de Sousa, e diariamente pelos casos BES, Tecnoforma, Citius, Cortes Salariais e Primárias, ainda existem pessoas e profissionais que merecem ser falados e para os quais deixo os meus agradecimentos, sabendo que poderei continuar a ter deles o excelente profissionalismo que os caracteriza e com o qual tenho tido o prazer de lidar ao longo do último mês e que me tem permitido recuperar e voltar assim a fazer aquilo que tanto gosto, ou seja, conduzir e transportar milhares de pessoas por dia nesta bonita cidade que é Lisboa.

Assim sendo, quero agradecer:

Aos colegas que sempre foram dando força e desejando as melhoras,
Às minhas chefias directas,
Ao Hospital de São José e seus profissionais,
Ao gabinete «Apoio+» da Carris pelo apoio demonstrado desde a data do acidente,
Aos profissionais da Clínica de Todos os Santos,
Ao Dr. Beja da Costa,
Aos profissionais da Clínica FisioRoma, nomeadamente ao terapeuta Olímpio que fez o meu diagnóstico e à terapeuta Luisa que me acompanhou neste processo de recuperação, não esquecendo todas as assistentes e restantes terapeutas que foram ajudando na recuperação,
Aos familiares e amigos,
E claro está, aos leitores e seguidores do Diário do Tripulante na rede social Facebook pelas mensagens publicadas.

A todos, os meus agradecimentos e votos de que continuem como até aqui a desempenhar com gosto a profissão e o papel que desempenham na sociedade. Sei que não estou totalmente recuperado, mas sei igualmente que na mão destes profissionais irei ficar novamente e em breve a 100%

[imagens: Rafael Santos / Arquivo / auladeanatomia.com]


2 comentários:

Maria Isabel Q. disse...

Só agora me dei conta do que lhe aconteceu. Vejo que já se encontra melhor. "Miminhos" não lhe faltaram.

Um abraço e bom fim de semana.

Flor


Manuel Tomaz disse...

Normalmente as pessoas falam dos "profissionais" quando algo não corre bem. Não é o seu caso! Também se deve falar "deles" quando as coisas correram bem!...

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